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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'O Diabo Veste Prada 2'

Sinopse: Miranda Priestly (Meryl Streep) em declínio, enfrentando a crise das revistas de moda. Ela precisa da ajuda de Emily (Emily Blunt), agora uma poderosa executiva de luxo, e de Andy (Anne Hathaway), que retorna como consultora.

Em tempos de franquias intermináveis não é de surpreender que o cinema americano busque até mesmo uma forma de dar continuidade aos eventos de um clássico que nunca precisou de uma continuação. "O Diabo Veste Prada" (2006) é um daqueles exemplos dos quais ninguém dava nada para o longa, mas que rapidamente se tornou um sucesso de público e de crítica. Vinte Anos depois eis que chega "O Diabo Veste Prada 2" (2026), longa que respeita os amantes do clássico e que não fica preso exatamente àquela sensação de nostalgia como um todo.

Dirigido por David Frankel, o filme nos traz de volta  Miranda Prestly em  um momento de mudanças na moda e na indústria de publicações e revistas. Lidando com o colapso do jornalismo, Miranda precisa enfrentar ainda mais um novo desafio: o retorno de Andreia, agora uma jornalista profissional e que precisará elaborar ótimas matérias para que Miranda se mantenha no topo. Além disso, Emily em um novo cargo desvenda as suas novas ambições e que pode surpreender até mesmo Miranda.

O que eu mais temia nesta continuação seria uma espécie de releitura do primeiro, o que não é o caso. Vemos Andreia retornando, mas agora mais madura e focando exclusivamente no universo do jornalismo. O retorno para as garras de Miranda vem justamente da ameaça da extinção do jornalismo profissional e fazendo com que ela use todos os seus esforços para que isso não aconteça.

Talvez esse seja o grande acerto do longa, ao não se repetir, mas sim dando continuidade e focando o universo da moda em  um mundo atual sempre em mutação, onde as revistas tradicionais impressas se encontram quase extintas e perdendo o lugar para sites e redes sociais que se dizem entendedores do assunto. O mundo mudou nestes últimos vintes anos, onde não basta ter ambição, como também saber se atualizar em uma realidade onde o amanhã você pode ser dispensado e substituído por uma tecnologia onde tudo se torna mais fácil. Com o advento do IA, o filme toca em um assunto em que o cinema norte americano está explorando com intensidade, por vezes, exagerada, mas aqui com bastante criatividade na medida certa.

Outro ponto positivo é o fato de revisitarmos os velhos personagens conhecidos, mas cujo amadurecimento após vinte anos é bem sentido em cada um deles. Anne Hathaway consegue construir uma Miranda que nos transmite já certo peso de experiência, mas mantendo as suas virtudes intactas através do tempo. Já Emily Blunt pouco faz de diferente para a sua Emily, o que não é necessário, pois já no primeiro filme a sua personagem nos transmitia a ambição de um mundo que faltava poucos centímetros para alcançar, mas que nunca conseguia exatamente abraçar. Aqui uma nova faceta de sua pessoa é revelada e fazendo a gente questionar até onde ela irá para obter o que mais deseja.

Stanley Tucci, por sua vez, obtém mais tempo em tela, pois o seu personagem Nigel é um dos mais amados do filme original. Ao ser especialista nas melhores roupas da moda, Nigel procura manter o equilíbrio ao não se desesperar pela possibilidade de sua profissão ser extinta e manter o lado mentor com Miranda intacto. E se muitos ficaram chateados com que Miranda fez com ele no filme original, aqui ele finalmente obtém a sua merecida redenção.

E como não poderia deixar de ser, novamente Meryl Streep enche a tela toda vez quando entra em cena, pois a sua Miranda é sem sombra de dúvida um dos melhores papéis de sua carreira. Curiosamente, vemos aqui a mesma Miranda de sempre, mas tendo que encarar as mudanças vindas no horizonte e fazendo com que a mesma acabe revelando uma humanidade maior do que havia sido vista no filme anterior.  Sua interação com Andreia ganha um novo patamar, mesmo quando ainda mantém a sua atitude autoritária, mas que serve para não transmitir a sua fraqueza que começa a ser exposta.

