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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 99 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sábado, 31 de dezembro de 2022

Cine Especial: Retrospectiva 2022 e um Feliz 2023

"Avatar: O Caminho da Água" 

Neste momento está o maior calor lá fora, mas mesmo fervilhando eu estava recapitulando através das minhas memórias o que havia acontecido ao longo deste último ano com relação ao cinema. Foi um ano melhor se formos comparar ao ano anterior, principalmente pelo fato da pandemia ter diminuído e o público decidindo retornar aos poucos as suas idas para uma sessão de cinema. Curiosamente, ao longo destes dozes meses parece que houve uma sensação de retomada dos velhos tempos e o desgaste do que antes parecia imbatível.  

A Queda do Oscar 

Não há como negar que esse foi sem sombra de dúvida o pior ano dessa premiação, onde a maioria somente irá se lembrar de Will Smith dando um tapa na cara de Chris Rock. Esse acontecimento foi somente a cereja do bolo para constatar o lado medíocre que essa cerimonia se tornou, ao ponto que as premiações técnicas foram esnobadas, como se esses pontos na construção de um filme não fossem importantes de se fazer um longa metragem. Talvez o meu pensamento esteja mais do que coerente atualmente, de que o tempo seja sim o maior prêmio para um filme quando ele é lembrado e reconhecido ao longo de vários anos após o seu lançamento.  

O declínio de um gênero?  

Sempre digo que Hollywood é sempre responsável, tanto pelo ápice, como também pela queda de um gênero cinematográfico. No caso das adaptações de HQ de Super Heróis para o cinema eu acredito que finalmente estamos diante de um verdadeiro desgaste e isso é sintetizado ainda mais por conta da Marvel /Disney. Com a sua fase quatro encerrada com "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre", os estúdios se viram diante de críticas mais pesadas, tanto da crítica especializada como também do próprio público que notou uma queda de qualidade, tanto nas histórias, como também nos efeitos visuais realizados na pressa. Resta saber até que ponto Kevin Feige seguirá em frente com a sua estratégia, pois a própria está consumindo a casa das ideias.

Mas o outro lado da cerca não é muito diferente, senão pior. Após o sucesso mediano de "Adão Negro" Warner/DC decide reiniciar tudo de novo com os seus heróis e isso tudo comandado pelo cineasta James Gunn que foi escolhido como novo chefe da DC Estúdio. O resultado é a demissão de atores como Henry Cavill e provocando uma avalanche de críticas pesadas e vendo com maus olhos a nova iniciativa. Sinceramente Gunn adentrou em um verdadeiro vespeiro e que fica até mesmo difícil saber qual será o resultado.

Ao menos, um ou outro ainda pensa em fazer cinema de verdade dentro do estúdio e "The Batman" é uma prova viva disso. Limitando os efeitos desnecessários em cena e se preocupando mais em contar uma história verossímil, o diretor Matt Reeves reconta os primeiros anos do homem morcego dialogando com os dilemas e os medos que assombram o mundo contemporâneo. O realizador fez a lição de casa assim como Christopher Nolan havia feito com "Cavaleiro das Trevas" e dando uma revitalizada no gênero que se encontra perto do precipício.  

Os Bons Tempos Voltaram 

Talvez 2022 seja lembrado com o fato de ser o primeiro ano após muito tempo de que a maior arrecadação na bilheteria não pertenceu a uma adaptação de HQ. Coube o retorno de Tom Cruise, por exemplo, para quebrar esse tabu com o surpreendente "Top Gun - Maverick". Mais do que uma continuação de um clássico oitentista, o filme é uma verdadeira aula de como se fazia cinema como antigamente, ou seja, na raça e no ar literalmente. O diretor Joseph Kosinski buscou inspiração no lendário produtor Howard Hughes, que simplesmente pegava uma câmera na mão e filmava realmente os aviões no céu dentro da cabine de uma das aeronaves. E sim, Tom Cruise realmente pilota em cena em uma das maquinas voadoras e se superando novamente nas cenas perigosas.

Da velha guarda, é preciso destacar o surpreendente trabalho Baz Luhrmann no maravilho "Elvis", superprodução de grande requinte visual e que surpreendeu ao dar uma nova visão sobre a vida pessoal e profissional do rei do rock através do seu suspeito empresário e do qual o mesmo foi interpretado por um irreconhecível Tom Hanks.

De Volta a Pandora 

James Cameron é teimoso e nada irá tirar de sua cabeça que o 3D é sim o futuro do cinema. Convenhamos, o seu "Avatar: O Caminho da Água" não revoluciona na questão do 3D, mas dá uma verdadeira aula de como se usa os efeitos digitais em prol de contar uma boa história. Nunca um planeta alienígena foi tão realístico, nunca seres marinhos de outros planetas foram tão reais e nunca os Na'vi foram tão realistas ao ponto de esquecermos que, por detrás da técnica de captura em movimento, há realmente grandes atores e sendo eles o verdadeiro coração e alma do filme.  

