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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito'

Sinopse: Tanjiro e os Hashira entram em uma batalha final colossal. Após o líder do Esquadrão de Caçadores ficar em perigo, eles avançam até a base secreta, mas acabam sugados para o misterioso e distorcido labirinto da fortaleza de Muzan Kibutsuji, dando início à guerra definitiva.

Foi-se o tempo em que as maiores bilheterias mundiais pertenciam exclusivamente ao território norte-americano. A animação chinesa "Ne Zha 2: O Renascer da Alma" (2025) impressionou o mundo ao ultrapassar a marca de dois bilhões de dólares em bilheteria, provando a força avassaladora do mercado audiovisual chinês. Por sua vez, o anime japonês "Demon Slayer: Castelo Infinito" (2025) não apenas dá continuidade a uma franquia de estrondoso sucesso, mas fortalece ainda mais a presença da cultura pop do Terra do Sol Nascente no cenário global.

Dirigido por Haruo Sotozaki, o longa retoma a trajetória do jovem Tanjiro, que descobre que sua família foi exterminada por criaturas demoníacas conhecidas como Onis, e cuja irmã acabou transformada em uma dessas entidades. Ele se junta à organização dos Caçadores de Demônios determinado a curar a irmã e derrotar o responsável por essa tragédia. Durante essa jornada, o grupo é lançado para o interior da fortaleza mutável de Muzan Kibutsuji, deflagrando o confronto final.

Com quatro temporadas já consolidadas entre o público otaku e amante da cultura pop, a expansão do universo de Demon Slayer para as telonas era questão de tempo. A escolha dos realizadores em adaptar o clímax da história como uma trilogia cinematográfica iniciada por este filme provou-se um acerto monumental. Estamos presenciando uma nova era dos animes no cinema; poucas vezes se viu um fenômeno de público desse porte, mesmo resgatando precedentes históricos como o aclamado "A Viagem de Chihiro" (2001).

Trata-se, contudo, de uma experiência melhor aproveitada por quem já acompanha a série de TV. O filme não perde tempo e lança os protagonistas diretamente no epicentro da ação, o que pode exigir um esforço extra de adaptação do espectador de primeira viagem. Ainda assim, a direção é ágil ao inserir flashbacks pontuais para os personagens principais, construindo uma camada emocional genuína a partir de origens trágicas. A sequência de combate entre Tanjiro e Akaza é espetacular — com este último praticamente assumindo o protagonismo no ato final ao ter seu passado sombrio revelado.

Esteticamente, a produção ostenta um dos visuais mais deslumbrantes do cinema recente. O desenho arquitetônico da fortaleza distorcida não fica devendo em nada a concepções como a Dimensão Espelhada de "Doutor Estranho" (2016) ou o universo dos sonhos de "A Origem" (2010). O grande mérito da Ufotable está em mesclar a linguagem da animação tradicional ao topo da tecnologia em computação gráfica (CGI), conferindo peso e tridimensionalidade a cada movimento.

Para quem cresceu assistindo a clássicos como "Os Cavaleiros do Zodíaco", o longa é um prato cheio ao explorar guerreiros que canalizam forças elementares em combate. O resultado são sequências de ação que operam como um verdadeiro balé: uso preciso da câmera lenta, cortes árabes, giros espaciais audaciosos e uma paleta de cores vibrante que arremata a fotografia. Tudo isso profundamente enraizado na tradição cultural japonesa, ainda que envelopado pelo gênero da alta fantasia.

O único ponto negativo é a inevitável ansiedade pela espera dos dois capítulos seguintes. Até lá, o filme certamente terá angariado uma nova legião de admiradores, impulsionando a busca tanto pela série animada quanto pelos mangás originais. Se as continuações mantiverem esse nível de apuro técnico e dramático, cada segundo de espera terá valia.

"Demon Slayer: Castelo Infinito" consolida-se como uma das maiores e mais gratificantes surpresas do ano, demonstrando que o alcance do cinema de animação japonês definitivamente não possui mais fronteiras.

