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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz — 'Verity'

 Sinopse: Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora em dificuldades financeiras, aceita o trabalho de sua vida: tornar-se ghostwriter da famosa autora Verity Crawford (Anne Hathaway).

Quando escrevi sobre o filme "A Criada" (2026), destaquei o fato de que o longa seria um passo à frente para os leitores que começaram a pegar o gosto pela leitura a partir de obras como "Cinquenta Tons de Cinza", mesmo com algumas de suas irregularidades latentes. Porém, sempre há espaço para retroceder uma ideia, pois certos fetiches são difíceis de ser jogados de lado — sobretudo quando, no fundo, são encarados como politicamente incorretos. "Verity"(2026) parece procurar exatamente esse público moldado pela obra de E. L. James, o que não significa necessariamente que seja uma boa ideia.

Dirigido por Michael Showalter e baseado no livro de Colleen Hoover, o filme acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora falida que recebe uma chance de se reestruturar ao ser contratada como ghostwriter de Verity Crawford (Anne Hathaway). Verity, uma autora de estrondoso sucesso, sofreu um grave e misterioso acidente de carro que a deixou paralisada e impossibilitada de continuar sua franquia literária. A convite do marido de Verity, Jeremy Crawford (Josh Hartnett), Lowen muda-se temporariamente para a casa do casal a fim de estudar as anotações e mergulhar na mente da autora.

O filme resgata a linguagem típica do suspense erótico noventista, mas sem esconder as caraterísticas habituais de uma adaptação de bestseller. Nota-se, por exemplo, que diversos desdobramentos soam inverossímeis em cena — engrenagens que funcionam melhor nas páginas de um livro, mesmo quando os realizadores tentam fazer os devidos ajustes para que o produto lembre mais o cinema. A adaptação de "O Código Da Vinci" (2006) serve até hoje como um manual do que não fazer em uma transposição literária, mas, pelo visto, muitos cineastas ainda não assimilaram a lição.

No geral, é uma obra que busca seduzir o público interessado no glamour, no homem bonito e bem-sucedido cercado por uma aura de mistério. Se a fórmula continua rendendo bilheterias, é porque ainda há apelo no tema, mesmo quando a execução cinematográfica soa ligeiramente artificial. No caso de "Verity", o filme acaba se sustentando graças ao empenho de parte do elenco.

Dakota Johnson retorna a um território familiar ao de "Cinquenta Tons de Cinza", mas aqui sua submissão transita entre o desejo por Jeremy e a obsessão voyeurística em adentrar a psique de Verity. E se, por um lado, Josh Hartnett figura entre os papéis mais engessados do cinema norte-americano recente, Anne Hathaway cumpre seu papel com louvor ao dar vida a uma personagem complexa e cheia de camadas.

O longa ganha seu melhor formato nas cenas em flashback, nas quais a mente enigmática de Verity é revelada por meio de seus manuscritos, mantendo o espectador sem saber exatamente onde termina a realidade e onde começa a ficção. O problema é que o filme falha na manutenção do mistério central e no clima de clausura dentro da casa: quando as grandes revelações vêm à tona, percebemos que o público já havia matado a charada muito tempo antes. Restam algumas sequências de suspense tecnicamente bem construídas, mas que se esvaziam pelo desgaste da previsibilidade.

Trata-se de uma narrativa que funciona incomparavelmente melhor na literatura. Hollywood demonstra, mais uma vez, sua dificuldade em criar um casamento harmonioso entre a fonte original e a linguagem propriamente cinematográfica, resultando em uma obra sem alma e incapaz de resistir ao teste do tempo. O filme indubitavelmente fará sucesso com os leitores fervorosos do romance, mas dificilmente será lembrado como um marco de adaptação.

"Verity" é o típico caso de transposição literária que fica aquém do esperado por se agarrar excessivamente ao livro e esquecer a autonomia do cinema.


