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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Obsessão'

Sinopse: Jovem tímido é apaixonado por Nikki, sua melhor amiga e colega de trabalho. Ao usar um artefato chamado "Salgueiro dos Desejos", ele pede que ela o ame incondicionalmente. O desejo se realiza, mas a situação sai completamente do controle.

É interessante observar que alguns dos melhores filmes de terror lançados nos últimos anos foram realizados por diretores vindos da comédia. Jordan Peele se consagrou na direção a partir de "Corra!" (2017), assim como John Krasinski ao realizar "Um Lugar Silencioso" (2018). Porém, há também uma nova leva de realizadores de curtas-metragens no YouTube que tem chamado atenção pela criatividade.

Os irmãos Michael e Danny Philippou saíram desses canais para obter o estrelato na direção, criando filmes de horror surpreendentes como "Fale Comigo" (2023) e, mais recentemente, "Faça Ela Voltar" (2025). Curiosamente, são cineastas que também exploravam o humor, mas obtiveram consagração ao usar a inventividade e orçamentos curtos para elaborar histórias de horror. Seguindo o mesmo caminho, temos Curry Barker estreando com o seu Obsessão (2026), longa de orçamento apertado, mas que não deve nada a outros grandes títulos do gênero.

Na trama, Bear é um romântico que trabalha em uma loja de discos e instrumentos musicais. Um dia, ele decide comprar um objeto sobrenatural conhecido como "One Wish Willow". O artefato concede um desejo ao seu portador, e Bear pede para ganhar o coração de sua amiga de infância, Nikki. O rapaz recebe exatamente o que pediu; porém, a situação foge do controle quando Nikki passa a demonstrar sinais de uma obsessão extrema pelo relacionamento.

Recentemente, foi anunciado que Curry Barker assumiria a direção de uma nova versão do clássico "O Massacre da Serra Elétrica" (1974), logo após Obsessão obter elogios da crítica nos festivais por onde passou. Embora este seja o seu primeiro grande sucesso, é preciso reconhecer que o jovem diretor faz um trabalho primoroso em termos de suspense e horror psicológico. O filme transita por elementos sobrenaturais, mas confere um peso maior a uma realidade verossímil, mesmo diante dos absurdos que acontecem no decorrer da história. O grande destaque, contudo, é a sua decupagem e forma de filmar.

Desde o primeiro ao último plano, o realizador cria enquadramentos que prendem a nossa atenção, principalmente por sempre inserir algo ao fundo do cenário, sugerindo que há algo a mais acontecendo em cena. Não há como negar que Barker utiliza os velhos ingredientes do sucesso do horror: desde aparições surpresas que provocam verdadeiros sustos até aqueles típicos vultos que identificamos em cantos escuros, tornando a atmosfera mórbida, para dizer o mínimo. É uma proeza do diretor fazer relembrar não somente franquias do universo de Invocação do Mal, como também longas que incomodam profundamente, como "Hereditário" (2018), cuja fotografia sombria eleva ainda mais esse sentimento de angústia.

Porém, assim como ocorre nas obras de seus colegas de profissão, é curioso constatar como o horror aqui transita facilmente para elementos de humor, proporcionando sentimentos múltiplos à medida que a trama avança. Por mais surreal que o enredo pareça, sua simplicidade é o que nos faz comprar a ideia, sobretudo pela identificação com os personagens no que diz respeito aos relacionamentos atuais. Em tempos de individualismo cada vez mais crescente na sociedade, a perspectiva de conviver com uma relação obsessiva acaba se tornando muito mais assustadora do que encarar qualquer monstro clássico escondido no armário.

É interessante notar, também, que a questão da obsessão não surge apenas a partir dos eventos sobrenaturais, mas já existia antes deles. O protagonista, Bear, transmite uma paixão quase doentia por Nikki, a ponto de não simpatizarmos com ele em um primeiro momento — afinal, no mundo real, já sabemos como esse comportamento funciona. Contudo, a partir do momento em que ele obtém o tão sonhado desejo, Nikki se torna justamente o reflexo amplificado desse sentimento que ele nutria, sintetizando o quanto ele estava errado ao cultivar essa fixação, que agora floresce nela de forma destrutiva.

