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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: 'Cavalo'

Sinopse: Envolvidos num processo artístico, sete jovens dançarinos são provocados a um mergulho em suas ancestralidades. 

Diferente do que muitos pregam o Brasil é um país laico, cuja as diversas religiões possuem raízes vindas de diversas partes do globo. Em alguns casos, por exemplo, elas são a verdadeira fonte da ligação do ser humano com a própria natureza e da qual esse último busca se reencontrar com o seu berço de origem. "Cavalo" fala sobre arte movida por crenças e da crença é onde nasce uma grande energia.

Dirigido por Rafhael Barbosa e Werner Salles, o documentário “Cavalo” acompanha a vida de sete jovens dançarinos que são provocados a um mergulho em suas ancestralidades. Na medida em que a trama avança a narrativa dá lugar para uma apreciação visual e onde testemunhamos algo, por vezes, incomum. Ao final, os protagonistas abraçam as suas raízes até o seu limite.

Transitando entre ficção e documentário experimental, "Cavalo" se difere de outras obras recentes do cinema brasileiro, já que ele não procura dar explicações como um todo, mas deseja que o cinéfilo mergulhe naquele universo estranho, porém, rico de nossa cultura e que não pode ser ignorada. Os personagens, por exemplo, se despem em cena, dançam sem nenhuma vergonha e se entregam para energias vindas da natureza e nas suas crenças.

No recente documentário "A Última Floresta" algo parecido acontece, sendo que uma vez os índios nunca abandonaram as suas crenças e mantendo as suas tradições mesmo quando ameaçam as suas terras. Já aqui vemos jovens da civilização, da selva de concreto e que procuram se encontrar dentro de si naquilo que eles descobrem e acreditam. Tecnicamente o filme é um mosaico de detalhes surpreendentes, dos quais a edição e a fotografia dançam sublimemente conforme a música toca.

Claro que não é um filme para todos, principalmente para alguns conservadores que acham que o nosso país deva ser governado por uma única ideia, sendo que há várias e das quais merecem ser desfrutadas. Ao final da projeção concluímos que sofremos com tão pouco, sendo que a nossa real riqueza esteja na verdade em um lago, na floresta ou em uma caminhada na chuva e onde, enfim, encontramos o nosso real ser.

"Cavalo" é sobre a jornada de cada um de nós pela procura da paz espiritual através de nossas raízes vindas do fundo de nossos corações. 


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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’

Sinopse: Em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, Shang-Chi é um jovem chinês criado por seu pai em reclusão, sendo treinado em artes marciais. Quando ele tem a chance de entrar em contato com o resto do mundo, logo percebe que seu pai não é o humanitário que dizia ser, vendo-se obrigado a se rebelar. 

Após o encerramento da fase três com "Vingadores - Ultimato" (2019), os realizadores da Marvel têm nos apresentados aos poucos quais os ingredientes que eles usarão para o futuro dos seus filmes. O que se percebe, porém, é que eles andam cortando as amarras do preconceito vindo do passado e nos brindando com mais diversidade em seus projetos. "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis" (2021) é uma bela prova disso, ao nos apresentar um herói asiático e cuja a sua história é um verdadeiro mosaico de luz, cores e de grande beleza vindo da cultura Chinesa.

Dirigido por  Destin Daniel Cretton, a trama acompanha a história de Shang-Chi (Simu Liu), um jovem chinês que foi criado por seu pai em reclusão para que pudesse focar totalmente em ser um mestre de artes marciais. Entretanto, quando ele tem a chance de entrar em contato com o resto do mundo pela primeira vez, logo percebe que seu pai não é o humanitário que dizia ser, vendo-se obrigado a se rebelar e traçar o seu próprio caminho.

