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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'A Casa do Dragão - 3ª Temporada'

Sinopse: Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) alcança o objetivo pelo qual tanto lutou: o Trono de Ferro. No entanto, a vitória revela-se muito mais amarga do que esperava.

O tempo é a principal peça em relação a tudo e, perante a arte de contar histórias, não é diferente — seja no cinema ou nas séries de TV. O livro "Fogo & Sangue", escrito por George R. R. Martin, se tornou o principal alvo da HBO desde que "Game of Thrones" foi encerrada, fazendo muitos fãs se perguntarem como seria o formato da adaptação. O resultado foram, até agora, três temporadas, sendo que a quarta será a última.

Olhando para trás, percebe-se um certo erro de cálculo ao estender por tantas temporadas uma obra baseada em um único livro, visto que o segundo ano mais parecia a construção do que viria mais adiante. É exatamente essa a sensação que tive com esta terceira temporada, que já começa a todo vapor com a famosa "Batalha da Goela" — desde já um dos confrontos mais sangrentos de Westeros, resultando em perdas irreversíveis. Isso afeta Rhaenyra Targaryen de forma fulminante, fazendo com que a sua conquista pelo trono se torne ainda mais dramática e brutal.

Emma D'Arcy consegue construir muito bem para sua personagem alguém à beira do colapso mental perante a responsabilidade de obter o trono, tendo que pagar um alto preço e carregar um peso incalculável. Pode-se dizer que, daqui em diante, a Rhaenyra que conhecíamos de uma forma até então inocente dá lugar, aos poucos, a uma personagem com um ar de ambiguidade, fazendo com que a gente testemunhe sua entrega gradativa à escuridão contra a qual tanto lutou. Pelo visto, a família Targaryen está condenada a conviver com a loucura nascida do poder e do peso da responsabilidade em abundância.

Do outro lado da moeda temos Aegon, vivido intensamente pelo jovem ator Tom Glynn-Carney. Aqui temos um personagem se reerguendo das cinzas aos poucos e provando não ser inútil, mas sim sabendo usar o seu lado desalmado na hora certa. Daemon Targaryen, interpretado novamente por Matt Smith, nos brinda não somente com uma grande atuação, mas também protagonizando as melhores cenas de luta com espada até este momento da série, provando ser o verdadeiro e fiel braço direito da rainha. E, como não poderia deixar de ser, a série carrega novamente aquele velho jogo político, onde alianças e traições correm a todo vapor, tornando a trama ainda mais imprevisível.

E se alguns ainda estavam reclamando da falta de ritmo, pode-se dizer que o último episódio desta temporada é uma aula de como se elabora uma bela história alinhada com muita ação do gênero fantástico e épico na medida certa. Dirigido por Andrij Parekh (da série "Watchmen", de 2019), o realizador elabora cenas maravilhosas, como aquela em que Rhaenyra Targaryen discursa perante o seu povo enquanto o seu exército se prepara para a Batalha de Tumbleton, tudo embalado por uma bela trilha sonora. Aliás, essa batalha entra facilmente entre os momentos mais violentos e sangrentos da série, cujos atos e consequências nos levam para um caminho sem volta.

Em suma, a terceira temporada termina de forma mais do que satisfatória, com uma linguagem cinematográfica tão elaborada por seus criadores que nos faz desejar assisti-la em uma tela grande. Mas estamos falando do universo dos Sete Reinos, onde ninguém está a salvo, fazendo-nos temer ainda mais por personagens com os quais estamos cada vez mais nos simpatizando. O quarto ano, pelo visto, será um rio de lágrimas, sangue e fogo em todos os sentidos.

"A Casa do Dragão - 3ª Temporada" supera em todos os sentidos o ano anterior, preparando-nos psicologicamente para a sua derradeira temporada final.


Onde Assistir: HBO MAX. 

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'A Última Casa'

Sinopse: Família fica confinada dentro de casa enquanto estranhas criaturas surgem em meio à chuva.

