Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Neste sábado (24/10), às 10h15 da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne no auditório do Instituto Goethe para assistir ao clássico do cinema mudo "A Caixa de Pandora".
Dirigido por Georg Wilhelm Pabst e protagonizado por Louise Brooks, o filme acompanha a trajetória de Lulu, uma mulher cuja liberdade e capacidade de despertar desejo nos que a cercam acabam desencadeando uma sequência de conflitos e tragédias. A atuação de Brooks, marcada pela combinação de espontaneidade, sensualidade e ambiguidade, combina-se com um narrativa que se distingue pela representação de uma personagem feminina que foge aos padrões sociais de sua época, razões pelas quais o filme é hoje considerado uma das obras fundamentais do cinema mudo alemão.
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 24/10, às 10h15 da manhã
📍 Local: Instituto Goethe – Rua 24 de Outubro, 112 – Moinhos de Vento, Porto Alegre
🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade
A Caixa de Pandora (Die Büchse der Pandora)
Alemanha, 1929, 133min
Direção: Georg Wilhelm Pabst
Roteiro: Ladislaus Vajda
Elenco: Louise Brooks, Fritz Kortner, Francis Lederer, Carl Goetz, Krafft-Raschig, Alice Roberts, Daisy D’ora, Gustav Diessl, Michael von Newlinsky, Sigfried Arno
Sinopse: Lulu, uma jovem sedutora e independente, mantém relações com homens de diferentes posições sociais. Quando seu amante, o influente editor Ludwig Schön, decide se casar com outra mulher, uma série de acontecimentos leva os dois a uma situação trágica. A partir daí, Lulu enfrenta as consequências de suas escolhas e da atração que exerce sobre aqueles que a cercam.
Sobre o Filme: Muitos consideram o expressionismo alemão, como a semente que deu a origem a diversos gêneros, desde ficção, terror e filmes noir. Esse ultimo, aliás, é um gênero que ficou marcado por suas lindas, e fatais mulheres, sendo que uma das grandes precursoras desses maus caminhos é Louise Brooks.
Dona de uma incrível beleza, e um corte de cabelo inconfundível, Brooks viveria neste filme, um papel que muitos dizem que não era muito diferente de sua vida pessoal que era em volta de muitos homens. Se for verdade ou não, isso pouco importa, sendo que ao fazer a personagem Lulu, uma mulher que domina, e conquista os homens com um olhar, e um sorriso, foi o suficiente para ficar no imaginário de qualquer cinéfilo que se preze.
Como só isso não bastava, o cineasta Georg Wilhelm Pabst, cria um universo na trama, em que os personagens se vêem envolvidos em volta da protagonista, seja para lhe conquistar ou para se beneficiar de acordo com a situação em que ela está envolvida. Curiosamente, não foram somente os homens, que se viam envolta dela, sendo que a condessa Anna Geschwitz é considerada por muitos historiadores como sendo a 1ª personagem lésbica do cinema, mesmo no contra gosto da atriz Alice Roberts que fez a personagem.
Com um final que deixa os personagens a mercê dos resultados dos seus próprios erros, "A Caixa de Pandora" é uma verdadeira aula de sugestão e gestos dos personagens, em que basta um olhar para se dizer tudo o que o eles pensam e o que irão fazer.
Sinopse: “Cara-De-Barro” acompanha a aterradora descida de um homem — de estrela em ascensão em Hollywood a um monstro movido por vingança — em uma história que explora a perda da identidade e da humanidade, o amor corrosivo e o lado obscuro da ambição científica.
O OUTRO LADO DAS REDES
Sinopse: Frances Haugen é uma engenheira do Facebook que se une ao repórter Jeff Horwitz. Juntos, eles enfrentam uma trajetória de riscos para revelar ao mundo os segredos mais bem guardados do gigante da tecnologia.
SACRIFÍCIO
Sinopse: Em Sacrifice, um evento beneficente repleto de celebridades é ofuscado quando um grupo de ambientalistas radicais invade o local, liderado por Joan (Taylor Joy), um sequestro é realizado.