Embora seja um filme conectado ao universo Marvel, por outro lado, é uma obra que possui alma própria, sendo que o primeiro ato a gente quase se esquece que estamos assistindo a uma trama que é interligada aos outros filmes, mesmo em proporções menores. Para alegria de muitos fãs que ficaram desapontados da maneira do que foi apresentado em "Homem de Ferro" (2013) o vilão Mandarim finalmente nos é apresentado e muito bem defendido pela atuação equilibrada do ator Tony Leung Chiu-Wai, veterano da China e que atuou em obras primas como, por exemplo, "Amor à Flor da Pele" (2000). Curiosamente, diferente dos quadrinhos, não temos aqui um vilão megalomaníaco, mas sim com objetivos bem melhor construídos, mas cujo os seus desejos pessoais podem desencadear danos irreversíveis ao longo do tempo.

Já Simu Liu faz o que pode como herói protagonista dentro da trama e que não nos decepciona. Pode-se dizer que, ao menos, nas cenas de luta ele dá um verdadeiro show, sendo que as coreografias de luta são um verdadeiro balé visual e que remete aos ótimos "O Tigre e o Dragão" (2000) "Herói" (2002) e o "O Clã das Adagas Voadoras" (2004). Já Awkwafina, da qual interpreta Katy a melhor amiga do protagonista, se torna o alivio cômico da trama e da qual a mesma desliza entre boas piadas e algumas sem graça. Falando nisso, Ben Kingsley retorna como Trevor, a falso Mandarim visto em "Homem de Ferro 3" e sendo que aqui é bem explicado sobre o que realmente havia acontecido com ele ao longo desses anos.

Visualmente o filme é um colírio para os nossos olhos, sendo que a trama explora não somente como é a China atual, como também uma realidade alternativa e que se guarda ali toda a sua mitologia cheia de seres vivos curiosos. Os efeitos visuais, logicamente, estão sempre presentes, mas ao menos eles contribuem para o desenvolvimento da trama e cuja a pirotecnia maior é somente guardada em grande proporção no ato final da trama. Porém, em termos de ação, sem dúvida alguma a cena do ônibus em Sam Francisco é disparada, não somente a melhor do filme, como uma das melhores do ano.

Curiosamente, o filme toca novamente em um assunto que o estúdio anda explorando bastante em seus projetos que é com relação a morte. Se a não aceitação da morte desencadeou toda trama na série "WandaVision" (2021) aqui a situação não é muito diferente, mas tratado da maneira como a cultura da China reage com relação a perda de um ente querido e da maneira como eles abraçam o luto. Para um assunto tão delicado como esse o estúdio tem demonstrado certa coragem, pois sabe que o mesmo público que cresceu assistindo aos seus filmes precisa um dia encarar assuntos que doem, mas que também nos pertencem.

Com as inevitáveis cenas pós-créditos após o encerramento da trama principal, "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis" é uma ótima aventura escapista, mas feita de coração e respeitando a cultura oriental. 


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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (16/09/21)

 Escape Room 2: Tensão Máxima

Sinopse: “Escape Room 2: Tensão Máxima” é a sequência do thriller psicológico que foi sucesso de bilheteria e assustou o público por todo o mundo. No novo filme, seis pessoas se encontram presas em uma nova série de escape rooms, buscando o que elas têm em comum para sobreviver... e descobrindo que todos já jogaram esse jogo antes.


Mate ou Morra

Sinopse: Roy Pulver (Frank Grillo) é um ex-agente das forças especiais que se vê forçado a reviver o dia de sua morte inúmeras vezes. Ele acorda sendo perseguido por assassinos e, de uma forma ou de outra, acaba sempre morrendo no final. Enquanto luta para chegar ao fim do dia com vida, Roy descobre uma mensagem de sua ex-esposa (Naomi Watts) revelando o envolvimento do cientista Ventor (Mel Gibson) nesse ciclo mortal e percebe que a sua família também corre perigo. 



Reação em Cadeia

Sinopse: Guilherme é auditor de uma grande empresa e quando descobre desvio de dinheiro, ganha uma promoção: auditor interno “criativo”. O que ele não imaginava era o peso que essa criatividade teria em sua carreira. Ao se envolver emocionalmente com Lara, uma antiga namorada de colégio, ele acaba entrando em uma cilada ainda maior. Para tentar livrar-se da dívida do namorado, Lara envolve Guilherme em mais um esquema criminoso. O contador se vê encurralado. Até hoje fez tudo absolutamente certo. E nada deu certo. A solução? Inverter o jogo. 


