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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre e frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 75 certificados). Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: MANIFESTO


Sinopse: Os históricos manifestos de arte podem ser aplicados à sociedade contemporânea? É isso o que Cate Blanchett tenta responder ao explorar os componentes performáticos e o significado político de declarações artísticas e inovadoras do século XX, que vão dos futuristas e dadaístas ao Pop Art, passando por Fluxus, Lars von Trier e Jim Jarmusch.




Manifesto é um filme que se propõe a discutir o real papel da arte de ontem e hoje. Existe uma exposição de pensamentos dos quais a obra explora, sendo que, em alguns momentos, entrando até mesmo em confronto entre si e sintetizando a proposta principal do filme como um todo. Talvez a proposta da qual o artista plástico e agora diretor estreante Julian Rosefeldt queira nos passar é essa: onde se encontra a originalidade?
Talvez a arte de hoje pudesse ser criada a partir da essência do seu artista, sendo uma representação do mundo do qual convive e o rodeia. Ao invés disso, talvez estejamos apenas testemunhando manifestações com teor plástico, da qual nos cause uma sensação de Déjà vu, em vez de presenciarmos algo no mínimo original e ao mesmo tempo crítico.
Num primeiro momento, talvez pensássemos que estivéssemos sendo formados desde sempre a ter uma visão autoral e livre para moldarmos o que bem entendermos com relação a arte. Porém, num manifesto visto e dito no próprio filme, uma professora põe regras e limites para os seus alunos com relação ao que devem fazer com relação aos seus trabalhos artísticos. Isso vai contra a essência primordial da verdadeira arte, da qual não se deve haver amarras, mas sim tendo uma espada, na qual consegue cortá-las e criando-se então métodos para se fazer pensar e revolucionar.
Por meio de discursos profundos e reflexivos, Manifesto soa como uma verdadeira poesia filmada. A ironia é que, para compor sua obra, Rosefeldt também usa referências, da mesma maneira como uma espécie de critica no filme. Porém, o seu primeiro longa metragem vai muito além dessa proposta. 
Ouso dizer que Manifesto corre sério risco de se tornar um dos filmes mais originais nesse ano que está passando. Criado para ser exposto numa exposição na Austrália em 2015, Rosefeldt reuniu essas manifestações artísticas para então criar a sua obra, que vai desde a música, passando pela dança e, logicamente, o cinema. O desejo era para que essa nova geração tivesse um conhecimento sobre essas ideologias e fizessem com que pensassem sobre elas.
Mas então eis que veio a ideia de transformar isso num filme e ser levado para os cinemas. É claro que num primeiro momento ficamos em dúvida com relação a um artista de primeira viagem no mundo da sétima arte, principalmente pelo fato de que não é fácil passar textos dos quais poderiam soar até mesmo abstratos demais em cena. Porém, Rosefeldt surpreende ao criar um filme visualmente complexo em alguns momentos e que, embora lembre obras como Brazil: O filme (de Terry Gilliam) nos passe certa originalidade e obtendo então a nossa total  atenção.
Contudo, o que torna Manifesto um filme indispensável é a presença magnética de Cate Blanchett, que aqui interpreta 13 personagens distintos durante o filme. Se por um lado, o cinéfilo acha um tanto estranho um filme ser protagonizado praticamente por uma única atriz interpretando vários personagens, por outro, o que se prezar ir até o fim dessa cruzada irá se sentir mais do que compensado. Cate Blanchett definitivamente some de cena e dando lugar aos seus enigmáticos personagens e com seus mundos distintos e particulares.
Além do filme se inspirar em vários artistas dos quais merecem destaque na tela, Manifesto acaba mirando em outros alvos dos quais merecem uma total atenção para termos um momento de reflexão. Eis que o filme mira então no capitalismo (sendo um sistema ultrapassado que em longo prazo acarretou vários problemas na sociedade dito no filme), a postura e manipulação da mídia, e até dos próprios críticos, que usam sua linguagem subliminar para dizer como compreendem a arte mais do que os outros poderiam entender. Mas embora tenha nascido à ideia a partir de 2015, há uma surpreendente coincidência de o filme chegar justamente no Brasil de agora, sendo num momento em que conservadores, como no caso do  movimento MBL, querer nos dizer a todo custo o que é arte, quando na verdade criam somente uma cortina de fumaça para ocultar os verdadeiros males que afligem o nosso país atualmente. 
Manifesto definitivamente não é um filme do qual será compreendido por todos, mas é graças a sua originalidade, além da contribuição e o esforço surpreendente vindo de Cate Blanchett, é o que torna o filme uma experiência incomum e que foge por completo do convencional.


