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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 7 a 13 de maio de 2026

A cinesemana de 7 a 13 de maio traz cinco estreias na nossa programação, incluindo uma coprodução franco-canadense que se insere nas comemorações pelo Dia das Mães: ERA UMA VEZ MINHA MÃE é baseado na autobiografia do advogado Roland Perez, nascido com uma condição de deficiência e que foi superada pela dedicação da sua mãe. Outra novidade é NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre um jovem francês que revê algumas prioridades antes de iniciar o tratamento contra um câncer.

Também temos três estreias brasileiras, incluindo o longa-metragem gaúcho EDIFÍCIO BONFIM, codireção de Ligia Walper e Tomás Walper Ruas inspirado nas lendas fantásticas da ilha de Florianópolis. Nesta semana, o público ainda terá a oportunidade de conferir ECLIPSE, o novo filme da cineasta Djin Sganzerla, com ela como protagonista, e TIMIDEZ, produção baiana inspirada na peça de teatro “O Cego e o Louco” e vencedora do Festival Panorama Coisa de Cinema.

O público segue empolgado com BETTY BLUE, drama erótico francês que voltou aos cinemas para comemorar seus 40 anos de lançamento. Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus.

Esta é a última semana para conferir A FÚRIA, o longa mais recente do veterano cineasta Ruy Guerra; e PAPAGAIOS, que rendeu ao talentoso Gero Camilo o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado; e A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui. 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 7 a 13 de maio de 2026

 Cinemateca Capitólio estreia clássico do cinema mexicano restaurado

A Cinemateca Capitólio coloca em cartaz a partir de 7 de maio um título clássico do cinema fantástico mexicano, Veneno para as Fadas (1986), de Carlos Enrique Taboada, recentemente restaurado em 4K. Narrado inteiramente pelo ponto de vista infantil, o filme constrói uma atmosfera de suspense envolvente sem jamais mostrar nada definitivamente sobrenatural – transformando a imaginação de uma criança no mais perturbador dos lugares. Na Cidade do México, em 1965, a pequena Verônica (Ana Patricia Rojo) cresce fascinada pelas histórias de bruxaria que a cozinheira lhe conta, alimentando uma imaginação fértil e sombria. Quando Flávia (Elsa Maria Gutierrez), uma colega rica e solitária, chega à sua turma, Verônica não hesita em se apresentar como bruxa de verdade. E, diante da descrença da nova amiga, passa a se aproveitar de uma série de circunstâncias para convencê-la de que seus poderes são reais. O que começa como uma brincadeira inocente vai adquirindo um ar cada vez mais macabro, até que Verônica convence Flávia a levá-la durante as férias à fazenda da família, onde pretende preparar um veneno para as fadas. É quando a brincadeira se torna genuinamente perigosa. Último filme lançado pelo mestre do gênero fantástico Carlos Enrique Taboada, Veneno para as Fadas é um clássico absoluto do cinema mexicano e do horror, cujo relançamento em cinemas comemora o seu 40º aniversário de estreia, permitindo a sua descoberta pelas novas gerações. Além das exibições em salas de cinema, a distribuidora Filmicca também está lançando o filme em blu-ray no mercado brasileiro.

Em sua segunda semana, segue em cartaz outro clássico restaurado, Suspiria, de Dario Argento, também exibido em cópia digital 4K restaurada a partir de seu negativo original. Lançado em 1977, o filme acompanha a bailarina Suzy Bannion ao chegar à prestigiosa Tanz Akademie, em Freiburg, onde uma série de eventos perturbadores a conduz a uma investigação sobrenatural. Primeiro capítulo da trilogia As Três Mães – seguida por A Mansão do Inferno (1980) e O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas (2007) –, Suspiria é um giallo psicodélico de visuais saturados, trilha sonora da banda Goblin e direção de arte rigorosa, consolidado como um dos títulos mais emblemáticos da história do cinema de horror.

Também continua em exibição o documentário pernambucano Manguebit, de Jura Capela, o mais abrangente registro audiovisual já realizado sobre o manguebeat — movimento que, nos anos 1990, conectou as periferias de Recife ao circuito musical global por meio de nomes como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S.A. e o festival Abril Pro Rock. Com imagens raras, arquivos históricos e depoimentos de artistas como Otto e DJ Dolores, o documentário transita entre música, cinema, artes visuais e literatura. O filme conquistou o prêmio de Melhor Filme no In-Edit Brasil e os prêmios de Melhor Direção, Trilha Sonora e Montagem no Festival Aruanda.

