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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 9 de junho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'O Bolo do Presidente'

 Sinopse: No Iraque dos anos 1990, em meio à guerra e à falta de comida, o presidente determina que todas as escolas do país façam um bolo em homenagem ao seu aniversário.

É curioso que, no decorrer da história do cinema, alguns filmes vindos do Oriente Médio não sejam apenas um retrato sobre seus países de origem, mas também nos permitam testemunhar tramas através da perspectiva da infância. No cinema iraniano, por exemplo, tivemos belos exemplos como "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?" (1987), de Abbas Kiarostami, ou "Filhos do Paraíso" (1997), de Majid Majidi. Pelo Iraque, temos agora o recente O Bolo do Presidente (2025), no qual testemunhamos a cruzada de uma menina disposta a cumprir uma tarefa em meio a uma realidade ditatorial.

Dirigido pelo estreante Hasan Hadi, o longa acompanha a vida de Lamia (Banin Ahmed Nayef), uma garota de 9 anos que conhece de perto a realidade da guerra e da fome no Iraque. Retratando o início dos anos noventa, o enredo mostra o momento em que o presidente do país determina que todas as escolas façam bolos para comemorar seu aniversário. Lamia acaba sendo a escolhida para a missão em sua escola. Sem ter muito para onde correr e com poucos recursos, ela parte em uma aventura ao lado da avó, de seu melhor amigo e de seu galo de estimação.

Hasan Hadi talvez venha a ser lembrado futuramente como um realizador pertencente ao que se pode chamar de retomada do cinema iraquiano, após décadas de desmantelamento durante os tempos ditatoriais de Saddam Hussein. O que se vê na tela definitivamente não seria visto anos atrás, pois temos a dimensão de como a persuasão de um governo para obter o apoio da população não era muito diferente das táticas da Alemanha nazista de Hitler. Em meio ao calor do conflito, vemos uma jovem amadurecer gradualmente através de sua jornada.

A busca pelos ingredientes para o doce se torna um pretexto para acompanharmos a pequena protagonista por uma cidade sempre em movimento, mesmo com recursos visivelmente escassos. Antes disso, porém, vemos a relação da jovem com a avó, que não esconde as marcas de uma vida sofrida e já não tem tantas forças para cuidar da neta. Lamia, por sua vez, demonstra o olhar de uma jovem madura para a sua idade, enfrentando a escassez e passando por inúmeros percalços para realizar sua tarefa.

Hasan Hadi consegue criar um conto singelo sobre a inocência em meio a uma realidade nua e crua, onde a relação de Lamia com seu melhor amigo vai mudando de acordo com as situações enfrentadas. A brincadeira de não piscarem um diante do outro funciona como uma representação de até quando eles conseguirão manter suas expressões inocentes perante uma realidade na qual achar ovos se torna uma missão quase impossível. O diretor capricha em uma montagem engenhosa, capaz de gerar tensão sobre o que virá a seguir — e a cena que se passa em uma mesquita sintetiza muito bem essa observação.

Ao final, há tanto uma recompensa quanto duras perdas durante o percurso, fazendo com que a jovem protagonista passe a enxergar o mundo da mesma forma complicada que sua avó via. Portanto, a última cena com os jovens se torna impactante, pois simboliza uma geração em que muitos se perderam em um conflito sem sentido. O minuto final, por sua vez, além de trazer um registro real, simboliza toda a hipocrisia de um governo ditatorial que provocou feridas na população — marcas que, ainda hoje, seguem em processo de cicatrização.

"O Bolo do Presidente" é sobre a inocência perdida perante os tempos nebulosos de um país em transe e repleto de conflitos.


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Cine Dica: Newsletter de 11 a 17 de junho de 2026

 Cinema brasileiro em destaque na Cinemateca Capitólio nas próximas semanas

A programação da Cinemateca Capitólio nas próximas semanas tem o cinema brasileiro como destaque, com dois lançamentos recentes em cartaz, o drama Dolores, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, e o premiado documentário Copan, de Carine Wallauer. Realizadora gaúcha radicada em São Paulo, Carine Wallauer participa de uma conversa com o público na quinta-feira, 11 de junho, às 19h, sobre seu documentário em torno do icônico edifício modernista de Oscar Niemeyer localizado na região central de São Paulo, que foi o grande vencedor do festival É Tudo Verdade em 2025.

