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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 03 A 09 DE SETEMBRO

O documentário Não Existe Almoço Grátis, dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, estreia no CineBancários dia 3 de setembro. Vencedor do prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Brasília, o longa acompanha três lideranças femininas do Sol Nascente, no Distrito Federal, durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A produção aborda a luta cotidiana contra a fome e a força da organização comunitária no Brasil. 

O filme mostra como a ausência de políticas públicas eficazes para o enfrentamento da fome levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, responsáveis pela distribuição de refeições gratuitas em diferentes regiões do país. A história acompanha Bizza, Jurailde e Socorro, três mulheres negras que coordenam uma dessas cozinhas, localizada no Sol Nascente, uma das maiores favelas do país. Durante a posse de Lula, elas ficam responsáveis por preparar a alimentação de centenas de militantes do movimento que viajam a Brasília para acompanhar a cerimônia.

As três protagonistas possuem trajetórias distintas, apresentadas de forma não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir a própria casa e abrir um negócio no lote que conquistou por meio da luta no MTST. Jurailde, evangélica, relaciona a conexão com a terra à ancestralidade indígena e às experiências de trabalho infantil que marcaram sua infância. Socorro, por sua vez, encontra o orgulho de si mesma ao construir a própria família depois de ter sido abandonada pelo pai ainda criança.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE  03 A 09 DE SETEMBRO


ESTREIA:


 NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

Brasil/Documentário/2023/74min.

Direção: Marcos Nepomuceno, Pedro Charbel

Sinopse: Em Sol Nascente, maior favela do Brasil, Socorro, Jurailde e Bizza lideram uma das cozinhas solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), distribuindo almoços de graça diariamente. Para a posse do presidente Lula, elas estão encarregadas de cozinhar para centenas de pessoas em Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro. Em meio a ameaças de golpe, o documentário acompanha o evento e a organização coletiva, revelando que o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos.


EM CARTAZ:


MUITO PRAZER

Brasil/ Comédia/2026/ 98min.

Direção:Jorge Furtado

Sinopse: Rubem, um motorista de aplicativo sem perspectivas, recebe uma herança inesperada: o Motel Pérola, que logo descobre ser um prédio em ruínas. Lá ele conhece Grace, ex-funcionária que ficou morando numa das suítes quando o motel fechou. Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, Grace e Rubem unem-se para reativar o motel. Quase de brincadeira, com a ajuda de Nalva, que sabe tudo de internet, eles começam a gravar seus clientes e, para fazer algum dinheiro extra, a vender os vídeos, com identidades protegidas, para sites eróticos. O esquema se torna rapidamente lucrativo e, como era de se esperar, perigoso.

Elenco: Luisa Arraes, Daniel de Oliveira, Samantha Jones, Felipe Velozo.


NOSSO SEGREDO

Brasil/ Drama/2025/109 min.

Direção: Grace Passô

Sinopse: Nosso Segredo conta a história de uma família negra que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de encarar as raízes de suas dores e, juntos, descobrirem um novo caminho

Elenco: Ju Colombo, Robert Frank, Marisa Revert, Jessica Gaspar, Efraim Santos



HORÁRIOS DE 03 A 09  DE SETEMBRO

(não há sessões nas segundas)

15h: NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

17h: MUITO PRAZER

19h: NOSSO SEGREDO


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (03/09/26)

 IDIOTAS

Sinopse: Mark (Dave Franco) e Davis (O'Shea Jackson Jr.) são dois idiotas que aceitam um trabalho aparentemente simples: levar um adolescente rico e problemático (Mason Thames) até uma clínica de reabilitação. Só que o passageiro tem outros planos, e uma missão fácil se transforma numa jornada cada vez mais delirante, entre drogas, confusão e situações insanas que ninguém ali estava preparado para enfrentar.


MINHA MELHOR AMIGA

Sinopse: Julia e Clara são melhores amigas e vivem o auge dos seus 50 anos. Quando suas filhas, Manu e Isadora, viajam para um intercâmbio em Portugal, elas aproveitam para dar um tempo da rotina frustrante e decidem embarcar para a Europa. Mas, ao chegarem em terras lusitanas, nem tudo sai como planejado e o que seriam apenas umas férias divertidas com as garotas se transforma em uma viagem que vai ressignificar a vida das duas.


