Nota: Filme estreia dia 09/04/26
Sinopse: Em meio ao luto, o músico Murilo encontra Marlene, enfermeira que vive um relacionamento tóxico. O destino os conecta a uma policial sedenta por vingança e um advogado misterioso, levando todos a uma jornada sem volta.
Não há como negar que Alejandro González Iñárritu fez escola ao criar tramas cujos os seus protagonistas se interligam através de uma situação inusitada. Se em "Babel" (2006) uma única bala fogo interligou diversos personagens ao redor do globo, por outro lado, "21 Gramas" (2003) todas as vidas se chocam a partir de um acidente de carro. É lógico que antes de Alejandro González Iñárritu o cinema já havia apresentado uma proposta parecida.
Quentin Tarantino, por exemplo, nos apresentou "Cães de Aluguel" (1991) e "Pulp Fiction" (1994), sendo que, além de personagens interligados no decorrer do filme, há sempre um retorno de uma determinada situação, mas sendo vista por outra perspectiva. Tudo isso que eu falei até aqui serviu de ingredientes para que o cinema brasileiro bebesse da fonte e surgisse títulos como "Cidade de Deus" (2002) onde nos apresenta um mosaico de personagens todos interligados e cujo cenário é quase remodelado através do tempo. "Cinco Tipos de Medo" (2026) nos revela o quanto o cinema brasileiro não deve em nada em questões de histórias, técnicas e nos brindando com um longa caprichado do começo até o final de sua última cena.
Dirigido por Bruno Bini, a trama acompanha a história de um jovem chamado Murilo (João Vitor) que após perder a mãe e sobreviver ao Covid ele se apaixona e se envolve com sua antiga enfermeira Marlene (Bella Campos), que está presa em um relacionamento abusivo com Sapinho (Xamã), um traficante. Um dia, Sapinho é preso pela policial movida por vingança Luciana (Bárbara Colen) e passa a contar com a ajuda do advogado Ivan (Rui Ricardo Diaz) que possui intenções secretas. Todos estão interligados por um único motivo, mas mal sabem disso.
Já nos minutos iniciais Bruno Bini nos coloca na ação, onde vemos os principais protagonistas em situação extrema e cuja narração off se casa com perfeição com o título principal da obra. Já na abertura temos uma noção do que podemos esperar do longa, onde uma edição caprichada nos conduz a uma trama que nos prende atenção do começo ao final da obra e nos surpreende ainda mais pelo fato de tudo estar interligado e fazendo com se exige uma atenção redobrada. Há, por exemplo, situações que nos enganam, desde a uma possível morte, como também de um determinado crime.
As principais passagens da história vem e voltam a todo momento, não somente para montar um verdadeiro quebra cabeça, como também nos brindar por outra perspectiva. Logicamente não irá faltar elementos que ressoe com relação aos clássicos brasileiros, que vai desde ao já citado "Cidade de Deus" como também o cultuado "Tropa de Elite" (2007). Porém, diferente desses títulos citados, os dois lados da mesma moeda são apresentados e nos revelando que, querendo ou não, todos estão envolvidos através de um ponto de início e nascendo assim o lado vingativo do ser humano.
Bella Campos, João Victor Silva e principalmente Bárbara Colen interpretam os seus respectivos personagens de forma trágica, sendo que cada um se envolve em situações que jamais gostariam de estar, mas que são forçados a desencadear um lado até mesmo obscuro dentro de si. Se por um lado a personagem de Colen é movida pela vingança, por outro lado, o personagem de João Victor é jogado no olho do tornado e fazendo a gente se perguntar como ele chegou a tudo isso. A pergunta que fica é, se todos os eventos que foram desencadeados foi a partir da pandemia; da relação da mãe de Victor com o vizinho; ou de ele ter se apaixonado?
É um verdadeiro efeito borboleta que, logicamente, alguns irão dizer que o roteirista forçou a barra, mas o próprio mundo real já nos apresenta também situações inusitadas. O filme, portanto, talvez não soe forçado, mas sim esteja atrasado perante uma realidade em que as situações absurdas são tantas que ficção e realidade se encontram somente separadas por uma camada fina. Resta somente a gente assistir ao filme de mente aberta e desfrutar de um bom cinema nacional na medida certa.
Grande vencedor do último festival de Gramado, "Cinco Tipos de Medo" é um exemplo de como o cinema brasileiro pode ir longe em questões de produção e criatividade enquanto estiverem de mãos dadas.
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