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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Michael'

Sinopse: A vida complexa do Rei do Pop, Michael Jackson, desde a infância no Jackson 5 até sua ascensão solo e genialidade artística. 

Quando assisti a "Bohemian Rhapsody" (2018), na época, eu ainda não tinha uma dimensão sobre a vida pessoal da banda Queen, tampouco sobre Freddie Mercury. Quando era criança, nos anos oitenta, eu simplesmente ouvia as suas músicas e curtia cada uma delas como se não houvesse amanhã. Portanto, assistir à cinebiografia foi uma grande experiência, mesmo sabendo, através de outros, que muito daquilo visto na tela não aconteceu exatamente daquela forma na história real.

Devido a esse grande sucesso, começaram a surgir algumas cinebiografias de quilate, como "Rocketman" (2019), e algumas duvidosas, como "Back to Black" (2024). O problema é que fica sempre aquele dilema entre entregar uma adaptação nua e crua sobre a pessoa por trás do artista ou simplesmente levar a figura impecável que os fãs sempre endeusavam. "Michael" (2026) é uma adaptação somente parcial sobre a vida de um dos maiores cantores da música pop, mas que irá agradar aos fãs que cresceram ouvindo as suas obras que entraram para a história.

Dirigido por Antoine Fuqua, o longa retrata a vida e o legado do cantor (Jaafar Jackson), desde a descoberta de seu espetacular talento como líder do Jackson 5 até o impacto cultural de sua visão artística ímpar. Para além da música, este drama biográfico traça as ambições criativas de um homem que buscou ativamente se tornar um dos maiores artistas do mundo, destacando os passos dados por Jackson fora dos palcos. Performances icônicas de sua carreira solo compõem esse retrato íntimo e inédito do artista.

Para o fã de carteirinha, o filme não decepciona, principalmente ao revelar, no primeiro ato, os primeiros passos dos Jackson 5, moldados por um pai e empresário severo, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo. Vale destacar que o intérprete nos brinda com uma das grandes atuações do longa; seu Joe possui uma paixão quase doentia em levar os filhos ao topo do estrelato, não escondendo a ambição em seus olhos. Ao mesmo tempo, ele enxerga no pequeno Michael a sua verdadeira pepita de ouro, não medindo esforços para que a criança seja um superastro.

É neste cenário de sonhos e pesadelos que os produtores não se intimidaram em revelar as raízes do lado problemático da infância do astro, que cresceu diferente das outras crianças, isolando-se em um mundo de fantasias vindo de contos como o de Peter Pan. A partir do momento em que ele cresce e começa a não esconder as suas excentricidades — como adotar um macaco de estimação —, concluímos que o astro nunca teve a infância que realmente queria, e, neste retrato, o filme acerta em cheio.

Mas, sem sombra de dúvida, a grande surpresa fica por conta da atuação de Jaafar Jackson. Sendo sobrinho de Michael no mundo real, Jaafar tinha a missão ingrata de dar vida, cara e voz ao seu falecido tio, mas, felizmente, não decepciona. É como se estivéssemos vendo o Rei do Pop de volta à vida, em tempos mais coloridos, mesmo com todo o lado problemático de sua vida pessoal. Por mais que soe estranho em alguns momentos ele cantando, não há como negar que o intérprete chega perto do que Jackson foi em vida, além de surpreender nos passos de dança, o que nos desperta uma imensa nostalgia.

Aliás, a palavra nostalgia é a força motriz do filme, já que as passagens da história são moldadas por boa parte dos seus grandes sucessos e representam muito bem períodos específicos. É delicioso ver os motivos do astro para realizar a canção Beat It, ou então o maior feito de sua carreira, Thriller, cuja reconstituição das filmagens do clássico clipe está entre os melhores momentos do filme. Mas, por mais perfeitas que sejam essas passagens, é preciso reconhecer que tudo se torna quase um "clipão", em que a trama fica em segundo plano, fazendo com que apenas nos deleitemos com as músicas que ouvíamos quando garotos.

