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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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domingo, 7 de junho de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Arcane'

Sinopse: Arcane explora as origens de personagens do universo de League of Legends.

As adaptações de jogos de videogame para as telas atualmente têm rendido ótimos frutos, surpreendendo aqueles que sempre viam esses projetos com certo descrédito. Se no cinema tivemos exemplos positivos como "Super Mario Bros. O Filme" (2023), a TV, por sua vez, tornou-se terreno fértil para adaptações ainda mais corajosas e maduras, como "The Last of Us"(2023). Porém, as duas temporadas de "Arcane"(2021-2024) são um exemplo raro de uma adaptação que supera a sua obra original, ao nos brindar com personagens humanos e bem construídos, aliados a um visual surpreendente e uma trama genuinamente fantástica.

Criada por Alex Yee e Christian Linke, a série foi desenvolvida pelo estúdio francês de animação Fortiche e baseada no universo do aclamado jogo multiplayer da Riot Games. Na trama, conhecemos as origens de campeões que habitam Piltover e Zaun, cidades vizinhas divididas por conflitos e profundas desigualdades socioeconômicas. No centro deste cenário, surge o desenvolvimento de uma tecnologia mágica conhecida como Hextec, capaz de conceder a qualquer pessoa o controle sobre a energia mística. Em meio ao crescente conflito entre a próspera e utópica Piltover e o submundo decadente de Zaun, as irmãs Vi (Hailee Steinfeld) e Jinx (Ella Purnell) enfrentam dilemas pessoais e ideológicos que as fazem embarcar em direções opostas no decorrer da história.

Fui assistir à série sem muita informação e sem nunca ter jogado League of Legends — que, em sua essência, é um jogo de estratégia em arenas de batalha (MOBA) focado em disputas competitivas, e não necessariamente em narrativa. No entanto, a produção é o exemplo perfeito de como uma adaptação bem construída pode transcender as suas raízes. A trama é primorosa, o visual é arrebatador e os personagens são extremamente humanos. Se faltava uma narrativa linear com coração no jogo, a adaptação entrega isso de sobra, transbordando o carinho com que foi produzida.

Antes de mais nada, é preciso destacar o design visual, sendo desde já um dos mais impressionantes que já vi em uma animação. Tudo é incrivelmente colorido, apostando em um estilo steampunk e cyberpunk retrofuturista, construído com um CGI de ponta perfeitamente alinhado a texturas que simulam o desenho tradicional e pinceladas de pintura a óleo viva. O resultado chega a ser difícil de descrever em palavras; é preciso se entregar e sentir a obra para tirar as próprias conclusões.

Ao mesmo tempo, a série transita com maestria entre a fantasia e os dilemas do mundo real, onde os jogos políticos são um dos grandes destaques das duas temporadas. Logicamente, alguns espectadores irão se lembrar de "Game of Thrones", mas "Arcane" tem alma própria, principalmente ao misturar com elegância questões que vão desde a divisão de classes e o uso ético da tecnologia até o limite onde se separam a lógica e a fé que pulsa dentro de cada sociedade. São dilemas que nos fazem refletir, tornando-se outro ponto mais do que positivo para a obra.

Porém, o verdadeiro coração da série pertence aos seus personagens carismáticos, complexos e profundamente tridimensionais. A relação entre as irmãs Vi e Jinx é o grande motor dramático. Ficamos sem saber ao certo como nos posicionar perante o conflito das duas, já que, em determinado ponto, nos apaixonamos por ambas. Jinx é uma força incontrolável, moldada por traumas, culpa e rejeição, exibindo um lado psicótico e anárquico que lembra a Arlequina do universo DC, mas com uma carga dramática muito mais dolorosa.