PRESSÃO

Sinopse: Embora os meteorologistas alemães esperassem mau tempo, os Aliados aproveitaram um período inesperado de céu limpo para os desembarques na Normandia.


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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Coyote vs. Acme'

Sinopse: Após os produtos da Acme falharem vezes demais em sua incansável perseguição ao Papa-Léguas, Wile E. Coyote decide contratar um advogado de porta de cadeia para processar a Acme Corporation.

"Uma Cilada Para Roger Rabbit" (1988) ainda é a maior referência quando se trata da interação entre atores reais e animação, sendo apontado por muitos como a obra-prima desse subgênero. Houve, claro, boas tentativas posteriores — como o ótimo "Tico e Teco: Defensores da Lei" (2022) —, mas sem atingir o patamar de perfeição alcançado pela obra de Robert Zemeckis. Eis que surge "Coyote vs. Acme" (2026), um longa que, embora não atinja esse estado de perfeição, diverte com inteligência e nos brinda com ótimas doses de reflexão.

Dirigido por Dave Green, o filme nos reapresenta a Wile E. Coyote no deserto, obstinado como sempre em capturar o Papa-Léguas. Contudo, ao se dar conta de que todos os aparatos da ACME Corporation falham sistematicamente, ele decide ir à cidade para processar a empresa. Ao contratar o advogado Kevin Avery (Will Forte), ambos logo percebem que enfrentar um gigante corporativo está longe de ser uma tarefa simples.

Chuck Jones foi, sem sombra de dúvida, o maior gênio por trás do enorme sucesso dos Looney Tunes na Era de Ouro da animação, quando os curtas eram exibidos nas salas de cinema. O curioso é que, mesmo sendo figuras caricatas, os personagens transbordavam carisma e conquistavam a empatia imediata do público. No entanto, talvez nenhum deles tenha gerado tanta identificação quanto o Coyote.

Em sua persistência inabalável para capturar a ave, o personagem tornou-se um símbolo involuntário da perseverança de uma sociedade que busca seus objetivos a despeito dos obstáculos. O detalhe irônico é que o obstáculo principal acaba sendo justamente a tralha vendida pela ACME — e é a partir dessa premissa simples, porém brilhante, que o filme captura a nossa atenção do início ao fim.

A partir desse gancho, os realizadores constroem uma crítica ácida contra grandes corporações que manipulam a sociedade pelo consumo para inflar suas próprias contas bancárias. O roteiro toca em feridas ainda mais profundas ao revelar que os personagens animados funcionam como meras cobaias para a ACME testar seus produtos — uma metáfora corajosa e reveladora. Não é à toa que a própria Warner tenha relutado em lançar o filme nos cinemas; felizmente, graças à comoção do público, o longa finalmente encontrou a luz do dia.

O charme da produção reside, em grande parte, no resgate nostálgico. O roteiro abre espaço para reverenciarmos os clássicos curtas do Coyote, despertando aquela memória afetiva tão cara ao espectador. Tecnicamente, o cuidado com a interação entre o elenco em carne e osso e a animação tradicional é notável, chegando perto da fluidez vista em Roger Rabbit. Além disso, há excelentes referências à história do cinema — a própria aparição do Pernalonga serve de gancho para uma sátira primorosa ao clássico "Todos os Homens do Presidente" (1976).

Infelizmente, nem tudo funciona perfeitamente. O núcleo humano não tem o mesmo carisma do elenco animado. Por mais que se esforce, Will Forte acaba resultando em uma presença pálida diante do brilhantismo do Coyote em cena, oscilando entre a comédia bobajona e momentos dramáticos um pouco forçados. Quem se sai melhor é John Cena na pele de um dos executivos da ACME: seu estilo caricato e canastrão casa perfeitamente com o tom cartunesco da narrativa.

"Coyote vs. Acme" chega em um momento em que os grandes estúdios se transformaram em conglomerados frios, cujos executivos priorizam o lucro em detrimento da qualidade artística. Torna-se poético e irônico ver um filme debochar justamente dessa indústria do entretenimento controlada por gigantes. No fim, o Coyote nos ensina a nunca desistir, mesmo quando enfrentamos corporações que insistem em tratar o público como mero gado consumidor.