Em breve: 

Cry Macho - O Caminho para Redenção

Sinopse: Estrelado por Eastwood como Mike Milo, um ex-astro de rodeio e criador de cavalos fracassado, que, em 1979, aceita uma proposta de trabalho de um ex-chefe para trazer o jovem filho desse homem de volta do México para casa. Forçado a tomar o caminho de volta para o Texas, a dupla improvável enfrenta uma jornada inesperadamente desafiadora, durante a qual o cavaleiro cansado do mundo encontra conexões inesperadas e seu próprio senso de redenção. 



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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO DE 16 A 22 DE SETEMBRO DE 2021 na Cinemateca Paulo Amorim

 SEGUNDAS-FEIRAS NÃO HÁ SESSÕES

Sibyl 


SALA 1 / PAULO AMORIM

15h30 – SIBYL Assista o trailer aqui. 

(França-Bélgica, 2019, 100min). Direção de Justine Triet, com Virginie Efira, Adèle Exarchopoulos. Imovision, 14 anos. Drama.

Sinopse: Cinema, literatura e psicanálise são os ingredientes da trama, que integrou a competição oficial do Festival de Cannes em 2019. Depois de vários problemas pessoais, uma psicoterapeuta resolve deixar o consultório para se dedicar à literatura. Mas uma última paciente - a jovem atriz Margot, também em crise – vai mudar definitivamente a vida da protagonista Sibyl.


* No domingo, dia 19, às 15h, exibição do filme “A Malvada” (1950), de Joseph Mankiewicz, dentro do ciclo “Clássicos na Cinemateca – 35 anos”. Assista o trailer aqui.


17h30 – BAGDÁ VIVE EM MIM Assista o trailer aqui. 

(Baghdad in My Shadow – Suíça/Alemanha/Reino Unido, 2019, 105min). Direção de Samir, com Haytham Abdulrazaq, Zahraa Ghandour, Waseem Abbas. Arteplex Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: O café Abu Nawas é um ponto de encontro popular entre os iraquianos que vivem em Londres. É por lá que se cruzam histórias de vida como a de Taufiq, um escritor fracassado; de Amal, uma arquiteta que se esconde do marido violento; e do jovem gay Muhannad, especialista em tecnologia. Mas Taufiq acompanha com preocupação a trajetória de seu sobrinho Nasseer, que acaba de aderir ao islamismo radical.


SALA 2 / EDUARDO HIRTZ

14h30 – POR QUE VOCÊ NÃO CHORA? Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2021, 105min) Direção de Cibele Amaral, com Bárbara Paz, Carolina Monte Rosa e Cristiana Oliveira. O2 Play, 14 anos. Drama.

Sinopse: Jéssica é uma jovem introspectiva que cursa a faculdade de Psicologia. Um dos estágios obrigatórios do curso a aproxima da explosiva e falante Bárbara, que sofre do transtorno de borderline e precisa de psicoterapia. A convivência entre estas duas mulheres de origens e comportamentos tão distintos faz com que ambas questionem suas vidas e seus princípios, procurando mudar perspectivas. Baseado na experiência da própria diretora, que também é psicóloga, o filme tem como pano de fundo a discussão sobre o suicídio - e se integra agora às campanhas do Setembro Amarelo. O filme competiu na mostra de longas brasileiros do Festival de Gramado 2020.


16h30 – DE VOLTA PARA CASA *ESTREIA* Assista o trailer aqui.

(Coming Home Again – Estados Unidos/Coreia do Sul, 2019, 90min). Direção de Wayne Wang, com Justin Chon, Jackie Chung, Christina July Kim, John Lie. Zeta Filmes, 12 anos. Drama.

Sinopse: O diretor Wayne Wang (de “O Clube da Felicidade e da Sorte”) traz uma nova história de relações interpessoais, desta vez com mãe e filho como protagonistas.  Chang abandona a vida em Nova York e se muda para São Francisco, onde a mãe está doente de câncer. À medida em que cuida dela, ele convive com as lembranças do passado – principalmente com as habilidades da mãe como cozinheira. Entre as últimas homenagens, Chang prepara um prato chamado kalbi, de costela marinada com gengibre.


