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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 10 de março de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Morra, Amor'

Lynne Ramsay é aquele tipo de talento na direção que não é muito lembrada por uma filmografia vasta, mas cujo alguns títulos fazem uma grande diferença. "Precisamos Falar Sobre Kevin" (2012), por exemplo, talvez seja a sua obra mais lembrada pelo público, principalmente ao explorar uma questão delicada, mas que todos fogem para não ser discutida. Em "Morra, Amor" (2025) a realizadora novamente retorna em um cenário familiar, perturbador e extremamente real.

Baseado no livro da escritora argentina Ariana Harwicz, o filme conta a história de uma dona de casa de uma área rural que luta com a sua sanidade enquanto lida com a maternidade e uma possível perda da sanidade. Ela vive em uma casa isolada em uma cidade rural no interior dos Estados Unidos. Além de não saber se adaptar ao papel de mãe, a mesma começa ter problemas de relacionamento com o seu marido.

Pelo fato do filme ser baseado em um livro em que se explora o lado psicológico dos personagens sempre haverá a possibilidade de determinadas passagens da obra funcionarem muito melhor em suas páginas do que em sua adaptação em si para o cinema. Porém, ao meu ver, a diretora Lynne Ramsay apostou todas as suas fichas na atuação poderosa de Jennifer Lawrence, que aqui ela interpreta uma personagem complexa, imprevisível e da qual tememos sobre qual será a sua ação seguinte em cena. Ao meu ver, a atriz não somente entrega uma ótima atuação, como também coloca para fora todos os demônios que estava guardando nos últimos anos, já que a artista havia se afastado dos holofotes após ser muito criticada por determinadas condutas em público.

Por conta disso, há aqui um casamento perfeito entre personagem e atriz, onde não sabemos ao certo onde uma começa e onde a outra termina, mas tudo moldado para que os melhores momentos do filme sejam protagonizados por ela e fazendo com que ela leve o filme nas costas. Porém, Robert Pattinson não fica muito atrás, ao construir um personagem que se perde perante as ações de sua esposa, mas que também não sabe como saber se expressar e procurar um meio para se ajudarem. Curiosamente, os seus pais, interpretados pelos veteranos Nick Nolte e Sissy Spacek são também um casal que enfrenta certos pesadelos pessoais, dos quais ficam em segundo plano, mas que despertam a nossa curiosidade como um todo.

Com cenas fragmentadas, onde o presente e o passado vem e volta sem nenhum aviso, constatamos que a personagem sempre foi como ela é ao não saber controlar os seus próprios impulsos, mas que talvez o problema esteja mais embaixo do que nós imaginamos. A edição do filme, por sua vez, transita tanto com relação ao passado e o presente, como também à possibilidade de que nem tudo o que a gente assiste em cena pode ser real ou delírio da própria protagonista. Para os que não estão acostumados com esse tipo de transição no enredo isso pode acabar incomodando um pouco, principalmente para aqueles que desejam uma resposta mais coerente e que faça pensar menos.

Como eu disse acima, nem sempre a linguagem literária funciona na tela do cinema, principalmente quando é levada de forma fiel por demais e esquecendo da linguagem cinematográfica. Porém, não é exatamente o que acontece aqui, já que a cineasta procura ao máximo colocar em prática uso de sua câmera e extraindo de forma verossímil as atuações dos principais astros em cena. O final em aberto pode frustrar alguns, mas isso não tira o mérito do filme de conseguir fazer a gente pensar e desejar uma segunda revisão em uma eventual nova sessão.

"Morra, Amor" é um filme inquietante que explora a insatisfação do ser humano perante ao fato de não saber se encaixar em um comodismo que os demais aceitam de bom grado.   

Onde Assistir: Mubi. 

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Cine Dica: Programação Cinemateca Capitólio de 12 a 18 de março

A Cinemateca Capitólio segue com sua programação comemorativa ao Dia Internacional da Mulher (celebrado em 8 de março), iniciada no último final de semana, recebendo a partir de quinta-feira, dia 12, a mostra A Leoa Vai à Caça. A mostra é um projeto desenvolvido por Betânia Furtado e Renata de Lélis, com a proposta de destacar a produção de cineastas mulheres no Rio Grande do Sul. A sessão inaugural tem como atração a exibição de duas raridades, o curta O Brinco (1989), de Flávia Moraes, e o longa In Vino Veritas (1981), de Ítala Nandi. A programação se estende até domingo, dia 15 de março, apresentando trabalhos de diretoras de diferentes gerações, como Ana Luiza Azevedo, Marta Biavaschi, Flávia Seligman, Liliana Sulzbach, Adalgisa Luz, Lisiane Cohen, Mirela Kruel, Cristiane Oliveira, Mariani Ferreira, Camila de Moraes, Juliana Balhego, Britney Fiderline e Patrícia Ferreira Yxapy, e inclui exibições em 35mm e uma mesa de debate com as diretoras participantes da mostra. Todas as sessões são abertas ao público e têm entrada franca (mais informações no arquivo em anexo).

