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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (20/01/22)

 EDUARDO & MÔNICA

Sinopse: Em um dia atípico, situado em Brasília na década de 1980, uma série de coincidências levam Eduardo (Gabriel Leone) a conhecer Mônica (Alice Braga), tendo como pano de fundo uma festa estranha com gente esquisita. 


AS AGENTES 355

Sinopse: Quando uma arma ultrassecreta cai nas mãos de mercenários, o agente curinga da CIA Mason "Mace" Brown precisará unir forças com a malvada agente alemã Marie, ex-aliada do MI6 e especialista em computação de ponta Khadijah, e a habilidosa psicóloga colombiana Graciela em uma missão letal e alucinante de recuperá-la, ao mesmo tempo em que fica um passo à frente de uma mulher misteriosa, Lin Mi Sheng, que acompanha todos os seus movimentos.


EU NÃO CHORO

Sinopse: Ola é uma jovem polonesa rebelde e determinada que sonha em ter seu próprio carro. Ela, a mãe e o irmão, de origem humilde, contam com o dinheiro que o pai manda da Irlanda, onde trabalha na construção civil. Mas tudo muda quando a família recebe a notícia a morte do pai e Ola precisa viajar para reconhecer o corpo.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO DE 20 A 26 DE JANEIRO DE 2022 na Cinemateca Paulo Amorim

 SEGUNDAS-FEIRAS NÃO HÁ SESSÕES

                                                                      HANNAH E SUAS IRMÃS


SALA 1 / PAULO AMORIM


14h45 – CHARUTO DE MEL Assista o trailer aqui.

NÃO HAVERÁ SESSÃO NOS DIAS 22 E 23 (SÁBADO E DOMINGO)

(Cigare au miel - França, Argélia, Bélgica, 2020, 100min). Direção de Kamir Aïnouz, com Zoé Adjani, Amira Casar, Lyès Salem. Imovision, 14 anos. Drama.

Sinopse: Aos 17 anos, Selma é confrontada em seu cotidiano de classe média alta por um jovem provocador chamado Julien. A garota percebe, pela primeira vez, como as pesadas regras do patriarcado afetam sua intimidade. Enquanto enfrenta seus medos mais profundos, a família de Selma teme o avanço do fundamentalismo no norte da Argélia. Este é o filme de estreia da diretora, que é meia-irmã do premiado cineasta brasileiro Karim Aïnouz.


16h45 – RODA DO DESTINO Assista o trailer aqui.

(Guzen to Sozo - Japão, 2021, 120min). Direção de Ryusuke Hamaguchi, com Kotone urukawa, Kiyohiko Shibukawa, Katsuki Mori. Pandora Filmes, 14 anos. Drama romântico.

Sinopse: Vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim, o filme acompanha três personagens femininas em momentos importantes de escolhas e arrependimentos. Em uma das histórias, uma garota descobre que sua melhor amiga está saindo com um homem por quem ela foi muito apaixonada. Também há a universitária que entra num jogo de vingança contra o professor de literatura e uma jovem lésbica que reencontra alguém que pode ter sido um grande amor do passado.


QUINTA, DIA 20 DE JANEIRO ÀS 19h10 *ENTRADA FRANCA*


MODA E COR FASHION FILM

(Brasil, 2021, 38min). Documentário de Cláudia Rosa e Jesser Zuchelli.

Sinopse: O filme mostra o trabalho de afrocriadores de moda do RS, que assinam sete marcas. O evento, gravado no Vila Flores em novembro passado, tem produção e modelos negros aposta na moda como ferramenta de desenvolvimento social e igualdade racial.

Após a exibição, haverá debate com os diretores e convidados.


SÁBADO, DIA 22 DE JANEIRO ÀS 19h10 *ENTRADA FRANCA*


DE OLHOS ABERTOS

(Brasil, 2021, 105min). Documentário de Charlotte Dafol.

Sinopse: O filme acompanha a produção e venda do jornal "Boca de Rua", que existe há 21 anos e é elaborado por moradores em situação de rua de Porto Alegre.

Após a exibição, haverá debate com a diretora e convidados.


SESSÕES ESPECIAIS SALA PAULO AMORIM

ESPECIAL WOODY ALLEN – ANOS 1970 E 1980

SÁBADO, DIA 22 DE JANEIRO ÀS 14h45


A ÚLTIMA NOITE DE BORIS GRUSHENKO

(Love and Death - EUA, 1975, 90min). Direção de Woody Allen, com Woddy Allen e Diane Keaton.