Onde Assistir: Crunchyroll

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Cine Dica: Cinesemana de 13 a 19 de agosto de 2026

A cinesemana de 13 a 19 de agosto traz a aguardada estreia de ACAMPAMENTO MIASMA: SEXO, ADOLESCÊNCIA E MORTE, o terror slasher dirigido por Jane Schoenbrun e que lotou a sessão de pré-estreia realizada no final de semana passado. Outro destaque é HONESTINO, misto de documentário e ficção que recupera a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil sequestrado pela ditadura militar brasileira. Também recebemos a MOSTRA DO CINEMA PERNAMBUCANO, que reúne quatro longas restaurados em 4k e representativos de várias décadas da produção de diretores de Pernambuco.

Seguem em cartaz CHAMPAGNE: UMA VIAGEM DE PAI E FILHO, do diretor holandês Tim Kamps, que faz um relato emocionante do reencontro entre um pai doente e seu filho distante, e YUNAN, do diretor sírio Ameer Fakher Eldin, sobre um escritor que busca um sentido para sua vida em uma ilha remota. Em terceira semana, A PROFESSORA DE PIANO, com Isabelle Huppert, completa 25 anos e reforça a direção hábil de Michael Haneke na abordagem da psique humana.

A programação da semana segue com filmes prestigiados, incluindo O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, sobre dois casais que discutem as relações, e FRANZ, da polonesa Agnieszka Holland, sobre a trajetória do escritor Franz Kafka.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 13 A 19 DE AGOSTO

 Filmes nacionais “Honestino” e “Rio de Clarice” estreiam em 13 de agosto no CineBancários

O CineBancários apresenta duas estreias nacionais no dia 13 de agosto: HONESTINO, documentário dirigido por Aurélio Michiles sobre o líder estudantil, ex-presidente da UNE e aluno da UnB, Honestino Guimarães, desaparecido durante a ditadura militar brasileira aos 26 anos, e RIO DE CLARICE, longa que traz cinco contos de Clarice Lispector, estrelado por 18 grandes nomes da dramaturgia.

Produzido por Nilson Rodrigues, HONESTINO propõe uma reflexão sobre memória, justiça e o legado de um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado no Brasil. Mistura de documentário e ficção, reconstitui a trajetória do jovem por meio de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos, políticos e companheiros de militância, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. A narrativa também ganha uma dimensão contemporânea com a participação de Bruno Gagliasso, que conduz parte da história e aproxima o público de uma figura cuja trajetória permanece atual mais de cinco décadas após seu desaparecimento.

Preso em 1973, Honestino Guimarães nunca mais foi visto. Mesmo após o reconhecimento oficial de sua morte pelo Estado brasileiro, seu corpo jamais foi encontrado. Sua história tornou-se um símbolo da luta pela memória, pela verdade e pela justiça em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar.

Premiado com o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio, HONESTINO também foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e para o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos. No 20º Fest Aruanda, conquistou os prêmios de Melhor Longa Nacional pelo Júri Popular, Melhor Edição, o Prêmio Abraccine de Melhor Longa-Metragem e o Prêmio Vladimir Carvalho, concedido ao melhor documentário do festival.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=MSRNclptwjY


Em RIO DE CLARICE, mulheres comandam atrás e na frente das câmeras: o projeto é estruturado em histórias independentes, dirigidas por cinco cineastas brasileiras, Maria Luiza Aboim, Eunice Gutman, Nicole Allgranti, Taciana Oliveira e Barbara Kahane, que exploram as epifanias, as angústias e a fragilidade das relações humanas, marcas registradas da literatura clariceana. O roteiro é assinado por Nicole Allgranti, sobrinha-neta da escritora, e Teresa Montero, biógrafa de Clarice Lispector e uma das maiores pesquisadoras de sua vida e obra.

A complexidade psicológica, a visão de mundo única e o cotidiano transformador da obra de Clarice Lispector (1920-1977) ganham uma nova dimensão nas telas.

“Um dos grandes desafios desse projeto foi traduzir para a tela do cinema a intensidade psicológica e as epifanias do cotidiano que marcam a obra da Clarice. O filme é um mergulho muito fiel na complexidade humana dessas personagens e dessas histórias”, destaca Nicole Allgranti.

