Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (19/02/26)

PARA SEMPRE MEDO

Sinopse: O casal Malcolm e Liz viaja para uma cabana isolada para uma celebração romântica. Quando Malcolm parte inesperadamente para a cidade, Liz é confrontada por uma presença sinistra.


O FRIO DA MORTE

Sinopse: Barb, uma viúva proprietária de uma pequena loja de artigos de pesca, parte em uma peregrinação ao Lago Hilda, no remoto norte de Minnesota. Foi lá que ela passou suas primeiras férias com o marido recentemente falecido e onde prometeu espalhar suas cinzas. Atingida por uma nevasca, ela se perde pelas estradas perto do lago e para em busca de ajuda em uma cabana isolada na floresta. 


ANÊMONA

Sinopse: ANEMÔNA explora os laços complexos e profundos que existem entre irmãos, pais e filhos. 

       Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

Cine Dica: Cinesemana de 19 a 25 de fevereiro de 2026

A cinesemana de 19 a 25 de fevereiro marca a estreia do documentário ORWEL: 2+2=5, do diretor Raoul Peck, que lança um olhar sobre a vida e as ideias do escritor inglês George Orwell.  Outro destaque é a segunda parte do GHIBLI FEST, mostra que comemora os 40 anos do Studio Ghibli com a exibição de 14 títulos festejados do estúdio de animação japonês. Para completar a semana de novidades, teremos as sessões de pré-estreia de SÃO PAULO S/A, clássico brasileiro dos anos 1960, e SIRÂT, longa espanhol que concorre ao Oscar de filme internacional.

Com a festa do Oscar chegando, seguimos em cartaz com vários títulos que disputam as estatuetas. Uma delas é SONHOS DE TREM, produção da Netflix que tem na equipe técnica o diretor de fotografia Adolpho Veloso, brasileiro que desponta como o favorito para levar o Oscar na categoria. O público ainda pode assistir O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, indicado em quatro categorias; VALOR SENTIMENTAL, que concorre a nove estatuetas; FOI APENAS UM ACIDENTE, que recebeu duas indicações; e o tunisiano A VOZ DE HIND RAJAB, que concorre ao Oscar internacional.

A ÚNICA SAÍDA, do diretor Park Chan-wook (de Oldboy), entra em sua última semana, assim como DOIS PROCURADORES, do diretor ucraniano Sergei Loznitsa.  

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 19 a 25 DE FEVEREIRO DE 2026

 EM CARTAZ:

LIVING THE LAND

A QUEDA DO CÉU

Brasil/Documentário/2024 /110min

Direção: :Eryk Rocha, Gabriela Carneiro da Cunha

Sinopse: A partir do poderoso testemunho do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa, o filme “A Queda do Céu” acompanha o importante ritual, Reahu, que mobiliza a comunidade de Watorikɨ num esforço coletivo para segurar o céu. O filme faz uma contundente crítica xamânica sobre aqueles chamados por Davi de povo da mercadoria, assim como sobre o garimpo ilegal e a mistura mortal de epidemias trazidas por forasteiros que os Yanomami chamam de epidemias “xawara”, e traz em primeiro plano a beleza da cosmologia Yanomami, dos espíritos xapiri e sua força geopolítica que nos convida a sonhar longe.

Elenco: Davi Kopenawa, Justino Yanomami, Givaldo Yanomami, Raimundo Yanomami,Dinarte Yanomami, Guiomar Kopenawa, Roseane Yariana e comunidade de Watorikɨ


LIVING THE LAND

China/Drama/2025 /129 min

Direção: Huo Meng

Sinopse: Living the Land se passa no ano de 1991 numa pequena vila chinesa. Chuang é um jovem que vê uma forte transformação socioeconômica afetar o seu país, principalmente os camponeses de sua região, incluindo a própria família. Em determinado momento, os integrantes da Vila Bawangtai e de outras zonas rurais passam a se deslocar para a cidade grande. Com dificuldades para se acostumar com as novidades da tecnologia, o longa mostra as trajetórias de diversas gerações da família que precisam se adaptar.

