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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Cine Dica: Streaming – 'KRAKEN - TERROR NO MAR'

Sinopse: Durante o período da Guerra Fria, um submarino nuclear russo desaparece misteriosamente no oceano ártico após a destruição de uma estação polar.

O principal tropeço de "Kraken - Terror no Mar" não reside propriamente no tempo que leva para revelar sua criatura colossal, mas na densidade massacrante daquilo que preenche essa espera. O filme se afoga em procedimentos burocráticos, diálogos solenes e uma trilha sonora incansável em sua missão de inflar o drama. O resultado é uma narrativa pesada e burocrática, onde a gravidade imposta às relações humanas nunca se justifica pela profundidade rasa dos seus personagens.

Curiosamente, é no mistério que o longa encontra suas melhores virtudes. A ameaça ganha força justamente enquanto se recusa a se mostrar por inteiro: tentáculos pontuais, vultos sob a superfície e ataques fragmentados preservam a escala gigantesca do monstro de forma muito mais eficiente do que uma exposição contínua permitiria. Nesse cenário, a ambientação no submarino é o grande trunfo técnico da produção. A claustrofobia dos corredores estreitos, o isolamento absoluto e a disparidade entre a fragilidade do metal e a força do predador conferem um peso tangível às poucas sequências de tensão verdadeiramente bem-sucedidas.

Visualmente, a produção oscila na mesma medida de sua ambição. As escolhas estilísticas que escondem a criatura disfarçam com habilidade os limites orçamentários, ainda que planos mais abertos entreguem a irregularidade dos efeitos visuais. A ação, contudo, ganha alguma personalidade ao se ater às restrições físicas do espaço submerso, escapando pontualmente do lugar-comum dos blockbusters genéricos.

No entanto, o filme é constantemente puxado para baixo por uma idealização militarista engessada. Dever, coragem e sacrifício são tratados com um rigor quase ritualístico que engessa o elenco e alimenta um melodrama árido. Falta ao longa o respiro e a leveza necessários para abraçar o absurdo genuíno que é colocar um submarino em combate contra uma besta mitológica.

Com uma dosagem mais inteligente entre o suspense da espera, o drama humano e o espetáculo gráfico, o projeto poderia ter resultado em uma aventura subaquática instigante. No estado em que se encontra, entrega boas soluções cenográficas e ataques eficientes, mas sucumbe sob o próprio peso ao encarar com solenidade burocrática uma premissa que pedia apenas mais pulso, ritmo e o prazer de assumir sua própria extravagância.

Onde Assistir: Adrenalina Pura+

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 17 A 23 DE SETEMBRO

 “Morte e Vida Madalena”, longa de Guto Parente sobre resistência e amor à arte, estreia no CineBancários em 17 de setembro

Filme estrelado por Noá Bonoba e inspirado em situações reais divide a programação com os documentários “Viva Marília” e “Gonzaguinha – Da Maior Liberdade”

Nas palavras de Samuel Fuller, “o cinema é um campo de batalha”. Nas ideias de Guto Parente, esse filme de guerra pode ser uma comédia. Do encontro entre os absurdos de um set de filmagem e a paixão por criar, driblando as dificuldades, nasce MORTE E VIDA MADALENA, novo longa do cineasta cearense, que estreia no CineBancários em 17 de setembro, com distribuição da Embaúba Filmes.

Inspirado em situações reais vividas por Ticiana Augusto Lima, sócia e parceira criativa de Parente, o filme acompanha Madalena, uma produtora que precisa lidar com a morte recente do pai, o sumiço do diretor de seu próximo filme às vésperas do início das filmagens e uma gravidez de oito meses.

Por trás do humor, está uma relação profundamente afetiva com o próprio ofício. “O cinema é um lugar de aprendizado e de crescimento espiritual, intelectual, de transcendência. Na minha relação, é quase como uma religião”, afirma Parente, que dirigiu 18 filmes, entre longas e curtas, em mais de 20 anos de carreira.

Para o papel principal, o cineasta convidou uma artista de múltiplas frentes: Noá Bonoba é atriz, roteirista, realizadora, preparadora de elenco, dramaturga, curadora e pesquisadora. Para ela, a chave da comédia está em levar a sério até mesmo o absurdo: “O humor vem da crença no drama total da personagem. É preciso acreditar nesse drama para que a situação seja risível. Quanto mais você acredita naquela situação, que é completamente absurda e real, mais engraçado fica”.

