Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.Me acompanhem no meu: X: @cinemaanosluzFacebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema – 'O Diabo'

Nota: Filme exibido para os associados no dia 31/10/26

Sinopse: Em janeiro de 1793, durante a violenta invasão da Polônia pelo exército prussiano, o jovem nobre Jakub é preso sob a acusação de tentar assassinar o rei. Ele é inesperadamente libertado de sua cela por um estranho misterioso.

Quando digo que o cinema é um leque de informações escondidas, não estou brincando: sempre se abre uma janela para conhecer novos filmes e cineastas autorais a serem observados de perto. Quando "A Primeira Profecia" (2024) foi lançado, a crítica especializada imediatamente comparou a atuação de Nell Tiger Free com a de Isabelle Adjani em "Possessão" (1981), do diretor Andrzej Żuławski. Não precisa ser um gênio para deduzir que fiquei curioso em relação a esse cineasta polonês após assistir a esse horror fantástico, o que me levou a conferir "O Diabo" (1972).

A trama se passa em janeiro de 1793, quando tropas do exército prussiano invadem a Polônia e espalham terror e morte pelo país. Com o auxílio de um homem misterioso, o nobre Jakub consegue escapar do cárcere. Seguindo os passos do estranho pelo território polonês, Jakub presencia a destruição e a decomposição de sua terra natal, cujo cenário se tornou um verdadeiro apocalipse.

O cinema de Andrzej Żuławski não é fácil de ser digerido — seja por quem assiste, seja pelos intérpretes que embarcam em seus projetos. Pode-se dizer que talvez nenhum ator em cena estivesse totalmente informado sobre até onde o realizador exigiria uma atuação extrema, na qual a palavra cede espaço a corpos que se tornam parte elemental da narrativa. Nesse caso, o cineasta não poupa nossos olhos.

Já na abertura, por exemplo, ele usa e abusa de um plano-sequência frenético, atulhado de informações sobre o que está acontecendo. Não temos tempo para assimilar o que ocorre em cena, mas sim para testemunhar com horror a devastação causada pela guerra e como ela afeta a mente humana. Curiosamente, essa visão é apresentada em duas frentes.

De um lado temos o protagonista, interpretado por Leszek Teleszyński, que surge desnorteado ao testemunhar sua realidade em frangalhos enquanto a câmera registra tudo. Em determinado momento, nota-se que essa câmera se torna a representação do nosso próprio olhar sobre o caos, para logo dar espaço à perspectiva do protagonista, através de cuja expressão vemos um cenário que mais parece o inferno na Terra. Um belo casamento entre o perfeccionismo de um cineasta rigoroso e uma atuação visceral.

Falando nisso, ninguém em cena dá trégua: cada intérprete possui uma energia que se equipara à proposta radical da obra. É como se o elenco estivesse dando o sangue em cena, com destaque especial para as atuações femininas, que nos assombram pela força que transmitem. O filme funciona quase como um laboratório de ensaio para o que seria visto posteriormente em Possessão — muito embora eu possa estar me precipitando, já que ainda não assisti a toda a filmografia do realizador.

Destaco também a atuação de Wojciech Pszoniak que aqui, ao que tudo indica, encarna o Diabo na Terra, influenciando o protagonista a cometer atrocidades ao longo de sua jornada. Sua interpretação transita entre o humor ácido e tons profundamente sombrios, o que me fez recordar a atuação de Emil Jannings no clássico expressionista alemão "Fausto" (1926), de F. W. Murnau. Há também uma pitada de "O Sétimo Selo" (1957), já que em ambos os filmes os protagonistas cruzam terras devastadas e lutam contra forças que transcendem suas capacidades físicas e mentais.

Não é um filme para os fracos: a movimentação de câmera é constante, a violência é gritante e o pessimismo se faz inteiramente presente. É como se a atmosfera do fim dos tempos vista em "Nosferatu" (1979), de Werner Herzog, fosse expandida em um longa de duas horas, despertando uma sensação mórbida e reflexiva sobre o lado bestial do homem em tempos desconcertantes. No geral, um filme que nos incomoda por dentro — e é exatamente isso que o torna precioso e imperdível.