No dia 16 de maio, a Capitólio inaugura uma de suas principais atrações previstas para 2026, a mostra A Cinemateca é Brasileira – Da Comédia ao Drama, programação com curadoria da Cinemateca Brasileira que inclui 23 títulos de diferentes épocas, incluindo desde clássicos com cópias restauradas (como São Bernardo, Amei um Bicheiro, A Hora e Vez de Augusto Matraga e Roberto Carlos em Ritmo de Aventura) a produções mais recentes (como Morto não Fala, Los Silencios, Que Horas Ela Volta? e Branco Sai, Preto Fica). A mostra, toda com entrada franca, irá se estender até o mês de julho, e é realizada em parceria com a Cinemateca Brasileira (aguarde divulgação específica).

Já na sexta-feira, 12 de junho, a Cinemateca Capitólio recebe mais uma edição do projeto Raros, com a exibição de Escuridão da Morte (Fade to Black), produção de horror de 1980 dirigida por Vernon Zimmerman. O filme acompanha o personagem Eric Binford (Dennis Christopher), que vive para o cinema. Cinéfilo solitário e obcecado pelas estrelas da Era de Ouro de Hollywood, ele encontra refúgio nas imagens que consome compulsivamente. Quando sua vida desmorona, a fronteira entre fantasia e realidade se rompe, e Eric passa a encenar sua vingança incorporando personagens clássicos do cinema. A entrada é franca.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca  clicando aqui

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Mestres do Universo'

Sinopse: A história se passa duas décadas após a queda do Príncipe Adam na Terra. Quando a Espada do Poder restabelece sua conexão, o jovem herdeiro é transportado de volta para o reino de Eternia.

Em tempos em que o gênero de super-heróis no cinema anda desgastado, a indústria norte-americana busca de todas as formas uma nova pepita de ouro que gere lucro. Por conta disso, já não é novidade os estúdios olharem para o passado e resgatarem desenhos clássicos da TV para as telonas. Nesse quesito, a franquia "Transformers" acabou se tornando muito bem-sucedida.

Curiosamente, a série surgiu a partir de uma coleção de brinquedos, já que era tendência da época uma fabricante lançar o seu produto e se alinhar a um canal de TV para produzir a animação. Nesse cenário surgiu a Mattel, ao lançar a coleção "He-Man" e dar origem ao desenho de maior sucesso entre a garotada durante os anos 1980. Décadas depois, eis que chega "Mestres do Universo" (2026), longa que não somente é fiel às suas raízes, como também não tem vergonha de ser o que é.

Dirigido por Travis Knight, a trama se passa quase vinte anos após a separação da Espada do Poder que guiava o príncipe Adam (Nicholas Galitzine). Agora que conseguiu recuperar essa conexão, ele precisará voltar para Eternia, seu planeta natal. No entanto, uma ameaça mortal terá que ser derrotada para salvar seus conterrâneos: o diabólico Esqueleto (Jared Leto) está tentando destruir tudo.

Para quem cresceu durante os anos 1980, era comum assistir a desenhos em que os heróis eram incorruptíveis, sempre dando uma lição de moral e rindo de alguma piada no final do episódio. Hoje isso pode parecer bobo, mas estamos falando de tempos mais inocentes, onde o bem e o mal eram claramente definidos — construindo o caráter de uma geração que não ficava presa aos celulares, mas sim assistindo a animações e brincando no quintal de casa. Esse é o grande charme do filme: despertar em nós essas lembranças distantes, as quais nunca é demais recontar para a geração atual.

O grande trunfo da produção também é usar a velha fórmula da Jornada do Herói, de Joseph Campbell, tantas vezes vista em obras de aventura, mas que aqui funciona como uma luva. Adam se encontra preso na Terra, mas sonha em voltar ao seu lar e ser o herói que salvará seu povo. O interessante é testemunhar as pessoas da Terra achando que ele é louco quando conta sobre o seu passado, e esse talvez seja um dos pontos em que mais nos identificamos.