A mistura de caos e afeto foi destacada pela crítica. “Um humor que nasce do improviso, do microcaos, das soluções mirabolantes para tapar buracos”, escreveu Cecilia Barroso, do Cinema em Cena. Para Natalia Bocanera, do Cinema com Crítica, “mais do que uma ode ao cinema independente, MORTE E VIDA MADALENA engrandece os verdadeiros artesãos da imagem em movimento”. Já Flavia Guerra definiu, no videocast Plano Geral: “É um filme delicioso, que nos faz acreditar na comédia”.

Entre luto e nascimento, precariedade e invenção, MORTE E VIDA MADALENA encontra graça naquilo que poderia dar errado, e celebra quem, apesar de tudo, não desiste do que ama.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 17 A 23 DE SETEMBRO


ESTREIA:


MORTE E VIDA MADALENA

Brasil/Drama/2025/85min.

Direção: Guto Parente

Sinopse: Madalena é uma produtora de cinema tendo que lidar com a morte recente do pai, sua gravidez de 8 meses e a produção de uma ficção científica B onde tudo parece dar errado. Quando Davi, o diretor do filme e seu ex-marido, desaparece misteriosamente do set, Madalena precisa fazer das tripas coração para conseguir terminar o filme antes do bebê nascer.

Elenco: Noá Bonoba, Nataly Rocha, Tavinho Teixeira, Marcus Curvelo, David Santos, Honório Félix, Jennifer Joingley, Linga Acácio, Rodrigo Fernandes, Souma, Tavares Neto


EM CARTAZ:


GONZAGUINHA DA MAIOR LIBERDADE

Brasil/Documentário/2025 /77 min.

Direção: Susanna Lira

Sinopse: "Gonzaguinha, Da Maior Liberdade" é um filme que busca resgatar em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de um dos artistas mais importantes para a construção e a discussão popular de nossa história democrática: Luiz Gonzaga Jr.

Elenco: André Dale, Ernesto Leão, Gedivan Albuquerque


VIVA MARÍLIA

Brasil/ Documentário/2024 /87min.

Direção: Zelito Viana

Sinopse: O contexto histórico, político e social do Brasil nos anos 1960, 1970 e 1980, e o impacto na vida e obra da atriz Marília Pêra, inserida numa geração de mulheres fortes e potentes que influenciaram corações e mentes.

Elenco: Marília Pêra


HORÁRIOS DE 17 A 23 DE SETEMBRO

(não há sessões nas segundas)

15h: GONZAGUINHA - DA MAIOR LIBERDADE

17h: VIVA MARÍLIA

19h: MORTE E VIDA MADALENA

Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.



CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – 'Toscana'

Sinopse: Após a morte do pai distante, Theo herda uma bela propriedade com um restaurante na Itália.

Pode-se dizer que a gastronomia ganhou um subgênero próprio dentro da história do cinema. Se no clássico "Tomates Verdes Fritos" (1991) um café se torna o epicentro de encontros e transformações, o brasileiro "Estômago" (2007) revela como o talento culinário pode levar alguém a caminhos imprevisíveis. Chegamos, assim, a "Toscana" (2022), no qual o universo da alta gastronomia serve como pano de fundo para uma história sobre redenção e reconciliação.

Dirigido por Mehdi Avaz, o longa acompanha um chef dinamarquês que viaja à Itália com o objetivo inicial de vender o negócio deixado por seu pai. Lá, o convívio com uma mulher local o inspira a repensar suas prioridades quanto à vida e ao amor, forçando-o a encarar as sombras do passado para abraçar um novo futuro.

Apostando em uma mistura entre drama e humor que transita com fluidez, o diretor constrói uma trama simples, porém eficiente em cativar quem aprecia a boa culinária. Logo na abertura, vemos o protagonista liderar sua equipe com um perfeccionismo inflexível, onde qualquer deslize soa como ruína iminente. Essa sequência funciona muito graças ao empenho do ator Anders Matthesen, que imprime no personagem uma obsessão rígida pelo trabalho sem esconder as feridas abertas de um passado mal resolvido. Ao se ver como herdeiro da propriedade de um pai com quem quase não mantinha contato, os sentimentos conflituosos do protagonista vêm à tona de forma bastante expressiva. O filme demonstra, assim, que a gastronomia não é apenas uma profissão, mas um dom capaz de atravessar gerações — mesmo quando os laços afetivos se romperam pelo caminho.

