Sinopse: O detetive Benoit Blanc conta com a ajuda de um jovem padre para investigar um crime impossível na igreja de uma cidadezinha que tem uma história sombria.
Rian Johnson achou o seu lugar em Hollywood, ao menos ao dirigir a série de filmes protagonizada pelo personagem Benoit Blanc e sendo interpretado brilhantemente por Daniel Craig. Curiosamente, tanto "Entre Facas e Segredos" (2019) como "Glass Onion: Um Mistério Knives Out" (2022) são filmes que funcionam de forma independente e fazendo com que o público não tenha que se preocupar caso não tenha assistido a história anterior. "Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out" (2025) novamente possui uma história fechada, com vários desdobramentos e nos surpreendendo pelas suas revelações ao longo do caminho.
Na trama, após um assassinato súbito e inexplicável colocar uma cidade de cabeça para baixo, a chefe de polícia local (Mila Kunis) une forças com o perspicaz detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) para encontrar o culpado e a verdade que desafia toda e qualquer lógica. Quando um padre é assassinado à vista de todos na igreja onde dava um sermão, sua morte, aos olhos de Benoit, parece ser fruto de um esquema grandioso e complexo.
Tendo consciência do material de sucesso em mãos, Rian Johnson não tem pressa ao apresentar a sua trama, sendo que o principal crime da história acontece a mais de meia hora de projeção e sendo que o próprio detetive surge bem depois disso. O que faz manter a nossa atenção no primeiro ato da trama, não é somente através de uma sedutora história de crime policial, como também possuir um elenco escolhido a dedo e onde cada um faz com que os seus respectivos personagens se destaquem, Destaco principalmente a atuação selvagem de Josh Brolin como padre radical que procura influenciar os seus seguidores e acaba sendo vítima de um misterioso crime.
Aliás, devo confessar que Josh Brolin é sem sombra de dúvida o melhor em cena, onde o seu personagem nos hipnotiza pelo seu lado complexo e como a sua lábia consegue persuadir os seus seguidores na missa da igreja. Curiosamente, a sua figura em si me lembrou muito ao do revendo do clássico "Moby Dick" (1956) e que foi interpretado por Orson Welles. Não me surpreenderia, portanto, se Josh Brolin fosse o escolhido para uma nova adaptação futura do clássico de Herman Melville.
Outros, logicamente, obtém o seu merecido destaque, como no caso da veterana Glen Close que interpretada uma misteriosa conservadora da igreja e cuja sua atuação se sobressai no ato final da trama. E como é bom rever a bela e talentosa atriz Mila Kunis em cena, sendo que desde "Cisne Negro" (2009) ela tem chamado atenção por roubar a cena nos filmes que participa, mesmo quando aqueles não valem muito a pena serem lembrados. E como é revigorante ver Jeremy Renner livre das amarras do estúdio Marvel, atuando em um projeto autoral e que faz com que obtenha atuações que remetem aos tempos iniciais de sua carreira.
Quanto ao mistério sobre o assassinato do padre a trama dá espaço para fazer uma crítica acida dos tempos atuais de como certos lideres de determinadas religiões procuram persuadir a população para se tornarem cada vez mais poderosos e para que futuramente obtenham poder pelo viez político. Ao mesmo tempo, o filme transita com relação ao questionamento sobre a fé e a razão, sendo que ambas podem estar separadas por uma camada bem fina e nisso é bastante sintetizado, tanto pelo próprio protagonista, como também pelo jovem padre interpretado pelo ator Josh O'Connor. Por conta disso, o filme tanto se envereda para um humor ácido refinado, como também pela pinceladas dramáticas e muito bem vindas para dizer o mínimo.
Com um final surpreendente, "Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out" só faz desejar a gente querer mais novas aventuras detetivescas desse personagem e do qual as tramas não devem em nada se comparado aos clássicos de Agatha Christie.
Onde Assistir: Netflix.
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