Michael Johnston sai-se muito bem ao interpretar um protagonista que desperta tanto pena quanto distanciamento, já que o público não consegue abraçar a sua causa; a realização de seu desejo se transforma em um castigo que acaba afetando até mesmo as pessoas ao redor. Já a jovem Inde Navarrette consegue transitar facilmente entre a Nikki consciente de seus sentimentos e a versão possuída por um desejo incontrolável, transmitindo com precisão o fato de ser uma marionete de algo maior e fora de seu controle. Em muitos momentos, sua atuação remete a sucessos recentes como "Sorria"(2022) e até mesmo ao clássico "O Exorcista"(1973) em uma determinada cena mais mórbida.

Com orçamento curto e muita criatividade, o filme foge dos padrões convencionais do gênero e nos apresenta momentos surpreendentes. Por conta disso, é muito provável que parte do público se decepcione, já que se trata de uma história que tira o espectador de sua zona de conforto ao confrontá-lo não apenas com um mero filme sobrenatural, mas com dilemas contemporâneos sobre os relacionamentos reais. Não é todo dia que um filme de terror nos ensina que o pior horror não vem do que está atrás da porta, mas sim dos nossos sentimentos não correspondidos e do que eles podem despertar em nosso lado mais sombrio.

"Obsessão" é um filme de horror que consegue mexer com os nossos nervos ao saber alinhar o gênero fantástico ao lado mais complexo e obscuro do sentimento humano na atualidade.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 28/5 A 03/6

 "Eu não te ouço" e "Copan" são as estreias de 28 de maio no CineBancários

Estreia, em 28 de maio, "Eu não te ouço", de Caco Ciocler, junto de "Copan", premiado no festival É Tudo Verdade e dirigido por Carine Wallauer. A obra retrata a vida neste importante marco arquitetônico da capital paulista em meio às tensões políticas de duas eleições: a presidencial e a do síndico. A produção é da O PAR com distribuição da Vitrine Filmes. 

Concebido por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1966, no coração da Avenida Ipiranga, o Copan é o maior condomínio residencial da América Latina e funciona, no filme, como um microcosmo do Brasil contemporâneo. Mas, se o edifício se impõe como símbolo, são seus bastidores que interessam ao filme. Ao privilegiar o cotidiano dos cerca de 104 funcionários responsáveis por manter o edifício em funcionamento, o documentário desloca o olhar tradicionalmente voltado aos moradores e propõe outra chave de leitura: são essas rotinas, muitas vezes invisíveis, que sustentam e revelam a vida em comum no prédio.

"Copan" chega aos cinemas em um momento político próximo àquele registrado pelas câmeras ao longo dos anos de filmagem: um período em que, como o atual, um Brasil polarizado politicamente voltava às urnas para decidir quem comandaria o país nos anos seguintes. Uma rachadura que reverberava, como hoje, nos mais diversos níveis de relações sociais, inclusive dentro do próprio edifício, que também atravessava uma eleição acirrada para a escolha do síndico. Um reflexo que ainda se mostra muito atual diante da fragilidade democrática que se mantém no país.

Ao acompanhar o cotidiano do edifício, com seus 32 andares, 1.160 apartamentos e mais de 70 estabelecimentos comerciais, o documentário revela as tensões, negociações e formas de convivência que atravessam esse espaço coletivo. Mudanças recentes, como o avanço das locações de curta duração por plataformas como Airbnb, intensificam conflitos e ajudam a evidenciar transformações que representam e ultrapassam os limites do prédio, como a crise da moradia, a especulação imobiliária e a gentrificação no Centro de São Paulo.


"Eu não te ouço"

Com produção de Diane Maia, André Novis e Ciocler e distribuição da AMAIA Distribuidora, a obra relembra uma das cenas mais memoráveis das eleições presidenciais de 2022: ao tentar impedir que um caminhão atravesse um protesto de apoiadores de Jair Bolsonaro, um homem se prende à frente do veículo e acaba sendo arrastado por quilômetros.