Nesse ponto, o filme talvez falhe ao se preocupar mais em agradar aos fãs do que em mostrar um Michael Jackson mais humano e falho em suas ações. Em alguns momentos, por exemplo, parece que os realizadores buscavam uma espécie de "predestinação" para algo maior, o que acaba soando pretensioso, para dizer o mínimo. O lado mais humano surge em cena apenas nos momentos em que ele busca um ombro amigo, seja através do seu motorista ou do seu empresário John Branca, interpretado de forma inesperada pelo ator Miles Teller.

Inevitavelmente, todos ficam curiosos sobre como o astro lidava com o vitiligo, mas o tema fica apenas na superfície, dando maior destaque à cirurgia que ele fez no nariz por sofrer preconceito vindo do próprio pai. Em contrapartida, o acidente durante as filmagens do comercial da Pepsi se torna o momento mais tenso da obra, ao ponto de ficarmos imaginando como seria se o filme fosse mais a fundo em outros fatores de sua saúde.

Naturalmente, muitos críticos se incomodarão pelo fato de o longa não abordar as acusações de abuso de menores. O filme não chega a esse ponto, principalmente porque nem adentra o ápice e o início do seu declínio durante a década de noventa. Ao meu ver, os realizadores estavam mais interessados em retratar a fase de ouro do cantor, sem esconder o lado problemático de sua fase inicial.

O filme pode ser interpretado como o primeiro grande ato sobre a vida do astro levado às telas. Obviamente, fará um grande sucesso, fazendo com que suas músicas voltem às paradas. Resta saber se os fãs irão ignorar a maioria da crítica especializada e ir em massa aos cinemas para desfrutar das mais de duas horas de pura nostalgia. "Michael" é um longa que irá dividir opiniões, mas acerta em cheio no coração dos fãs do eterno Rei do Pop.


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Cine Dica: Sala Redenção homenageia cinema indígena em nova mostra

Em abril, para celebrar o Mês dos Povos Indígenas, a Sala Redenção realiza, em conjunto com a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade da UFRGS, a mostra “O canto da terra viva”. A programação, composta por seis produções audiovisuais protagonizadas por pessoas indígenas, valoriza as identidades, os saberes e a resistência dos povos originários brasileiros. A mostra acontece de 27 a 30 de abril, com entrada gratuita e aberta à comunidade em geral.

O drama ficcional “Terra Vermelha” (2008), de Marco Bechis, abre a programação no dia 27. O longa-metragem, que concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2008, retrata os dilemas dos indígenas guarani-kaiowás de Mato Grosso do Sul na luta por território.

Também integram a mostra os documentários “O Mestre e o Divino” (2013), de Tiago Campos, que reflete sobre os resquícios da catequização portuguesa em uma comunidade indígena da atualidade; e “Gyuri” (2021), de Mariana Lacerda, que conta a história da relação da fotógrafa Claudia Andujar com os povos yanomami da Amazônia brasileira.

A programação encerra no dia 30 de abril, às 14h, com a exibição de três curtas-metragens: “Ga vī: a voz do barro” (2022), “Fuá – o sonho” (2025) e “Da aldeia à universidade” (2025). A sessão é seguida de conversa com Raquel Kubeo, pesquisadora indígena kubeo e doutoranda em educação pela UFRGS; Susana Maria Assis, guarani-mbya graduanda em Artes Visuais; e Odirlei Kaingang, estudante indígena kaingang da Faculdade de Direito. Para essa sessão, o público é convidado a contribuir com um quilo de alimento não perecível em apoio à comunidade kaingang de Canela, na serra gaúcha.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. “O canto da terra viva” tem apoio de Ancine, Descoloniza Filmes e Taturana – Cinema e Impacto Social.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Amores Expressos'

Filme Exibido para os associados no dia 18/04/26

Wong Kar-Wai é frequentemente apontado como o último grande romântico do cinema. Isso se deve à habilidade do realizador em criar longas nos quais o romantismo se torna o mote principal da obra. Porém, suas histórias de amor não caem na vala comum da previsibilidade.

