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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Mãe e Filho'

 Nota: O filme estreia dia 30 de Abril

Sinopse: Acompanhamos uma enfermeira viúva enfrentando conflitos familiares e dilemas emocionais após um acidente marcante.

Com a guerra contra o Irã, fica difícil prever qual será o futuro do cinema local, ou se veremos outros longas-metragens que tenham tanto a dizer sobre o país. Até lá, é necessário aproveitar ao máximo as obras produzidas sob restrições de um governo, por vezes, totalitário, mas cujos realizadores sabem transmitir mensagens poderosas nas entrelinhas. "Mãe e Filho" (2025) é um desses casos: um filme que diz muito sobre sua nação, mesmo sob o olhar onipresente da censura.

Sob a direção de Saeed Roustaee, acompanhamos uma enfermeira viúva em meio a conflitos familiares e dilemas emocionais. Ela está prestes a se casar com um colega de trabalho, mas teme contar a verdade aos filhos. No entanto, o desenrolar dos fatos traz acontecimentos terríveis e revelações surpreendentes.

Roustaee nos conduz por uma trama em que os olhares dos personagens comunicam muito mais do que meras ações. Inicialmente, o movimento parte principalmente do filho da protagonista — um jovem rebelde diante de uma realidade repleta de regras que, contudo, não conseguem conter seu ímpeto destrutivo. A mãe, por sua vez, tenta contornar a situação; para isso, omite certas verdades que acabam se acumulando até transbordar.

Parinaz Izadyar entrega uma interpretação magistral, dando vida a uma personagem que se "descasca" gradualmente, revelando alguém que vai muito além do que o entorno imagina. Sua figura é uma representação da força de vontade das mulheres iranianas contemporâneas, que não se deixam intimidar pelo autoritarismo, mesmo quando a justiça opta pela cegueira em vez da verdade. Nesse aspecto, o filme expõe uma justiça viciada por leis que tendem a ser sistematicamente menos severas com os homens.

O filme aborda a união feminina perante uma realidade patriarcal, mesmo quando algumas sucumbem por acreditarem não haver alternativa. A protagonista encarna a mulher que "cai atirando": pode ser rotulada como louca, mas não se calará até obter justiça. Se em "Dez" (2002), do mestre Abbas Kiarostami, esse sentimento já era pressentido, aqui Roustaee nos diz que sempre haverá um meio de sobrevivência. Mesmo que o papel da mulher seja colocado em xeque, ela acaba surpreendendo a todos — e a si mesma — por sua resiliência.

"Mãe e Filho" é o retrato contundente da mulher iraniana que, apesar das limitações impostas pelo patriarcado, luta contra um olhar conservador e injusto.



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Cine Dica: Cinesemana de 23 a 29 de abril de 2026

A última cinesemana de abril traz uma novidade muito aguardada pelo público cinéfilo: a reestreia de BETTY BLUE, drama erótico francês que volta aos cinemas em versão restaurada para comemorar seus 40 anos de lançamento. A outra estreia é CASO 137, filme que rendeu a Léa Drucker o prêmio César de melhor atriz. Também teremos duas sessões de pré-estreia na nossa programação da semana. Uma delas é A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes, junto com NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre a jornada de um jovem diante da notícia de uma doença terminal.

Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus. Em última semana, o público pode conferir A CRONOLOGIA DA ÁGUA, com a atriz Imogen Poots dando vida às memórias da escritora Lidia Yuknavitch, e CINCO TIPOS DE MEDO, grande vencedor do Festival de Gramado em 2025.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Cine Dica: Premiado em Cannes, “O Riso e a Faca” tem sessões de pré-estreia dias 28 e 29 de abril no CineBancários


Depois de ser premiado no Festival de Cannes e terminar em 5º lugar na lista da Cahiers du Cinéma de melhores filmes do ano passado, O RISO E A FACA ganha duas sessões de pré-estreia no CineBancários, nos dias 28 e 29 de abril, às 18h. O longa-metragem estreia dia 30 de abril, às 18h30. Lançado pela Vitrine Filmes, a coprodução entre Portugal, França, Romênia e Brasil reúne diversos profissionais brasileiros na equipe.

O novo filme do português Pedro Pinho lança um olhar sobre a complexa relação entre Europa e África, marcada por invasões territoriais e dominação econômica. Pinho mostra que, hoje, essa história ganhou gestos, tons e formatos diferentes.