A vitória do Cinema Independente  

Se Hollywood ainda se vê presa com os seus blockbusters ao menos o cinema independente prova que, não importa o orçamento, mas sim a elaboração de uma boa história é o que faz a diferença como um todo. O estúdio "A24" se consagrou no passado ao fazer diversos filmes de terror, porém, expandiu e adentrando em novos gêneros e conseguindo assim obter inúmeros feitos. O ápice desse cenário se encontra com o seu "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo", uma ficção que se mistura com cenas de ação, aventura e diversas teorias sobre realidade alternativa e fazendo os estúdios Marvel e DC comendo poeira. Porém, o estúdio não largou o seu principal osso que é o gênero de horror e nos surpreendendo com "Men", "X" e seu surpreende prequel "Pearl".

E na reta final de ano, o cinema independente surpreende com o delicado, porém, poderoso "Aftersun" e cuja a relação entre pai e filha dentro da trama tem muito mais a dizer sobre a sociedade contemporânea de hoje do que a gente imagina.  

Cinema Sem Fronteira 

Foi também um ano em que o cinema nos demais países provaram a sua força e se destacando pela sua qualidade e autoria vinda dos seus cineastas. Da Alemanha tivemos o surpreendente "Nada de Novo no Front", filme de guerra que mostra a realidade crua da Primeira Grande Guerra e se tornando franco favorito para o próximo Oscar. Nossos hermanos daqui do lado deram uma verdadeira aula de história em "Argentina 1985" e provando que certas feridas não podem ser meramente cicatrizadas, mas sim procurar e punir aqueles que provocaram elas. E como não poderia deixar de ser o cinema francês arremangou as mangas neste ano com força e nos brindando com títulos de quilate como "O Acontecimento", "Bem-Vindos à Bordo", "A Acusação", "Contratempos" e tantos outros.  

E o Nosso Cinema Como Fica?  

Desde a extinção da Embrafilme não se via um temor tão grande como agora com relação ao futuro do nosso cinema nacional. Graças ao desgoverno de Bolsonaro, vários projetos foram cancelados devido a extinção do Ministério da Cultura, assim como a limitação imposta colocada contra Ancine. Para piorar, a situação se agravou devido a pandemia, onde vários cinemas que exibem somente o Cinema Nacional acabaram fechando por tempo indeterminado e somente abrindo quando a situação se minimizou, porém, não acabando com os problemas a seguir. O Cinebancários de Porto Alegre, por exemplo, é o mais belo representante sobre a dedicação de exibir somente filmes nacionais, mas tendo pouco público se for comparado a outras salas da região como a Cinemateca Capitólio que sempre manteve um público fiel.

Resta manter a esperança que essa sala e as demais em todo país se mantenham firmes e exibam o nosso Cinema Nacional que sempre existiu através de muita luta em meio as adversidades criadas através da ignorância política assim como também de uma parcela brasileira preconceituosa e que não valoriza o que a gente cria. Dos destaques deste ano se teve "Marte Um", filme que melhor sintetizou um país após as eleições de 2018 e tivemos "Medida Provisória", filme de Lazaro Ramos que sofreu censura unicamente por escancarar uma ficção que fala sobre o nosso tempo atual em que o preconceito e a ignorância assola o nosso país a cada dia que passa. 

Agradecimentos e um Feliz 2023 

Gostaria de agradecer a toda a diretoria do Clube de Cinema de Porto Alegre que neste ano me escolheram como divulgador da programação das sessões do Clube e que na maioria das vezes acontece na convidativa Cinemateca Paulo Amorim. Agradecer a psicóloga Maria Emília Bottini que me convidou novamente a fazer parte do grupo online Cine Debate, onde sempre escolhemos um determinado filme para assisti-lo e debatermos a cada quinze dias. Agradecer pela força de vontade de Jorge Ghiorzi que fez renascer a esperança de termos novamente os cursos de cinema do Cine Um, por enquanto online, mas tendo a esperança aflorada de voltarmos a ter as atividades de forma presencial novamente.

Agradecer as distribuidoras Colecione Clássicos e Classicline que fez com que mantivesse o meu interesse de continuar colecionando filmes em DVD e dando uma fortalecida nesta mídia física que, felizmente, teima em não morrer. Agradecer as Cinematecas Capitólio e Paulo Amorim de Porto Alegre ao nos dar uma programação diversificada e sendo algo que não se encontra nos cinemas de shoppings. E, por fim, agradecer a todos os leitores que me acompanharam nesta empreitada cinematográfica, pois o meu blog existe pela paixão obsessiva que eu tenho pelo cinema e que me fez cada vez mais me dedicar na escrita, me aprofundar ainda mais na sétima arte e da qual estarei sempre com ela haja o que houver.      