A obra marca o encerramento da trilogia política de Ciocler. O artista, ao relembrar suas obras, diz que “foram três momentos bastante perturbadores, que eu me senti impelido a reagir artisticamente. O primeiro filme ('Partida') nasce no momento em que o Bolsonaro ganha as eleições; o segundo ('O Melhor Lugar do Mundo É Agora'), durante a pandemia; e o terceiro, EU NÃO TE OUÇO, no dia em que Bolsonaro perde as eleições para Lula e se recusa a aceitar o resultado das urnas”.

Márcio Vito, protagonista da obra, interpreta os personagens principais: o motorista do caminhão e o “patriota” pendurado no veículo. Usando o vidro do automóvel como uma barreira de diálogo entre os personagens, o filme retrata o cenário politizado que o Brasil não só vivia, como segue vivendo. O trabalho de Vito foi destaque no último Festival do Rio, recebendo o prêmio de Troféu Redentor de Melhor Ator na Mostra Novos Rumos. 


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 21 a 27 DE MAIO


ESTREIAS:


EU NÃO TE OUÇO

Brasil/Ficção/2025/ 72min

Direção: Caco Ciocler

Sinopse: Um encontro improvável entre dois brasileiros se transforma em um road movie inusitado. Uma viagem ficcionalizada a partir de um evento factual que se tornou meme e tomou as redes sociais brasileiras. Humor e tensão expõem um país marcado por desigualdades e estruturas educacionais frágeis, onde os personagens repetem ideologias que mal compreendem, revelando a impossibilidade do diálogo.

Elenco: Marcio Vito

COPAN

Brasil/Documentário/2025/90min.

Direção: Carine Wallauer

Sinopse: O edifício Copan é um microcosmo de tudo o que o Brasil representa: o bom, o mau e o feio. São 5 mil moradores e mais de cem funcionários que representam uma diversidade de personagens e pontos de vista que revelam contrastes e desigualdades estruturais do Brasil. Este retrato imersivo e íntimo do maior prédio residencial da América Latina lança luz sobre o cotidiano de um país marcado por uma democracia fragilizada.


EM CARTAZ:


DIAMANTES

Itália/ Drama/2024/126min

Direção: Ferzan Özpetek

Sinopse: Um diretor reúne suas atrizes favoritas para fazer um filme sobre mulheres. Aos poucos, sua imaginação as transporta para outra época, em um ateliê de figurinos onde o som das máquinas de costura domina o cotidiano e as mulheres ocupam o centro da criação. Entre rivalidades, cumplicidades, ausências e laços inquebráveis, realidade e ficção se misturam, revelando o cinema por um outro ponto de vista: o do figurino.

Elenco: Luisa Ranieri, Jasmine Trinca, Milena Mancini, Paola Minaccioni, Anna Ferzetti, Geppi Cucciari, Lunetta Savino



HORÁRIOS DE 28 DE MAIO A 03 DE JUNHO

(não há sessões nas segundas)


15h: DIAMANTES

17h30: COPAN

19h10: EU NÃO TE OUÇO


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

terça-feira, 26 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Perto do Sol é Mais Claro'

Sinopse: O longa acompanha o luto e as tentativas de recomeçar de Rêgi, um engenheiro carioca de 85 anos que, após a morte da esposa, tenta preservar sua autonomia escrevendo um livro e vivendo um novo amor.

Reginaldo Faria é um ator que se consagrou em clássicos como "Assalto ao Trem Pagador" (1962) e em "Pra Frente, Brasil" (1982). Porém, a minha memória mais antiga sobre ele é de tê-lo conhecido atuando em novelas como Vamp (1991). "Em Perto do Sol é Mais Claro" (2026), ele não somente nos brinda com um dos seus melhores trabalhos recentes, como também desperta o desejo de ir em busca dos seus outros feitos.