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Cine Dica: Curso O Cinema Moderno no Leste Europeu


Apresentação

“Há um buraco na minha cortina”, canta uma aspirante a estrela do rock num dos primeiros filmes de Miloš Forman, Concurso. O refrão parece tripudiar do cenário que favoreceu não apenas a existência de um jovem cinema no país, mas toda a onda de novos cinemas em terras que viviam estreitamente vigiadas entre os anos 1950 e 60. Certamente não estava no roteiro dos burocratas que grandes nomes do leste como Jerzy Skolimowski, Věra Chytilová , Miklós Jancsó e Dušan Makavejev, entre outros, construíssem, ainda que de forma breve, uma filmografia radical e sólida em seus próprios territórios, a ponto de serem rapidamente alçados ao pódio das referências cinematográficas modernas dos anos 1960.


Nesse período, rupturas jovens surgiram em países como a Polônia, onde duas gerações importantes se formaram, a dos anos 1950, capitaneada por nomes como Andrzej Wajda, Andrzej Munk e Jerzy Kawalerowicz, e a dos anos 1960, tendo Roman Polanski e Jerzy Skolimowski na linha de frente; e a Hungria, que paradoxalmente afrouxou algumas correntes após a invasão soviética, em 1956, e revelou nomes importantes na década de 1960 como István Szabó, Miklós Jancsó e Márta Mészáros. Na Tchecoslováquia, a nova geração foi tão revolucionária que ganhou a alcunha de “o milagre do filme tcheco”. Tornou-se respeitada entre a crítica na Europa e premiada no tapete vermelho de Hollywood. Embora a Iugoslávia de Josif Tito não fizesse parte da fronteira desenhada pelo Pacto de Varsóvia, a existência de um jovem cinema no país, a black wave de Dušan Makavejev e Aleksandar "Saša" Petrović, teve uma história similar à das outras repúblicas socialistas do leste europeu, com uma série de obras radicais, nos sentidos político e estético, num curto espaço de tempo.


Objetivos

O Curso O Cinema Moderno no Leste Europeu, ministrado por Leonardo Bomfim, aborda as principais características das rupturas realizadas em quatro países (Polônia, Tchecoslováquia, Hungria e Iugoslávia), como a tendência ao absurdo e ao surrealismo, as transgressões das noções clássicas do cinema, a autocrítica política e comportamental, a relação com a tradição e com o realismo socialista.
O curso oferece um panorama dos novos cinemas do países a partir da obra de quatro cineastas essenciais: Jerzy Skolimowski, Věra Chytilová, Miklós Jancsó e Dušan Makavejev, autores de marcos da vanguarda dos anos 1960 como As Pequenas MargaridasO Fruto do ParaísoW.R. - Mistérios do OrganismoBarreira e Vermelhos e Brancos.


Conteúdo programático

Aula 1

- Panorama sobre o cinema do Leste Europeu
- Jerzy Skolimowski e a Escola de Lodz na Polônia
- Věra Chytilová e a Nova Vlnà da Tchecoslováquia


Aula 2
- A onda eslovaca da Nova Vlnà
- A Hungria de Miklós Jancsó
- Dušan Makavejev  e a Black Wave Iugoslava
  

Ministrante: Leonardo Bomfim

Jornalista e Mestre em Comunicação Social (PUCRS). Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS). Curador das mostras "Cinema Marginal" e "Cinema Black", realizadas na sala de cinema P. F. Gastal. Diretor do documentário em longa-metragem Nas Paredes da Pedra Encantada (2011). Publicou artigos em revistas como Teorema; Norte; Noize e em sites como Senhor F; Fronteiras do Pensamento e Rock Press. Editou o site Freakium, sobre cultura pop, música e cinema, de 2005 a 2007. Já ministrou os cursos Novos Cinemas dos Anos 60Brian De Palma: O Poder da ImagemLumiére, Méliès & Outros Pioneiros, Cinema Marginal Brasileiro e A Gênese da Nova Hollywood pela Cine UM.


