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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Cine Dica: Streaming — 'Lanternas'

Sinopse: Uma dupla de Lanternas Verdes é designada para investigar crimes misteriosos em uma pacata cidade do interior do Texas.

Decidi assistir a esta nova série da Warner/DC após a exibição do seu oitavo e último episódio. Notei que, embora tenha se tornado um sucesso de crítica, muitos fãs reclamaram da falta de efeitos visuais e de ação, ou até mesmo de uma suposta descaracterização dos personagens centrais. "Lanternas" (2026) pode não ter sido feita para ser estritamente fiel à sua fonte, mas a sua essência está impregnada em toda a obra.

Criada por Damon Lindelof, Chris Mundy e Tom King, a produção reimagina a cruzada do Lanterna Verde — super-herói que, com a ajuda de um poderoso anel, consegue materializar objetos complexos usando apenas a força de sua mente. Agora, Hal Jordan (Kyle Chandler) ganha um novo recruta, John Stewart (Aaron Pierre). Juntos, como policiais intergalácticos, eles terão de sobreviver ao lado sombrio e misterioso da Terra ao mesmo tempo em que investigam um assassinato no coração dos Estados Unidos.

É curioso como a parcela de público que se diz fã do personagem desqualifica a série por não explorar um tom mais fantástico e espacial. Porém, quem realmente conhece a trajetória dos quadrinhos sabe que uma das melhores fases do herói é aquela dos anos 1970, orquestrada por Dennis O'Neil e Neal Adams, na qual o Lanterna Verde e o Arqueiro Verde perambulam pelo interior dos EUA em histórias de pé no chão e temáticas maduras. Senti muito desse clássico ao assistir aos episódios, e só por essa escolha a produção já conquistou o meu respeito.

Interpretado por Kyle Chandler, vemos aqui um Hal Jordan mais humano e falho, remetendo aos tempos em que o personagem sucumbiu ao medo na já clássica HQ "Crepúsculo Esmeralda". Hal está longe de ser um herói perfeito; ele luta para continuar sendo quem é porque nada mais lhe resta além de seguir os passos do falecido pai. Assim, ao ver a possibilidade de ser substituído por John Stewart, notamos uma postura dúbia que nos impede de saber com certeza quais são suas reais intenções ao longo da temporada.

Porém, a série pertence de fato a John Stewart — personagem que ficou popularmente conhecido pela animação "Liga da Justiça" e que aqui ganha enorme peso graças à ótima atuação de Aaron Pierre. Aliás, sua origem, retratada no terceiro episódio, já figura como um dos pontos altos da temporada. A trama explora não apenas seu passado, mas a própria questão do medo — e como essa palavra se torna assombrosa e primordial para o amadurecimento do personagem. Com isso, compreendemos profundamente suas motivações para se tornar um Lanterna.

Visualmente, a exemplo do que ocorreu em "Pinguim" (2024), a série é muito bem filmada. O teor policial impregna boa parte da narrativa, deixando o gênero fantástico em segundo plano. Contudo, quando o elemento fantástico surge, ele atende às exigências do roteiro; não é um mero show de luzes para poluir a tela, mas sim um recurso para elevar a trama, mesmo em momentos contidos. É infinitamente superior ao CGI embaraçoso do filme "Lanterna Verde" (2011), que, em comparação com a série, envelhece ainda pior do que se imagina.

Claro que nem tudo são flores. A resolução dada ao mistério introduzido no início da temporada frustra as expectativas construídas até ali, resultando em um desfecho irregular, para dizer o mínimo. Além disso, a aparição de Guy Gardner (Nathan Fillion) na reta final parece servir apenas para reiterar que esses personagens pertencem ao universo compartilhado orquestrado por James Gunn. Sinceramente, a inserção soa gratuita e faz a série perder um pouco de sua personalidade própria nesse ponto.

Apesar desses poréns, "Lanternas" é uma obra que agradará ao espectador mais exigente e maduro, que anseia por produções que desafiem sua perspectiva. Sendo o "estranho no ninho" deste novo DCU, é justamente por sua ousadia que a série merece ser conferida.

Onde Assistir: HBO Max.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 15 A 21 DE OUTUBRO

 ESTREIA:


ROSEBUSH PRUNING

REINO Unido/ Drama/ 2025/94min.