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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 08 A 14 DE OUTUBRO

 “Amelia Toledo – Lembrar de Não Esquecer”, “BIA” e “Cordélicos” estreiam dia 8 de outubro no CineBancários

Documentário de Helio Goldsztejn que resgata legado de pintora e escultura paulista pouco conhecida do grande público divide a programação com “Bia”, que investiga os limites entre pertencimento, desejo e liberdade, e animação infantil de Ale McHaddo sobre aventuras de um grupo de cangaceiros pelo sertão nordestino; sala de cinema exibe ainda "NAZA", prestigiado documentário sobre as operações militares de Israel na Faixa de Gaza

A cinema semana de 8 de outubro no CineBancários tem a estreia do documentário "Amélia Toledo - Lembrar de Não Esquecer", que revela a trajetória de uma das artistas mais inquietas e inovadoras da arte brasileira, de "BIA", obra que acompanha uma doutoranda em busca de um rumo na vida, e de "Cordélicos", animação infantil que acompanha um grupo de cangaceiros que se perde entre passado e futuro. O documentário "NAZA", vencedor do Prêmio Especial do Júri do 83º Festival de Cinema de Veneza, ganha as últimas sessões nos dias 10 e 11, na sessão das 15h. 

A vida e a obra de Amelia Toledo (1926-2017), uma das artistas mais inquietas e inovadoras da arte brasileira, ganham um novo olhar no documentário "Amelia Toledo – Lembrar de Não Esquecer", que estreia dia 8 de outubro no CineBancários. Dirigido por Helio Goldsztejn ("Aqueles Dias"), o filme revela a trajetória de uma criadora que transformava a própria casa em ateliê, indo do desenho de joias à escultura e experimentando com materiais tão diversos quanto acrílico, chapas de metal, pedras e conchas.

Pintora, desenhista, escultora e educadora, Amelia Amorim Toledo nasceu na cidade de São Paulo. Ela construiu uma carreira marcada pela ousadia e pela abertura ao diálogo entre a arte e a vida. Como professora, deixou sua marca em instituições como o Mackenzie e a FAAP, além de ter integrado a equipe da recém-criada Universidade de Brasília, sob a reitoria de Darcy Ribeiro. O golpe militar de 1964 interrompeu sua trajetória no Brasil, levando-a a Portugal com a família, por um breve período.

"A partir do convite de Moacir Toledo, filho de Amelia e também artista plástico, decidi realizar um documentário sobre essa artista de primeira grandeza - e ainda pouco conhecida do grande público", explica Helio Goldsztejn. "Muito antes de o termo 'sustentabilidade' existir, Amelia já era precursora dessa prática em sua arte, utilizando materiais reaproveitados e experimentando novas linguagens", complementa o cineasta.

Apresentadas hoje em mostras que atraem multidões, as obras de Amelia convidam não apenas à contemplação, mas também ao tato e à interação, explorando múltiplos ângulos de visão e até as sombras projetadas no espaço. Amelia tem uma trajetória singular. Foi aluna de Anita Malfatti, conviveu com intelectuais e artistas como Hélio Oiticica e Lygia Pape e Waldemar da Costa, além de ter trabalhado com o arquiteto Vilanova Artigas.

Aos 83 anos, Amelia participou como convidada na 20a Bienal Internacional de São Paulo (2010). O doc sobre a artista percorre suas múltiplas dimensões através de depoimentos de amigos, artistas e familiares, revelando como ela atravessou tempos, linguagens e fronteiras sem nunca perder a capacidade de se reinventar. O longa é, acima de tudo, um convite para revisitar a força criadora de uma artista que sempre fez da arte um território de liberdade e descoberta. Helio conheceu o trabalho de Amelia enquanto trabalhava na direção no programa Metrópolis da TV Cultura, que diariamente cobria artes plásticas. "Nesse contexto, descobri sua obra, que chegou a integrar o cenário do programa e hoje faz parte do acervo da emissora", relembra o diretor. "O documentário é posterior à morte de Amélia, mas meu contato com ela ocorreu anteriormente, em entrevistas realizadas para a televisão", finaliza.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 08 A 14 DE OUTUBRO