O filme somente peca ao não manter o mesmo equilíbrio em termos de ritmo ao ser comparado ao filme original. Ao meu ver, os realizadores exageraram um pouco na questão do jogo de poder sobre quem puxa o tapete mais rápido e cujo os desdobramentos, por vezes, se tornam um tanto quanto exagerados. Ao menos  a edição quase frenética se torna uma cortina de fumaça para ofuscar esse, porém, além de novamente possuir uma trilha sonora pop e que irá fazer a gente cantarolar após a sessão.

Em tempos atuais em que o cinemão norte americano vê suas franquias milionárias um tanto quanto enfraquecidas, o filme vem um momento em que público anseia por algo novo. O longa  pode ser a continuação de um grande clássico, mas ao menos ele serve para nos tirar da nossa zona de conforto e adentrarmos ao universo da moda onde o jogo pelo poder domina a cena. Curiosamente, o filme deixa uma brecha para uma possível continuação e faz a gente se perguntar qual seria o próximo passo de Miranda e companhia.

Com participação especial de Lady Gaga, "O Diabo Veste Prada 2" é um filme que ninguém esperava nada, mas que surpreende ao ter alma própria e respeitar todo o culto em volta que o clássico havia adquirido no decorrer dos anos. 


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Cine Dica: Curso - Kleber Mendonça Filho

 INSCRIÇÕES ABERTAS

 Curso

KLEBER MENDONÇA FILHO: UMA ANÁLISE IDEOLÓGICA

de Lucas Vidal

* Datas: 16 e 17 / Maio (sábado e domingo)

* Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)

* Horário: 14h30 às 17h30

Apresentação

Atuando como um filho do seu tempo, Kleber Mendonça Filho faz questão de abordar os acontecimentos da política brasileira a todo momento, através de metáforas, circunstâncias, homenagens e citações. Assim como Jean-Luc Godard, Kleber também tem origem na crítica cinematográfica. E também seguindo os passos do francês, o recifense faz crítica com a câmera, reescrevendo a história de atores e trazendo uma visão própria de clássicos brasileiros.

Objetivos

O curso KLEBER MENDONÇA FILHO: UMA ANÁLISE IDEOLÓGICA, de Lucas Vidal, busca situar o cineasta no contexto histórico do Brasil do século XXI e apresentar toda a riqueza dos filmes do célebre recifense. Será possível relacionar as criações nem tão fictícias assim com a realidade brasileira e também compreender a forma com que o cineasta faz esse trabalho, observando suas escolhas estéticas. Analisaremos de forma detalhada muitas cenas, comparando diálogos com acontecimentos reais e com as influências de Kleber, do faroeste ao terror, passando por filmes marcantes do Brasil. Dizendo muito em cada frame e em cada diálogo, Kleber faz dos seus filmes um grito ideológico. Estudaremos o que ele diz e por que ele diz.

Ministrante: Lucas Vidal

Graduado em Jornalismo pela PUC-RS, com passagem pelo jornal Zero Hora. Já ministrou aulas e conteúdos sobre Ingmar Bergman no curso de Jornalismo da UniRitter. Desenvolveu a monografia "A Representação dos Relacionamentos Amorosos em Godard: Uma Análise de Uma Mulher É Uma Mulher e Acossado", como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo.


Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/04/kleber-mendonca-filho.html

domingo, 3 de maio de 2026

Cine Dica: Cinema da UFRGS apresenta mostras “Delírias” e “Cinema socioambiental”

Reunindo obras protagonizadas por mulheres, a Sala Redenção apresenta, de 4 a 13 de maio, a mostra “Delírias”. São sete filmes de diferentes gêneros que, em comum, encaram o onírico e o fantasioso como espaços de liberdade feminina.