Direção: Karin Ainouz

Sinopse: Sob o sol da Catalunha, quatro irmãos norte-americanos vivem com o pai cego em uma mansão, entregues ao isolamento, à fortuna herdada, às roupas de grife e a uma relação de dependência mútua. Quando Jack, o irmão mais velho e pilar da família, anuncia que vai morar com a namorada Martha, o frágil equilíbrio começa a ruir. Enquanto Ed investiga a verdade sobre a morte da mãe, antigos segredos e mentiras vêm à tona, desintegrando os laços familiares. Estreia mundial na Competição Oficial do Festival de Berlim 2026. Elenco: Pamela Anderson, Elle Faning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Lukas Gage, Elena Anaya e Tracy Letts.


PROGRAMAÇÃO ESPECIAL 18 ANOS CINEBANCÁRIOS:


MOSTRA CINE ARGENTINO CONTEMPORÂNEO

O CineBancários celebra seu aniversário de 18 anos com uma mostra gratuita dedicada ao cinema contemporâneo argentino, incluindo a exibição de Nossa Terra, o mais recente filme de Lucrecia Martel, e sessões especiais com a presença da diretora argentina Eloísa Solaas.

Com oito longas-metragens inéditos em Porto Alegre, a programação apresenta um retrato diverso do país sul-americano a partir de narrativas que abordam questões como a reparação histórica de populações indígenas e outros grupos marginalizados, a instabilidade econômica, a memória da violência decorrente do Golpe de Estado de 1976, e as possibilidades de criação artística em contextos sociais adversos.


FILMES:


AS COISAS INDEFINIDAS

Argentina/2023/85min.

Direção: María Aparicio

Sinopse: Eva é montadora na cidade de Córdoba, na região central da Argentina. Ao trabalhar com a assistente Rami numa longa-metragem sobre pessoas cegas, parece ter perdido o entusiasmo pelo cinema. Soma-se a isto a morte recente do seu amigo Juan, um realizador de cinema cujos filmes montou. Uma meditação ficcional sobre a natureza da arte, a digitalização dos nossos arquivos, a preservação das nossas memórias e da capacidade humana de encontrar força para continuar. Exibido na competição internacional do FIDMarseille.


AS FACULDADES

Argentina/2020/78min.

Direção: Eloísa Solaas

Sinopse: Estudantes de diferentes cursos se preparam para enfrentar os exames finais. Botânica, anatomia, sociologia, filosofia medieval, direito penal, morfologia, física teórica e piano. Cada um utiliza seus recursos para lidar com a inquietante situação de exposição oral, a prática avaliativa mais comum nas universidades nacionais da Argentina. Desde um estudante de cinema incapaz de se lembrar de muita coisa de O Encouraçado Potemkin até um ex-presidiário reconstruindo sua vida, os alunos de diferentes cursos preparam seus exames finais. Entre o drama e o absurdo de uma dúzia de provas, surgem relações inesperadas. Exibido na competição internacional da Viennale.


CAMBIO CAMBIO

Argentina/2022/89min.

Direção: Lautaro Candela

Sinopse: Pablo é um jovem do interior que trabalha na Rua Florida, em Buenos Aires, em plena pós-pandemia. Para sobreviver à crise econômica, começa a trabalhar clandestinamente como “arbolito” (cambista de dólares na rua) e entra no mundo das financeiras informais ao lado de sua companheira, Flor. Exibido na competição internacional de Mar del Plata.


NOSSA TERRA

Argentina/México/EUA/França/Holanda/Dinamarca/2025/122min.

Direção: Lucrecia Martel

Sinopse: Em 2009, um homem e dois cúmplices tentam expulsar membros da comunidade indígena de Chuschagasta, no norte da Argentina. Alegando serem proprietários das terras e armados, eles matam o líder da comunidade, Javier Chocobar. O assassinato é registrado em vídeo. São necessários nove anos de protestos até que, em 2018, finalmente sejam iniciados os procedimentos judiciais. Durante todo esse período, os assassinos permanecem em liberdade. O filme combina as vozes e fotografias da comunidade com imagens do processo judicial para explorar a longa história de colonialismo e expropriação de terras que levou a esse crime. Exibido hors-concours (fora de competição) no Festival de Veneza.


