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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre e frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 80 certificados). Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

CineDica:Curta na Cinemateca, Yonlu e O Rei da Vela



MELHOR CURTA DO FESTIVAL DE BRASÍLIA EM SESSÃO ESPECIAL YONLU EM DEBATE REPRISE ESPECIAL DE O REI DA VELA

 Yonlu

Na segunda-feira, 22 de outubro, às 20h, na Cinemateca Capitólio Petrobras, a primeira sessão em Porto Alegre do filme Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados, vencedor dos prêmios de melhor curta-metragem e som no Festival de Brasília de 2018. Produzido pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, o filme tem direção de Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito. Após a exibição, acontece uma conversa com Nana Sanches, integrante do MLB. A sessão tem entrada franca.
A sessão é uma edição especial do projeto Curta na Cinemateca, uma janela de exibição para curtas-metragens brasileiros que muitas vezes acabam restritos ao circuito de festivais.

YONLU EM DEBATE
No sábado, 20 de outubro, às 15h40, a Cinemateca Capitólio Petrobras realiza uma sessão debate de Yonlu, em parceria com o CVV-Centro de Valorização da Vida. A sessão conta com presença do diretor Hique Montanari. O valor do ingresso é R$ 16,00, com meia entrada para estudantes e idosos.

REPRISE DE O REI DA VELA
Na quinta-feira, 25 de outubro, às 19h, a Cinemateca Capitólio Petrobras promove uma reprise da sessão do raro O Rei da Vela, de José Celso Martinez Correa e Noilton Nunes, um dos destaques da programação da mostra Capitólio Em Cena de 2018. O valor do ingresso é R$ 10,00, com meia entrada para estudantes e idosos.

CURTA NA CINEMATECA
CONTE ISSO ÀQUELES QUE FOMOS DERROTADOS
Direção: Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito
Documentário, 23 min, 2018, MG/PE, livre
A noite é tempo de luta (ou há um novo lugar possível sendo avistado no horizonte).

SOBRE OS DIRETORES
Aiano Bemfica é antropólogo, cineasta e militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.
Camila Bastos é graduanda em Arquitetura e Urbanismo na UFMG, militante do Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas e Cofundadora da Casa de Referência da Mulher Tina Martins.
Cristiano Araújo é graduando em Antropologia na UFMG e trabalha com produção e curadoria de mostras audiovisuais.
Pedro Maia de Brito é natural de Recife. Cineasta e artista visual, também é curador do Festival Transterritorial do Cinema Underground. Este é o terceiro curta-metragem que dirige.

FICHA TÉCNICA:
Produtora: MLB/ Miúdo Cinematográfico
Produção executiva: Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito
Roteirista: Pedro Maia de Brito
Direção de fotografia: Aiano Bemfica e Rick Mello
Operação de câmera: Aiano Bemfica
Assistência de câmera:
Mixagem: Nicolau Domingues
Montagem: Bersa Mendes e Pedro Maia Brito

Cine Dica: Raros, sessões especiais e debates (19 a 24 de outubro)



PROJETO RAROS APRESENTA FILME MÍTICO DO CINEMA PORTUGUÊS SESSÃO ESPECIAL DEBATE A PRESERVAÇÃO DOS CINEMAS DE RUA FILME DE SMAEL CANEPPELE GANHA EXIBIÇÃO

TRÁS-OS-MONTES

 
As sessões especiais dos 90 anos da abertura do Cine Theatro Capitólio são destaques da programação semanal da Cinemateca Capitólio Petrobras.

TRÁS-OS-MONTES NO PROJETO RAROS
Na sexta-feira, 19 de outubro, às 19h30, a Cinemateca Capitólio Petrobras apresenta uma edição especial do Projeto Raros com a exibição do DCP restaurado do clássico português Trás-os-Montes (1976, 110 minutos) de António Reis e Margarida Cordeiro. Após a projeção, acontece um debate com a diretora e curadora Marcela Bordin. Com apoio da Cinemateca Portuguesa, do Instituto Camões, do Consulado Português e do Instituto Moreira Salles, a sessão tem entrada franca.

TRÁS-OS-MONTES
Portugal, 1976, 110 minutos
Direção: António Reis e Margarida Cordeiro
Exibição em DCP