18h30 – EDIFÍCIO GAGARINE Assista o trailer aqui.

(Citê Gagarine - França, 2020, 95min). Direção de Fanny Liatard e Jérémy Trouilh, com Alséni Bathily, Lyna Khoudri, Jamil McCraven. Vitrine Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: O nome do imenso conjunto habitacional na periferia de Paris foi uma homenagem ao astronauta soviético Yuri Gagarin, que visitou a França no início dos anos 1960 para acompanhar a inauguração do prédio. Símbolo do então Partido Comunista Francês, que governava várias cidades da região, o edifício foi se deteriorando com o passar dos anos, até ser demolido em 2019. No filme, um garoto chamado Youri e que sonha em viajar para o espaço, se junta a outros moradores na esperança de evitar que seu lar e sua comunidade sejam destruídos. O filme integrou o Festival Varilux de Cinema Francês 2020.


* Na quarta-feira, dia 22, às 19h, sessão do filme "Depois do fim" no ciclo “O Que é o Cinema Gaúcho?”, com o pesquisador Glênio Póvoas.


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 12,00 (R$ 6,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 14,00 (R$ 7,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). CLIENTES DO BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES. 

Professores tem direito a meia-entrada mediante apresentação de identificação profissional.

Estudantes devem apresentar carteira de identidade estudantil. Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013. Brigadianos e Policiais Civis Estaduais tem direito a entrada franca mediante apresentação de carteirinha de identificação profissional.

*Quantidades estão limitadas à disponibilidade de vagas na sala.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: 'Maligno'

Sinopse: Madison sente-se paralisada por visões chocantes de assassinatos horríveis, e tudo piora à medida que descobre que estes sonhos acordados são, de facto, realidades aterradoras. 

James Wan facilmente será lembrado ao longo da história ao ter dado revitalizada ao gênero de horror convencional usando os velhos ingredientes de sucesso. Tanto "Sobrenatural" (2010) como "Invocação do Mal" (2013) são filmes que nos pregam sustos em vários momentos, mas isso graças a uma direção perfeccionista e sem muito abuso da violência explicita. Eis que então "Maligno" (2021) chega aos cinemas para dar nova cara e corpo ao gênero, porém, novamente com ingredientes vindos do passado, mas que somente James Wan saberia como usa-los.

No filme, Madison (Annabelle Wallis) passa a ter sonhos aterrorizantes de pessoas sendo brutalmente assassinadas. Ela acaba descobrindo que, na verdade, são visões dos crimes enquanto acontecem. Aos poucos, ela percebe que esses assassinatos estão conectados a uma entidade do seu passado chamada Gabriel. Para impedir a criatura, Madison precisará investigar de onde ela surgiu e enfrentar seus traumas de infância.

Na franquia "Invocação do Mal" se percebe que James Wan tenta a todo custo nos passar certa verossimilhança com relação aos fatos, ao ponto de sempre durante os créditos finais ele sintetizar isso através de fotos reais sobre as histórias que serviram de base para os filmes como um todo. Porém, aqui essa obsessão pelo realismo é deixada um pouco de lado, sendo que tudo é muito exagerado, mas no bom sentido, pois os cenários principais da trama parecem mais que foram extraídos dos filmes antigos, com o direito de quase eles se tornarem parte essencial da trama. Mas a inspiração vem mais do fundo, mais precisamente vindo do mestre Mario Bava.

Ao lado de Dario Argento, o cineasta Mario Bava foi um dos percursores do cinema de horror italiano, onde ambos deram cores fortes, sangue e violência quase explicita em seus filmes. Na maioria dos casos, as vítimas das tramas eram protagonizadas por personagens femininas, onde as mesmas eram encurraladas por assassinos ou entidades demoníacas e sofrendo em mortes, por vezes, horrendas. Com relação a "Maligno" de James Wan, se percebe que o diretor presta uma homenagem ao mestre italiano, que vai desde "A Maldição do Demônio" (1960) para "Seis Mulheres para o Assassino" (1964).

