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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Disque M Para Matar'  

Nota: Filme exibido para os associados no último dia 02/05/26.  

Alfred Hitchcock nunca escondeu a sua predileção em fazer filmes dentro do estúdio ao invés de cenas externas. É curiosa, por exemplo, a cena que o casal central  de "Os Pássaros" (1963) sobem em um morro real para logo ver os dois em um cenário que logicamente foi feito em estúdio. São esses pequenos detalhes que sempre me chamaram atenção, porém, o  realizador nunca se limitou em rodar somente em estúdio, mas sim usar essa limitação para expandir a sua criatividade como um todo.

Em "Festim Diabólico" (1948) o realizador cria toda uma trama de assassinato dentro de um apartamento, onde o cineasta  filma boa parte das cenas em plano-sequência e nos dando a sensação que tudo foi feito em um palco de teatro. Há quem diga que essa transição entre teatro e cinema muitas vezes não dá certo, pois são duas artes de se contar uma história, mas cuja as ferramentas quase nunca são as mesmas. "Disque M Para Matar" (1953) é uma pequena aula de como se faz um filme que nos transmite uma peça de teatro, mas tendo consigo as peças que moldam a sétima arte como um todo.

Baseado na peça de  escrita pelo dramaturgo inglês Frederick Knott, o filme se passa em Londres, onde um ex-tenista decide matar sua mulher, para poder herdar seu dinheiro e também como vingança por ela ter um amante norte americano e que se encontra na cidade. Ele acaba chantageando um colega de faculdade para matá-la, dando a entender que o crime teria sido cometido por um ladrão. Mas quando algo sai muito errado, ele vê uma maneira de dar um rumo aos acontecimentos em proveito próprio.

Basicamente Hitchcock filma quase boa parte de toda trama dentro do apartamento onde ocorre o crime, sendo que raras vezes surge uma cena externa e quando elas acontecem é notório que elas foram rodadas em estúdio. Pelo fato de ocorrer em um único cenário a trama nos provoca certa claustrofobia, principalmente quando a tensão surge no ar, seja no momento em que o marido começa arquitetar o seu plano, como também o crime em si que se torna o ápice do filme como um todo. Além disso, o realizador não deixa de fazer os seus jogos de câmera mesmo em um espaço limitado, como no caso das curtas cenas de plano sequência que impressionam até nos dias de hoje.

Mas uma das minhas partes preferidas é quando o marido contrata o assassino, interpretado por Patrick Allen, e começa lhe explicar como tem que ser feito o crime perfeito. Repare que, neste momento, Hitchcock filma de cima, como se nos dissesse para prestarmos atenção em cada peça do local que servirá de cenário para o possível assassinato. Uma vez que isso acontece, criamos então a cena do crime mentalmente, mas para somente não se encaixar com os desdobramentos do ato quando acontece. A cena, por sua vez, se torna o momento mais sufocante do longa, principalmente pela maneira que um dos personagens morre e cuja uma tesoura se torna peça primordial do ato.

Vale destacar que esse foi o primeiro filme Grace Kelly trabalhou com Alfred Hitchcock, sendo que posteriormente ela viria a trabalhar com ele  em "Janela Indiscreta" (1954) e "O Ladrão de Casaca" (1955). É curioso, por exemplo, a maneira como o diretor apresenta a sua personagem nas primeiras cenas, sendo inicialmente com roupas comportadas nas cenas com o marido, para logo a seguir vê-la com um vestido vermelho com o amante. Seria uma forma de, inicialmente, discordarmos dela por estar traindo o marido, mas para logo em seguida sentirmos pena dela por estar sendo vítima de um crime hediondo.

Já Ray Milland esbanja elegância, ao interpretar o marido de uma forma refinada, controlada e extremamente fria com relação às suas reais intenções dentro da trama. Ardiloso como ninguém, o seu personagem simplesmente deixa o assassino contratado em um beco sem saída e cuja cena se torna outro ponto alto do longa. Ray Milland se tornou conhecido por ter levado um Oscar pelo seu desempenho em "Farrapo Humano" (1948), mas na minha opinião ele obteve aqui a melhor atuação de sua carreira. 