Por outro lado, a narrativa perde um pouco de ritmo ao focar no reencontro do chef com sua paixão de infância, interpretada por Cristiana Dell'Anna. Embora a atriz tenha entregue um trabalho marcante em "Cabrini" (2024), seu desempenho aqui acaba limitado por um dilema pessoal pouco convincente e por um envolvimento amoroso previsível. Ainda assim, a dinâmica entre a dupla consegue reforçar a ligação emocional com o cenário local, sintetizada simbolicamente por uma curiosa fotografia do passado.

Conduzido por uma lição de moral já conhecida em produções do gênero, "Toscana" compensa a previsibilidade ao entregar uma atmosfera charmosa, cenários deslumbrantes e um carinho genuíno pela arte de cozinhar. Pode não ser o expoente máximo desse subgênero, mas certamente desperta a vontade de apreciar um bom vinho. Trata-se de uma obra sobre atritos familiares e sobre a importância de saber a hora de deixar velhos dilemas para trás.

Onde Assistir: Netflix

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Cine Dica: Mostra reúne filmes sobre música hispânica e povos ciganos

Neste mês de setembro, a Sala Redenção apresenta “Recortes da cultura hispânica 2026”, realizada em parceria com o Instituto Cervantes de Porto Alegre. A mostra reúne dois ciclos de cinema já realizados pelo Instituto: “Música para os teus olhos”, com documentários que celebram a potência histórica e cultural da música; e “Ciganos por trás da câmera”, que oferece novas perspectivas de valorização da cultura cigana. A programação é gratuita e acontece entre 14 e 17 de setembro.

Entre os destaques do primeiro ciclo está “O canto das mãos” (2025), estreia da atriz María Valverde como diretora. Exibido no dia 14, às 19h, o documentário acompanha três músicos surdos da Venezuela que enfrentam o desafio de encenar a ópera “Fidelio”, de Beethoven, em língua de sinais. Na noite do dia 15, é a vez de “A guitarra flamenca de Yerai Cortés” (2024), de Antón Álvarez. O longa-metragem retrata como uma parceria musical entre o diretor e Yerai Cortés os leva a explorar um segredo de família.

Já o ciclo “Romanies atrás das câmeras” estreia com “Pandaripén: a história silenciada do povo cigano” (2025), narrado por Lolita Flores com uma direção de Alfonso Sánchez. No documentário, exibido no dia 16, às 16h, pessoas ciganas explicam e contextualizam a história de seu povo, incluindo os relatos daqueles que foram perseguidos e marginalizados. No mesmo dia, às 19h, a sessão conjunta de “Karmenstein” (2022) e “Jacques Léonard: o payo chique” (2019), é seguida de conversa com três representantes da comunidade cigana no Rio Grande do Sul – Primo Augusto Bonaldo, Rose Winter e Vanessa Bonaldo, e com Mégui del Ré – Doutora em Desenvolvimento Rural (UFRGS).

A sessão de encerramento da mostra, no dia 17, às 19h, apresenta “Conhecemos este México melhor que o mapa” (2016), de Lorenzo Armendáriz. O fotógrafo documenta a vida de famílias ciganas que percorriam o México oferecendo à população projeções cinematográficas e outros espetáculos. A exibição é seguida de apresentação de danças romanies com Andressa Porto e Roberta Bello.

A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Eng. Luiz Englert, 333. A mostra “Recortes da cultura hispânica” tem apoio do Instituto Cervantes de Porto Alegre. 

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

domingo, 13 de setembro de 2026

Cine Dica: Streaming — 'Batman: Cruzado Encapuzado' (2ª Temporada)

Sinopse: O Homem-Morcego prossegue em sua cruzada contra o crime em Gotham, mas uma figura misteriosa e aterradora começa a emergir gradualmente das sombras.

A primeira temporada de "Batman: Cruzado Encapuzado" (2024) não apenas despertou a nostalgia dos fãs da clássica série animada dos anos 1990, como também surpreendeu pelo tom retrô, adulto e, por vezes, visceral. Com personagens bem desenvolvidos e revitalizados por reinterpretações corajosas, a animação conquistou o público e deixou uma forte expectativa por novas aventuras. Esta segunda temporada (2026) pode até não superar o impacto do ano de estreia, mas mantém o ótimo nível de equilíbrio e impressiona pela audácia em diversos episódios.