Conheça os cinco contos retratados no filme:


Feliz Aniversário

Sob a direção de Maria Luiza Aboim, o segmento acompanha a tensa comemoração dos 89 anos de Dona Anita. Reunidos mais por obrigação do que por afeto, filhos, noras, genros e netos deixam transparecer ressentimentos e hipocrisias que contrastam fortemente com a atmosfera festiva. É um retrato cru sobre a solidão da velhice e a fragilidade dos laços familiares.

Elenco principal: Louise Cardoso, Lucélia Santos, Madhia, Luiz Octavio Moraes e Ilana Pogrebinschi.


Mal-estar de um Anjo

Dirigido por Eunice Gutman, o episódio traz a personagem Anjo — a figura que mais se aproxima da própria Clarice Lispector. Após sair do psicanalista sob forte chuva, ela pega um táxi, mas a viagem toma um rumo inesperado quando uma "Invasora" implora por carona. Ao ceder, Anjo vê a estranha tentar dominar a situação e mudar o itinerário, instaurando um intenso conflito psicológico.

Elenco principal: Letícia Spiller, Gabrielle Farias, Dora Pellegrino e Bruno Barbosa.


A Bela e a Fera ou A Ferida Grande Demais

A direção de Nicole Allgranti apresenta Carla de Souza Campos: rica, segura, mas infeliz com o casamento. Após um imprevisto com seu motorista, Carla se aventura em uma Kombi e acaba em uma rodoviária pobre. Desesperada ao perder o celular em um bueiro e o contato com seu mundo de privilégios, ela é acolhida por uma mendiga que a convida para tomar chá, promovendo um forte choque de realidades.

Elenco principal: Guida Vianna, Letícia Isnard e Freddy Assis Ribeiro.


Amor

Dirigido por Taciana Oliveira, o conto acompanha Hanna. Presa a uma rotina entediante e dedicada à família, ela se distrai no bonde observando um cego, perde o ponto e desce em frente a um parque deslumbrante. Imersa na natureza, vivencia uma epifania de autodescoberta. A magia se desfaz quando percebe que os portões do parque fecharam. Nesta adaptação inovadora, a história foi transposta para o contexto de uma família judaica ortodoxa.

Elenco principal: Bia Sion e Julio Levy.


Preciosidade

Com direção de Barbara Kahane, a história narra a trajetória de uma jovem criada pela empregada devido à ausência constante do pai. Durante o trajeto para a escola, ela sofre um assédio, ato de violência que a lança em um profundo processo de dor, mas que também atua como um catalisador doloroso para o seu amadurecimento como mulher.

Elenco principal: Karolyna Mendes, Duaia Assumpção, Hugo Bonèmer e Flávio Bauraqui.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=860kR3zgKbY


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 13 a 19 DE AGOSTO


ESTREIAS:


RIO DE CLARICE

Brasil/Drama/2025/

Direção: Taciana Oliveira, Barbara Kahane, Eunice Gutman, Nicole Allgranti e Maria Luiza Aboim.

Sinopse: Longa-metragem brasileiro que adapta cinco contos clássicos de Clarice Lispector para o cinema. O filme foi dirigido por uma equipe de cinco cineastas mulheres e explora temas como família, identidade, desejo e epifanias femininas. A obra é composta por cinco segmentos independentes:

Amor (dirigido por Taciana Oliveira): A clássica história da epifania de uma dona de casa que, da janela do ônibus, vê um homem cego mascando chiclete. Preciosidade (dirigido por Barbara Kahane): Retrata a trajetória de uma jovem em processo de amadurecimento após lidar com a ausência paterna e um episódio de violência/assédio. Mal-estar de um Anjo (dirigido por Eunice Gutman): Um mergulho psicológico na vida de uma mulher que, após uma sessão de terapia, é confrontada por conflitos internos. A Bela e a Fera ou uma Ferida Grande Demais (dirigido por Nicole Allgranti): Abordagens sobre a dualidade, o desejo e a essência feminina através da lente única da autora. Feliz Aniversário (dirigido por Maria Luiza Aboim): Uma reunião familiar tensa e dramática pelos 89 anos de Dona Anitta, revelando mágoas e fissuras nas relações.