A TODOS UM FELIZ 2023 CHEIO DE AMOR, ESPERANÇA E COM MUITAS IDAS AO ESCURINHO DO CINEMA.   

 

top 10: Melhores Filmes Estrangeiros 

 

1º Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

2º Aftersun 

3º O Acontecimento

4º Nope (Não! Não Olhe!)

5º Nada de Novo no Front

6º The Batman

7º Elvis

8º Top Gun: Maverick

9º Avatar: O Caminho da Água

10º O Homem do Norte


Top 10:Melhores Filmes Nacionais 


1º Medida Provisória

2º Marte Um

3º Carvão 

4º A Mãe 

5º Meu Tio José

6º Os Primeiros Soldados 

7º O Livro dos Prazeres

8º Jesus Kid

9º A Casa de Antiguidades

10º Deserto Particular


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (30/12/2022)

 DECISÃO DE PARTIR

Sinopse: Um homem cai do pico de uma montanha e morre. O detetive responsável pelo caso, Haejoon (PARK Hae-il), vai ao encontro da viúva da vítima. Seo-rae (TANG Wei) não mostra nenhum sinal de agitação com a notícia da morte do marido. 


TERRIFIER 2

Sinopse: Depois de ser ressuscitado por uma entidade maligna, Art, o palhaço, está de volta no condado de Miles, onde busca caçar uma adolescente e seu irmão mais novo durante o Halloween!


GATO DE BOTAS 2 – O ÚLTIMO PEDIDO

Sinopse: Em Gato de Botas 2: O Último Pedido, O Gato de Botas descobre que sua paixão pela aventura cobrou seu preço: por conta de seu gosto pelo perigo e pelo desrespeito à segurança pessoal, ele queimou oito de suas nove vidas.


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Cine Especial: 'Isto é Pelé' (1974)

 

Pelé representou no futebol o que Charles Chaplin representou para o cinema. Em ambos os casos fizeram o que faziam de melhor através de suas artes e das quais conquistaram o mundo além de muda-lo para sempre como um todo. No caso de Pelé os seus dribles eram um verdadeiro balé e os seus chutes a gol faziam com que a torcida gritava de tal forma que o eco jamais foi repetido ao longo das décadas. Ao lado de Garrincha, Zagallo e tantos outros mestres da bola, Pelé pertence a era de ouro do futebol e da qual essa geração não tem nenhuma ideia do que isso significa e, portanto, nada melhor do que a presencia-la através da magia do cinema.

O documentário realizado em 1974, "Isto é Pelé" mostra a cruzada do mestre em tempos como jogador principal do Santos e logo se tornando o titular da seleção brasileira por mais de dez anos. Três campeonatos mundiais, mais de mil gols e tudo registrado pelas imagens do"Canal 100", um cinejornal brasileiro, do qual foi fundado em 1957 por Carlos Niemeyer, inicialmente com o nome "Lider Cinematográfica". Através desse Cine Jornal se tem a melhor fusão entre a sétima arte e o futebol dos seus tempos dourados e que cada imagem dos dribles e chutes a gol se tornam um verdadeiro mosaico cheio de detalhes e que os tornaram inesquecíveis.

O rei Pelé finalmente ganhou o seu merecido descanso, mas a sua imagem com a bola no pé e no peito se tornaram símbolos de tempos que não voltam mais para o mundo do futebol, mas que servem como exemplo de tempos em que os jogadores jogavam com paixão, pelo amor à camisa e pelo desejo em fazer gols a todo instante não importando o que aconteça.  

Assista ao documentário "Isto é Pelé" clicando aqui. 


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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO DE 29 DE DEZEMBRO DE 2022 A 04 DE JANEIRO DE 2023 na Casa de Cultura Mario Quintana

 DEVIDO AO FERIADO DE ANO NOVO, NÃO HAVERÁ SESSÕES NOS DIAS 31 DE DEZEMBRO E 1º DE JANEIRO


A Brigada da Chefe 


SALA 2 / EDUARDO HIRTZ


14h40 – A BRIGADA DA CHEFE     *ESTREIA*  Assista o trailer aqui.

(La Brigade - França, 2022, 100min). Direção de Louis-Julien Petit, com Audrey Lamy, François Cluzet, Chantal Neuwirth, Fatou Kaba. Imovision, Livre. Comédia dramática.