Na quinta-feira, 7 de maio, às 19h, a Cinemateca Capitólio recebe ainda uma sessão especial do Cineclube Vestígio, que apresenta o filme brasileiro Caixa Preta, de Bernardo Oliveira e Saskia. Produção de 2022, Caixa Preta é um filme-ensaio sobre a existência da população negra, que tem colhido elogios em sua passagem por festivais de cinema como a Mostra de Tiradentes e o Ecrã – Festival de Cinema e Arte Experimental. A entrada é franca.

Confira a programação completa da Cinemateca no site oficial clicando aqui. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'O Rei da Internet'

Nota: O filme estreia dia 14 de Maio. 

Sinopse: Daniel, um rapaz prodígio, fica deslumbrado com as conquistas geradas por sua capacidade excepcional de hackear sistemas, tornando-se o maior hacker do país.

Não é de hoje que o cinema explora histórias reais de larápios que burlam o sistema para se dar bem na vida. Curiosamente, esse tipo de indivíduo acaba se tornando um exemplo de como quebrar as barreiras de um mundo cheio de regras, provando que sempre haverá uma fenda por onde escapar. "O Rei da Internet" (2026) é uma viagem a um passado não tão distante, mas que revela os elementos que hoje se tornaram os pilares do nosso mundo conectado.

Dirigido por Fabrício Bittar e baseado na obra DN pontocom: A Vida Secreta e Glamourosa de um Ex-Hacker, de Daniel Nascimento e Sandra Rossi, o filme conta a história de Daniel (interpretado por João Guilherme) e mostra como ele se destacou como um dos maiores hackers do Brasil. O jovem fez parte de uma organização criminosa que movimentou milhões de reais, viveu intensamente uma vida de ostentação e foi alvo de uma grande operação da Polícia Federal — tudo isso antes de completar 17 anos.

Antes de mais nada, é preciso aplaudir a edição frenética do filme, que assume uma linguagem quase de videoclipe — algo que eu não via no cinema brasileiro com tanta força desde "2 Coelhos" (2012). O primeiro ato moldado dessa forma serve para apresentar o protagonista de um jeito que gera identificação com o público, principalmente pelo fato de sua paixão pelo hacking ter começado nos tempos da internet discada. É nesse momento que o longa remete a tempos mais simples, trazendo de volta os computadores de tubo, as salas de bate-papo e o clássico Orkut.

Por meio de uma narração em off, Daniel nos revela passo a passo como se tornou um dos criminosos mais procurados pela justiça, desde a invasão ao sistema do site da editora Abril até o acesso a contas bancárias por todo o país. O filme resgata elementos de outras produções que abordam o universo da informática, como "A Rede Social" (2010), mas, ao mesmo tempo, evoca a atmosfera de "O Lobo de Wall Street" (2013). Em comum, esses protagonistas anseiam pela riqueza, nem que para isso precisem quebrar as regras de um sistema movido por números que governam o mundo.

João Guilherme Ávila se sai muito bem como protagonista e narrador. A narração em off funciona como uma ferramenta criativa para compreendermos as motivações do personagem e o que o levou ao mundo do crime cibernético. O filme se desenha como um verdadeiro estudo de uma parcela de uma geração perdida que procura seu lugar no mundo, enquanto é desprezada por uma sociedade conservadora que dita as regras. Daniel, por sua vez, rema contra a maré não apenas para enriquecer, mas também para ser lembrado de alguma maneira.

O ritmo do longa sofre um declínio na transição do segundo para o terceiro ato, momento em que as cenas frenéticas desaceleram para revelar o lado mais obscuro do submundo em que Daniel se envolveu. Não que isso prejudique a obra como um todo, mas fica a sensação de que esticaram a corda mais do que o necessário, já que os minutos iniciais da projeção já antecipavam o destino do protagonista. Ao final, constatamos que o crime pode até não compensar, mas a máxima do "fale mal, mas fale de mim" nunca esteve tão viva.

"O Rei da Internet" é um filme nostálgico que, além de esmiuçar a vida criminosa do protagonista, nos transporta para tempos mais inocentes, resgatando os primeiros passos da internet em terras brasileiras.