O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. Na trama, acompanhamos Sergio, engenheiro português enviado por uma ONG a uma metrópole africana. Sua missão é fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores locais, Diára e Gui. O trio é vivido por Sergio Coragem, conhecido por filmes como Verão Danado e Fogo-Fátuo; Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes, por este filme; e Jonathan Guilherme, brasileiro que estreia no cinema.

Pinho diz que o filme parte “da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos ‘outros’” e afirma que o longa “mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas — todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial”. Segundo ele, “no coração do filme está o eterno ‘encontro’ entre a Europa e África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental”.


O DIRETOR

Pedro Pinho nasceu em Lisboa e viveu em Paris, Barcelona, Maputo (Moçambique) e Mindelo (Cabo Verde). Em 2009, fundou, com outros cinco cineastas, a produtora Terratreme. O seu primeiro documentário, Bab Sebta (co-realizado com Frederico Lobo), estreou no FIDMarseille em 2008, onde ganhou o Prêmio Espérance de Marselha.

O média-metragem de ficção Um Fim do Mundo participou da seção Generation, da Berlinale, em 2013. Em 2014, o documentário As Cidades e as Trocas (co-realizado com Luísa Homem) estreou no FIDMarseille e no Art of the Real no Lincoln Center, em Nova York. Em 2017, sua estreia em longas-metragens de ficção, A Fábrica de Nada, estreou na Quinzena de Cineastas de Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI da Crítica Internacional e recebeu outros 20 prêmios em festivais em todo o mundo. O filme recebeu ainda dois prêmios Sophia, o Oscar do cinema português e foi lançado comercialmente em países da Europa, Ásia e América Latina, entre eles o Brasil.


FILMOGRAFIA

2025 – O Riso e a Faca (longa)

2017 - A Fábrica de Nada (longa)

2017 - Cidade (série de TV)

2014 - As Cidades e As Trocas (longa), co-dirigido com Luísa Homem

2013 - Um Fim do Mundo (média)

2008 - Bab Sebta (longa), co-dirigido com Frederico Lobo

2008 - Zone d’Attente #00 (curta), co-dirigido com Frederico Lobo e Luísa Homem

2005 - No Ínicio (curta)

2004 - Perto (curta)

Assista aqui ao trailer de O Riso e a Faca 


SESSÕES DE PRÉ-ESTREIA


28 e 29 de Abril – 18h

ESTREIA

30 de abril a 06 de maio – 18h30


O RISO E A FACA

Portugal / Brasil / Romênia / França/2025/212 min

Direção: Pedro Pinho

Sinopse: Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.


Elenco:

Sérgio Coragem | Sérgio

Cleo Diára | Diára

Jonathan Guilherme | Gui

Renato Sztutman | ele mesmo

Jorge Biague | Borjan

Nástio Mosquito | Horatio

Bruno Zhu

Kody McCree

Everton Dalman


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – "O Último Gigante"

Sobre o Filme: A reconciliação entre pais e filhos não é um tema novo na história do cinema, mas continua gerando longas que levantam debates profundos sobre até onde se pode perdoar um passado cujas cicatrizes emocionais ainda não fecharam. Saber ouvir é, muitas vezes, uma questão de tempo — mesmo quando a raiva ofusca o olhar que deveria acolher a versão do outro. "O Último Gigante" (2025) não é apenas sobre o reencontro familiar, mas também sobre a busca por uma redenção quase sempre inalcançável.

Dirigido por Marcos Carnevale, o filme narra a história de Boris (Matías Mayer), um guia turístico em Puerto Iguazú que vê sua vida virar de cabeça para baixo com o aparecimento inesperado de Julián (Oscar Martínez), o pai que o abandonou na infância. Aos 28 anos, Boris terá que lidar com o retorno de um homem que deseja, tardiamente, reconquistar o tempo perdido.

Carnevale construiu uma carreira transitando habilmente entre o humor e o drama. Aqui não é diferente: ele conduz um roteiro em que os personagens lidam com situações delicadas por meio de pinceladas de um humor refinado, prendendo a atenção do espectador do início ao fim. O encontro dos protagonistas já nos dá a dimensão do conflito, mas é nessa transição orgânica de gêneros que o filme ganha fôlego.