Sinopse: Cathy é uma chef de cozinha que sonha em abrir seu próprio restaurante. Enquanto não consegue o dinheiro necessário para bancar o negócio, ela aceita trabalhar na cozinha de um abrigo para jovens imigrantes. No início Cathy odeia o novo emprego - e os garotos preferem comer bobagens industrializadas. Mas, aos poucos, a paixão da chef pela culinária começa a despertar o interesse dos meninos, ao mesmo tempo em que ela percebe que o mundo vai além da sua cozinha.


16h30 – MALI TWIST Assista o trailer aqui.

(Twist à Bamako - Senegal/Mali/França/Canadá, 2021, 130min). Direção de Robert Guédiguian, com Stéphane Bak, Alice Da Luz, Saabo Balde. Imovision, 14 anos. Drama.

Sinopse: No início dos anos 1960, os jovens da recém proclamada República do Mali sonham com a renovação política e dançam ao som da música norte-americana. É neste cenário que Samba, um adepto do socialismo, se apaixona por Lara, que foi prometida em casamento para um líder do seu povoado. Lara e Samba sonham com um futuro juntos, mas a liberdade dos novos tempos ainda não é compreendida por todos.


19h – AFTERSUN   Assista o trailer aqui.

(Reino Unido/EUA, 2022, 100min). Direção de Charlotte Wells, com Frankie Corio e Paul Mescal. O2 Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Quando tinha 11 anos, Sophie passou alguns dias de férias com o pai, numa praia ensolarada e cheia de descobertas. Vinte anos depois, ela encontra um vídeo daquele verão e tenta se reconciliar com suas lembranças e com aquele homem que até hoje não conhece plenamente.


SALA 3 / NORBERTO LUBISCO


15h – MARTE UM   Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2021, 115min). Direção de Gabriel Martins, com Cícero Lucas, Carlos Francisco, Camilla Damião. Embaúba Filmes, 16 anos. Drama.

Sinopse: Os Martins, uma família negra de classe média baixa, vivem na periferia de uma grande cidade brasileira – e, apesar da situação do país, tentam equilibrar suas expectativas e dificuldades. A mãe, Tércia, acha que está amaldiçoada depois de levar um susto, enquanto a filha mais velha planeja ir morar com a namorada. O pai, Wellington, que trabalha como porteiro, sonha com o dia em que o filho mais novo será um jogador de futebol, mas Deivinho sonha mesmo em viajar para Marte. O longa é o indicado pelo Brasil para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar de melhor filme internacional.


17h15 – UMA MULHER DO MUNDO   Assista o trailer aqui.

(Une Femme du Monde - França, 2021, 100min). Direção de Cécile Ducrocq, com Laure Calamy, Nissim Renard, Béatrice Facquer. Imovision, 18 anos. Drama.

Sinopse: Marie ganha a vida como prostituta e é atuante no sindicato das profissionais do sexo. Ela também tem um filho de 17 anos, mas as relações com o garoto não são nada tranquilas. Sonhando com um futuro melhor para o filho, Marie resolve matriculá-lo em um renomado curso de culinária francesa – mas sua renda não dá conta do alto valor das mensalidades. A atriz Laure Calamy foi indicada ao prêmio César pela interpretação da protagonista.


19h15 – A BRIGADA DA CHEFE     *ESTREIA*

(La Brigade - França, 2022, 100min). Direção de Louis-Julien Petit, com Audrey Lamy, François Cluzet, Chantal Neuwirth, Fatou Kaba. Imovision, Livre. Comédia dramática.

Sinopse: Cathy é uma chef de cozinha que sonha em abrir seu próprio restaurante. Enquanto não consegue o dinheiro necessário para bancar o negócio, ela aceita trabalhar na cozinha de um abrigo para jovens imigrantes. No início Cathy odeia o novo emprego - e os garotos preferem comer bobagens industrializadas. Mas, aos poucos, a paixão da chef pela culinária começa a despertar o interesse dos meninos, ao mesmo tempo em que ela percebe que o mundo vai além da sua cozinha.


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 12,00 (R$ 6,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 14,00 (R$ 7,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). CLIENTES DO BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES. 

Professores têm direito a meia-entrada mediante apresentação de identificação profissional. Estudantes devem apresentar carteira de identidade estudantil. Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013. Brigadianos e Policiais Civis Estaduais tem direito a entrada franca mediante apresentação de carteirinha de identificação profissional.

*Quantidades estão limitadas à disponibilidade de vagas na sala.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Cine Dica: Em Cartaz - 'Bem-Vindos à Bordo'

Sinopse: Cassandre, uma comissária de bordo de 26 anos, perde o emprego em uma companhia aérea. 

