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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Como Era Verde o Meu Vale'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 30/05/26

Baseado em um best-seller de sucesso daquela época, esta história sobre a vida nas minas de carvão galesas é repleta de calor humano, paixão, atritos e quase todos os outros elementos que moldam o lado puro do ser humano, à altura dos padrões cinematográficos daqueles tempos dourados do cinema norte-americano. É uma história com alma, criada de forma perfeccionista por Richard Llewellyn, e a incrível fotografia em preto e branco de John Ford, a partir de um ótimo roteiro de Philip Dunne, só precisava de uma escolha de elenco impecável para completar o trabalho. Nesse aspecto, os Deuses do cinema sorriram para os realizadores.

As atuações são impressionantes do começo ao fim: refinadas e, ao mesmo tempo, vigentes; intensas, porém  de uma forma sutil em seus simbolismos mais significativos; felizes e tristes, românticos e frustrados, com nuances e atmosferas, cores e contrastes perfeitamente cativantes. Em suma, é uma demonstração da arte cinematográfica em sua melhor forma.

E, acima de tudo, há um potencial novo astro mirim em Roddy McDowall. O jovem pode se provar o equivalente infantil deste estúdio a Shirley Temple, uma pequena e inspirada atriz que já atuou em filmes ingleses. Ele é cativante, másculo e historicamente competente de uma maneira íntegra e vigorosa.

A transição do livro para a tela também utiliza a narrativa em primeira pessoa do singular, com descrições vívidas de quão verde, de fato, era o vale do jovem Huw (pronuncia-se Hugh) Morgan, enquanto ele relembra sua vida desde a infância. Graficamente e com plena adequação de cena e diálogo, é revelada a plenitude da vida honesta, temente a Deus e industrial dos Morgans no vale galês.

Há quatro Morgans robustos que, como Morgan, pai, cada um de sua geração, trabalham nas minas de carvão. Tranquilidade doméstica, amor pelo lar, romance, o novo pregador, o trote do rapaz na escola, a surra do professor valentão, sua decisão de abrir mão das vantagens acadêmicas e seguir os passos betuminosos de seus parentes mais próximos, o burburinho dos vizinhos intrometidos, os Cantores Galeses (vocalizando a si mesmos) que são convocados à Corte para um concerto da Rainha, os canecos de cerveja prontos para todo o Vale, os movimentos sindicais contra a queda dos salários e as condições de trabalho cada vez mais precárias, a partida de dois filhos Morgan para buscar fortuna na América – tudo isso, e muito mais, é traduzido de forma astuta, concisa e atraente para o cinema.

"Como Era Verde o Meu Vale" é um filme que guarda muitas lembranças e é essa qualidade nostálgica que deve gerar um valioso boca a boca. 


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Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Betty Blue" (06/06) na Cinemateca Paulo Amorim


No sábado, dia 6 de junho, nos reunimos às 10h15 na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir Betty Blue, de Jean-Jacques Beineix. Lançado em 1986, o filme tornou-se uma das obras mais emblemáticas do chamado Cinéma du look, movimento que marcou o cinema francês da década de 1980 por sua forte estilização visual e intensidade emocional. A narrativa acompanha o relacionamento entre Zorg, um aspirante a escritor que vive de trabalhos temporários, e Betty, uma jovem impulsiva e apaixonada. O que começa como uma história de amor transforma-se gradualmente em um retrato complexo de desejo, obsessão, fragilidade emocional e criação artística.


⚠️ Ajude o Clube de Cinema a preservar 80 anos de história!

Estamos concorrendo a uma emenda parlamentar para criar um website gratuito com fotografias, documentos, entrevistas e outros materiais sobre a trajetória do Clube de Cinema de Porto Alegre. Para votar, basta preencher o formulário neste link, escolher um projeto da área da saúde e, em "Demais Áreas", selecionar Clube de Cinema de Porto Alegre (código 0058). A votação leva cerca de 1 minuto e os projetos mais votados serão contemplados.


