Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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O próximo filme do ciclo Ler do Cineclube Torres é o brasileiro "Livros Restantes" de Márcia Paraiso, na segunda-feira, dia 13, às 20h
O ciclo do mês dedicado à leitura continua na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo sempre com entrada franca. Ana Catarina, professora de literatura, está de mudança para Portugal. Ela consegue doar quase todos os seus livros, menos cinco, os mais especiais, com dedicatórias, cheiros e marcas, que ela decide devolvê-los para quem a presenteou. É mais um delicado filme da carioca, mas catarinense de adoção, Márcia Paraiso, que após anos de documentários de caráter etnográfico, abordando questões sociais, ambientais e culturais, desde 2017 se dedica, com sucesso de critica, à ficção.
"O filme dá vontade de ler. Dá vontade de revisitar os livros que foram importantes na nossa vida e lembrar das pessoas que estavam por trás deles, do momento em que os lemos. Os livros são um pano de fundo da nossa existência" (Denise Fraga, que interpreta a protagonista do filme). A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.
O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Apoio cultural, Livraria Superlivros!
Serviço:
O que: Exibição do filme "Livros Restantes" (2025) de Márcia Paraiso - Brasil
Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres
Quando: Segunda-feira, 13/4, às 20h
Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).
Cineclube Torres
Associação sem fins lucrativos
Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva
Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus
Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur
Ao longo dos seus mais de cem anos de existência o cinema sempre foi ameaçado de extinção antes mesmo do advento da tv nos lares da população. Charles Chaplin certa vez disse que quando o cinema começou a ter som uma parte significativa havia sido morta e dando um passo adiante para que essa arte fosse extinta. A evolução tecnológica pode até trazer algum benefício, mas talvez nem tudo seja flores quando a magia se encontrava no que já estava perfeito.
Com o surgimento da tv foi então que o cinema corria risco real, principalmente no início dos anos cinquenta onde os principais estúdios viam o futuro como algo nebuloso. Coube então alguns avanços para atrair a grande massa de volta às salas, como no caso do surgimento do CinemaScope que foi um revolucionário processo de filmagem anamórfica criado pela 20th Century Fox em 1953 e que expandiu a tela do cinema até então de uma forma inédita. Foi graças ao épico "O Manto Sagrado" (1953) que essa nova tecnologia surpreendeu o público e provou que grandes espetáculos visuais não poderiam ser apreciados em sua total magnitude em uma caixa pequena dentro de casa.
Vale salientar que foi graças aos épicos romanos dos anos cinquenta que o cinema obteve novo sangue para atrair as pessoas de volta às salas. Em 1956 a Paramount lançou o magistral "Os Dez Mandamentos", sendo considerado a versão definitiva sobre a história de Moisés e se tornando a última e grande obra do diretor e produtor Cecil B. DeMille. Porém, o melhor e mais arriscado projeto estava ainda por vir.
Baseado na obra de Lew Wallace, o livro "Ben-Hur" de 1880 já havia sido adaptado para o cinema no ano de 1925 pelo diretor Fred Niblo e se tornando um verdadeiro clássico para a época. A ideia de levar o conto novamente as telas acontecia desde o início da década de cinquenta, principalmente pelo fato que o gênero épico estava fazendo um enorme sucesso a partir de títulos como "Quo Vadis?". Porém, o projeto não era somente uma forma para obter sucesso, como também a última cartada do estúdio MGM.
Na época, o estúdio do leão estava quase decretando falência e por conta disso apostou todas as suas fichas nesse épico que poderia dar muito certo, ou muito errado. Coube ao diretor William Wyler comandar a empreitada, sendo que o mesmo já havia sido o responsável por grandes clássicos como "Morro dos Ventos Uivantes" (1939) e "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (1946). Com um orçamento de R$ 15 milhões, sendo astronômico para aquele periodo, o épico foi rodado nos estúdios da Cinecittà, em Roma, Itália, sendo que as filmagens também incluíram locações em Arcinazzo, perto de Roma, e cenas de batalha naval em tanques do estúdio, com algumas miniaturas feitas em Culver City, EUA.
Para o papel principal os realizadores acertaram em cheio ao escolher Charlton Heston, sendo que na época já era apontado como favorito para estrelar filmes épicos como o já citado "Os Dez Mandamentos". Com uma presença forte, o intérprete carrega o filme nas costas em cenas impactantes, seja nos elementos dramáticos envolvendo a sua família, como também nas cenas de ação que exigiu o seu porte físico. Não é à toa que o astro viria a ganhar o seu único Oscar por esse papel.