Dirigido pelo seu filho Régis Faria, o filme acompanha o luto e as tentativas de recomeçar de Rêgi (Reginaldo Faria), um engenheiro de 85 anos, após perder a esposa. Com o apoio dos filhos e a própria determinação para seguir em frente, Rêgi tenta escapar de sua rotina solitária escrevendo um livro e até se apaixonando por uma atriz. Na medida em que o tempo avança, o protagonista procura equilibrar a sua vida entre ganhos e perdas.

Fui assistir ao filme sem informação, o que aumentou ainda mais a minha experiência, pois, em um determinado momento, achei que não estava vendo o personagem em si, mas sim o próprio Reginaldo Faria sendo ele mesmo em cena. O que não deixa de ser, ao menos em parte, verdade, já que a ideia para a criação do longa surgiu no momento em que o ator e seus filhos ficaram mais próximos durante a pandemia, e o projeto começou a brotar a partir dessa fase sombria. O longa pode até ser uma ficção, mas traz uma parte essencial sobre a pessoa de Reginaldo Faria, como ele é perante um mundo atual sempre em metamorfose e na luta árdua para se manter firme diante da velhice.

No primeiro ato, vemos a apresentação gradual do personagem dentro de sua casa, desde o colocar em prática as rotinas básicas do seu dia a dia até ter que administrar os incômodos de um prédio que está sendo construído ao lado. Ao mesmo tempo, ele procura escrever um livro, e é nesse ponto que vemos o embate de um homem veterano com as novas tecnologias, que às vezes mais atrapalham do que ajudam. Curiosamente, o filme chega em uma fase em que o cinema tem abordado bastante essa temática, fazendo com que o espectador reflita sobre esse ponto específico.

Com uma belíssima fotografia em preto e branco, o filme pertence a Reginaldo Faria como um todo, pois a sua expressão e o modo como ele constrói a personalidade forte de um veterano perante a sua realidade sintetizam muito bem isso. A melancolia, por sua vez, é representada pela ausência de sua falecida esposa, assim como pela relação com os filhos, que são ocupados demais para compreender as reais necessidades de alguém que ainda tem muito a oferecer. Destaque para Marcelo Faria, filho do protagonista na vida real, que busca compreender o pai, mas não esconde no olhar a consciência de que será alguém como ele um dia.

Curiosamente, da melancolia do primeiro ato para o segundo em diante, o longa obtém pinceladas mais otimistas na medida em que o protagonista se mantém firme no que acredita. Isso se fortifica ainda mais quando ele começa a namorar uma atriz de teatro, interpretada por Vanessa Gerbelli, cuja interpretação, assim como a do protagonista, parece carregar uma parte de si mesma. Além disso, a sua personagem é a representação de uma geração de artistas que procuram manter os seus sonhos, mas que caem na tentação das novas tecnologias para obter reconhecimento.

É a partir dessa relação que o filme nos diz que o reconhecimento talvez não venha através de curtidas para obter a tão desejada fama instantânea, mas sim através de um trabalho árduo e de histórias que podem servir de exemplo para as gerações futuras. O ato final pode até ser esperançoso demais, mas, como o restante do filme já havia nos conquistado, esse mero detalhe acaba passando despercebido. Nunca é tarde demais para um veterano de longa data nos transmitir um belo exemplo.

"Perto do Sol é Mais Claro" transita com muita sensibilidade entre o melancólico e o lado revigorante de alguém que ainda tem muito a oferecer.

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Cine Dica: Programação Cinemateca Capitólio - 28 de maio a 3 de junho