"O Diabo" é uma sinfonia visual de horror psicológico que nos deixa em estado de choque ao nos colocar diante do despertar da bestialidade humana.


   Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook  : www.facebook.com/ccpa1948

Twitter: @ccpa1948  

Cine Dica: Sessão dupla no Clube de Cinema: "Anahy de las Misiones" (07/11) + "Rosebush Pruning" (08/11)

 Neste final de semana, teremos sessão dupla no Clube de Cinema!

No sábado (07/11), às 10h da manhã, nosso encontro é na Cinemateca Capitólio. Assistiremos ao longa gaúcho Anahy de las Misiones, em sessão especial realizada em parceria com o Circuito de Cinema Metropolitano. Dirigido por Sérgio Silva, o filme se passa durante a Guerra dos Farrapos e acompanha uma mulher que percorre os campos de batalha com seus quatro filhos, sobrevivendo do que recolhem entre os mortos. Após a sessão, haverá um bate-papo com a equipe do filme.

No domingo (08/11), às 10h15 da manhã, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para uma sessão de Rosebush Pruning, novo filme de Karim Aïnouz. Inspirada no longa italiano De Punhos Cerrados, de Marco Bellocchio, a obra acompanha uma família americana rica e disfuncional, isolada em uma propriedade na Catalunha. Com roteiro de Efthimis Filippou, colaborador frequente de Yorgos Lanthimos, o filme aposta em uma sátira sombria e absurda sobre privilégio, hipocrisia e relações familiares, marcada por situações grotescas, diálogos provocativos e uma estética de cores intensas.


Confira os detalhes da programação:


SÁBADO (07/11, 10h)

Anahy de las Misiones

Brasil, 1997, 110min

Direção: Sérgio Silva

Roteiro: Sérgio Silva e Gustavo Fernández

Elenco: Araci Esteves, Marcos Palmeira, Dira Paes

Sinopse: Durante a Guerra dos Farrapos, Anahy percorre os campos de batalha com seus quatro filhos, recolhendo objetos dos mortos para garantir a sobrevivência da família. Em meio aos deslocamentos e às disputas entre os exércitos, cada integrante enfrenta as consequências da guerra e busca seu próprio caminho.

📍 Local: Cinemateca Capitólio – Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre


DOMINGO (08/11, 10h15)


Rosebush Pruning

Reino Unido, Itália, Alemanha e Espanha, 2026, 95min

Direção: Karim Aïnouz

Roteiro: Efthimis Filippou

Elenco: Callum Turner, Riley Keough, Elle Fanning, Jamie Bell, Lukas Gage, Tracy Letts, Pamela Anderson

Sinopse: Em uma propriedade na Catalunha, quatro irmãos americanos vivem com o pai cego, cercados pelo conforto e pelo isolamento de uma família abastada. A chegada de novos acontecimentos começa a expor as tensões, os segredos e as relações disfuncionais que sustentam aquele núcleo familiar.

📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, Sala Eduardo Hirtz – Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre.


   Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook  : www.facebook.com/ccpa1948

Twitter: @ccpa1948  

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (06/11/26)

GODZILLA MINUS ZERO

Sinopse: GODZILLA MINUS ZERO se passa em 1949, dois anos após os eventos tumultuados de Godzilla Minus One, e dá continuidade à história da família Shikishima enquanto eles enfrentam uma calamidade inteiramente nova.


CAVALO SELVAGEM NOVE

Sinopse: Os agentes da CIA Chris e Lee enfrentam uma missão de teste de confiança de Santiago à Ilha de Páscoa em 1973 no Chile.

  O Gatola Da Cartola

Sinopse: O Gatola da Cartola, o felino mais animado e engraçado da literatura agora embarca numa aventura épica e hilária.


Assalto À Brasileira

Sinopse: No dia 10 de dezembro de 1987, a cidade de Londrina parou para acompanhar um roubo que vive no imaginário popular paranaense até hoje.


Klara E O Sol

Sinopse: Klara é uma Amiga Artificial que deseja apenas encontrar o lar perfeito. Quando conhece Josie, ambas imediatamente percebem uma espécie de alma gêmea uma na outra. 