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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 07 A 13 DE MAIO

 ESTREIAS:

TIMIDEZ

SURDA

Espanha/ Drama/ 2025/ 99min

Direção:EVA LIBERTAD

Sinopse: Ângela, uma mulher surda, vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte, Hector. Com a chegada do bebê, Ângela precisa enfrentar os desafios e complexidades de ser mãe em um mundo que não foi preparado para pessoas como ela.

Elenco:  Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta


TIMIDEZ

Brasil/ Drama/2025/ 82min.

Direção: Thiago Gomes Rosa e Susan kalik

Sinopse: Jonas vive com o irmão Nestor, um homem cego que é, ao mesmo tempo, seu porto seguro e o que o mantém preso. Entre lembranças que insistem em voltar e um amor guardado pela vizinha Lúcia, ele se vê diante de uma noite decisiva onde precisará encarar tudo aquilo que sempre evitou.

Elenco: Dan Ferreira, Ridson Reis, Antônio Marcelo, Evana Jeyssan.


EM CARTAZ:

MÃE E FILHO

Irã, Drama, 2025, 133min

Direção: SAEED ROUSTAEE

Sinopse: Mahnaz, uma enfermeira viúva de 40 anos, luta com seu filho rebelde, Aliyar, que foi suspenso da escola. As tensões familiares atingem o auge durante a cerimônia de noivado com seu novo namorado, Hamid, e um trágico acidente ocorre. Como consequência, Mahnaz será forçada a confrontar a traição e a perda, e a embarcar em uma busca por justiça.

Elenco: Parinaz Izadyar, Payman Maadi, Soha Niasti



HORÁRIOS SESSÕES DE 07 A 13 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

15h: MÃE E FILHO

17h30: TIMIDEZ

19h: SURDA


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 5 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'O Estrangeiro'

Sinopse: A trama acompanha Meursault, um francês apático e indiferente que vive na Argélia dos anos 1930. Sua completa falta de emoção após a morte da mãe e o envolvimento em um crime trágico o levam a um julgamento implacável.

François Ozon é, atualmente, um dos diretores franceses mais curiosos de se analisar de perto, justamente por sua versatilidade. Ele transita com facilidade por boas comédias, como "O Crime é Meu" (2023), e por dramas densos cujos temas soam polêmicos, como no caso de "Está Tudo Bem" (2021). "Em O Estrangeiro" (2025), o realizador prova novamente que alguns clássicos literários ainda podem — e devem — ser reaproveitados nos dias de hoje, entregando uma adaptação que é uma prova mais do que genuína desse potencial.

Adaptação da obra-prima literária do franco-argelino Albert Camus, o filme conta a história de Meursault, um homem indiferente que vive na Argélia ocupada dos anos 1930 e demonstra uma completa apatia perante a vida. Quando sua mãe morre, nenhuma emoção parece comovê-lo. Já no dia seguinte ao funeral, ele começa a se relacionar com sua colega de trabalho, Marie. No entanto, a rotina monótona de Meursault é interrompida por um vizinho que o arrasta para uma série de negociações obscuras até que, num dia quente de verão, uma tragédia ocorre na praia.

Alguns críticos literários pregam que certos livros são praticamente impossíveis de serem adaptados, ou que pertencem somente à sua época de lançamento. Não é o que acontece aqui. Se a clássica versão de 1967, estrelada por Marcello Mastroianni, já havia sido bem-sucedida, esta nova leitura de François Ozon se mostra mais atual do que nunca. Ela sintetiza o vazio do ser humano perante os posicionamentos, por vezes, conservadores e atrasados do próximo. Qualquer semelhança com os dilemas que atravessamos no decorrer deste século XXI não é mera coincidência.

Meursault é um personagem enigmático diante de um mundo ao qual não sente que pertence, mas no qual busca viver mesmo assim. Ele não se esforça para demonstrar sentimentos, mesmo em uma situação delicada como a perda da mãe — quase como se a apatia fosse uma forma de se proteger dos olhares julgadores de uma sociedade moldada por convenções e crendices. O jovem intérprete Benjamin Voisin consegue construir um personagem que aparenta carregar um constante conflito interno, mas que procura jamais externá-lo para aqueles que buscam compreendê-lo.

Ozon constrói uma atmosfera que transita entre elementos dramáticos e passagens de suspense que prendem a atenção na medida certa. A cena da praia onde acontece o crime, por exemplo, é um verdadeiro jogo de montagem alinhado a uma fotografia fantástica, com atuações que diferenciam a obra dos outros longas do cineasta. Transitando entre o passado e o presente, somos apresentados a um personagem misterioso com o qual, lá no fundo, conseguimos até nos identificar.