E se por um lado Robert Cummings se torna um ponto fora da curva ao interpretar o amante, do outro, Patrick Allen esbanja simpatia ao interpretar o detetive Pearson. Com jeito refinado e frio em suas observações, é mais do que notório que o personagem foi inspirado no protagonista  Hercule Poirot dos livros de Agatha Christie e que com certeza o intérprete se encaixaria perfeitamente caso tivessem feito alguma adaptação dos livros na época. O personagem em si se torna o verdadeiro protagonista no final do longa e fazendo com que a sua investigação se torne dinâmica até o último minuto da história. 

Curiosamente, "Disque M Para Matar" também foi uma forma de Alfred Hitchcock experimentar o uso do 3D da época, ao fazer com que alguns objetos de cena nos desse a sensação de estarem saltando da tela. Mas assim como no cinema recente, essa forma de assistir cinema não perdurou muito, sendo que não importa quantas coisas são jogadas contra o público quando está assistindo ao longa, sendo que o mais importante é aproveitar uma boa história. Nisso  Alfred Hitchcock tinha grande talento, mesmo quando surgia uma nova tecnologia que pudesse mudar o seu foco.

Em "Disque M Para Matar" nos revela um Alfred Hitchcock ilimitado, mesmo quando a trama gira em torno de um único cenário.   

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Cine Dica: Clube de Cinema: "As Coisas Simples da Vida" (09/05) na Cinemateca Paulo Amorim

No sábado, dia 9 de maio, nos reunimos às 10h na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir As Coisas Simples da Vida, de Edward Yang. Último longa de Yang, um dos pioneiros da nova onda do cinema taiwanês da década de 1980, As Coisas Simples da Vida acompanha o cotidiano de uma família de classe média em Taipei, organizando a narrativa a partir de movimentos discretos, na qual situações aparentemente corriqueiras se acumulam e passam a reverberar entre si. 

O filme acompanha diferentes personagens — o pai, a filha, o filho — em momentos de hesitação, reencontro e descoberta, compondo um conjunto em que silêncios, deslocamentos e pequenos gestos têm peso decisivo. Para além da sessão de sábado, reforçamos que amanhã, quinta-feira, dia 7 de maio, às 19h, exibiremos A Grande Testemunha, de Robert Bresson, na Sala Redenção da UFRGS. A sessão é aberta ao público e faz parte do ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências". Após a exibição do filme, haverá um bate-papo com o crítico de cinema Danilo Fantinel e Kelly Demo Christ, diretora de comunicação do Clube de Cinema.


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 09/05, às 10h da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

As Coisas Simples da Vida (Yi yi)

Taiwan/Japão, 2000, 173min

Direção e roteiro: Edward Yang

Elenco: Wu Nien-jen, Elaine Jin, Kelly Lee, Jonathan Chang

Sinopse: A partir do cotidiano de uma família em Taipei, o filme acompanha diferentes personagens — entre eles uma criança curiosa, uma adolescente em descoberta e um pai em crise — enquanto enfrentam questões afetivas, profissionais e existenciais. Entre encontros, perdas e reflexões, suas experiências revelam as complexidades da vida moderna e as múltiplas formas de perceber e compreender o mundo.



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Cine Dica: Cinesemana de 7 a 13 de maio de 2026

A cinesemana de 7 a 13 de maio traz cinco estreias na nossa programação, incluindo uma coprodução franco-canadense que se insere nas comemorações pelo Dia das Mães: ERA UMA VEZ MINHA MÃE é baseado na autobiografia do advogado Roland Perez, nascido com uma condição de deficiência e que foi superada pela dedicação da sua mãe. Outra novidade é NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre um jovem francês que revê algumas prioridades antes de iniciar o tratamento contra um câncer.

Também temos três estreias brasileiras, incluindo o longa-metragem gaúcho EDIFÍCIO BONFIM, codireção de Ligia Walper e Tomás Walper Ruas inspirado nas lendas fantásticas da ilha de Florianópolis. Nesta semana, o público ainda terá a oportunidade de conferir ECLIPSE, o novo filme da cineasta Djin Sganzerla, com ela como protagonista, e TIMIDEZ, produção baiana inspirada na peça de teatro “O Cego e o Louco” e vencedora do Festival Panorama Coisa de Cinema.

O público segue empolgado com BETTY BLUE, drama erótico francês que voltou aos cinemas para comemorar seus 40 anos de lançamento. Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus.