Mas as referências não param por aí. Acredito eu que James Wan buscou inspiração no surpreendente "O Amante de Duplo" (2018) de François Ozon e que serviu até mesmo de estudo para um dos cursos que eu participei do Cine Um e ministrado por Leonardo Della Pasqua. Em ambos os casos, as tramas giram em torno de situações de que não sabemos ao certo se é real, ou se tudo não passa de delírios das protagonistas.

Porém, ambas as protagonistas possuem ligação com alguém que elas tinham desconhecimento, ou que elas haviam se esquecido. Falar mais sobre esse ponto seria também estragar momentos surpresas que são jogados no colo do cinéfilo que assiste, já que as revelações vão surgindo aos poucos e revelando que muito gira em torno de questões que vão desde ao sangue familiar como também de traumas vindos do passado. Qualquer semelhança também com o clássico "Psicose" (1960) não é mera coincidência, porém, as referências param por aí.

Se por um lado James Wan busca inspiração para fazer o seu filme isso não significa que ele não possua genialidade. Muito pelo contrário, pois a partir do momento em que as peças são colocadas no tabuleiro o diretor usa e abusa da parte técnica com elegância, tanto em uma edição quase frenética, como em planos-sequências arrasadores. Aguarde para a cena de um massacre que ocorre dentro de uma delegacia e que facilmente entra na lista dos momentos mais horripilantes do gênero de horror deste ano.

Com uma fotografia de cores quentes, cujo o vermelho se destaca fortemente, James Wan usa e abusa de tudo que não havia sido usado em seus filmes recentes, sendo que a violência aqui não tem freio e podendo pegar muitos desprevenidos. Já a figura maquiavélica da trama ela facilmente entrará na lista dos seres mais tenebrosos do cinema recente, principalmente na cena em que é revelado finalmente o que ela é que fará muita gente se surpreender. Destaco a boa atuação de Annabelle Wallis como a protagonista e vítima das ações da entidade do mal, mas cuja as revelações da trama fazem de sua atuação ainda mais impactante como um todo.

Com um final que dá uma brecha para uma possível sequência, "Maligno" é desde já um dos melhores filmes de horror do ano, que fará os cinéfilos amarem as diversas referencias do gênero sendo jogadas na tela e pegando muita gente desprevenida.


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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: 'Por que Você Não Chora?'

Sinopse: Jéssica tem origem humilde e se depara com um novo mundo no estágio de psicologia. Ao atender Bárbara, diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline, um contraste de visões surge.  

Não é de hoje que o cinema brasileiro adverte que é preciso discutir sobre a questão do suicídio, do qual cada vez mais se encontra encravado em nossa sociedade, mas cujo os poderes conservadores censuram qualquer coisa com relação ao assunto. O documentário "Helena" (2012), por exemplo, é um estudo quase investigativo sobre os motivos que levaram uma jovem de grande talento a tirar a sua própria vida. "Por que Você Não Chora?" (2021) é um filme fictício, mas também um retrato real sobre várias pessoas que escondem as suas dores e que acabam cometendo um crime consigo mesmo.

Dirigido por Cibele Amaral, o filme explora a delicada temática do suicídio. No longa, Jéssica (Carolina Monte Rosa) é uma pessoa introspectiva, enquanto Bárbara (Barbara Paz) é explosiva. Ambas se encontram em um estágio da faculdade de psicologia, onde Jéssica é a psicoterapeuta de Bárbara. A convivência leva as duas a questionarem suas vidas, procurando mudar suas perspectivas.

Ao retratar a vida dessas duas mulheres, a cineasta Cibele Amaral cria os dois lados da mesma moeda dentro da trama, onde as duas protagonistas aparentam serem diferentes uma da outra, mas tendo mais em comum do que se imagina. Enquanto Barbara extravasa qualquer coisa que não lhe agrade a cada instante, por outro lado, Jéssica parece querer se distanciar de qualquer laço sentimental com a primeira, como se isso fosse uma espécie de proteção e para não liberar algo que guarda dentro de si mesma. Na medida em que a trama avança ficamos com apreensão do que pode acontecer, não somente com relação as atitudes de Barbara, como também a forma que Jéssica irá se corresponder a elas.