Até pouco tempo, eu acreditava que sua maior obra-prima fosse "Amor à Flor da Pele" (2000), cujos encontros e desencontros do casal central formam uma das melhores experiências cinematográficas que assisti neste século. O feito se repetiria em "2046 - Os Segredos do Amor" (2004), elevando ainda mais seu cinema autoral no tratamento do tema. No entanto, sua obra-prima acaba sendo justamente "Amores Expressos" (1994), um filme sobre conexões em meio a uma metrópole em constante movimento.

Nas ruas de Hong Kong, as tramas se entrelaçam: uma mulher misteriosa de peruca loira, um jovem policial que a persegue na multidão e uma garçonete sonhadora que se apaixona por outro oficial. Todos se cruzam em uma cidade frenética, enquanto suas vidas se tornam mais complexas do que se imagina.

Segundo registros, Quentin Tarantino fez questão de intermediar um acordo com a Miramax para que o filme fosse exibido nos EUA. É evidente que o diretor identificou ali uma obra que não apenas falava sobre os dilemas do amor, mas que era embalada pelo melhor da cultura pop dos anos 90. O longa talvez seja a melhor síntese daquela década, em tempos nos quais o ser humano se via cada vez mais refém de um capitalismo desenfreado.

Estamos diante de uma Hong Kong saturada de luzes e cores, onde pessoas ocupadas parecem ignorar o que acontece ao redor. O comércio é incessante; vendedores ambulantes oferecem de itens legais a ilícitos nos lugares mais improváveis. Neste cenário de sobrevivência, o amor encontra espaço, desde que se mantenha a resiliência.

A mulher de peruca loira é a figura mais enigmática. Testemunhamos ela operando no submundo do crime, dançando conforme a música e tentando estar sempre um passo à frente. Quando o Policial 223 tenta conquistá-la em um bar, ela encara a situação como algo banal, enquanto ele ainda nutre esperanças de aplacar a solidão. Enquanto ela já experimentou o lado cru da vida, ele demonstra acreditar em contos de fadas em meio a uma realidade rígida.

Tudo isso é orquestrado por um Wong Kar-Wai inspirado, alternando cenas reflexivas com sequências frenéticas. Por instantes, parece que assistimos a um filme policial, com elementos de film noir e uma narração em off que se ajusta perfeitamente ao ambiente. Mas então, surge o inesperado.

Uma lanchonete em um beco qualquer serve como ponto de referência para uma nova história. O filme possui duas narrativas distintas, unidas pelo cenário e pelo romantismo dos personagens. Porém, se na primeira parte tudo parecia caminhar para o sombrio, a segunda nos conduz por uma trilha de leveza e reflexão.

A relação do Policial 663 com a garçonete Faye é tão contagiante que chegamos a esquecer a trama anterior. Isso se deve não apenas ao talento de Tony Leung, mas à atuação ambígua de Faye Wong, que constrói uma personagem enigmática cujas ações inusitadas revelam seu interesse pelo policial de forma singular.

É curioso observar como o diretor analisa a comunicação humana através dos objetos, como se as posses dissessem algo sobre nós. A casa do policial torna-se um mosaico de sua personalidade, ganhando profundidade quando Faye a "invade" para reorganizar sua vida. Essa premissa recorda o coreano Casa Vazia (2004), de Kim Ki-duk, embora com desdobramentos distintos.

Ao final, entre encontros e desencontros, o longa ensina que sempre haverá recomeços, mesmo quando o amor não corresponde às nossas expectativas. É uma síntese sobre pessoas comuns em busca de sonhos na selva de pedra, tentando manter a essência mesmo quando o mundo diz o contrário. Com uma trilha icônica que inclui "California Dreamin'" e a versão de Faye Wong para "Dreams", "Amores Expressos" é um clássico que sintetiza os dilemas amorosos em um mundo em eterna mutação.