Esta é a última semana para conferir A FÚRIA, o longa mais recente do veterano cineasta Ruy Guerra; e PAPAGAIOS, que rendeu ao talentoso Gero Camilo o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado; e A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui. 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 7 a 13 de maio de 2026

 Cinemateca Capitólio estreia clássico do cinema mexicano restaurado

A Cinemateca Capitólio coloca em cartaz a partir de 7 de maio um título clássico do cinema fantástico mexicano, Veneno para as Fadas (1986), de Carlos Enrique Taboada, recentemente restaurado em 4K. Narrado inteiramente pelo ponto de vista infantil, o filme constrói uma atmosfera de suspense envolvente sem jamais mostrar nada definitivamente sobrenatural – transformando a imaginação de uma criança no mais perturbador dos lugares. Na Cidade do México, em 1965, a pequena Verônica (Ana Patricia Rojo) cresce fascinada pelas histórias de bruxaria que a cozinheira lhe conta, alimentando uma imaginação fértil e sombria. Quando Flávia (Elsa Maria Gutierrez), uma colega rica e solitária, chega à sua turma, Verônica não hesita em se apresentar como bruxa de verdade. E, diante da descrença da nova amiga, passa a se aproveitar de uma série de circunstâncias para convencê-la de que seus poderes são reais. O que começa como uma brincadeira inocente vai adquirindo um ar cada vez mais macabro, até que Verônica convence Flávia a levá-la durante as férias à fazenda da família, onde pretende preparar um veneno para as fadas. É quando a brincadeira se torna genuinamente perigosa. Último filme lançado pelo mestre do gênero fantástico Carlos Enrique Taboada, Veneno para as Fadas é um clássico absoluto do cinema mexicano e do horror, cujo relançamento em cinemas comemora o seu 40º aniversário de estreia, permitindo a sua descoberta pelas novas gerações. Além das exibições em salas de cinema, a distribuidora Filmicca também está lançando o filme em blu-ray no mercado brasileiro.

Em sua segunda semana, segue em cartaz outro clássico restaurado, Suspiria, de Dario Argento, também exibido em cópia digital 4K restaurada a partir de seu negativo original. Lançado em 1977, o filme acompanha a bailarina Suzy Bannion ao chegar à prestigiosa Tanz Akademie, em Freiburg, onde uma série de eventos perturbadores a conduz a uma investigação sobrenatural. Primeiro capítulo da trilogia As Três Mães – seguida por A Mansão do Inferno (1980) e O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas (2007) –, Suspiria é um giallo psicodélico de visuais saturados, trilha sonora da banda Goblin e direção de arte rigorosa, consolidado como um dos títulos mais emblemáticos da história do cinema de horror.

Também continua em exibição o documentário pernambucano Manguebit, de Jura Capela, o mais abrangente registro audiovisual já realizado sobre o manguebeat — movimento que, nos anos 1990, conectou as periferias de Recife ao circuito musical global por meio de nomes como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S.A. e o festival Abril Pro Rock. Com imagens raras, arquivos históricos e depoimentos de artistas como Otto e DJ Dolores, o documentário transita entre música, cinema, artes visuais e literatura. O filme conquistou o prêmio de Melhor Filme no In-Edit Brasil e os prêmios de Melhor Direção, Trilha Sonora e Montagem no Festival Aruanda.

Na quinta-feira, 7 de maio, às 19h, a Cinemateca Capitólio recebe ainda uma sessão especial do Cineclube Vestígio, que apresenta o filme brasileiro Caixa Preta, de Bernardo Oliveira e Saskia. Produção de 2022, Caixa Preta é um filme-ensaio sobre a existência da população negra, que tem colhido elogios em sua passagem por festivais de cinema como a Mostra de Tiradentes e o Ecrã – Festival de Cinema e Arte Experimental. A entrada é franca.

Confira a programação completa da Cinemateca no site oficial clicando aqui. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'O Rei da Internet'

Nota: O filme estreia dia 14 de Maio. 

Sinopse: Daniel, um rapaz prodígio, fica deslumbrado com as conquistas geradas por sua capacidade excepcional de hackear sistemas, tornando-se o maior hacker do país.

Não é de hoje que o cinema explora histórias reais de larápios que burlam o sistema para se dar bem na vida. Curiosamente, esse tipo de indivíduo acaba se tornando um exemplo de como quebrar as barreiras de um mundo cheio de regras, provando que sempre haverá uma fenda por onde escapar. "O Rei da Internet" (2026) é uma viagem a um passado não tão distante, mas que revela os elementos que hoje se tornaram os pilares do nosso mundo conectado.