O veterano Oscar Martínez brilha ao interpretar um homem no limiar do fim, buscando forças para encarar os próprios erros e obter um perdão ainda não conquistado. Já Matías Mayer constrói um personagem que, inicialmente, não sabe processar seus sentimentos, usando a raiva para expressar uma dor guardada por anos. O embate verbal entre os dois rende momentos de tensão que, aos poucos, dão lugar à razão, facilitando a identificação do público com suas trajetórias.

Além disso, o longa toca em um assunto espinhoso e recorrente no cinema: a eutanásia. Curiosamente, esse ponto acaba ficando em segundo plano. Isso ocorre não apenas porque o foco primordial recai na reconciliação, mas também porque o tema já foi exaustivamente debatido em títulos anteriores. Embora a iniciativa seja válida, o filme talvez chegue um pouco tarde a uma discussão que já possui marcos cinematográficos muito consolidados.

Ao final, as questões levantadas são sanadas, permitindo que cada personagem siga sua própria jornada. "O Último Gigante" pode não mudar a vida do espectador, mas é um título que se destaca pelo lado humano e reflexivo. É, em última análise, um filme sobre a busca pela redenção enquanto ainda resta tempo.


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domingo, 19 de abril de 2026

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - 'Minhas Tardes com Margueritte'

 "Minhas Tardes com Margueritte", um hino à amizade e à leitura, na próxima sessão do Cineclube Torres, segunda-feira, dia 20, às 20h, 

O filme francês integra o ciclo dedicado à leitura na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo sempre com entrada franca. Minhas Tardes com Margueritte é um filme francês de 2010 dirigido por Jean Becker, baseado num livro homônimo, sobre a magia da leitura. Germain, um homem solitário e com pouca instrução que trabalha com serviços gerais, cria um laço especial com uma mulher muito mais velha e culta, descobrindo uma nova forma de conexão e aprendizado.

Quem gosta de livros e filmes, não pode perder “Minhas Tardes com Margueritte”: nas palavras dodiretor Jean Becker, que é filho de cineasta e iniciou sua carreira como assistente do pai “É uma coisa que eu aprendi com meu pai. A cultura e o cinema podem tornar nossas vidas melhores.”A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Apoio cultural Livraria Superlivros

Serviço:

O que: Exibição do filme "Minhas Tardes com Margueritte" (2010) de Jean Becker - França

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 20/4, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Cléo das 5 às 7'

Nota: Filme exibido para os associados no dia 02/04/26

Quando François Truffaut lançou seu clássico "Os Incompreendidos" (1959), reuniram-se ali todos os ingredientes do que viria a ser a Nouvelle Vague. Com a câmera na mão, o realizador criou cenas maravilhosas das ruas de Paris — um feito raro em um período no qual a maioria dos filmes era feita em estúdios, quase nunca revelando o lado mais realista do mundo. "Cléo das 5 às 7" (1962) talvez seja uma das melhores sínteses desse período e um dos melhores trabalhos da diretora Agnès Varda.

Na trama, Cléo (Corinne Marchand) é uma cantora francesa que vive um momento de angústia enquanto espera o resultado de um exame. O teste pode apontar se ela tem ou não câncer de estômago. Sem saber o que fazer, Cléo perambula pela cidade de Paris. No decorrer desse tempo, ela observa e conversa com as pessoas que cruzam seu caminho.

Confesso que só fui conhecer Agnès Varda a partir de "Visages, Villages" (2017), documentário que revela seu talento e que foi o suficiente para me fazer buscar seus outros títulos. No caso dos tempos de Nouvelle Vague, talvez tenha sido ela quem melhor compreendeu a proposta principal de seus colegas: ter uma ideia na mente, uma câmera na mão e ocupar as ruas para realizar um feito mais cru, mas não menos magistral. A jornada de angústia da protagonista torna-se um artifício de roteiro para que a realizadora possa exercer sua liberdade criativa.

Já na abertura, por exemplo, vemos um jogo de cena protagonizado por mãos e cartas, para logo em seguida testemunharmos diversos espelhos espalhados pelos lugares onde a protagonista caminha. Esse recurso serve para obtermos uma perspectiva do mundo em que ela vive — onde há muito a oferecer, mas cujas possibilidades se tornam nubladas pelo medo inicial. Há, por exemplo, um momento em uma cafeteria onde ocorre um conflito entre um casal e a câmera dá atenção à moça, que se encontra extremamente sozinha.