Quando penso em Louis Leterrier, chego à conclusão de que é um realizador francês similar a Luc Besson, sendo que nenhum dos dois construiu exatamente uma carreira sólida em território norte-americano. Pode-se dizer que Leterrier lançou sucessos de forma esporádica, desde "Carga Explosiva" (2002) até "O Incrível Hulk" (2008) e capítulos da franquia "Velozes e Furiosos". Em "A Última Casa" (2026), ele sai de seu território habitual da ação e se envereda por uma trama de ficção e horror que com certeza se tornará divisiva para boa parte do público.

Na trama, Ann (Greta Lee), Jason (Wagner Moura) e seus dois filhos ficam confinados dentro da própria casa. Enquanto uma força desconhecida transforma o lar em uma espécie de prisão, todos ficam perdidos e sem entender a origem dessa ameaça. Os membros da família tentam manter a esperança de encontrar uma maneira de sobreviver, porém a falta de água, comida e outros recursos essenciais faz com que o desespero tome conta do ambiente. Ao mesmo tempo, seres estranhos surgem do lado de fora, despertando ainda maior aflição.

Desde "Bird Box" (2018), a Netflix tem procurado lançar um filme que se tornasse o próximo grande evento do streaming. De lá para cá, porém, o mundo passou por diversas mudanças — desde os eventos da pandemia até o interesse do público em retornar às salas de cinema após ela. Portanto, não basta fazer uma grande propaganda para atrair as pessoas; é necessário também apresentar algo, ao menos, interessante para ser debatido.

O filme em si não traz algo inédito dentro do gênero. A trama não só nos faz relembrar elementos já vistos no citado "Bird Box", como também de outros longas de horror e ficção científica, como "O Nevoeiro" (2007). Além disso, deve ser uma experiência nova para Louis Leterrier sair do gênero de ação, já que aqui ele exagera na edição de cenas em uma determinada passagem da trama. Ao meu ver, o realizador só tira o pé do acelerador quando se vê obrigado a apresentar melhor a família e suas motivações para seguir tentando sobreviver.

Talvez o ápice da história se encontre nas diversas maneiras que os personagens buscam para tentar sobreviver — desde começar a plantar dentro de casa até caçar animais a partir da abertura da chaminé. É nestas passagens que o filme sintetiza o fato de que o ser humano é capaz de resistir aos momentos mais extremos, mesmo quando o longa nos brinda com situações que por vezes soam inverossímeis. Ao menos o elenco principal se esforça para prender nossa atenção e nos fazer criar empatia à medida que o tempo passa.

Wagner Moura se sai bem como o líder da família que faz de tudo para protegê-la, mesmo em situações que testam sua lucidez perante momentos absurdos. Já Greta Lee, ao meu ver, desde "Vidas Passadas" (2023) vem construindo uma carreira cada vez mais sólida, e sua interação com Moura se revela bastante positiva. Infelizmente o mesmo não se pode dizer dos atores que interpretam os filhos: quando começamos a simpatizar com eles, logo são substituídos para corresponder à passagem do tempo.

Curiosamente, é preciso apontar o quanto é positivo o filme tocar em assuntos espinhosos, como o fato de as pessoas só interagirem mais e se conhecerem de fato a partir de uma situação na qual a tecnologia se torna obsoleta. Se no filme "O Mundo Depois de Nós" (2023) a mídia física se torna uma pequena solução dentro da trama, aqui ela se revela essencial para as crianças se distraírem. Nunca é demais lembrar que basta a internet ser desligada para que as pessoas fiquem completamente perdidas hoje em dia.

Infelizmente, o ato final nos reserva elementos que deixarão o público bem dividido. Particularmente, gosto das primeiras aparições das criaturas meio fora de foco, cujo visual remete aos clássicos do escritor H. P. Lovecraft. Em contrapartida, o cineasta pesa a mão em algumas cenas de ação em que a intenção é tornar tudo mais claustrofóbico, mas exagerando um pouco, para dizer o mínimo.

