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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre e frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 75 certificados). Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Baronesa




Sinopse:Andreia e Leidiane são vizinhas na periferia de Belo Horizonte. Ambas têm filhos e tentam evitar o envolvimento com o dia a dia da guerra do tráfico. Andreia sonha em construir sua casa, enquanto Leidiane espera o marido sair da cadeia.
O cinema brasileiro vive a sua melhor fase com relação ao “cinema verdade”, onde a percepção com relação à transição de documentário para ficção se torna irrisória e dando lugar ao mais puro cinema realista. Se títulos como, por exemplo, Branco Sai e Preto fica ainda guardava resquícios de um cinema fantástico para se fazer um filme denuncia, por outro lado, A Vizinha do Tigre havia somente uma linha fina do qual separava a ficção e realidade e se tornando um prelúdio do melhor que o cinema independente brasileiro iria oferecer daqui pra frente. O filme Baronesa seque essa tendência, onde não se há uma história inventada, mas sim somente o mundo real com suas mazelas que transborda na tela do cinema.
Dirigido Juliana Antunes a obra nos apresenta o dia a dia de duas vizinhas e amigas que moram na periferia de BH. De um lado, Andreia começa a construir sua casa para se mudar. Do outro, Leid e os filhos estão à espera do marido, que está preso. Em comum, a necessidade de se desviar dos perigos da guerra do tráfico e a estratégia para evitar as tragédias trazidas como consequência.
Para se obter maior aproximação com a dupla central da trama, a cineasta Juliana Antunes decidiu alugar um barracão para ficar próxima a elas e tendo visitas semanais de sua equipe de filmagem, Isso lhe garantiu a chance de observar diversas situações do cotidiano de ambas, desde os percalços para se conseguir dinheiro para sobreviver no dia a dia, como também convivendo com o temor de uma iminente guerra de quadrilhas daquela periferia. O resultado é uma trama que transita entre o corriqueiro para situações que beiram a imprevisibilidade e até mesmo o suspense.
Embora novatas no mundo da atuação, Andreia e Leid não se intimidam na frente da câmera, sendo que a primeira é a que mais coloca para fora a sua pessoa e revelando histórias reveladoras de um passado cheio de percalços. Embora com poucos recursos em mãos, Andreia é uma pessoa vivida, onde o pior da vida lhe ensinou a se fortalecer para continuar seguindo em frente, mesmo quando havia todos os motivos para desistir. O que lhe resta, portanto, é uma força de vontade que se encontra, não somente em seu físico, mas no seu olhar profundo e com infinitas histórias para se contar.
Por outro lado, Leid também tem o seu espaço em cena, ao retratar uma mulher que tem a responsabilidade de cuidar dos seus filhos sozinha e carregando o fardo das consequências do seu marido ter sido preso. Juliana Antunes aproveita essa situação para registrar ao máximo com a sua câmera o quão é difícil cuidar de crianças em meio essa realidade com poucos recursos e dando para elas um futuro indefinido. Não tem como não se chocar, por exemplo, na cena em que uma das crianças se encontra sentada na beira da porta e lançando um olhar para câmera, onde se enxerga uma inocência que, infelizmente, tende a desaparecer mais cedo do que se deveria.
A violência, por sua vez, se torna corriqueira naquele ambiente, onde o tráfico se torna o único sustento, mas desencadeando maiores obstáculos para se continuar vivendo. Se por um lado fica-se em aberto o destino de pessoas próximas a dupla central, do outro, a violência dispara sem prévio aviso em determinados momentos e fazendo a gente se perguntar se realmente aconteceu tal momento: a cena em que ambas as protagonistas são pegas pelo barulho repentino vindo um tiroteio sintetiza bem isso.
Com um final em que se revela incerto com relação ao futuro daquelas personagens, Baronesa é um retrato cru de uma de uma realidade que molda mulheres esquecidas pelo resto da sociedade, mas que optam em viver e continuar em frente.

Onde assistir: Cinebancários. Rua General Câmara, nº424, centro de Porto Alegre. Horário: 17h. Sala Norberto Lubisco. Casa de cultura Mario Quintana. Rua das Andradas, nº736 – Centro de Porto Alegre. Horário: 19h.    