ESTREIAS:


CORDÉLICOS – A ORIGEM DO CABRA DA PESTE

Brasil/Animação/2025/ 72min

Direção: Ale McHaddo

Sinopse: Um grupo de aventureiros do sertão brasileiro foge do temido Cabra da Peste ao conseguir roubar os planos de uma máquina do tempo, mas a perseguição acaba os separando entre passado e futuro. Uma aventura repleta de ação, humor e brasilidade em meio a reviravoltas, perseguições e planos ousados.

BIA

Brasil/Drama/2025/71min.

Direção: Taciano Valério

Sinopse: Ao se aproximar do universo de mulheres camponesas, Bia, uma doutoranda, vê seu modo de habitar o mundo entrar em transformação. Entre ficção e realidade, o filme investiga os limites entre pertencimento, desejo e liberdade.

Elenco: Verônica Cavalcanti, Zezita Matos, Fernando Teixeira, Beto Aragão, Jean Claude Bernardet, Bruno Goya, Rosberg Adonay



AMÉLIA TOLEDO – LEMBRAR DE NÃO ESQUECER

Brasil/Documentário/2026/82min

Direção: Hélio Goldsztejn

Sinopse: O documentário lança um novo olhar sobre a vida e a obra de Amelia Toledo, uma das artistas mais inquietas e inovadoras da arte brasileira, ao revelar a trajetória de uma criadora que transformava a própria casa em ateliê, indo do desenho de joias à escultura e experimentando com materiais tão diversos quanto acrílico, chapas de metal, pedras e conchas. Amelia construiu uma carreira marcada pela ousadia e pela abertura ao diálogo entre a arte e a vida. Como professora, deixou sua marca em instituições como o Mackenzie e a FAAP, além de ter integrado a equipe da recém-criada Universidade de Brasília, sob a reitoria de Darcy Ribeiro. O golpe militar de 1964 interrompeu sua trajetória no Brasil, levando-a a Portugal com a família, por um breve período. O documentário retoma essas múltiplas dimensões por meio de depoimentos de amigos, artistas e familiares, revelando como a artista atravessou tempos, linguagens e fronteiras sem nunca perder a capacidade de reinventar-se.


EM CARTAZ:


NAZA

Reino Unido/Documentário/2026/80min

Direção: Yuval Abraham e Rachel Szor

Sinopse: Filmado à noite nos telhados de Tel Aviv, o documentário de Yuval Abraham e Rachel Szor reconstrói os mecanismos por trás das operações militares de Israel na Faixa de Gaza.



HORÁRIOS DIAS 08, 09, 13 E 14 DE OUTUBRO

(não há sessões nas segundas)

15h: CORDÉLICOS (infantil)

17h: BIA

19h: AMÉLIA TOLEDO – LEMBRAR PARA NÃO ESQUECER


HORÁRIOS DIAS 10 E 11 DE OUTUBRO

(sábado e domingo)

15h: NAZA

17h: BIA

19h: AMÉLIA TOLEDO – LEMBRAR DE NÃO ESQUECER


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'DIGGER'

Sinopse: O protagonista embarca em uma corrida contra o tempo para enfrentar as consequências de seus atos e provar que é o salvador da humanidade, antes que o desastre que desencadeou destrua o planeta.

Alejandro González Iñárritu gosta de colocar o dedo na ferida e fazer com que suas obras se tornem pontos fora da curva no cinema norte-americano. Se "O Regresso" (2015) era uma síntese sobre o sangue derramado para a construção de um novo mundo, e "Birdman" (2014), uma crítica ácida da própria Hollywood sucumbida às franquias, "Digger" (2026) talvez seja reavaliado no decorrer do tempo — pois é um filme que dá um tapa na cara não somente dos donos do poder, mas da própria sociedade.