Além disso, para os apreciadores de adrenalina, a série não poupa nos elementos de ação, cujas lutas são um verdadeiro show à parte. As cenas de combate alinham o melhor da tecnologia digital com a fluidez expressiva das animações clássicas, deixando tudo ainda mais dinâmico. Para aqueles que apreciam a estética urbana e a arte do grafite, esses momentos estéticos — muito associados à mente da Jinx — acabam se tornando um verdadeiro colírio para os olhos.

Embora o desfecho da segunda temporada possa soar um pouco apressado para alguns, a série encerrou sua jornada com dignidade e respeito à proposta inicial. O único "ponto negativo" real é o vazio que sentimos quando os créditos finais sobem, pois o desejo é continuar ao lado daqueles personagens cheios de magnetismo e que ainda poderiam embarcar em outras aventuras. Nunca é demais sonhar com novos spin-offs desse universo no futuro.

"Arcane" se consolida como uma das melhores séries dos últimos tempos. Uma obra onde a história dramática, a ação pulsante e o visual arrebatador se fundem, conquistando a nossa paixão de forma imediata e inesquecível.


Onde Assistir: Netflix. 

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Como Era Verde o Meu Vale'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 30/05/26

Baseado em um best-seller de sucesso daquela época, esta história sobre a vida nas minas de carvão galesas é repleta de calor humano, paixão, atritos e quase todos os outros elementos que moldam o lado puro do ser humano, à altura dos padrões cinematográficos daqueles tempos dourados do cinema norte-americano. É uma história com alma, criada de forma perfeccionista por Richard Llewellyn, e a incrível fotografia em preto e branco de John Ford, a partir de um ótimo roteiro de Philip Dunne, só precisava de uma escolha de elenco impecável para completar o trabalho. Nesse aspecto, os Deuses do cinema sorriram para os realizadores.

As atuações são impressionantes do começo ao fim: refinadas e, ao mesmo tempo, vigentes; intensas, porém  de uma forma sutil em seus simbolismos mais significativos; felizes e tristes, românticos e frustrados, com nuances e atmosferas, cores e contrastes perfeitamente cativantes. Em suma, é uma demonstração da arte cinematográfica em sua melhor forma.

E, acima de tudo, há um potencial novo astro mirim em Roddy McDowall. O jovem pode se provar o equivalente infantil deste estúdio a Shirley Temple, uma pequena e inspirada atriz que já atuou em filmes ingleses. Ele é cativante, másculo e historicamente competente de uma maneira íntegra e vigorosa.

A transição do livro para a tela também utiliza a narrativa em primeira pessoa do singular, com descrições vívidas de quão verde, de fato, era o vale do jovem Huw (pronuncia-se Hugh) Morgan, enquanto ele relembra sua vida desde a infância. Graficamente e com plena adequação de cena e diálogo, é revelada a plenitude da vida honesta, temente a Deus e industrial dos Morgans no vale galês.

Há quatro Morgans robustos que, como Morgan, pai, cada um de sua geração, trabalham nas minas de carvão. Tranquilidade doméstica, amor pelo lar, romance, o novo pregador, o trote do rapaz na escola, a surra do professor valentão, sua decisão de abrir mão das vantagens acadêmicas e seguir os passos betuminosos de seus parentes mais próximos, o burburinho dos vizinhos intrometidos, os Cantores Galeses (vocalizando a si mesmos) que são convocados à Corte para um concerto da Rainha, os canecos de cerveja prontos para todo o Vale, os movimentos sindicais contra a queda dos salários e as condições de trabalho cada vez mais precárias, a partida de dois filhos Morgan para buscar fortuna na América – tudo isso, e muito mais, é traduzido de forma astuta, concisa e atraente para o cinema.

"Como Era Verde o Meu Vale" é um filme que guarda muitas lembranças e é essa qualidade nostálgica que deve gerar um valioso boca a boca. 


