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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Pluribus'

Sinopse: Um vírus une a humanidade em uma mente coletiva de felicidade constante, e a protagonista, Carol Sturka (interpretada por Rhea Seehorn), uma escritora amarga e infeliz, é uma das poucas pessoas imunes.

Vince Gilligan é um daqueles casos raros de criadores que dão um passo à frente no conteúdo televisivo, transformando-o em linguagem puramente cinematográfica. As séries "Breaking Bad" e "Better Call Saul" são exemplos de tramas criativas e alinhadas a uma direção que não deve nada ao cinema autoral. "Pluribus" (2025) estreou de forma mansa, mas logo conquistou o público que deseja assistir a algo que vá além do óbvio.

Na trama, acompanhamos um mundo onde um vírus extraterrestre transforma a humanidade em uma mente coletiva feliz e pacífica. A exceção é um pequeno grupo de imunes, como a escritora Carol Sturka — a pessoa mais infeliz do mundo —, que precisa decidir se vale a pena lutar para manter sua individualidade contra essa felicidade forçada e universal.

Protagonizada por Rhea Seehorn, a série possui os mesmos ingredientes que fizeram de "Breaking Bad" uma obra cultuada, pois as imagens falam mais por si do que as palavras ditas. Uma vez que as pessoas do mundo inteiro se tornam uma só em termos de mente coletiva, a protagonista transita entre a loucura, a busca pela lucidez e um meio para contornar todo esse absurdo. Ao mesmo tempo, ela possui uma personalidade forte e sarcástica que faz com que a gente simpatize com ela de imediato.

Rhea Seehorn carrega a série nas costas. Em diversas passagens, vemos sua personagem sozinha, tentando entender a situação, mas também interagindo com pessoas que um dia foram indivíduos e agora partilham da mesma mente. A atriz nos brinda com uma atuação digna de nota: sua personagem nos transmite raiva e tristeza em uma única cena, tornando suas ações imprevisíveis em alguns momentos. Merece todos os prêmios caso seja indicada.

Em termos de roteiro, por mais que a história soe original, ela provoca um certo déjà vu, já que a ideia de mente coletiva já foi explorada em outras séries e filmes — como no cultuado "Cidade das Sombras" (1998). Porém, como dito acima, a série é rica em sua direção; cada capítulo é um exemplo de como filmar com perfeccionismo, alinhando técnica a incríveis atuações. Os realizadores buscam aprofundar o que nos faz humanos e únicos, e como isso se torna precioso perante a possibilidade de sucumbirmos à ideia do coletivo.

A série, por sua vez, funciona como uma crítica subliminar aos tempos atuais, em que a sociedade se torna cada vez mais prisioneira das redes sociais, onde todos tentam saber da vida alheia e performar uma felicidade forçada, para dizer o mínimo. É uma ideia já elaborada por outras mídias, mas moldada aqui de forma original e muito bem-vinda. Resta saber se o lado criativo irá predominar em uma eventual segunda temporada.

"Pluribus" é um belo exemplo de produção que não ofende a nossa inteligência. Pelo contrário: ela nos desafia a pensar sobre uma realidade em que o individualismo se perde — o que, no fim das contas, não é muito diferente do que já acontece na nossa própria realidade.


Onde Assistir: Apple TV. 

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 21 a 27 DE MAIO

Diamantes

DIAMANTES

Itália/ Drama/2024120min

Direção: Ferzan Özpetek

Sinopse: Um diretor reúne suas atrizes favoritas para fazer um filme sobre mulheres. Aos poucos, sua imaginação as transporta para outra época, em um ateliê de figurinos onde o som das máquinas de costura domina o cotidiano e as mulheres ocupam o centro da criação. Entre rivalidades, cumplicidades, ausências e laços inquebráveis, realidade e ficção se misturam, revelando o cinema por um outro ponto de vista: o do figurino.