Trata-se de uma grata surpresa que alinha entretenimento de qualidade a uma crítica madura contra a Hollywood atual — um ecossistema cada vez mais perdido em suas próprias marcas e franquias inesgotáveis.


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Cine Dica: Clube de Cinema: "Nacionalidade do Imigrante" (03/09, quinta-feira) na Sala Redenção

Nesta quinta-feira (03/09), às 19h, o Clube de Cinema de Porto Alegre dá continuidade ao ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.

O filme da vez é Nacionalidade do Imigrante, de Sidney Sokhona. Realizado a partir da experiência de trabalhadores africanos em Paris, o filme combina elementos documentais e ficcionais para abordar as condições de vida e trabalho dos imigrantes, o racismo e as dificuldades impostas pela burocracia e pela precariedade habitacional. Produzido de maneira independente e com recursos bastante modestos, o longa transforma uma experiência concreta de organização dos trabalhadores em um filme de forte dimensão política.

Após a sessão, teremos ainda um bate-papo com Walter Lippold, historiador e professor da UFRGS, especialista em História da África e pensamento anticolonial. O ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" é uma ação de extensão da Sala Redenção (UFRGS) em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre, oferecendo certificados de participação aos inscritos e possibilitando o aproveitamento de horas complementares aos estudantes. Inscreva-se!


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: 03/09 (quinta-feira), às 19h

📍 Local: Sala Redenção – UFRGS

R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada com Walter Lippold

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


Nacionalidade do Imigrante (Nationalité immigré)

França e Mauritânia, 1976, 70min

Direção e roteiro: Sidney Sokhona

Elenco: Sidney Sokhona, Jacques Ruisseau, Constant Hames

Sinopse: Sidi, um trabalhador mauritano empregado na França, enfrenta, como tantos outros imigrantes, condições precárias de trabalho e exploração por parte dos patrões. Diante do racismo e da exploração econômica, ele e outros trabalhadores começam a se organizar para enfrentar essas condições.

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Cine Dica: Cinesemana de 3 a 9 de setembro de 2026

A primeira cinesemana de setembro apresenta duas estreias na nossa programação. Uma das novidades é A QUINTA PORTUGUESA, coprodução entre Espanha e Portugal e com Maria de Medeiros como protagonista. O outro lançamento é o documentário brasileiro NEM TUDO É PAZ E AMOR, que reúne depoimentos de filhos de artistas que cresceram influenciados pelas ideias de paz e amor dos anos 1970. Nesta semana, também apresentamos a Mostra Sedac/Iecine de Longas Gaúchos, que reúne os cinco filmes apresentados no Festival de Cinema de Gramado.

Em segunda semana, o público pode conferir MUITO PRAZER, de Jorge Furtado, sobre três jovens que tentam reabrir um motel decadente e apostam em estratégias pouco convencionais, além de NOSSO SEGREDO, de Grace Passô, filme vencedor do Festival de Cinema de Gramado. Dois longas franceses continuam em cartaz: O APEGO, que conquistou o prêmio César de melhor filme em 2026, e AS CORES DO TEMPO, dirigido por Cédric Klapisch.

O público ainda tem a oportunidade de conferir dois sucessos da nossa bilheteria: ACAMPAMENTO MIASMA - SEXO, ADOLESCÊNCIA E MORTE, um filme de terror slasher dirigido por Jane Schoenbrun; e O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, sobre dois casais que discutem as relações. 

Confira a programação completa da Cinemateca no site oficial clicando aqui. 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte'

Sinopse: Jovem cineasta vai ao encontro de uma atriz reclusa para convencê-la a voltar a participar de uma franquia slasher.

O gênero slasher foi um dos mais explorados entre o final dos anos 1970 e toda a década de 1980. Já moribundo no início dos anos 1990, esse tipo de filme foi revitalizado a partir do primeiro "Pânico" (1996), o que fez com que os estúdios voltassem a explorá-lo à exaustão para obter grandes lucros. Porém, mais do que filmes de horror, essas produções carregavam uma metáfora impregnada em seus projetos.

Na trama, sempre víamos jovens na mais pura azaração, dispostos a fazer sexo de qualquer jeito. Contudo, havia sempre aquela jovem inocente e virgem que se tornava a única sobrevivente da história. Olhando para trás, observa-se que o assassino era uma espécie de representação do temor em relação aos tempos da AIDS: bastava os personagens fazerem sexo para logo serem punidos. Por mais violentos que fossem, esses filmes não deixavam de ser conservadores — alinhados com uma mentalidade que, hoje, seria politicamente incorreta, para dizer o mínimo.