Elenco: Letícia Spiller, Letícia Isnard, Louise Cardoso, Lucélia Santos e Hugo Bonemer


HONESTINO

Brasil/Documentário-Drama/2025/ 86min.

Direção: Aurélio Michiles

Sinopse: Fusão entre documentário e ficção, o filme conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração 1968, presidente da UNE e aluno da UnB. Preso cinco vezes por sua militância, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, e é uma das centenas de desaparecidos da ditadura militar. Baseado em cartas, poemas e imagens de arquivo, dezenas de depoimentos de familiares, amigos e militantes e cenas interpretadas por Bruno Gagliasso. 

Elenco: Bruno Gagliasso


EM CARTAZ:


CHAMPAGNE – UMA VIAGEM DE PAI E FILHO

Holanda/drama/2025/92 min.

Direção: Tim Kamps

Sinopse: Quando Maarten descobre que seu pai está com uma doença terminal, ele o leva em uma última viagem à região de Champagne, na França. Com conversas tensas e velhos padrões ressurgindo, eles se conectam através de refeições compartilhadas e pequenos momentos inesperados que, aos poucos, os aproximam.

Elenco: Leo Alkemade (Maarten), Huub Stapel (Hans), Beppie Melissen (Sophie) e Jennifer Hoffman (Loes)


HORÁRIOS DE 13 a 19 DE AGOSTO

(não há sessões nas segundas)


15h: CHAMPAGNE – UMA VIAGEM DE PAI E FILHO

17h: RIO DE CLARICE

19h: HONESTINO


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'A Casa do Dragão - 3ª Temporada'

Sinopse: Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) alcança o objetivo pelo qual tanto lutou: o Trono de Ferro. No entanto, a vitória revela-se muito mais amarga do que esperava.

O tempo é a principal peça em relação a tudo e, perante a arte de contar histórias, não é diferente — seja no cinema ou nas séries de TV. O livro "Fogo & Sangue", escrito por George R. R. Martin, se tornou o principal alvo da HBO desde que "Game of Thrones" foi encerrada, fazendo muitos fãs se perguntarem como seria o formato da adaptação. O resultado foram, até agora, três temporadas, sendo que a quarta será a última.

Olhando para trás, percebe-se um certo erro de cálculo ao estender por tantas temporadas uma obra baseada em um único livro, visto que o segundo ano mais parecia a construção do que viria mais adiante. É exatamente essa a sensação que tive com esta terceira temporada, que já começa a todo vapor com a famosa "Batalha da Goela" — desde já um dos confrontos mais sangrentos de Westeros, resultando em perdas irreversíveis. Isso afeta Rhaenyra Targaryen de forma fulminante, fazendo com que a sua conquista pelo trono se torne ainda mais dramática e brutal.

Emma D'Arcy consegue construir muito bem para sua personagem alguém à beira do colapso mental perante a responsabilidade de obter o trono, tendo que pagar um alto preço e carregar um peso incalculável. Pode-se dizer que, daqui em diante, a Rhaenyra que conhecíamos de uma forma até então inocente dá lugar, aos poucos, a uma personagem com um ar de ambiguidade, fazendo com que a gente testemunhe sua entrega gradativa à escuridão contra a qual tanto lutou. Pelo visto, a família Targaryen está condenada a conviver com a loucura nascida do poder e do peso da responsabilidade em abundância.

Do outro lado da moeda temos Aegon, vivido intensamente pelo jovem ator Tom Glynn-Carney. Aqui temos um personagem se reerguendo das cinzas aos poucos e provando não ser inútil, mas sim sabendo usar o seu lado desalmado na hora certa. Daemon Targaryen, interpretado novamente por Matt Smith, nos brinda não somente com uma grande atuação, mas também protagonizando as melhores cenas de luta com espada até este momento da série, provando ser o verdadeiro e fiel braço direito da rainha. E, como não poderia deixar de ser, a série carrega novamente aquele velho jogo político, onde alianças e traições correm a todo vapor, tornando a trama ainda mais imprevisível.