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook  : www.facebook.com/ccpa1948

Twitter: @ccpa1948  

Cine Dica: Cinesemana de 5 a 11 de novembro de 2026

A primeira cinesemana de novembro marca a estreia de dois títulos brasileiros muito aguardados pelo público. Um deles é FEITO PIPA, o filme de Allan Deberton que ganhou quatro Kikitos no Festival de Gramado e foi indicado pelo Brasil na corrida pelo Oscar internacional. Também recebemos VICENTINA PEDE DESCULPAS, novo filme do diretor mineiro Gabriel Martins e protagonizado pela grande atriz Rejane Faria.

A semana segue com a grade do Festival de Cinema Francês do Brasil, que apresenta 21 títulos inéditos nos cinemas e obras de novos realizadores do país da Nouvelle Vague. Outra produção que continua em cartaz é MEDLEY, novo longa da diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo e que traz uma história de conflitos familiares protagonizada pela atriz Mel Maia. O público ainda pode conferir a comédia erótica I WANT YOUR SEX, novo trabalho do diretor Gregg Araki, e MEU VERÃO NA SICILIA, primeiro longa da diretora italiana Margherita Spampinato.

Dois títulos ganham suas últimas exibições nesta semana: ROSEBUCH PRUNNING, novo longa do diretor cearense Karin Ainouz; e MUITO PRAZER, comédia dirigida por Jorge Furtado. E, até sexta-feira, dia 6, seguem as atividades de mais uma edição do Frapa, o Festival de Roteiro de Porto Alegre, com uma programação intensa e sessões inéditas de curtas e longas brasileiros.

Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 5 a 11 de novembro de 2026

Mostra A Invenção do Cinema comemora os 130 anos da primeira exibição cinematográfica em Porto Alegre

Entre os dias 5 e 11 de novembro, a Cinemateca Capitólio apresenta uma programação especial que celebra os 130 anos da primeira sessão de cinema realizada em Porto Alegre. A mostra A Invenção do Cinema, que acontece de 5 a 13 de novembro, abre na quinta-feira (05) com uma sessão que reconstitui parte da experiência dos primeiros anos da história do cinema, seguida da exibição de Os Óculos do Vovô (1913), um dos filmes brasileiros mais antigos preservados, e Sonho sem Fim (1986), de Lauro Escorel.

A programação da semana também conta com a exibição de Björk: Cornucopia, registro audiovisual da turnê da artista islandesa, dentro da programação do 11º Festival Kino Beat; uma sessão especial de Anahy de las Misiones (1997), de Sérgio Silva, em homenagem ao cineasta gaúcho; e a exibição gratuita de Um é Pouco, Dois é Bom (1970), de Odilon Lopez, em parceria com o Festival Africano.


MOSTRA A INVENÇÃO DO CINEMA


5 A 13 DE NOVEMBRO DE 2026

Em 5 de novembro de 1896, Porto Alegre recebeu sua primeira sessão de cinema, realizada em um salão na Rua dos Andradas. Exatamente 130 anos depois, a Cinemateca Capitólio celebra a data com a mostra A Invenção do Cinema, que reúne produções históricas nacionais e estrangeiras e tem início na quinta-feira (05), com uma programação especial dedicada aos primórdios da sétima arte.

Às 19h, a sessão de abertura conta com a apresentação do projeto Cinemas do Centro Histórico por Alice Trusz e Cristiano Zanella e, em seguida, exibe uma seleção de curtas-metragens dos primeiros anos do cinema, com filmes que exploram diferentes possibilidades das imagens em movimento. Entre eles estão Dança Serpentina, associado à célebre coreografia de Loïe Fuller; A Chegada de um Trem à Estação, dos irmãos Lumière; A Fada do Repolho, de Alice Guy-Blaché; e O Beijo ou A Viúva Jones, de William Heise.