"Acampamento Sinistro" (1983), por exemplo, seria uma produção completamente inviável nos dias de hoje, já que poderia facilmente ser taxada como transfóbica. Porém, assim como o primeiro Pânico, esses longas podem ser revitalizados desde que se explorem os acertos e erros de sua época, tornando a obra uma leitura curiosa para as novas plateias. "Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte" (2026) não é somente uma homenagem a esse subgênero do horror, mas também uma crítica ácida sobre a mentalidade de tempos passados e da própria Hollywood.

Dirigido por Jane Schoenbrun (de "Eu Vi o Brilho da TV", 2024), o longa acompanha a história de uma jovem cineasta queer (Hannah Einbinder) contratada para comandar os bastidores de um reboot da franquia de terror conhecida como Camp Miasma. Ela, por sua vez, decide reencontrar a atriz que protagonizou as cenas finais do longa original — interpretada por Gillian Anderson — e busca nela uma forma de fazer uma nova releitura do clássico. Porém, acontecimentos estranhos fazem com que ela enxergue uma nova realidade, despertando nela algo antes adormecido.

O público acostumado com as velhas regras de um determinado gênero fica tão preso ao convencional que, quando surge um filme que quebra essas fórmulas, ele se torna, em um primeiro momento, incompreensível. Em "A Natureza da Violência" (2024), por exemplo, assistimos à história pela perspectiva do monstro, e não de suas vítimas. "Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte" vai por um caminho similar ao desconstruir o gênero e criar uma nova visão sobre o assunto.

Logo no início do filme, Jane Schoenbrun brinca com o universo slasher ao explorar o quanto os estúdios exploram em potência máxima um determinado sucesso para gerar continuações intermináveis, spin-offs, refilmagens, reboots e produtos para a massa usufruir. Já o cenário principal da trama é explicitamente falso, como se a realizadora nos dissesse para não levarmos aquilo a sério, mas sim os pontos que desconstroem o gênero. Quando a protagonista finalmente se encontra com a atriz reclusa, o filme mostra a que veio.

Conhecida mundialmente como a protagonista da série "Arquivo X" (1993–2002), Gillian Anderson é uma presença que domina a cena assim que surge. Seu olhar peculiar não esconde o fato de ter descoberto, logo cedo, o que realmente move as engrenagens de um estúdio que apenas explorava o lado erótico das jovens moças do passado. Carregando essa bagagem, ela acaba influenciando a percepção da jovem cineasta dentro da trama, além de saber lidar com a própria sexualidade de forma mais aberta. Curiosamente, é notório que a diretora faz um paralelo da personagem de Gillian Anderson com a figura de Norma Desmond, do clássico "Crepúsculo dos Deuses" (1950), tornando essa observação ainda mais rica para os cinéfilos que apreciam o cinema clássico.

Hannah Einbinder nos brinda com uma atuação ainda mais complexa do que se imagina. Ela se apresenta como alguém de mente aberta em relação aos relacionamentos e ao sexo, mas que ainda não liberou seu verdadeiro eu por completo. Sua adoração pelo slasher clássico seria uma forma de reprimir seus verdadeiros desejos, mesmo tendo consciência das mensagens subliminares e conservadoras daquela época. A atuação de ambas juntas em cena é digna de nota: o desejo nasce de forma gradual, nada impulsiva, indo na contramão de quem espera algo imediatamente explícito.

O filme pode ser interpretado das mais diversas formas, inclusive de maneira surreal. Basta pegarmos como exemplo a cena em que as duas personagens centrais assistem ao clássico dentro da trama: o assassino surge no lago e começa a matar os jovens do acampamento de forma absurdamente cartunesca, despertando um riso involuntário. Ao mesmo tempo, é por essa passagem que o filme faz uma crítica certeira aos meios politicamente incorretos de se criar uma história de horror em outros tempos.