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Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Betty Blue" (06/06) na Cinemateca Paulo Amorim


No sábado, dia 6 de junho, nos reunimos às 10h15 na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir Betty Blue, de Jean-Jacques Beineix. Lançado em 1986, o filme tornou-se uma das obras mais emblemáticas do chamado Cinéma du look, movimento que marcou o cinema francês da década de 1980 por sua forte estilização visual e intensidade emocional. A narrativa acompanha o relacionamento entre Zorg, um aspirante a escritor que vive de trabalhos temporários, e Betty, uma jovem impulsiva e apaixonada. O que começa como uma história de amor transforma-se gradualmente em um retrato complexo de desejo, obsessão, fragilidade emocional e criação artística.


⚠️ Ajude o Clube de Cinema a preservar 80 anos de história!

Estamos concorrendo a uma emenda parlamentar para criar um website gratuito com fotografias, documentos, entrevistas e outros materiais sobre a trajetória do Clube de Cinema de Porto Alegre. Para votar, basta preencher o formulário neste link, escolher um projeto da área da saúde e, em "Demais Áreas", selecionar Clube de Cinema de Porto Alegre (código 0058). A votação leva cerca de 1 minuto e os projetos mais votados serão contemplados.


Confira os detalhes da programação:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 06/06, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Betty Blue (37°2 le matin)

França, 1986, 119min

Direção: Jean-Jacques Beineix

Elenco: Béatrice Dalle, Jean-Hugues Anglade, Gérard Darmon e Consuelo De Haviland

Sinopse: Zorg é um escritor solitário que vive na costa mediterrânea da França. É lá que ele conhece Betty, uma jovem de 22 anos intensa e imprevisível que transforma completamente a sua vida. Por alguns meses, os dois vivem uma relação marcada por episódios de obsessão, loucura, ciúmes e um amor quase incondicional. Baseado no romance homônimo de Philippe Djian, o filme foi uma das maiores bilheterias do cinema francês e teve indicações ao Oscar, Bafta e César. O relançamento, com cópia recuperada em 4k, comemora os 40 anos do filme e traz a sua versão original.

Sobre o Filme: Na abertura, em que Zorg (Jean-Hugues Anglade) e Betty (Béatrice Dalle) transam na frente do quadro da  Mona Lisa, "Betty Blue" (1986) acaba se tornando contagiante na medida em que os minutos passam. Um curioso caso de filme dramático em que a história de amor, e não exatamente as coisas que eles prezam, se tornam o foco principal. Zorg, é um pau para toda obra, não tendo muitas ambições no decorrer de sua vida. Ao conhecer Betty a mesma acaba morando com ele e ambos vivem uma tórrida relação que transita entre o amor e a loucura.

"Betty Blue" pode ser interpretado tanto a frente do seu tempo como também como um longa que sintonizou a nova geração daquele período de 1986. Pode ser analisado como uma representação de uma geração francesa que buscava a sua identidade própria. Zorg vai até o fundo do poço por Betty, desde agredir, roubar e até mesmo quase a matar. Tudo por Betty, mesmo com a possibilidade de leva-lo à ruína iminente.


Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui. 

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cine Dica: Streaming – 'FÚRIA NO ASFALTO'

Sinopse: A trama segue Andrei (Denis Hanganu), um mecânico extremamente talentoso que se arrisca no perigoso mundo das corridas de rua ilegais europeias para garantir um futuro melhor para seu irmão.

Entre o final dos anos noventa e o início dos anos dois mil, Hollywood se curvou à tentativa de fazer filmes de ação em que o principal foco eram carros em alta velocidade. Se "60 Segundos" (2000) comeu poeira, por outro lado, "Velozes e Furiosos" (2001) foi um sucesso inesperado, abrindo as portas para uma franquia interminável, repleta de derivados e imitações esquecíveis ao longo do tempo. Dessas imitações, ao menos "Fúria no Asfalto" (2025) agrada por não soar tão pretensioso.