Na trama, acompanhamos o homem mais poderoso do mundo que, após provocar um desastre ambiental de proporções globais, inicia uma missão intensa para reparar os danos que ele mesmo causou e provar ser o salvador da humanidade. Em uma corrida contra o tempo, precisa enfrentar as consequências de suas decisões antes que a crise saia completamente do controle e ameace o futuro do planeta. Nessa trajetória, o bilionário cruza o caminho de algumas das figuras mais influentes do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos.

Desde o início de sua carreira, Tom Cruise já havia provado ser um ótimo ator — basta resgatarmos "Nascido em 4 de Julho" (1989) para termos essa dimensão. Porém, como todo astro norte-americano de grande porte, Cruise acabou se rendendo ao sistema que move as engrenagens da indústria: tornar-se o pilar de uma franquia duradoura, no seu caso, Missão: Impossível. Trabalhando anos a fio nesse tipo de produção, ficamos desacostumados a vê-lo em papéis que se distanciem desse molde (sendo sua hilária participação em "Trovão Tropical", de 2008, um espanto à parte).

Aqui, porém, Cruise se desfaz de qualquer vaidade ao se entregar a um personagem que se revela uma representação da mentalidade governamental atual. Seu Digger é uma caricatura dos poderosos — principalmente daqueles que tratam os EUA como um grande rancho cujo gado precisa ser alimentado a todo custo. Neste caso, o "alimento" é a profusão de petróleo explorada à exaustão ao longo dos séculos, culminando em um inevitável acidente ecológico.

Digger, contudo, não é um farsante que esconde sua essência; ele aponta o dedo contra a própria humanidade, que implorou por combustível ao longo das décadas enquanto ele apenas correspondia ao consumismo desenfreado. A cena em que o protagonista discursa perante uma população à beira do apocalipse é, desde já, uma das melhores do ano. Digger encarna tudo o que mais tememos na atualidade, mas que nós mesmos criamos para satisfazer necessidades em constante definhamento. São momentos como esse que geram espanto e fazem brotar um sorriso amarelo no canto da boca, revelando que o futuro nebuloso se torna quase hilário: tínhamos tudo para evitá-lo, mas optamos pela energia e pelo conforto a qualquer preço.

Tudo isso surge orquestrado por Iñárritu, que consegue realizar uma curiosa transição entre a linguagem cinematográfica e a teatral. Essa fórmula, por sua vez, vinha sendo testada por Wes Anderson desde A "Crônica Francesa" (2021), pois acredito que ambos os realizadores perceberam que a Sétima Arte chegou a um ponto em que talvez seja preciso olhar para o passado e resgatar velhas formas de narrativa, ainda que soar estranho para as novas plateias em um primeiro momento. Essa construção aliada a uma produção de grande escala também me fez recordar o maravilhoso "Sinédoque, Nova York" (2008), obra que merece ser permanentemente redescoberta.

Vale salientar que Iñárritu é ainda mais corajoso ao retratar a grande potência americana sucumbindo perante o poderio chinês, em uma decadência comandada por Donald Trump. Se Digger é a engrenagem desse poder moribundo, a figura do presidente do país, brilhantemente interpretado por John Goodman, torna-se tragicômica — momentos que remetem às melhores situações de Doutor Fantástico (1964), clássico de Stanley Kubrick. Pelo visto, a humanidade continua sem aprender com os erros do passado.

Ao final, fica a constatação de que o filme de Iñárritu corre o risco de ser menosprezado no presente para só ser reavaliado com o tempo. Afinal, não é sempre que encaramos de frente nossos próprios temores em uma obra que escancara o quanto nos encaminhamos para um declínio civilizatório sem conserto. A cena final é impactante não apenas para quem viveu os tempos de pandemia, mas como um alerta sobre o que teremos de enfrentar logo adiante.

