Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Sinopse: Owen, que acabou de ser abandonado em seu relacionamento, e a romântica e esperançosa Allie podem ser os únicos solteiros na cidade em busca de algo além de um encontro casual. Ambos sentem uma conexão especial quando se conhecem, mas uma série de desencontros e situações paralelas complicam a noite, mantendo-os separados.
SOBRENATURAL - AGORA ENTRE NÓS
Sinopse: Gemma é uma jovem mãe que cria sua filha na casa onde cresceu e descobre que pode viajar para O Além. Quando algo maligno passa a persegui-la, Gemma descobre uma habilidade que muda tudo: ela não apenas entra em O Além — ela pode trazer o que vive lá de volta ao mundo real.
AMIGAS SEM FILTRO
Sinopse: Três amigas planejam um fim de semana de descanso em um spa de luxo, mas tudo sai do controle quando a integrante mais imprevisível do grupo aparece sem avisar.
Cinema brasileiro, memória e visibilidade lésbica em destaque na Cinemateca Capitólio
Após uma breve pausa, a Cinemateca Capitólio retoma sua programação nesta quinta-feira (20) com uma semana que reúne cinema brasileiro contemporâneo, debates, lançamentos e sessões especiais. Entre os destaques estão o retorno de Futuro Futuro, de Davi Pretto, e Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Cordeiro de Mello, além de uma programação especial dedicada à visibilidade lésbica, com os filmes Ferro’s Bar e The Watermelon Woman, e sessão gratuita de Solange seguida de debate com o diretor.
Futuro Futuro retorna à programação com sessão especial e debate
Vencedor do Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem na Mostra Competitiva do Festival de Brasília em 2025, Futuro Futuro, de Davi Pretto, retorna à programação da Capitólio em novo horário, às 15h. Na quarta-feira (26), às 19h, o filme ganha uma sessão especial seguida de debate com o diretor e integrantes do elenco, que irão conversar sobre os processos criativos da obra e as relações entre direção e atuação.
Os Ruminantes revela uma história inédita do cinema brasileiro
Mais recente estreia da Capitólio, Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Cordeiro de Mello, recupera a história por trás do roteiro de A Hora dos Ruminantes, escrito em 1967 por Luiz Sergio Person e Jean-Claude Bernardet. O projeto, radical tanto em sua proposta estética quanto política, jamais chegou a ser filmado. Exibido em importantes festivais, como o É Tudo Verdade e a Mostra Competitiva do CineOP, o documentário apresenta documentos inéditos e confidenciais preservados no Arquivo Nacional, estabelecendo um diálogo entre a história do projeto cinematográfico, a Ditadura Militar brasileira e Hollywood.
Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e 12ª Jornada Lésbica Feminista
A programação desta semana também marca o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e integra a 12ª Jornada Lésbica Feminista, reafirmando a importância da ocupação dos espaços públicos e culturais como forma de preservar memórias e fortalecer a visibilidade lésbica. A programação presta homenagem à memória de Luana Barbosa, mulher negra, lésbica e periférica, assassinada há dez anos.
Na quinta-feira (20), às 19h, uma sessão especial de Ferro’s Bar, produzido pelo Cine Sapatão, será seguida pelo lançamento do livro Na Noite Lésbica: O Levante do Ferro’s Bar, de Julia Kumpera. O encontro contará com a presença da autora, de Rita Quadros, diretor do filme, e terá mediação de Nanni Rios e Leila Lopes.
Na sexta-feira (21), às 19h, a Capitólio recebe uma sessão gratuita de The Watermelon Woman, cultuado filme dirigido e protagonizado por Cheryl Dunye. O longa permanece em cartaz em mais três sessões, nos dias 22, 23 e 26, com ingressos pagos.
Solange tem sessão gratuita seguida de debate
Na terça-feira (26), às 19h, o premiado longa-metragem curitibano Solange, dirigido por Nathália Tereza e Tomás von der Osten, ganha uma sessão única e gratuita na Cinemateca Capitólio. O filme, que passou por importantes festivais internacionais, entre eles o New York African Film Festival, será seguido de debate com Tomás von der Osten, que estará em Porto Alegre especialmente para a sessão. Um dos destaques da produção é a atuação de Cássia Damasceno, que interpreta a protagonista.
Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.
A cinesemana de 20 a 26 de agosto marca a estreia da produção mais recente do festejado diretor Gus Van Sant, que em REFÉM POR UM FIO encena um drama policial que paralisou os Estados Unidos na década de 1970. Outra novidade é AS CORES DO TEMPO, trama na qual o diretor francês Cédric Klapisch proporciona uma delicada viagem pelo tempo a partir das memórias de uma jovem que viveu em Paris no final do século XIX.