OS LOIROS

Argentina/2003/89min.

Direção: Albertina Carri

Sinopse: Quem foram os Carri? Como desapareceram? Loiros, morenos, altos, pais, revolucionários, filhos, ativistas, heróis ou uma ficção daqueles que os recordam? A realizadora utiliza a câmara para revelar feitos baseados na vida emocional dos seus pais, desaparecidos e assassinados, vítimas da última e brutal ditadura argentina. Partindo dos enganos da memória, Carri consegue testemunhos de antigos companheiros, velhas fotografias, uma atriz que faz o papel da realizadora, fantásticos bonecos playmobil e as suas próprias fantasias. Dessa forma, ela e a sua equipe embarcam numa busca através da geografia e história de Buenos Aires, procurando um profundo entendimento sobre o acontecido.


SMOG EN TU CORAZÓN

Argentina/2022/112min.

Direção: Lucía Seles

Sinopse: Cinco pessoas trabalham em um complexo de tênis: Manuel, o proprietário; a Tenista, uma professora de tênis; Sergio, recém-chegado de San Juan; Luján, a gerente tímida; e Aristegui, um contador apático. As tensões surgem quando eles planejam uma peregrinação à catedral de Luján, sem convidar Luján. O nonsense da própria vida brinca com os sentimentos do proprietário e dos funcionários do complexo esportivo, em um melodrama anárquico que foge a todas as regras, inclusive ortográficas. Exibido na Semana da Crítica (Woche der Kritik) em Berlim.


PIN DE FARTIE

Argentina/2025/106min.

Direção: Alejo Moguillansky

Sinopse: Uma menina e um homem cego contemplam um lago que torna imprecisos os limites do espaço. Dois atores se aproximam como amantes para ensaiar uma antiga peça em um país do sul. Dois velhos vivem dentro de uma lixeira diante do Congresso desse mesmo país do sul. Um filho em uma despedida permanente de sua mãe idosa, uma pianista cega condenada a tocar a Sonata ao Luar, de Beethoven, porque é a única peça que ainda consegue lembrar de cor. Dois cineastas, talvez responsáveis por tudo isso, filmando trens, luas e dedicando seu tempo a uma atividade que ninguém sabe se ainda existe: o cinema. Uma das mais recentes obras do cultuado coletivo El Pampero Cine, Pin de Fartie utiliza a peça Fim de Partida, de Samuel Beckett, como fio condutor para entrecruzar diferentes narrativas e dinâmicas de relacionamentos. Exibido na seção Orizzonti do Festival de Veneza.


VOCÊ ME QUEIMA

Tu me abrasas

Argentina/Espanha/2024/64min.

Direção: Matías Piñeiro

Sinopse: A antiga poetisa grega Safo e a ninfa Britomartis encontram-se à beira-mar e conversam sobre o amor e a morte. Diz-se que Safo se atirou ao oceano por causa de uma desilusão amorosa. Britomartis, por sua vez, teria caído de um penhasco e mergulhado na água enquanto fugia de um homem. Juntas, as duas discutem as histórias e imagens que surgiram em torno delas, tentando compreender, ao menos por um instante, a natureza agridoce do desejo. Uma adaptação de “Espuma do Mar”, capítulo de Dialoghi con Leucò, de Cesare Pavese, publicado em 1947. O filme adapta não apenas o texto, mas também suas notas de rodapé e lacunas. Por exemplo, o fato de que, em 1950, um desesperado Pavese cometeu suicídio em um quarto de hotel, tendo ao seu lado este livro. Ou que os poemas de Safo sobreviveram apenas em fragmentos. Ou ainda que a espuma do mar está historicamente e cientificamente associada à fertilidade e às bactérias, isto é, à própria vida. “Tudo morre no mar e volta à vida”, diz Britomartis. Você Me Queima propõe novas leituras e traduções que vão além dos mitos de Pavese e Safo. Exibido na seção Encounters do Festival de Berlim.