Elenco: Wang Shang (Chuang), Zhang Yanrong (Bisavó) e Zhang Chuwen (Xiuying)



DOIS PROCURADORES

França / Alemanha / Países Baixos / Letônia / Romênia / Lituânia / Ucrânia /2025/117 min

Direção: Sergei Loznitsa

Sinopse: União Soviética, 1937. Milhares de cartas de detentos falsamente acusados pelo regime são queimadas em uma cela de prisão. Contra todas as probabilidades, uma delas chega a um recém-nomeado promotor local, Alexander Kornyev. Em busca de justiça, o jovem promotor se mobiliza para denunciar os métodos arbitrários de repressão praticados por agentes da polícia secreta, a NKVD.

Elenco: ALEKSANDR KUZNETSOV, ALEXANDER FILIPPENKO,ANATOLI BELIY



HORÁRIOS 19 a 25 DE FEVEREIRO (não há sessões nas segundas):

15h: DOIS PROCURADORES

17h10: A QUEDA DO CÉU

19h10: LIVING THE LAND

Ingressos: Os ingressos podemser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Um Pequeno Favor'

Sinopse: Stephanie é uma mãe solitária que se torna amiga de Emily, uma mulher poderosa e destemida. Um dia, Emily desaparece, e Stephanie parte em busca de respostas por conta própria.

Paul Feig pegou gosto em fazer filmes com protagonismo feminino, principalmente através do gênero comédia. "Missão Madrinha de Casamento" é talvez o seu maior feito, porém, o realizador soube se aventurar em outros gêneros como o suspense erótico "A Empregada" (2025). Antes disso, porém, ele realizou "Um Pequeno Favor" (2018) uma pequena pérola que merece ser redescoberta.

Na trama, baseada na obra de  Darcey Bell, acompanhamos  Stephanie (Anna Kendrick), uma jovem mãe que divide o tempo entre a criação do filho e a dedicação ao blog de culinária. Ela  se torna fascinada pela mãe de um colega de escola de seu filho chamado Emily (Blake Lively), uma poderosa que leva uma vida de luxo ao lado do marido. Um dia, Emily desaparece, o que faz Stephanie parte em busca de respostas por conta própria.

Tanto o livro como o filme surgiu a partir do enorme sucesso que foi "Garota Exemplar"(2014), onde o suspense é orquestrado por mulheres inteligentes e que sempre há uma nova camada na história a ser desvendada. Porém, o filme Paul Feig não se entrega ao óbvio, ao conduzir a trama com um teor de humor acido, porém, refinado e deixando o suspense em segundo plano. Não é com todo mundo que essa mistura dá certo, mas aqui foi eficaz no decorrer do tempo.

Nota-se, por exemplo, que o filme remete ao visual dos anos sessenta, mesmo que a trama se passe nos dias atuais. Ao meu ver isso é proposital, já que os anos cinquenta e sessenta os EUA vendiam a ideia de uma sociedade perfeita, mas da qual por trás das cortinas era uma outra coisa e que se diferenciava ao que era visto em séries de tv e cinema. Portanto, abertura colorida, além de referências a séries como "Feiticeira" não é somente uma homenagem, como também proposital e que se entrelaça com os elementos principais da trama.

Anna Kendrick se sai bem ao interpretar a mocinha que aparenta ser inocente, sendo que na verdade a mesma já possui um passado nebuloso e que aos poucos vai sendo revelado.  Já Blake Lively deixa mais do que claro que a sua Emily é a dama fatal da história, sendo que o diretor já esbanja essa ideia em sua primeira cena que, aliás, é muito bem filmada. Ambas juntas em cena se tornam o coração do filme como um todo, já que existe ali tanto um clima de atração, como também um jogo de interesses de ambas as partes.

Nota-se que o filme é sobre um jogo de gato e rato com relação a status, poder e o desejo de se livrar de uma realidade cheia de recursos, mas que se encontra vazia mesmo quando se tem tudo. Vale destacar que algumas revelações que vão surgindo no decorrer do tempo realmente surpreendem, mesmo quando a história beira em algumas soluções forçadas, mas que não tira o brilho do resultado final do longa. Não é sempre que humor e mistério se saem tão bem de mãos dadas.

"Um Pequeno Favor" é uma ótima dica para aqueles que gostaram de "A Empregada", mas que com certeza irão se divertir ainda mais com esse longa.

Onde Assistir: Netflix.

      Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

Cine Dica: Programação Cinemateca Capitólio 19 a 25 de fevereiro de 2026

Última semana de Ato Noturno na Cinemateca Capitólio, que divide sessões com O Agente Secreto e repescagem da mostra Carta Branca a Filipe Matzembacher e Marcio Reolon

   

O longa gaúcho Ato Noturno, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, entra em sua quinta e última semana de exibição na Cinemateca Capitólio que, atendendo a pedidos do público, também coloca em cartaz a partir de 19 de fevereiro o fenômeno O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.

Nas sessões das 14h30, devido ao grande sucesso, seis dos títulos da mostra Carta Branca, na qual os diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon indicaram 15 filmes que dialogam com sua obra, ganham uma semana de repescagem: O Açougueiro, de Claude Chabrol, Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg, A Noiva de Frankenstein, de James Whale, Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcock, No Silêncio da Noite, de Nicholas Ray, e Garotos de Programa, de Gus Van Sant.


Grade Semana de 19 a 25 de fevereiro de 2026


19 de fevereiro (quinta-feira)

14:30 – O Açougueiro (entrada franca) – 93 minutos

16:15 – O Agente Secreto (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 161 minutos

19:00 – Ato Noturno (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 119 minutos


20 de fevereiro (sexta-feira)

14:30 – Crash – Estranhos Prazeres (entrada franca) – 100 minutos

16:15 – O Agente Secreto (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 161 minutos

19:00 – Ato Noturno (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 119 minutos


21 de fevereiro (sábado)

14:30 – A Noiva de Frankenstein (entrada franca) – 75 minutos

16:15 – O Agente Secreto (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 161 minutos

19:00 – Ato Noturno (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 119 minutos


22 de fevereiro (domingo)

14:30 – Pacto Sinistro (entrada franca) – 101 minutos

16:15 – O Agente Secreto (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 161 minutos

19:00 – Ato Noturno (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 119 minutos


24 de fevereiro (terça-feira)

14:30 – No Silêncio da Noite (entrada franca) – 94 minutos

16:15 – O Agente Secreto (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 161 minutos

19:00 – Ato Noturno (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 119 minutos


25 de fevereiro (quarta-feira)

14:30 – Garotos de Programa (entrada franca) – 104 minutos

16:15 – O Agente Secreto (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 161 minutos

19:00 – Ato Noturno (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 119 minutos

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'A Empregada'

Sinopse: Na esperança de um novo começo, uma jovem se torna empregada doméstica em tempo integral para um casal rico que abriga segredos sinistros.


O livro "Cinquenta Tons de Cinza", da escritora E. L. James, serviu para revelar uma parcela de uma sociedade que gosta de um teor politicamente incorreto e moldado pelo universo materialista que pode lhe oferecer. Contudo, houve aqueles críticos acusando a obra, já que muitas mulheres não são exatamente submissas a esse tipo de relacionamento problemático. "A Empregada" (2025) dá continuidade a esse círculo, mas revelando que todo ato terá uma consequência em um futuro próximo.

Dirigido por Paul Feig, e baseado na obra de  Freida McFadden, o filme conta a história de uma jovem chamada Millie Calloway (Sydney Sweeney), sendo que ela um passado nebuloso e que procura recomeçar ao se candidatar para trabalhar como empregada doméstica. Ela é contratada por Nina (Amanda Seyfried) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar), um casal milionário com atitudes estranhas e o trabalho se mostra muito mais difícil do que imaginava. Não demora muito para Millie descobrir que está se envolvendo em um jogo de abuso e poder.

O diretor Paul Feig possui uma predileção ao fazer filmes que exploram o universo feminino, principalmente quando o assunto é comédias e das quais ele havia nos brindado no passado, como foi no caso de "Missão Madrinha de Casamento" (2011). Porém, foi a partir  de "Um Pequeno Favor" (2018) que o realizador decidiu dar espaço para para si ao experimentar o universo do suspense, mas não deixando de lado umas pinceladas de humor ácido e do qual consegue com certo desempenho. Ao embarcar na realização de "A Empregada" , o cineasta teve a missão ingrata de dirigir uma adaptação de um livro de grande sucesso, mas cujo saldo até que se torna positivo.

