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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema: "São Paulo Sociedade Anônima" (06/08, quinta-feira) na Sala Redenção

Nesta quinta-feira, 6 de agosto, às 19h, o Clube de Cinema de Porto Alegre realiza mais uma sessão do ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.

A sessão é dedicada ao clássico São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sérgio Person, que será exibido em sua versão restaurada. Considerado um dos grandes títulos do cinema brasileiro, o filme acompanha Carlos, um jovem gerente da indústria automobilística que enfrenta uma profunda crise existencial em meio ao intenso processo de industrialização e crescimento da capital paulista. As aproximações entre São Paulo Sociedade Anônima e a Nouvelle Vague aparecem na narrativa fragmentada, na filmagem em locações reais, no olhar sobre a cidade como personagem e na investigação da alienação do indivíduo urbano.

Após a exibição, haverá um bate-papo com Daniel Rodrigues, crítico de cinema e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), mediada por integrantes do Clube de Cinema de Porto Alegre. O ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" é uma ação de extensão da Sala Redenção (UFRGS) em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre, oferecendo certificados de participação aos inscritos e possibilitando o aproveitamento de horas complementares aos estudantes. Inscreva-se!


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA


📅 Data: 06/08 (quinta-feira), às 19h

📍 Local: Sala Redenção – UFRGS

R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada por Daniel Rodrigues

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


São Paulo Sociedade Anônima

Brasil, 1965, 107min

Direção e roteiro: Luiz Sérgio Person

Elenco: Walmor Chagas, Eva Wilma, Ana Esmeralda, Otelo Zeloni, Darlene Glória, Mário Audrá

Sinopse: Um jovem da classe média tenta construir uma carreira na São Paulo em rápida industrialização, mas vê suas ambições e relações pessoais serem atravessadas pelas contradições da vida urbana e do mundo empresarial.

Sobre o Filme: Luís Sérgio Person era alguém que não parava no mesmo lugar por muito tempo. Foi ator, roteirista, produtor e diretor. Trabalhava na área de teatro, propaganda  e cinema. Teve uma carreira curta, porém, marcante. Morreu cedo, aos 39 anos. São Paulo, Sociedade Anônima, que escreveu e dirigiu em 1965, foi o seu primeiro longa, mas muitos críticos especializados consideram o seu melhor filme até hoje.

Na trama, Person cria um retrato das grandes mudanças sociais ocorridas na maior cidade do país a partir da trajetória do protagonista Carlos. Além disso, aproveita também para criar uma curiosa crítica a uma sociedade emergente de classe média, que vive nos grandes centros urbanos e se baseia em consumir e cultivar hábitos fúteis, ou seja, algo que viria acontecer mais e mais ao longo das décadas a seguir.

Person iniciou sua carreira na TV Tupi, em meados dos anos 1950. Depois, teve que abandonar a arte para trabalhar em uma empresa, onde permaneceu por dois anos. Veio daí a inspiração para a trama de "São Paulo, Sociedade Anônima", do qual, nem ele imaginaria que viraria um grande clássico do nosso cinema brasileiro. 

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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 6 a 12 de agosto

 Cinema brasileiro em estreia, Robert Altman e clássico com Greta Garbo em cartaz na Cinemateca Capitólio

A Cinemateca Capitólio estreia com exclusividade na quinta-feira, 6 de agosto, o documentário Os Ruminantes (2025), de Tarsila Araújo e Marcelo Mello, que resgata a história de um projeto fracassado do cinema brasileiro, a adaptação cinematográfica do romance A Hora dos Ruminantes, de José J. Veiga, nunca concluída por uma série de adversidades. Os Ruminantes divide horários com outra produção brasileira recente, Futuro Futuro, de Davi Pretto, vencedor do Festival de Brasília no ano passado. Inaugurada em 4 de agosto, segue em cartaz a mostra As Mulheres de Altman, que reúne quatro títulos deste que é um dos grandes diretores do cinema norte-americano do século XX.

Já no sábado, 8 de agosto, às 17h, acontece a segunda e muito aguardada edição do novo projeto da Cinemateca Capitólio, a sessão Clássicos, que irá apresentar uma obra-prima da comédia americana, Ninotchka (1939), de Ernst Lubitsch, protagonizada pela atriz sueca Greta Garbo, a maior estrela de Hollywood na década de 30.