E se alguns ainda estavam reclamando da falta de ritmo, pode-se dizer que o último episódio desta temporada é uma aula de como se elabora uma bela história alinhada com muita ação do gênero fantástico e épico na medida certa. Dirigido por Andrij Parekh (da série "Watchmen", de 2019), o realizador elabora cenas maravilhosas, como aquela em que Rhaenyra Targaryen discursa perante o seu povo enquanto o seu exército se prepara para a Batalha de Tumbleton, tudo embalado por uma bela trilha sonora. Aliás, essa batalha entra facilmente entre os momentos mais violentos e sangrentos da série, cujos atos e consequências nos levam para um caminho sem volta.

Em suma, a terceira temporada termina de forma mais do que satisfatória, com uma linguagem cinematográfica tão elaborada por seus criadores que nos faz desejar assisti-la em uma tela grande. Mas estamos falando do universo dos Sete Reinos, onde ninguém está a salvo, fazendo-nos temer ainda mais por personagens com os quais estamos cada vez mais nos simpatizando. O quarto ano, pelo visto, será um rio de lágrimas, sangue e fogo em todos os sentidos.

"A Casa do Dragão - 3ª Temporada" supera em todos os sentidos o ano anterior, preparando-nos psicologicamente para a sua derradeira temporada final.


Onde Assistir: HBO MAX. 

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'A Última Casa'

Sinopse: Família fica confinada dentro de casa enquanto estranhas criaturas surgem em meio à chuva.

Quando penso em Louis Leterrier, chego à conclusão de que é um realizador francês similar a Luc Besson, sendo que nenhum dos dois construiu exatamente uma carreira sólida em território norte-americano. Pode-se dizer que Leterrier lançou sucessos de forma esporádica, desde "Carga Explosiva" (2002) até "O Incrível Hulk" (2008) e capítulos da franquia "Velozes e Furiosos". Em "A Última Casa" (2026), ele sai de seu território habitual da ação e se envereda por uma trama de ficção e horror que com certeza se tornará divisiva para boa parte do público.

Na trama, Ann (Greta Lee), Jason (Wagner Moura) e seus dois filhos ficam confinados dentro da própria casa. Enquanto uma força desconhecida transforma o lar em uma espécie de prisão, todos ficam perdidos e sem entender a origem dessa ameaça. Os membros da família tentam manter a esperança de encontrar uma maneira de sobreviver, porém a falta de água, comida e outros recursos essenciais faz com que o desespero tome conta do ambiente. Ao mesmo tempo, seres estranhos surgem do lado de fora, despertando ainda maior aflição.

Desde "Bird Box" (2018), a Netflix tem procurado lançar um filme que se tornasse o próximo grande evento do streaming. De lá para cá, porém, o mundo passou por diversas mudanças — desde os eventos da pandemia até o interesse do público em retornar às salas de cinema após ela. Portanto, não basta fazer uma grande propaganda para atrair as pessoas; é necessário também apresentar algo, ao menos, interessante para ser debatido.

O filme em si não traz algo inédito dentro do gênero. A trama não só nos faz relembrar elementos já vistos no citado "Bird Box", como também de outros longas de horror e ficção científica, como "O Nevoeiro" (2007). Além disso, deve ser uma experiência nova para Louis Leterrier sair do gênero de ação, já que aqui ele exagera na edição de cenas em uma determinada passagem da trama. Ao meu ver, o realizador só tira o pé do acelerador quando se vê obrigado a apresentar melhor a família e suas motivações para seguir tentando sobreviver.

Talvez o ápice da história se encontre nas diversas maneiras que os personagens buscam para tentar sobreviver — desde começar a plantar dentro de casa até caçar animais a partir da abertura da chaminé. É nestas passagens que o filme sintetiza o fato de que o ser humano é capaz de resistir aos momentos mais extremos, mesmo quando o longa nos brinda com situações que por vezes soam inverossímeis. Ao menos o elenco principal se esforça para prender nossa atenção e nos fazer criar empatia à medida que o tempo passa.