Para começar é preciso reconhecer que ele constrói o cenário principal como se fosse o paraíso para toda mulher que sonha em obter status. Porém, já no início ele nos transmite também que toda a perfeição tem o seu lado peculiar, pois tudo que vem fácil tem um grande preço a se pagar. É então que o casal central daquela casa já nos diz que há algo errado no ar e muito disso se deve a um dos seus respectivos intérpretes.

Fico feliz em rever a atriz Amanda Seyfried depois de algum tempo, já que eu a acompanho desde a série "Big Love" e de lá para cá ela prova que não tem somente um rosto bonito. Na trama, Seyfried interpreta uma Nina imprevisível, desequilibrada e prestes a explodir a qualquer momento. Porém, a personagem ganha contornos que nada se deve ao que foi visto em filmes como "A Garota Exemplar" (2014) e tudo se torna mais verossímil graças ao desempenho da atriz.

Já Sydney Sweeney constrói uma personagem ambígua, já que ela nos conduz aquela história, mas nos dando a entender também que há algo a mais no seu passado que precisa ser revelado. A mesma não esconde os seus desejos, mesmo quando ela luta para serem contidos. Sweeney se esforça portanto ao interpretar uma personagem que funciona muito melhor nas páginas de um livro do que em sua adaptação para o cinema propriamente dito.

Porém, Brandon Sklenar é o ponto mais falho do elenco, já que ele não se esforça muito em esconder que o seu Andrew Winchester não é flor que se cheire  e uma vez que ele obtém as suas investidas com relação a Millie não nos surpreende. O ator nada mais faz do que interpretar o típico macho alfa que obtém tudo, ao atrair as mulheres que desejam prazer e poder, mas a partir do momento que ele nos revela a sua verdadeira essência o impacto da revelação não nos soa como espanto, mas sim como algo que já estávamos esperando. E o que dizer do personagem Enzo interpretado pelo ator Michele Morrone que de tão inútil poderia ter sido facilmente descartado do roteiro.

Paul Feig, portanto, tira leite de pedra ao adaptar um livro que vai de contramão a tudo que havia sido pregado "Cinquenta Tons de Cinza", o que não quer dizer muita coisa. Eu enxergo "A Empregada", tanto o livro como a sua adaptação, como uma espécie de representação sobre o amadurecimento de uma parcela da sociedade que não se enxerga mais dentro daquele universo literário escrito por  E. L. James. Tanto o livro como o filme  possuem as suas irregularidades, mas ao menos servem como resposta e suspiro de alívio para as mulheres que lutaram contra esse endeusamento doentio.

"A Empregada" é uma adaptação eficaz da obra de Freida McFadden, mesmo com todas as suas imperfeições e das quais não consegue esconder. 

      Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'O Morro dos Ventos Uivantes'

Sinopse:  intensa e destrutiva paixão entre Heathcliff, um órfão adotado, e Catherine Earnshaw, filha de seu benfeitor, nas charnecas inglesas. 

O livro "Morro dos Ventos Uivantes" (1847), da escritora Emily Brontë, entra facilmente na lista das obras literárias essenciais para as pessoas lerem antes de morrer. No decorrer da história do cinema já houve algumas adaptações significativas, como aquela lançada em 1939 e protagonizada por Laurence Olivier. Agora chega a versão de "O Morro dos Ventos Uivantes" (2026) para o século 21 e que com certeza dividirá a opinião de alguns.

Dirigido por Emerald Fennell, do filme "Bela Vingança" (2020), o filme conta a  história das famílias Earnshaw e Linton. Centrada em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), um romance intenso surge para destruir a vida dos dois jovens. O filho adotado do inquilino e Catherine entram em um jogo de obsessão, rejeição e vingança, ao mesmo tempo no qual tentam se distrair com essa louca paixão.

Uma coisa que eu sempre digo com relação às adaptações literárias para o cinema é que nunca se deve ser 100% fiel ao livro, pois faz com que o longa perca a sua identidade e tão pouco possuindo uma linguagem cinematográfica. Pegamos como exemplo adaptação de O Código Da Vinci" (2006), fiel a sua fonte de origem, mas zero em personalidade e ficando preso ao sucesso que o livro havia adquirido. Já "Blade Runner" (1982) não é somente uma adaptação da obra de  Philip K. Dick, como também funcionado pelo fato de Ridley Scott ter abraçado liberdades artísticas e adotando muito mais uma linguagem cinematograficamente falando.