Elenco: Luisa Ranieri, Jasmine Trinca, Milena Mancini, Paola Minaccioni, Anna Ferzetti, Geppi Cucciari, Lunetta Savino,


EM CARTAZ:

SURDA

Espanha/ Drama/ 2025/ 99min

Direção:EVA LIBERTAD

Sinopse: Ângela, uma mulher surda, vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte, Hector. Com a chegada do bebê, Ângela precisa enfrentar os desafios e complexidades de ser mãe em um mundo que não foi preparado para pessoas como ela.

Elenco:  Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta


PERTO DO SOL É MAIS CLARO

Brasil/Drama/2025/110min.

Direção: Regis Faria

Sinopse: Comovente retrato de Regi, engenheiro carioca de 85 anos, no momento em que lida com a perda recente de sua esposa. A resiliência e o poder do amor nas complexidades do envelhecimento.

Elenco: Reginaldo Faria, Marcelo Faria, Vanessa Gerbelli, André Faria.


HORÁRIOS DE 21 A 27 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

15h: PERTO DO SOL É MAIS CLARO

17h: SURDA

19h: DIAMANTES


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. 


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 19 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Pai Mãe Irmã Irmão'

Sinopse: Três histórias que giram em torno de relações parentais e fraternais.

Jim Jarmusch é um diretor norte-americano muito conhecido pelo seu lado autoral; basta assistir a um de seus filmes para se sentir encantado, pois ele explora o lado mais humano e complexo de seus protagonistas. "Flores Partidas" (2005), por exemplo, é um dos títulos que mais revisitei ao longo destes anos, assim como "Paterson" (2016), que fala muito sobre as escolhas que os personagens tomam e como isso influencia seus percursos de vida. "Pai Mãe Irmã Irmão" (2025) aborda laços familiares com os quais nos identificamos, tornando o filme uma experiência digna de nota.

Na trama, são apresentadas três histórias independentes, mas interligadas, principalmente no que diz respeito às relações entre filhos adultos e pais distantes. Ao se reunirem após anos sem se ver, eles são forçados a confrontar tensões não resolvidas e a avaliar o tempo que passou. Curiosamente, as tramas se passam em três países diferentes: EUA, Irlanda e França.

As três histórias, embora protagonizadas por personagens distintos, possuem similaridades que surgem em momentos específicos, seja pela figura dos skatistas ou pela presença de um relógio que é praticamente o mesmo em todos os contos. Ao meu ver, os skatistas representam "tempos dourados", remetendo a uma época em que os protagonistas eram mais livres e jovens — um passado ao qual não se pode voltar, restando apenas seguir em frente. Quanto ao relógio, ele representa o fato de que, por mais inanimados que pareçam, os objetos possuem valor sentimental; por onde passam, ficam em mãos que poderão gerar novas histórias significativas.

Jarmusch procura criar certa expectativa em relação ao encontro dos filhos com os pais, transmitindo a sensação de que algo pesado pode acontecer a qualquer momento. Se sentimos isso quando o patriarca segura um machado na primeira trama, em contrapartida, a mesa com café e guloseimas da segunda história torna-se um jogo psicológico, onde a mãe analisa cada gesto e fala das filhas. Tudo é filmado de forma que a simetria dá as cartas, transformando uma simples visita em um jogo onde sentimentos guardados afloram aos poucos.

Contudo, não há brigas nem tragédias escancaradas, mas sim a sensação da falta de coragem dos irmãos em se abrirem para seus pais — momentos que podem não se repetir. Se isso é latente nas duas primeiras partes, a última, por sua vez, reforça que todo começo tem seu fim. O que resta é colher a história que nossos entes queridos deixaram, seja através do que escreveram ou do que acumularam. Além de ser tecnicamente impecável, o filme é orquestrado por um grande elenco.

Enquanto os veteranos Tom Waits e Charlotte Rampling cumprem com êxito os papéis de pais excêntricos, Adam Driver, Mayim Bialik, Cate Blanchett e Vicky Krieps representam uma geração presa a sistemas e compromissos, sem tempo para compreender a real natureza de seus pais. Já os irmãos gêmeos interpretados por Luka Sabbat e Indya Moore, na terceira trama, trazem o oposto: o peso do arrependimento por não terem tido tempo de compreender seus pais em vida.