Sinopse: Um neurótico russo recorda sua vida, começando pela infância até ser forçado a se alistar no exército para defender a Rússia contra a França e se apaixonar por uma mulher que quer matar Napoleão. Os diálogos e cenários parodiam as obras clássicas de Dostoiévsky e Tolstoy.


DOMINGO, DIA 23 DE JANEIRO ÀS 14h45


HANNAH E SUAS IRMÃS

(Hannah and Her Sisters - EUA, 1986, 100min). Direção de Woody Allen, com Mia Farrow, Barbara Hershey, Carrie Fischer.

Sinopse: O filme acompanha as irmãs Hannah, Lee e Holly e seus respectivos companheiros ao longo de três anos, em jantares de Ação de Graças. Estes encontros revelam conflitos amorosos e existenciais que envolvem os casais e seus amigos. O filme ganhou o Oscar de melhor roteiro original.


SALA 2 / EDUARDO HIRTZ


14h30 – UMA VEZ EM VENEZA Assista o trailer aqui.

(When in Venice - Brasil/Colômbia/Alemanha/Itália, 2020, 75min). Direção de Juan Zapata, com Peter Ketnath e Bella Carrijo. Zapata Filmes, 14 anos. Romance.

Sinopse: O alemão Maximilian e a brasileira Maria se conhecem por acaso em um hotel no norte da Itália. Mesmo com visões distintas em relação ao que é o amor, eles decidem se juntar para realizar um sonho em comum: visitar Veneza, uma das cidades mais românticas do mundo.


16h – MARIGHELLA Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2021, 155min). Direção de Wagner Moura, com Seu Jorge, Adriana Esteves, Bruno Gagliasso. Paris Filmes, 16 anos. Drama/Ação.

Sinopse: A cinebiografia recupera a trajetória do ex-deputado e guerrilheiro Carlos Marighella (1911 – 1969), que comandou um grupo de jovens na luta contra a ditadura que governava o Brasil. Ele foi um dos fundadores da Ação Libertadora Nacional, que pregava a luta armada, e chegou a ser considerado o inimigo número 1 do Brasil.  Sua morte aconteceu em uma emboscada em São Paulo, por agentes do DOPS. O filme é uma adaptação do livro "Marighella - O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo", de Mário Magalhães.


19h – EU NÃO CHORO *ESTREIA* Assista o trailer aqui.

(I Never Cry - Polônia/Irlanda, 2021, 100min). Direção de Piotr Domalewski, com Zofia Stafiej, Kinga Preis, Arkadiusz Jakubik. Arteplex Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Ola é uma jovem polonesa rebelde e determinada que sonha em ter seu próprio carro. Ela, a mãe e o irmão, de origem humilde, contam com o dinheiro que o pai manda da Irlanda, onde trabalha na construção civil. Mas tudo muda quando a família recebe a notícia da morte do pai e Ola precisa viajar para reconhecer o corpo.


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 12,00 (R$ 6,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 14,00 (R$ 7,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). CLIENTES DO BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES. 

Professores têm direito a meia-entrada mediante apresentação de identificação profissional.

Estudantes devem apresentar carteira de identidade estudantil. Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013. Brigadianos e Policiais Civis Estaduais tem direito a entrada franca mediante apresentação de carteirinha de identificação profissional.

*Quantidades estão limitadas à disponibilidade de vagas na sala.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Cine Dica: Streaming: 'King Richard: Criando Campeãs'

Sinopse: Richard Williams é um pai dedicado e determinado a tornar suas filhas, Venus e Serena, em lendas do esporte. Com métodos pouco tradicionais, ele cria duas das maiores atletas de todos os tempos. 

A cinebiografias do universo esportivo tende a ir para algo bem feito como também para fórmulas muito manjadas e das quais os cinéfilos já imaginam como termina. Porém, há casos de filmes que vão além do convencional, onde esporte é o cenário, mas o seu elenco escolhido a dedo é o que torna a peça indispensável. "King Richard: Criando Campeãs" (2021) é um desses casos em que bons desempenhos fazem de a obra não ser dispensável para os nossos olhos.