Também no domingo, 15 de março, a partir de 21h, a Cinemateca Capitólio transmite a cerimônia de entrega no Oscar 2026. A entrada é gratuita, com distribuição de senhas a partir de 19h30. Ao longo da semana ocorrem ainda as derradeiras exibições da comédia dramática espanhola Volveréis, de Jonás Trueba, e da versão restaurada em 4K do clássico São Paulo Sociedade Anônima, de Luís Sérgio Person.

Finalmente, na terça-feira, dia 18 de março, a Cinemateca Capitólio inaugura uma nova mostra, Clássicos do Cinema Francês, com a exibição de As Coisas da Vida (1970), de Claude Sautet, com Romy Schneider e Michel Piccoli. A mostra reúne 7 títulos de diferentes épocas, em versões restauradas, e se estende até o dia 25 de março (aguarde divulgação específica).


Programação Semana 12 a 18 de março de 2026


12 de março (quinta-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

19:00 – Sessão de abertura da mostra A Leoa Vai à Caça, com o curta O Brinco, de Flávia Moraes, e o longa In Vino Veritas, de Ítala Nandi (entrada franca) – 69 minutos


13 de março (sexta-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Bola de Fogo + O Último Poema) – entrada franca – 117 minutos

19:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (LÉO + Mulher do Pai) – entrada franca – 109 minutos


14 de março (sábado)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Hoje Tem Felicidade + A Noite do Sr. Lanari + A Invenção da Infância + As Bicicletas de Nhanderu) – entrada franca – 96 minutos

19:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Quero Ir para Los Angeles + Antes que o Mundo Acabe) – 119 minutos


15 de março (domingo)

15:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

17:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Logos + mesa de debate Políticas Públicas para Mulheres no Audiovisual) – entrada franca – 115 minutos

19:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Café Paris + O Caso do Homem Errado) – entrada franca – 86 minutos

21:00 – Transmissão da cerimônia de entrega do Oscar 2026 (entrada franca) – 280 minutos


17 de março (terça-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

19:00 – Mostra Clássicos Franceses: As Coisas da Vida (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 89 minutos


18 de março (quarta-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

19:00 – Mostra Clássicos Franceses: Os Olhos sem Rosto (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 90 minutos


Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out'  

Sinopse: O detetive Benoit Blanc conta com a ajuda de um jovem padre para investigar um crime impossível na igreja de uma cidadezinha que tem uma história sombria.

Rian Johnson achou o seu lugar em Hollywood, ao menos ao dirigir a série de filmes protagonizada pelo personagem Benoit Blanc e sendo interpretado brilhantemente por Daniel Craig. Curiosamente, tanto "Entre Facas e Segredos" (2019) como "Glass Onion: Um Mistério Knives Out" (2022) são filmes que funcionam de forma independente e fazendo com que o público não tenha que se preocupar caso não tenha assistido a história anterior. "Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out" (2025) novamente possui uma história fechada, com vários desdobramentos e nos surpreendendo pelas suas revelações ao longo do caminho.

Na trama, após um assassinato súbito e inexplicável colocar uma cidade de cabeça para baixo, a chefe de polícia local (Mila Kunis) une forças com o perspicaz detetive  Benoit Blanc (Daniel Craig) para encontrar o culpado e a verdade que desafia toda e qualquer lógica. Quando um padre é assassinado à vista de todos na igreja onde dava um sermão, sua morte, aos olhos de Benoit, parece ser fruto de um esquema grandioso e complexo.

Tendo consciência do material de sucesso em mãos, Rian Johnson não tem pressa ao apresentar a sua trama, sendo que o principal crime da história acontece a mais de meia hora de projeção e sendo que o próprio detetive surge bem depois disso. O que faz manter a nossa atenção no primeiro ato da trama, não é somente através de uma sedutora história de crime policial, como também possuir um elenco escolhido a dedo e onde cada um faz com que os seus respectivos  personagens se destaquem, Destaco principalmente a atuação selvagem de Josh Brolin como padre radical que procura influenciar os seus seguidores e acaba sendo vítima de um misterioso crime.