GRADE DE HORÁRIOS (não há sessões nas segundas):


15 de outubro (quinta-feira)

15h- ROSEBUSH PRUNING

17h – Cambio Cambio

20h – Nossa Terra – Sessão Especial de Abertura


16 de outubro (sexta-feira)

15h- ROSEBUSH PRUNING

17h – Pin de Fartie

19h – As Coisas Indefinidas


17 de outubro (sábado)

15h- ROSEBUSH PRUNING

17h – Você me Queima

18h30 – Os Loiros + Debate com Eloísa Solaas e Cineclube Academia das Musas


18 de outubro (domingo)

15h- ROSEBUSH PRUNING

17h – Smog en tu Corazón

19h – Cambio Cambio


20 de outubro (terça-feira)

15h- ROSEBUSH PRUNING

17h – As Coisas Indefinidas

19h – As Faculdades + Debate “Cine argentino em tempos de Milei”


21 de outubro (quarta-feira)

15h- ROSEBUSH PRUNING

17h – Smog en tu Corazón

19h – Pin de Fartie


Ingressos: Os ingressos para ROSEBUSH PRUNING podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. 


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'James Dean: O Mito Sobrevive'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 10/10/26

Sinopse: Vinte anos após a morte de James Dean, um grupo de mulheres que fazia parte de seu fã-clube se encontra em uma pequena loja no Texas. Entre lembranças do passado e acontecimentos do presente, o encontro traz à tona antigas relações, segredos e frustrações que haviam permanecido ocultos por duas décadas.

Comecei a prestar maior atenção na filmografia de Robert Altman a partir do filme "Três Mulheres" (1977) e de como ele possui uma visão mais íntima com relação ao universo feminino. Vale salientar que o realizador trabalhou bastante na televisão, dirigindo diversos episódios da clássica série "Alfred Hitchcock Apresenta", iniciada em 1955. Somando a isso, temos "James Dean: O Mito Sobrevive" (1982), filme no qual o cineasta transita entre as linguagens cinematográfica, televisiva e teatral, expondo o lado mais íntimo das mulheres em tempos mais conservadores.

Baseado na peça de teatro homônima escrita por Ed Graczyk, a trama se passa em 1975, em McCarthy, Texas. Na lanchonete da loja de conveniência local, as integrantes do fã-clube de James Dean se reencontram carregando segredos do passado. Através de flashbacks, o filme revela como elas eram quando o ator ainda estava vivo, tornando claro que, com o passar do tempo, perderam a inocência. Entre as mulheres reunidas está a perturbada Mona (Sandy Dennis), que foi figurante em "Assim Caminha a Humanidade" (1956) e, nove meses depois, teve um filho cuja paternidade atribui a James Dean.

É curioso observar que, no início dos anos 1980, houve uma clara mudança no cinema norte-americano. Na minha visão cinéfila, a "Nova Hollywood" se encerrou com o clássico "Touro Indomável" (1980), e cujo cinema mais autoral cedeu espaço ao modelo blockbuster dominante daquela década. Os cineastas dos anos 1970, por sua vez, tentaram continuar desenvolvendo uma linguagem autoral transitando, curiosamente, entre cinema, teatro e TV. Francis Ford Coppola, por exemplo, arriscou tudo em "O Fundo do Coração" (1982), um dos maiores fracassos comerciais da época, mas que se conecta perfeitamente a essa observação e ao exercício feito em "James Dean: O Mito Sobrevive".

Em um primeiro momento, a sensação era a de estar assistindo a um filme feito para a TV, devido ao orçamento visivelmente reduzido e aos movimentos de câmera que lembram séries oitentistas. Essa percepção muda radicalmente à medida que a narrativa transita entre passado e presente: a câmera se casa com um engenhoso jogo de espelhos e transparências, permitindo que as personagens observem a si mesmas em tempos idos. Nesse cenário claustrofóbico, surge um belo matrimônio entre o cinema e o teatro — uma fórmula estética que não me surpreenderia se tivesse servido de referência para obras posteriores, como "Deus da Carnificina" (2011).

Vale destacar que boa parte do elenco já havia encenado a peça na Broadway. A transição para as telas torna evidente o quanto as atrizes estavam à vontade em papéis que já dominavam. Se Cher dispensa apresentações, é Sandy Dennis quem rouba a cena ao interpretar a complexa e obsessiva Mona — talvez a figura mais apaixonada pelo mito de James Dean, a ponto de construir toda a sua vida em torno desse vínculo. A dinâmica ganha contornos ainda mais dramáticos com a chegada de Joanne (Karen Black), uma figura que inicialmente parece estranha ao grupo, mas que logo se revela intimamente ligada ao passado de todas ali, especialmente de Mona.

Embora lançado sob a atmosfera conservadora da era Reagan, o filme é corajoso ao expor as rachaduras da sociedade norte-americana, que tentava vender uma ilusão de perfeição enquanto convivia com transformações profundas desde os anos 1950. James Dean surge como o símbolo dessa rebeldia reprimida que culminaria nos movimentos contraculturais das décadas seguintes. Joanne, por sua vez, representa uma figura que se tornaria mais recorrente no audiovisual nos anos posteriores, mas que, na época, era uma personagem extremamente à frente de seu tempo — e que certamente causou impacto no público do período.

No geral, é um filme de linguagem universal que, lido hoje, escancara as ilusões do "sonho americano" e o vazio da obsessão por celebridades. Curiosamente, fico imaginando como essa história seria conduzida nas mãos de Pedro Almodóvar, pois não me surpreenderia se este longa de Altman tivesse servido de inspiração para "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" (1988). Novamente subestimei Robert Altman, e fico feliz por ter sido surpreendido.

"James Dean: O Mito Sobrevive" é sobre a perda da inocência, sobre máscaras hipócritas e sobre a resiliência do universo feminino perante as falsas promessas de um mito.

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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - Mostra Bressane 80 de 13 a 21 de outubro

 Mostra celebra 80 anos do cineasta Júlio Bressane em Porto Alegre

Entre os dias 13 e 21 de outubro, a Cinemateca Capitólio exibe 12 filmes do realizador e promove debate com Júlio Bressane e a atriz e diretora Helena Ignez

De 13 a 21 de outubro de 2026, a Cinemateca Capitólio promove a mostra Bressane 80, em celebração ao octogésimo aniversário do cineasta Júlio Bressane. Serão exibidas 12 obras do cineasta, percorrendo todas as décadas da sua trajetória a fim de oferecer um panorama da sua filmografia.

Entre os destaques da programação está a exibição de cópias raras de produções dos anos 1970, como A Agonia (1978), Barão Olavo, o Horrível (1970) e Memórias de um estrangulador de loiras (1971). A sessão de Barão Olavo, o Horrível, acontece na sexta-feira, 16 de outubro, às 19h30, e será seguida de um debate entre Júlio Bressane e a protagonista Helena Ignez. O encontro celebra a parceria dos dois à frente da Belair Filmes, iniciativa idealizada ao lado de Rogério Sganzerla em 1970. O grupo produziu seis filmes de longa-metragem em cerca de cinco meses, deixando uma forte marca na histórica do cinema brasileiro e um legado de invenção cinematográfica presente ainda hoje na produção contemporânea.

A mostra também apresenta dois dos filmes mais recentes dirigidos por Bressane, em sua colaboração com o diretor Rodrigo Lima e ainda inéditos na cidade: O fantasma da ópera (2026) e Relâmpagos de Críticas, Murmúrios de Metafísicas (2024). A sessão de Relâmpagos… acontece no sábado, 17 de outubro, às 15h, com a apresentação dos dois diretores.

As sessões têm entrada franca. A mostra é uma realização da Cinemateca Capitólio, com curadoria da pesquisadora e professora Daniela Strack e apoio do Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC), Linha de Pesquisa Agenciamentos da Imagem (GPAGI).

Informações completas em nosso site: 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Antes de Partir'

Sinopse: Rory MacNeil é um escocês ranzinza que não dá a mínima para a opinião dos outros. Um dia, ele descobre que tem poucos meses de vida, e sua única alternativa de tratamento está em São Francisco.

O cinema é recheado de histórias cujos protagonistas estão à beira da morte, mas nem por isso desistem de desfrutar os dias que lhes restam. No clássico "Viver" (1952), de Akira Kurosawa, por exemplo, o protagonista usa o tempo que lhe resta não apenas para se aproximar de pessoas que antes negligenciava, mas também para realizar algo significativo que não havia feito em vida. "Antes de Partir" (2018) é um filme delicado e leve ao revelar o atrito entre gerações, mostrando como alguém no final da vida ainda tem muito a oferecer.

Dirigido por Oded Binnun e Mihal Brezis, o filme conta a história de Rory MacNeil, um senhor escocês que, mesmo a contragosto, deixa sua ilha nas Hébridas e se muda para São Francisco após descobrir que tem pouco tempo de vida. Enquanto realiza um tratamento médico especializado e passa a morar com o filho distante, a vida de Rory é inesperadamente transformada à medida que ele se reaproxima do filho e desenvolve um vínculo com o neto.

O início do filme já nos apresenta um protagonista pertencente à "velha guarda" escocesa, cujas tradições moldaram o homem daquele lugar e sobre cuja história há muito a descobrir. Porém, uma vez na metrópole norte-americana, ele precisa se acostumar com as luzes e o movimento constante de uma sociedade movida pelo sistema — que já não enxerga as próprias estrelas. É o típico filme sobre o atrito entre gerações distintas, mas em que ambas têm muito a aprender uma com a outra.

Embora previsível em algumas passagens da trama, o longa nos conquista pela relação entre avô e neto, que acaba se tornando muito mais interessante do que a própria reconciliação entre pai e filho. Outro elemento que permanece um pouco na superfície é o casamento desgastado do casal jovem, que tenta se acostumar com a presença do pai na rotina enquanto lida com carreiras que não são exatamente o que desejavam. É algo explorado de forma irregular na narrativa, mas que passa batido perante os dilemas que o protagonista enfrenta.

Grande veterano do teatro e do cinema escocês, além de popularmente conhecido por filmes americanos como "X-Men 2" (2003) e "Tróia" (2004), Brian Cox sempre construiu uma carreira sólida com personagens complexos, mesmo quando o roteiro tangencia o previsível. Aqui, ele consegue criar um protagonista forte perante o inevitável, irredutível quanto à sua cultura, mas sem esconder certos arrependimentos sobre escolhas do passado. Se ele errou na educação do filho, vê no neto a chance de redenção diante do futuro.

Destaco também a presença da veterana Rosanna Arquette — atriz cujo trabalho no passado venho apreciando cada vez mais —, que demonstra uma ótima química com o protagonista. O momento em que se conhecem no museu é marcante: as obras simbolizam um passado que já não existe no presente, mas cujas marcas carregam o peso de uma história que merece ser contada. Da mesma forma, quando o professor convida o protagonista a gravar relatos em seu idioma gaélico nativo, a cena simboliza que as raízes de um passado distante merecem ser ouvidas por uma geração que hoje tem dificuldade de olhar para trás.

No geral, é um filme que combina pitadas de humor refinado com elementos dramáticos inseridos no momento certo, trazendo uma reflexão sobre laços de sangue que ainda funciona muito bem. Não é uma obra que mudará a vida de ninguém, mas serve como um singelo lembrete sobre como as gerações de hoje ainda têm muito a aprender com aqueles que viveram sem os recursos atuais, mas que se tornaram pessoas com sabedoria a transmitir. "Antes de Partir" é sobre o confronto entre o velho e o novo e sobre saber lidar com os percalços do mundo.

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Cine Dica: O Cineclube Estação apresenta programação de outubro

Sempre às terças-feira, às 19h30, no Estação Claro Gávea

O Cineclube Estação apresenta sua nova programação a partir de 13 de outubro, com sessões todas as terças-feiras, às 19h30, no Estação Claro Gávea. Um espaço para quem é apaixonado por cinema, gosta de explorar a vastidão da cinematografia mundial, aprecia mergulhar em debates e deseja fugir da rotina descobrindo outras pérolas do universo cinematográfico. O Cineclube Estação surge como uma luz na formação de uma nova cinefilia. A programação reúne obras de diferentes épocas, países, gêneros e estilos, sempre pensando em como cada filme pode dialogar com o público de hoje.


Em outubro, na programação:

A Mulher Que Inventou o Amor (Jean Garret, 1980) - 13/10

Café Lumière - 20/10 

La Libertad (Lisandro Alonso, 2001) - 27/10


COMO PARTICIPAR

Para participar do Cineclube, é necessário preencher o formulário de inscrição disponível na bio do perfil do Cineclube no Instagram e realizar o pagamento da contribuição mensal no caixa do Estação Claro Gávea. A contribuição sugerida é de R$ 30 por mês e pode ser paga com cartão de crédito ou débito, exclusivamente no caixa do cinema. As sessões são semanais, mas o pagamento é feito uma única vez por mês. A contribuição mensal dá direito a assistir a todas as sessões do Cineclube daquele mês.

Após a contribuição, o participante recebe uma carteirinha do Cineclube, que também garante benefícios exclusivos: 50% de desconto na inteira dos ingressos do Estação Claro Gávea; 10% de desconto na bomboniere do Estação Claro Gávea; acesso a brindes e outras ações exclusivas do Cineclube. 


Para se inscrever acessar

 Formulário de inscrição 


CICLO 1 — O QUE É MISE-EN-SCÈNE?

Como panorama introdutório, o primeiro ciclo do Cineclube propõe investigar um dos conceitos mais importantes da história do cinema: a mise-en-scène.

Ao longo da programação, filmes de diferentes épocas e contextos ajudam a compreender como elementos como enquadramento, cenografia, figurino, iluminação, atuação e movimento dos corpos no espaço constroem a imagem cinematográfica.


CICLO 2 — E ENTÃO, O BARROCO?

Partindo das noções de maneirismo e barroco, o segundo ciclo busca pensar filmes que, conscientes da tradição que os precede, fazem da própria artificialidade uma força estética.

São obras que parecem incapazes de olhar para a imagem sem reconhecer tudo aquilo que já foi feito antes delas e que, justamente por isso, respondem à história do cinema por meio da estilização, do exagero, da deformação e do artifício.


CICLO 3 — ENTRE FICÇÃO E DOCUMENTÁRIO?

A partir das análises de filmes contemporâneos e das recentes tendências que começaram a emergir no cenário mundial, este ciclo propõe explorar obras em que as categorias básicas de significação documental e ficcional, há muito difundidas e enraizadas no cinema, são postas em crise em filmes específicos.


Para se inscrever

Formulário de inscrição: disponível na bio do Instagram do Cineclube Estação.

Contribuição mensal: valor sugerido de R$ 30

Pagamento: cartão de crédito ou débito, exclusivamente no caixa do Estação Claro Gávea.

Sessões: todas as terças-feiras, às 19h30.


Instagram cineclubedoestacao

Assessoria de imprensa

Sandra Villela sandra.villela@grupoestacao.com.br

Cine Dica: Sala Redenção exibe dramas e comédias japonesas

Entre os dias 5 e 16 de outubro, a Sala Redenção participa da 3ª Semana do Japão em Porto Alegre com a mostra “Crônicas e imaginações do Japão”. A programação reúne oito filmes contemporâneos com histórias que atravessam relações familiares, encontros inesperados e elementos da cultura nipônica. As sessões são gratuitas e abertas à comunidade em geral. 

Entre os títulos selecionados está “After the Sunset” (2019), drama dirigido por Michio Koshikawa que apresenta Towa, uma criança adotada cuja vida familiar muda quando detalhes de seu passado são revelados. Outro destaque é “O trem Hankyu: um milagre de 15 minutos” (2011), baseado no livro homônimo de Hiroshi Arikawa, que retrata os encontros e transformações de diferentes personagens durante uma breve viagem de trem entre duas cidades japonesas.

A mostra inclui ainda duas comédias. Em “We make antiques!” (2018), de Masaharu Take, um negociante de antiguidades e um ceramista têm as vidas transformadas após um mestre de chá do século XVII surgir inesperadamente diante deles. Já “Mondays: see you ‘this’ week!” (2022), de Ryo Takebayashi, acompanha a saga de um grupo de funcionários que descobrem estar presos em um looping temporal e precisam trabalhar juntos para escapar da monotonia das segundas-feiras.

A mostra “Crônicas e imaginações do Japão” é realizada pela Sala Redenção, Fundação Japão São Paulo e Escritório Consular do Japão em Porto Alegre. A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. 

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.