Dirigido por Reinaldo Marcus Green "King Richard: Criando Campeãs" é um filme biográfico inspirado em Richard Williams, pai das famosas tenistas Serena Williams e Venus Williams. Obstinado em fazer de suas filhas futuras campeãs de tênis, Richard (Will Smith) usa métodos próprios e nada convencionais, seguindo a visão clara de futuro que construiu para as filhas Serena (Demi Singleton) e Venus (Saniyya Sidney). Determinado, o pai das garotas vai fazer de tudo para que elas saiam das ruas de Compton para as quadras do mundo todo. Armado com plano ousado, Richard Williams trabalha para escrever suas filhas na história.

A trama soa familiar, já que a temática sobre superação através do esporte já foi algo muito usado pelo cinema, pois basta pegar como exemplo "Rocky: Um Lutador" (1976) para termos uma ideia. Porém, os realizadores se comprometeram a mostrar algo além do obvio, ao retratar uma família unida em meio as adversidades, desde a violência de gangues de rua como também o preconceito racial que perdura até nos dias de hoje. O filme não deixa de tocar na ferida o fato que o tênis é um esporte sempre moldado por pessoas brancas e ricas e que quase nunca investiu em talentos que começaram lá de baixo, mas que tinham muito a oferecer para esse mundo.

Nesta questão Richard sabe muito bem do que o mundo é formado e por conta disso tenta ensinar a todo custo as filhas em nunca se rebaixarem perante aqueles que os intimidaram, mas sim mantendo os seus lados virtuosos intactos. Através de Richard enxergamos uma vida sofrida, da qual ouviu inúmeros "nãos" ao longo dessa jornada, mas não desistindo do projeto principal em favor das suas filhas. Se sentimos esse peso de responsabilidade muito se deve ao incrível desempenho de Will Smith.

Deixando o seu ego de lado e do qual o mesmo lhe prejudicou um pouco ao longo da carreira, Smith entrega o seu melhor desempenho em anos, onde constrói para si um Richard Williams cheio de cicatriz, tanto físicas como emocionais e das quais as suas origens acabam sendo reveladas nos melhores momentos da trama. Ao mesmo tempo, seu personagem não esconde um ser humano falho em suas ações, das quais ele coloca em prática para proteger as suas filhas, mas correndo um sério risco das demais pessoas em volta nunca compreende-las.

Curiosamente, o filme explora o jogo das aparências dentro deste esporte, dos quais alguns vivem somente de números, mas nunca dando o verdadeiro valor dos talentos envolvidos. Por conta disso as filhas Serena (Demi Singleton) e Venus (Saniyya Sidney) aprenderam por duras penas que este esporte pertence sim há um grande sistema cheio de valores nas entrelinhas, mas que não pode se vender facilmente a ele, mas sim valorizar o potencial que obtiveram até aquele ponto. As duas jovens atrizes superaram as minhas expectativas e podendo serem uma futura promessa.

O ato final desliza pelo previsível e o lado emocional, pois quando chegamos a esse ponto já temos uma noção como será o encerramento. Porém, as vezes quando se perde se ganha e as cenas reais em que mostra a família Williams durante os créditos finais nos diz que valeu a pena participar dessa jornada pessoal e cinematográfica. "King Richard: Criando Campeãs" é um filme sobre superação e que nos ensina em nunca recuar mesmo quando o mundo sempre lhe dá um grande não.  

Onde Assistir: HBO Max 

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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Cine Dica: Streaming: 'A Mão de Deus'

Sinopse: Na Nápoles dos anos 80, um jovem louco por futebol se vê diante de uma tragédia familiar que define seu futuro incerto, porém promissor, como cineasta. 

O tempo passa e se olharmos para trás as nossas lembranças se tornam cada vez mais douradas. Alfonso Cuarón, por exemplo, realizou a sua obra prima intitulada "Roma" (2018) e da qual a mesma falava sobre a sua infância cheia de detalhes e camadas. "A Mão de Deus" (2021) segue essa linha de forma parecida, onde o cineasta Paolo Sorrentino, do filme "A Grande Beleza" (2013) retrata de uma forma delicada, porém corajosa, uma das passagens mais importantes de sua vida.

O filme conta a história de um menino, Fabietto Schisa (Filippo Scotti), na tumultuada Nápoles dos anos 1980. O filme é cheio de alegrias inesperadas, como a chegada da lenda do futebol Diego Maradona, e uma tragédia igualmente surpreendente. O destino desempenha seu papel e o futuro de Fabietto é posto em movimento.