Os Ruminantes

Em 1967, o diretor Luiz Sérgio Person (1936-1976) e o professor e crítico de cinema Jean-Claude Bernardet (1936-2025) escreveram o roteiro daquele que seria um de seus projetos mais ambiciosos, a adaptação cinematográfica do romance alegórico A Hora dos Ruminantes, de José J. Veiga, publicado no ano anterior. Um roteiro que, apesar de todos os esforços de Person, jamais sairia do papel, em função de diferentes impedimentos associados ao contexto histórico da época, marcada pela escalada autoritária e à censura impostas pelo regime militar. O documentário Os Ruminantes, dirigido por Tarsila Araújo e Marcelo Mello, resgata a história desse filme nunca realizado, que durante anos consumiu os esforços de Person, diretor de clássicos como São Paulo Sociedade Anônima (1965) e O Caso dos Irmãos Naves (1967).

A partir de um vasto material de arquivo, a pesquisa da dupla de diretores reúne documentos inéditos e confidenciais, entrevistas de época e depoimentos de pesquisadores e cineastas, reconstruindo a trajetória desse filme fantasma e refletindo sobre as relações entre cinema, censura, repressão e cultura no Brasil das décadas de 1960 e 1970. Entre os entrevistados estão Marina Person, filha de Luiz Sérgio Person, e o próprio Jean-Claude Bernardet, em uma de suas últimas participações registradas em documentário.

Futuro Futuro

Quarto longa-metragem de Davi Pretto, Futuro Futuro teve sua estreia mundial em 2025, no Festival de Kárlovy-Vary. A estreia brasileira aconteceu no mesmo ano, no Festival de Brasília, onde conquistou o prêmio de melhor filme.

O novo filme de Davi Pretto imagina um Brasil distópico de futuro próximo, onde avanços em inteligência artificial desencadearam uma nova síndrome neurológica. K é um homem de 40 anos sem memória acolhido por um clickworker solitário numa cidade chuvosa e degradada. Ao usar um dispositivo de IA durante um curso voltado a pessoas afetadas pela síndrome, ele embarca numa jornada absurda e trágica em busca de sentido e pertencimento.

Mostra As Mulheres de Altman

Um dos principais cineastas norte-americanos do século XX, autor de uma extensa filmografia, Robert Altman ganha uma pequena mostra de seus filmes na Cinemateca Capitólio. A mostra reúne os filmes femininos de Altman, exibindo quatro títulos que colocam mulheres em situação de protagonismo: Uma Mulher Diferente (1969), Imagens (1972), Três Mulheres (1977) e James Dean, o Mito Sobrevive (1982). A mostra se estende até o dia 19 de agosto, e os filmes poderão serão conferidos em diferentes dias e horários, sempre em sessões com entrada franca.

Greta Garbo na segunda edição da sessão Clássicos

Em 4 de julho último, a Cinemateca Capitólio atraiu um grande número de espectadores para a estreia da sessão Clássicos, que lotaram a sala para assistir ao filme que inaugurou o projeto, O Retrato de Dorian Gray (1945), de Albert Lewin. No próximo sábado, 8 de agosto, às 17h, acontece a segunda edição do Clássicos, com a exibição de Ninotchka (1939), comédia sofisticada dirigida por Ernst Lubitsch. Veículo para o estrelato da atriz sueca Greta Garbo, que reinou durante a década de 1930 como a grande diva dramática de Hollywood, Ninotchka foi lançado nos cinemas com uma massiva campanha publicitária como a primeira comédia da atriz. Com o slogan “Garbo Ri”, o filme prometia uma performance inédita e descontraída de uma estrela conhecida por dar vida a heroínas trágicas em melodramas suntuosos como Mata Hari (1931), Rainha Christina (1933), Anna Karenina (1935), A Dama das Camélias (1936) e Madame Walewska (1937).