ZONA ZERO
Sinopse: Um vírus implacável. A história começa em uma Conferência de Biotecnologia onde tudo parece estar sob controle. De repente, um vírus que sofre mutações rápidas é liberado e o local é isolado. A contaminação se espalha. Os infectados não apenas atacam: eles evoluem de maneiras imprevisíveis. Nesse confinamento, um grupo de sobreviventes precisa lutar pela vida enquanto cada minuto reescreve as regras do jogo.
WILLOW E A FLORESTA ENCANTADA
Sinopse: Willow se muda com seu pai para uma grande floresta que herdou de sua tia-avó, Alwina. O que ela não esperava é que a floresta é encantada, corre perigo de desmatamento e Willow precisa encontrar outras três meninas com dons mágicos para salva-la.
SE EU FOSSE VOCÊ 3
Sinopse: Duas décadas depois da última troca de corpos, Cláudio e Helena vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia, agora adulta e casada. Tudo parece em equilíbrio até que uma situação inesperada abala a dinâmica da família e coloca as relações à prova.
A cinesemana de 22 a 28 de outubro reúne quatro estreias na nossa programação. Uma delas é a comédia erótica I WANT YOUR SEX, novo trabalho do diretor Gregg Araki e protagonizado pela atriz Olivia Wilde; outro destaque é MEU VERÃO NA SICILIA, primeiro longa da diretora italiana Margherita Spampinato. Também apresentamos duas novidades brasileiras: a animação PAPAYA, que competiu no Festival de Berlim; e o documentário MESTRE ZU, em homenagem ao jornalista Zuenir Ventura.
Seguem na programação os sucessos de público NAZA, que traz relatos importantes sobre as vítimas das operações militares de Israel em Gaza; RAN, de Akira Kurosawa, que voltou aos cinemas em cópia restaurada; e ROSEBUCH PRUNNING, novo longa do diretor cearense Karin Ainouz. Em última semana, o público ainda pode conferir VIRTUOSAS, uma saga que mistura terror e crítica social; o documentário gaúcho QUANDO A GENTE MENINA CRESCE, rodado em Santa Maria; e MUITO PRAZER, comédia dirigida por Jorge Furtado.
Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.
Sinopse: Após a morte abrupta e inesperada de seu pai, a jovem tímida e isolada Carrie White (Summer H. Howell) é arremessada no implacável ecossistema de um colégio público.
Mike Flanagan é um nome para prestarmos atenção quando o assunto é cinema de terror. O realizador obteve um grande feito ao dirigir "Ouija: Origem do Mal" (2016) e, posteriormente, ganhou muito prestígio em séries de TV como "A Maldição da Residência Hill" (2018), "A Maldição da Mansão Bly" (2020) e "Missa da Meia-Noite" (2021). Porém, o cineasta pegou gosto mesmo ao visitar o universo literário de Stephen King.
Em "Doutor Sono"(2019), por exemplo, ele teve a proeza de revisitar o cenário imortalizado por Stanley Kubrick no clássico "O Iluminado"(1980) — mesmo dividindo a opinião do público e da crítica. Foi em "A Vida de Chuck" (2024), contudo, que talvez o realizador tenha captado melhor a essência do escritor. Eis que chegamos ao seu trabalho mais ousado: "Carrie, a Estranha" (2026), que revisita o clássico literário adaptado originalmente por Brian De Palma, mas com uma nova vestimenta capaz de agradar às novas plateias.
A minissérie se passa nos dias atuais e explora a vida de Carrie White (Summer H. Howell), uma adolescente criada por uma mãe extremamente religiosa. Após crescer isolada, ela precisa encarar os desafios da vida escolar quando uma tragédia familiar muda completamente sua rotina. Ao chegar ao colégio, encontra um ambiente marcado pelo bullying e começa a descobrir seus próprios poderes telecinéticos.
"Carrie, a Estranha" (1976) foi um dos primeiros grandes sucessos do diretor Brian De Palma e a primeira grande adaptação da obra de Stephen King para o cinema. De lá para cá, surgiram outras reimaginações do conto, mas sem obter o mesmo êxito. Portanto, a ideia de levar essa história novamente à TV parecia um tanto arriscada. Contudo, Mike Flanagan demonstrava ter plena consciência do que estava fazendo.