Na sequência, às 19h30, serão exibidos Os Óculos do Vovô (1913), de Francisco Santos, considerado o filme brasileiro mais antigo preservado, ainda que parcialmente, e Sonho Sem Fim (1986), de Lauro Escorel. Rodado em Pelotas, o longa acompanha a trajetória de Eduardo Abelim, um dos pioneiros do cinema brasileiro, em sua busca por realizar filmes no Rio Grande do Sul. A sessão também celebra os 40 anos de lançamento da produção.

Os ingressos gratuitos para a abertura serão distribuídos a partir das 18h, na bilheteria da Cinemateca.

As sinopses podem ser consultadas neste documento: SINOPSES - A INVENÇÃO DO CINEMA

 

FESTIVAL KINO BEAT: BJÖRK - CORNUCOPIA

6, 7 E 8 DE NOVEMBRO, ÀS 19H

A programação do 11º Festival Kino Beat traz à tela da Cinemateca Capitólio Björk: Cornucopia (2025), de Ísold Uggadóttir. O filme-concerto registra a turnê que levou a artista islandesa aos palcos do mundo durante cinco anos, reunindo músicas de diferentes momentos de sua carreira em uma experiência audiovisual com cenografia monumental, instrumentos especialmente criados para o espetáculo, animações digitais, realidade virtual e áudio espacial.

Os ingressos são vendidos exclusivamente pela organização do festival. Mais informações em https://www.feedme.click/evento/bjork-cornucopia

Circuito de Cinema Metropolitano RS + Clube de Cinema de Porto Agere: Anahy de las Misiones (1997)


Sábado, 7 de novembro, às 10h

A Cinemateca Capitólio recebe uma sessão especial do Circuito de Cinema Metropolitano RS para o Clube de Cinema de Porto Alegre, dedicada ao cineasta gaúcho Sérgio Silva (1948–2012). A atividade destaca a trajetória do diretor, roteirista e produtor, que teve papel importante no desenvolvimento do cinema no Rio Grande do Sul. Entre seus trabalhos de maior destaque está Anahy de las Misiones (1997), que acompanha uma mulher, interpretada por Araci Esteves, durante a Guerra dos Farrapos. Ao lado dos quatro filhos, Anahy segue os soldados pelos campos de batalha, pilhando os mortos para sobreviver.

 

UM É POUCO, DOIS É BOM

Sábado, 7 de novembro, às 17h30, entrada franca

Em parceria com o Festival Africano, que realiza sua segunda edição em Porto Alegre, a Cinemateca apresenta Um é Pouco, Dois é Bom (1970), de Odilon Lopez. A sessão integra a programação especial de novembro dedicada ao Dia da Consciência Negra. Dividido em duas histórias, o filme acompanha diferentes personagens e seus projetos de uma vida nova. Em “Com um pouquinho... De Sorte”, Jorge e Maria enfrentam os desafios de um novo casal que sonha em conquistar a casa própria e constituir família. Já em “Vida nova... Por acaso”, Magrão e Crioulo, de volta à penitenciária, alimentam o desejo de recomeçar.

A sessão tem entrada franca e integra a programação em parceria com o Festival Africano, realizado na Rua Coronel Genuíno, 130, com atividades que celebram a memória, a música, a cultura e os sabores africanos.


GRADE DE HORÁRIOS

5 de novembro (quinta-feira)

15:00 – Mostra A Invenção do Cinema: O Homem das Novidades (entrada franca) – 76 minutos

17:00 – Mostra A Invenção do Cinema: A Carruagem Fantasma (entrada franca) – 107 minutos

19:00 – Apresentação do projeto Cinemas do Centro Histórico por Alice Trusz e Cristiano Zanella + abertura da Mostra A Invenção do Cinema: Programa de Curtas - Chegada de um Trem à Estação + Dança Serpentina + Annabelle Dança Serpentina + O Beijo ou A Viúva Jones + A Fada do Repolho + A Madame com Desejos + Os Óculos de Leitura da Vovó + Pelo Buraco da Fechadura (entrada franca) – 13 minutos

19:30 – Os Óculos do Vovô + Sonho sem Fim (entrada franca) – 102 minutos


6 de novembro (sexta-feira)