Com certeza, os minutos finais gerarão debate no decorrer do tempo, já que a solução para a sobrevivência da família se dá através de um contato que aparenta ser absurdo — mas que faz sentido se levarmos em conta que os eventos seriam uma espécie de resposta da natureza e o retorno daqueles que talvez, no passado, tenham sido os verdadeiros donos da Terra. Para os leitores e apreciadores de ficção científica, principalmente aqueles familiarizados com clássicos como "Eu Sou a Lenda" (de Richard Matheson e seu protagonista Robert Neville), a proposta pode fazer algum sentido, ainda que soe inverossímil para a maioria dos espectadores.

"A Última Casa" é a nova cartada da Netflix para atrair o grande público, mas cujo resultado fará com que as pessoas não consigam compreender totalmente a proposta final.

Onde Assistir: Netflix.

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Cine Dica: Nova mostra da Sala Redenção mergulha na vida noturna das cidades

 

De 10 a 21 de agosto, a Sala Redenção apresenta a mostra  “Perambulações noturnas: a noite como espaço imaginativo”, concebida pelo Cineclube Luz Vermelha, organizado por estudantes e egressos/as do curso de História da Arte da UFRGS. Pensando a noite e a cidade como dois temas essenciais do cinema moderno, a mostra reúne produções centradas na vida noturna dos centros urbanos, na qual a escuridão faz emergir aquilo que costuma permanecer oculto. Entre os filmes exibidos estão obras brasileiras contemporâneas, como “Noite” (2015), de Paula Gaitán, e “Inferninho” (2018), de Pedro Diógenes e Guto Parente. A mostra também apresenta a ficção científica soviética “Viagem cósmica” (1936), de Vasily Zhuravlyov, e “Au secours!” (1924) de Abel Gance, curta-metragem protagonizado pelo ícone do cinema mudo Max Linder.

Também ganham destaque curtas-metragens realizados pela produtora gaúcha Saturno Filmes: “Cassino” (2024) de Gianluca Cozza, e o recém-lançado “Braço forte” (2026), de Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas. No dia 14, sexta-feira, às 19h,  acontece uma edição especial do projeto “Você decine”. Nos stories do Instagram da Sala Redenção, o público poderá escolher seu favorito entre quatro filmes dos Estados Unidos sobre conspirações surgidas das incertezas da noite. A obra mais votada será exibida no dia 14, às 19h. A mostra “Perambulações noturnas: a noite como espaço imaginativo” tem entrada franca e conta com apoio de Paula Gaitán, Goethe-Institut Porto Alegre, Saturno Filmes, Embaúba Filmes e Brás Filmes. 

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Marinheiro de Encomenda'

 Nota: Filme visto pelos associados do clube no último dia 01/08/16.

Sinopse: Dois barqueiros disputam passageiros em River Junction: o capitão William Canfield e o poderoso John James King. Um dia, o filho de William chega à cidade e apaixona-se por Marion King, a filha do rival.

Era o final dos anos 20 e o cinema já estava dando sinais de que passaria por uma metamorfose devido ao surgimento do recurso do som. Filmes como "Don Juan" (1926), "O Cantor de Jazz" (1927) e "Luzes de Nova York" (1928) foram pioneiros ao fazer o público testemunhar os protagonistas falando em alto e bom som, proclamando a gradual extinção do cinema mudo. Neste cenário de mudanças, alguns ainda persistiam em tentar manter as suas raízes, e esse alguém foi Buster Keaton.

Construindo uma carreira mágica através da comédia, Buster Keaton não era somente um mero comediante, mas também um realizador de suas obras, além de sempre se arriscar em cenas perigosas que deixariam qualquer dublê com a maior inveja. Pertencente ao cinema independente, Keaton sempre optou por não se vender aos grandes estúdios para não perder o controle criativo, mesmo quando era avisado pelos engravatados de que era necessário abraçar um novo rumo, já que os ventos da mudança estavam acontecendo. Em meio a essa incerteza, ele viria a lançar "Marinheiro de Encomenda" (1928), sendo apontado pelos historiadores como a sua última grande obra-prima.