A direção de Ninotchka ficou a cargo do mestre da comédia sofisticada, o alemão Ernst Lubitsch (1892-1947), que encontrou no roteiro assinado por Charles Brackett, Billy Wilder e Walter Reisch o material adequado para criar uma obra-prima do humor, vista por muitos críticos como o melhor de todos os filmes de Greta Garbo. A atriz interpreta Nina Yakushova, agente do governo soviético enviada a Paris para averiguar o comportamento de três representantes do governo que viajaram à capital francesa para cumprir uma importante missão e se deixaram seduzir pelos encantos da Cidade Luz. A princípio séria e disciplinada, ela própria acaba sucumbindo aos apelos capitalistas e ao glamour parisiense, caindo na lábia de um francês sedutor, típico representante da frivolidade que ela sempre detestou. A trama engenhosa e os diálogos espirituosos criam situações hilárias, potencializadas por um grupo de talentosos intérpretes liderado pela presença magnética de Garbo.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui.  

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'O Justiceiro: Uma Última Morte'

Sinopse: Frank Castle está pronto para desistir de tudo, mas o seu passado o encontra primeiro.

O Justiceiro não foi um personagem que surgiu por acaso nas HQs; ele está mais para causa e efeito. Nos anos setenta, a criminalidade nos EUA explodiu, e Nova York se tornou mundialmente conhecida como a cidade do crime. Por conta disso, o cinema não deixou barato. Filmes como "Desejo de Matar" (1974) deram o pontapé inicial para o cinema de ação em que o protagonista atira primeiro e pergunta depois, tudo movido pelo desejo de vingança. Entram, então, os anos oitenta, nos quais anti-heróis como "Stallone Cobra" (1986) simbolizavam uma parcela de uma sociedade que pregava que "bandido bom é bandido morto".

Com o passar do tempo, essa ideia acabou ficando um tanto desgastada, ao ponto de as adaptações do personagem para o cinema chegarem atrasadas. Quando "O Justiceiro" (1989), estrelado por Dolph Lundgren, chegou aos cinemas, havia tantos personagens desse tipo que o longa acabou se perdendo em meio ao tiroteio. E quando "O Justiceiro" (2004) e "O Justiceiro: Em Zona de Guerra" (2008) chegaram às telas, o gênero de ação estava moribundo, de modo que um protagonista se tornando um exército de um homem só — e carrasco — já não era novidade havia bastante tempo.

Quando penso no personagem, sempre o enxerguei como um bom coadjuvante que rouba a cena devido à sua carga dramática. Nas HQs, por exemplo, ele se destacava sempre que surgia nas histórias do Demolidor, principalmente naquelas escritas pelo gênio Frank Miller. Portanto, quando o personagem foi novamente adaptado, desta vez para a segunda temporada de Demolidor nos tempos da Netflix, foi ali que ele finalmente obteve o seu estrelato. Suas motivações foram bem trabalhadas, e ele foi brilhantemente interpretado pelo ator Jon Bernthal, que vinha de sucessos como The Walking Dead (2011). Devido ao sucesso, o personagem ganhou protagonismo em sua própria série, que infelizmente ficou aquém do esperado.


Então, por que insistir em um personagem que quase nunca dá certo?

No meu entendimento, não há personagens ruins, mas sim realizadores que não sabem ao certo como conduzir determinado protagonista — principalmente aqueles que podem gerar problemas futuramente. É fácil rotular Frank Castle como uma figura problemática, sendo ele uma referência para um público que é a favor da violência contra a criminalidade e que deseja que a sentença seja imposta com uma bala na testa. Esse público está equivocado, pois a maioria dele não perdeu um ente querido ou algo do gênero; está apenas interessada em ver o cenário pegar fogo. Frank Castle é o que é pela dor da perda, moldado por um país que o fez como uma arma implacável para depois descartá-lo.

Portanto, o média-metragem "O Justiceiro: Uma Última Morte" (2026) acerta em cheio ao revelar o personagem em sua essência. Vemos um Frank querendo desistir de tudo, pois não vê mais sentido em continuar existindo. A produção orquestrada por Reinaldo Marcus Green retrata um bairro de Nova York em frangalhos, onde a criminalidade se tornou a rotina do cenário, enquanto o protagonista caminha pelas ruas como se fosse um mero fantasma em busca de uma luz nunca alcançada. Somente quando o passado vem ao seu encalço é que ele novamente obtém um propósito.

Em menos de uma hora, vemos um protagonista quebrado e trágico, sendo arrastado pela própria violência que tentou extinguir. A partir do momento em que se encontra em um beco sem saída, sua verdadeira essência aflora ao se tornar uma máquina de matar em cenas cruas, simples, diretas e quase gore. Não é um personagem a serviço do extremismo, mas que faz o que faz porque acredita ser esse o único meio de amenizar seus próprios demônios interiores.