Aliás, devo confessar que Josh Brolin é sem sombra de dúvida o melhor em cena, onde o seu personagem nos hipnotiza pelo seu lado complexo e como a sua lábia consegue persuadir os seus seguidores na missa da igreja. Curiosamente, a sua figura em si me lembrou muito ao do revendo do clássico "Moby Dick" (1956) e que foi interpretado por Orson Welles. Não me surpreenderia, portanto, se Josh Brolin fosse o escolhido para uma nova adaptação futura do clássico de Herman Melville.

Outros, logicamente, obtém o seu merecido destaque, como no caso da veterana Glen Close que interpretada uma misteriosa conservadora da igreja e cuja sua atuação se sobressai no ato final da trama. E como é bom rever a bela e talentosa atriz Mila Kunis em cena, sendo que desde "Cisne Negro" (2009) ela tem chamado atenção por roubar a cena nos filmes que participa, mesmo quando aqueles não valem muito a pena serem lembrados. E como é revigorante ver Jeremy Renner livre das amarras do estúdio Marvel, atuando em um projeto autoral e que faz com que obtenha atuações que remetem aos tempos iniciais de sua carreira.

Quanto ao mistério sobre o assassinato do padre a trama dá espaço para fazer uma crítica acida dos tempos atuais de como certos lideres de determinadas religiões procuram persuadir a população para se tornarem cada vez mais poderosos e para que futuramente obtenham poder pelo viez político. Ao mesmo tempo, o filme transita com relação ao questionamento sobre a fé e a razão, sendo que ambas podem estar separadas por uma camada bem fina e nisso é bastante sintetizado, tanto pelo próprio protagonista, como também pelo jovem padre interpretado pelo ator  Josh O'Connor. Por conta disso, o filme tanto se envereda para um humor ácido refinado, como também pela pinceladas dramáticas e muito bem vindas para dizer o mínimo.

Com um final surpreendente,  "Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out" só faz desejar a gente querer mais novas aventuras detetivescas desse personagem e do qual as tramas não devem em nada se comparado aos clássicos de Agatha Christie.   

Onde Assistir: Netflix. 

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domingo, 8 de março de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Grandes Olhos'

Tim Burton é um cineasta autoral que, não mede esforços para injetar a sua visão pessoal, com relação ao mundo em que vive na criação dos seus filmes. Infelizmente ele trabalha numa indústria, em que as engrenagens são movidas pelo dinheiro e, portanto nem sempre ele possui total liberdade criativa. Alternando em produções milionárias onde não consegue fazer o filme que gostaria (Alice no País das Maravilhas) e filmes menores onde mostra toda a sua genialidade (Ed Wood), Burton talvez seja um dos poucos cineastas autorais americanos que sabe na pele como deve agradar um pouco de cada lado para assim então conseguir carta branca para fazer o filme que quiser.

Essa briga pelo direito de manter intacta a sua identidade própria no mundo em que vive é vista muito bem nesse pequeno, mas tocante filme intitulado Grandes Olhos. Estamos na virada dos anos 50 para os 60, onde o homem ainda se mantém como o ser dominante de uma sociedade hipócrita e escondida num quadro azul e cor de rosa. As mulheres em si possuem o seu talento escondido, mas pela falta de coragem de saírem do armário, acabam se se tornando submissas pelo lado mesquinho do sexo masculino.

Margaret Keane (Amy Adams) tem talento vindo de sua mente e que desce para os dedos, no momento que começa a pintar belas imagens de crianças com grandes olhos que, nada mais são, do que uma representação da sua forma como enxerga o mundo. Uma mulher a frente do seu tempo, mas que infelizmente ainda acredita que necessita de um homem e com isso, cai nas garras do salafrário Walter (Christoph Waltz) e se casando com ele. Se dizendo um artista, não demora muito para Walter se dizer o verdadeiro autor das obras de Margaret que, por sua vez, não desmenti e acaba se tornando então um mero fantoche.

Confira a minha crítica já publicada clicando aqui e participe do próximo Cine Debate. 


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Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - "A Melhor Mãe do Mundo"

 Segue a programação de março do Cineclube dedicado às mulheres, abordando nesse filme a violência de gênero na sociedade brasileira.

Chega à tela do Cineclube Torres mais um filme da Ana Muylaert, de quem já foram exibidos "Durval Discos", "É proibido fumar", "Mãe só há uma" e o celebre "A que horas ela volta".