Cine Dica: As Boas Maneiras, De Boca em Boca e Branca de Neve e Os Sete Anões (21 a 27 de junho)



 CINEMATECA CAPITÓLIO PETROBRAS EXIBE NOVO FILME DE JULIANA ROJAS E MARCO DUTRA. BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES EM CARTAZ
 
A partir de quinta-feira, 21 de junho, a Cinemateca Capitólio Petrobras exibe um dos grandes lançamentos brasileiros do ano, As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra. Acompanha a exibição do filme, o clássico Branca de Neve e os Sete Anões, de David Hand, uma das principais influências dos diretores. O documentário De Boca em Boca, de Wagner Abreu, sobre o ambiente do tráfico de drogas em Porto Alegre, será exibido entre os dias 21 e 26 de junho.
Os filmes A Câmera de Claire, de Hong Sang-soo, e o ousado O Caminho dos Sonhos, de Angela Schanelec, seguem em exibição até o dia 26 de junho.

O valor do ingresso para os filmes As Boas Maneiras, A Câmera de Claire e O Caminho dos Sonhos é R$ 16,00. O valor para De Boca em Boca e Branca de Neve e os Sete Anões é R$ 10,00. Estudantes e idosos pagam meia entrada.

FILMES

AS BOAS MANEIRAS
Brasil, 2017, 135 minutos
Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra
DCP
Distribuidora: Imovision
Ana contrata Clara, uma solitária enfermeira moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, Ana começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos.

BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
(Snow White and the Seven Dwarfs)
Estados Unidos, 1937, 83 minutos
Direção: David Hand
Exibição digital dublada
Uma rainha má e bela resolve, por inveja e vaidade, mandar matar sua enteada, Branca de Neve, a mais linda de todo o reino. Mas o carrasco que deveria assassiná-la a deixa partir e, durante sua fuga pela floresta, ela encontra a cabana dos sete anões, que trabalham em uma mina e passam a protegê-la.

DE BOCA EM BOCA
Brasil, 2017, 60 minutos
Direção: Wagner Abreu
Exibição digital
Filmado em 2016, a produção que levou cerca de um ano para ser finalizada, revela o submundo do tráfico através de entrevistas e imagens inéditas de dentro das bocas de fumo.

GRADE DE HORÁRIOS

21 a 27 de junho de 2018

21 de junho (quinta)
14h - Branca de Neve e os Sete Anões (dublado)
15h30 - De Boca em Boca
16h45 - A Câmera de Claire 
18h - O Caminho dos Sonhos
19h40 - As Boas Maneiras

22 de junho (sexta)
14h - Branca de Neve e os Sete Anões (dublado)
15h30 - De Boca em Boca
16h45 - A Câmera de Claire 
18h - O Caminho dos Sonhos
19h40 - As Boas Maneiras

23 de junho (sábado)
14h - Branca de Neve e os Sete Anões (dublado)
15h30 - De Boca em Boca
16h45 - A Câmera de Claire 
18h - O Caminho dos Sonhos
19h40 - As Boas Maneiras

24 de junho (domingo)
14h - Branca de Neve e os Sete Anões (dublado)
15h30 - De Boca em Boca
16h45 - A Câmera de Claire 
18h - O Caminho dos Sonhos
19h40 - As Boas Maneiras

26 de junho (terça)
14h - Branca de Neve e os Sete Anões (dublado)
15h30 - De Boca em Boca
16h45 - A Câmera de Claire 
18h - O Caminho dos Sonhos
19h40 - As Boas Maneiras

27 de junho (quarta)
18h - O Caminho dos Sonhos
19h40 - As Boas Maneiras

terça-feira, 19 de junho de 2018

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: A Câmera de Claire



Nota: filme exibido para associados e não associados no último sábado (17/06/18).


Sinopse: Durante uma viagem de trabalho ao Festival de Cannes, a jovem coreana Manhee é demitida após ser acusada de desonestidade. Ao mesmo tempo, Claire, uma professora e escritora francesa, anda pela cidade fotografando com sua câmera Polaroid. Por acaso, essas duas mulheres se conhecem e têm uma conexão quase instantânea, em meio a reveladoras coincidências.