É interessante observar que nos últimos tempos o cinema tem explorado bastante a questão de que o capitalismo esteja neste momento explorando o ser humano até o osso e fazendo do mesmo se tornar uma mera peça das engrenagens que pode posteriormente ser descartado. No filme "Nomadland" (2020), por exemplo, vemos a protagonista se tornar uma nômade que vive perambulando os EUA, mas que mesmo assim continua trabalhando em diversos trabalhos no percurso para continuar sobrevivendo. "Bem-Vindos à Bordo" (2021) fala sobre o dever ser comprido dentro de uma empresa área que se encontra sempre em movimento e ao mesmo tempo tendo que lidar com o que resta de sua vida pessoal para ainda poder se lembrar do que ela faz em ser uma pessoa ao invés de uma peça.

Dirigido por Emmanuel Marre e Julie Lecoustre, o filme conta a história de Cassandra (Adèle Exarchopoulos), uma comissária de bordo de 26 anos, que trabalha em uma companhia aérea doméstica e de baixo prestígio. Da forma mais serena e automática possível, ela está sempre disposta a fazer horas extras e desempenhar suas tarefas com eficácia exemplar. Em paralelo, em seus dias de folga, ela leva uma vida despreocupada entre Tinder, festas e tédio. Porém, ao ser dispensada pela empresa repentinamente, a jovem se vê obrigada a descartar antigos hábitos e lidar com o que a vida lhe preparou em seu retorno para casa, inclusive sua caótica vida pessoal.

Conhecida mundialmente pela sua atuação em "Azul é a Cor Mais Quente" (2013), Adèle Exarchopoulos novamente interpreta uma personagem que procura compreender a sua realidade em volta de acordo com o que ela observa e sempre nos passando uma sensação de uma briga interna mesmo quando ela não coloca a sua dor para fora. Enfrentando ainda o luto devido a perda da sua mãe, sua personagem transita entre o dever, sonhos e uma vida pessoal que se encontra meio que vazia, mas encontrando um pouco de vida através do seu pai, da irmã e de amigos que se apresentam também com dilemas parecidos. Em seus horários de folga, por exemplo, observamos que as pessoas procuram mais se abrirem com ela e destacando as suas dores do que ela própria, mesmo quando a mesma também possui passagens em que ela, ao menos, permite em derramar uma lagrima.

Em contrapartida, o seu dia a dia no trabalho como comissária de bordo é uma verdadeira luta para se manter com a boa aparência, sempre com um sorriso no rosto e mesmo quando os passageiros lhe abusam verbalmente. Porém, no momento em que ela perde o seu principal cargo, ela precisa trabalhar duro entre cursos para aprimorar ainda mais o seu desempenho dentro da empresa, nem que para isso lhe custe a sua saúde mental e física. Não deixa de ser interessante, por exemplo, ao vermos a mesma tendo que aprender de tudo um pouco, desde como sair do avião durante um incêndio, como também como fazer respiração boca a boca em um passageiro.

Tecnicamente, os realizadores cumprem muito bem a sua função de fazer com que testemunhemos o dia a dia da protagonista, como se a suas câmeras se tornassem uma representação de nosso olhar e ao mesmo tempo nos guiando sempre a mesma direção em que ela dá. Curiosamente, é interessante observar que alguns personagens que a personagem se interage é como se fossem interpretados por atores amadores ou que sejam realmente pessoas comuns em cena e nos passando assim uma sensação de que a obra transite entre a ficção e o seu lado quase documental. Em uma situação delicada, por exemplo, vemos a protagonista sendo uma boa ouvinte para uma passageira, mas ao mesmo tempo tendo que sofrer em seguida uma advertência por não ser 100% profissional neste momento.

Aliás, essa exploração que a empresa faz contra a personagem é vista em determinados pontos da trama, ao fazer da própria em não ter muito escolha, mesmo quando há pessoas lhe alertando o quanto ela está sendo explorada. Ao final, ela pode até obter o seu cargo dos sonhos, mas isso após muitos percalços e ao mesmo tempo em meio a busca por uma redenção e entendimento sobre o seu lugar dentro de sua família e podendo assim obter uma certa paz de espirito que tanto lhe faz falta. A cena final é emblemática, onde vemos ela e diversas pessoas desfrutando um momento de lazer na cidade de Dubai e sintetizando neste momento o lado mais humano de uma sociedade atual sempre em movimento.

"Bem-Vindos à Bordo" fala sobre sonhos e deveres em meio a corrida pelo sucesso e ao mesmo tempo lutar para não se tornar uma mera peça descartada em meio ao percurso. 


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terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Cine Dica: Streaming - 'Pinóquio por Guillermo Del Toro'

Sinopse: O desejo de um pai solitário dá vida magicamente a um boneco de madeira, seu nome é Pinóquio. Confuso por ser tão diferente das outras crianças, Pinóquio foge de casa para encontrar seu lugar no mundo e se depara com perigo e aventura. 