 Cinemateca Capitólio realiza mostra em homenagem aos 100 anos de Marilyn Monroe

A partir de quinta-feira, 28 de maio, a Cinemateca Capitólio dá início a uma programação especial que destaca a carreira de um ícone do cinema do século XX, a atriz Marilyn Monroe (1926-2026), em comemoração ao seu centenário de nascimento, celebrado em 1º de junho próximo. Até o dia 10 de junho, a Capitólio irá exibir uma seleção de sete filmes que ilustram os principais momentos da rápida – Marilyn morreu em 1962, com apenas 36 anos de idade – mas fulgurante trajetória da atriz, de Torrentes de Paixão (1953), de Henry Hathaway, seu primeiro grande sucesso nas telas, a seu último filme, o melancólico Os Desajustados (1961), de John Huston, em que trabalhou ao lado de Clark Gable e Montgomery Clift. Completam a programação Os Homens Preferem as Louras (1953), Como Agarrar um Milionário (1953), O Rio das Almas Perdidas (1954), O Pecado Mora ao Lado (1955) e Nunca Fui Santa (1956), títulos que consolidaram a figura de Marilyn Monroe como maior símbolo sexual da história do cinema. Toda a programação tem entrada franca.

Ainda no dia 28 de maio, às 15h30, acontece a última sessão de O Riso e a Faca, do diretor português Pedro Pinho, eleito pela revista francesa Cahiers du Cinèma um dos 10 melhores filmes de 2025. Atendendo a pedidos, o público terá uma nova oportunidade de assistir a dois títulos da pequena mostra dedicada a Diana Ross, com sessões extra de O Mágico Inesquecível (na sexta-feira, dia 29, às 21h) e O Ocaso de uma Estrela (no sábado, 30 de maio, às 19h).

Na sexta-feira, 29, às 19h30, acontece também mais uma edição do projeto Raros, com Jovem e Saudável como uma Rosa, produção de 1971 que ganhou fama como uma versão iugoslava de Acossado de Godard.


Programação 28 de maio a 3 de junho de 2026


28 de maio (quinta-feira)

15:30 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos

19:00 – Abertura Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Pecado Mora ao Lado (entrada franca) – 105 minutos


29 de maio (sexta-feira)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Rio das Almas Perdidas (entrada franca) – 91 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Os Desajustados (entrada franca) – 125 minutos

19:30 – Projeto Raros: Jovem e Saudável como uma Rosa (entrada franca) – 76 minutos

21:00 – Mostra Diana Ross no Cinema: O Mágico Inesquecível (entrada franca) – 134 minutos


30 de maio (sábado)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Torrentes de Paixão (entrada franca) – 92 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Os Homens Preferem as Louras (entrada franca) – 91 minutos

19:00 – Mostra Diana Ross no Cinema: O Ocaso de uma Estrela (entrada franca) –154 minutos


31 de maio (domingo)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Pecado Mora ao Lado (entrada franca) – 105 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Nunca Fui Santa (entrada franca) – 96 minutos

19:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Como Agarrar um Milionário (entrada franca) – 95 minutos


2 de junho (terça-feira)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Como Agarrar um Milionário (entrada franca) – 95 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Torrentes de Paixão (entrada franca) – 92 minutos

19:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Os Homens Preferem as Louras (entrada franca) – 91 minutos


3 de junho (quarta-feira)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Nunca Fui Santa (entrada franca) – 96 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Pecado Mora ao Lado (entrada franca) – 105 minutos

19:00 – Lançamento Encruzilhadas, com sessão de autógrafos do livro sobre o espetáculo (entrada franca)

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Especial: Clube de Cinema - 'Circusboy'

 ​Nota: Filme exibido para os associados no dia 23/05/26.

Sinopse: O filme acompanha Santino, um garoto de circo que viaja pelo país com sua família e seus animais. Para ele, o lar está aqui hoje e lá amanhã.

​Por ter nascido no início dos anos oitenta, cheguei a conhecer os circos dos velhos tempos, época em que o picadeiro nos brindava com verdadeiros espetáculos. Posteriormente, conheci o clássico "O Maior Espetáculo da Terra" (1952), no qual as andanças de um grupo circense através dos EUA eram retratadas como uma grande aventura. Hoje, o circo já não é mais o mesmo de seus tempos dourados.