Logo após a reinauguração da Cinemateca Capitólio de Porto Alegre alguns anos atrás, eu tive o prazer de assistir nas suas primeiras semanas de atividade o filme A Visitante Francesa, sendo que foi o primeiro longa que eu vi do cineasta coreano Hong Sang-soo. Ele já era um cineasta reconhecido mundialmente, mas acho que eu o conheci justamente num momento em que ele começou a tentar exorcizar os seus conflitos vindos do seu intimo e criando filmes dos quais nos fale um pouco sobre a sua pessoa. Posteriormente vieram Lugar Certo, História Errada; Na Praia á Noite Sozinha; O Dia Depois e agora A Câmera de Claire do qual, novamente, ele não se intimida em falar sobre ele mesmo na tela através de uma história fictícia.
A trama se passa durante o Festival de Cannes, onde a jovem coreana Manhee (novamente Kim Min‑hee) é demitida pela produtora Yanghye (Mi-hie Jang) de um filme em que ela estava trabalhando. Mesmo sem saber o que fazer, Manhee permanece no litoral e é quando conhece Claire (Isabelle Huppert), uma fotografa fascinada pela fotografia e que inicia uma forte amizade com ela, mesmo num curto espaço de tempo. Antes disso, Claire conhece o diretor de cinema So Wansoo (Jin-young Jung), e esse encontro fortuito dará maiores explicações a respeito do destino de Manhee e de o porquê ela foi demitida tão bruscamente.
Assim como no recente O Dia Depois, Hong Sang-soo cria uma simples história de encontros e desencontros, mas se tornando especial na forma como ele filma os seus protagonistas e da maneira como eles se expressam perante a proposta principal da história. O filme se constrói a partir de longos diálogos, onde a câmera do diretor foca os atores em longos planos sem cortes e registrando cada mudança de comportamento deles. Um perfeito casamento de um perfeccionismo autoral com boas atuações em cena e descortinando o real significado de algumas ações dos personagens dentro da trama. 
Claire (Huppert), mesmo com toda a sua excentricidade com relação a fotografias, se torna uma espécie de representação de nós mesmos dentro da trama, já que, meio sem querer, cai de para quedas em meio a uma situação incomum com relação à demissão de Manchee (Min‑hee). Embora possa parecer meio que forçada à repentina forte amizade que surge de ambas as personagens quando se conhecem, isso é recompensado pelo talento de ambas às atrizes e também sendo uma forma para conhecermos melhor o outro lado da história pela perspectiva de Manchee. Atriz Kim Min‑hee novamente se torna a alma do filme, mesmo com a presença sempre forte Isabelle Huppert, mas uma não eclipsa a outra, mas sim ambas tendo um bom entrosamento de cena.
Embora aparente simplicidade, Hong Sang-soo nos cobra total atenção, já que a trama parece não linear e fazendo a gente se perguntar onde se encaixa cada passagem da história. Porém, isso é contornado com símbolos que o cineasta coloca intencionalmente em cena, desde uma mesa da qual servem café, ou da presença de um belo cão que se encontra descansando no local. São fórmulas simples, porém, eficazes e se tornando peças fundamentais dentro da história.
É claro que não poderia faltar o “alter ego” com conflitos sentimentais do cineasta, do qual ele sempre insere em cena, e coube ao ator Jung Jin Young abraçar essa tarefa ao interpretar um diretor de cinema dentro da trama. Frustrado, além de bêbado em alguns momentos, Jung Jin Young interpreta em cena uma pessoa arrependida pelos seus atos, mas sempre fugindo em consertar os seus próprios erros e enxergando na personagem de Kim Min‑hee nada mais do que os seus próprios defeitos: a cena em que ele julga Manchee sem mais nem menos sintetiza muito bem isso.
Com um final em aberto, A Câmera de Claire é somente uma parte do lado mais intimo de um cineasta que tenta se encontrar através do seu próprio cinema e fazendo a gente se perguntar qual será o próximo passo dessa curiosa cruzada cinematográfica.  

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