Dirigido por Anghel Damian, o longa acompanha Andrei, um mecânico bom demais para ficar apenas na garagem, mas que se recusa a voltar às pistas após a morte do pai. Quando finalmente entra no mundo das corridas ilegais europeias, ele descobre que a velocidade está em seu sangue, enxergando ali uma chance de ajudar seu irmão mais novo a pagar uma futura faculdade. Porém, rivalidades surgem e podem comprometer todos os seus planos.

A trama é básica. Os laços familiares que movem as motivações dos personagens principais não são nenhuma novidade — basta olhar para a própria franquia "Velozes e Furiosos" para termos uma noção disso. No entanto, se por um lado a saga iniciada em 2001 extrapolou qualquer lógica dentro do gênero de ação, este filme romeno vem de forma simples e direta. Ele pega a premissa básica da franquia norte-americana e apresenta corridas de carro com mais peso e que chegam a ser verossímeis em alguns pontos. Lógico que não dá para levar totalmente a sério o circo que as corridas clandestinas armam dentro da história, ao ponto de a polícia surgir apenas como figurante, funcionando como meros obstáculos na corrida principal.

Os intérpretes, por sua vez, não têm muito a acrescentar. Denis Hanganu tem a cara daquele típico ator de herói de ação que faz sempre o mesmo tipo de papel. Ainda assim, ele convence ao interpretar alguém perito no assunto, que vive dando lições de moral em seu irmão — este, por sinal, registra tudo. Aliás, nunca vi personagens tão fissurados em divulgação de vídeos pelo TikTok; para quem vive conectado, o filme é um prato cheio de referências.

O que não me agrada neste tipo de longa — assim como já visto na franquia Velozes e Furiosos — é a insistência em explorar apenas o lado mais sensual das atrizes, como se elas fossem objetos de cobiça dos homens da trama, tanto quanto os carros. Cristina Stefania, por exemplo, é usada quase exclusivamente para isso, mesmo quando a produção tenta lhe dar um merecido destaque como cantora (já que, na vida real, ela é uma estrela pop na Europa). Para compensar, o ato final é cheio de adrenalina. A reviravolta nos minutos finais chega a surpreender, embora o desfecho aconteça de forma um tanto brusca e apressada.

"Fúria no Asfalto" segue a cartilha já desgastada de "Velozes e Furiosos", mas ganha pontos ao deixar de lado os mesmos exageros absurdos de Hollywood.

Onde Assistir: Em breve no  Adrenalina Pura+


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Cine Dica: Cinesemana de 4 a 10 de junho de 2026

A primeira cinesemana de junho traz quatro novos filmes à programação da Cinemateca Paulo Amorim: um longa iraquiano, duas coproduções com a França e uma estreia brasileira. Do Iraque vem O BOLO DO PRESIDENTE, um drama ambientado nos anos 1990, quando o país enfrentava a escassez por conta da guerra com os Estados Unidos. A França está representada com OLHE O MAR, uma história que une um casal divorciado em torno dos problemas de saúde do filho, e também por CHOPIN – UMA SONATA EM PARIS, que acompanha os últimos anos da vida do pianista polonês que ganhou reconhecimento em território francês.

Também entra em cartaz a comédia dramática LGBTQIAPN+ brasileira LABIRINTO DOS GAROTOS PERDIDOS, que foi destaque na programação do Fantaspoa. Outro destaque da semana será a pré-estreia do longa CRIADAS, da diretora Carol Rodrigues, que estará em Porto Alegre para participar de uma sessão comentada. Seguimos em cartaz com NATAL AMARGO, o novo filme do cultuado diretor espanhol Pedro Almodóvar e que mostra os dilemas de um cineasta em crise de criatividade. Sucesso de público, FANON é a cinebiografia do psiquiatra Frantz Fanon, que estudou as consequências emocionais da colonização.

Esta é a última semana para conferir o documentário brasileiro ALMA NEGRA, DO QUILOMBO AO BAILE, do diretor Flavio Frederico, e o longa O ESTRANGEIRO, baseado na obra do escritor Albert Camus. 