Ao atualizar o conto para a contemporaneidade, o cineasta acerta em cheio ao tocar em pontos delicados sobre o bullying escolar amplificado pelas redes sociais — dinâmica capaz de desestruturar vidas inteiras. Carrie é o "estranho no ninho" em meio a uma realidade na qual as jovens lutam por status e pelo desejo de ser a rainha do baile. Ao surgir nessa engrenagem aparentemente perfeita, torna-se o principal alvo de gozação, impulsionada principalmente por Chris (Alison Thornton). Esta última é a síntese de uma juventude nutrida pelo desejo de grandeza, que enxerga a protagonista como uma ameaça a ser destruída.
Summer H. Howell teve a missão ingrata de interpretar uma personagem imortalizada por Sissy Spacek nos anos setenta. Aqui, porém, ela constrói a figura à sua maneira: esta Carrie demonstra bem mais iniciativa para conhecer o mundo, enfrentando desde cedo as regras conservadoras de sua mãe. Já Samantha Sloyan se sobressai ao interpretar uma mulher rígida por conta de sua religiosidade, mas que não deixa de ter certa razão ao criticar um mundo cada vez mais desprovido de velhas tradições e preso a um sistema de regras alienantes.
As passagens do conto já tão conhecidas pelo público são entrecortadas por subtramas que se conectam com a história principal — mesmo quando nos passa a sensação de que, sem elas, a obra não perderia tanto. Logicamente, o ápice se concentra na festa do baile, construída através de elementos e personagens cujos caminhos culminam em um evento trágico. Há, porém, certas mudanças estruturais que irão dividir opiniões.
O que talvez me deixe com um pé atrás em relação ao resultado final da série é a alteração no destino de certos personagens, além da inserção de uma figura enigmática inexistente no livro. Tudo soa como uma fórmula para atrair o público que apreciou "Stranger Things" — uma repetição de padrão um tanto pretensiosa por parte dos realizadores —, culminando em um gancho para uma eventual segunda temporada. Resta saber se saberão conduzir uma trama inédita que dê continuidade à obra de Stephen King sem a autoria do próprio escritor.
No fim, a série "Carrie, a Estranha" é uma grata surpresa para os fãs do clássico literário, mesmo quando opta por liberdades poéticas que podem dividir o público.
Mel Brooks, cinema dinamarquês e animação brasileira na programação semanal da Cinemateca Capitólio
A programação da Cinemateca Capitólio desta semana, de 22 a 28 de outubro de 2026, reúne a comédia de Mel Brooks, uma sessão do Cineclube Academia das Musas dedicada à cineasta dinamarquesa Annelise Meineche com o quente Nua em Pelo e a estreia da animação brasileira Papaya, de Priscilla Kellen.
Na quinta-feira, 22 de outubro, começa uma pequena mostra intitulada Mel Brooks é 100!, que celebra o centenário do cineasta norte-americano com quatro longas-metragens realizados entre 1970 e 1977. A programação abre às 17h com Alta Ansiedade (1977), paródia dos thrillers hitchcockianos, e reúne ainda Banzé na Rússia (1970), uma comédia de perseguição baseada no romance satírico As Doze Cadeiras, ambientado na União Soviética dos anos 1920; Banzé no Oeste (1974), que subverte convenções do faroeste e aborda o racismo; e O Jovem Frankenstein (1974), homenagem aos clássicos do cinema de terror dos anos 1930. A mostra segue até 28 de outubro, com entrada franca em todas as sessões.
Na sexta-feira, 23 de outubro, às 19h, o Cineclube Academia das Musas apresenta Nua em Pelo (Uden en traevl, 1968), da diretora dinamarquesa Annelise Meineche. O filme acompanha a jovem estudante Lilian que, após relatar ao médico sua dificuldade em atingir o orgasmo, passa a registrar seus encontros sexuais em um diário, envolvendo-se em uma sequência crescente de experiências. Realizada em um período de transformações nos debates sobre sexualidade e liberdade de expressão na Dinamarca, a obra integra a breve trajetória de Meineche, que dirigiu sete longas-metragens em cinco anos. A diretora foi uma das precursoras na realização de comédias eróticas em parceria com a produtora Palladium, seu primeiro trabalho Sytten (1965) abriu caminho para outras produções do gênero devido ao grande sucesso comercial. A sessão gratuita será apresentada por Thainá Maria, integrante do cineclube e historiadora da arte.