"Digger" será ignorado por parcela do grande público porque este já não aceita ouvir a verdade — e é justamente isso que faz do longa um dos mais corajosos do ano.

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domingo, 4 de outubro de 2026

Cine Dica: Próximo Cineclube Torres - "Châteu-Paris"

Em outubro, as caraterísticas multiculturais da França vão ocupar a tela do Cineclube Torres, com 4 longas-metragens explicitando potencialidades e desafios da sociedade atual na integração e valorização de minorias. Na programação escolhida, o ambiente multicultural de uma periferia parisiense ("Château-Paris", de Mody Barry e Cédric Ido, já na próxima segunda dia 5), tensões entre minorias turcas e ciganas ("Geronimo" do saudoso Tony Gatliff), o inevitável conflito intergeracional em famílias de origem magrebina ("Fátima" de Philippe Faucon) e a luta histórica para a segurança e a dignidade dos migrantes na sociedade francesa ("A Marcha" de Nadir Ben Yadir).

As sessões ocorrem ao longo do mês, sempre nas segundas-feiras às 20h e com entrada franca, na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo do Cineclube Torres, contando com o apoio da UP Idiomas Torres. No dia 28, uma quarta-feira, o Cineclube Torres vai participar novamente do Dia Internacional da Animação, com uma sessão especial apresentando uma seleção de curta-metragens de animação nacionais e internacionais.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul. 



Serviço:

O que: Exibição do filme "Châteu-Paris" (2016) de Mody Barry e Cédric Ido (França) 

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 5/10, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).

Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema – 'Roma de Fellini'

 Nota: Filme assistido pelos associados no último dia 27/09/26

Federico Fellini foi um realizador que começou sua carreira no cinema quando o neorrealismo italiano já dava os seus últimos sinais, o que permitiu ao cineasta colocar em prática sua visão particular. Todavia, é notório quanto desse movimento ele trouxe para a sua filmografia, entrelaçando-o ao seu lado criativo no desenvolvimento de histórias marcantes. "Roma de Fellini" (1972) pode ser visto tanto como uma autobiografia do realizador quanto como uma análise de Roma — em suas entranhas e em sua superfície — ao longo da história.

No longa, vemos a capital da Itália — a Cidade Eterna para os íntimos, por sua trajetória milenar — como um ponto de encontro de diversas narrativas que sintetizam o próprio papel da humanidade na Terra. Fellini vivenciou o cotidiano da cidade em diferentes etapas de sua trajetória: desde a chegada ainda criança (Stefano Mayore), passando pela fase jovem (Peter Gonzales), até os tempos contemporâneos.

Transitando entre a reconstituição de época da juventude do realizador e os tempos calorosos do início dos anos setenta, Fellini constrói uma visão sobre a cidade que tanto ama. Trata-se de uma Roma que passou por maus bocados durante a Segunda Guerra Mundial e cuja reconstrução serviu de molde para o movimento neorrealista. Não estamos diante de um filme convencional — o próprio diretor deixa isso escancarado já na abertura —, e tudo o que podemos fazer é desfrutar de suas imagens inventivas. Não há exatamente um protagonismo em cena, a não ser a própria Roma.

Curiosamente, "Amarcord" (1973) costuma ser apontado como a grande reconstituição da juventude do cineasta. Aqui, porém, sua própria figura fica em segundo plano, enquanto ele decide caminhar pelas ruas da cidade com a câmera, observando pessoas comuns em seu dia a dia e sintetizando os elementos de um momento em que a capital sofria profundas transformações com a passagem do tempo. Há, por exemplo, um atrito evidente entre a velha guarda italiana e a nova geração que surgia naquele período — em que sexo, amor e drogas ditavam o ritmo, fazendo a geração passada temer pelo futuro do país.