​Com o advento de novas tecnologias e o fácil acesso a outros meios de entretenimento, o circo atual sobrevive apenas através da paixão daqueles que não sabem viver de outra forma a não ser manter o espetáculo vivo, mesmo com poucos recursos. O filme brasileiro "O Grande Circo Místico" (2018) sintetiza bem essa realidade ao retratar uma família que, de geração em geração, insiste em manter a lona erguida mesmo quando se encontra à beira da falência. É aí que chegamos ao ponto central de "Circusboy" (2025), um documentário alemão sobre a cruzada de uma família circense através das décadas, testemunhada pelo olhar de uma criança sonhadora.

​Dirigido por Julia Lemke e Anna Koch, o documentário foca em Santino, um menino que cresce em um circo itinerante, onde o lar é a sua família, e não um lugar geográfico. Seu bisavô Ehe, um lendário diretor de circo alemão, compartilha histórias de sua carreira, incutindo em Santino o amor pela vida nômade. Em seu aniversário de 11 anos, Ehe o desafia a descobrir seu próprio talento e a contribuir ativamente para a comunidade.

​Assistir ao documentário não apenas me fez relembrar a minha infância, como também trouxe à memória os filmes citados acima. No longa, não vemos as cineastas interagindo com as figuras centrais da obra; elas optam por registrar o dia a dia de forma observacional, conduzidas pela perspectiva do pequeno Santino. Os minutos iniciais são uma representação genuína dessa escolha estética, já que a câmera o acompanha de perto, tornando-se uma extensão do nosso próprio olhar sobre o que virá a seguir.

​Santino procura sempre ser prestativo nas tarefas diárias para erguer a lona e começar o espetáculo. Ao mesmo tempo, o documentário revela o peso desse nomadismo precoce, já que a rotina itinerante faz com que o jovem mude de escola inúmeras vezes. Curiosamente, nada abala o garoto, que se encontra totalmente encantado pelo universo criado por sua família.

​Esse encanto é fortalecido pelo bisavô, que comanda o circo desde a juventude e mantém a tradição viva através das décadas. É nessa relação, por exemplo, que o documentário revela seu real charme: o uso de desenhos tradicionais como uma espécie de reconstituição do passado da família. Essa jornada entre altos e baixos nos encanta pela criatividade, sendo impossível não se emocionar com a trajetória de um determinado elefante que se tornou figura fundamental para aquela comunidade circense.

​Acima de tudo, "Circusboy" não é apenas um documentário sobre a resistência da arte circense em pleno século XXI, mas também sobre a jornada de um jovem em busca de seu lugar no picadeiro. Um longa que reforça a importância de mantermos nossos sonhos intactos, mesmo quando as adversidades surgem com o tempo. O show precisa continuar, mesmo quando o mundo diz o contrário.

​"Circusboy" é uma sensível declaração de amor para aqueles que guardam boas lembranças da era de ouro do circo e para os que, ainda hoje, lutam para manter esse espetáculo vivo.

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Cine Dica: CINEMA ESTRUTURAL: UMA BATALHA CONTRA A ILUSÃO

De Frederico Franco

* Datas: 06 e 07 / Junho (sábado e domingo)

* Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)

* Horário: 14h30 às 17h30


Apresentação

Em 1969, o historiador do cinema P. Adams Sitney publica na revista Film Culture Reader o texto Structural Film. Nesse curto artigo, o autor propõe uma nova nomenclatura para uma específica produção de cinema experimental norte-americano: Filmes Estruturais. A categoria de Sitney diz respeito a obras que priorizam a forma em detrimento do conteúdo através de uma objetividade da linguagem. Planos simples, movimentos de câmera, cópias em loop e o efeito de flicker são utilizados com o objetivo de revelar as particularidades materiais da película, ou, como descrito no ensaio, revelar sua “estrutura”.

Objetivos

O curso CINEMA ESTRUTURAL: UMA BATALHA CONTRA A ILUSÃO, ministrado por Frederico Franco, tem como objetivo analisar as principais características estéticas e as principais obras que moldaram o Cinema Estrutural norte-americano ao longo dos anos 1960 e 1970. Ao longo dos encontros, serão observados seus diálogos com sua herança vanguardista, os debates que formaram o movimento, possíveis interlocuções com as artes visuais e reflexos no cinema brasileiro. Ao final, busca-se compreender como o estrutural não representa apenas uma força reativa formal, mas também um instrumento de subversão política.