Também entra em cartaz Papaya (2025), animação brasileira dirigida por Priscilla Kellen. Com 74 minutos de duração e classificação livre, o filme acompanha uma pequena semente de mamão que sonha em voar e precisa continuar em movimento para não criar raízes. Ao longo de sua jornada, ela descobre a força das conexões que a ligam à vida ao redor e transforma o ambiente de maneira inesperada. Uma opção para o público de todas as idades, o longa tem sessões com ingressos a R$16,00 (inteira) e R$8,00 (meia).
Na quarta-feira (28), a programação conta duas sessões gratuitas em celebração ao Dia Internacional da Animação: às 19h, curtas-metragens nacionais; e às 20h, curtas-metragens internacionais. Mais informações em breve.
Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicandoaqui.
CineBancários tem duas estreias e a continuação de ROSEBUSH PRUNING a partir de 22 de outubro
MESTRE ZU, que celebra a trajetória do grande Zuenir Ventura, estreia junto de OVERMAN, comédia satírica baseada na obra da cartunista Laerte Coutinho
A primeira estreia de 22 de outubro no CineBancários é o documentário MESTRE ZU, que celebra a trajetória pessoal, política e literária de Zuenir Ventura, e entra em cartaz às 19h. Com direção de Zelito Viana e codireção de Luciana Savaget, o documentário “Mestre Zu” revisita a trajetória do jornalista, escritor, professor e membro da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura. Um dos pilares do moderno jornalismo brasileiro, ele é apelidado carinhosamente de Mestre Zu pela postura com que sempre tratou tanto os mais jovens quanto os companheiros de sua geração.
Com carisma e senso crítico afiado, Zuenir conduziu as mais importantes redações do país, como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, além das revistas O Cruzeiro, Veja, Época e IstoÉ. Em mais de 60 anos de carreira, nunca perdeu o seu DNA de excelente repórter. A produção recupera a juventude humilde de Zuenir em Nova Friburgo (RJ), onde trabalhou como pintor de paredes, boy de banco e caixeiro de loja para custear os estudos. A narrativa ressalta o papel determinante de sua mãe, que lavava batinas para garantir a sua bolsa em um colégio salesiano.
Após mudar-se para o Rio de Janeiro para cursar Letras Neolatinas, ingressou no jornalismo e iniciou uma carreira marcada por coberturas decisivas. Entre elas, destacam-se a sua atuação como intérprete de João Goulart em Paris e a sua prisão durante a ditadura militar após o AI-5, quando dividiu cela com Hélio Pellegrino.
O filme reflete a sua capacidade de unir o rigor da apuração com a sensibilidade da literatura em grandes reportagens e livros fundamentais, como “1968 – O Ano Que Não Terminou”, “Chico Mendes”, “Cidade Partida” e “Inveja – Mão Secreta”.
O documentário é construído também por relatos de familiares, amigos e companheiros de redação, entre os quais Ancelmo Gois, Caca Diegues, Fernando Gabeira, Míriam Leitão, Nelson Motta, Paulinho da Viola, Regina Zappa e Silvana Gontijo. Zuenir Ventura faleceu aos 95 anos, em 22 de setembro de 2026.
Já a comédia satírica OVERMAN, que estreia na sessão das 15h, é baseada na obra de Laerte Coutinho. A direção de Tomás Portella coloca em cena o personagem desempregado, endividado e em plena crise existencial. Baseado na obra da cartunista Laerte Coutinho, o filme traz Caco Ciocler na pele do protagonista, um super-herói brasileiro beberrão, dono de uma coleção de boletos atrasados e com hábitos excessivos em jogos e sexo.
O longa subverte o gênero dos super-heróis para acompanhar um homem com poderes extraordinários e uma vida absolutamente ordinária. Na trama, Overman está quebrado, de ressaca, endividado e enfrentando uma crise existencial. A situação começa a mudar quando ele recebe uma proposta irrecusável do Governador (Otavio Muller) para assumir um cargo na Secretaria de Segurança Pública.