Na trama, líderes de gangues começam a ser assassinados enquanto o Charada se consolida como o novo chefão do submundo. Ao mesmo tempo em que Batman e seus poucos aliados na polícia enfrentam tanto a emergência de novas ameaças quanto a corrupção enraizada nas forças da lei, uma figura de rosto pálido passa a agir sorrateiramente nos bastidores.

Quem acompanhou o desfecho do primeiro ano esperava que o Coringa assumisse de imediato o posto de vilão central. No entanto, os roteiristas optaram por introduzi-lo de forma gradual, abrindo espaço para o desenvolvimento de outros nomes — a exemplo de Edward Nygma, retratado aqui de maneira muito mais ameaçadora e cerebral. Outro ponto alto é o arco de Arlequina, que ganha contornos de redenção e destaque em um episódio chave, deixando seu futuro novamente em aberto.

Esteticamente, a temporada continua sendo um deleite para os apreciadores da atmosfera noir. Temos aqui um Batman "raiz", cujas características remetem diretamente às suas primeiras aparições nas HQ de 1939. Os criadores não pouparam na violência: até mesmo figuras clássicas do universo do herói enfrentam destinos sombrios e surpreendentes. Pode-se dizer que os limites impostos à série noventista foram aqui totalmente superados e levados à potência máxima.

Ainda assim, o grande trunfo da temporada reside na presença intimidadora do Coringa. O personagem reserva o riso histérico apenas para as suas vítimas — expostas ao seu sinistro gás —, mantendo uma postura predominantemente séria, sarcástica e inclinada a demonstrar o quanto ele e o Cavaleiro das Trevas compartilham da mesma insanidade. Sua participação culmina nos dois episódios finais, disparado os momentos mais memoráveis deste ano.

Contando ainda com uma bela e emotiva homenagem ao Fantasma Cinzento, a segunda temporada de "Batman: Cruzado Encapuzado" consolida o acerto da proposta original e entrega aos fãs um retrato corajoso, maduro e envolvente do Homem-Morcego. 


Onde Assistir: Prime Vídeo 

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Cine Dica: Próximo Cineclube Torres - 'Vermiglio, a noiva da montanha'

 "Vermiglio, a noiva da montanha" de Maura Delpero é o próximo filme do Cineclube Torres, na segunda dia 14/9, às 20h na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo.

Segue o ciclo "Mestras e Mestres do Cinema Italiano" com uma autora que, após carreira de documentarista, recentemente se consagrou na ficção. Em 1944, quase no final da segunda guerra, um desertor do exército Italiano, Pedro, chega em Vermiglio, uma remota aldeia nas montanhas. Acolhido por uma família local, vai mudar o curso da vida do vilarejo.

"Trazendo leves pitadas de um doce e pueril humor que ajudam a dar um sabor especial a essa quase trágica jornada familiar, Vermiglio é um drama cru e honesto sobre a vida, o tempo e todos os seus entremeios." (Rafaela Gomes, Cinepop). No Festival de Veneza de 2024 o filme venceu o Leão de Prata, o grande prêmio do Júri, e dominou em 2025 a edição dos Prêmios David di Donatello, os Oscars italianos, levando 7 troféus, incluindo de melhor filme e de melhor direção para a Maura Delpero.

A sessão é realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, em parceria com a Up Idiomas Torres e com entrada franca até a lotação do espaço. O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde agosto 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Serviço:

O que: Exibição do filme "Vermiglio, a noiva da montanha" (2023) de Maura Delpero (Itália) 

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 14/9, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).

Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur

CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'The Rocky Horror Picture Show'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 05/09/26.

O recente filme "A Noiva" (2025), de Maggie Gyllenhaal, foi massacrado pela crítica e não convenceu o público a ir ao cinema. Porém, nota-se que é o típico longa que vai conquistando uma fatia de espectadores aos poucos, ganhando status de cult no seu devido tempo. O fato de a obra pegar personagens conhecidos do universo do horror e recolocá-los em uma proposta que vai contra o convencional faz com que prenda a nossa atenção — seja agora ou em uma sessão futura.