Guillermo del Toro é fascinado por contos de fadas, porém, suas visões para essas histórias são sombrias, com uma lição de moral adulta e que passa muito longe da proposta elaborada por Disney quando adaptava, por exemplo, os contos dos Irmãos Grimm. No caso do conto "Pinóquio", obra máxima criada pelo italiano Carlo Collodi, ele possui diversas adaptações ao longo da história, sendo que a mais conhecida é a de 1940, criada pelo próprio Disney e que, embora fiel a sua fonte, era um tanto que suavizada se comparada a versão literária. "Pinóquio por Guillermo Del Toro" (2022) possui algumas diferenças, porém, é a mais próxima com relação a ideia principal do escritor.

A nova versão do diretor Guillermo del Toro é uma releitura sombria e distorcida do famoso conto de fadas de Carlo Collodi sobre o boneco de madeira que sonha em se tornar um menino de verdade. Situado na época da primeira grande guerra, onde a Itália é comandada pelo fascismo, Pinóquio ganha a vida quando seu criador talha a forma de um menino em madeira. Mas essa não é qualquer história que todos estão acostumados a ver sobre o menino travesso de madeira.

Diferente de outras adaptações, Guillermo del Toro, ao lado do codiretor Mark Gustafson, não usa desenho tradicional para criar a trama, e tão pouco o desenho digital, mas sim usando o bom e velho Stop motion. Filmado em quadro a quadro, o filme possui um dos visuais mais belos e perfeccionistas do ano, do qual nos esquecemos que são bonecos filmados e sintetizando todo o carinho dos realizadores durante a realização do projeto. Uma prova que esse tipo de animação pode sim ainda ser usada em pleno século vinte um, desde que feita com coração e que possa conquistar diversa plateias.

Porém, não espere um conto infantil, pois a obra do realizador foge de qualquer previsibilidade e se distanciando do que nós imaginávamos. Guillermo del Toro cria um conto sobre atos e consequências, sobre valorizar a vida breve deste planeta e que o desejo de se contrapor a isso levará por um caminho sem volta. Pinóquio nasceu através do desejo de Gepeto em ter o seu filho de volta que havia falecido devido à queda de uma bomba, mas não o aceitando de forma imediata e tendo que se lembrar novamente o que fazia ser um pai. Já Pinóquio aprenderá por duras penas entender a realidade em que vive, tendo ajuda do seu amigo Grilo Falante, mas do qual as vezes nem sequer é ouvido pelo protagonista nos momentos de pior crise.

Quem é fã da filmografia de Guillermo del Toro irá perceber certas referências de outros filmes, principalmente no início do primeiro ato. Em um determinado momento, por exemplo, uma bomba cai no meio da igreja e provocando a morte do verdadeiro filho de Gepeto. Essa cena é uma curiosa homenagem ao ótimo "A Espinha do Diabo" (2001), filme que levantou a moral do diretor depois do mal sucedido "A Mutação" (1997) em território americano. E como não poderia deixar de ser, o realizador faz uma crítica ácida sobre a época do fascismo italiano dentro da trama, sendo que quando o assunto é sobre a guerra o diretor coloca o dedo na ferida e cujo ápice disso se encontra em sua obra prima "O Labirinto do Fauno" (2006).

Embora a trama se distancie um pouco de sua fonte original aqui e ali, a ideia principal continua intacta e ao mesmo tempo fresca para as novas plateias. Curiosamente, não vemos mais um menino de madeira em querer ser um menino de verdade, mas sim em aprender a se sacrificar por aqueles que ele ama, mesmo tendo que aprender posteriormente que todo começo haverá um fim e valorizar, enfim, a vida que nos é dada e aproveita-la antes que ela seja extinguida. Talvez os adultos de hoje que conheceram a obra através das mãos de Disney quando eram crianças consigam hoje aceitar a visão mais adulta de Guillermo del Toro, pois todo conto tem a sua lição de moral em meio ao sofrimento.

"Pinóquio por Guillermo Del Toro" é tudo aquilo que faltava nas outras adaptações da obra de Carlo Collodi e fazendo com ele se torne uma versão corajosa e única para dizer o mínimo. 

Onde Assistir: Netflix

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Cine Dica: Streaming - 'Wandinha'

Sinopse: Inteligente, sarcástica e apática, Wandinha Addams pode estar meio morta por dentro, mas na Escola Nunca Mais ela vai fazer amigos, inimigos e investigar assassinatos.   

Quando eu pensava em "Família Addams" ficava me perguntando porque raios não foi Tim Burton ao ser escolhido para dirigir os dois filmes que foram adaptados para o cinema no início da década de noventa. Felizmente, esta adaptação estava em boas mãos, mais especificamente pela visão autoral de Barry Sonnenfeld e que, posteriormente, rodaria outro grande sucesso de sua carreira que foi "Os Homens de Preto" (1997). Mesmo assim, ainda achava que a obra máxima do cartonista norte-americano Charles Addams se casaria com perfeição com a visão lírica e sombria do pai de "Edward Mãos de Tesoura" (1990).