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Cine Dica: Sessão dupla no Clube de Cinema: "O Que Vale é a Palavra" (25/04) no Instituto Goethe e "Sunshine Express" (26/04)

Neste final de semana, teremos jornada dupla no Clube de Cinema de Porto Alegre!

No sábado, dia 25, nos encontramos no auditório do Instituto Goethe para assistir O Que Vale é a Palavra, filme ainda inédito no Brasil e dirigido por İlker Çatak, conhecido por A Sala dos Professores, que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Internacional pela Alemanha em 2024.

Já no domingo, dia 26, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para mais uma sessão em parceria com o Fantaspoa: dessa vez, exibiremos o filme iraniano Sunshine Express, de Amirali Navaee.


Confira os detalhes da programação:


SÁBADO (25/04, 10h15)

O Que Vale é a Palavra (Es gilt das gesprochene Wort)

Alemanha, 2019, 120min

Direção: İlker Çatak

Roteiro: İlker Çatak, Nils Mohl, Johannes Duncker

Elenco: Anne Ratte-Polle, Oğulcan Arman Uslu, Godehard Giese

📍 Local: Instituto Goethe – Rua 24 de Outubro, 112 - Moinhos de Vento, Porto Alegre

Sinopse: O encontro entre mundos distintos desencadeia uma relação inesperada quando Baran, um jovem turco que busca melhores condições de vida, conhece Marion, uma piloto alemã, nas praias de Marmaris. Ao convencê-la a levá-lo para a Alemanha, o que começa como um acordo pragmático gradualmente se transforma em um vínculo mais complexo.


DOMINGO (26/04, 10h15)

Sunshine Express

Irã, 2025, 100min

Direção e roteiro: Amirali Navaee

Elenco: Sam Nakhai, Babak Karimi, Azadeh Seifi, Shayesteh Sajadi, Mohammad Aghebati

📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, Sala Eduardo Hirtz

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Sinopse: Um grupo de pessoas embarca em uma viagem encenada rumo a um destino mítico, assumindo papéis dentro de um jogo controlado por regras rígidas. À medida que a experiência avança, a dinâmica lúdica revela tensões, frustrações e desejos dos envolvidos, transformando a jornada em um reflexo crítico de suas próprias limitações e aspirações.

Nos vemos no final de semana!

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (23/04/26)

 MICHAEL

Sinopse: Cinebiografia do Rei do Pop, Michael Jackson. O longa traz uma representação de sua vida e do legado, contando sua história além da música, traçando sua jornada desde a descoberta de seu talento até se tornar o artista visionário, cuja ambição criativa alimentou uma busca incansável para se tornar o maior artista do mundo.


BOA SORTE, DIVIRTA-SE, NÃO MORRA

Sinopse: Um homem, que afirma ser do futuro, faz reféns, os clientes de uma icônica lanchonete de Los Angeles, em busca de recrutas improváveis para uma missão de salvar o mundo.


UM PAI EM APUROS

Sinopse: No limite da tensão, uma mãe cansada de cuidar sozinha da casa e dos filhos decide se dar férias e deixa tudo sob os cuidados do marido.


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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 23 a 29 de abril de 2026

 Últimos dias do Fantaspoa na Cinemateca Capitólio, em semana que tem ainda a estreia de dois filmes.

A Cinemateca Capitólio recebe até 26 de abril, domingo, as últimas sessões do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre – FANTASPOA, um dos eventos mais importantes do gênero na América Latina, que encerra com êxito sua 22ª edição.

Realizado anualmente em Porto Alegre desde 2005, o Fantaspoa consolidou-se como o maior festival da região dedicado exclusivamente ao cinema fantástico, reunindo produções de fantasia, ficção científica, horror e thriller. Tendo mais uma vez a Cinemateca Capitólio como sua sala principal, com cinco sessões diárias e local do ponto de encontro do festival, o Fantaspoa 2026 contou com 210 filmes em sua programação, entre curtas e longas-metragens, a grande maioria inédita no Brasil. No domingo, 26 de abril, às 20:30, a Capitólio recebe a cerimônia de premiação do festival, seguida da exibição do filme Remanente: Voltagem, em sessão comentada pelo diretor Kapel Furman e membros da equipe.

