Sinopse: Luis está viajando pelo sul do Marrocos com seu filho, Esteban. Eles estão à procura de sua filha, que está desaparecida há cinco meses, vista pela última vez em um festival de dança no deserto.
No momento que eu estou escrevendo esse texto os EUA estão bombardeando o Irã e provocando a morte de centenas de pessoas. Não importa qual as motivações do início de uma guerra, pois quem sai perdendo são pessoas inocentes que não tinham envolvimento algum com relação a esse conflito. "Sirât" (2025) é uma ficção, mas que sintetiza o calor desse momento em que não há escapatória diante de um conflito global inevitável.
Dirigido por Oliver Laxe, o filme conta a história de um pai (Sergi López) e um filho (Bruno Núñez) que viajam até o Marrocos atrás de uma rave no meio das áridas montanhas do deserto onde acreditam que possa estar a filha e a irmã Marina. Movidos pela esperança, os dois decidem seguir um grupo que está à procura de uma última festa que acontecerá no meio do deserto. O que eles não sabem é que através dessa encruzilhada eles irão enfrentar diversos obstáculos.
Embora a trama se passe no Marrocos, ela poderia facilmente se passar em qualquer ponto do globo, pois nunca saberemos qual será o próximo país que entrará em conflito e fazendo de sua população refém de um filme de horror anunciado. Oliver Laxe faz da dança e da música uma forma para os personagens extravasar os seus medos diante a desconstrução de um mundo que eles conheciam, mas que agora não é mais reconhecido em meio aos escombros. Portanto, a busca pela jovem que o pai e filho fazem se torna uma mera desculpa, pois adversidades que ocorrem em sua jornada é o que sintetiza a ideia principal da obra.
Oliver Laxe cria elementos em que não há saída, pois os protagonistas enfrentam diversos obstáculos, desde soldados como também os próprios desafios criados por uma natureza implacável. Não há como negar que o roteiro guarda momentos imprevisíveis e que fará com que o espectador saia de sua zona de conforto e fazendo a gente aguardar sobre qual será o próximo elemento mortal e inevitável. Atenção para a cena da subida do morro e culminando em um dos momentos mais angustiantes do longa como um todo.
Verdade seja dita, o filme se assemelha ao clássico "O Comboio do Medo" (1977), de William Friedkin. Porém, se lá havia uma missão para uma entrega, aqui a busca pela jovem se torna uma cruzada pela sobrevivência diante da possibilidade de qualquer passo em falso pode lhe causar a morte a qualquer momento. Quando os personagens se veem diante de um cenário que mais parece o fim do mundo eles, enfim, se dão conta que já estava acontecendo a muito tempo.
De um típico road movies, o filme se encaminha para uma jornada espiritual, onde os protagonistas se entregam para o inevitável, para só assim obterem a possibilidade de saírem vivos. O final talvez seja um dos mais pessimistas que eu já assisti no cinema recente, onde vemos uma população abandonar o seu mundo já em pedaços, mas cujo destino talvez não haja nenhum, pois tudo estará destruído. Após a sessão concluo que o ser humano está a beira da extinção há muito tempo.
"Sirât" é um verdadeiro soco no estômago para aqueles que ainda tem fé pela humanidade, mas cuja própria não está se ajudando atualmente.
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