Finalmente, uma oportunidade de usar seus superpoderes em benefício da população. Ou, pelo menos, de ter um cartão corporativo para gastar nas suas farras. No novo emprego, ele passa a trabalhar com Pâmela, a Mulher Cachorro (Karina Ramil), uma heroína recém-contratada que rapidamente demonstra ser mais competente, mais preparada e mais admirada do que ele. Uma péssima notícia para alguém tão inseguro quanto nosso herói. Ele então terá que lidar com sua crise de autoestima e com sua masculinidade tóxica ao mesmo tempo em que um antigo arqui-inimigo, que julgava ter derrotado, parece estar de volta.
Criado pela quadrinista Laerte Coutinho em 1998, Overman ficou popularmente conhecido pelas tirinhas publicadas no jornal Folha de São Paulo. A artista paulistana considera que Overman não conhece os próprios limites, por isso ele é “over”. Satirizando o universo dos super-heróis, Laerte constrói comicamente um personagem egocêntrico e vaidoso, que se esconde por trás de uma fantasia e uma máscara, itens que ele nunca tira.
HORÁRIOS DE 22 A 28 DE OUTUBRO (não há sessões nas segundas):
15h: OVERMAN
17h: ROSEBUSH PRUNING
19h: MESTRE ZU
PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 22 A 28 DE OUTUBRO
ESTREIAS:
MESTRE ZU
Brasil/Documentário/2026/105 min/12 anos
Direção:
Sinopse: O filme revisita a trajetória do jornalista, escritor, professor e membro da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura. Zuenir é um dos pilares do moderno jornalismo brasileiro, apelidado carinhosamente de Mestre Zu, em função da postura com que sempre tratou tanto os mais jovens quanto os companheiros de sua geração. Com carisma e senso crítico afiado, o jornalista conduziu as mais importantes redações do país, como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo; e as revistas O Cruzeiro, Veja, Época e Isto É. Em mais de 60 anos, Zuenir nunca perdeu o seu DNA de excelente repórter.
Entrevistado Principal: Zuenir Ventura
Outros Entrevistados: Alfredo Ribeiro, Ana Maria Machado, Ancelmo Gois, Andrea Pachá, Armando Strozemberg, Arthur Dapieve, Arthur Xexéo, Antônio Ventura, Caca Diegues, Caio Fabio, Cid Moreira, Chico Mendes, Cleonice Bernardinelli, DJ Marlboro, Elisa Ventura, Felipe Quintino, Fernando Gabeira, Flavio Pinheiro, Genésio Ferreira da Silva, Gerson Camarotti, Guguta Brandão, Heloisa Teixeira, Janete de Melo Gois, Joaquim Ferreira dos Santos, Jô Soares, Luís Fernando Veríssimo, Lula Vieira, Mauro Ventura, Mere Ventura, Míriam Leitão, Nelson Motta, Paulinho da Viola, Pedro Bial, Regina Zappa, Rubem Cesar Fernandes, Sergio Chapelin, Silvana Gontijo, Tina Correia, Walter Carvalho, Vera Vidal, William Bonner, Zelito Viana.
OVERMAN
Direção: Tomás Portella
Brasil/Comédia/2026/82 min/16 anos
Sinopse: Overman, personagem criado pela cartunista Laerte Coutinho, é um super-herói brasileiro enfrentando problemas mais brasileiros ainda: desempregado, endividado, vive escondido em uma pensão de terceira categoria, afundado em excessos e em uma enorme crise existencial. Quando o Governador lhe oferece um emprego na Secretaria de Segurança Pública, Overman enxerga a oportunidade de recuperar o prestígio perdido, encontrar algum propósito na vida e voltar a ser reconhecido como herói. Ao lado de sua nova parceira, Pâmela, a mulher-cachorro, ele volta à ativa e precisa enfrentar antigos inimigos para impedir que a cidade mergulhe no caos. Mas, à medida que a ameaça cresce, Overman descobre que seu verdadeiro inimigo está muito mais perto do que imaginava e que, antes de salvar a cidade, talvez precise descobrir que tipo de herói está disposto a ser.
Sinopse: Sob o sol da Catalunha, uma rica família branca norte-americana vive em um isolamento hedonista, buscando amor e validação uns nos outros, em suas roupas de grife e na música pop. Quando Jack, o irmão mais velho, apresenta sua noiva Martha para a família, tensões há muito tempo reprimidas vêm à tona e os laços de sangue da matilha começam a se romper.
Ingressos
Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.