Confira os detalhes da programação:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 06/06, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Betty Blue (37°2 le matin)

França, 1986, 119min

Direção: Jean-Jacques Beineix

Elenco: Béatrice Dalle, Jean-Hugues Anglade, Gérard Darmon e Consuelo De Haviland

Sinopse: Zorg é um escritor solitário que vive na costa mediterrânea da França. É lá que ele conhece Betty, uma jovem de 22 anos intensa e imprevisível que transforma completamente a sua vida. Por alguns meses, os dois vivem uma relação marcada por episódios de obsessão, loucura, ciúmes e um amor quase incondicional. Baseado no romance homônimo de Philippe Djian, o filme foi uma das maiores bilheterias do cinema francês e teve indicações ao Oscar, Bafta e César. O relançamento, com cópia recuperada em 4k, comemora os 40 anos do filme e traz a sua versão original.

Sobre o Filme: Na abertura, em que Zorg (Jean-Hugues Anglade) e Betty (Béatrice Dalle) transam na frente do quadro da  Mona Lisa, "Betty Blue" (1986) acaba se tornando contagiante na medida em que os minutos passam. Um curioso caso de filme dramático em que a história de amor, e não exatamente as coisas que eles prezam, se tornam o foco principal. Zorg, é um pau para toda obra, não tendo muitas ambições no decorrer de sua vida. Ao conhecer Betty a mesma acaba morando com ele e ambos vivem uma tórrida relação que transita entre o amor e a loucura.

"Betty Blue" pode ser interpretado tanto a frente do seu tempo como também como um longa que sintonizou a nova geração daquele período de 1986. Pode ser analisado como uma representação de uma geração francesa que buscava a sua identidade própria. Zorg vai até o fundo do poço por Betty, desde agredir, roubar e até mesmo quase a matar. Tudo por Betty, mesmo com a possibilidade de leva-lo à ruína iminente.


Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui. 

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cine Dica: Streaming – 'FÚRIA NO ASFALTO'

Sinopse: A trama segue Andrei (Denis Hanganu), um mecânico extremamente talentoso que se arrisca no perigoso mundo das corridas de rua ilegais europeias para garantir um futuro melhor para seu irmão.

Entre o final dos anos noventa e o início dos anos dois mil, Hollywood se curvou à tentativa de fazer filmes de ação em que o principal foco eram carros em alta velocidade. Se "60 Segundos" (2000) comeu poeira, por outro lado, "Velozes e Furiosos" (2001) foi um sucesso inesperado, abrindo as portas para uma franquia interminável, repleta de derivados e imitações esquecíveis ao longo do tempo. Dessas imitações, ao menos "Fúria no Asfalto" (2025) agrada por não soar tão pretensioso.

Dirigido por Anghel Damian, o longa acompanha Andrei, um mecânico bom demais para ficar apenas na garagem, mas que se recusa a voltar às pistas após a morte do pai. Quando finalmente entra no mundo das corridas ilegais europeias, ele descobre que a velocidade está em seu sangue, enxergando ali uma chance de ajudar seu irmão mais novo a pagar uma futura faculdade. Porém, rivalidades surgem e podem comprometer todos os seus planos.

A trama é básica. Os laços familiares que movem as motivações dos personagens principais não são nenhuma novidade — basta olhar para a própria franquia "Velozes e Furiosos" para termos uma noção disso. No entanto, se por um lado a saga iniciada em 2001 extrapolou qualquer lógica dentro do gênero de ação, este filme romeno vem de forma simples e direta. Ele pega a premissa básica da franquia norte-americana e apresenta corridas de carro com mais peso e que chegam a ser verossímeis em alguns pontos. Lógico que não dá para levar totalmente a sério o circo que as corridas clandestinas armam dentro da história, ao ponto de a polícia surgir apenas como figurante, funcionando como meros obstáculos na corrida principal.