Não faltaram, ao longo da história do cinema, experimentos que se tornaram fracassos retumbantes de bilheteria para, posteriormente, serem adorados pelo público. David Lynch, por exemplo, provou o gosto do fracasso comercial com o seu primeiro longa, "Eraserhead" (1977), mas logo alcançou a consagração através das midnight movies — sessões da meia-noite em que produções B, relegatedas a horários marginais, conquistavam um público fiel e duradouro. "The Rocky Horror Picture Show" (1975) é um desses casos: um filme completamente fora dos padrões da época, mas que tirava de trás das cortinas o desejo de uma parcela da sociedade de libertar sua verdadeira faceta.

"Rocky Horror" foi concebido originalmente como um espetáculo teatral musical, surgindo como uma grande homenagem aos filmes de terror e ficção científica das décadas de 1940 a 1970. O sucesso nos palcos foi estrondoso, resultando em adaptações pelo mundo todo — inclusive no Brasil, com Wolf Maya no elenco. Posteriormente, em 1975, ganhou sua versão cinematográfica.

Dirigido por Jim Sharman, o longa acompanha Brad Majors (Barry Bostwick), que decide pedir sua noiva, Janet Weiss (Susan Sarandon), em casamento. Antes da cerimônia, eles partem em uma viagem de carro, mas acabam se perdendo sob uma forte tempestade. Com o veículo quebrado, buscam ajuda em um castelo próximo, onde são recepcionados por Riff Raff (Richard O'Brien), o criado do dr. Frank-N-Furter (Tim Curry), o extravagante dono da propriedade.

Logo na abertura, o filme diz a que veio: a escuridão da tela é invadida por grandes lábios vermelhos que cantam "Science Fiction/Double Feature". A letra faz referência a diversos clássicos do horror e da ficção científica, de Flash Gordon a King Kong, passando por Frankenstein e Drácula. Porém, mesmo com esse início magnético e imprevisível, ninguém imaginava o delírio que estaria por vir.

Basicamente, a obra é um grande musical que pega carona em sucessos como "Cabaret" (1972) e o cultuado "O Fantasma do Paraíso" (1974). Esses dois exemplos sintetizam a sobrevivência de um gênero que parecia em decadência, mas que injetava na tela elementos estéticos que se tornariam populares na era MTV nos anos 1980 — momento em que extravagância e criatividade andavam de mãos dadas. O filme de Sharman, contudo, atinge essa potência em grau máximo.

Podemos simplificá-lo como uma reverência aos clássicos de horror dos anos 1930 e à onda de ficção científica B dos anos 1950 que assolava o cinema norte-americano. Todavia, o longa revela nas entrelinhas que essas obras pregressas operavam sob uma lógica conservadora ao usarem monstros para amedrontar a plateia, enquanto o verdadeiro monstro estava encravado na própria estrutura social. O mundo ainda tinha vergonha de encarar suas próprias barbáries, desde os horrores do Holocausto até a bomba de Hiroshima.

Os anos 1970, por sua vez, revelaram um cinema cada vez mais desafiador após a derrocada do Código Hays, exigindo que o público aceitasse a metamorfose em curso no mundo. Renegada às sombras, a comunidade LGBTQIA+ via-se marginalizada e perseguida; quando "Rocky Horror" chegou às telas, tornou-se um grito de protesto contra o conservadorismo opressor. Mesmo sob o véu do absurdo e do deboche, é impressionante como o longa carrega simbolismos potentes, tornando-se mais atual do que nunca, mesmo passados mais de cinquenta anos.

O casal central representa a elite puritana norte-americana, incapaz de esconder seus desejos reprimidos à medida que a narrativa avança. Frank-N-Furter surge como uma força da natureza que se recusa a viver nas sombras, seduzindo e libertando todos ao seu redor através de sua extravagância. Tim Curry, que demonstrou imensa versatilidade ao longo da carreira, jamais perdeu a marca dessa interpretação icônica que entrou para a história da sétima arte.

A crítica da época, previsivelmente, detestou a produção, taxando-a de incompreensível e obscena. O grande público também não deu atenção imediata, mas a obra cresceu no boca a boca, tornando-se a rainha das sessões da meia-noite, das cinematecas e das exibições com participação da plateia. Revisto hoje, "The Rocky Horror Picture Show" permanece como um ponto fora da curva: um filme transgressor, genial e à frente de seu tempo, perante o qual até o conservadorismo acabou se rendendo.

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