Ao ser alguém excluído por olhares preconceituosos, Adam se torna um alter-ego de todos nós que crescemos e continuamos curtindo os bons tempos de desenhos animados, séries e filmes de aventura. Um nerd no corpo de um adulto, mas que não tem vergonha de ser quem é, lutando pelo que pensa e acredita, o que garante a nossa simpatia imediata. Nicholas Galitzine se entrega a um papel que poderia facilmente soar estúpido nas mãos de outro ator; ele abraça o lado bobo do personagem sem medo, e é por conta disso que seu desempenho se torna tão sincero.

O protagonista, portanto, casa-se com a proposta primordial da obra como um todo: não se levar a sério em nenhum momento, entregando-se ao fantasioso e ao colorido, e nos passando a sensação de que os nossos bonequinhos de infância ganharam vida. Quase todos os personagens clássicos mantêm as personalidades vistas na TV: Teela (Camila Mendes) segue firme como uma guerreira determinada, servindo como a grande parceira do protagonista do começo ao fim da história. Por outro lado, algumas figuras ganham nova dimensão, como o Mentor/Duncan (Idris Elba), que no desenho raramente falhava, mas aqui se mostra vulnerável em alguns momentos, tornando-se talvez o personagem mais humano da trama.

E se Alison Brie entrega todo o ar de ambiguidade que a Maligna nos passava na série, o mesmo pode ser dito em termos de fidelidade com relação ao grande vilão. No desenho, o Esqueleto era um puro mal cartunesco, que queria apenas o poder, mas que nos provocava risadas pelo seu modo sarcástico de lidar com o He-Man. Pelo visto, Jared Leto entendeu a essência do papel ao construir um antagonista megalomaníaco, sendo mau sem nenhuma justificativa complexa — algo cada vez mais raro de se ver hoje em dia.

Talvez esse seja outro ponto positivo do longa: não perder tempo construindo um passado trágico para justificar o vilão, focando puramente na jornada do herói. Em tempos atuais, em que o mundo se encontra cada vez mais complexo, nada melhor do que assistir a um bom filme de aventura e fantasia à moda antiga. Se em "Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes" (2023) a fórmula deu muito certo, este filme seguirá pelo mesmo caminho.

Em termos de ação, as sequências acontecem quando o roteiro exige, perfeitamente alinhadas ao tom de humor da produção. O CGI quase não atrapalha, mesmo nos momentos em que soa artificial, pois o nosso cérebro já aceitou que tudo aquilo é baseado em um universo que nasceu de uma linha de brinquedos. Portanto, quando você se deparar com o Castelo de Grayskull na tela e achar que ele parece falso, não se surpreenda: a intenção é exatamente essa.

Vale salientar que a trilha sonora é outro ponto a favor da aventura, sendo quase toda moldada para soar como os anos 1980 — não estranhe se ouvir clássicos da banda Queen. Curiosamente, o grupo de Freddie Mercury compôs a música-tema de "Flash Gordon"(1980), filme que serviu de inspiração para a elaboração de "Thor: Ragnarok" (2017) e que, por fim, serviu de modelo para este "Mestres do Universo". Entenderam o raciocínio?

Para os brasileiros, a experiência se tornará ainda mais especial se o longa for visto dublado, já que alguns dubladores veteranos retornaram para a produção. Mais de quarenta anos depois, Garcia Júnior volta a dar voz ao protagonista e, ao gritar "Pelos Poderes de Grayskull!", dá para sentir o prazer do profissional em seu trabalho. Já Luiz Carlos Persy assume o Esqueleto, tornando-se um sucessor digno do legado do falecido Isaac Bardavid.

E se, no decorrer da projeção, você achar que a produção não é cem por cento fiel ao desenho, aguarde os minutos finais, onde surgem piadas escancaradamente familiares que os fãs irão identificar imediatamente. O filme termina despertando o desejo de revisitar a animação clássica e de nos lembrarmos de tempos mais inocentes e dourados. Nunca é demais apreciar uma boa aventura que traga de volta algo que já estava adormecido em nós há muito tempo.