Os intérpretes, por sua vez, não têm muito a acrescentar. Denis Hanganu tem a cara daquele típico ator de herói de ação que faz sempre o mesmo tipo de papel. Ainda assim, ele convence ao interpretar alguém perito no assunto, que vive dando lições de moral em seu irmão — este, por sinal, registra tudo. Aliás, nunca vi personagens tão fissurados em divulgação de vídeos pelo TikTok; para quem vive conectado, o filme é um prato cheio de referências.

O que não me agrada neste tipo de longa — assim como já visto na franquia Velozes e Furiosos — é a insistência em explorar apenas o lado mais sensual das atrizes, como se elas fossem objetos de cobiça dos homens da trama, tanto quanto os carros. Cristina Stefania, por exemplo, é usada quase exclusivamente para isso, mesmo quando a produção tenta lhe dar um merecido destaque como cantora (já que, na vida real, ela é uma estrela pop na Europa). Para compensar, o ato final é cheio de adrenalina. A reviravolta nos minutos finais chega a surpreender, embora o desfecho aconteça de forma um tanto brusca e apressada.

"Fúria no Asfalto" segue a cartilha já desgastada de "Velozes e Furiosos", mas ganha pontos ao deixar de lado os mesmos exageros absurdos de Hollywood.

Onde Assistir: Em breve no  Adrenalina Pura+


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Cine Dica: Cinesemana de 4 a 10 de junho de 2026

A primeira cinesemana de junho traz quatro novos filmes à programação da Cinemateca Paulo Amorim: um longa iraquiano, duas coproduções com a França e uma estreia brasileira. Do Iraque vem O BOLO DO PRESIDENTE, um drama ambientado nos anos 1990, quando o país enfrentava a escassez por conta da guerra com os Estados Unidos. A França está representada com OLHE O MAR, uma história que une um casal divorciado em torno dos problemas de saúde do filho, e também por CHOPIN – UMA SONATA EM PARIS, que acompanha os últimos anos da vida do pianista polonês que ganhou reconhecimento em território francês.

Também entra em cartaz a comédia dramática LGBTQIAPN+ brasileira LABIRINTO DOS GAROTOS PERDIDOS, que foi destaque na programação do Fantaspoa. Outro destaque da semana será a pré-estreia do longa CRIADAS, da diretora Carol Rodrigues, que estará em Porto Alegre para participar de uma sessão comentada. Seguimos em cartaz com NATAL AMARGO, o novo filme do cultuado diretor espanhol Pedro Almodóvar e que mostra os dilemas de um cineasta em crise de criatividade. Sucesso de público, FANON é a cinebiografia do psiquiatra Frantz Fanon, que estudou as consequências emocionais da colonização.

Esta é a última semana para conferir o documentário brasileiro ALMA NEGRA, DO QUILOMBO AO BAILE, do diretor Flavio Frederico, e o longa O ESTRANGEIRO, baseado na obra do escritor Albert Camus. 

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui.

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 04 A 10 DE JUNHO

 O Bolo do Presidente, vencedor da Caméra D’Or em Cannes, estreia dia 4 de junho no CineBancários


Indicado do Iraque ao Oscar e aclamado com 99% no Rotten Tomatoes, filme distribuído pela Kajá Filmes chega a Porto Alegre. Depois de conquistar a crítica internacional e se tornar um dos filmes mais comentados do circuito arthouse mundial, “O Bolo do Presidente” (The President's Cake), estreia no CineBancários em 4 de junho, com distribuição da Kajá Filmes. Internacionalmente, o longa é lançado pela Sony Pictures Classics.

Dirigido pelo iraquiano Hasan Hadi, o longa venceu a prestigiada Caméra d’Or no Festival de Cannes 2025, prêmio de Melhor Estreia em Longa-Metragem, além de receber o Prêmio do Público da Quinzena dos Realizadores. O filme também recebeu o Prêmio do Júri da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e foi o representante oficial do Iraque na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, chegando à shortlist da Academia.

Com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, “O Bolo do Presidente” vem sendo apontado como uma das grandes revelações do cinema mundial recente. O Hollywood Reporter definiu o longa como “uma joia tragicômica”, destacando a direção sensível de Hasan Hadi e a atuação da jovem estreante Baneen Ahmad Nayyef.