Há, contudo, uma hipocrisia latente em relação a isso, venha ela do lado conservador ou da própria Igreja tradicional, que não esconde o submundo do prazer: desde as mulheres livres pelas ruas até a cultura do teatro e da música, revelando uma faceta à italiana com a qual o espectador logo se identifica. Nesse cenário, vemos figuras que se entregam à comida, à bebida e a uma malandragem que corre solta em cenas deveras hilárias.

Porém, o ápice do longa se encontra quando Fellini se entrega por completo ao registro documental, especialmente na rodovia onde filma de tudo um pouco: discussões no trânsito, acidentes e protestos a todo momento. A câmera é trêmula, por vezes em plano-sequência, fazendo da viagem uma experiência quase sensorial. Arrisco dizer que é um dos melhores momentos da carreira do realizador, pois a verossimilhança e o imaginário do cineasta se casam de uma forma raras vezes vista.

Há espaço até mesmo para adentrarmos o subsolo de Roma, que mais parece uma cidade subterrânea abandonada cuja história começa a se deteriorar diante dos nossos olhos — uma forma de nos dizer que o tempo tudo destrói e que cabe a nós, meros mortais, mantermos a memória viva para termos noções do que fomos um dia. Ao final, vemos motociclistas correndo sem rumo, mal sabendo o que reserva o futuro misterioso em que hoje vivemos.

"Roma de Fellini" é uma declaração de amor do diretor à sua cidade e uma síntese de sua genialidade em narrar histórias sobre o próprio berço da civilização ocidental.

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (02/10/26)

 DIGGER

Sinopse: A trama acompanha o homem mais poderoso do mundo que, após causar uma catástrofe global, inicia uma missão frenética para se redimir e provar que é o salvador da humanidade. Em uma corrida contra o tempo, ele precisa enfrentar as consequências de seus atos antes que o desastre que desencadeou destrua tudo.


VERITY

Sinopse: Lowen Ashleigh é contratada por Jeremy Crawford para escrever romances para sua esposa Verity, autora de best-sellers, que não consegue terminar de escrever após um acidente.


A QUEDA 2: NO LIMITE

Sinopse: De luto pela morte de sua irmã Shiloh, Jax Hunter cria um laço com Luce, a amiga corajosa de Shiloh. Juntas, elas enfrentam a perigosa passarela suspensa do Monte Kwan, na Tailândia. Quando um deslizamento de rochas as deixa presas em uma estreita prancha a mais de 3.000 metros de altitude, Jax precisa enfrentar seus medos para sobreviver.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Clube de Cinema: "Meu Tio" (03/10) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (03/10), o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne às 10h15 da manhã na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir a comédia Meu Tio, de Jacques Tati.

O filme constrói uma sátira da vida moderna a partir do contraste entre dois mundos. De um lado, a casa dos Arpel, equipada com aparelhos e soluções automatizadas que tornam o cotidiano cada vez mais rígido e impessoal; de outro, o bairro onde vive o Sr. Hulot, marcado pelo improviso, pelo barulho e pela convivência entre seus moradores. No centro dessa oposição está Gerard, que encontra no tio uma possibilidade de escapar das regras e convenções do universo familiar.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 03/10, às 10h15

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Meu Tio (Mon oncle)

França e Itália, 1958, 117min

Direção: Jacques Tati

Roteiro: Jacques Tati, Jacques Lagrange e Jean L'Hôte

Elenco: Jacques Tati, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie, Lucien Frégis, Betty Schneider, Jean-François Martial, Dominique Marie, Yvonne Arnaud, Adelaide Danieli

Sinopse: Gerard vive com os pais em uma casa moderna e automatizada no subúrbio de Paris, mas o menino gosta de visitar seu tio Hulot, que mora em um bairro mais simples e movimentado. A convivência entre os dois se torna motivo de preocupação para os pais de Gerard, que tentam afastá-lo da influência do tio.


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