Em tempos nos quais a sociedade se encontra cada vez mais conectada ao trabalho e às redes sociais, o filme nos alerta para prestarmos mais atenção às pessoas à nossa volta e ao tempo que passa sem percebermos. Não cabe esperar; é preciso agir antes que seja tarde. "Pai Mãe Irmã Irmão" é uma análise minuciosa sobre laços familiares que se encontram, mas que, ao mesmo tempo, parecem distantes.

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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 19 a 27 de maio

Cinemateca Capitólio dá nova chance a O Riso e a Faca, recebe pré-estreia do drama brasileiro Dolores com a presença do diretor Marcelo Gomes e realiza últimas sessões de Suspiria e Veneno para as Fadas.

A Cinemateca Capitólio recoloca em cartaz a partir de quinta-feira, 21 de maio, um dos grandes títulos lançados este ano no circuito, o monumental O Riso e a Faca (2025), de Pedro Pinho. Com três horas e meia de duração, o filme acompanha a trajetória de Sérgio, um engenheiro português, que chega à Guiné-Bissau para trabalhar na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Lá, envolve-se em uma relação íntima e desequilibrada com a nativa Diára e o brasileiro Gui. Em meio às dinâmicas neocoloniais dos expatriados, esse laço torna-se seu último refúgio contra a solidão e a barbárie. Eleito um dos 10 melhores filmes de 2025 pela revista Cahiers du Cinèma, O Riso e a Faca teve uma rápida passagem pelo Cinebancários, e agora ganha uma nova chance de ser descoberto pelos cinéfilos locais.

Ainda ao longo da semana, ocorrem as derradeiras exibições das versões restauradas em 4K de dois clássicos do cinema fantástico, o italiano Suspiria (1977), de Dario Argento, e o mexicano Veneno para as Fadas (1986), de Carlos Enrique Taboada. Primeiro capítulo da trilogia As Três Mães – seguida por A Mansão do Inferno (1980) e O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas (2007) –, Suspiria é um giallo psicodélico de visuais saturados, trilha sonora da banda Goblin e direção de arte rebuscada, que consolidou a reputação de Argento como um dos mestres do cinema de horror. Já Veneno para as Fadas narra uma história de bruxaria pela perspectiva infantil. Na Cidade do México, em 1965, a pequena Verônica (Ana Patricia Rojo) cresce fascinada pelas histórias que a cozinheira lhe conta, alimentando uma imaginação fértil e sombria. Quando Flávia (Elsa Maria Gutierrez), uma colega rica e solitária, chega à sua turma, Verônica não hesita em se apresentar como bruxa de verdade. E, diante da descrença da nova amiga, passa a se aproveitar de uma série de circunstâncias para convencê-la de que seus poderes são reais. O que começa como uma brincadeira inocente vai adquirindo um ar cada vez mais macabro, até que Verônica convence Flávia a levá-la durante as férias à fazenda da família, onde pretende preparar um veneno para as fadas. É quando a brincadeira se torna genuinamente perigosa. Último filme lançado pelo mestre do gênero fantástico Carlos Enrique Taboada, Veneno para as Fadas é um clássico absoluto do cinema mexicano e do horror, cujo relançamento em cinemas comemora o seu 40º aniversário de estreia, permitindo a sua descoberta pelas novas gerações. Além das exibições em salas de cinema, a distribuidora Filmicca também está lançando o filme em blu-ray no mercado brasileiro.

Finalmente no sábado, dia 23 de maio, às 19h15, a Cinemateca Capitólio promove a sessão de pré-estreia do filme Dolores, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar. Dolores parte de um roteiro deixado pelo cineasta Chico Teixeira, falecido em 2019, conclusão de sua Trilogia dos Afetos, também composta por A Casa de Alice (2007) e Ausência (2014). O filme conta a história de uma mulher viciada em jogos de azar, interpretada pela atriz Carla Ribas. A sessão de pré-estreia de Dolores será comentada pelo diretor Marcelo Gomes – dos premiados Cinema, Aspirinas e Urubus e Paloma, e da minissérie Máquinas de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, entre outros –, que está em Porto Alegre acompanhando as filmagens de Minha Sombra Luminosa, de Tomás Fleck, longa ficcional sobre a relação da fotógrafa Liane Neves com o poeta Mario Quintana. A sessão de pré-estreia de Dolores é aberta ao público, com ingressos a R$ 16,00 e R$ 8,00. O filme entra em cartaz na Cinemateca Capitólio a partir de 4 de junho.