"A Família Addams" são na realidade uma crítica ácida contra a sociedade norte americana, sendo mais especificamente uma inversão aos valores e aos bons costumes que o governo tanto pregava e que queria vender ao mundo a sua sociedade falsamente perfeita. Atualmente, é muito mais fácil nos identificarmos com os Addams, principalmente aqueles que possuem um bom senso aflorado e não se vendendo facilmente ao lado hipócrita de uma sociedade que somente esconde o lado podre perante aos olhos do mundo. "Wandinha" (2022) é a realização pessoal de um sonho, ao ver Tim Burton finalmente abraçando um universo que estava sempre predestinado em dirigi-lo.

Porém, a série vai mais além, ao deixar os demais da família como coadjuvantes, dando total destaque a Wandinha e sendo interpretada com garra pela atriz Jenna Ortega. Ainda acho Christina Ricci uma Wandinha perfeita, mas Ortega leva o personagem tão a sério que não tem como deixar de ser seduzido por ela, onde o lado lucido e sarcástico da personagem é aqui ainda mais aflorado e de uma forma irresistível. Como se ainda não bastasse, a sua cena de dança de um determinado baile durante a temporada é desde já um dos momentos mais marcantes do ano e que já virou coqueluche nas redes sociais em todo o mundo.

Quanto a trama em si ela não é às mil maravilhas, sendo que de originalidade é quase zero, mas isso é compreendido e bem aceito. Para começar, a história nada mais é do que uma versão alternativa ao estilo de Tim Burton com relação ao universo de Harry Potter, sendo que academia "Nunca Mais" onde a protagonista irá estudar é uma versão sombria e bizarra de Hogwarts e cujo os seus alunos cada um tem o seu respectivo dom sombrio e lembrando outra obra do realizador que foi "O Lar das Crianças Peculiares" (2016). E se alguém ainda dúvida do que eu estou falando aguarde para uma participação rápida de um personagem que é uma cópia descarada de Harry Potter e cuja a sua aparição serve de ponta pé inicial para uma trama investigativa.

Curiosamente, estamos sempre acostumados com as adaptações dos "Addams" com um teor que se envereda mais para o humor. Porém, aqui a série ganha contornos de suspense, pinceladas do gênero investigativo e até mesmo com alguns momentos dramáticos. Os momentos divertidos ficam por conta da Wandinha responder altura com relação ao fato de não se interessar pelas tecnologias atuais e rendendo frases que até mesmo nos faz pensar. Embora a trama possua algumas histórias secundárias que acontecem durante a série elas jamais se tornam gratuitas e se alinhando com a peça principal que move toda a história.

Dos coadjuvantes que surgem na academia destaco Enid Sinclair, divertidamente interpretada por Emma Myers, sendo que ela e sua família são lobisomens, mas ela ainda tem certa dificuldade de se transformar. Mesmo sendo uma figura completamente oposta se comparada a protagonista, não deixa de ser interessante, por exemplo, a sua insistência em querer ser a melhor amiga de Wandinha, mas cuja a tarefa pode ser cansativa e até mesmo perigosa. Ao meu ver, Enid é uma representação dos nossos desejos caso Wandinha realmente existisse, já que sua personalidade complexa nos atrairia de tal forma que se tornaria uma obsessão em sempre querer ficar ao lado de alguém tão oposto se comparado aos demais dessa sociedade que se diz perfeitinha.

Visualmente o filme é arrebatador, onde vemos a marca registrada de Tim Burton na sua edição de arte, fotografia e cuja as cores escuras transitando com o colorido nos remete aos bons e velhos tempos dos primeiros grandes clássicos do cineasta como, por exemplo, "Os Fantasmas se Divertem" (1988). E se por um lado os efeitos visuais de determinados monstros que surgem na trama soam como falsos demais, isso acaba sendo proposital, pois o realizador nunca se vendeu facilmente ao CGI, mas sim em usar efeitos práticos sempre quando possível e remetendo como se fazia o bom cinema de tempos antigos. Resta saber se haverá uma segunda temporada e que seja, logicamente, de sua autoria.

Com ótimas atuações de um grande elenco, incluindo Catherine Zeta-Jones como Mortícia Addams, "Wandinha" é o sonho realizado para aqueles que queriam ver a obra máxima do cartunista Charles Addams nas mãos de Tim Burton.  


Onde Assistir: Netlfix. 