Curiosamente, o filme traz à mente o clássico "A Paixão de Joana d’Arc" (1928), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Em ambos os casos, os protagonistas são julgados por ações que poderiam ser analisadas de forma imparcial, mas acabam condenados por uma justiça conservadora que existe apenas para servir a objetivos ambiciosos — sejam eles religiosos ou políticos. É por isso que esta adaptação funciona tão bem nos dias de hoje: tornou-se cada vez mais comum o olhar tribunalesco da sociedade se tornar implacável, condenando sem ao menos analisar a complexidade do assunto.

Ao final, vemos pela primeira vez um Meursault desabafando diante da possibilidade de salvação, mas negando-a por achá-la hipócrita, assim como as demais situações que testemunhou em sua Via Crucis pessoal. É um momento digno de nota, onde finalmente enxergamos o protagonista mais humano, digno de assumir suas próprias falhas, mas indisposto a aceitar a absolvição daqueles que o julgam superficialmente. Um filme que se casa com perfeição com os dilemas morais de um mundo atual em declínio.

"O Estrangeiro" é uma nova leitura cinematográfica brilhante, que prova que os dilemas existenciais de ontem não são muito diferentes dos que enfrentamos hoje.

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'O Diabo Veste Prada 2'

Sinopse: Miranda Priestly (Meryl Streep) em declínio, enfrentando a crise das revistas de moda. Ela precisa da ajuda de Emily (Emily Blunt), agora uma poderosa executiva de luxo, e de Andy (Anne Hathaway), que retorna como consultora.

Em tempos de franquias intermináveis não é de surpreender que o cinema americano busque até mesmo uma forma de dar continuidade aos eventos de um clássico que nunca precisou de uma continuação. "O Diabo Veste Prada" (2006) é um daqueles exemplos dos quais ninguém dava nada para o longa, mas que rapidamente se tornou um sucesso de público e de crítica. Vinte Anos depois eis que chega "O Diabo Veste Prada 2" (2026), longa que respeita os amantes do clássico e que não fica preso exatamente àquela sensação de nostalgia como um todo.

Dirigido por David Frankel, o filme nos traz de volta  Miranda Prestly em  um momento de mudanças na moda e na indústria de publicações e revistas. Lidando com o colapso do jornalismo, Miranda precisa enfrentar ainda mais um novo desafio: o retorno de Andreia, agora uma jornalista profissional e que precisará elaborar ótimas matérias para que Miranda se mantenha no topo. Além disso, Emily em um novo cargo desvenda as suas novas ambições e que pode surpreender até mesmo Miranda.

O que eu mais temia nesta continuação seria uma espécie de releitura do primeiro, o que não é o caso. Vemos Andreia retornando, mas agora mais madura e focando exclusivamente no universo do jornalismo. O retorno para as garras de Miranda vem justamente da ameaça da extinção do jornalismo profissional e fazendo com que ela use todos os seus esforços para que isso não aconteça.

Talvez esse seja o grande acerto do longa, ao não se repetir, mas sim dando continuidade e focando o universo da moda em  um mundo atual sempre em mutação, onde as revistas tradicionais impressas se encontram quase extintas e perdendo o lugar para sites e redes sociais que se dizem entendedores do assunto. O mundo mudou nestes últimos vintes anos, onde não basta ter ambição, como também saber se atualizar em uma realidade onde o amanhã você pode ser dispensado e substituído por uma tecnologia onde tudo se torna mais fácil. Com o advento do IA, o filme toca em um assunto em que o cinema norte americano está explorando com intensidade, por vezes, exagerada, mas aqui com bastante criatividade na medida certa.

Outro ponto positivo é o fato de revisitarmos os velhos personagens conhecidos, mas cujo amadurecimento após vinte anos é bem sentido em cada um deles. Anne Hathaway consegue construir uma Miranda que nos transmite já certo peso de experiência, mas mantendo as suas virtudes intactas através do tempo. Já Emily Blunt pouco faz de diferente para a sua Emily, o que não é necessário, pois já no primeiro filme a sua personagem nos transmitia a ambição de um mundo que faltava poucos centímetros para alcançar, mas que nunca conseguia exatamente abraçar. Aqui uma nova faceta de sua pessoa é revelada e fazendo a gente questionar até onde ela irá para obter o que mais deseja.