Ambientado no Iraque dos anos 1990, durante o regime de Saddam Hussein e o período de sanções econômicas após a invasão do Kuwait, o filme acompanha Lamia, uma menina de nove anos escolhida por seu professor para preparar um bolo em homenagem ao aniversário do presidente.

Em meio à escassez extrema de alimentos e ao clima de medo instaurado no país, Lamia embarca em uma jornada pela cidade em busca de ovos, farinha e açúcar. Ao lado da avó Bibi, do amigo Saeed e do inseparável galo Hindi, ela atravessa mercados, estradas e postos policiais em uma narrativa que mistura delicadeza e humor melancólico.

Filmado inteiramente no Iraque e com elenco majoritariamente formado por atores não profissionais, o longa aposta em um olhar íntimo e humanizado sobre um período histórico marcado pela violência e pela privação. “Espero que o filme possa servir como um documento visual daquela era do país. Também tentei adicionar camadas ao filme através das locações. Gosto que os lugares façam parte da história, que provoquem certo sentimento ou transmitam um ponto específico sobre a narrativa ou sobre o mundo em que vivemos”, afirma Hasan Hadi.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 04 A 10 DE JUNHO


ESTREIA:


O BOLO DO PRESIDENTE

Iraque/Drama/2025/105min.

Direção: Hasan Had

Sinopse: No Iraque dos anos 1990, em meio à guerra e à falta de comida, o presidente determina que todas as escolas do país façam um bolo em homenagem ao seu aniversário. Lamia, de apenas 9 anos, tenta escapar da tarefa, mas acaba sendo escolhida entre os colegas. A menina, então, precisa recorrer à sua criatividade para conseguir os ingredientes e cumprir a missão de preparar o bolo imposto pelas autoridades.

Vencedor do prêmio Caméra d’Or para melhor filme de diretor estreante em Cannes e do prêmio do público da Quinzena dos Cineastas, também em Cannes.

Elenco: Baneen Ahmad Nayyef, Sajad Mohamad Qasem, Waheed Thabet Khreibat, Rahim AlHaj



EM CARTAZ:

EU NÃO TE OUÇO

Brasil/Ficção/2025/ 72min

Direção: Caco Ciocler

Sinopse: Um encontro improvável entre dois brasileiros se transforma em um road movie inusitado. Uma viagem ficcionalizada a partir de um evento factual que se tornou meme e tomou as redes sociais brasileiras. Humor e tensão expõem um país marcado por desigualdades e estruturas educacionais frágeis, onde os personagens repetem ideologias que mal compreendem, revelando a impossibilidade do diálogo.

Elenco: Marcio Vito


COPAN

Brasil/Documentário/2025/90min.

Direção: Carine Wallauer

Sinopse: O edifício Copan é um microcosmo de tudo o que o Brasil representa: o bom, o mau e o feio. São 5 mil moradores e mais de cem funcionários que representam uma diversidade de personagens e pontos de vista que revelam contrastes e desigualdades estruturais do Brasil. Este retrato imersivo e íntimo do maior prédio residencial da América Latina lança luz sobre o cotidiano de um país marcado por uma democracia fragilizada.


HORÁRIOS DE 04 A 10 DE JUNHO

(não há sessões nas segundas)

15h: COPAN

17h: EU NÃO TE OUÇO

19h: O BOLO DO PRESIDENTE


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.



CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste'

 Nota: O filme estreia dia 4 de junho.

Sinopse: Uma animação brasileira de comédia que acompanha cinco cangaceiros enviados para o ano de 3333, no "Neo Nordeste".

No decorrer de sua carreira, a diretora Alê McHaddo já dirigiu alguns filmes com atores, mas é na animação que mora o seu verdadeiro talento. Foi dela, por exemplo, o maravilhoso curta "A Lasanha Assassina" (2002) — que contou com a narração em off do nosso saudoso Zé do Caixão e fortalecendo o estúdio 44 Toons. Eis que então chega aos cinemas "Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste" (2026), uma divertida produção que consolida ainda mais o potencial das animações brasileiras atuais.