Em contrapartida, Stephen Boyd foi outra escolha perfeita para a produção, ao interpretar o líder Romano Messala, que trai Ben-Hur e condena a prisão perpétua ele e a sua família. O intérprete constrói para si um vilão de diversas camadas a serem analisadas, principalmente pelo fato do intérprete construir uma aura ambígua com relação aos reais sentimentos de Messala a Ben-Hur, sendo que originalmente ambos teriam um caso homosexual, mas que para os padrões conservadores da época seria algo impossível de ocorrer. Porém, graças a sua atuação sugestiva, isso acabou sendo perceptível para o cinéfilo de olhar mais atento da época.
Há de se destacar outros intérpretes da produção como Jack Hawkins, Haya Harareet, Martha Scott, Cathy O'Donnell e Hugh Griffith. Esse último, por sua vez, interpreta Inderius, dono dos cavalos de corrida que Ben-Hur usaria na corrida de bigas. Com uma expressão forte e presença marcante, o intérprete teve poucos momentos em cena, mas sendo o suficiente para conquistar o público e conquistar o seu merecido prêmio de ator coadjuvante no Oscar. O seu personagem por sua vez é peça principal para que Ben-Hur possa participar de um dos momentos mais marcantes do filme como um todo.
A famosa corrida de bigas levou cerca de cinco semanas para ser filmada, com as filmagens distribuídas ao longo de três meses. A sequência épica, realizada nos Cinecittà Studios em Roma, envolveu milhares de figurantes e mais de 320 km de corrida acumulada. A cena custou US$ 1 milhão e utilizou mais de 70 cavalos e a equipe de segunda unidade, liderada por Yakima Canutt e Marton, foi a principal responsável por treinar os cavalos e filmar a sequência.
Tudo isso culminando em 11 minutos de pura tensão e adrenalina pura, onde vemos realmente cavalos correndo com toda a sua grandeza e os intérpretes principais quase não sendo substituídos por dublês. O resultado é de um realismo até então jamais visto, onde Charlton Heston quase morreu em uma queda, sendo que muitos cavalos também se machucaram seriamente, mas tudo foi mantido para ser levado às telas do cinema. O resultado não é só um dos melhores como a melhor cena de ação de todos os tempos.
Contudo, o filme é pertencente a uma época em que a igreja tinha um papel fortíssimo em meio a sociedade e isso é sentido quando assistimos aos títulos da época. Os épicos bíblicos surgiram através desta tendências e "Ben-Hur" vem carregado de mensagens de fé, principalmente pelo fato de Jesus Cristo ter um papel crucial dentro da trama. Vale destacar que o ator Claude Heater que interpreta o Messias aparece quase sempre de costas, pois o diretor William Wyler decidiu que seria mais poderoso mostrar a reação das pessoas ao olhar para Jesus do que mostrar o rosto de um ator.
Lançado em 18 de novembro de 1959 nos Estados Unidos, "Ben-Hur" acabou se tornando um verdadeiro sucesso de bilheteria, arrecadando cerca de US$ 74 milhões de dólares e salvando a MGM da falência. O filme também foi colecionando diversos prêmios na carreira e ao chegar na cerimônia do Oscar acabou levando 11 estatuetas, incluindo melhor filme e melhor diretor e se tornando um recordista para a época. Feito somente repetido vários anos depois a partir de títulos como "Titanic" (1997) e "O Senhor Dos Anéis - O Retorno do Rei" (2003), sendo que ambos obtiveram também 11 Oscars no total.
Revisitando o filme atualmente no cinema percebo que é um tipo de superprodução que quase não se faz hoje em dia, já que os estúdios se encontram presos por demais pelo CGI e limitando um maior realismo em cena. Contudo, após sucessos como "Top Gun: Maverick" (2023) percebo que o grande público tem um interesse maior pelo realismo, onde se sente o peso das cenas e fazendo com que a gente se sinta dentro da história. O clássico de 1959 foi isso e muito mais e por isso merece ser conferido em uma grande tela.
"BEN-HUR" é sem sombra de dúvida um dos maiores épicos da história do cinema, ao nos brindar com a melhor cena de ação da história e que nenhum filme atual consegue superar em hipótese alguma.
Neste final de semana, teremos uma sessão dupla de arrepiar no Clube de Cinema! 👻
No sábado, 11 de abril, o Clube de Cinema se reúne na Cinemateca Capitólio para a sessão de A Sombra do Vampiro, de E. Elias Merhige, estrelado por Willem Dafoe e John Malkovich. A história revisita o mito por trás das filmagens de Nosferatu, imaginando um F. W. Murnau obcecado por realismo a ponto de escalar um vampiro de verdade para viver a criatura da noite (será?).
Já no domingo, 12 de abril, nos reuniremos na Cinemateca Paulo Amorim para a exibição de Virtuosas, novo longa de Cíntia Domit Bittar, encontro promovido em parceria com o Fantaspoa. No filme, um retiro VIP para mulheres em busca de sua melhor versão se transforma em uma jornada absurda e perigosa. A sessão contará com a presença da equipe.
Confira os detalhes da programação:
SÁBADO (11/04, 10h15)
A Sombra do Vampiro (Shadow of the Vampire)
EUA, 2000, 95min
Direção: E. Elias Merhige
Roteiro: Don Houghton
Elenco: John Malkovich, Willem Dafoe, Udo Kier, Eddie Izzard
📍 Local: Cinemateca Capitólio – Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre
Sinopse: Durante as filmagens de Nosferatu, na década de 1920, o diretor F. W. Murnau leva seu desejo de realismo a consequências extremas ao contratar um ator misterioso para viver o vampiro. À medida que a produção avança, a equipe começa a desconfiar que há algo profundamente errado, e possivelmente sobrenatural, por trás da performance.
DOMINGO (12/04, 10h15)
Virtuosas
Brasil, 2025, 90min
Direção: Cíntia Domit Bittar
Elenco: Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta, Brisa Marques
📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, Sala Eduardo Hirtz
Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre
🎤 Sessão comentada com a equipe do filme.
Sinopse: Três mulheres participam de um retiro voltado ao aperfeiçoamento de seus papéis como esposas e mães, sob a liderança de uma figura carismática e enigmática. O que começa como uma experiência de autodesenvolvimento gradualmente se transforma em algo assustador e perigoso.
⚠️ AVISO EXTRA: Também no sábado, 11, às 15h, nossa diretora de comunicação, Kelly Demo Christ, participa de um debate sobre O Agente Secreto, a partir da questão: por que precisamos falar sobre o passado? promovido pela AAMICCA.
A segunda cinesemana de abril marca o nosso reencontro com o Fantaspoa, o festival dedicado ao gênero fantástico e que traz dezenas de filmes inéditos de cinematografias do mundo todo. Também temos novidades respaldadas por competições importantes, começando pelo grande vencedor do Festival de Gramado de 2025: CINCO TIPOS DE MEDO, do diretor matogrossense Bruno Bini, é uma história eletrizante que mistura amor, vingança e violência na periferia de uma grande cidade brasileira. A outra estreia é o filme vencedor do Festival de Veneza, PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, do diretor Jim Jarmusch, que traz um elenco de estrelas do cinema vivendo relações conturbadas entre pais e filhos.
Seguem em cartaz três filmes que caíram no gosto do nosso público:
A MULHER MAIS RICA DO MUNDO, em que a diva Isabelle Huppert dá vida a uma protagonista inspirada em um dos maiores escândalos da alta sociedade francesa; A CRONOLOGIA DA ÁGUA, filme de estreia da atriz Kristen Stewart como diretora; e BARBA ENSOPADA DE SANGUE, drama de Aly Muritiba e baseado no romance do escritor Daniel Galera.
Em última semana, o público pode conferir O OLHAR MISTERIOSO DO FLAMINGO, produção chilena que traz a visão de uma adolescente sobre o início da disseminação da Aids, e NARCISO, novo longa do diretor Jeferson De.
Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicandoaqui.
Sinopse: Um casal em crise, Tim e Millie, que se muda para o interior em busca de um recomeço, mas acaba sendo afetado por uma força sobrenatural que funde seus corpos e mentes.
Body horror, conhecido como terror corporal ou biológico, é um subgênero do horror que explora o medo através de violações gráficas e perturbadoras do corpo humano. Talvez um dos melhores diretores que explorou isso foi sem dúvida David Cronenberg através de títulos que se tornaram verdadeiros clássicos como "A Mosca" (1986). Nestes últimos tempos, ao que tudo indica outros realizadores têm explorado esse tipo de horror por outros meios, seja no filme "Substância" (2024), como também "A Meia-Irmã Feia" (2025). "Juntos" (2025) mistura elementos do já filme citados e alinhá-lo com um humor ácido em todos os sentidos.