Ainda é um personagem complexo, difícil de ser adaptado em tempos nos quais o uso ou não da violência é discutido de forma acalorada e cuja solução talvez nunca seja alcançada. Até lá, figuras como Frank Castle continuarão existindo, mas não necessariamente como um mau exemplo, e sim como a representação de alguém partido ao meio, para quem o sistema falhou. "O Justiceiro: Uma Última Morte" acerta no alvo ao revelar o personagem em sua real essência, mesmo em poucos minutos de tela.

Onde Assistir: Disney+

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 06 A 12 DE AGOSTO

 'Champagne', road movie holandês sobre pais e filhos, estreia dia 6 de agosto no CineBancários

História emocionante sobre vida, família e despedida divide programação com ‘Pequenas Criaturas’ e ‘A Fabulosa Máquina do Tempo’

Quando um filho descobre que seu pai está com uma doença terminal, ele o leva para uma última viagem de carro à região de Champagne, na França. O que começa como uma jornada desconfortável entre dois homens com dificuldade em expressar seus sentimentos, transforma-se em uma emocionante celebração da vida, da família, do humor e do amor.

Um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema holandês deste ano, "Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho", de Tim Kamps, chega ao CineBancários na semana do dia dos pais, em 6 de agosto. O filme é escrito e estrelado por Leo Alkemade, que baseou o roteiro em sua própria convivência com o pai, que na tela é vivido por Huub Stapel. "Champagne" mistura drama, humor e road movie para contar uma história universal sobre pais e filhos. A distribuição é da Autoral Filmes.

Na trama, a vida de Maarten (Alkemade) vira de cabeça para baixo quando seu pai, Hans (Stapel), revela que tem pouco tempo de vida. Determinado a realizar um dos últimos desejos do pai, Maarten o leva em uma viagem de carro pela região de Champagne. Hans é apreciador de uma boa bebida e encara o passeio como uma bela aventura antes de partir. O filme é inspirado na experiência pessoal do ator, roteirista e comediante Leo Alkemade. Antes da morte de seu pai, os dois planejavam fazer juntos uma viagem à região do nordeste francês, berço mundial do famoso vinho espumante. A viagem nunca aconteceu. Após a perda do pai, Alkemade realizou o percurso sozinho e posteriormente transformou essa experiência no roteiro do filme (junto com Rik van den Bos).

A jornada que ganha as telas será longe de ser tranquila. Pai e filho nunca foram grandes conversadores e logo descobrem que talvez sejam a dupla menos indicada para um encontro de reconexão emocional. No entanto, entre longos percursos, refeições compartilhadas, silêncios constrangedores e risadas inesperadas, eles lentamente reencontram o caminho de um para o outro. “Em sua essência, Champagne não é um filme sobre a morte, mas sobre a vida”, explica o diretor Tim Kamps. “Ele nos lembra que as pessoas mais próximas costumam ser aquelas com quem é mais difícil conversar, e que o amor frequentemente se manifesta mais por atitudes do que por palavras”. O núcleo emocional da história, aliado ao humor e à ternura, torna o filme universalmente compreensível, independentemente do idioma ou da cultura", complementa.

PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 06 A 12 DE AGOSTO


ESTREIA:


CHAMPAGNE – UMA VIAGEM DE PAI E FILHO

Holanda/drama/2025/92 min.

Direção: Tim Kamps

Sinopse: Quando Maarten descobre que seu pai está com uma doença terminal, ele o leva em uma última viagem à região de Champagne, na França. Com conversas tensas e velhos padrões ressurgindo, eles se conectam através de refeições compartilhadas e pequenos momentos inesperados que, aos poucos, os aproximam.

Elenco: Leo Alkemade (Maarten), Huub Stapel (Hans), Beppie Melissen (Sophie) e Jennifer Hoffman (Loes)


EM CARTAZ:

A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO

Brasil/Documentário/2025/70 min.

Direção: Eliza Capai

Sinopse: No sertão do Piauí, meninas de 10 anos navegam entre TikTok, cultos evangélicos e sonhos de futuro. Ao inventarem uma máquina do tempo, revisitam as histórias duras de suas mães e avós, marcadas pela pobreza e desigualdade, e viajam para um futuro onde se enxergam livres e realizadas. Entre brincadeiras e fabulação, elas questionam o que significa se tornar mulher. Um filme sobre o delicado limiar entre infância e adolescência, narrado por quem ainda está vivendo essa travessia.