Grade de horários

Horários Semana 21 a 27 de maio de 2026


19 de maio (terça-feira)

NÃO HAVERÁ SESSÃO

MOTIVO: OBRAS DE PPCI


20 de maio (quarta-feira)

NÃO HAVERÁ SESSÃO

MOTIVO: OBRAS DE PPCI


21 de maio (quinta-feira)

15:30 – Veneno para as Fadas (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 90 minutos

17:15 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos


22 de maio (sexta-feira)

15:30 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos

19:15 – Suspiria (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 99 minutos


23 de maio (sábado)

15:30 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos

19:15 – Pré-estreia Dolores, com a presença do diretor Marcelo Gomes (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 84 minutos


24 de maio (domingo)

15:30 – Suspiria (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 99 minutos

17:15 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos


26 de maio (terça-feira)

15:00 – Linha de Frente (entrada franca) – 100 minutos

17:30 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos


27 de maio (quarta-feira)

15:30 – Veneno para as Fadas (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 99 minutos

17:30 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - '800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva'

Sinopse: Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história.

Quando as enchentes de maio de 2024 começaram no Rio Grande do Sul, eu estava trabalhando em Sapucaia do Sul e testemunhando a chegada das águas na capital através da tela do meu celular. Aos poucos, fui vendo pelos noticiários as cidades sendo destruídas pela força das águas e as pessoas ficando desabrigadas, transformando tudo em um cenário apocalíptico. Porém, nem todos os registros estavam ao nosso alcance, pois, daquela data em diante, cada indivíduo tinha uma história única a ser contada.

Por mais profissionais que sejam, os veículos da mídia tradicional jamais terão a capacidade de adentrar as entranhas daqueles que sofreram com a tragédia, ou de escolher uma única pessoa que se torne a representação perfeita de um povo afetado em maior ou menor grau. Fora da grande mídia, no entanto, cada um registrou os eventos à sua maneira, revelando-nos algo que não foi visto pela maioria. "800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva" (2024) é um registro compacto sobre os fatos, mas que possui um peso enorme ao revelar o lado humano perante o inexplicável.

Dirigido por Thiago Lazeri, o documentário registra os eventos de maio de 2024, período em que o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história. Em apenas dez dias, cidades inteiras foram devastadas pela chuva, pela lama e pelas enchentes. A partir dos testemunhos de pessoas que atravessaram essa experiência, o longa acompanha histórias de perda, sobrevivência e reconstrução, refletindo sobre a memória, o trauma coletivo e os impactos sociais e ambientais da tragédia.

Lembro-me de que, quando os trens foram liberados até a estação Mathias Velho, decidi ir até lá para ver a situação daquele bairro de Canoas após as águas baixarem. Ao chegar, uma sensação mórbida me atingiu em cheio: testemunhar o horror da destruição ao vivo trouxe um impacto que não havia sido transmitido a mim através da mídia tradicional. Ao meu ver, as reportagens de TV capturaram apenas o que era factual e essencial, mas não o horror real da situação.

O documentário de Thiago Lazeri nos leva ao cenário das consequências daquele mês de maio, onde o realizador registra não somente o lado solidário daqueles que decidiram ajudar o próximo, mas também a reconstrução daquilo que foi perdido. O que vemos na tela não é uma reconstituição fria dos fatos, mas sim a revelação crua de uma destruição vinda da própria natureza, fazendo-nos constatar o quanto somos frágeis perante a sua fúria. Os depoimentos das personagens são profundamente sinceros, e elas não têm medo de expor suas dores emocionais ao se depararem com a incerteza de por onde recomeçar do zero.