Com uma bela participação especial de Dolph Lundgren, "Mestres do Universo" é aquele filme de aventura à moda antiga, que não teme ser inocente e se entrega completamente à fantasia.


Leia também: Revisitando 'Mestres do Universo de 1987'


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Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'História de um Casamento'

Sobre o Filme: O clássico "Kramer versus Kramer" (1979) foi lançado em uma época em que a separação de casais ainda era vista como tabu para a maioria da sociedade norte americana. Vários anos depois, o divórcio entre as partes se tornou comum, pois uma coisa é haver a separação, mas não significa que não tivesse havido a paixão. "História de um Casamento" vem para lançar uma nova luz sobre as separações dos tempos atuais, pois embora tenham se tornado comuns, não significa que não venha a doer

Dirigido por Noah Baumbach, do filme "Frances Ha" (2012), o filme conta a história de Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver) estão passando por muitos problemas e decidem se divorciar. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar do divórcio, mas Nicole muda de ideia após receber a indicação de Nora Fanshaw (Laura Dern), especialista no assunto. Surpreso com a decisão da agora ex-esposa, Charlie precisa encontrar um advogado para tratar da custódia do filho deles, o pequeno Henry (Azhy Robertson).



Confira a minha crítica já publicada clicando aqui e participe do próximo Cine Debate. 


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domingo, 7 de junho de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Arcane'

Sinopse: Arcane explora as origens de personagens do universo de League of Legends.

As adaptações de jogos de videogame para as telas atualmente têm rendido ótimos frutos, surpreendendo aqueles que sempre viam esses projetos com certo descrédito. Se no cinema tivemos exemplos positivos como "Super Mario Bros. O Filme" (2023), a TV, por sua vez, tornou-se terreno fértil para adaptações ainda mais corajosas e maduras, como "The Last of Us"(2023). Porém, as duas temporadas de "Arcane"(2021-2024) são um exemplo raro de uma adaptação que supera a sua obra original, ao nos brindar com personagens humanos e bem construídos, aliados a um visual surpreendente e uma trama genuinamente fantástica.

Criada por Alex Yee e Christian Linke, a série foi desenvolvida pelo estúdio francês de animação Fortiche e baseada no universo do aclamado jogo multiplayer da Riot Games. Na trama, conhecemos as origens de campeões que habitam Piltover e Zaun, cidades vizinhas divididas por conflitos e profundas desigualdades socioeconômicas. No centro deste cenário, surge o desenvolvimento de uma tecnologia mágica conhecida como Hextec, capaz de conceder a qualquer pessoa o controle sobre a energia mística. Em meio ao crescente conflito entre a próspera e utópica Piltover e o submundo decadente de Zaun, as irmãs Vi (Hailee Steinfeld) e Jinx (Ella Purnell) enfrentam dilemas pessoais e ideológicos que as fazem embarcar em direções opostas no decorrer da história.

Fui assistir à série sem muita informação e sem nunca ter jogado League of Legends — que, em sua essência, é um jogo de estratégia em arenas de batalha (MOBA) focado em disputas competitivas, e não necessariamente em narrativa. No entanto, a produção é o exemplo perfeito de como uma adaptação bem construída pode transcender as suas raízes. A trama é primorosa, o visual é arrebatador e os personagens são extremamente humanos. Se faltava uma narrativa linear com coração no jogo, a adaptação entrega isso de sobra, transbordando o carinho com que foi produzida.

Antes de mais nada, é preciso destacar o design visual, sendo desde já um dos mais impressionantes que já vi em uma animação. Tudo é incrivelmente colorido, apostando em um estilo steampunk e cyberpunk retrofuturista, construído com um CGI de ponta perfeitamente alinhado a texturas que simulam o desenho tradicional e pinceladas de pintura a óleo viva. O resultado chega a ser difícil de descrever em palavras; é preciso se entregar e sentir a obra para tirar as próprias conclusões.