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Cine Especial: Revisitando 'A Felicidade Não Se Compra'

Quando era criança eu sempre aguardava para assistir na tv os especiais de natal, ou especificamente os filmes em que a festa natalina fazia parte da história. Clássicos como "Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho" (1964), "Esqueceram de Mim" (1990) e o "Fantástico Mundo de Jack" (1993) fazem parte de uma época em que os anos demoravam a passar e quando o natal chegava esses clássicos faziam com que a data festiva se tornasse ainda mais colorida. Embora eu tenha conhecido tardiamente "A Felicidade Não se Compra" (1946) é um dos maiores clássicos natalinos do cinema norte americano e motivos para isso é o que não faltam.

O diretor Frank Capra era o que melhor da "Era de Ouro do Cinema" em que sabia transitar o gênero comédia para momentos em que a dramaticidade era realmente necessária. Filmes como "Aconteceu Naquela Noite" (1934) e "A Mulher faz o Homem" (1939) são belos exemplos a serem lembrados, sendo que o último rendeu uma das melhores atuações da carreira de James Stewart. Com "A Felicidade Não se Compra" ele retornaria sua parceria com Capra e a decisão foi mais do que acertada.

Baseado em conto natalino de Philip Van Doren Stern, a trama se passa na cidade fictícia de Bedford Falls, na época de natal, onde George Bailey (James Stewart), que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de Henry Potter (Lionel Barrymore), o homem mais rico da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas é mandado à Terra para tentar fazer George mudar de ideia, demonstrando sua importância através de uma realidade alternativa.

James Stewart quase não embarcou no projeto, pois estava cansado após os horrores da Segunda Guerra Mundial que ele havia testemunhado quando serviu. Porém, ele foi convencido por Lionel Barrymore após muita insistência e dizendo sempre que não haveria outro ator para interpretar o personagem, a não ser ele. Com o astro principal escolhido Frank Capra rodou a produção a todo vapor, mas ninguém imaginava o quanto seria colossal.

Para começar, a cidade Bedford Falls foi toda construída em estúdio e sendo considerada até hoje como um dos maiores cenários cinematográficos da história do cinema. Curiosamente, esse cenário ganha ainda mais brilho na versão colorida que o filme havia ganhando em 1986 e fazendo dela se tornar a favorita para muitos que assistem ao clássico até hoje na tv. Neste último caso, embora o filme não tenha se dado muito bem na bilheteria na época do seu lançamento, o mesmo acabou ganhando fãs através das exibições especais de natal de fim de ano nas tvs norte americanas e ganhando o seu merecido reconhecimento através das décadas.

Ao meu ver, a imagem de bom moço de James Stewart talvez tenha se fortalecido ainda mais através desse filme, pois o seu George é um verdadeiro Samaritano dentro da cidade e sempre disposto em ajudar alguém que precise. O filme é um retrato, mesmo que muito romantizado, do homem contra o sistema capitalista da época e que se empenha em conseguir realizar os seus desejos, mesmo que para isso tenha que adia-los. Ao se casar com sua paixão de infância Mary (Donna Reed), George acredita por um certo momento que ele adquiriu a verdadeira felicidade, mas mal sabendo das adversidades que viriam logo em seguida.

Na realidade, o filme já começa nos dando a informação que ele pretende se suicidar devido aos problemas financeiros. Porém, ele receberá ajuda de um curioso Anjo chamado Clarence (Henry Travers), que o impede de cometer suicídio, mas que ainda não sabe ao certo como ajuda-lo. Porém, George fala que preferia não ter existido e é então que algo imprevisível acontece.

Ao dizer essas palavras Clarence mostra para George uma outra realidade, onde ele não existe e fazendo com que, tanto a cidade em si como os habitantes de lá, tivessem um rumo diferente. Um ato final guardado a sete chaves, pois já sabíamos que o protagonista receberia ajuda de um anjo, mas pegando o público na época desprevenido com essa realidade alternativa inesperada e fazendo com que o filme se torne, mesmo por alguns minutos, algo sufocante, pois atuação de Stewart neste momento se sobressai de forma impressionante. Talvez para o público jovem de hoje que está acostumado com realidade alternativas dos filmes de super-heróis isso não soa uma novidade, mas para a época foi uma incrível surpresa para quem assistia.

Ao final, o filme nos passa a velha lição de valorizar a vida mesmo nos momentos de adversidades, pois elas passam independente do que aconteça. A vida de um afeta a vida de outras, seja de forma positiva ou negativa e se tornando importante para continuar com esse círculo continuo e o que faz de nós sermos humanos. Em 1990, o clássico foi considerado "cultural, histórica ou esteticamente significativa" pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e selecionada para preservação em seu National Film Registry.

Recentemente apontado como o oitavo melhor filme de todos os tempos segundo a revista Variety, "A Felicidade Não Se Compra" ainda é considerado um dos melhores filmes natalinos de todos os tempos e agradecemos a Frank Capra por esse grande feito. 

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