Paolo Sorrentino procura retornar ao seu passado através de lembranças e cujas determinadas passagens são moldadas por simbolismos e dos quais cada um tirará suas próprias conclusões sobre os seus significados. Na abertura, por exemplo, nós somos apresentados a tia do protagonista, da qual sofre por não engravidar e por não ser compreendida pelo seu próprio marido. A mesma adquire uma chance de obter o seu sonho, mas logo sendo desmantelado pela incompreensão do seu próximo.

Essa passagem, aliás, é de acordo com as lembranças que o cineasta vai jogando na tela, da quais podem tanto ser verossímeis, como também pinceladas de uma forma mais romântica e fantástica. Nápoles por si só já é uma cidade que mais parece ser retirada dos livros fantásticos de fantasia, já que suas paisagens a beira do mar valem por mil palavras. Porém, a criatividade do cineasta em filmar determinadas cenas nos surpreende e o momento em que vemos Fabietto testemunhando um possível Diego Maradona com o seu carro no meio da rua se tornou um dos meus momentos preferidos da obra como um todo.

Mas embora nos chame atenção o papel de Maradona dentro da trama, ele serve mais como pano de fundo, pois os grandes astros acabam sendo a família do futuro cineasta. Cada um ali possui uma personalidade distinta, do qual possuem inúmeras histórias a serem contadas e que servem para que Fabietto aprecie em total plenitude cada um deles em determinados momentos da história. Logicamente a sua maior fonte de inspiração acaba sendo os seus próprios pais, interpretados por Toni Servillo e Teresa Saponangelo e dos quais os mesmos possuem um papel fundamental no amadurecimento do jovem.

Com uma belíssima fotografia de cores quentes, as mesmas dão lugar a tons mais escuros e amargos a partir do momento em que os pais saem de cena e fazendo que a vida do jovem simplesmente desabe. Cabe, portanto, os demais personagens restantes da história para que ele volte a enxergar algo além da Nápoles, mas ao mesmo tempo não se esquecendo de suas verdadeiras raízes. A morte dos pais, aliás, serve como trampolim para que ele possa dar novos saltos, amadurecer com realidade em que convive e para assim dar um novo passo adiante na possibilidade de ser um futuro cineasta.

O ato final é cheio de simbolismo, sejam eles protagonizados pela tia do protagonista, como também por uma curiosa figura de um pequeno monge, do qual o mesmo havia aparecido no prologo de forma misteriosa e se revelando de uma forma simples, porém, interessante. Vemos, então, o jovem futuro cineasta tomando o seu rumo e para assim se tornar um talento que aos poucos foi sendo reconhecido. Com uma pequena homenagem ao clássico “Era Uma Vez na América (1984) de Sergio Leone, "A Mão de Deus" é uma carta de amor não somente para aqueles que desfrutam do cinema italiano, como também um retrato universal da jornada pessoal que todos nós passamos.  

Onde Assistir: Netflix.  


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Cine Dica: O que Vem Por aí na Cinemateca Capitólio

A Última Sessão de Cinema

A Cinemateca Capitólio retoma a programação em fevereiro com a estreia de dois filmes, Vitalina Varela, do diretor português Pedro Costa, e Cena do Crime, do brasileiro Pedro Tavares, e dois ciclos especiais. Liz Taylor – 90 anos, apresenta uma seleção de clássicos protagonizados pela diva Elizabeth Taylor, incluindo Cleópatra, Um Lugar ao Sol e Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, no mês em que ela celebraria seu nonagésimo aniversário. O cinema de Peter Bogdanovich apresenta seis obras de um dos nomes incontornáveis da Nova Hollywood, que nos deixou em janeiro, incluindo A Última Sessão de Cinema, Lua de Papel e Muito Riso e Muita Alegria. 


Detalhes das programações em breve!


(UM POUCO) DO QUE VEM POR AÍ


Ao longo do ano, a Cinemateca Capitólio seguirá apresentando estreias de filmes independentes e sessões especiais comentadas de obras clássicas e contemporâneas. O cinema produzido no Rio Grande do Sul será foco da mostra A retomada do cinema gaúcho (abril), que discutirá o renascimento da produção cinematográfica nos anos 1990, após o fim traumático da Embrafilme, a partir de filmes produzidos no estado. A memória de Leila Diniz (setembro), estrela revolucionária do cinema brasileiro moderno, morta em 1972 em um acidente aéreo, será celebrada em uma programação especial.