Ao mesmo tempo, a série transita com maestria entre a fantasia e os dilemas do mundo real, onde os jogos políticos são um dos grandes destaques das duas temporadas. Logicamente, alguns espectadores irão se lembrar de "Game of Thrones", mas "Arcane" tem alma própria, principalmente ao misturar com elegância questões que vão desde a divisão de classes e o uso ético da tecnologia até o limite onde se separam a lógica e a fé que pulsa dentro de cada sociedade. São dilemas que nos fazem refletir, tornando-se outro ponto mais do que positivo para a obra.

Porém, o verdadeiro coração da série pertence aos seus personagens carismáticos, complexos e profundamente tridimensionais. A relação entre as irmãs Vi e Jinx é o grande motor dramático. Ficamos sem saber ao certo como nos posicionar perante o conflito das duas, já que, em determinado ponto, nos apaixonamos por ambas. Jinx é uma força incontrolável, moldada por traumas, culpa e rejeição, exibindo um lado psicótico e anárquico que lembra a Arlequina do universo DC, mas com uma carga dramática muito mais dolorosa.

Além disso, para os apreciadores de adrenalina, a série não poupa nos elementos de ação, cujas lutas são um verdadeiro show à parte. As cenas de combate alinham o melhor da tecnologia digital com a fluidez expressiva das animações clássicas, deixando tudo ainda mais dinâmico. Para aqueles que apreciam a estética urbana e a arte do grafite, esses momentos estéticos — muito associados à mente da Jinx — acabam se tornando um verdadeiro colírio para os olhos.

Embora o desfecho da segunda temporada possa soar um pouco apressado para alguns, a série encerrou sua jornada com dignidade e respeito à proposta inicial. O único "ponto negativo" real é o vazio que sentimos quando os créditos finais sobem, pois o desejo é continuar ao lado daqueles personagens cheios de magnetismo e que ainda poderiam embarcar em outras aventuras. Nunca é demais sonhar com novos spin-offs desse universo no futuro.

"Arcane" se consolida como uma das melhores séries dos últimos tempos. Uma obra onde a história dramática, a ação pulsante e o visual arrebatador se fundem, conquistando a nossa paixão de forma imediata e inesquecível.


Onde Assistir: Netflix. 

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Como Era Verde o Meu Vale'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 30/05/26

Baseado em um best-seller de sucesso daquela época, esta história sobre a vida nas minas de carvão galesas é repleta de calor humano, paixão, atritos e quase todos os outros elementos que moldam o lado puro do ser humano, à altura dos padrões cinematográficos daqueles tempos dourados do cinema norte-americano. É uma história com alma, criada de forma perfeccionista por Richard Llewellyn, e a incrível fotografia em preto e branco de John Ford, a partir de um ótimo roteiro de Philip Dunne, só precisava de uma escolha de elenco impecável para completar o trabalho. Nesse aspecto, os Deuses do cinema sorriram para os realizadores.

As atuações são impressionantes do começo ao fim: refinadas e, ao mesmo tempo, vigentes; intensas, porém  de uma forma sutil em seus simbolismos mais significativos; felizes e tristes, românticos e frustrados, com nuances e atmosferas, cores e contrastes perfeitamente cativantes. Em suma, é uma demonstração da arte cinematográfica em sua melhor forma.

E, acima de tudo, há um potencial novo astro mirim em Roddy McDowall. O jovem pode se provar o equivalente infantil deste estúdio a Shirley Temple, uma pequena e inspirada atriz que já atuou em filmes ingleses. Ele é cativante, másculo e historicamente competente de uma maneira íntegra e vigorosa.

A transição do livro para a tela também utiliza a narrativa em primeira pessoa do singular, com descrições vívidas de quão verde, de fato, era o vale do jovem Huw (pronuncia-se Hugh) Morgan, enquanto ele relembra sua vida desde a infância. Graficamente e com plena adequação de cena e diálogo, é revelada a plenitude da vida honesta, temente a Deus e industrial dos Morgans no vale galês.