CineBancários
Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre
Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br
Sinopse: A trama acompanha os Taylor, uma rica, excêntrica e privilegiada família norte-americana que vive isolada em uma mansão hedonista sob o sol da Catalunha, na Espanha.
Karim Aïnouz é um cineasta que consegue realizar um belo casamento entre o conteúdo visual e as interpretações do elenco em cena. Além disso, é curioso observar como ele constrói obras nas quais nunca se sabe onde começa o real e onde termina a ficção — a exemplo do maravilhoso "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" (2009). Em seu segundo longa em língua estrangeira, "Rosebush Pruning" (2026), temos um retrato tragicômico da burguesia contemporânea, na qual uma engole a outra.
Na trama, acompanhamos essa família americana abastada, cuja dinâmica é marcada por segredos hediondos. Enquanto os irmãos Jack, Ed, Anna e Robert vivem à custa da fortuna familiar, o patriarca se aproveita dos herdeiros, cada vez mais enredados nesse sistema fragmentado. Apesar de o quinteto buscar amor e acolhimento nas relações fraternais, a convivência fica prestes a ruir quando Jack, o irmão mais velho, decide abandonar a todos para morar com a namorada, Martha.
Aïnouz demonstra uma visão autoral consolidada na realização de seus filmes, mas é interessante notar como ele busca interlocução com outros realizadores. Embora esteja distante das amarras formais do Dogma 95, a abertura do filme remete imediatamente aos melhores títulos daquele movimento — principalmente a "Festa em Família" (1998), de Thomas Vinterberg. É uma sequência de abertura que sintetiza com precisão o conteúdo grotesco que testemunhamos a seguir.
A família central se reduz a desejos reprimidos, extravasados esporadicamente apenas para que sintam que estão vivos em uma realidade, por vezes, vazia — para dizer o mínimo. Vale destacar a figura da mãe, dada como morta, cujo local do suposto falecimento é dominado por lobos famintos. A alcateia torna-se uma metáfora da própria família: faminta para devorar a si mesma.
Karim Aïnouz não nos poupa de situações incestuosas, pulsões reprimidas e da busca incessante por um lugar ao sol fora desse cenário esquizofrênico. Jack (Jamie Bell) talvez seja o único em busca de redenção, mesmo quando sua relação com Martha (Elle Fanning) nos coloca em dúvida quanto às reais intenções de ambas as partes. Além disso, é Jack quem esconde o fato de que a mãe está viva, introduzindo-nos a outros desdobramentos grotescos da história.
Por incrível que pareça, Pamela Anderson nos brinda com uma das melhores atuações de sua carreira. No papel da mãe que finge a própria morte, a atriz aproveita para expor seus demônios. Em sua composição, ela explicita o sarcasmo diante do sistema de aparências do mundo — um mundo que, por trás das cortinas, revela-se fraturado e sem remédio. O tempo fez bem à atriz, que finalmente deixa para trás um passado moldado por polêmicas e se entrega a papéis que traduzem melhor sua maturidade dramática.
Tecnicamente quase impecável, Aïnouz constrói uma edição dinâmica, por vezes dialogando com a estética do videoclipe, enquanto a narração em off nos guia pela lógica das cenas. Curiosamente, certas situações se repetem ao longo do longa, como se nos dissessem que determinados traumas retornam ciclicamente para que possamos refletir sobre eles. A figura dos lobos, por exemplo, não sintetiza apenas a podridão daquela família, mas simboliza o próprio colapso dos ditos "bons costumes".
O desfecho do filme me fez recordar a emblemática frase do Coringa em "O Cavaleiro das Trevas" (2008): "Essas pessoas civilizadas vão comer umas às outras". Em tempos de profunda alienação e busca desmedida pelo poder, em que o lado civilizado é jogado para escanteio, o cinema de Karim Aïnouz revela que tudo tem um preço quando a civilidade deixa de ser escolha e passa a ser mera maquiagem para o olhar externo. Ao final da sessão, fica a nítida sensação de que é bem mais seguro se misturar a uma alcateia na floresta.
"Rosebush Pruning" é uma comédia ácida e sombria que desmascara a hipocrisia de uma elite na qual os laços de sangue não impedem que tudo se transforme em uma grande piada à beira do abismo.