O elenco de vozes conta com Bruno Garcia (Capitão Rocha), Tadeu Mello (Sid), Raissa Xavier (Bonita), Carol Góes (Rimbi), Marcelo Mansfield (Cabra da Peste), Felipe Mazzoni (Tatux e Corisco) e a participação especial de Falcão (Falcão Espacial). Na trama, um grupo de aventureiros do sertão brasileiro foge do temido Cabra da Peste após conseguir roubar os planos de uma máquina do tempo, mas a perseguição acaba por separá-los entre o passado e o futuro. Uma aventura repleta de ação, humor e brasilidade em meio a reviravoltas, perseguições e planos ousados.

A história é uma verdadeira salada de aventura e ficção científica com o melhor da cultura nordestina — do tipo que faria nascer um grande sorriso no rosto de Lampião. O vilão Cabra da Peste, por exemplo, surge como referência a uma expressão muito conhecida do Nordeste, moldando a própria concepção do personagem. A origem dele é, sem sombra de dúvida, uma das maiores surpresas do roteiro, embora o longa espalhe pistas ao longo da projeção que nos instigam a montar um interessante quebra-cabeça.

Com relação a essa última observação, é instigante como a trama vai se tornando uma mirabolante aventura de viagem no tempo. O paradoxo temporal proposto pode até confundir os mais novos, mas se torna um prato cheio para os entusiastas da ficção científica. O grande acerto está no fato de os heróis interagirem com essas situações absurdas agindo como se fosse apenas mais um dia comum no sertão, seja no ano de 1933 ou em 3333. É divertido ver, por exemplo, o Capitão Rocha sempre soltar algum refrão que faz referência ao melhor da cultura pop brasileira.

Tecnicamente, o filme é alinhado à animação tradicional, recorrendo ao CGI em cenas de maior ação. Porém, é através das piadas e de personagens cativantes que o longa se sustenta, sem precisar de pirotecnia excessiva para encantar o público de todas as idades. Mas, quando os efeitos mais grandiosos invadem a tela, espere por referências que vão até Star Wars, tudo feito de um jeito bem-humorado e encantador, para dizer o mínimo.

Trazendo uma interessante homenagem à estátua de Padre Cícero, localizada em Juazeiro do Norte, "Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste" é uma divertida aventura de cangaço capaz de agradar facilmente a todos os públicos.


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terça-feira, 2 de junho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Backrooms: Um Não-Lugar'

Sinopse: Acompanha Clark, um vendedor de móveis que, em 1990, descobre no porão de sua loja um portal para os "Backrooms" — um labirinto infinito de salas e corredores amarelos surreais.

Não é de hoje que certas lendas urbanas surgem na internet atiçando a curiosidade do público. Talvez um dos pioneiros nesse fenômeno tenha sido justamente "A Bruxa de Blair" (1999), cujos realizadores venderam o filme como um documentário verídico. Aumentando a sensação de autenticidade, eles criaram um site com informações sobre a lenda da bruxa, dando a entender que os três protagonistas estavam realmente mortos. Isso aconteceu nos primórdios da rede e serve de modelo até os dias de hoje.

Contudo, há mitos modernos que nascem na internet e servem de base para a criação de curtas e longas-metragens. Um desses casos é a misteriosa lenda das "Backrooms", que surgiu anos atrás: um conceito no qual pessoas caem em uma espécie de dimensão paralela e labiríntica, descrita como uma série infinita de corredores vazios, com paredes amareladas, carpete úmido e o som incessante de luzes fluorescentes. Em 2019, o jovem diretor Kane Parsons lançou um curta-metragem inspirado nessa creepypasta, alcançando um sucesso estrondoso — o suficiente para ser convidado pelo prestigiado estúdio A24 a realizar Backrooms: Um Não-Lugar (2026), que explora ainda mais esse mistério.