"Morro dos Ventos Uivantes" foi uma obra literária que não só teve suas adaptações levadas para o cinema, como também serviu de inspiração para outras escritoras. Stephenie Meyer, por exemplo, sempre deixou claro que buscou inspiração no clássico ao elaborar a sua série literária "Crepúsculo", assim como também  E. L. James ao realizar a sua obra "Cinquenta Tons de Cinza". Em ambos os casos são sobre histórias de amor inocentes, mas que começam a transitar para um lado intenso e até mesmo abusivo.

É então que eu percebo que essa nova adaptação do clássico de  Emily Brontë é uma espécie de absorvente de tudo que já tinha sido feito antes. Emerald Fennell adapta a história para o cinema, mas deixando de lado o amor sugestivo e moldando para algo mais forte e carnal. Se observa desde o início que o casal central possuem certa atração um pelo outro, mas não escondendo o desejo de ser consumado, mesmo quando isso somente acontece mais adiante na trama. Curiosamente, o lado inocente dosado no primeiro ato se torna até mesmo um contraste para o que está por vir ao longo da projeção.

O atrito entre classes que gera o conflito amoroso se torna fiel a sua fonte original, mesmo quando ele soa piegas ou até mesmo um verdadeiro dejavu para aqueles que cresceram assistindo ao melhor e ao pior de novelas mexicanas. Tanto Margot Robbie como Jacob Elordi se entregam em atuações que não se prendem à sua fonte original, porém, me passando a sensação um tanto que artificial e que ganha  melhores contornos no decorrer da projeção. Se as atuações nos soam parciais, isso é contornado pela direção de Emerald Fennell, mesmo quando ela pisa no acelerador de forma anormal.

É um filme de época, mas com uma linguagem pop contemporânea, com direito até mesmo de músicas que não se casam muito bem com a trama. Isso me lembrou do longa "Maria Antonieta" (2006), de Sofia Coppola, mas que já na época soava estranho, mas sobrevivendo no decorrer do teste do tempo. Ainda é cedo para afirmar se essa visão autoral irá sobreviver no decorrer dos anos, mas não deixa de ser uma jogada curiosa para dizer o mínimo.

Visualmente o filme  é um verdadeiro colírio para os olhos, mesmo quando a edição de arte mais parece como uma produção que foi criada diretamente streaming. Se por um lado isso falha, ao menos a fotografia se casa com perfeição com o lado colorido de um figurino exótico e quase todos sendo protagonizados pela Margot Robbie em doses cavalares e que chegam a beirar para o lado inverossímil diga-se de passagem. A edição de cenas, por sua vez, é quase frenética, mas se tornando uma mera desculpa para ver a protagonista usar um figurino diferente a cada segundo de projeção e que com certeza irá irritar os olhos de alguns.

Porém, o que mais irá dividir a opinião do público com relação a essa adaptação será essa pregação pelo lado masoquista de uma história de amor que sempre foi vista de uma forma mais inocente. Ao meu ver  Emerald Fennell quis pegar carona dessa geração que leu o sucesso "Cinquenta Tons de Cinza", mas cuja a maioria amadureceu e que hoje vê esse tipo de relação como politicamente incorreta. O lado sugestivo se torna obsessivo, ao fazer com que a tragédia amorosa não aconteça pela diferença de classes, mas por um amor carnal quase irracional em algumas passagens.

Emerald Fennell, portanto, acerta em dar novos rumos a sua adaptação, mas falha ao mirar em um público que hoje está sempre em transformação constante com relação ao sexo e que nem todos hoje em dia enxergam como uma peça primordial em um relacionamento. Só o tempo dirá se a mudança de rumo foi válida, ou se ela foi mal calculada. Por enquanto, a sensação que eu tenho é divisória e que somente irá mudar em uma eventual segunda análise quando for assistir novamente a obra.

"O Morro dos Ventos Uivantes" é a mais nova adaptação do clássico literário que mira um determinado público alvo, mas cujo seu teor irá dividir a opinião de muitos e principalmente por não conseguir um nivelamento exato.



      Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok