Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Nota: Filme exibido para os associados no dia 28/06/26.
Sinopse: Uma sequência de homicídios intriga a polícia japonesa: vítimas diferentes são encontradas com a mesma marca gravada no corpo, embora os autores dos crimes não pareçam ter qualquer ligação entre si.
Kiyoshi Kurosawa chamou a atenção no Japão no momento em que o país iniciava uma espécie de nova onda de filmes de horror, a partir do final dos anos noventa. O realizador sempre optou por tramas que transitam entre o suspense psicológico e pitadas do gênero fantástico, como no caso de "Creepy" (2016), obra onde tive meu primeiro contato com o lado autoral do diretor. Em um de seus primeiros trabalhos, intitulado "A Cura" (1997), o cineasta nos proporciona uma narrativa investigativa com desdobramentos surpreendentes, cujo peso carregamos mesmo após o término da exibição.
Na trama, acompanhamos o detetive Takabe, que busca compreender a origem de um padrão perturbador de assassinatos, enquanto um misterioso homem sem memória surge como a peça central de um enigma cada vez mais inquietante. Kurosawa constrói uma atmosfera policial com pinceladas do subgênero noir, onde as sombras dos ambientes ditam as regras e cuja faísca de luz não significa exatamente esperança. À medida que a história avança, os crimes acontecem e os executores são pegos, mas nenhum deles apresenta uma motivação clara para o ato. Em todos os casos, pessoas comuns cometem homicídios similares, deixando um "X" preto marcado no local e atiçando ainda mais a obsessão do investigador.
Takabe, interpretado brilhantemente por Koji Yakusho, já convive com seus próprios tormentos ao cuidar da esposa, que sofre de problemas psicológicos, enquanto tenta conter o desejo latente de solucionar todos os males do mundo. Uma vez imerso nesse mistério, sua fixação o conduz a um beco sem saída, tornando-o uma presa fácil para o real condutor dos crimes. Este, por sua vez, é vivido de forma assombrosa por Masato Hagiwara, cujo personagem transita entre momentos de aparente inocência e sarcasmo, dando as cartas através de uma persuasão hipnótica e eficaz.
Nesse ponto, o roteiro nos brinda com um estudo verossímil sobre a fronteira entre a lógica e o ocultismo. Vale lembrar que, até o fim do século XIX, a hipnose era frequentemente tachada como charlatanismo ou blasfêmia, passando a ser estudada sob prismas mais científicos e lógicos a partir do surgimento da psicanálise. Apoiado nesse limiar, Kurosawa constrói uma trama em que os personagens convivem com o pesadelo do mundo real, onde indivíduos comuns já guardam seus lados mais sombrios; a persuasão do antagonista funciona como um mero gatilho para que o pior do ser humano venha à tona.
Ao final, o realizador nos deixa com a incômoda certeza de que a escuridão humana prossegue, independente de um indivíduo específico ser detido ou não, pois sempre haverá outros prontos para despertar diante do estímulo certo. Não é à toa que o cineasta daria continuidade a essa atmosfera em títulos posteriores de temática familiar, como "Antes que o Mundo Acabe" (2018) e o recente "Cloud – Nuvem de Vingança" (2025).
Em "A Cura", todos os ingredientes que Kurosawa aperfeiçoaria ao longo de sua carreira já estavam presentes. É a obra que revelou seu talento ao mundo e que, com sua atmosfera psicológica alinhada ao fantástico, permanece perturbadora e genial ainda hoje. Não por acaso, é apontada por muitos como a grande obra-prima de sua filmografia.
Neste sábado (04/07), às 10h15 da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre se reune na Cinemateca Paulo Amorim para uma sessão de O Estrangeiro, de François Ozon.
Baseado na obra homônima de Albert Camus, o filme traz uma adaptação fiel e visualmente elegante de um dos textos fundamentais do século XX. Ambientado na Argélia colonial e com uma expressiva fotografia em preto e branco, o filme preserva a atmosfera de estranhamento e ambiguidade da obra original, acompanhando um protagonista cuja indiferença diante da vida acaba colocando em xeque as convenções morais da sociedade que o julga.
Aos amantes do cinema francês, é bom lembrar que amanhã (quinta-feira, 02/07), às 19h, damos continuidade ao ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parecia com a Sala Redenção da UFRGS, com o filme Nas Garras do Vício, de Claude Chabrol. Após a sessão, acompanharemos os comentários da crítica e pesquisadora de cinema Fatimarlei Lunardelli. Neste ano, o ciclo participa de ação de extensão da UFRGS, de forma que oferece certificação aos participantes, possibilitando o aproveitamento de horas complementares. Inscreva-se!
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: 04/07 (sábado), às 10h15 da manhã
📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim
Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre
O Estrangeiro (L'étranger)
França, 2025, 112min
Direção e roteiro: Fraçois Ozon (baseado em romance de Albert Camus)
Elenco: Benjamin Voisin, Rebecca Marder, Pierre Lottin
Sinopse: Na Argélia dos anos 1930, Meursault leva uma vida marcada pela apatia e pelo distanciamento emocional. Após matar um homem em circunstâncias aparentemente banais, ele enfrenta um julgamento que ultrapassa o próprio crime, transformando sua indiferença diante da morte, do amor e das convenções sociais no verdadeiro objeto de condenação.
Sobre o Filme: François Ozon é, atualmente, um dos diretores franceses mais curiosos de se analisar de perto, justamente por sua versatilidade. Ele transita com facilidade por boas comédias, como "O Crime é Meu" (2023), e por dramas densos cujos temas soam polêmicos, como no caso de "Está Tudo Bem" (2021). "Em O Estrangeiro" (2025), o realizador prova novamente que alguns clássicos literários ainda podem — e devem — ser reaproveitados nos dias de hoje, entregando uma adaptação que é uma prova mais do que genuína desse potencial.
Adaptação da obra-prima literária do franco-argelino Albert Camus, o filme conta a história de Meursault, um homem indiferente que vive na Argélia ocupada dos anos 1930 e demonstra uma completa apatia perante a vida. Quando sua mãe morre, nenhuma emoção parece comovê-lo. Já no dia seguinte ao funeral, ele começa a se relacionar com sua colega de trabalho, Marie. No entanto, a rotina monótona de Meursault é interrompida por um vizinho que o arrasta para uma série de negociações obscuras até que, num dia quente de verão, uma tragédia ocorre na praia.
Confira a minha crítica já publicada clicando aqui e seja sócio do Clube de Cinema.
Sinopse: Joe (Rogen) e Angela (Wilde), um casal que atravessa uma fase turbulenta no relacionamento. Durante um jantar aparentemente comum com os vizinhos do andar de cima,
MINIONS & MONSTROS
Sinopse: Esta é a história frenética, improvável e totalmente verdadeira de como os Minions conquistaram Hollywood, se tornaram estrelas de cinema, perderam tudo, libertaram monstros no mundo e depois se uniram para tentar salvar o planeta do caos que acabaram criando.
Documentário nacional “Anatomia do Caos” estreia junto do drama turco “Salvação” dia 2 de julho no CineBancários
O CineBancários exibe duas estreias no próximo 2 de julho: o documentário nacional “Anatomia do Caos”, às 17h, e o longa-metragem “Salvação”, Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, às 19h. Na sessão das 15h, a sala exibe o filme "Quinze Dias", de Daniel Lieff.
“Salvação”, escrito e dirigido por Emin Alper, focaliza os mecanismos por trás de um massacre motivado politicamente no núcleo de um clã na Turquia. É uma parábola perturbadora sobre o medo do outro, na qual o exílio e o retorno alimentam a divisão, a história enterrada ressurge, e um novo poder emerge ao instrumentalizar o passado e as crenças antigas.
Ambientado em uma remota vila montanhosa, "Salvação" gira em torno de um conflito desencadeado por uma disputa de terras. É inspirado em um caso real ocorrido em 2009, no qual 12 membros de uma família em uma vila na região curda da Turquia invadiram um casamento e mataram 44 pessoas, incluindo mulheres e crianças. “Foi um evento chocante para mim. Comecei a me perguntar: ‘Como pessoas podem agir coletivamente dessa maneira?’. Entendi que havia um líder incitando os perpetradores. Então me questionei: ‘Como um líder pode convencer tanta gente?’. Li as notícias, entrevistas, mas não consegui formar uma imagem satisfatória com todas essas informações. Então me vi escrevendo um roteiro que faz referência à história moderna da humanidade, que envolve massacres, genocídios e guerras”, declarou Alper à Variety.
“Como doutor em História, vejo uma conexão clara entre essa história e o contexto mais amplo. Todos estão hoje fazendo a pergunta: ‘Para onde estão levando o mundo esses líderes [Netanyahu, Trump, Putin]?’ Essa questão se tornou repentinamente mais atual do que quando eu estava escrevendo o filme, há quatro anos”, completou o diretor. Este é o quinto longa de sua carreira.
“Salvação” também traz elementos sobrenaturais, que apontam para a tradição sufi e de maneira geral para as experiências religiosas místicas na Turquia, quase sempre atreladas aos sonhos - e sua capacidade de moldar visões de mundo em diferentes culturas. O diretor esteve na Berlinale em 2019 com “A Tale of Three Sisters”, seguido por seu filme arrebatador para Cannes em 2022, “Burning Days”.
“Anatomia do Caos” investiga as omissões na gestão da pandemia de Covid-19
Depois de uma bem-sucedida estreia no cinema de ficção com a cinebiografia de Gal Costa (“Meu Nome É Gal”), protagonizada por Sophie Charlotte, Dandara Ferreira volta ao circuito agora com um documentário político. No dia 2 de julho, chega aos cinemas “Anatomia do Caos”, em que a cineasta baiana mostra a negligência do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus a partir dos trabalhos da CPI da Covid. A diretora teve acesso aos bastidores da comissão no Senado e entrevistou parlamentares no longa que pretende discutir memória e justiça no Brasil.
O filme chega aos cinemas com distribuição da Descoloniza Filmes e relembra as omissões do governo federal e da extrema-direita durante a pandemia que culminaram na morte de mais de 700 mil brasileiros. A obra traça um panorama nacional de como decisões deliberadas e a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global moldaram o cenário de crise em todo o país, revelando registros de bastidores inéditos de senadores, documentos e investigações que expõem as falhas estruturais na condução da crise.
A gênese do projeto remonta a abril de 2021, quando a diretora decidiu ir a Brasília registrar os trabalhos da comissão em um momento de incerteza e medo. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, afirma Dandara Ferreira.
Para a realizadora, a CPI da Pandemia surge no documentário como um palco trágico nacional, um teatro político onde o país encenou publicamente suas fraturas morais e seus mecanismos de apagamento. O filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada, transformando a morte em ruído político e a ciência em inimiga. “Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua a cineasta, que buscou capturar o país à deriva enquanto os eventos ainda se desenrolavam em rede nacional.
“Anatomia do Caos” também confronta a impunidade dos responsáveis diretos pela condução política da crise, tratando a ausência de consequências como uma das imagens mais violentas deixadas pelo período. Segundo a diretora, o documentário não busca apenas revisitar o passado, mas questionar o presente e o que significa seguir adiante sem justiça ou responsabilização. “Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, conclui.
PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 2 A 8 DE JULHO
ESTREIAS:
SALVAÇÃO
Turquia/Drama/2025/117min.
Direção: Emin Alper
Sinopse: Numa aldeia remota no alto das montanhas turcas, o regresso de um clã exilado reacende uma antiga disputa de terras. Ressentimentos adormecidos ressurgem e Mesut, irmão do líder local, é acometido por visões perturbadoras que acredita serem avisos divinos. À medida que as convicções religiosas, as lutas pelo poder e as tensões aumentam na comunidade, eles seguirão para a tragédia ou para a salvação? Ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim 2026.
Elenco: Caner Cindoruk, Berkay Ateş, Feyyaz Duman
ANATOMIA DO CAOS
Brasil/ Documentário/89min.
Direção: Dandara Ferreira
Sinopse: Com acesso inédito ao Senado, o filme acompanha por dentro a trajetória da CPI da Covid-19 e transforma esse registro em um retrato de um dos períodos mais marcantes e difíceis da nossa história recente.
EM CARTAZ:
APENAS COISAS BOAS
Brasil/Drama/2025/104’
Direção: Daniel Nolasco
Sinopse: Catalão, interior de Goiás, 1984. A região rural da Batalha dos Neves é formada por grandes pastos de lavoura, algumas poucas fazendas e dividida ao meio pelo rio São Marcos. Antonio vive sozinho e isolado cuidando dos afazeres de sua pequena fazenda até o dia em que seu destino cruza com o de Marcelo, um motoqueiro solitário que sofre um acidente atravessando a região. Antonio cuida das feridas de Marcelo. Os dois se apaixonam e vivem uma história que transforma, desestabiliza e provoca rupturas em cada um deles.
Elenco: Lucas Drummond, Fernando Libonati, Liev Carlos, Renata Carvalho, Igor Leoni, Guilherme Théo, Norval Berbari, Lizz Miranda, Brenda Oliveira
HORÁRIOS DE 02 A 08 DE JULHO
(não há sessões nas segundas)
15h: APENAS COISAS BOAS
17h: ANATOMIA DO CAOS
19h: SALVAÇÃO
Ingressos
Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.
A primeira cinesemana de julho marca a estreia de FRANZ, a aguardada cinebiografia do escritor Franz Kafka dirigida pela polonesa Agnieszka Holland. Outra novidade é belga NÓS ACREDITAMOS EM VOCÊS, drama ambientado durante uma audiência em que um casal briga pela custódia dos filhos. Também temos os dez filmes do 8 1/2 FESTA DO CINEMA ITALIANO, que apresenta parte da nova safra da produção italiana e que ainda traz uma cópia restaurada de CARO DIÁRIO, de Nanni Moretti, em comemoração às suas três décadas de lançamento.
A programação segue com UMA INFÂNCIA ALEMÃ, de Fatih Akin, que estreou como favorito do público na semana passada. Também permanecem em cartaz alguns títulos que são sucesso entre nossos frequentadores, como a cinebiografia FANON, o longa NATAL AMARGO, a produção iraquiana O BOLO DO PRESIDENTE e os romances UM TRISTE E BELO MUNDO, ambientado no Líbano, e 8 DÉCADAS DE AMOR, que tem como pano de fundo os conflitos na Espanha.
O encontro de julho com o crítico Waldemar Dalenogare será em torno do longa 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, clássico do cinema lançado há seis décadas.
Confira a programação completa no site da Cinemateca clicando aqui.
Sinopse: Kátia Klein, uma escritora de 45 anos e mãe sobrecarregada, vê sua vida sair do eixo devido a um bloqueio criativo e à falência de seu casamento.
No decorrer da história do cinema, não faltam longas-metragens que exploram a questão do alcoolismo, fazendo com que os seus protagonistas adentrem em um verdadeiro inferno astral. Filmes clássicos como "Farrapo Humano" (1945) e "Despedida em Las Vegas" (1995) levam seus personagens ao limite, em tramas moldadas com um teor dramático indiscutível. Porém, "(Des)controle" (2025) é um caso curioso por tratar esse assunto delicado com pinceladas de humor, provocando no espectador reações diversas.
Sob a direção de Rosane Svartman e Carol Minêm, acompanhamos a jornada de Kátia Klein (Carolina Dieckmann), que vive uma crise criativa impulsionada pela pressão do trabalho e da família. Diante dessa rotina caótica, Kátia busca um alívio na bebida, passando de uma despretensiosa taça de vinho ao descontrole completo. Não demora muito para que um lado seu, antes adormecido, acabe despertando diante da situação.