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui.

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 04 A 10 DE JUNHO

 O Bolo do Presidente, vencedor da Caméra D’Or em Cannes, estreia dia 4 de junho no CineBancários


Indicado do Iraque ao Oscar e aclamado com 99% no Rotten Tomatoes, filme distribuído pela Kajá Filmes chega a Porto Alegre. Depois de conquistar a crítica internacional e se tornar um dos filmes mais comentados do circuito arthouse mundial, “O Bolo do Presidente” (The President's Cake), estreia no CineBancários em 4 de junho, com distribuição da Kajá Filmes. Internacionalmente, o longa é lançado pela Sony Pictures Classics.

Dirigido pelo iraquiano Hasan Hadi, o longa venceu a prestigiada Caméra d’Or no Festival de Cannes 2025, prêmio de Melhor Estreia em Longa-Metragem, além de receber o Prêmio do Público da Quinzena dos Realizadores. O filme também recebeu o Prêmio do Júri da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e foi o representante oficial do Iraque na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, chegando à shortlist da Academia.

Com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, “O Bolo do Presidente” vem sendo apontado como uma das grandes revelações do cinema mundial recente. O Hollywood Reporter definiu o longa como “uma joia tragicômica”, destacando a direção sensível de Hasan Hadi e a atuação da jovem estreante Baneen Ahmad Nayyef.

Ambientado no Iraque dos anos 1990, durante o regime de Saddam Hussein e o período de sanções econômicas após a invasão do Kuwait, o filme acompanha Lamia, uma menina de nove anos escolhida por seu professor para preparar um bolo em homenagem ao aniversário do presidente.

Em meio à escassez extrema de alimentos e ao clima de medo instaurado no país, Lamia embarca em uma jornada pela cidade em busca de ovos, farinha e açúcar. Ao lado da avó Bibi, do amigo Saeed e do inseparável galo Hindi, ela atravessa mercados, estradas e postos policiais em uma narrativa que mistura delicadeza e humor melancólico.

Filmado inteiramente no Iraque e com elenco majoritariamente formado por atores não profissionais, o longa aposta em um olhar íntimo e humanizado sobre um período histórico marcado pela violência e pela privação. “Espero que o filme possa servir como um documento visual daquela era do país. Também tentei adicionar camadas ao filme através das locações. Gosto que os lugares façam parte da história, que provoquem certo sentimento ou transmitam um ponto específico sobre a narrativa ou sobre o mundo em que vivemos”, afirma Hasan Hadi.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 04 A 10 DE JUNHO


ESTREIA:


O BOLO DO PRESIDENTE

Iraque/Drama/2025/105min.

Direção: Hasan Had

Sinopse: No Iraque dos anos 1990, em meio à guerra e à falta de comida, o presidente determina que todas as escolas do país façam um bolo em homenagem ao seu aniversário. Lamia, de apenas 9 anos, tenta escapar da tarefa, mas acaba sendo escolhida entre os colegas. A menina, então, precisa recorrer à sua criatividade para conseguir os ingredientes e cumprir a missão de preparar o bolo imposto pelas autoridades.

Vencedor do prêmio Caméra d’Or para melhor filme de diretor estreante em Cannes e do prêmio do público da Quinzena dos Cineastas, também em Cannes.

Elenco: Baneen Ahmad Nayyef, Sajad Mohamad Qasem, Waheed Thabet Khreibat, Rahim AlHaj



EM CARTAZ:

EU NÃO TE OUÇO

Brasil/Ficção/2025/ 72min

Direção: Caco Ciocler

Sinopse: Um encontro improvável entre dois brasileiros se transforma em um road movie inusitado. Uma viagem ficcionalizada a partir de um evento factual que se tornou meme e tomou as redes sociais brasileiras. Humor e tensão expõem um país marcado por desigualdades e estruturas educacionais frágeis, onde os personagens repetem ideologias que mal compreendem, revelando a impossibilidade do diálogo.