Sempre atenta à realidade social, a diretora foca numa figura feminina forte, negra e periférica, a Gal (Shirley Cruz) que, para escapar de um relacionamento abusivo, coloca seus dois filhos pequenos no carrinho de reciclagem que usa para coletar lixo nas ruas da cidade e foge. Sozinha e enfrentando os perigos da falta de moradia, ela os convence de que estão em uma aventura."É curioso como ainda carregamos a ideia de que um super-herói deve ser um homem jovem, musculoso — quase sempre branco. Se esse símbolo refletisse com mais fidelidade a realidade, ele se pareceria com figuras muito menos óbvias, como a de uma mãe." (Humberto Maruchel, em Bravo)

A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. A entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul. 

Serviço:

O que: Exibição do filme "A Melhor Mãe do Mundo" (2025) de Ana Muylaert

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 9/3, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 6 de março de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'O Falcão Maltês'

Nota: Filme exibido para os associados no dia 31/01/26

Adaptação do romance "O Falcão Maltês", de Dashiell Hammett, traz Sam Spade (Humphrey Borgart) como um detetive solitário, implacável, preconceituoso e, no geral, vitorioso a cada novo combate. Não se trata de um corrupto. Ele tem seu próprio código de honra. Quanto aos criminosos, a violência e a ganância são tão exageradas que despertam comicidade. Assim, mesmo brutos e ambiciosos, não chegam a ser opor a Spade.

O público é levado a escolhê-lo como mocinho por razões mais sutis que por uma conduta exemplar, complexidade que fortalece o filme. O detetive tem sua manias, é homofóbico declarado e vivendo batendo sem motivos razoáveis no impostor Joel Cairo (Peter Lorre). Spade é frio.

Quando violento, cumpre sua missão rapidamente. O sócio é assassinado e ele não se abala. Respeita as formalidades, mantém as aparências e beija a viúva em segredo. O herói assim construído levou Bogart e Huston a carreiras de sucesso em Hollywood. Pode-se argumentar que a personalidade do detetive já estava construída no romance de Hammett. A história, no entanto, já tinha sido filmada duas vezes com personagens mais amenos e final feliz. A manutenção dos aspectos mais sórdidos do romance foi mérito de Huston e Bogart.

Quanto ao estilo, Huston também foi cuidadoso. Montou um storyboard detalhado para planejar as cenas e tomadas. Uma das mais marcantes é a sequência de sete minutos (ensaiada por dois dias) em que Spade e Kasper Gutman (Sydney Greenstreet) entram e saem de diversas salas. "O falcão Maltês" é considerado como o longa que inaugura o gênero noir americano. Durante os anos de 1940, o noir se constituiu como estilo dominante nos filmes policiais e de mistério.

Entre as suas características, estão as ruas escuras, perigosas e seus habitantes, homicidas em potencial, mulheres fortes cujo apelo sexual é utilizado para desviar os homens de sua conduta moral e enfraquecê-los. No centro, o herói Spade luta em duas frentes. Contra bandidos e contra sua agressividade latente. "O Falcão Maltês" é adaptação de romance policial que inaugura o gênero noir e concede a Bogart o status de ícone.         


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Cine Dica: Sessão de sábado no Clube de Cinema: "O detetive e a morte" (07/03) na Cinemateca Capitólio

Neste sábado, dia 7 de março, às 10h15 da manhã, nos reunimos na Cinemateca Capitólio para a exibição de O Detetive e a Morte, obra do cineasta espanhol Gonzalo Suárez.

Livremente inspirado em um conto de Hans Christian Andersen, o filme combina fábula moral, cinema noir e distopia futurista para construir uma narrativa ao mesmo tempo alegórica e inquietante. Em uma cidade europeia marcada por tensões raciais e por um poder econômico que parece absoluto, um detetive atravessa um universo artificial e hostil enquanto investiga um caso que o conduz a figuras arquetípicas: a mãe em luto, o magnata que acredita poder tudo controlar e a própria morte — a única instância que não se deixa corromper.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 07/03, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cinemateca Capitólio

Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico – Porto Alegre


O Detetive e a Morte (El detective y la muerte)

Espanha, 1994, 108 min

Direção e roteiro: Gonzalo Suárez

Elenco: Javier Bardem, María de Medeiros, Carmelo Gómez

Sinopse: Em uma cidade europeia agitada por tensões raciais, um poderoso magnata precisa enfrentar a única coisa que não pode enganar nem corromper: a morte. Enquanto isso, um detetive tenta encontrar a mulher que ama e uma jovem mãe o segue na esperança insana de trazer de volta à vida o filho morto.

Até sábado!

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