A partir de terça-feira, 28 de abril, a Cinemateca Capitólio realiza a estreia de dois filmes muito aguardados, a cópia restaurada em 4K do clássico italiano Suspiria, de Dario Argento, e o documentário pernambucano Mangue Bit, de Jura Capella, sobre o movimento liderado por Chico Science que revolucionou a cena musical brasileira na década de 90. A sessão de Mangue Bit na terça-feira, dia 28, às 19h, será seguida de debate com o diretor Jura Capella e o professor e crítico de cinema Milton do Prado.

Finalmente, na quarta-feira, dia 29, a Cinemateca Capitólio volta a receber a Sessão Abraccine, projeto da Associação Brasileira de Críticos de Cinema que acontece simultaneamente em vários estados do país, exibindo produções independentes brasileiras ainda sem distribuição comercial. Na estreia da edição 2026 do projeto, será exibido Jamex e o Fim do Medo, produção baiana de 2024, com direção de Ramon Coutinho. A sessão tem entrada franca.

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Mãe e Filho'

 Nota: O filme estreia dia 30 de Abril

Sinopse: Acompanhamos uma enfermeira viúva enfrentando conflitos familiares e dilemas emocionais após um acidente marcante.

Com a guerra contra o Irã, fica difícil prever qual será o futuro do cinema local, ou se veremos outros longas-metragens que tenham tanto a dizer sobre o país. Até lá, é necessário aproveitar ao máximo as obras produzidas sob restrições de um governo, por vezes, totalitário, mas cujos realizadores sabem transmitir mensagens poderosas nas entrelinhas. "Mãe e Filho" (2025) é um desses casos: um filme que diz muito sobre sua nação, mesmo sob o olhar onipresente da censura.

Sob a direção de Saeed Roustaee, acompanhamos uma enfermeira viúva em meio a conflitos familiares e dilemas emocionais. Ela está prestes a se casar com um colega de trabalho, mas teme contar a verdade aos filhos. No entanto, o desenrolar dos fatos traz acontecimentos terríveis e revelações surpreendentes.

Roustaee nos conduz por uma trama em que os olhares dos personagens comunicam muito mais do que meras ações. Inicialmente, o movimento parte principalmente do filho da protagonista — um jovem rebelde diante de uma realidade repleta de regras que, contudo, não conseguem conter seu ímpeto destrutivo. A mãe, por sua vez, tenta contornar a situação; para isso, omite certas verdades que acabam se acumulando até transbordar.

Parinaz Izadyar entrega uma interpretação magistral, dando vida a uma personagem que se "descasca" gradualmente, revelando alguém que vai muito além do que o entorno imagina. Sua figura é uma representação da força de vontade das mulheres iranianas contemporâneas, que não se deixam intimidar pelo autoritarismo, mesmo quando a justiça opta pela cegueira em vez da verdade. Nesse aspecto, o filme expõe uma justiça viciada por leis que tendem a ser sistematicamente menos severas com os homens.

O filme aborda a união feminina perante uma realidade patriarcal, mesmo quando algumas sucumbem por acreditarem não haver alternativa. A protagonista encarna a mulher que "cai atirando": pode ser rotulada como louca, mas não se calará até obter justiça. Se em "Dez" (2002), do mestre Abbas Kiarostami, esse sentimento já era pressentido, aqui Roustaee nos diz que sempre haverá um meio de sobrevivência. Mesmo que o papel da mulher seja colocado em xeque, ela acaba surpreendendo a todos — e a si mesma — por sua resiliência.

"Mãe e Filho" é o retrato contundente da mulher iraniana que, apesar das limitações impostas pelo patriarcado, luta contra um olhar conservador e injusto.



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