PEQUENAS CRIATURAS

Brasil/Drama/ 2025/ 106min.

Direção: Anne Pinheiro Guimarães

Sinopse: Helena e a família se mudam para a futurista Brasília de 1986, mas ela é deixada para trás pelo marido em uma viagem de negócios. Frustrada, Helena lida com a adaptação à cidade desconhecida e as crises do filho adolescente e do caçula, de sete anos.

Elenco:  Carolina Dieckmann, Letícia Sabatella, Caco Ciocler


HORÁRIOS DE 6 A 12 DE AGOSTO

(não há sessões nas segundas)

15h: A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO

17h: PEQUENAS CRIATURAS

19h: CHAMPAGNE – UMA VIAGEM DE PAI E FILHO


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Homem-Aranha: Um Novo Dia'

Sinopse: Peter Parker vive totalmente sozinho após se apagar da memória de todos, enfrenta uma perigosa evolução física em seu corpo e combate uma nova e poderosa ameaça em Nova York.

"Homem-Aranha 2" (2004) ainda é, para mim, o melhor filme sobre o personagem. Sam Raimi captou na época exatamente a essência primordial do herói ao retratá-lo como "gente como a gente", alguém que, mesmo tendo superpoderes, passa constantemente por conflitos, necessidades e escolhas difíceis que pesam no decorrer de sua vida. Acho que é exatamente isso o que sempre faltou nos filmes do Homem-Aranha dentro do Universo Cinematográfico Marvel (MCU).

Ao ser recrutado pelo Homem de Ferro em "Capitão América: Guerra Civil" (2016), o personagem interpretado por Tom Holland trazia ali essa essência, mas ela não era explorada por si só, principalmente pelo fato de o herói estar sempre envolvido com elementos do universo expandido do estúdio. Porém, com um final digno de nota, "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" (2021) deu ao herói um novo começo, aproximando-o finalmente de suas origens nas HQs. Portanto, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" (2026) não é apenas um recomeço para o personagem nas telas, mas também uma lição de como um longa do gênero ainda consegue nos brindar com uma bela história.

Dirigido agora por Destin Daniel Cretton (do ótimo "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis"), o filme revela o dia a dia do protagonista após os eventos do longa anterior. Vivendo em Nova York depois que sua identidade foi apagada da memória de todos, Peter procura seguir em frente enquanto concilia a rotina universitária com a missão de proteger a cidade. Porém, uma entidade misteriosa que controla a mente das pessoas traz a ele um novo desafio, além de ter de lidar com alterações que começam a surgir em seu próprio corpo.

Antes de mais nada, é preciso reconhecer que Cretton faz cinema acima de tudo neste longa, e não um mero produto de estúdio. Não estamos diante de uma obra que segue a velha fórmula da Marvel; há aqui a preocupação em apresentar uma trama focada no desenvolvimento dos personagens, em vez de lançá-los ao vento. Todos têm um propósito dentro da narrativa, e era justamente isso o que estava fazendo falta.

Mais maduro, vemos um Peter que segue em frente mesmo com o peso do passado, mantendo-se firme em suas virtudes até quando tudo parece dar errado. Tom Holland se entrega de vez ao papel: incorpora elementos cômicos com precisão, mas sabe transitar com maturidade pelo lado trágico e humano do herói, facilitando nossa identificação imediata. Vê-lo novamente sozinho e enfrentando dificuldades na rotina heroica é algo precioso que atinge em cheio o fã mais nostálgico.

O dilema entre continuar no anonimato ou tentar resgatar o amor de MJ torna-se outro ponto pulsante do longa. Zendaya nos brinda mais uma vez com uma atuação marcante, fugindo do estereótipo da donzela indefesa e imprimindo muita personalidade à personagem. A sinceridade no reencontro entre os dois constrói um momento genuinamente emocionante, fazendo o público torcer para que fiquem bem, independentemente do que venha a acontecer.