Dirigido pelo seu colaborador Charles Reisner, o filme conta a história de William Canfield Jr. (Buster Keaton), que decide conhecer o seu pai, um bronco capitão de barco que trabalha transportando pessoas pelo rio Mississippi. Canfield encontra-o sofrendo com a concorrência do rico banqueiro John James King (Tom McGuire) e se vê forçado a ajudar na salvação do negócio familiar. William se envolve com Kitty King (Marion Byron), filha do inimigo, o que complica ainda mais a sua situação como um todo.

Pode-se dizer que o filme é uma espécie de releitura do seu maior clássico, A General (1926). Aqui, trocam-se os trens de locomotiva para dar lugar aos grandes barcos das águas do Mississippi, fazendo com que o protagonista tenha que lidar com toda a novidade desse cenário que transita entre a beleza e o lucro local. O desentendimento entre pai e filho talvez seja um dos pontos máximos da obra como um todo, já que o bronco capitão não aceita o seu filho como ele é, enquanto este último procura se manter da maneira como Deus o fez.

Não faltam momentos hilários entre os dois juntos, sendo que a minha cena preferida se encontra na loja de chapéus, onde o pai experimenta vários na cabeça do protagonista, mas nenhum o satisfaz. Como sempre, Buster Keaton mantém aquela cara séria, cujos trejeitos cartunescos são uma bela representação da era de ouro de um cinema em que o humor físico falava mais alto. Nesta última observação, o filme alcança todos os seus êxitos.

Sem sombra de dúvida, o ato final entra na lista dos melhores momentos da carreira do intérprete, no qual o seu personagem enfrenta um grande vendaval que o faz entrar em diversas enrascadas. Não faltam momentos hilários, desde quando ele se esconde dentro de uma casa para, logo depois, vê-la ser desmanchada pelo vento, até quando uma fachada inteira cai sobre ele — e ele só não se machuca porque o vão da janela o salvou. Não me admira que o ator tenha servido de inspiração para talentos ilustres da comédia de ação, como é o caso de Jackie Chan.

Infelizmente, o filme não foi o sucesso que Buster Keaton esperava, o que o fez aceitar a proposta dos grandes estúdios para continuar trabalhando. O resultado seria a perda da sua liberdade criativa ao longo dos anos, deixando para trás os seus tempos mais dourados. Conforme o tempo foi passando, a obra passou a ser reconhecida como um dos grandes trabalhos de sua carreira, marcando o final de uma era inesquecível do cinema mudo.

"Marinheiro de Encomenda" foi o começo do fim para a carreira do brilhante Buster Keaton, mas continua sendo visto hoje com muito carinho pelos fãs da comédia dos tempos mais dourados.

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (08/07/26)

 INSACIÁVEL

Sinopse: Uma estudante de medicina desesperada por amor experimenta uma estranha dieta da moda para perder peso. Após consumir cinzas humanas, ela passa a ser atormentada por uma presença sinistra que transforma sua vida em pesadelo.


KATSEYE: WILD HEARTS

Sinopse: Documentário acompanha a trajetória do grupo global desde o reality Dream Academy, destacando imagens inéditas, entrevistas íntimas e a forte conexão com os fãs chamados Eyekons. 



AUTHENTIC GAMES

Sinopse: Após anos comandando um mundo offline, o Império Desconectado decide se vingar. O Imperador planeja sequestrar Marco Túlio, criador do Authentic Games, para levar alegria ao seu reino sombrio. Ao entrar nesse universo, Marco Túlio se transforma em Authentic, um simpático boneco, e embarca em uma grande aventura para resgatar a Família Craft e enfrentar o Império. 