Sucesso de público, ACAMPAMENTO MIASMA: SEXO, ADOLESCÊNCIA E MORTE, é um filme de terror slasher dirigido por Jane Schoenbrun, enquanto outro favorito do público é O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, sobre dois casais que discutem as relações. Seguem em cartaz HONESTINO, misto de documentário e ficção que recupera a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil sequestrado pela ditadura militar brasileira, e também CHAMPAGNE: UMA VIAGEM DE PAI E FILHO, do diretor holandês Tim Kamps, que faz um relato emocionante do reencontro entre um pai doente e seu filho distante.
Esta é a última semana para conferir A PROFESSORA DE PIANO, parceria da atriz Isabelle Huppert com o diretor Michael Haneke e que completa 25 anos; e também os longas FRANZ, da polonesa Agnieszka Holland, e UMA INFÂNCIA ALEMÃ, do diretor Fatih Akin.
Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.
Sinopse: Ex-presidiário sai da prisão para se vingar da advogada que o defendeu.
"Cabo do Medo" (1991), do mestre Martin Scorsese, é uma verdadeira obra-prima do gênero suspense, cuja atuação monstruosa de Robert De Niro assombrou uma geração inteira. Baseado na obra do escritor John D. MacDonald, lançada em 1957, o romance havia sido levado pela primeira vez ao cinema em 1962, dirigido por J. Lee Thompson e estrelado por Gregory Peck como o advogado Sam Bowden e Robert Mitchum como o psicopata Max Cady. Agora, eis que chega a versão em minissérie pela Apple TV+, que surpreende por sua fidelidade à fonte original, mesmo tendo sido atualizada para os novos tempos.
Criada por Nick Antosca e produzida pelo próprio Martin Scorsese ao lado de Steven Spielberg, a trama gira em torno da família de um casal de advogados que começa a ser ameaçada quando o criminoso que ajudaram a condenar sai da prisão em busca de vingança. Uma vez solto, Max Cady (Javier Bardem) decide transformar a vida de sua ex-advogada Anna (Amy Adams) e do promotor Tom Bowden (Patrick Wilson) em um verdadeiro inferno. Para piorar, os filhos do casal acabam sendo seriamente atingidos por esse evento.
Ouvira com muita desconfiança sobre essa nova versão, mas logo me interessei ao saber que Scorsese estava envolvido no projeto. O resultado é uma minissérie que respeita sua fonte e, principalmente, o legado que o filme de 1991 construiu, mantendo até mesmo a trilha sonora assustadora composta por Bernard Herrmann para a primeira versão do clássico de 1962. O resultado, porém, não é mero saudosismo, mas um belo exemplo de que histórias do passado podem sim ser recontadas para os novos tempos, desde que conduzidas com maestria.
Além de uma direção segura, autoral e que remete aos truques de câmera operados por Scorsese em sua versão pessoal, a minissérie obtém seu maior êxito através do elenco. Amy Adams se sai bem como a versão feminina da defensora de Max no passado — que, por um motivo obscuro, deixou que ele fosse condenado pelo promotor e agora seu marido, brilhantemente interpretado por Patrick Wilson. Ambos possuem uma química curiosa, sem esconder que seus respectivos personagens guardam segredos nas entrelinhas que aos poucos são revelados no decorrer dos episódios.
Destaque também para a atuação dos jovens atores que interpretam os filhos, sendo Lily Collias um talento a ser observado de perto em futuros projetos. Porém, a minissérie pertence a Javier Bardem, que se entrega a uma atuação tão assustadora quanto a de Robert De Niro. Se em "Onde Os Fracos Não Têm Vez" (2007) Bardem nos assustava na pele de um inesquecível matador profissional, aqui ele nos assombra por sua capacidade de persuasão, fazendo com que todos caiam em seu jogo maléfico.
Curiosamente, a série dá espaço para algumas subtramas, como o surgimento de uma filha misteriosa de Max e de outros parentes que nos dão a dimensão de como sua infância foi complexa. Ponto alto para o retorno da atriz Juliette Lewis — que deu vida à jovem filha do casal na versão de 1991 — interpretando aqui uma personagem misteriosa com forte ligação com Max. Não é preciso ser um gênio para notar que, além dela, outros elementos remetem ao clássico original, como a presença do barco, utilizado porém em um momento de tensão inédito.