"Vejo, outra vez, as fotografias que tirei em Trás-os-Montes. Quase todas mentem. Nenhuma dor intolerável nelas ficou. Nenhuma esperança. Qualquer raiz". António Reis (Trás-os-Montes, 1969)
As imagens de Trás-os-Montes podem sugerir a existência de um documentário sobre a região portuguesa que dá título ao filme. Ou a aproximação, numa narrativa em desvios, entre os jogos, os sonhos, as festas, os trabalhos e o manifesto político. Um filme que acontece entre a fabulação lúdica do “era uma vez” e a consciência social e histórica do “aqui está”. Mas também um filme que parece existir em todas as idades do cinema, do primeiríssimo, dos milagres dos Lumière, até o contemporâneo, no qual a influência portuguesa parece ter despertado o gosto pelas fabulações, narrativas e suas afluentes em todos os cantos do mundo. Nas palavras do grande crítico português João Bénard da Costa: “Trás-os-Montes”, que não é um documentário sobre a província desse nome, mas uma espécie de auto-sagrado, é um filme que se pode aproximar do realismo mágico, servindo o ténue fio narrativo da obra para realçar o lado mágico de personagens e paisagens, buscando raízes no nosso imaginário colectivo. Primitivismo e modernidade fundem-se no cinema antropológico de António Reis e de sua mulher, Margarida Cordeiro, recorrendo ao onirismo, ou a vestígios primevos (a sequência no Domus de Bragança, em que os actores dizem um texto de Kafka, vertido para mirandês) e manifestando total crença na força ressurgidora das artes.

DEBATE SOBRE A PRESERVAÇÃO DOS CINEMAS DE RUA
No sábado, 20 de outubro, a Cinemateca Capitólio Petrobras e a ACCIRS – Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul - realizam um debate sobre a preservação dos cinemas de rua com a presença dos especialistas João Luiz Vieira, da Universidade Federal Fluminense, e Alice Trusz. Com entrada franca, a atividade começa às 18h com a exibição do média-metragem Bancando o Águia (1924), de Buster Keaton. A conversa acontece após o filme. 

BANCANDO O ÁGUIA
(Sherlock Jr.)
Estados Unidos, 1924, 45 minutos
Exibição digital

Aspirante a detetive, um projecionista de cinema se vê em maus lençóis quando um rival rouba o relógio do pai da sua amada e o acusa. De volta ao seu trabalho, durante uma projeção, ele adormece e sonha que ele está em um filme, onde é o detetive da história, procurando por umas jóias roubadas.
João Luiz Vieira é doutor em Cinema Studies - New York University (1984), com bolsa Fulbright e CNPq. Pós-doutor com bolsa CAPES no Department of Film and Television Studies da Universidade de Warwick, Inglaterra (1997). Atualmente é Professor Associado do Departamento de Cinema e Vídeo e atual Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense. Autor de inúmeros textos, críticas, ensaios e livros publicados no Brasil e no exterior como D.W. Griffith and the Biograph Company (1984), Cinema Novo & Beyond (NY: MoMA, 1998) e Câmera-faca: o cinema de Sérgio Bianchi (Portugal, 2004).
Alice Trusz possui doutorado (2008), mestrado (2002) e graduação (1989) em História, com formação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou estágio de pós-doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (2011-2012) e estágio de doutorado-sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris/FR (2005-06). Tem experiência de pesquisa em História da Cultura e da Visualidade, com ênfase em História do Brasil República. Dedica-se ao estudo da trajetória social de manifestações como a imprensa periódica ilustrada, a fotografia, as artes gráficas, a publicidade e o cinema. Atualmente investiga a história da exibição cinematográfica no Brasil. Paralelamente, atua como historiadora profissional, tendo executado pesquisas para instituições públicas e privadas sobre arquitetura e urbanismo, patrimônio material e imaterial, cidade e cultura, arte e tecnologia, história da fotografia e do cinema no Rio Grande do Sul. É coordenadora do GT História Cultural RS (2016-18), do qual foi vice-coordenadora (2014-16).

SESSÃO ESPECIAL DE MÚSICA PARA QUANDO AS LUZES SE APAGAM
No domingo, 21 de outubro, às 18h, a Cinemateca Capitólio Petrobras apresenta uma sessão do longa gaúcho Música Para Quando as Luzes se Apagam, de Ismael Caneppele. O diretor conversa com o público após a sessão. O valor do ingresso é R$ 10,00, com meia entrada para estudantes e idosos.

MÚSICA PARA QUANDO AS LUZES SE APAGAM
Brasil, 2017, 70 minutos
Exibição em DCP
Direção: Ismael Caneppele
Música para quando as luzes se apagam é um documentário que flutua na fina borda entre ficção e realidade. Uma autora chega em uma pequena vila no sul do Brasil, com a intenção de transformar a vida de Emelyn em uma narrativa ficcional. Quanto mais a autora provoca Emelyn com suas câmeras, mais Emelyn se torna Bernardo, um adolescente dividido entre viver o seu desejo e continuar desejando.