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Cine Dica: Clube de Cinema: "Fanon" (08/08) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (08/08), o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para exibir o filme Fanon, de Jean-Claude Flamand-Barny. Ambientado na Argélia às vésperas da guerra de independência, o longa acompanha o período em que o psiquiatra e pensador anticolonial Frantz Fanon desenvolveu parte de suas reflexões sobre colonialismo, racismo e emancipação. Ao articular sua prática médica com o contexto político da época, o filme aproxima a trajetória pessoal do intelectual das ideias que marcaram seu pensamento. A sessão terá comentários dos professores Walter Lippold e Orson Soares, especialistas na obra de Fanon.

Além disso, lembramos que amanhã (06/08), às 19h, exibiremos o clássico São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, na Sala Redenção da UFRGS. A sessão é parte do nosso ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências" e contará com comentários de Daniel Rodrigues, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS).


Fanon

França, Luxemburgo, Canadá e Bélgica, 2024, 132min

Direção e roteiro: Jean-Claude Flamand-Barny

Elenco: Alexandre Bouyer, Déborah François, Stanislas Merhar

Sinopse: Em 1953, Frantz Fanon assume o trabalho em um hospital psiquiátrico na Argélia colonial e promove mudanças no tratamento dos pacientes. À medida que testemunha a violência do regime colonial, aproxima-se da luta pela independência do país e consolida as reflexões que o tornaram um dos principais pensadores anticoloniais do século XX.

Sobre o Filme: No filme brasileiro "Nise — O Coração da Loucura" (2015), vemos Glória Pires interpretar uma psiquiatra que enfrentou o sistema arcaico da época para buscar um tratamento mais digno a pessoas com sofrimento mental. Às vezes, porém, o desafio perante o sistema leva o indivíduo a um patamar cujo cenário é muito maior do que se imagina. "Fanon" (2026) fala sobre um médico que se envolveu em uma luta anticolonial e cujo exemplo ressoa até os dias de hoje.

Dirigido por Jean-Claude Barny, o filme narra a história de Fanon, um psiquiatra de origem martinicana cujo desafio profissional é chefiar os serviços do hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia. Rapidamente, seus métodos inovadores e seu tratamento humanístico atraem a ira de colegas e do diretor da instituição. Determinado, Fanon não abandona seus princípios; perante o conflito entre argelinos e colonizadores franceses, ele opta por ficar ao lado dos "condenados da terra".

Confira a minha crítica já publicada clicando aqui.

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Cine Dica: Cinesemana de 6 a 12 de agosto de 2026

A cinesemana de 6 a 12 de agosto apresenta duas estreias na nossa programação. Uma delas é CHAMPAGNE: UMA VIAGEM DE PAI E FILHO, do diretor holandês Tim Kamps, que ganha lançamento na semana do Dia dos Pais e faz um relato emocionante do reencontro entre um pai doente e seu filho distante. A segunda estreia é YUNAN, do diretor sírio Ameer Fakher Eldin, sobre um escritor que busca sentido para sua vida em uma ilha remota.

Atendendo a pedidos do público, no sábado haverá uma pré-estreia de ACAMPAMENTO MIASMA, o terror slasher que abriu a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes.

A programação da semana segue com vários filmes prestigiados, incluindo O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, campeão absoluto de público e que coloca em cena dois casais que discutem as relações. Também continuam em exibição dois títulos baseados na vida e obra de grandes autores: assinado pela diretora polonesa Agnieszka Holland, FRANZ refaz a trajetória do escritor Franz Kafka, enquanto FANON destaca o trabalho do psiquiatra Franz Fanon na Argélia.

Esta é a última semana para conferir os longas A DIVINA SARAH BERNHARDT, em que Sandrine Kiberlain dá vida a uma das maiores atrizes de todos os tempos; e UMA INFÂNCIA ALEMÃ, em que o cineasta Fatih Akin mostra as consequências da guerra a partir do olhar de um menino de 12 anos. O filme gaúcho FUTURO FUTURO, do diretor Davi Pretto, também se despede da nossa programação nesta cinesemana.

Confira a programação completa da Cinemateca no site oficial clicando aqui.