Por se tratar de um filme do MCU, há participações de outros personagens conhecidos. Felizmente, nenhum surge de forma gratuita; estão ali para dar continuidade à história, e não como meros enfeites para agradar à massa. É gratificante ver uma figura sombria como o Justiceiro (Jon Bernthal) se tornar um coadjuvante digno de nota, mesmo com sua violência suavizada para o tom do longa. Do mesmo modo, é ótimo ver o Hulk (Mark Ruffalo) dar sinais de seu lado selvagem novamente, projetando caminhos interessantes para o futuro do personagem no estúdio.

Infelizmente, nem tudo é perfeito. As aparições de Yelena (Florence Pugh) e Escorpião (Michael Mando) deixam a impressão de que, se fossem substituídos por quaisquer outros personagens, o resultado seria o mesmo. Além disso, a metamorfose que o protagonista começa a sofrer soa como uma releitura inversa do que foi visto no clássico de 2004, perdendo força e ficando pelo meio do caminho ao longo da trama.

Contudo, mesmo com esses pequenos deslizes, o filme ganha nossa atenção total graças a Sadie Sink. Desde que a vi na segunda temporada de "Stranger Things", acompanho de perto o talento dessa jovem atriz e o enorme potencial que ela demonstrou ter. Aqui, ela não só rouba a cena, como interpreta uma das figuras femininas mais poderosas e complexas das HQs da Marvel, tornando-se a verdadeira protagonista do terceiro ato. A faceta vilanesca apresentada inicialmente convence porque suas motivações são humanas e aceitáveis, fazendo da personagem um reflexo sombrio do que Peter poderia ter se tornado caso não tivesse ouvido os bons conselhos da Tia May.

Falando nela, os roteiristas foram engenhosos ao inseri-la em um flashback crucial que não apenas guia o protagonista, mas se conecta diretamente ao arco emocional da personagem de Sadie Sink. Mesmo com pouco tempo de tela, Marisa Tomei entrega a densidade que havia faltado à sua Tia May nos filmes anteriores, provando que sua trajetória no MCU foi primordial para o amadurecimento de Peter. É um filme rico em emoção, no qual o calor humano se sobressai.

A ação, por sua vez, acontece na medida certa para mover a história, sem poluí-la. Cretton transforma essas sequências em um verdadeiro balé — destaque para o confronto entre o Homem-Aranha e o grupo Tentáculo, uma cena divertida, visualmente linda e impecavelmente coreografada. Ao que tudo indica, o estúdio ouviu as críticas do público: os efeitos visuais estão caprichados, tornando os saltos com teias pela cidade ainda mais críveis e imersivos.

Em suma, o filme não se prende à armadilha da nostalgia fácil; adquire alma própria e genuinamente emotiva. Resta saber se os realizadores manterão esse equilíbrio nos próximos capítulos, pois este longa é um exemplo de cuidado primordial com o personagem. Os fãs agradecem.

"Homem-Aranha: Um Novo Dia" é um belo recomeço dentro do MCU, provando que um grande filme de herói não precisa ser focado apenas em referências, mas sim em ser profundamente humano.


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Cine Dica: Ciclo “Filmes & Livros” apresenta obras de Clarice Lispector e Goethe

No segundo semestre, a Sala Redenção retoma o ciclo “Filmes & Livros”, realizado em parceria com a professora e pesquisadora Fatimarlei Lunardelli. O projeto propõe um estudo na área do cinema e da literatura visando à abordagem das especificidades dessas linguagens artísticas a partir da apresentação e debate de filmes adaptados de obras literárias. As sessões são seguidas de conversa com Fatimarlei e  acontecem nos dias 3 de agosto e 5 de outubro, segundas-feiras, às 15h.

No dia 3 de agosto, a Sala Redenção exibe “A hora da estrela” (1985), de Suzana Amaral, adaptação da obra homônima de Clarice Lispector. A história segue Macabéa, migrante nordestina de 19 anos que vive em São Paulo. Romântica, sonha com um grande amor, mas sua ingenuidade exaspera o namorado, Olímpico, que a abandona. Fernanda Montenegro faz uma participação especial como a cartomante que lhe prevê o encontro com um estrangeiro rico e bonito. O desfecho da protagonista, no entanto, é trágico.