Curso

O Cinema Moderno no Leste Europeu
de Leonardo Bomfim

Datas: 11 e 12 de Novembro (sábado e domingo)

Horário: 14h às 17h

Duração: 2 encontros presenciais (6 horas / aula)


Investimento: R$ 85,00
* Desconto para pagamento por depósito bancário:
a) R$ 70,00 (primeiras 10 vagas)
b) R$ 80,00 (demais inscrições)

Formas de pagamento: Depósito ou transferência bancária / Cartão de crédito (PagSeguro)

Material: Certificado de participação e Apostila

Informações
cineum@cineum.com.br  /  Fone: (51) 99320-2714


Realização
Cine UM Produtora Cultural

Patrocínio
Editora Intrínseca
Back in Black
B&B Games

Apoio
Cinemateca Capitólio Petrobras
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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: O Formidável



Sinopse: Paris 1967. Jean-Luc Godard, o mais influente cineasta de sua geração, está filmando ‘A Chinesa' com a mulher que ama, Anne Wiazemsky, 20 anos mais jovem. Eles são felizes, atraentes, apaixonados e se casam. Mas a recepção do filme desencadeia uma profunda reflexão em Godard. Os eventos de maio de 68 vão amplificar esse processo, e a crise que abala o cineasta irá transformá-lo profundamente, de um cineasta superstar à um artista Maoísta inteiramente fora do sistema e incompreendido.

Mais do que um cineasta autoral, com um grande teor político, Jean Luc Godard (Acossado) é alguém que possui um olhar sempre a frente do seu próprio tempo. Quando ele lançou o seu filme político A Chinesa (1967), por exemplo, foi na realidade um pouco antes dos eventos de Maio de 1968 e se casando com a realidade da qual a própria França estava convivendo. O Formidável é hábil em transitar nesse período histórico, mas ao mesmo tempo, desperdiçando a chance do que poderia ser uma grande adaptação sobre esses dias turbulentos dos quais o cineasta havia testemunhado. 
Baseado no livro autobiográfico da atriz Anne Wiazemsky (O Demônio das Onze Horas), o filme é dirigido pelo cineasta Michel Hazanavicius (O Artista) e que tinha sempre um grande interesse em criar um longa sobre o cineasta. O filme foca nos dias após o termino de filmagens do clássico A Chinesa e que, ao mesmo tempo, Godard (interpretado por Louis Garrel de Além da ilusão) começa a testemunhar os protestos nas ruas e que desencadeou o famoso Maio de 68. Ao mesmo tempo, o seu relacionamento com atriz Anne Wiazemsky (Stacy Martin de Ninfomaníaca) começa a ruir a partir do momento em que o cineasta começa a enfrentar ele mesmo.
O primeiro e o início do segundo ato do filme são um verdadeiro primor de reconstituição de época. Michel Hazanavicius cria nos seus primeiros minutos de projeção situações que remetem ao clássico A Chinesa de Godard, para que assim as transições dos primeiros momentos de protestos que ocorreram em solo francês soem como algo profético e inevitável. Ao mesmo tempo o cineasta foi engenhoso ao inserir momentos de humor, onde Godard em alguns momentos nos lembra Woody Allen, cujas situações de perder sempre os óculos durante os protestos acabam sendo hilárias. Ao mesmo tempo é prazeroso ver um período do qual ressoe mais forte do que nunca nos dias de hoje e provando que os problemas políticos (como no Brasil pós-golpe de 1964 e 2016) é algo que jamais morre, mas sim somente adormece.
Infelizmente essa qualidade da qual move o filme vai desaparecendo no decorrer do tempo. O grande problema, no meu entendimento, foi o fato do cineasta não ter sido mais corajoso em ter ido mais á fundo no conflituoso casamento entre Godard e Anne. Com o intuito de preservar a imagem de ambos, o filme acaba nos passando uma sensação de que há algo freando o enredo, como se houvesse medo de revelar a verdadeira faceta de ambos. 
Louis Garrel se sai muito bem como Jean Luc Godard, ao conseguir nos passar os conflitos internos dos quais o cineasta vai passando no decorrer do tempo. Isso se cria até mesmo momentos de tensão, já que Garrel nos passa um Godard imprevisível e inconsequente com relação aos seus próprios sentimentos, como se houvesse uma entidade pronta para explodir no mais fundo do seu interior. É claro que, do pouco que eu conheço do verdadeiro Godard, duvido muito que ele venha a gostar da sua imagem vista na tela, principalmente numa fase atual da qual ele ainda se mantém na ativa, mas numa posição mais reservada.
Em contrapartida, o desempenho de Stacy Martin como Anne Wiazemsky acaba sendo desperdiçado em cena. Ao querer passar um ar de ambiguidade da qual a famosa atriz francesa tinha, Anne mais parece estar no piloto automático em alguns momentos, como uma espécie de observadora e apenas aguardando a explosão do protagonista. Somente na reta final é que testemunhamos o que poderia ter sido verdadeira Anne Wiazemsky perante o eu marido, mas acaba não sendo o suficiente para satisfazer aqueles que estão assistindo.
Com um final do qual remete um desejo intimo do cineasta, O Formidável é um filme com potencial, mas do qual lhe faltou asas para obter o seu grande voo final. 