A mostra Filme como um objeto no espaço – Um olhar sobre acervos de cinema e suas restaurações (junho/julho) apresenta um panorama de restaurações recentes e inéditas no Brasil de diferentes arquivos de importantes acervos cinematográficos do mundo. As sessões contarão com apresentações dos curadores Aaron Cutler e Mariana Shellard (Mutual Films) sobre os processos envolvidos em cada caso, mostrando a diversidade técnica e conceitual no meio da preservação.

A mostra A era do VHS (outubro), em torno da consagração das fitas magnéticas no início dos anos 1980, apresentará dois focos, um dedicado a obras que marcaram o período de ouro das videolocadoras, e outro destacando filmes que comentam a aparição do vídeo em suas tramas, como Videodrome, de David Cronenberg, e Sexo, Mentiras e Videotapes, de Steven Soderbergh. Com curadoria do pesquisador Pedro Henrique Gomes, a mostra Câmeras da África (maio) apresentará uma série de clássicos produzidos no continente africano entre as décadas de 1950 e 1990. 

Celebraremos o aniversário de 40 anos de E.T. O Extraterrestre, de Steven Spielberg com um ciclo especial (julho) em torno de um dos temas mais revisitados do cinema: a visita de alienígenas ao planeta terra. Um dos homens mais talentosos que caíram na terra, o artista inglês David Bowie também será tema de uma retrospectiva (maio), em comemoração aos 50 anos de um dos seus discos mais lendários, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. A mostra Animações japonesas (junho), uma parceria com a Fundação Japão e o Consulado Japonês no Brasil, apresentará na tela da Capitólio animes de importantes realizadores contemporâneos como Makoto Shinkai, Keiichi Hara e Toshio Hirata. Outros ciclos dedicados a realizadores que marcaram a história do cinema, como os franceses Robert Bresson (março) e Chris Marker (agosto), e o norte-americano Francis Ford Coppola (março), fazem parte da programação de 2022.


SESSÃO PLATAFORMA

Uma das grandes atrações deste ano é o retorno da Sessão Plataforma, programação que apresenta longas-metragens contemporâneos inéditos na cidade. Produzida por Davi Pretto e Paola Wink, a sessão exibiu entre 2013 e 2016, na Sala P. F. Gastal, destaques internacionais que não tiveram distribuição comercial no Brasil. Em 2022, os curadores propõem em sessões mensais, distribuídas ao longo do ano, um panorama arejado e instigante da produção contemporânea, mesclando jovens e veteranos realizadores, novos e outros olhares de diferentes continentes.


SESSÃO VAGALUME E PROJETO RAROS

Dois dos projetos mais tradicionais da Coordenação de Audiovisual seguirão protagonistas na programação de 2022. Com periodicidade bimensal, a Sessão Vagalume, produzida pelo Programa de Alfabetização Audiovisual, apresentará sua seleção diversificada e eclética, aproximando a história do cinema aos filmes produzidos no período contemporâneo, em exibições especiais para as crianças de todas as idades. O Projeto Raros, em cartaz desde 2003, celebrará a 250ª edição em 2022, mantendo-se fiel ao seu lema, o de apresentar “filmes que você sempre quis ver ou nem imaginava que existiam”. 

Até breve!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Cine Dica: Streaming: 'Apresentando os Ricardos'

Sinopse: Lucille Ball e Desi Arnaz se casaram em 1940 e viram sua fama decolar após estrearem uma das mais memoráveis sitcoms americanas chamada 'I Love Lucy'. 

A série sticoms norte americanas são, talvez, o melhor ingrediente para entreter um povo norte americano do qual o mesmo tenta se desligar dos verdadeiros problemas do mundo real. "I Love Lucy" (1951) foi um dos maiores sucessos desse formato, em uma época em que essa sociedade temia a guerra fria e tendo sido formados em temer a palavra "comunismo" sem ao menos saber o seu significado. "Apresentando os Ricardos" (2021) não é somente um curioso capítulo sobre os bastidores desse clássico, como também um pequeno retrato de tempos conservadores e bastante hipócritas para dizer o mínimo.

Dirigido por Aaron Sorkin, do filme "Os Sete de Chicago" (2020), o filme conta a história de Lucille Ball (Nicole Kidman) e Desi Arnaz (Javier Bardem), que são ameaçados por chocantes acusações pessoais, uma difamação política e tabus culturais no drama de bastidores. O longa revela a complexa relação romântica e profissional do casal, enquanto é mostrado o casal durante uma semana de produção de sua sitcom inovadora "I Love Lucy".