Tecnicamente o filme nos chama atenção, principalmente com a sua fotografia azulada, nenhum pouco acolhedora e fazendo daquela realidade muito mais opressora. Cibele Amaral procura criar um cenário cujo o miolo do problema se encontra nas relações familiares de hoje, onde cada uma se encontra cada vez mais em seu piloto automático e não se dando conta quando o seu ente querido pede socorro. Neste último caso, isso pesa mais com relação a Jéssica, sendo que suas lembranças são jogadas na tela em determinado momento da trama, mas nunca explicando com total clareza o que significa.

Porém, as respostas podem estar em volta de Barbara, sendo uma pessoa moldada através de um passado dolorido e fazendo com que não consiga administrar os seus próprios sentimentos. Como sempre, Barbara Paz dá um show de interpretação, principalmente pelo fato que sua personagem em si seja uma manifestação de sua própria pessoa, mas vindo de um passado do qual a própria artista soube controlar o longo de sua história. Mas é Carolina Monte Rosa que realmente nos surpreende, pois a sua personagem é apresentada no início como uma pessoa controlada, porém, aos poucos vai se revelando como alguém não muito diferente de Barbara, sendo em alguns momentos até de forma mais trágica, principalmente em um terceiro lado que se encaminha por um caminho sem volta.

Mais do que um filme dramático, a obra vem em um momento em que nos encontramos em tempos indefinidos, onde as pessoas cada vez mais se encontram no seu piloto automático, Incrustado cada vez mais em seus celulares e não enxergando mais os problemas do seu próximo. Em tempos de governos conservadores, dos quais os mesmos não levantam nenhum dedo com relação ao assunto, cabe nós mesmos despertarmos e darmos a mão para aqueles que pedem socorro mesmo quando não pedem para isso.  "Por que Você Não Chora?" nos traz um assunto do qual ninguém gosta, mas que é preciso se manifestar antes que seja tarde demais para muitas pessoas. 



Nota: O filme pode também pode ser locado pelo Youtube 

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Cine Dica: O Retorno da Mostra 1980

Touro Indomável


A partir de terça-feira, 14 de setembro, a Cinemateca Capitólio reapresenta a programação da mostra 1980, interrompida em março de 2020. A mostra exibe, no dia 18 de setembro, às 19h, uma sessão especial da cópia restaurada de A Idade da Terra, o último filme realizado por Glauber Rocha. Outro destaque da programação é o conjunto de 11 filmes – entre clássicos consagrados e grandes obras subestimadas – lançados nos Estados Unidos em um momento de turbulência da Nova Hollywood.


FILMES


Touro Indomável

(Raging Bull)

EUA, 1980, 129 minutos, HD-DCP

Direção: Martin Scorsese

A história de Jake La Motta, um exímio boxeador, um monstro nos ringues que detona tudo e todos dentro dos quatro corners, descontando em seus adversários todos os golpes que a vida lhe dá.


Vestida Para Matar

(Dressed to Kill)

EUA, 1980, 106 minutos, HD

Direção: Brian De Palma

Um terapeuta de Manhattan enfrenta o momento mais aterrorizante de sua vida, quando um assassino psicopata começa a atacar as mulheres de sua vida – usando uma navalha roubada de seu escritório.


Popeye

EUA, 1980, 115 minutos, digital

Direção: Robert Altman

Baseado nos quadrinhos de Elzie Crisler Segar que deu origem ao famoso desenho animado, o filme narra as aventuras do Marinheiro Popeye, remontando as origens de sua história e de seus amigos.


O Portal do Paraíso

(Heaven’s Gate)

EUA, 1980, 219 minutos, HD

Direção: Michael Cimino

1890, estado de Wyoming, Estados Unidos. Um xerife faz o possível para proteger fazendeiros imigrantes de ricos criadores de gado, em lutas por mais terras. Ao mesmo tempo, ele luta pelo coração de uma jovem com um pistoleiro.