Svartman e Minêm são diretoras que construíram suas carreiras cinematográficas através daquelas comédias brasileiras supercoloridas — mas que, na maioria das vezes, não têm muita graça. Portanto, não se surpreenda se, em um determinado momento, surgir em cena um cenário com quadros referentes a alguns títulos do gênero, sendo o mais destacado "Minha Mãe é Uma Peça" (2013). Este, por sua vez, é talvez um dos poucos que vale a pena ser lembrado, embora não condiga com o tom deste longa.
O primeiro ato, por exemplo, faz parecer que estamos diante de situações que nos encaminham para uma comédia quase pastelão, repleta de gatilhos que fazem a protagonista perder as estribeiras e recorrer novamente ao álcool. É apenas aos poucos que o filme ganha contornos mais sombrios, o que ainda assim não é suficiente para extinguir a sensação de estarmos diante de uma comédia involuntária. Ao menos, Carolina Dieckmann faz toda a diferença.
Estrela de novelas da Globo, Dieckmann já provou sua versatilidade no cinema em obras como o pesado "O Silêncio do Céu" (2016). Aqui, ela demonstra talento ao dar vida a uma personagem que não sofre apenas com o alcoolismo, mas também com o surgimento de uma outra face de sua personalidade após beber. É interessante notar como ambas as facetas acabam sendo bem distintas uma da outra, um mérito que se deve muito ao talento da artista.
Não que o tema não possa ser tratado com certa leveza ou humor, mas fica a sensação de que o filme planejava ser uma coisa e se enveredou por outra. Se, por um lado, essa oscilação faz com que a obra quase perca sua identidade própria, por outro, a iniciativa de debater o quão prejudicial é o vício do álcool ainda se mostra mais do que válida. O discurso final — com depoimentos de pessoas que aparentam ser reais e que sofreram com a dependência — é um ponto alto que merece ser destacado.
No fim, "(Des)controle" se sustenta graças ao talento individual de Carolina Dieckmann, mesmo quando os seus realizadores parecem não ter encontrado o tom ideal para explorar a complexidade do alcoolismo como um todo.
Nesta quinta-feira (02/07), às 19h, o Clube de Cinema promove mais uma sessão do ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", realizado em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.
O filme da vez é Nas Garras do Vício (Le beau Serge), de Claude Chabrol. Considerado uma das obras inaugurais da Nouvelle Vague, o longa acompanha o reencontro de dois antigos amigos em um pequeno vilarejo francês e, a partir dessa relação, reflete sobre as frustrações da vida provinciana, o peso da culpa e as possibilidades de redenção. Com grande força dramática, o filme explora a melancolia de seus personagens e da própria cidade, aproveitando ao máximo os cenários reais.
Após a sessão, contaremos com os comentários da crítica e pesquisadora de cinema Fatimarlei Lunardelli. Lembramos ainda que o ciclo integra uma ação de extensão da UFRGS e oferece certificado de participação, possibilitando o aproveitamento de horas complementares para estudantes. Inscreva-se!
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: 02/07 (quinta-feira), às 19h
📍 Local: Sala Redenção – UFRGS
R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre
🎤 Sessão comentada por Fatimarlei Lunardelli
🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade
Nas Garras do Vício (Le beau Serge)
França, 1958, 98 min
Direção e roteiro: Claude Chabrol
Elenco: Gérard Blain, Jean-Claude Brialy, Michèle Méritz e Bernadette Lafont
Sinopse: Após retornar à sua cidade natal para se recuperar de uma doença, François reencontra Serge, um antigo amigo consumido pelo alcoolismo e pelo desencanto. À medida que revive lembranças e observa as tensões daquele pequeno vilarejo, ele tenta ajudá-lo a romper o ciclo de autodestruição que passou a definir sua vida.