Stanley Tucci, por sua vez, obtém mais tempo em tela, pois o seu personagem Nigel é um dos mais amados do filme original. Ao ser especialista nas melhores roupas da moda, Nigel procura manter o equilíbrio ao não se desesperar pela possibilidade de sua profissão ser extinta e manter o lado mentor com Miranda intacto. E se muitos ficaram chateados com que Miranda fez com ele no filme original, aqui ele finalmente obtém a sua merecida redenção.

E como não poderia deixar de ser, novamente Meryl Streep enche a tela toda vez quando entra em cena, pois a sua Miranda é sem sombra de dúvida um dos melhores papéis de sua carreira. Curiosamente, vemos aqui a mesma Miranda de sempre, mas tendo que encarar as mudanças vindas no horizonte e fazendo com que a mesma acabe revelando uma humanidade maior do que havia sido vista no filme anterior.  Sua interação com Andreia ganha um novo patamar, mesmo quando ainda mantém a sua atitude autoritária, mas que serve para não transmitir a sua fraqueza que começa a ser exposta.

O filme somente peca ao não manter o mesmo equilíbrio em termos de ritmo ao ser comparado ao filme original. Ao meu ver, os realizadores exageraram um pouco na questão do jogo de poder sobre quem puxa o tapete mais rápido e cujo os desdobramentos, por vezes, se tornam um tanto quanto exagerados. Ao menos  a edição quase frenética se torna uma cortina de fumaça para ofuscar esse, porém, além de novamente possuir uma trilha sonora pop e que irá fazer a gente cantarolar após a sessão.

Em tempos atuais em que o cinemão norte americano vê suas franquias milionárias um tanto quanto enfraquecidas, o filme vem um momento em que público anseia por algo novo. O longa  pode ser a continuação de um grande clássico, mas ao menos ele serve para nos tirar da nossa zona de conforto e adentrarmos ao universo da moda onde o jogo pelo poder domina a cena. Curiosamente, o filme deixa uma brecha para uma possível continuação e faz a gente se perguntar qual seria o próximo passo de Miranda e companhia.

Com participação especial de Lady Gaga, "O Diabo Veste Prada 2" é um filme que ninguém esperava nada, mas que surpreende ao ter alma própria e respeitar todo o culto em volta que o clássico havia adquirido no decorrer dos anos. 


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Cine Dica: Curso - Kleber Mendonça Filho

 INSCRIÇÕES ABERTAS

 Curso

KLEBER MENDONÇA FILHO: UMA ANÁLISE IDEOLÓGICA

de Lucas Vidal

* Datas: 16 e 17 / Maio (sábado e domingo)

* Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)

* Horário: 14h30 às 17h30

Apresentação

Atuando como um filho do seu tempo, Kleber Mendonça Filho faz questão de abordar os acontecimentos da política brasileira a todo momento, através de metáforas, circunstâncias, homenagens e citações. Assim como Jean-Luc Godard, Kleber também tem origem na crítica cinematográfica. E também seguindo os passos do francês, o recifense faz crítica com a câmera, reescrevendo a história de atores e trazendo uma visão própria de clássicos brasileiros.

Objetivos

O curso KLEBER MENDONÇA FILHO: UMA ANÁLISE IDEOLÓGICA, de Lucas Vidal, busca situar o cineasta no contexto histórico do Brasil do século XXI e apresentar toda a riqueza dos filmes do célebre recifense. Será possível relacionar as criações nem tão fictícias assim com a realidade brasileira e também compreender a forma com que o cineasta faz esse trabalho, observando suas escolhas estéticas. Analisaremos de forma detalhada muitas cenas, comparando diálogos com acontecimentos reais e com as influências de Kleber, do faroeste ao terror, passando por filmes marcantes do Brasil. Dizendo muito em cada frame e em cada diálogo, Kleber faz dos seus filmes um grito ideológico. Estudaremos o que ele diz e por que ele diz.

Ministrante: Lucas Vidal

Graduado em Jornalismo pela PUC-RS, com passagem pelo jornal Zero Hora. Já ministrou aulas e conteúdos sobre Ingmar Bergman no curso de Jornalismo da UniRitter. Desenvolveu a monografia "A Representação dos Relacionamentos Amorosos em Godard: Uma Análise de Uma Mulher É Uma Mulher e Acossado", como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo.


Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/04/kleber-mendonca-filho.html