Agonia e Glória

(The Big Red One)

EUA/França, 1980, 113 minutos, HD

Direção: Samuel Fuller

Um sargento conduz seu pelotão desde o Norte da África até a Normandia, cruzando toda a Europa. Ao mesmo tempo em que participam de importantes eventos do conflito, o pelotão se envolve em diversos incidentes cotidianos dos civis, involuntariamente envolvidos no horror da guerra.


Bronco Billy

EUA, 1980, 116 minutos, HD

Direção: Clint Eastwood

Ex-vendedor de sapatos compra um circo especializado em números do Velho Oeste e se transforma no caubói Bronco Billy, que faz muito sucesso com as crianças.


Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!

(Airplane!)

EUA, 1980, 88 minutos, HD

Direção: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker

Sátira aos filmes de desastres aéreos dos anos 1970. Durante um voo comercial, os pilotos são afetados por um vírus e agora o destino de um avião lotado de pessoas está nas mãos de um ex-piloto de guerra com medo de voar.


Memórias

(Stardust Memories)

EUA, 1980, 88 minutos, HD

Direção: Woody Allen

Um famoso cineasta assiste a uma retrospectiva de seus filmes e passa questionar sua vida e sua carreira.


Gigolô Americano

(American Gigoli)

EUA, 1980, 117 minutos, HD

Direção: Paul Schrader

Julian ganha a vida como acompanhante de mulheres mais velhas. Quando uma de suas clientes é assassinada, a polícia passa a investigá-lo e a considerá-lo um dos principais suspeitos.


Guerra nas Estrelas: O Império Contra-Ataca

(The Empire Strikes Back)

EUA, 1980, 127 minutos, HD

Direção: Irvin Kershner

Três anos depois da destruição da Estrela da Morte, a Aliança Rebelde organizou uma base no planeta gelado Hoth. As forças do Império descobrem o local e, sob o comando de Darth Vader, preparam o contra-ataque.


O Iluminado

(The Shining)

EUA, 1980, 140 minutos, HD

Direção: Stanley Kubrick

Jack Torrence consegue um emprego de vigia em um hotel no Colorado, durante a temporada de inverno, e leva a sua família para lhe fazer companhia. Devido à baixa temporada e ao isolamento, Jack começa a ter visões e coisas estranhas passam a acontecer naquele lugar assombrado.


A Idade da Terra

Brasil, 1980, 160 minutos, DCP

Direção: Glauber Rocha

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse ressuscitam o Cristo no Terceiro Mundo, recontando o mito através dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João.


GRADE DE HORÁRIOS – MOSTRA 1980

14 a 29 de setembro de 2021


14 de setembro (terça)

18h – Bronco Billy

15 de setembro (quarta)

18h – Agonia e Glória


16 de setembro (quinta)

16h30 – Gigolô Americano

19h – Memórias


17 de setembro (sexta)

17h – Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!

19h – Touro Indomável


18 de setembro (sábado)

16h30 – Guerra nas Estrelas: O Império Contra-Ataca

19h – A Idade da Terra


19 de setembro (domingo)

Neste dia não há sessão da mostra


21 de setembro (terça)

16h30 – Popeye

19h – Vestida Para Matar


22 de setembro (quarta)

17h – Memórias

19h – O Iluminado

23 de setembro (quinta)


16h30 – Touro Indomável

19h – Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!

24 de setembro (sexta)

16h30 – Agonia e Glória

19h – Projeto Raros (divulgação em breve)


25 de setembro (sábado)

16h30 – Bronco Billy

19h – O Iluminado


26 de setembro (domingo)

16h30 – Portal do Paraíso


28 de setembro (terça)

16h30 – Vestida Para Matar

19h – Gigolô Americano


29 de setembro (quarta)

16h30 – Popeye

19h – Guerra nas Estrelas: O Império Contra-Ataca


Fonte: Cinemateca Capitólio.