Se há um ponto falho a destacar, é justamente o final. No decorrer dos episódios, a trama flui de forma bastante fresca, mesmo para quem já conhece a história, escapando de comparações diretas com as versões anteriores. Infelizmente, o último episódio falha ao mimetizar por demais o desfecho do clássico de 1991, como se os realizadores fossem obrigados a isso, quando poderiam ter optado por algo mais criativo.
Isso faz com que a minissérie termine meio em aberto, sugerindo uma possível continuação. A meu ver, é um risco desnecessário: o conto possui começo, meio e fim bem amarrados e, ao inventar novos desdobramentos, corre o sério risco de se tornar repetitivo. Ainda assim, com o sucesso da produção, não me surpreenderia ver Max retornando do inferno mais uma vez.
"Cabo do Medo" é uma grata surpresa para os amantes do clássico de Scorsese, funcionando perfeitamente para os dias atuais e surpreendendo por suas incríveis atuações.
Sinopse: O filme reconta a trajetória de Elize Matsunaga, desde suas origens humildes até o casamento conturbado com o empresário Marcos Matsunaga, culminando no trágico assassinato ocorrido em 2012.
Muitos se perguntam o que leva uma pessoa a cometer um crime hediondo. Longas como "A Menina que Matou os Pais" (2021) e "O Menino que Matou Meus Pais" (2021) debruçaram-se sobre o caso Richthofen, mas acabaram deixando mais dúvidas do que respostas para o público. Já "Elize: Sombras de Uma Mulher" (2026) aborda outro crime que chocou o país, mas sob a perspectiva da própria autora do ato.
Dirigido por Felipe Vellas, o filme retrata a vida de Elize, uma mulher que recorre à prostituição para se sustentar e pagar os estudos. A reviravolta acontece ao se casar com um rico empresário de São Paulo; contudo, o que parecia um conto de fadas logo se transforma em um pesadelo repleto de conflitos que a levam ao limite — cenário que culminaria em um dos crimes mais conhecidos da história recente do Brasil.
O longa pode ser facilmente acusado de parcialidade, já que praticamente toda a narrativa se sustenta na versão apresentada por Elize às autoridades após sua prisão. Em função disso, testemunhamos os fatores que a teriam levado ao ato: desde os abusos sofridos ainda jovem no ambiente familiar até a convivência com as práticas nada saudáveis do marido. Essa construção oferece ao espectador uma dimensão prévia da tragédia anunciada.
Curiosamente, Felipe Vellas opta por expor a cena do crime logo no início, fazendo com que o evento vá e volte na linha temporal. O ato do esquartejamento fica reservado à reta final e só não se torna excessivamente grotesco ou chocante devido aos inteligentes jogos de câmera da direção. Contudo, a força da cena não reside apenas na decupagem técnica, mas também no talento da atriz Lorena Comparato.
Conhecida por seu trabalho na série Impuros, Lorena aceitou um dos maiores desafios de sua carreira ao interpretar uma figura real e complexa, cujas motivações são questionadas até hoje. É instigante observar como a intérprete constrói uma ambiguidade para a personagem: seu olhar revela uma alma partida, incapaz de ser restaurada pelos recursos materiais ao seu redor. Um papel espinhoso, no qual a atriz obtém nítido êxito.
Em suma, o filme expõe os gatilhos que podem conduzir alguém ao caminho sem volta. Não há heróis ou vilões maniqueístas na trama, mas sim pessoas comuns que cometem erros irreversíveis. Se, por um lado, o longa falha ao priorizar de forma quase exclusiva a versão de Elize, por outro, convida à reflexão sobre a nossa própria fragilidade diante dos desgostos da vida — demonstrando que dinheiro algum compra a felicidade quando a realidade ao redor se revela hipócrita.
"Elize: Sombras de Uma Mulher" é um filme sobre um crime hediondo, mas que, sob a superfície do sensacionalismo, ilumina os elementos sombrios de uma tragédia anunciada.
Vencedor da Mostra Tiradentes, ‘Anistia 79’ estreia em 20 de agosto no CineBancários
Dirigido por Anita Leandro, longa-metragem que traz à tona o registro histórico de um grande encontro internacional pela anistia no Brasil, realizado em Roma, divide a programação da cinesemana com ‘Honestino’ e ‘Rio de Clarice’
Depois de conquistar os prêmios de Melhor Filme da competição Olhos Livres e do Júri Popular na Mostra de Cinema de Tiradentes, além do prêmio de Apoio à Distribuição no FID Marseille, Anistia 79, novo longa-metragem de Anita Leandro, chega aos cinemas brasileiros em 20 de agosto, com distribuição da Embaúba Filmes. O CineBancários estreia em sua programação o documentário, que parte de imagens inéditas da Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, realizada em Roma, em junho de 1979. Esses registros históricos do processo de anistia, de grande atualidade, convidam o espectador a julgar os crimes do passado e a elaborar uma memória da ditadura militar.