Jane Schoenbrun acerta ao homenagear e alfinetar o slasher, que por muito tempo usou a figura de jovens mulheres para despertar o monstro da trama — quando, na verdade, o próprio monstro era uma alusão a tempos mais conservadores e hipócritas. Na reta final, a obra cai de cabeça na mais pura metalinguagem ao sugerir que talvez tenhamos culpa por alimentar Hollywood a produzir tantas franquias intermináveis, seja no horror ou em qualquer outra fórmula de sucesso. Quando vemos as duas protagonistas despertas em relação a isso, elas cruzam com uma sociedade alienada e consumista, que já não se importa com o que assiste ou consome, desde que continue entretida em suas bolhas particulares.

"Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte" funciona tanto como uma bela homenagem ao gênero slasher quanto como uma inteligente crítica construtiva sobre a mentalidade politicamente incorreta desse tipo de cinema e da indústria hollywoodiana.


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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 3 a 9 de setembro de 2026

 Festival de documentários, estreia brasileira e cinema ucraniano em destaque na Cinemateca Capitólio

A semana da Cinemateca Capitólio entre 3 e 9 de setembro será movimentada, com atrações que incluem lançamento exclusivo de longa brasileiro premiado, festival de documentários, programação infantil, mostra de filmes ucranianos e nova edição da sessão Clássicos. Até sábado, 5 de setembro, a Capitólio segue recebendo a programação do festival de documentários POA Doc.

Na quinta-feira acontece a estreia exclusiva de um dos títulos brasileiros mais elogiados do ano, Aquele que Viu o Abismo, de Gregorio Gananian e Negro Leo. O filme teve sua estreia durante a Mostra de Cinema de Tiradentes em 2024, onde recebeu o prêmio de Melhor Filme na mostra Olhos Livres. Após exibições em diversos festivais e mostras no país (incluindo o festival Cine Esquema Novo em 2024), o filme finalmente chega aos cinemas. Com uma atmosfera magnética a partir de um visual alucinante e de uma trilha sonora perturbadora, a trama se projeta em um futuro distópico, dominado por uma organização misteriosa que recruta civis sob a promessa de uma vida melhor. Bebendo diretamente na fonte do cinema de invenção brasileiro, o filme desafia as narrativas convencionais para propor uma experiência profundamente sensorial.

Para a criançada, a atração da Sessão Vagalume de setembro é o clássico Babe, o Porquinho Atrapalhado, com sessões sábado e domingo, às 15h. Dirigido por Chris Noonan, o filme é uma adaptação do romance The Sheep-Pig (1983), também conhecido nos Estados Unidos como Babe: The Gallant Pig, do escritor britânico Dick King-Smith. O enredo gira em torno de um porquinho que deseja fazer o trabalho de um cão pastor. Centenas de animais foram necessários para a produção do filme. Os animais centrais foram interpretados por uma combinação de porcos reais com réplicas animatrônicas. Um filme que marcou mais de uma geração de jovens cinéfilos.

Mostra de cinema ucraniano

No domingo, dia 6 de setembro, às 19h, a Cinemateca Capitólio inaugura a mostra Dias de Cinema Ucraniano, que vai apresentar ao público portoalegrense uma cinematografia pouco conhecida no Brasil. A abertura será com o clássico Sombras dos Ancestrais Esquecidos, de Sergei Paradjanov. A mostra, que se estende até o dia 16 de setembro, está passando por 8 cidades brasileiras (Brasília, Curitiba, Prudentópolis, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre). A realização é da Fundação de Caridade Dveri, de Kiev, e conta com o apoio da Embaixada da Ucrânia no Brasil, da Agência Estatal de Cinema da Ucrânia, da Representação Central Ucraniano-Brasileira, da Associação Ucraniano-Brasileira de Relações e Artes, da Aliança Francesa e do Goethe-Institut.

A mostra Dias de Cinema Ucraniano traz ao público brasileiro a diversidade do cinema da Ucrânia, com filmes que abordam história, identidade, tradição, sociedade e cultura, buscando ampliar as percepções sobre o país no Brasil nestes tempos de guerra, revelando a força de uma cinematografia com estética própria, humor, memória histórica e diferentes formas de experimentação artística.

A mostra na Cinemateca Capitólio exibe seis longas metragens (quatro ficções e dois documentários), incluindo títulos recentes com passagem por festivais importantes como Cannes (Pamfir) e Visions du Réel (Fragmentos de Gelo).

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui.