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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'DIGGER'

Sinopse: O protagonista embarca em uma corrida contra o tempo para enfrentar as consequências de seus atos e provar que é o salvador da humanidade, antes que o desastre que desencadeou destrua o planeta.

Alejandro González Iñárritu gosta de colocar o dedo na ferida e fazer com que suas obras se tornem pontos fora da curva no cinema norte-americano. Se "O Regresso" (2015) era uma síntese sobre o sangue derramado para a construção de um novo mundo, e "Birdman" (2014), uma crítica ácida da própria Hollywood sucumbida às franquias, "Digger" (2026) talvez seja reavaliado no decorrer do tempo — pois é um filme que dá um tapa na cara não somente dos donos do poder, mas da própria sociedade.

Na trama, acompanhamos o homem mais poderoso do mundo que, após provocar um desastre ambiental de proporções globais, inicia uma missão intensa para reparar os danos que ele mesmo causou e provar ser o salvador da humanidade. Em uma corrida contra o tempo, precisa enfrentar as consequências de suas decisões antes que a crise saia completamente do controle e ameace o futuro do planeta. Nessa trajetória, o bilionário cruza o caminho de algumas das figuras mais influentes do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos.

Desde o início de sua carreira, Tom Cruise já havia provado ser um ótimo ator — basta resgatarmos "Nascido em 4 de Julho" (1989) para termos essa dimensão. Porém, como todo astro norte-americano de grande porte, Cruise acabou se rendendo ao sistema que move as engrenagens da indústria: tornar-se o pilar de uma franquia duradoura, no seu caso, Missão: Impossível. Trabalhando anos a fio nesse tipo de produção, ficamos desacostumados a vê-lo em papéis que se distanciem desse molde (sendo sua hilária participação em "Trovão Tropical", de 2008, um espanto à parte).

Aqui, porém, Cruise se desfaz de qualquer vaidade ao se entregar a um personagem que se revela uma representação da mentalidade governamental atual. Seu Digger é uma caricatura dos poderosos — principalmente daqueles que tratam os EUA como um grande rancho cujo gado precisa ser alimentado a todo custo. Neste caso, o "alimento" é a profusão de petróleo explorada à exaustão ao longo dos séculos, culminando em um inevitável acidente ecológico.

Digger, contudo, não é um farsante que esconde sua essência; ele aponta o dedo contra a própria humanidade, que implorou por combustível ao longo das décadas enquanto ele apenas correspondia ao consumismo desenfreado. A cena em que o protagonista discursa perante uma população à beira do apocalipse é, desde já, uma das melhores do ano. Digger encarna tudo o que mais tememos na atualidade, mas que nós mesmos criamos para satisfazer necessidades em constante definhamento. São momentos como esse que geram espanto e fazem brotar um sorriso amarelo no canto da boca, revelando que o futuro nebuloso se torna quase hilário: tínhamos tudo para evitá-lo, mas optamos pela energia e pelo conforto a qualquer preço.

Tudo isso surge orquestrado por Iñárritu, que consegue realizar uma curiosa transição entre a linguagem cinematográfica e a teatral. Essa fórmula, por sua vez, vinha sendo testada por Wes Anderson desde A "Crônica Francesa" (2021), pois acredito que ambos os realizadores perceberam que a Sétima Arte chegou a um ponto em que talvez seja preciso olhar para o passado e resgatar velhas formas de narrativa, ainda que soar estranho para as novas plateias em um primeiro momento. Essa construção aliada a uma produção de grande escala também me fez recordar o maravilhoso "Sinédoque, Nova York" (2008), obra que merece ser permanentemente redescoberta.

Vale salientar que Iñárritu é ainda mais corajoso ao retratar a grande potência americana sucumbindo perante o poderio chinês, em uma decadência comandada por Donald Trump. Se Digger é a engrenagem desse poder moribundo, a figura do presidente do país, brilhantemente interpretado por John Goodman, torna-se tragicômica — momentos que remetem às melhores situações de Doutor Fantástico (1964), clássico de Stanley Kubrick. Pelo visto, a humanidade continua sem aprender com os erros do passado.

Ao final, fica a constatação de que o filme de Iñárritu corre o risco de ser menosprezado no presente para só ser reavaliado com o tempo. Afinal, não é sempre que encaramos de frente nossos próprios temores em uma obra que escancara o quanto nos encaminhamos para um declínio civilizatório sem conserto. A cena final é impactante não apenas para quem viveu os tempos de pandemia, mas como um alerta sobre o que teremos de enfrentar logo adiante.

"Digger" será ignorado por parcela do grande público porque este já não aceita ouvir a verdade — e é justamente isso que faz do longa um dos mais corajosos do ano.

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domingo, 4 de outubro de 2026

Cine Dica: Próximo Cineclube Torres - "Châteu-Paris"

Em outubro, as caraterísticas multiculturais da França vão ocupar a tela do Cineclube Torres, com 4 longas-metragens explicitando potencialidades e desafios da sociedade atual na integração e valorização de minorias. Na programação escolhida, o ambiente multicultural de uma periferia parisiense ("Château-Paris", de Mody Barry e Cédric Ido, já na próxima segunda dia 5), tensões entre minorias turcas e ciganas ("Geronimo" do saudoso Tony Gatliff), o inevitável conflito intergeracional em famílias de origem magrebina ("Fátima" de Philippe Faucon) e a luta histórica para a segurança e a dignidade dos migrantes na sociedade francesa ("A Marcha" de Nadir Ben Yadir).

As sessões ocorrem ao longo do mês, sempre nas segundas-feiras às 20h e com entrada franca, na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo do Cineclube Torres, contando com o apoio da UP Idiomas Torres. No dia 28, uma quarta-feira, o Cineclube Torres vai participar novamente do Dia Internacional da Animação, com uma sessão especial apresentando uma seleção de curta-metragens de animação nacionais e internacionais.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul. 



Serviço:

O que: Exibição do filme "Châteu-Paris" (2016) de Mody Barry e Cédric Ido (França) 

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 5/10, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).

Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema – 'Roma de Fellini'

 Nota: Filme assistido pelos associados no último dia 27/09/26

Federico Fellini foi um realizador que começou sua carreira no cinema quando o neorrealismo italiano já dava os seus últimos sinais, o que permitiu ao cineasta colocar em prática sua visão particular. Todavia, é notório quanto desse movimento ele trouxe para a sua filmografia, entrelaçando-o ao seu lado criativo no desenvolvimento de histórias marcantes. "Roma de Fellini" (1972) pode ser visto tanto como uma autobiografia do realizador quanto como uma análise de Roma — em suas entranhas e em sua superfície — ao longo da história.

No longa, vemos a capital da Itália — a Cidade Eterna para os íntimos, por sua trajetória milenar — como um ponto de encontro de diversas narrativas que sintetizam o próprio papel da humanidade na Terra. Fellini vivenciou o cotidiano da cidade em diferentes etapas de sua trajetória: desde a chegada ainda criança (Stefano Mayore), passando pela fase jovem (Peter Gonzales), até os tempos contemporâneos.

Transitando entre a reconstituição de época da juventude do realizador e os tempos calorosos do início dos anos setenta, Fellini constrói uma visão sobre a cidade que tanto ama. Trata-se de uma Roma que passou por maus bocados durante a Segunda Guerra Mundial e cuja reconstrução serviu de molde para o movimento neorrealista. Não estamos diante de um filme convencional — o próprio diretor deixa isso escancarado já na abertura —, e tudo o que podemos fazer é desfrutar de suas imagens inventivas. Não há exatamente um protagonismo em cena, a não ser a própria Roma.

Curiosamente, "Amarcord" (1973) costuma ser apontado como a grande reconstituição da juventude do cineasta. Aqui, porém, sua própria figura fica em segundo plano, enquanto ele decide caminhar pelas ruas da cidade com a câmera, observando pessoas comuns em seu dia a dia e sintetizando os elementos de um momento em que a capital sofria profundas transformações com a passagem do tempo. Há, por exemplo, um atrito evidente entre a velha guarda italiana e a nova geração que surgia naquele período — em que sexo, amor e drogas ditavam o ritmo, fazendo a geração passada temer pelo futuro do país.

Há, contudo, uma hipocrisia latente em relação a isso, venha ela do lado conservador ou da própria Igreja tradicional, que não esconde o submundo do prazer: desde as mulheres livres pelas ruas até a cultura do teatro e da música, revelando uma faceta à italiana com a qual o espectador logo se identifica. Nesse cenário, vemos figuras que se entregam à comida, à bebida e a uma malandragem que corre solta em cenas deveras hilárias.

Porém, o ápice do longa se encontra quando Fellini se entrega por completo ao registro documental, especialmente na rodovia onde filma de tudo um pouco: discussões no trânsito, acidentes e protestos a todo momento. A câmera é trêmula, por vezes em plano-sequência, fazendo da viagem uma experiência quase sensorial. Arrisco dizer que é um dos melhores momentos da carreira do realizador, pois a verossimilhança e o imaginário do cineasta se casam de uma forma raras vezes vista.

Há espaço até mesmo para adentrarmos o subsolo de Roma, que mais parece uma cidade subterrânea abandonada cuja história começa a se deteriorar diante dos nossos olhos — uma forma de nos dizer que o tempo tudo destrói e que cabe a nós, meros mortais, mantermos a memória viva para termos noções do que fomos um dia. Ao final, vemos motociclistas correndo sem rumo, mal sabendo o que reserva o futuro misterioso em que hoje vivemos.

"Roma de Fellini" é uma declaração de amor do diretor à sua cidade e uma síntese de sua genialidade em narrar histórias sobre o próprio berço da civilização ocidental.

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (02/10/26)

 DIGGER

Sinopse: A trama acompanha o homem mais poderoso do mundo que, após causar uma catástrofe global, inicia uma missão frenética para se redimir e provar que é o salvador da humanidade. Em uma corrida contra o tempo, ele precisa enfrentar as consequências de seus atos antes que o desastre que desencadeou destrua tudo.


VERITY

Sinopse: Lowen Ashleigh é contratada por Jeremy Crawford para escrever romances para sua esposa Verity, autora de best-sellers, que não consegue terminar de escrever após um acidente.


A QUEDA 2: NO LIMITE

Sinopse: De luto pela morte de sua irmã Shiloh, Jax Hunter cria um laço com Luce, a amiga corajosa de Shiloh. Juntas, elas enfrentam a perigosa passarela suspensa do Monte Kwan, na Tailândia. Quando um deslizamento de rochas as deixa presas em uma estreita prancha a mais de 3.000 metros de altitude, Jax precisa enfrentar seus medos para sobreviver.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Clube de Cinema: "Meu Tio" (03/10) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (03/10), o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne às 10h15 da manhã na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir a comédia Meu Tio, de Jacques Tati.

O filme constrói uma sátira da vida moderna a partir do contraste entre dois mundos. De um lado, a casa dos Arpel, equipada com aparelhos e soluções automatizadas que tornam o cotidiano cada vez mais rígido e impessoal; de outro, o bairro onde vive o Sr. Hulot, marcado pelo improviso, pelo barulho e pela convivência entre seus moradores. No centro dessa oposição está Gerard, que encontra no tio uma possibilidade de escapar das regras e convenções do universo familiar.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 03/10, às 10h15

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Meu Tio (Mon oncle)

França e Itália, 1958, 117min

Direção: Jacques Tati

Roteiro: Jacques Tati, Jacques Lagrange e Jean L'Hôte

Elenco: Jacques Tati, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie, Lucien Frégis, Betty Schneider, Jean-François Martial, Dominique Marie, Yvonne Arnaud, Adelaide Danieli

Sinopse: Gerard vive com os pais em uma casa moderna e automatizada no subúrbio de Paris, mas o menino gosta de visitar seu tio Hulot, que mora em um bairro mais simples e movimentado. A convivência entre os dois se torna motivo de preocupação para os pais de Gerard, que tentam afastá-lo da influência do tio.


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Cine Dica: Cinesemana de 1 a 7 de outubro de 2026

 Atenção: devido às eleições, a Cinemateca Paulo Amorim não terá programação neste domingo, dia 4.

A cinesemana que abre o mês de outubro traz quatro novos filmes à programação da Cinemateca Paulo Amorim. Um deles é o aguardado NAZA, documentário de Rachel Szor e Yuval Abraham que traz relatos importantes sobre as vítimas das operações militares de Israel em Gaza. Outro título festejado é RAN, de Akira Kurosawa, que volta aos cinemas em cópia restaurada para marcar os 40 anos de sua estreia. A música brasileira é tema de um documentário dedicado a um nome importante da década de 1970: AS DORES DO MUNDO: HYLDON, de Emílio Domingos e Felipe David Rodrigues. Também garantimos espaço para o novo filme do criativo diretor Guto Parente, que combina humor e terror em MORTE E VIDA MADALENA.

Seguem em cartaz os longas europeus TRÊS VEZES ADEUS, da diretora espanhola Isabel Coixet; e MIRRORS NO. 3, do alemão Christian Petzold. O público ainda tem chance de assistir à comédia MUITO PRAZER, de Jorge Furtado, sobre três jovens que tentam reabrir um motel decadente. Alguns títulos continuam prestigiados pelo público, como é o caso da ficção brasileira VIRTUOSAS, de Cíntia Bittar, além do documentário GONZAGUINHA, DA MAIOR LIBERDADE, dirigido por Susanna Lira e vencedor do Festival de Gramado. Em sexta semana e compartilhando os horários, seguem na programação A QUINTA PORTUGUESA, de Avelina Prat; e AS CORES DO TEMPO, de Cédric Klapisch.

Para quem ainda não viu, ACAMPAMENTO MIASMA: SEXO, ADOLESCÊNCIA E MORTE, de Jane Schoenbrun, terá duas sessões de despedida nesta semana.

Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Cine Dica: Streaming — 'Fim da Rua'

Sinopse: Um estranho fenômeno cósmico arranca abruptamente a pacata vizinhança da Rua Oak de seu subúrbio e a transporta para um lugar desconhecido e irreconhecível.

David Robert Mitchell se tornou uma grande promessa para os amantes do cinema de horror a partir do genial "A Corrente do Mal" (2014). De lá para cá, porém, o realizador não lançou muitos títulos de mesmo porte, tendo como seu último destaque o intrigante "O Mistério de Silver Lake" (2018). Em "Fim da Rua" (Flowervale Street, 2026), o cineasta prometia muito, mas entregou uma obra no mínimo peculiar — para dizer o mínimo.

A trama se passa nos anos 1980 e acompanha o casal Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor), que enfrenta uma crise no relacionamento enquanto gerencia a rotina familiar com os dois filhos adolescentes. Entretanto, tudo muda quando uma tempestade abrupta transporta toda a vizinhança para a era dos dinossauros. Isolados, os quatro são forçados a cooperar para sobreviver e tentar retornar a 1980, em uma jornada repleta de ação e tensão.

Dito isso, acredito que o filme teria alcançado um impacto muito maior se a grande reviravolta não tivesse sido escancarada nos trailers de divulgação. Quem conseguir assistir ao longa sem muitas informações prévias certamente irá se surpreender, já que os dinossauros surgem de forma gradual, alimentando o suspense e fazendo o público se perguntar o que realmente está acontecendo. Até atingir esse ponto, há uma construção muito eficiente da dinâmica familiar, criando personagens com os quais nos identificamos com facilidade.

É fato que a produção pega carona na constante onda de nostalgia dos anos oitenta, tornando-se um prato cheio de referências. O cenário de subúrbio não difere muito do clássico "E.T.: O Extraterrestre" (1982), assim como o pavor de uma família diante do inexplicável remete a "Poltergeist" (1982) — ambos ligados à estética de Steven Spielberg. No entanto, é inevitável que "Jurassic Park" (1993) venha à mente do espectador. Apesar das semelhanças, é curioso observar a escolha criativa dos realizadores em retratar dinossauros com penas, reforçando o vínculo evolutivo entre essas criaturas e as aves modernas.

Em relação ao elenco, pode-se dizer que 2026 é o ano de Anne Hathaway. Após grandes projetos como "O Diabo Veste Prada 2" e "A Odisséia", Hathaway entrega aqui uma atuação segura como uma mãe que tenta resolver os dilemas familiares por meio da escrita, mas precisa se transformar rapidamente para encarar feras pré-históricas se quiser manter todos vivos. Ewan McGregor, por sua vez, tem um papel mais contido, surgindo como a peça de apoio fundamental para manter a família unida em meio ao caos.

O ponto mais curioso do longa é a coragem de David Robert Mitchell ao inserir cenas pontuais de violência gráfica que beiram o gore, algo inusitado para um filme com vocação de grande apelo popular. O ato final, porém, cede a soluções mais convencionais — especialmente ao resolver o destino de um dos protagonistas de um jeito que lembra bastante a clássica série "O Elo Perdido" (1974). Para quem aprecia teorias sobre viagem no tempo, o desfecho oferece um prato cheio, ainda que deixe no ar aquela sensação incômoda de que nem tudo foi executado com o devido esmero.

No fim das contas, "Fim da Rua" é uma espécie de "estranho no ninho" no cenário dos blockbusters atuais. Pode não agradar a todos os públicos, mas certamente vale a visita pela sua proposta fora do comum.


Onde Assistir: Prime Vídeo. 

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