Dirigido por Fabrício Bittar e baseado na obra DN pontocom: A Vida Secreta e Glamourosa de um Ex-Hacker, de Daniel Nascimento e Sandra Rossi, o filme conta a história de Daniel (interpretado por João Guilherme) e mostra como ele se destacou como um dos maiores hackers do Brasil. O jovem fez parte de uma organização criminosa que movimentou milhões de reais, viveu intensamente uma vida de ostentação e foi alvo de uma grande operação da Polícia Federal — tudo isso antes de completar 17 anos.

Antes de mais nada, é preciso aplaudir a edição frenética do filme, que assume uma linguagem quase de videoclipe — algo que eu não via no cinema brasileiro com tanta força desde "2 Coelhos" (2012). O primeiro ato moldado dessa forma serve para apresentar o protagonista de um jeito que gera identificação com o público, principalmente pelo fato de sua paixão pelo hacking ter começado nos tempos da internet discada. É nesse momento que o longa remete a tempos mais simples, trazendo de volta os computadores de tubo, as salas de bate-papo e o clássico Orkut.

Por meio de uma narração em off, Daniel nos revela passo a passo como se tornou um dos criminosos mais procurados pela justiça, desde a invasão ao sistema do site da editora Abril até o acesso a contas bancárias por todo o país. O filme resgata elementos de outras produções que abordam o universo da informática, como "A Rede Social" (2010), mas, ao mesmo tempo, evoca a atmosfera de "O Lobo de Wall Street" (2013). Em comum, esses protagonistas anseiam pela riqueza, nem que para isso precisem quebrar as regras de um sistema movido por números que governam o mundo.

João Guilherme Ávila se sai muito bem como protagonista e narrador. A narração em off funciona como uma ferramenta criativa para compreendermos as motivações do personagem e o que o levou ao mundo do crime cibernético. O filme se desenha como um verdadeiro estudo de uma parcela de uma geração perdida que procura seu lugar no mundo, enquanto é desprezada por uma sociedade conservadora que dita as regras. Daniel, por sua vez, rema contra a maré não apenas para enriquecer, mas também para ser lembrado de alguma maneira.

O ritmo do longa sofre um declínio na transição do segundo para o terceiro ato, momento em que as cenas frenéticas desaceleram para revelar o lado mais obscuro do submundo em que Daniel se envolveu. Não que isso prejudique a obra como um todo, mas fica a sensação de que esticaram a corda mais do que o necessário, já que os minutos iniciais da projeção já antecipavam o destino do protagonista. Ao final, constatamos que o crime pode até não compensar, mas a máxima do "fale mal, mas fale de mim" nunca esteve tão viva.

"O Rei da Internet" é um filme nostálgico que, além de esmiuçar a vida criminosa do protagonista, nos transporta para tempos mais inocentes, resgatando os primeiros passos da internet em terras brasileiras.


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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 07 A 13 DE MAIO

 ESTREIAS:

TIMIDEZ

SURDA

Espanha/ Drama/ 2025/ 99min

Direção:EVA LIBERTAD

Sinopse: Ângela, uma mulher surda, vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte, Hector. Com a chegada do bebê, Ângela precisa enfrentar os desafios e complexidades de ser mãe em um mundo que não foi preparado para pessoas como ela.

Elenco:  Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta


TIMIDEZ

Brasil/ Drama/2025/ 82min.

Direção: Thiago Gomes Rosa e Susan kalik

Sinopse: Jonas vive com o irmão Nestor, um homem cego que é, ao mesmo tempo, seu porto seguro e o que o mantém preso. Entre lembranças que insistem em voltar e um amor guardado pela vizinha Lúcia, ele se vê diante de uma noite decisiva onde precisará encarar tudo aquilo que sempre evitou.

Elenco: Dan Ferreira, Ridson Reis, Antônio Marcelo, Evana Jeyssan.


EM CARTAZ:

MÃE E FILHO

Irã, Drama, 2025, 133min

Direção: SAEED ROUSTAEE

Sinopse: Mahnaz, uma enfermeira viúva de 40 anos, luta com seu filho rebelde, Aliyar, que foi suspenso da escola. As tensões familiares atingem o auge durante a cerimônia de noivado com seu novo namorado, Hamid, e um trágico acidente ocorre. Como consequência, Mahnaz será forçada a confrontar a traição e a perda, e a embarcar em uma busca por justiça.