GRADE DE HORÁRIOS
15 a 24 de outubro de 2018

15 de outubro (segunda)
19h30 – Djon África + debate

16 de outubro (terça)
14h – Braza Dormida
16h – Um Dia
18h - Solidão
20h – A Concha e o Clérigo + A Queda da Casa de Usher

17 de outubro (quarta)
14h – O Circo
16h – Um Dia
18h – A Montanha do Tesouro
20h – A Turba

18 de outubro (quinta)
14h – Vento e Areia
16h – Um Dia
18h – A Paixão de Joana d'Arc
20h – Solidão

19 de outubro (sexta)
14h – A Turba
16h – Um Dia
18h - O Homem das Novidades
19h30 – Projeto Raros (Trás-os-Montes, de António Reis e Margarida Cordeiro)

20 de outubro (sábado)
14h – Um Dia
15h40 – Yonlu
18h – Bancando o Águia + debate sobre a preservação dos cinemas de rua

21 de outubro (domingo)
14h – A Concha e o Clérigo + A Queda da Casa de Usher
16h – Um Dia
18h – Pré-estreia de Música Para Quando as Luzes se Apagam

23 de outubro (terça)
14h – A Turba
16h – Um Dia
18h – Solidão
20h – Braza Dormida

24 de outubro (quarta)
14h – O Circo
16h – Um Dia
18h – A Paixão de Joana d'Arc
20h – A Montanha do Tesouro

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: A Paixão de Joana d'Arc (1928)



Nota: filme será exibido para associados e não associados do Clube de Cinema de Porto Alegre no próximo sábado (20/10/18), as 10h15, na Cinemateca Capitólio.

Sinopse: A jovem camponesa Joana D'Arc é condenada à morte por ter liderado o povo francês contra o exército invasor inglês, dizendo que foi inspirada por Jesus e São Miguel. Ela passa suas últimas horas de vida capturada e torturada pelos ingleses.

Devido ao seu aspecto polêmico, tanto em relação à negligencia e ambiguidade da igreja, quanto à visão equivocada do próprio Estado Francês, o talvez mais conhecido filme de Carl Theodor Dreyer, A Paixão de Joana D’Arc (1928), foi não só proibido de ser distribuído e exibido, como teve seu negativo e as cópias de que se tinham notícia, queimadas. Dessa forma, durante mais de cinco décadas,  não houve acesso à obra original, ou pelo menos uma copia similar a ela. Até que, em 1981, uma cópia Dinamarquesa, muito fiel à primeira edição do filme, foi encontrada num hospício na Noruega. O filme conhecido pela grande maioria das pessoas – inclusive lançada pela coleção Criterion, é uma adaptação da Cinematèque Française dessa cópia. A trilha sonora oficial do filme não existe, tendo sido tocadas várias peças musicais durante sua apresentação ao longo das décadas. É sugerido pela própria Cinematèque, que seja executado em conjunto a peça Voices of Light, de Richard Einhorn, que se inspirou tanto na vida da heroína, quanto na visão de Dreyer acerca dela, para compô-la.
O filme não mostra a menor necessidade de trilha sonora ao fundo. A falta da trilha, aliás, dá a impressão de uma mensagem muito mais pesada para os nossos olhos. Dizem que o silêncio foi um recurso apenas alcançado com o advento do cinema com som, uma vez que a ausência desse recurso seria uma opção dos realizadores para configurar uma atmosfera mais densa e melancólica. Pois então, a falta de trilha sonora caiu com uma luva nesse filme, cuja tensão é levada ao extremo.
Uma cena curiosa é aquela em que os padres toma uma decisão com importância grande no destino de Joana, e conta ao padre ao seu lado. O segredo é passado de padre para padre, e a câmera acompanha em travelling esse ‘telefone-sem-fio’, como se fosse ela própria o segredo sendo disseminado pela sala. O close, aliás, é uma grande marca registrada do filme, que não contém sequer um stablishing shot. Isto, é claro, causa uma confusão do espectador, que acostumado a ser sempre bem situado acerca do ambiente em que se desenrola a ação, pode sentir-se desnorteado e apresentar certa dificuldade em compreender o todo. Quando temos uma noção mais ampla da cena, um plano médio, o espaço ocupado pela atriz é sempre insignificante, perto da altura e posição privilegiada dos seus condenadores.
A intenção da obra tem o objetivo de desconcertar do inicio ao fim. Em nenhum momento, temos uma noção maior do que está acontecendo, do que a própria Joana d’Arc. O lado histórico, e os precedentes da guerreira não são mostrados ou explicados. No máximo, são citadas referências pelos padres. Não há aqui, portanto, preocupação com uma abordagem de Joana como uma heroína, ou guerreira. Aqui é explorado o aspecto humano da mesma, é buscada uma aproximação do real. Mostra-se, então, uma Joana comum, de aparência masculinizada, e nenhum glamour. Não uma guerreira destemida, mas uma garota de 17 anos que acredita estar fazendo um bem para seu país, uma missão para seu Deus, e vê-se encurralada, ao ser questionada acerca do seu modo de vestir, agir, e pensar. A interpretação de Maria Falconetti é emblemática, sendo não raramente eleita uma das melhores do cinema mudo.



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