“Não se trata de um filme temático sobre anistia”, diz a diretora, “mas de um filme sobre a emoção de 11 pessoas que viveram esse processo, diante de imagens de arquivo onde elas aparecem”. Esses registros nos transportam para a plenária do Senado Italiano, que sediou a Conferência Internacional pela Anistia e as Liberdades Democráticas no Brasil, evento que reuniu centenas de exilados brasileiros e defensores de direitos humanos de diversos países, engajados na luta pela anistia e pelo fim da ditadura. Essas imagens, registradas por dois exilados, ficaram guardadas num porão, em Paris, por quase meio século, até que Anita Leandro encontrasse uma cópia do material em cassetes mini-DVs, sem som, em uma biblioteca da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, especializada em questões políticas da América Latina.
“Assistindo àquelas imagens mal digitalizadas, reconheci personagens importantes da resistência à ditadura militar”, conta a diretora. “A bibliotecária me colocou, então, em contato com Hamilton Lopes dos Santos, o autor do material de arquivo”. Exilado em Paris, durante a ditadura, Hamilton alugou uma câmera, reuniu uma pequena equipe e partiu para Roma, sem dinheiro e sem experiência em cinema, movido apenas pela vontade de deixar um registro do evento para as gerações futuras. Durante três dias, ele filmou a Conferência Internacional pela Anistia. São quase duas horas de material, rodado em 16mm, preto e branco, com um som cristalino, que oferece ao momento presente um balanço emocionante de uma história de muita luta.
Anistia 79 mostra esse material a pessoas que aparecem nas imagens e registra suas reações diante desses vestígios do passado. As filmagens são um diálogo entre passado e presente, que se prolonga na mesa de montagem. Graças a essa circularidade do tempo, o debate sobre a anistia desencadeado nos anos 70 chega até nós em toda a sua atualidade, chamando a atenção para a manutenção do aparato repressivo da ditadura e a impunidade dos torturadores e militares responsáveis por crimes contra a humanidade. Para o jornalista Felipe Lott, do Le Monde Diplomatique, este filme, “não apenas descerra as portas do mundo, onde a canção foi decepada, como também permite a abertura do nosso porão interno, fechado a sete chaves”.
O novo longa de Anita Leandro dialoga diretamente com Retratos de Identificação (2014), onde ela reconstitui a trajetória da exilada Maria Auxiliadora Lara Barcellos, desde sua prisão e tortura até o suicídio, no exílio, em Berlim. Em Anistia 79, outra vítima da ditadura ocupa o centro da narrativa: Denise Crispim. As imagens de seu depoimento no Tribunal Bertrand Russell II, em 1974, abrem o filme. Presa e torturada quando estava grávida, Denise não consegue falar e seu testemunho é lido por um jurista. Quatro anos antes, seu marido, o combatente Eduardo Leite, conhecido como “Bacuri", havia sido preso, torturado por mais de 100 dias e assassinado no DOPS de São Paulo por agentes do Estado. Décadas depois, Anita Leandro vai ao encontro de Denise para mostrar-lhe, não essas imagens do Tribunal, que ela já conhecia, mas outras, inéditas, atravessadas pela esperança no futuro, as imagens da Conferência de Roma, onde ela aparece ao lado da filha, Eduarda, uma linda criança, sorridente, que nasceu na prisão e encontrou refúgio no exílio, em Roma.
PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 20 A 26 DE AGOSTO
ESTREIA:
ANISTIA 79
Brasil/Documentário/105min.
Direção: Anita Leandro
Sinopse: Roma, junho de 1979. Exilados brasileiros filmam a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, o maior encontro da esquerda brasileira fora do país. Quase meio século depois, essas imagens reacendem o debate sobre a manutenção do aparato repressivo da ditadura e a impunidade dos torturadores.
EM CARTAZ:
RIO DE CLARICE
Brasil/Drama/2025/
Direção: Taciana Oliveira, Barbara Kahane, Eunice Gutman, Nicole Allgranti e Maria Luiza Aboim.