Ministrante: Frederico Franco

Pesquisador e crítico de cinema. Bolsista de Doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAV | UFRGS), na linha de pesquisa Imagem, cultura e memória. Mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Universidade Estadual do Paraná (PPG-CINEAV | UNESPAR). Autor de artigos e um capítulo de livro a respeito do cinema estrutural e da obra de Michael Snow. Atualmente pesquisa interlocuções entre cinema experimental e artes visuais, cinema experimental brasileiro e cultura marginal a partir da obra de Torquato Neto.

Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/05/cinema-estrutural.html

domingo, 24 de maio de 2026

Cine Dica: Streaming - 'The Pitt 2ª Temporada'

Sinopse: acompanha o veterano Dr. Robby lidando com um severo esgotamento (burnout) e graves crises de saúde mental enquanto orienta novos médicos. 

A primeira temporada de "The Pitt" (2025) conquistou o público e a crítica de forma imediata. Seguindo os moldes da estrutura de "24 Horas", o programa retratou em tempo real o cotidiano de uma ala de emergência, mostrando como cada minuto pode se tornar um beco sem saída a partir do momento em que o médico esgota todos os métodos para salvar uma vida. "The Pitt – 2ª Temporada" (2026) surpreende ao manter o mesmo ritmo, provando que os realizadores não estão interessados em mexer em time que está ganhando.

Criada por R. Scott, a série explora ao longo de seus 15 episódios o que acontece em um turno de pronto-socorro. O Dr. Michael "Robby", interpretado pelo ator Noah Wyle, é o encarregado de liderar a equipe mais uma vez. No entanto, ele está prestes a sair de férias após vários meses de trabalho exaustivo — embora uma sucessão de obstáculos o faça duvidar se realmente conseguirá se afastar do hospital.

É curioso observar que os realizadores optaram por não arriscar inventar algo novo em termos de formato ou roteiro, seguindo a cartilha apresentada no ano anterior. Contudo, os roteiristas foram engenhosos ao explorar assuntos atuais dentro da trama, como o impacto da Inteligência Artificial e da internet, e como essas ferramentas tornaram as pessoas excessivamente dependentes em tempos de crise. Além disso, os criadores foram felizes ao traçar uma crítica contundente e muito bem-vinda às políticas anti-imigração, fazendo com que o programa dialogue perfeitamente com os dilemas debatidos no mundo real.

O Dr. Michael "Robby" é novamente o coração da série, defendido com maestria por Noah Wyle. Ele procura, de todas as formas, manter intacta a sua tão sonhada viagem de moto pelos próximos três meses, mas a responsabilidade que carrega dentro do ambiente de trabalho o faz questionar se um dia poderá, de fato, embarcar sem rumo. Do começo ao fim, o espectador se pergunta qual será o seu destino derradeiro, gerando até mesmo um certo temor pelo seu futuro.

Os demais personagens também ganham seu lugar de destaque, com ênfase na estreante Dra. Baran Al-Hashimi (Sepideh Moafi), que assumirá a chefia da equipe na ausência de Robby. Defensora do uso de IA e da tecnologia para otimizar o atendimento hospitalar, ela entra em constante conflito com o protagonista. Paralelamente, a personagem esconde segredos que vão sendo revelados aos poucos ao longo do percurso.

Acima de tudo, esta é uma série com a qual facilmente nos identificamos, mesmo não sendo médicos. Afinal, todos temos noção do que é trabalhar sob pressão no dia a dia — especialmente lidando com vidas humanas, onde cada paciente carrega a sua própria história. Por conta disso, nos pegamos torcendo pelos personagens, não apenas para que salvem as vidas que chegam à emergência, mas também para que, ao final do expediente, estejam mentalmente bem para enfrentar o dia seguinte.

A segunda temporada de "The Pitt" mantém as cartas de um jogo que já havia dado certo, consolidando seu status como uma das melhores séries dos últimos anos.


Onde Assistir: HBO MAX

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