Wagner Moura se sai bem como o líder da família que faz de tudo para protegê-la, mesmo em situações que testam sua lucidez perante momentos absurdos. Já Greta Lee, ao meu ver, desde "Vidas Passadas" (2023) vem construindo uma carreira cada vez mais sólida, e sua interação com Moura se revela bastante positiva. Infelizmente o mesmo não se pode dizer dos atores que interpretam os filhos: quando começamos a simpatizar com eles, logo são substituídos para corresponder à passagem do tempo.

Curiosamente, é preciso apontar o quanto é positivo o filme tocar em assuntos espinhosos, como o fato de as pessoas só interagirem mais e se conhecerem de fato a partir de uma situação na qual a tecnologia se torna obsoleta. Se no filme "O Mundo Depois de Nós" (2023) a mídia física se torna uma pequena solução dentro da trama, aqui ela se revela essencial para as crianças se distraírem. Nunca é demais lembrar que basta a internet ser desligada para que as pessoas fiquem completamente perdidas hoje em dia.

Infelizmente, o ato final nos reserva elementos que deixarão o público bem dividido. Particularmente, gosto das primeiras aparições das criaturas meio fora de foco, cujo visual remete aos clássicos do escritor H. P. Lovecraft. Em contrapartida, o cineasta pesa a mão em algumas cenas de ação em que a intenção é tornar tudo mais claustrofóbico, mas exagerando um pouco, para dizer o mínimo.

Com certeza, os minutos finais gerarão debate no decorrer do tempo, já que a solução para a sobrevivência da família se dá através de um contato que aparenta ser absurdo — mas que faz sentido se levarmos em conta que os eventos seriam uma espécie de resposta da natureza e o retorno daqueles que talvez, no passado, tenham sido os verdadeiros donos da Terra. Para os leitores e apreciadores de ficção científica, principalmente aqueles familiarizados com clássicos como "Eu Sou a Lenda" (de Richard Matheson e seu protagonista Robert Neville), a proposta pode fazer algum sentido, ainda que soe inverossímil para a maioria dos espectadores.

"A Última Casa" é a nova cartada da Netflix para atrair o grande público, mas cujo resultado fará com que as pessoas não consigam compreender totalmente a proposta final.

Onde Assistir: Netflix.

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Cine Dica: Nova mostra da Sala Redenção mergulha na vida noturna das cidades

 

De 10 a 21 de agosto, a Sala Redenção apresenta a mostra  “Perambulações noturnas: a noite como espaço imaginativo”, concebida pelo Cineclube Luz Vermelha, organizado por estudantes e egressos/as do curso de História da Arte da UFRGS. Pensando a noite e a cidade como dois temas essenciais do cinema moderno, a mostra reúne produções centradas na vida noturna dos centros urbanos, na qual a escuridão faz emergir aquilo que costuma permanecer oculto. Entre os filmes exibidos estão obras brasileiras contemporâneas, como “Noite” (2015), de Paula Gaitán, e “Inferninho” (2018), de Pedro Diógenes e Guto Parente. A mostra também apresenta a ficção científica soviética “Viagem cósmica” (1936), de Vasily Zhuravlyov, e “Au secours!” (1924) de Abel Gance, curta-metragem protagonizado pelo ícone do cinema mudo Max Linder.

Também ganham destaque curtas-metragens realizados pela produtora gaúcha Saturno Filmes: “Cassino” (2024) de Gianluca Cozza, e o recém-lançado “Braço forte” (2026), de Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas. No dia 14, sexta-feira, às 19h,  acontece uma edição especial do projeto “Você decine”. Nos stories do Instagram da Sala Redenção, o público poderá escolher seu favorito entre quatro filmes dos Estados Unidos sobre conspirações surgidas das incertezas da noite. A obra mais votada será exibida no dia 14, às 19h. A mostra “Perambulações noturnas: a noite como espaço imaginativo” tem entrada franca e conta com apoio de Paula Gaitán, Goethe-Institut Porto Alegre, Saturno Filmes, Embaúba Filmes e Brás Filmes. 

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Marinheiro de Encomenda'

 Nota: Filme visto pelos associados do clube no último dia 01/08/16.