Sinopse: Longa-metragem brasileiro que adapta cinco contos clássicos de Clarice Lispector para o cinema. O filme foi dirigido por uma equipe de cinco cineastas mulheres e explora temas como família, identidade, desejo e epifanias femininas. A obra é composta por cinco segmentos independentes:
Amor (dirigido por Taciana Oliveira): A clássica história da epifania de uma dona de casa que, da janela do ônibus, vê um homem cego mascando chiclete. Preciosidade (dirigido por Barbara Kahane): Retrata a trajetória de uma jovem em processo de amadurecimento após lidar com a ausência paterna e um episódio de violência/assédio. Mal-estar de um Anjo (dirigido por Eunice Gutman): Um mergulho psicológico na vida de uma mulher que, após uma sessão de terapia, é confrontada por conflitos internos. A Bela e a Fera ou uma Ferida Grande Demais (dirigido por Nicole Allgranti): Abordagens sobre a dualidade, o desejo e a essência feminina através da lente única da autora. Feliz Aniversário (dirigido por Maria Luiza Aboim): Uma reunião familiar tensa e dramática pelos 89 anos de Dona Anitta, revelando mágoas e fissuras nas relações.
Elenco: Letícia Spiller, Letícia Isnard, Louise Cardoso, Lucélia Santos e Hugo Bonemer
HONESTINO
Brasil/Documentário-Drama/2025/ 86min.
Direção: Aurélio Michiles
Sinopse: Fusão entre documentário e ficção, o filme conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração 1968, presidente da UNE e aluno da UnB. Preso cinco vezes por sua militância, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, e é uma das centenas de desaparecidos da ditadura militar. Baseado em cartas, poemas e imagens de arquivo, dezenas de depoimentos de familiares, amigos e militantes e cenas interpretadas por Bruno Gagliasso.
Elenco: Bruno Gagliasso
HORÁRIOS DE 20 A 26 DE AGOSTO
(não há sessões nas segundas)
15h: RIO DE CLARICE
17h: HONESTINO
19h: ANISTIA 79
Ingressos
Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.
CineBancários
Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre
Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br
Sinopse: K., um homem sem memória, é acolhido por um trabalhador solitário em um bairro empobrecido de Porto Alegre. Castigada por chuvas incessantes, a cidade serve de cenário para uma realidade de desigualdade extrema e inteligência artificial avançada.
Diferente do que muitos imaginam, o cinema brasileiro conta com uma rica tradição de produções que exploram questões universais através da ficção científica. Títulos recentes como "Bacurau" (2019) e "O Último Azul" (2025) usam o gênero para projetar e refletir sobre os dilemas políticos de um Brasil historicamente instável. Em "Futuro Futuro" (2026), quarto longa escrito e dirigido pelo gaúcho Davi Pretto, essa premissa ganha um contorno singular ao incorporar traumas coletivos e recentes do nosso cotidiano à narrativa.
A trama se passa em um futuro próximo, em uma quebrada distópica de Porto Alegre onde a tecnologia de inteligência artificial, embora avançada, está ao alcance das classes populares. O elemento central dessa presença é um assistente virtual — no estilo da Alexa —, cuja interface emite uma chamativa luz vermelha. É nesse ambiente que acompanhamos K. (Zé Maria Pescador), um homem desmemoriado acolhido por um velho clickworker solitário (João Carlos Castanha).
K. sofre de "neurodeflação súbita", uma erosão cognitiva de causas desconhecidas que provoca distúrbios neurológicos severos, como a perda da capacidade de formular imagens mentais e a amnésia total. Embora a narrativa dialogue com tropos clássicos da ficção científica já explorados no cinema e na literatura, Pretto utiliza a distopia para construir uma profunda reflexão sobre o momento presente e as crises imprevisíveis que passamos a enfrentar.
A enchente devastadora que assolou o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, é integrada à diegese da obra, reforçando que a tragédia climática permanece um problema urgente e contínuo. Ao entrelaçar esse trauma à trama tecnológica, Davi Pretto entrega um longa que se desacopla do padrão das grandes produções nacionais recentes, assumindo o papel de um verdadeiro "estranho no ninho". Essa sensação de inadequação sintetiza a própria jornada de K., que busca apenas encontrar um lugar em um mundo cujo amanhã parece completamente incerto.
Consagrado no Festival de Cinema de Brasília de 2025 com quatro prêmios do Júri — Melhor Filme, Roteiro, Montagem e uma Menção Especial para a atuação de Zé Maria Pescador —, o longa também se destaca pelo rigor estético. A fotografia saturada em tons avermelhados transforma Porto Alegre em um cenário claustrofóbico e desconfortável, revelando uma sociedade perdida em sua própria dependência tecnológica e gradativamente desconectada da sua humanidade.
"Futuro Futuro" é um "peixe fora d'água" no panorama do cinema brasileiro contemporâneo — e é justamente por essa coragem de fura-bolhas que merece ser visto.