Há quatro Morgans robustos que, como Morgan, pai, cada um de sua geração, trabalham nas minas de carvão. Tranquilidade doméstica, amor pelo lar, romance, o novo pregador, o trote do rapaz na escola, a surra do professor valentão, sua decisão de abrir mão das vantagens acadêmicas e seguir os passos betuminosos de seus parentes mais próximos, o burburinho dos vizinhos intrometidos, os Cantores Galeses (vocalizando a si mesmos) que são convocados à Corte para um concerto da Rainha, os canecos de cerveja prontos para todo o Vale, os movimentos sindicais contra a queda dos salários e as condições de trabalho cada vez mais precárias, a partida de dois filhos Morgan para buscar fortuna na América – tudo isso, e muito mais, é traduzido de forma astuta, concisa e atraente para o cinema.

"Como Era Verde o Meu Vale" é um filme que guarda muitas lembranças e é essa qualidade nostálgica que deve gerar um valioso boca a boca. 


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Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Betty Blue" (06/06) na Cinemateca Paulo Amorim


No sábado, dia 6 de junho, nos reunimos às 10h15 na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir Betty Blue, de Jean-Jacques Beineix. Lançado em 1986, o filme tornou-se uma das obras mais emblemáticas do chamado Cinéma du look, movimento que marcou o cinema francês da década de 1980 por sua forte estilização visual e intensidade emocional. A narrativa acompanha o relacionamento entre Zorg, um aspirante a escritor que vive de trabalhos temporários, e Betty, uma jovem impulsiva e apaixonada. O que começa como uma história de amor transforma-se gradualmente em um retrato complexo de desejo, obsessão, fragilidade emocional e criação artística.


⚠️ Ajude o Clube de Cinema a preservar 80 anos de história!

Estamos concorrendo a uma emenda parlamentar para criar um website gratuito com fotografias, documentos, entrevistas e outros materiais sobre a trajetória do Clube de Cinema de Porto Alegre. Para votar, basta preencher o formulário neste link, escolher um projeto da área da saúde e, em "Demais Áreas", selecionar Clube de Cinema de Porto Alegre (código 0058). A votação leva cerca de 1 minuto e os projetos mais votados serão contemplados.


Confira os detalhes da programação:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 06/06, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Betty Blue (37°2 le matin)

França, 1986, 119min

Direção: Jean-Jacques Beineix

Elenco: Béatrice Dalle, Jean-Hugues Anglade, Gérard Darmon e Consuelo De Haviland

Sinopse: Zorg é um escritor solitário que vive na costa mediterrânea da França. É lá que ele conhece Betty, uma jovem de 22 anos intensa e imprevisível que transforma completamente a sua vida. Por alguns meses, os dois vivem uma relação marcada por episódios de obsessão, loucura, ciúmes e um amor quase incondicional. Baseado no romance homônimo de Philippe Djian, o filme foi uma das maiores bilheterias do cinema francês e teve indicações ao Oscar, Bafta e César. O relançamento, com cópia recuperada em 4k, comemora os 40 anos do filme e traz a sua versão original.

Sobre o Filme: Na abertura, em que Zorg (Jean-Hugues Anglade) e Betty (Béatrice Dalle) transam na frente do quadro da  Mona Lisa, "Betty Blue" (1986) acaba se tornando contagiante na medida em que os minutos passam. Um curioso caso de filme dramático em que a história de amor, e não exatamente as coisas que eles prezam, se tornam o foco principal. Zorg, é um pau para toda obra, não tendo muitas ambições no decorrer de sua vida. Ao conhecer Betty a mesma acaba morando com ele e ambos vivem uma tórrida relação que transita entre o amor e a loucura.

"Betty Blue" pode ser interpretado tanto a frente do seu tempo como também como um longa que sintonizou a nova geração daquele período de 1986. Pode ser analisado como uma representação de uma geração francesa que buscava a sua identidade própria. Zorg vai até o fundo do poço por Betty, desde agredir, roubar e até mesmo quase a matar. Tudo por Betty, mesmo com a possibilidade de leva-lo à ruína iminente.


Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui. 

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