Sinopse: Um vírus une a humanidade em uma mente coletiva de felicidade constante, e a protagonista, Carol Sturka (interpretada por Rhea Seehorn), uma escritora amarga e infeliz, é uma das poucas pessoas imunes.
Vince Gilligan é um daqueles casos raros de criadores que dão um passo à frente no conteúdo televisivo, transformando-o em linguagem puramente cinematográfica. As séries "Breaking Bad" e "Better Call Saul" são exemplos de tramas criativas e alinhadas a uma direção que não deve nada ao cinema autoral. "Pluribus" (2025) estreou de forma mansa, mas logo conquistou o público que deseja assistir a algo que vá além do óbvio.
Na trama, acompanhamos um mundo onde um vírus extraterrestre transforma a humanidade em uma mente coletiva feliz e pacífica. A exceção é um pequeno grupo de imunes, como a escritora Carol Sturka — a pessoa mais infeliz do mundo —, que precisa decidir se vale a pena lutar para manter sua individualidade contra essa felicidade forçada e universal.
Protagonizada por Rhea Seehorn, a série possui os mesmos ingredientes que fizeram de "Breaking Bad" uma obra cultuada, pois as imagens falam mais por si do que as palavras ditas. Uma vez que as pessoas do mundo inteiro se tornam uma só em termos de mente coletiva, a protagonista transita entre a loucura, a busca pela lucidez e um meio para contornar todo esse absurdo. Ao mesmo tempo, ela possui uma personalidade forte e sarcástica que faz com que a gente simpatize com ela de imediato.
Rhea Seehorn carrega a série nas costas. Em diversas passagens, vemos sua personagem sozinha, tentando entender a situação, mas também interagindo com pessoas que um dia foram indivíduos e agora partilham da mesma mente. A atriz nos brinda com uma atuação digna de nota: sua personagem nos transmite raiva e tristeza em uma única cena, tornando suas ações imprevisíveis em alguns momentos. Merece todos os prêmios caso seja indicada.
Em termos de roteiro, por mais que a história soe original, ela provoca um certo déjà vu, já que a ideia de mente coletiva já foi explorada em outras séries e filmes — como no cultuado "Cidade das Sombras" (1998). Porém, como dito acima, a série é rica em sua direção; cada capítulo é um exemplo de como filmar com perfeccionismo, alinhando técnica a incríveis atuações. Os realizadores buscam aprofundar o que nos faz humanos e únicos, e como isso se torna precioso perante a possibilidade de sucumbirmos à ideia do coletivo.
A série, por sua vez, funciona como uma crítica subliminar aos tempos atuais, em que a sociedade se torna cada vez mais prisioneira das redes sociais, onde todos tentam saber da vida alheia e performar uma felicidade forçada, para dizer o mínimo. É uma ideia já elaborada por outras mídias, mas moldada aqui de forma original e muito bem-vinda. Resta saber se o lado criativo irá predominar em uma eventual segunda temporada.
"Pluribus" é um belo exemplo de produção que não ofende a nossa inteligência. Pelo contrário: ela nos desafia a pensar sobre uma realidade em que o individualismo se perde — o que, no fim das contas, não é muito diferente do que já acontece na nossa própria realidade.
Onde Assistir: Apple TV.
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