Se por um momento achamos que a protagonista irá ajudá-la, logo ela dá as costas para continuar caminhando sem rumo. É neste ponto também que ocorre o delicioso encontro entre a ficção e o lado documental de Varda; sua câmera torna-se uma representação do olhar da protagonista, dando-nos a dimensão de como ela enxerga o mundo em meio ao temor pela vida. Nota-se que a câmera caminha entre as pessoas, que olham com espanto em alguns momentos, dando a entender que não foram avisadas da filmagem, o que confere um peso maior ao realismo.

Isso se casa com a presença de Corinne Marchand. Ao atravessar as ruas, nota-se o olhar curioso do público — principalmente o masculino — devido à sua beleza marcante. Marchand é um caso raro em que talento e beleza se cruzam; ela surpreende tanto na atuação quanto na voz, tornando seus momentos de canto um dos pontos altos do longa. Ao mesmo tempo, ela mantém uma inocência que contrasta com o surgimento de sua amiga, interpretada por Dorothée Blank.

É neste encontro que surge uma bela homenagem ao cinema mudo, mais precisamente quando ambas vão assistir a um curta-metragem na cabine de projeção. O curta é estrelado por ninguém menos que Jean-Luc Godard e Anna Karina. Curiosamente, esse trecho me fez lembrar do clássico "Um Cão Andaluz" (1929), de Luis Buñuel, já que a trama flerta com o non-sense.

Graças a esse filme, não me surpreende que a obra de Varda tenha servido de inspiração para outros realizadores. Richard Linklater, por exemplo, criou sua trilogia iniciada com "Antes do Amanhecer" (1995), onde o casal central conversa sobre a vida em planos-sequência surpreendentes. Ao conhecer "Cléo das 5 às 7", percebo de onde ele bebeu sua inspiração. Linklater, inclusive, lançou recentemente "Nouvelle Vague" (2025), filme que não apenas homenageia a criação de "Acossado" (1960), mas o movimento como um todo.

No final das contas, é um filme sobre saborear a vida, pois nunca sabemos o dia de amanhã. Quando a protagonista começa a dialogar com um soldado (Antoine Bourseiller), prestes a embarcar para uma guerra que pode lhe tirar a vida, ela percebe que cada minuto é precioso e que a interação com o próximo pode mudar sua perspectiva. O final em aberto nos faz manter o filme na mente e desejar que ele não tivesse acabado tão cedo.

"Cléo das 5 às 7" é o longa que melhor representou a ideia primordial da Nouvelle Vague, um grande feito que somente Agnès Varda poderia ter colocado em prática dessa maneira.



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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Amores Expressos" (18/04) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado, dia 18 de abril, às 10h15 da manhã, nos reunimos na Cinemateca Paulo Amorim para a exibição de Amores Expressos, de Wong Kar-wai. Também responsável pelos belíssimos Amor à Flor da Pele e Anjos Caídos, o cineasta constrói um cinema marcado por narrativas fragmentadas, música atmosférica e uma fotografia de cores intensas e saturadas. Em Amores Expressos, não é diferente: ambientado em Hong Kong, o filme acompanha duas histórias de amor desencontradas, atravessadas pela solidão, pelo acaso e pelo ritmo vertiginoso da vida urbana. Policiais melancólicos, encontros improváveis e personagens à deriva, aqui Wong Kar-wai compõe um retrato fragmentado das relações na modernidade, embalado ao som de The Mamas & the Papas. Inesquecível!


Confira os detalhes:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 18/04, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Amores Expressos (Chung Hing sam lam)

Hong Kong, 1994, 102 min, 12 anos

Direção: Wong Kar-wai

Elenco: Takeshi Kaneshiro, Tony Leung Chiu-wai, Faye Wong, Brigitte Lin


Sinopse: Todos os dias, o policial 223 compra uma lata de abacaxi em conserva com a mesma data de validade: 1º de maio. A data simboliza o dia em que ele superará seu amor perdido. Ele também está de olho em uma mulher misteriosa de peruca loira, sem saber que ela é traficante. O policial 663 está devastado pela tristeza causada por um término. Quando sua ex-namorada deixa cair um molho extra de suas chaves em um café local, uma garçonete entra em seu apartamento e dá um toque especial à sua vida.



Esperamos vocês para mais uma grande sessão.

Até sábado!

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