Sinopse: Dois barqueiros disputam passageiros em River Junction: o capitão William Canfield e o poderoso John James King. Um dia, o filho de William chega à cidade e apaixona-se por Marion King, a filha do rival.

Era o final dos anos 20 e o cinema já estava dando sinais de que passaria por uma metamorfose devido ao surgimento do recurso do som. Filmes como "Don Juan" (1926), "O Cantor de Jazz" (1927) e "Luzes de Nova York" (1928) foram pioneiros ao fazer o público testemunhar os protagonistas falando em alto e bom som, proclamando a gradual extinção do cinema mudo. Neste cenário de mudanças, alguns ainda persistiam em tentar manter as suas raízes, e esse alguém foi Buster Keaton.

Construindo uma carreira mágica através da comédia, Buster Keaton não era somente um mero comediante, mas também um realizador de suas obras, além de sempre se arriscar em cenas perigosas que deixariam qualquer dublê com a maior inveja. Pertencente ao cinema independente, Keaton sempre optou por não se vender aos grandes estúdios para não perder o controle criativo, mesmo quando era avisado pelos engravatados de que era necessário abraçar um novo rumo, já que os ventos da mudança estavam acontecendo. Em meio a essa incerteza, ele viria a lançar "Marinheiro de Encomenda" (1928), sendo apontado pelos historiadores como a sua última grande obra-prima.

Dirigido pelo seu colaborador Charles Reisner, o filme conta a história de William Canfield Jr. (Buster Keaton), que decide conhecer o seu pai, um bronco capitão de barco que trabalha transportando pessoas pelo rio Mississippi. Canfield encontra-o sofrendo com a concorrência do rico banqueiro John James King (Tom McGuire) e se vê forçado a ajudar na salvação do negócio familiar. William se envolve com Kitty King (Marion Byron), filha do inimigo, o que complica ainda mais a sua situação como um todo.

Pode-se dizer que o filme é uma espécie de releitura do seu maior clássico, A General (1926). Aqui, trocam-se os trens de locomotiva para dar lugar aos grandes barcos das águas do Mississippi, fazendo com que o protagonista tenha que lidar com toda a novidade desse cenário que transita entre a beleza e o lucro local. O desentendimento entre pai e filho talvez seja um dos pontos máximos da obra como um todo, já que o bronco capitão não aceita o seu filho como ele é, enquanto este último procura se manter da maneira como Deus o fez.

Não faltam momentos hilários entre os dois juntos, sendo que a minha cena preferida se encontra na loja de chapéus, onde o pai experimenta vários na cabeça do protagonista, mas nenhum o satisfaz. Como sempre, Buster Keaton mantém aquela cara séria, cujos trejeitos cartunescos são uma bela representação da era de ouro de um cinema em que o humor físico falava mais alto. Nesta última observação, o filme alcança todos os seus êxitos.

Sem sombra de dúvida, o ato final entra na lista dos melhores momentos da carreira do intérprete, no qual o seu personagem enfrenta um grande vendaval que o faz entrar em diversas enrascadas. Não faltam momentos hilários, desde quando ele se esconde dentro de uma casa para, logo depois, vê-la ser desmanchada pelo vento, até quando uma fachada inteira cai sobre ele — e ele só não se machuca porque o vão da janela o salvou. Não me admira que o ator tenha servido de inspiração para talentos ilustres da comédia de ação, como é o caso de Jackie Chan.

Infelizmente, o filme não foi o sucesso que Buster Keaton esperava, o que o fez aceitar a proposta dos grandes estúdios para continuar trabalhando. O resultado seria a perda da sua liberdade criativa ao longo dos anos, deixando para trás os seus tempos mais dourados. Conforme o tempo foi passando, a obra passou a ser reconhecida como um dos grandes trabalhos de sua carreira, marcando o final de uma era inesquecível do cinema mudo.

"Marinheiro de Encomenda" foi o começo do fim para a carreira do brilhante Buster Keaton, mas continua sendo visto hoje com muito carinho pelos fãs da comédia dos tempos mais dourados.

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