Elenco: Marcio Vito


COPAN

Brasil/Documentário/2025/90min.

Direção: Carine Wallauer

Sinopse: O edifício Copan é um microcosmo de tudo o que o Brasil representa: o bom, o mau e o feio. São 5 mil moradores e mais de cem funcionários que representam uma diversidade de personagens e pontos de vista que revelam contrastes e desigualdades estruturais do Brasil. Este retrato imersivo e íntimo do maior prédio residencial da América Latina lança luz sobre o cotidiano de um país marcado por uma democracia fragilizada.


HORÁRIOS DE 04 A 10 DE JUNHO

(não há sessões nas segundas)

15h: COPAN

17h: EU NÃO TE OUÇO

19h: O BOLO DO PRESIDENTE


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.



CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste'

 Nota: O filme estreia dia 4 de junho.

Sinopse: Uma animação brasileira de comédia que acompanha cinco cangaceiros enviados para o ano de 3333, no "Neo Nordeste".

No decorrer de sua carreira, a diretora Alê McHaddo já dirigiu alguns filmes com atores, mas é na animação que mora o seu verdadeiro talento. Foi dela, por exemplo, o maravilhoso curta "A Lasanha Assassina" (2002) — que contou com a narração em off do nosso saudoso Zé do Caixão e fortalecendo o estúdio 44 Toons. Eis que então chega aos cinemas "Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste" (2026), uma divertida produção que consolida ainda mais o potencial das animações brasileiras atuais.

O elenco de vozes conta com Bruno Garcia (Capitão Rocha), Tadeu Mello (Sid), Raissa Xavier (Bonita), Carol Góes (Rimbi), Marcelo Mansfield (Cabra da Peste), Felipe Mazzoni (Tatux e Corisco) e a participação especial de Falcão (Falcão Espacial). Na trama, um grupo de aventureiros do sertão brasileiro foge do temido Cabra da Peste após conseguir roubar os planos de uma máquina do tempo, mas a perseguição acaba por separá-los entre o passado e o futuro. Uma aventura repleta de ação, humor e brasilidade em meio a reviravoltas, perseguições e planos ousados.

A história é uma verdadeira salada de aventura e ficção científica com o melhor da cultura nordestina — do tipo que faria nascer um grande sorriso no rosto de Lampião. O vilão Cabra da Peste, por exemplo, surge como referência a uma expressão muito conhecida do Nordeste, moldando a própria concepção do personagem. A origem dele é, sem sombra de dúvida, uma das maiores surpresas do roteiro, embora o longa espalhe pistas ao longo da projeção que nos instigam a montar um interessante quebra-cabeça.

Com relação a essa última observação, é instigante como a trama vai se tornando uma mirabolante aventura de viagem no tempo. O paradoxo temporal proposto pode até confundir os mais novos, mas se torna um prato cheio para os entusiastas da ficção científica. O grande acerto está no fato de os heróis interagirem com essas situações absurdas agindo como se fosse apenas mais um dia comum no sertão, seja no ano de 1933 ou em 3333. É divertido ver, por exemplo, o Capitão Rocha sempre soltar algum refrão que faz referência ao melhor da cultura pop brasileira.

Tecnicamente, o filme é alinhado à animação tradicional, recorrendo ao CGI em cenas de maior ação. Porém, é através das piadas e de personagens cativantes que o longa se sustenta, sem precisar de pirotecnia excessiva para encantar o público de todas as idades. Mas, quando os efeitos mais grandiosos invadem a tela, espere por referências que vão até Star Wars, tudo feito de um jeito bem-humorado e encantador, para dizer o mínimo.

Trazendo uma interessante homenagem à estátua de Padre Cícero, localizada em Juazeiro do Norte, "Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste" é uma divertida aventura de cangaço capaz de agradar facilmente a todos os públicos.


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