15:00 – Mostra A Invenção do Cinema: Lírio Partido (entrada franca) – 90 minutos

17:00 – Mostra A Invenção do Cinema: O Homem Mosca (entrada franca) – 74 minutos

19:00 – Festival Kino Beat: Björk - Cornucopia – 98 minutos (venda antecipada de ingressos online)


7 de novembro (sábado)

15:00 – Mostra A Invenção do Cinema/Sessão Vagalume Especial: A Invenção de Hugo Cabret (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 126 minutos

17:30 – Sessão Especial: Um é Pouco, Dois é Bom (entrada franca) – 90 minutos

19:00 – Festival Kino Beat: Björk - Cornucopia – 98 minutos (venda antecipada de ingressos online)


8 de novembro (domingo)

15:00 – Mostra A Invenção do Cinema/Sessão Vagalume Especial: A Invenção de Hugo Cabret (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 126 minutos

17:30 – Mostra A Invenção do Cinema: Bancando o Águia (entrada franca) – 45 minutos

19:00 – Festival Kino Beat: Björk - Cornucopia – 98 minutos (venda antecipada de ingressos online)


10 de novembro (terça-feira)

15:00 – Mostra A Invenção do Cinema: A Carne e o Diabo (entrada franca) – 112 minutos

17:00 – Mostra A Invenção do Cinema: Lírio Partido (entrada franca) – 90 minutos

19:00 – Mostra A Invenção do Cinema: No Mundo do Cinema: Versão Cinema, colorida (entrada franca) – 121 minutos


11 de novembro (quarta-feira)

15:00 – Mostra A Invenção do Cinema: O Homem das Novidades (entrada franca) – 76 minutos

17:00 – Mostra A Invenção do Cinema: O Homem Mosca (entrada franca) – 74 minutos

19:00 – Mostra A Invenção do Cinema: No Mundo do Cinema: Versão do Diretor, p&b (entrada franca) – 121 minutos

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Fogaréu'

Sinopse: Fernanda retorna à fazenda de seu tio em Goiás após anos distante, trazendo as cinzas de sua falecida mãe adotiva.

Quando buscamos nossas próprias raízes, podemos tanto rejeitar nossa real origem quanto abraçá-la por inteiro. Em "Açúcar" (2017), de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro, vemos uma protagonista em busca do direito às suas terras, tendo que aceitar mistérios sobre de onde veio e confrontar os próprios preconceitos. "Fogaréu" (2026) segue uma premissa familiar, desvendando a história hipócrita do lado conservador de um pedaço de terra do Brasil.

Dirigido por Flávia Neves, o filme acompanha Fernanda, que volta para a fazenda da família em Goiás para trazer as cinzas de sua mãe. Sua presença e a busca obstinada pela verdade sobre suas raízes abalam a fachada dessa elite agrária conservadora, fazendo com que seu tio latifundiário (Eucir de Souza), em plena campanha para prefeito, a veja como uma ameaça. Não demora para que a jovem descubra segredos familiares que permaneciam adormecidos ao longo dos anos.

A Procissão do Fogaréu, na Cidade de Goiás, é uma tradicional encenação religiosa da Semana Santa (Quarta-feira Santa) realizada desde 1745 na antiga capital goiana. Os participantes, chamados de farricocos, vestem túnicas compridas e chapéus cônicos pontiagudos (capuzes) para representar os soldados romanos que perseguiram e prenderam Jesus Cristo.

Flávia Neves faz questão de apresentar essa encenação logo na abertura do filme para causar um efeito imediato no espectador: o desavisado logo pensará tratar-se da Ku Klux Klan em terras brasileiras. Essa relação de causa e efeito é intencional, principalmente em tempos em que o conservadorismo retrógrado assola o país e renova o receio de retrocessos. Contudo, o longa nos lembra que essa realidade talvez estivesse ao nosso lado há muito mais tempo do que imaginamos.

Fernanda pertence a essa família tradicional, mas suspeita de suas reais origens e, sobretudo, das ligações dos povos indígenas com aquelas terras. O filme não apenas faz uma crítica ácida aos latifundiários que tentam apagar a memória dos verdadeiros donos da terra, como também revela como o poder econômico empurra esses corpos para as margens da sociedade. A cena em que Fernanda observa esses povos incrustados e definhando nos cantos da cidade sintetiza com precisão essa engrenagem.