Através de sua lente, Thiago registra os estragos e recolhe relatos que nos fazem imaginar como eram as residências antes do ocorrido, permitindo-nos comparar mentalmente ambos os cenários. Dois anos depois, ainda existem pessoas que seguem na reconstrução de suas vidas, seja limpando o que foi destruído ou recomeçando a caminhar em outra cidade que não foi atingida como um todo. Porém, por mais que tenham forças para reconstruir, fica o aviso: nem tudo terá retorno.

Talvez o momento mais emocionante do documentário seja justamente o de Lucilene e Dona Lenite, moradoras de Muçum, município gaúcho localizado no Vale do Taquari. Lá, elas não apenas testemunharam seus lares sendo devastados, como também o cemitério onde estavam sepultados os seus entes queridos. O ápice desse momento é a dolorosa constatação de que a enchente não atingiu somente os vivos, mas levou consigo até mesmo os mortos em seu descanso.

"800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva" é o registro mais humano e cru sobre a tragédia de maio de 2024 — alcançando um efeito de empatia e realidade que a mídia tradicional simplesmente não conseguiu transmitir.

Mais informações sobre o documentário vocês conferem no site oficial clicando aqui. 

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Cine Dica: Sala Redenção estreia mostra de cinema africano

“Entre partidas e retornos” é a nova mostra gratuita da Sala Redenção. Entre 18 e 28 de maio, o Cinema da UFRGS exibe oito curtas-metragens de diferentes países do continente africano – como Senegal, Moçambique e Egito –, além de três produções de Désiré Écaré, importante diretor costa-marfinense.

A programação da primeira semana de mostra contempla as obras “Eu prometo o paraíso” (2023), “O regresso de um aventureiro” (1966),“Barcelona ou a morte” (2007),“Josepha” (1975),“Reou-Takh” (1972),“Karingana: os mortos não contam estórias” (2020) e“Fallou” (2017). Os filmes tematizam a imigração africana e os impactos da globalização e do colonialismo.

Durante a 14ª Semana da África na UFRGS, a mostra segue com uma homenagem ao cineasta costa-marfinense Désiré Écaré. Graduado na França, sua trajetória é marcada pela experiência da diáspora e pelo interesse nas tensões entre África e Europa. Do diretor, são exibidas as produções “Concerto para um exílio” (1968) – cuja sessão inclui o curta-metragem “África sobre o Sena” (1955), de Paulin Soumanou Vieyra –, “A nós dois, França” (1970) e “Faces de mulheres” (1985).

A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - 'Meresia'

O Cineclube Torres integra a 24ª Semana Nacional de Museus, uma iniciativa promovida pelo IBRAM, o Instituto Brasileiro de Museus. Na qualidade de Ponto de Memória, o Cineclube Torres, junto com instituições museais de todo Brasil, participa da plataforma Visite Museus e desta iniciativa nacional. Duas foram as atividades inscritas na manifestação nacional que tem como tema "Museus: unindo um mundo dividido":

No dia 18 de maio, na tradicional segunda-feira cineclubista, será exibido na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, o longa-metragem "Maresia" do diretor Marcos Guttmann e com o Júlio Andrade, ator homenageado na programação de maio do Cineclube. O filme traz uma visão inspirada sobre artes plásticas, abordando de forma poética a relação entre a existência e a criação artística.

No sábado, dia 23, a atividade será uma Gincana Histórica, uma visita guiada aos principais testemunhos da história de Torres, na perspectiva do resgate do valor de edifícios e espaços públicos como principais contadores da história local e como patrimônio material a conservar e proteger. A atividade, que terá a mediação do historiador Leo Gedeon, é em parceria com o CEHTR - Centro de Estudos Históricos de Torres.

A 24ª Semana Nacional de Museus ocorre no Brasil de 18 a 24 de maio de 2026, com o tema "Museus: unindo um mundo dividido". Promovida pelo Ibram, a iniciativa destaca o papel das instituições como agentes de diálogo, inclusão e memória em um mundo com profundas divisões.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.