Elenco: Parinaz Izadyar, Payman Maadi, Soha Niasti



HORÁRIOS SESSÕES DE 07 A 13 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

15h: MÃE E FILHO

17h30: TIMIDEZ

19h: SURDA


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 5 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'O Estrangeiro'

Sinopse: A trama acompanha Meursault, um francês apático e indiferente que vive na Argélia dos anos 1930. Sua completa falta de emoção após a morte da mãe e o envolvimento em um crime trágico o levam a um julgamento implacável.

François Ozon é, atualmente, um dos diretores franceses mais curiosos de se analisar de perto, justamente por sua versatilidade. Ele transita com facilidade por boas comédias, como "O Crime é Meu" (2023), e por dramas densos cujos temas soam polêmicos, como no caso de "Está Tudo Bem" (2021). "Em O Estrangeiro" (2025), o realizador prova novamente que alguns clássicos literários ainda podem — e devem — ser reaproveitados nos dias de hoje, entregando uma adaptação que é uma prova mais do que genuína desse potencial.

Adaptação da obra-prima literária do franco-argelino Albert Camus, o filme conta a história de Meursault, um homem indiferente que vive na Argélia ocupada dos anos 1930 e demonstra uma completa apatia perante a vida. Quando sua mãe morre, nenhuma emoção parece comovê-lo. Já no dia seguinte ao funeral, ele começa a se relacionar com sua colega de trabalho, Marie. No entanto, a rotina monótona de Meursault é interrompida por um vizinho que o arrasta para uma série de negociações obscuras até que, num dia quente de verão, uma tragédia ocorre na praia.

Alguns críticos literários pregam que certos livros são praticamente impossíveis de serem adaptados, ou que pertencem somente à sua época de lançamento. Não é o que acontece aqui. Se a clássica versão de 1967, estrelada por Marcello Mastroianni, já havia sido bem-sucedida, esta nova leitura de François Ozon se mostra mais atual do que nunca. Ela sintetiza o vazio do ser humano perante os posicionamentos, por vezes, conservadores e atrasados do próximo. Qualquer semelhança com os dilemas que atravessamos no decorrer deste século XXI não é mera coincidência.

Meursault é um personagem enigmático diante de um mundo ao qual não sente que pertence, mas no qual busca viver mesmo assim. Ele não se esforça para demonstrar sentimentos, mesmo em uma situação delicada como a perda da mãe — quase como se a apatia fosse uma forma de se proteger dos olhares julgadores de uma sociedade moldada por convenções e crendices. O jovem intérprete Benjamin Voisin consegue construir um personagem que aparenta carregar um constante conflito interno, mas que procura jamais externá-lo para aqueles que buscam compreendê-lo.

Ozon constrói uma atmosfera que transita entre elementos dramáticos e passagens de suspense que prendem a atenção na medida certa. A cena da praia onde acontece o crime, por exemplo, é um verdadeiro jogo de montagem alinhado a uma fotografia fantástica, com atuações que diferenciam a obra dos outros longas do cineasta. Transitando entre o passado e o presente, somos apresentados a um personagem misterioso com o qual, lá no fundo, conseguimos até nos identificar.

Curiosamente, o filme traz à mente o clássico "A Paixão de Joana d’Arc" (1928), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Em ambos os casos, os protagonistas são julgados por ações que poderiam ser analisadas de forma imparcial, mas acabam condenados por uma justiça conservadora que existe apenas para servir a objetivos ambiciosos — sejam eles religiosos ou políticos. É por isso que esta adaptação funciona tão bem nos dias de hoje: tornou-se cada vez mais comum o olhar tribunalesco da sociedade se tornar implacável, condenando sem ao menos analisar a complexidade do assunto.

Ao final, vemos pela primeira vez um Meursault desabafando diante da possibilidade de salvação, mas negando-a por achá-la hipócrita, assim como as demais situações que testemunhou em sua Via Crucis pessoal. É um momento digno de nota, onde finalmente enxergamos o protagonista mais humano, digno de assumir suas próprias falhas, mas indisposto a aceitar a absolvição daqueles que o julgam superficialmente. Um filme que se casa com perfeição com os dilemas morais de um mundo atual em declínio.

"O Estrangeiro" é uma nova leitura cinematográfica brilhante, que prova que os dilemas existenciais de ontem não são muito diferentes dos que enfrentamos hoje.

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