Em tempos atuais em que as discussões políticas andam acaloradas é interessante olharmos para trás e constatarmos que já houve época ainda mais paranoica do que a nossa quando a questão era sobre o comunismo. Em tempos de caça às bruxas muitos astros do cinema, diretores e roteiristas foram perseguidos por terem se filiado ao partido e sendo que alguns tiveram as carreiras arruinadas unicamente por acreditarem em uma ideia mais socialista. Lucille Ball, por sua vez, esteve ligada, mesmo que de forma indireta ao partido comunista, mas esse era um dos inúmeros problemas que ela tinha.

Estamos nos anos cinquenta, época que o mundo do entretenimento e a política vendiam para a sociedade norte americana uma realidade plástica, perfeita, porém, sem identidade própria. Lucille Ball foi uma atriz que lutou para obter o estrelato, mas teve que enfrentar de frente o preconceito por ser mulher em uma época em que o sistema patriarcado se escondia por detrás da cortina democráticas. Lucille Ball conseguiu o estrelato por ter se vendido, mesmo que em parte, para esse sistema, além de se apaixonar por  Desi Arnaz do qual ela acreditava que era o homem de sua vida.

Portanto é uma pena que o filme se resume em um único ponto da vida da atriz, ou seja, basicamente sobre a semana em que ela foi acusada de ser comunista e da possibilidade do seu marido ter um caso fora de sua vista. Por conta disso, o roteirista Aaron Sorkin não consegue em alguns momentos saber nivelar os dois assuntos, ao ponto que o filme vem e volta ao passado da protagonista e fazendo com que os temas quase fiquem em segundo plano. Porém, isso é contornado graças ao ótimo trabalho de Nicole Kidman.

Ao dar vida a Lucille Ball, Nicole transita em momentos de humor ácido para um lado dramático em poucos momentos, principalmente quando o seu olhar tem mais a dizer do que meras palavras que poderiam ser jogadas ao vento. O seu olhar, aliás, se casa perfeitamente com a proposta do filme, ao retratar uma Lucille Ball que queria dar tudo de si para um programa que nasceu somente para entreter a massa, mas que gostaria de passar algo mais além de sua pessoa. Não é à toa, por exemplo, que as filmagens de um jantar se tornem a peça central do conflito entre ela e os realizadores e fazendo com que Desi Arnaz quase fique em segundo plano da trama se não fosse, claro, a sempre competente atuação de Javier Bardem.

Falando nele, o seu Desi Arnaz é uma figura trágica dentro da história da tv norte americana. Pode ter obtido os louros do sucesso, mas não escapando do preconceito que esse país tinha com relação aos cidadãos latinos e da revolução Cubana que estava acontecendo. Isso é bastante sentido, por exemplo, em uma reunião que explicita muito bem isso, além do fato de que os engravatados dos estúdios sempre queriam vender um conto de fadas norte americano que somente existia para acobertar o lado farsante daquela sociedade e que era controlada por cordas invisíveis do universo cristão.

Não deixa de ser absurdo, por exemplo, o fato de Lucille Ball não poder aparecer grávida no programa, já que a personagem dela e de seu marido apareciam dormindo em camas separadas. A trama se passa nos tempos de Código Hays, onde os filmes e séries de tv caiam nas mãos de censores que trabalham em prol da igreja e dos bons costumes, ao ponto que vasos sanitários nunca podiam aparecer na tela do cinema. É uma pena, portanto, que Aaron Sorkin não tenha explorado ainda mais esse ponto no seu roteiro, já que esses assuntos sempre são um verdadeiro prato cheio para serem revistos e analisados em tempos contemporâneos.

O ato final também falha um pouco ao resumir rapidamente os problemas a serem resolvidos na vida Lucille Ball, quando na realidade mal eles estavam começando. Se isso é um ato falho, por outro lado, isso novamente é compensado pelo ótimo desempenho de Kidman, pois ela constrói para a sua personagem tendo a consciência de que a própria se vendeu ao sistema para sobreviver e por conta disso ela ganhou, mas ao mesmo tempo perdeu. Resumidamente, a trama cairia perfeitamente caso fosse em um formato de uma possível minissérie, pois aí sim teria mais tempo para explorar os outros diversos assuntos.

Com uma ótima atuação de J.K. Simmons, "Apresentando os Ricardos" é retrato ácido do mundo do entretenimento norte americano, mas que poderia ter sido mais corajoso e melhor trabalhado.

Onde Assistir: Amazon Prime.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Cine Dica: Em Cartaz: 'Benedetta'

 Sinopse: Benedita traça o retrato de uma freira católica que tem visões eróticas e religiosas perturbadoras, a irmã Benedetta Carlini (Virginie Efira). Desde muito nova, Benedetta possui o dom de fazer milagres, e quando se muda para um convento em Pescia (Toscana).

Paul Verhoeven gosta de colocar em seus filmes mulheres ousadas, das quais fazem os homens se tornarem menores e impotentes a sua presença. Se nos anos noventa Sharon Stone escandalizou com a sua cruzada de pernas no clássico "Instinto Selvagem" (1992), "Elle"(2016) é um retrato forte de uma mulher independente que não se intimida perante a possiblidade de ser violentada durante a história. "Bebedetta" é o filme mais ousado da sua filmografia, cujo o longa irá incomodar muitos, mesmo para aqueles menos conservadores para dizer o mínimo.

"Benedetta" é uma biografia dramática que se passa no século XVII e uma interpretação solta do livro Atos Imodestos, de Judith C. Brown. Benedetta Carlini (Virginie Efira) é uma freira italiana que faz parte de um convento na Toscana desde sua infância, quando foi dada por sua rica família ao convento. Desde então ela sofre de um distúrbio e tem perturbações e visões religiosas sobre a Virgem Maria, além de clamar que consegue se comunicar com ela, e visões eróticas com Jesus Cristo. Assistida por uma companheira, Carlini se verá ameaçada quando sua relação com sua rebelde ajudante se transformar em um conturbado romance amoroso. Ela foi considerada mística e venerada por sua comitiva religiosa por conta de sua fé, mas foi presa e condenada por ser sáfica.

É fato que em tempos mais conservadores do catolicismo as mulheres sempre foram alvo do mesmo, ao ponto de inúmeras terem sido jogadas na fogueira unicamente por morarem sozinhas, ou por terem pensamentos muito a frente daqueles tempos. Por conta disso, a figura de Benedetta pode ser interpretada de diversas formas, como alguém que desde sempre soube jogar para sobreviver perante a esse autoritarismo, ou simplesmente crê em seus desígnios a tal ponto que suas manifestações quase soem verossímeis em alguns momentos. Virginie Efira se sai muito bem no papel título, ao ponto que o seu ar de ambiguidade que a mesma constrói para sua personagem faz com que duvidemos de suas reais intenções a todo momento.

Paul Verhoeven, por sua vez, faz o seu melhor na direção, onde se arrisca ao tocar em diversos temas que são grandes tabus até nos dias de hoje e com certeza irá incomodar muita gente. A figura de Jesus Cristo, por exemplo, se torna uma obsessão para a protagonista, ao ponto de que algumas cenas irão fazer com que muitos se encolham na cadeira. Se em 1988 "A Última Tentação de Cristo" de Martin Scorsese foi recebida a paus e pedras resta saber se essa geração de hoje irá aceitar esse filme com a mente mais aberta.

Além disso o filme escancara a relação feminina dentro do convento, sendo que Benedetta se relaciona com uma jovem recém chegada (Daphne Patakia). Embora explicito em alguns momentos, as cenas de sexo entre as duas nunca soa gratuito, sendo que elas acontecem em momentos-chaves e desencadeando consequências mais a frente. No meu entendimento, Paul Verhoeven tenta deixar claro que isso sempre ocorreu nos mais distantes conventos pelo mundo, mas quando tudo vinha a tona era incinerado pelo fogo.

Dividido entre a crença, lógica e fanatismo, o filme fala sobre o papel da mulher de ontem e hoje, das quais figuras históricas como Joana d'Arc foram perseguidas pelo poder dos homens, mas sendo reconhecidas como santas ao longo da história. Benedetta talvez tenha sido uma de muitas que sobreviveram através de sua fé, ou por simplesmente abraçar tais crenças para encontrar um meio de sobreviver perante a loucura de tempos sombrios e violentos criado pelo próprio catolicismo. O ato final irá gerar debates acalorados, mas cujo esses mesmos debates perduram durante séculos.

"Benedetta" é um retrato ousado da mulher dentro dos setores conservadores e cujo os mesmos fazem de tudo para colocar pessoas como ela para debaixo dos panos. 


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