Dirigido por Michael Shanks, acompanhamos a história de um casal cuja união é posta à prova quando uma força estranha e sobrenatural toma conta de seu relacionamento. Tim (Dave Franco) e Millie (Alison Brie). Após se mudarem para o interior, o que se apresenta como a oportunidade perfeita para recomeçar e fortalecer os laços, logo se transforma num pesadelo quando parece que a floresta se apresenta com um lado sombrio. Após a experiência, o casal começa a ficar obsessivo na união entre ambos, literalmente falando.
Ainda é cedo para dizer se Michael Shanks seguirá a carreira como diretor de cinema, já que ele começou a vida como influencer. Porém, nota-se um extremo cuidado na construção da atmosfera do cenário principal, onde já nos dá a entender que tudo aquilo que é apresentado, seja na floresta, ou na caverna onde o casal central não deveria parar, é como fosse extraído dos contos de fadas mais sombrios dos irmãos Grimm. Ao mesmo tempo, o longa explora determinado ponto da mitologia grega com relação à questão da alma gêmea.
Porém, o roteiro é positivo ao não adentrar mais a fundo sobre o porquê de isso tudo estar acontecendo, mas deixando que tudo flua de acordo com os atos e consequências do casal principal da trama. Sendo casal na realidade, Dave Franco e Alison Brie se saem bem como namorados em crise, mas que no fundo se sentem atraídos mesmo com a relação desgastada como um todo. Uma vez que acabam sendo afetados pela misteriosa caverna é então que a relação se torna obsessiva, beirando ao explícito e puramente gore.
Para aqueles que não gostaram de "Substância" irão gostar menos deste, pois o filme se encaminha por elementos até mais absurdos do que foram vistos no filme de Coralie Fargeat. Porém, se naquele filme levantava a questão sobre a exploração da juventude no universo da fama, aqui o longa explora sobre os relacionamentos atuais, dos quais se apresentam divididos na questão de ainda acreditar em um conto de fadas romântico, ou abraçar o individualismo que é muito mais fácil de ser enfrentado. Embora o final nos diga que o primeiro pensamento é mais válido, ao mesmo tempo ele se torna doentio quando o individualismo se perde em uma relação que não abre um espaço para ambos.
Embora com pouco mais de uma hora e meia, o filme nos faz refletir sobre o nosso papel atual na sociedade, onde procuramos nos completar com relação ao que realmente gostamos, mas dando a impressão que sempre falta algo no percurso. Talvez a resposta não esteja necessariamente no filme, mas a produção acerta precisamente ao fazer a gente pensar sobre isso após uma sessão que ficamos perplexos com que estamos vendo. "Juntos" é um dos filmes mais insanos do ano, ao pegar carona com o sucesso do longa "Substância", mas tendo a sua identidade intacta.
Entre os dias 9 e 26 de abril de 2026, a Cinemateca Capitólio recebe parte da programação da 22ª edição do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre – FANTASPOA, um dos eventos mais importantes do gênero na América Latina.
Realizado anualmente em Porto Alegre desde 2005, o Fantaspoa consolidou-se como o maior festival da região dedicado exclusivamente ao cinema fantástico, reunindo produções de fantasia, ficção científica, horror e thriller. Em sua 22ª edição, que ocorre de 8 a 26 de abril de 2026 em diversos espaços culturais da cidade, o festival apresenta uma programação robusta com 210 filmes, entre curtas e longas-metragens, a grande maioria inédita no Brasil.
O evento também contará com a presença de mais de 60 convidadas e convidados, entre realizadoras e realizadores brasileiros e internacionais, que participam de sessões comentadas, promovendo o encontro direto com o público. Além das exibições, o Fantaspoa oferece uma programação paralela que inclui palestras, sessões musicadas, festas e atividades especiais, como o já tradicional Madrugadão Fantaspoa.
Na Cinemateca Capitólio, o público poderá acompanhar uma intensa agenda com cinco sessões diárias, de terça a domingo, ao longo de todo o período do festival. Entre os destaques está a exibição do clássico Carrie, a Estranha (Brian De Palma, 1976), no sábado, 11 de abril, às 20h30, em sessão precedida pelo curta-metragem Lick Me (Elizabeth E. Schuch, 2026). Outro momento aguardado é o Madrugadão Fantaspoa, que acontece no dia 18 de abril, a partir das 23h, reunindo uma maratona de quatro filmes.