Na trama, acompanhamos Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor de móveis que faz uma descoberta intrigante no porão de sua loja. O local se transforma em uma espécie de labirinto onde diversos espaços novos surgem, possivelmente abrindo portas para outra realidade. Inquieto com a situação, Clark convence Kat (Lukita Maxwell), sua funcionária, e Bobb (Finn Bennett), namorado dela, a explorarem a extensão do lugar para entender sua magnitude. No entanto, quando Clark desaparece, a Dra. Mary Kline (Renate Reinsve), sua terapeuta, resolve ir atrás dele.

Quem já assistiu ao curta não irá estranhar a abertura do longa, que basicamente resgata o mesmo cenário misterioso, moldado por texturas de VHS dos anos noventa que se casam com perfeição com o subgênero found footage (ou falso documentário). Porém, ao contrário da maioria dos espectadores, que logicamente se lembrará de "A Bruxa de Blair", a introdução me fez recordar o filme nacional "Os Jovens Baumann" (2018), de Bruna Carvalho Almeida. Além de partilhar do formato found footage, a obra brasileira também possui toda essa estética analógica e nostálgica através das imagens de arquivo.

Só por essa abertura, o filme já nos provoca uma forte aflição, despertando uma sensação quase claustrofóbica. O que vem a seguir é uma trama original que sustenta bem as quase duas horas de projeção. A premissa se alinha a dois protagonistas que, já fragilizados por seus problemas particulares, acabam imersos em um cenário que testará suas sanidades. É então que o filme se envereda por assuntos não resolvidos; o teor psicológico ganha destaque e prende a nossa atenção do início ao fim.

Clark é um personagem essencialmente fracassado, que vê seu negócio em ruínas e encontra na descoberta dos misteriosos corredores uma desculpa para escapar de uma vida previsível. Por outro lado, a Dra. Mary revela logo de início carregar um passado traumático, utilizando esse elemento como combustível para ajudar outras pessoas a não caírem no abismo da loucura. Por conta disso, uma vez que os personagens se encontram no derradeiro cenário principal, a verdadeira faceta de cada um se revela, dando-nos a dimensão de suas reais naturezas.

Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve nos brindam com atuações poderosas. O primeiro transita com maestria entre a mediocridade de sua rotina e a revelação de alguém que estava escondido dentro de si a partir do momento em que adentra a dimensão. O roteiro nos coloca de frente com questões que vão desde traumas mal resolvidos até o lado mais obscuro da mente humana, questionando até que ponto o nosso psicológico pode influenciar a realidade à nossa volta. Seria o labirinto uma forma de manifestação de nossas próprias memórias, por vezes distorcidas?

Essa questão ganha força após testemunharmos momentos de puro suspense, nos quais o susto não vem de forma fácil ou barata. O terror se constrói em elementos-chave, fazendo com que o peso de determinadas figuras que surgem ao fundo do corredor se torne profundamente desconcertante. Mesmo com um orçamento visivelmente contido, Kane Parsons conduz o público, já em sua estreia em longas-metragens, a um verdadeiro pesadelo que remete àqueles sonhos tenebrosos nos quais corremos atrás de uma saída para acordar, mas acabamos apenas adentrando outra sala infernal. Nada mal para um realizador tão jovem e que ainda tem muito a oferecer.

Infelizmente, o filme perde um pouco de sua força quando determinadas passagens tentam entregar explicações parciais sobre aquela realidade. Ao meu ver, além de parecerem teorias arquitetadas unicamente para justificar uma eventual sequência, essas respostas quebrantam o mistério; seria muito mais rico deixar que o próprio espectador tirasse suas conclusões. Ao menos os minutos finais são corajosos, encerrando a projeção de forma aberta, assustadora e bastante anti-hollywoodiana.

"Backrooms: Um Não-Lugar" é a prova de que lendas urbanas da internet, por vezes despretensiosas, podem render excelentes ideias e se transformar em um verdadeiro espetáculo de horror psicológico nas telas de cinema.

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