Desde sua atuação como a jovem Clara em "Aquarius" (2016), Bárbara Colen chama atenção por composições contidas, mas que dominam a cena por sua aura enigmática. Aqui, sua personagem transita entre a lucidez, a obsessão e a busca pela lógica em meio a fatos chocantes. Já o tio é a perfeita encarnação da hipocrisia de certas elites regionais contemporâneas, cujos crimes e abusos nunca podem ser pronunciados, apenas enterrados.

A diretora demonstra ótima maturidade nas transições de cena: raramente sabemos se o que vemos são sonhos, delírios ou a pura realidade, criando fragmentos que nos estimulam a formular nossas próprias teorias. O ato final deixa o desfecho em aberto, como se a realizadora exigisse do espectador a construção de um veredito sobre o que testemunhou — ainda que lance um tênue fio de esperança nos últimos minutos. A cena final da protagonista simboliza a caminhada de um Brasil rumo a um futuro incerto, enquanto as sombras conservadoras continuam a nos assombrar.

"Fogaréu" é o retrato contundente da busca por origens cujas raízes tentam ser apagadas pelos aproveitadores de sempre.



   Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook  : www.facebook.com/ccpa1948

Twitter: @ccpa1948  

Cine Dica: Programação CineBancários 05 a 11 de novembro

 FEITO PIPA e VICENTINA PEDE DESCULPAS são as estreias de 5 de novembro no CineBancários

Filme representante do Brasil no Óscar 2027, com Lázaro Ramos no elenco, divide a programação com novo longa de Gabriel Martins, premiado no Festival do Rio

Feito Pipa, longa-metragem dirigido por Allan Deberton, estreia no CineBancários em 5 de novembro, junto de Vicentina Pede Desculpas, filme premiado no Festival do Rio. A sala da Casa dos Bancários exibe também Medley, longa de Ana Luiza Azevedo.

Estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, Feito Pipa estreou na Berlinale 2026, onde conquistou dois prêmios, e passou por importantes festivais internacionais, entre eles o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México e o Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (FICCI), na Colômbia, onde também foi premiado.

Feito Pipa acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino de quase 12 anos apaixonado por futebol que vive ao lado da avó Dilma (Teca Pereira), responsável por criá-lo de maneira livre e afetuosa. Ele vive seu primeiro desafio quando precisa encarar a possibilidade de morar com o pai (Lázaro Ramos), um homem incapaz de expressar seus sentimentos. Rodado em Quixadá, no sertão do Ceará, o filme constrói uma narrativa delicada sobre amadurecimento, pertencimento, afeto e liberdade. O elenco conta também com Carlos Francisco (O Agente Secreto) e Georgina Castro (O Céu de Suely).

Desde sua estreia mundial em Berlim, em fevereiro deste ano, Feito Pipa vem construindo uma das mais expressivas trajetórias internacionais do cinema brasileiro em 2026. O longa conquistou os dois principais prêmios da mostra Generation Kplus, o Crystal Bear (Urso de Cristal), concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional, tornando-se um dos grandes destaques do festival alemão. Na sequência, o filme abriu o Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (FICCI), na Colômbia, onde também recebeu o prêmio de Melhor Interpretação para o jovem ator Yuri Gomes. Logo depois, conquistou mais dois importantes reconhecimentos no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México: Prêmios Maguey de Melhor Filme e Melhor Interpretação para Yuri Gomes e Teca Pereira.

Vicentina Pede Desculpas

Após conquistar três Troféus Redentor no Festival do Rio, Vicentina Pede Desculpas, novo longa-metragem dirigido por Gabriel Martins (“Marte Um”), chega aos cinemas brasileiros em 5 de novembro, com distribuição da Malute. Produzido pela Filmes de Plástico em parceria com a Netflix, o filme é protagonizado por Rejane Faria, com atuação destacada em festivais internacionais.