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Cine Curiosidade: Cris Lopes marca presença em estréia de longa argentino "Ahí Viene" no Festival de Cine Inusual de Buenos Aires no Cine Gaumont Espacio INCAA



"Ahí Viene" de Federico Jacobi com protagonistas Daniel Quaranta e Nahuel Yotich teve exibição com sala lotada
atriz brasileira Cris Lopes, atores argentinos Daniel Quaranta e Nahuel Yotich - Cine Gaumont em Buenos Aires

Atriz brasileira de cinema Cris Lopes esteve com os 2 atores argentinos protagonistas do filme "Ahí Viene": o experiente e premiado ator Daniel Quaranta (interpreta o "pai") e o ator Nahuel Yotich ("filho") na noite de estréia realizada no Festival de Cine Inusual de Buenos Aires exibido no Cine Gaumont Espacio INCAA. O filme está concorrendo no festival na categoria de longa-metragens de ficção e tem roteiro de Gastón Varela com direção de Federico Jacobi e já foi exibido em Sidney e Barcelona.
Com direção de Silvia G. Romero e Fabian Sancho, o 13o. Festival de Cine Inusual de Buenos Aires revela grandes talentos para o mercado cinematográfico, conhecido como um festival intenso e divertido com 10 dias de exibições de filmes em 04 importantes salas de cinema da capital argentina.
Cris conta que se emocionou com o filme dos colegas que narra a história dos últimos dias de um homem que se encontra solitário em uma casa totalmente deteriorada pelo passar do tempo. Ele muda sua atitude ao encarar a morte, que gera uma relação tensa que mantém com o filho.
A atriz Cris Lopes está prestigiando o Festival de Cine Inusual de Buenos até domingo para assistir aos filmes que estão concorrendo no festival e também para conferir seu filme premiado de humor negro "AGS" que é atriz protagonista a ser exibido dia 29/outubro às 19h no Cine Cosmos : filme "AGS - Agence Générale du Suicide" do diretor Rodney Borges com roteiro do ator protagonista Euler Santi. Assistir o trailer do filme AGS com Cris Lopes e Euler Santi: https://www.youtube.com/watch?v=W8tnO05edfQ

Programação Festival de Cine Inusual de Buenos Aires aqui: http://www.festivaldecineinusual.blogspot.com/


Divulgação Argentina/Brasil - Buenos Aires/São Paulo:  Imprensa CL  (5511) 3835.7205  - Entrevistas (5511) 996530651.email: imprensacl@terra.com.br