Sinopse: Gabriel é um professor de história que resolve atuar em um cursinho pré-vestibular no Rio de Janeiro após a morte de sua avó, e usa o seu tempo livre para estudar um pouco mais sobre as profissionais do sexo. Homossexual enrustido, tudo muda quando ele conhece Adriano, um uruguaio misterioso e cheio de amor par oferecer.
Nos últimos tempos o cinema brasileiro tem explorado o universo LGBT por diversas camadas, principalmente ao ser tratado de uma forma tradicional como sempre deveria ter sido. Ao mesmo tempo, há longas que exploram essas pessoas de forma marginalizada, onde nos dá a entender que a sociedade como um todo ainda não os tolera e sendo colocados pelo lado obscuro das grandes cidades do país. "Rua da Glória" (2025) é um retrato de uma relacionamento explosivo, mas que nasce a partir do momento em que um dos protagonistas procura buscar o seu papel neste mundo.
Dirigido por Felipe Sholl, o filme conta a história sobre Gabriel (Caio Macedo), um professor de história que resolve atuar em um cursinho pré-vestibular no Rio de Janeiro após a morte de sua avó, e usa o seu tempo livre para estudar um pouco mais sobre as profissionais do sexo. Durante essa pesquisa conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um uruguaio misterioso e cheio de amor para dar. Uma paixão tórrida nasce, mas tendo diversas consequências.
Se em "Fala Comigo" (2017) Felipe Sholl explorava o preconceito perante a diferença de idades do casal central, aqui a questão sobre o preconceito fica um pouco de lado e se entrega ao universo LGBT como um todo. Ao mesmo tempo, nota-se essas pessoas em um ponto especifico da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente em casas noturnas e nas praças onde se entregam ao sexo para obter algum sustento e como se não houvesse outra opção como um todo. O preconceito, portanto, não se encontra especificamente em cena, mas tendo aqui as suas consequências ao longo da história.
Se nota, por exemplo, que Gabriel nunca foi compreendido pela sua família, a não ser por sua avó que acabou de perecer. Por conta disso ele não vê razão de retornar às suas raízes, mas sim recomeçar de alguma forma, nem que para isso se perca durante essa jornada. Curiosamente, os minutos iniciais se percebe uma curiosidade vinda de sua pessoa, como se a relação com alguém do mesmo sexo nunca havia sido experimentada e logo se entregando de forma completa.
Vale destacar as cenas de sexo quase explicitas que Felipe Sholl realiza entre os atores Caio Macedo e Alejandro Clayeaux, sendo muito bem filmadas diga-se de passagem, mas que com certeza irão chocar algumas pessoas durante a sessão. Ao meu ver, elas funcionam melhor se elas surgissem a partir da construção gradual dos personagens centrais no decorrer da história. Se no cultuado "Azul é a Cor Mais Quente" (2013) esse artifício funciona, aqui não há muito o que fazer a não ser aceitar essa entrega tão repentina.
Caio Macedo e Alejandro Clayeaux nos brindam atuações poderosas, sendo que o primeiro desde a primeira cena possui um conflito interno que é transmitido através do seu olhar cheio de conflitos, mas não recuando no que sente quando conhece o seu parceiro. Por outro lado, por mais que esteja ótimo Alejandro Clayeaux, talvez tenha faltado em cena suas motivações que não foram exatamente exploradas para ele agir da forma como ele faz perante a sua paixão, como se a mesma fosse uma mera desculpa para ele escapar dos seus demônios internos, mas não sendo o suficiente para conter a destruição de tudo com relação ao que haviam construído. É como se ele se tornasse somente uma válvula de escape para que Gabriel entrasse em rota de colisão consigo mesmo.
Ao final se nota que o protagonista não buscava exatamente uma paixão, mas sim pessoas que o compreendesse assim como a sua avó foi em vida. Uma vez que a sua busca encontra um certo equilíbrio é então que a sua jornada talvez se encerre, mas tendo início a uma nova cruzada ao aceitar ser o que é em definitivo. Em tempos atuais em que a sociedade vive de uma crise de identidade, o filme nos diz que é preciso se enxergar por dentro e decidir em colocar em prática o seu real papel neste mundo.
"Rua da Glória" é o retrato do indivíduo em busca de sua identidade dentro de um mundo cheio de conflitos.