Já no dia 5 de outubro, o livro “Fausto”, de Johann Wolfgang Von Goethe, e sua adaptação para o cinema feita por F.W. Murnau é o tema da sessão. Na obra, o demônio Mefisto aposta com um arcanjo que conseguirá corromper a alma de um homem justo e destruir nele tudo o que há de divino. Fausto é um alquimista idoso que, inicialmente, aceita a ajuda de Mefisto para diminuir os sofrimentos do mundo, mas não resiste à tentação de entregar sua alma imortal em troca da juventude perdida, da realização de seus desejos e da conquista do amor da inocente Margarida. 

O ciclo “Filmes & Livros” tem entrada franca e aberta à comunidade geral. A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. As sessões do ciclo “Filmes & Livros” têm apoio de Vitrine Filmes e Goethe-Institut.og

Confira a programação completa da sala redenção clicando aqui.  

domingo, 2 de agosto de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – 'Touch'

Sinopse: Acompanhamos Kristófer, um viúvo solitário na Islândia que decide ir atrás de Miko, seu primeiro grande amor de 50 anos atrás.

A bomba atômica de Hiroshima entra para a lista dos piores crimes contra a humanidade e com certeza é um material farto para o cinema. O cinema norte-americano, porém, sempre procurou evitar explorar esse assunto: o antes e o depois do evento chegaram a ser revisitados, mas raramente o dia cataclísmico em si. Nem mesmo o maravilhoso "Oppenheimer"(2023) chegou a esse ponto, embora Christopher Nolan tenha explorado em potência máxima o peso que o criador da bomba carregou como um fardo irreversível.

Fora do território estadunidense, no entanto, surgiram filmes com retratos assombrosos daquele dia, como o impactante anime "Gen, Pés Descalços"(1983). Já na França da Nouvelle Vague, fomos presenteados com "Hiroshima, Meu Amor"(1959), cuja sequência de abertura costuma ser mais lembrada do que a própria história de amor. É nesse cenário que chegamos ao islandês "Touch" (2024), em que a jornada do protagonista rumo às suas raízes do passado revela a ligação da história com Hiroshima.

Dirigido por Baltasar Kormákur e baseado no romance homônimo (Snerting), do autor islandês Ólafur Jóhann Ólafsson, o filme conta a história de Kristófer, um homem que resolve resgatar uma parte significativa de sua vida. Vivendo agora como um viúvo solitário, ele se recorda de Miko (Kōki), sua namorada na década de 1960. Quando jovens, ao se conhecerem no restaurante japonês onde ele trabalhava como lavador de pratos, os dois se apaixonaram perdidamente. Contudo, após um sumiço repentino por parte dela, suas vidas tomaram rumos opostos — até que, muitos anos depois, ele decide reencontrá-la a qualquer custo.

Kormákur possui uma filmografia de certa forma irregular, alternando obras intimistas, como "Vidas à Deriva" (2018), e produções escapistas de ação, como "Dose Dupla" (2013). Aqui, porém, o realizador se sai muito bem ao transitar entre passado e presente, revelando duas fases distintas do protagonista que moldaram quem ele é. Militante de causas estudantis na juventude, sua trajetória ganha novos contornos a partir do momento em que entra em contato com a cultura japonesa naquele simples restaurante — um lugar carregado de memórias reveladas gradualmente.

A convivência do jovem Kristófer com o dono do restaurante e sua filha lhe confere outra perspectiva sobre um mundo repleto de conflitos, onde o preconceito contra os japoneses ainda era latente. A questão de Hiroshima é explorada em ambas as linhas temporais, simbolizando as sequelas daquele evento e o modo como afetaram a vida de pai e filha. O que temos, portanto, é uma análise detalhada de como certos traumas deixam cicatrizes não apenas físicas, mas psicológicas e morais para o resto da vida.

O filme explora a busca do indivíduo por respostas no momento em que sua própria saúde se torna delicada. Curiosamente, a trama se desenrola durante a pandemia da COVID-19, período em que a sociedade temia um vírus mortal — o que não impede o protagonista de seguir em sua cruzada pessoal. É nessa busca que Hiroshima se torna uma peça primordial.

É interessante observar também como o longa retrata o fim de uma era e o início de outra. A sombra da finitude anda à espreita, sem contudo impedir que o afeto e a busca por redenção abram caminho para um novo recomeço. Ao final, constatamos que a vida prossegue, mesmo quando forças destrutivas tentam aniquilar tudo ao toque de um botão.

"Touch" é uma obra sensível sobre a busca por respostas de um passado distante, cujas revelações se mostram tão profundas quanto surpreendentes.


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