Na 28ª edição do Festival do Rio, o longa foi premiado nas categorias Melhor Direção de Longa-Metragem de Ficção e Melhor Roteiro, ambas para Gabriel Martins, além de Melhor Longa-Metragem de Ficção pelo Voto Popular.

Em Vicentina Pede Desculpas, Rejane interpreta uma professora aposentada de 75 anos que precisa lidar com a morte do filho e com as dúvidas que cercam a tragédia. Em uma atuação marcada pela contenção e pela sensibilidade, a atriz conduz a narrativa de uma mulher que, diante de uma perda irreparável, tenta compreender o que aconteceu e encontrar caminhos para seguir em frente.


Sobre o filme:

Numa manhã ensolarada em Belo Horizonte, um ônibus lotado segue para o centro da cidade. Ao cruzar um viaduto, o veículo desvia repentinamente, sai da pista e cai na avenida abaixo. Um passageiro fica gravemente ferido, enquanto todos os outros, incluindo Wesley, o motorista, morrem.

A tragédia domina os noticiários de televisão e as manchetes dos jornais em todo o país. Após a análise das imagens das câmeras de segurança, começam a circular especulações de que o motorista poderia ter provocado o acidente intencionalmente.

Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos e mãe de Wesley, fica devastada com a tragédia e sem saber como seguir em frente. Em busca de respostas, ela decide procurar as famílias das vítimas e pedir desculpas. Ao longo desse percurso, encontra diferentes formas de lidar com a dor e descobre que as respostas que procura nem sempre são aquelas que esperava.

Com direção, roteiro e história original de Gabriel Martins, o filme aborda o luto, a culpa e as possibilidades de reparação diante de uma tragédia coletiva.

Além de Rejane Faria, o elenco reúne Maíra Azevedo, Grace Passô, Karine Teles, Renato Novaes, Thalma de Freitas, Flávio Bauraqui, Giovanna Heliodoro e Giovanni Venturini, entre outros.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 5 A 11 DE NOVEMBRO


ESTREIA:


FEITO PIPA

Brasil/Ficção/2026/ 93min.

Direção: Allan Deberton

Sinopse: Gugu é um menino de quase 12 anos, sonhador e apaixonado por futebol, que vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. A relação do garoto com o pai Batista é difícil, feita de ausências, expectativas e afetos não ditos. Avó e neto moram sozinhos ao lado da barragem de Araújo Lima que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família.

Elenco: Yuri Gomes (Gugu), Lázaro Ramos (Batista), Teca Pereira (Dilma), Georgina Castro, Castro Francisco, e apresentando as crianças Luan Vasconcelos, Beatriz Carwile, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo.


VICENTINA PEDE DESCULPAS

Brasil/Ficção/2026/ 148min.

Direção: Grabriel Martins

Sinopse: Em Belo Horizonte, um ônibus lotado desvia e cai de um viaduto, causando a morte de quase todos os passageiros e do motorista, Wesley. Com a investigação apontando a possibilidade de suicídio por parte do motorista, sua mãe, Vicentina — uma professora aposentada de 75 anos —, decide caminhar pela cidade para procurar individualmente cada uma das famílias das vítimas e pedir desculpas em nome do filho.

Elenco: Rejane Faria, Maíra Azevedo, Giovanna Heliodora, Thalma de Freitas,Grace Passo, Bárbara Colen.



EM CARTAZ:


MEDLEY

Brasil/Ficção/2025/ 96min.

Direção: Ana Luiza Azevedo

Sinopse: A jovem Lola vive em conflito com a mãe e carrega o trauma da ausência  do pai, de quem guarda poucas lembranças. Ao viajar sozinha nas férias para uma cidade do interior, ela entra para uma equipe de natação competitiva e, enquanto tenta vencer o bloqueio que a impede de nadar no estilo borboleta, embarca em uma jornada de autodescoberta que revela segredos do passado de sua família.

Elenco: Mel Maia, Guthierry Sotero, André Ramiro, Alana Cabral, Mariana Lima



HORÁRIOS 05 a 11 de NOVEMBRO

(não há sessões nas segundas-feiras)

14h45: MEDLEY

16h30: VICENTINA PEDE DESCULPAS

19h10: FEITO PIPA


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484