A programação inicia no próximo dia 4 com dois longas-metragens que tematizam o luto: “Cleo” (2019), produção alemã que acompanha a trajetória de uma jovem marcada pela culpa após a morte do pai; e “Despedida” (2021), fantasia gaúcha protagonizada por uma menina de 11 anos que viaja ao interior do estado para o funeral da avó. Na mesma semana, a Sala Redenção exibe “O céu de Alice” (2020), primeiro longa-metragem da diretora francesa Chloé Mazlo. O filme mistura ficção, stop motion e animação para retratar a relação de Alice, recém-chegada no Líbano vinda da Suíça, e Joseph, um astrofísico excêntrico que tem o sonho de enviar ao espaço o primeiro libanês.

A mostra segue com dois musicais: “Orféa apaixonada” (2022), de Axel Ranisch, que acompanha o romance entre uma aspirante a cantora de ópera e um criminoso surdo; e “Anos dourados” (1986), de Chantal Ackerman, emblemático musical ambientado em um shopping center. “Delírias” encerra com as comédias “Franky Five Star” (2023), da alemã Birgit Möller; e “A bruxa do amor” (2016), da estadunidense Anna Biller.

Todas as sessões têm entrada franca e aberta à comunidade em geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.

Sala Redenção estreia mostra “Cinema socioambiental”

Com nove produções brasileiras na programação, como Ilha das Flores (1989), “Xingu” (2011) e “Lixo extraordinário” (2010), a Sala Redenção convida o público a refletir sobre o cenário global de crise climática por meio da mostra “Cinema socioambiental”. A programação, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis do Rio Grande do Sul (Ibama/RS), acontece de 8 a 22 de maio com entrada franca.

A mostra inicia no dia 8, às 14h, com “Xingu” (2011), longa-metragem de Cao Hamburger que acompanha os irmãos Villas-Bôas na Expedição Roncador-Xingu, na década de 1940. No dia 14, no mesmo horário, “Lixo extraordinário” (2010) documenta o trabalho do artista visual Vik Muniz no Jardim Gramacho (RJ), maior aterro sanitário da América Latina. Ambas as sessões são seguidas de conversa com o setor Educativo do Ibama/RS.

Já no dia 15 de maio, às 14h, são exibidos os curta-metragens “O veneno está na mesa” (2011), “Ilha das Flores” (1989) e “Recife frio” (2009). Após a sessão, integrantes do G6+Direitos Humanos, grupo ligado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, conduzem um bate-papo sobre os filmes. Na noite do mesmo dia, às 19h, a programação segue com “Águas de maio” (2025), longa-metragem que registra o trabalho voluntário realizado pela Faculdade de Farmácia da UFRGS e por outras entidades farmacêuticas durante as enchentes de 2024 no estado. A exibição é seguida de conversa com o diretor Lucas Moraes.

No dia 21, às 19h, é a vez de “Comida de mentira” (2025), documentário sobre a indústria dos ultraprocessados cuja apresentação é acompanhada de conversa com as professoras Tatiana Camargo e Marilisa Hoffman, do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências (PPGECI), e com os mestrandos Edu Lopes e Julia Sokolovsky.

Para finalizar a mostra, no dia 22 de maio, a Sala Redenção exibe “25 anos da Feira do Menino Deus: a cidade encontra o campo” (2020) e “Mãos à terra” (2025), às 14h e às 16h, respectivamente. Ambas as sessões contam com bate-papo com as pessoas realizadoras.

“Cinema Socioambiental” tem apoio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Casa de Cinema de Porto Alegre, Vitrine Filmes e ACT Promoção da Saúde.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cine Especial: 'O Diabo Veste Prada - 20 Anos Depois'

O sucesso de um filme se deve a muitos fatores, mas, às vezes, é preciso uma dose de sorte vinda dos "deuses do cinema" para que os realizadores alcancem o êxito pretendido. Determinados temas são difíceis de prever, e o universo da moda é um desses casos. "O Diabo Veste Prada" (2006) é um exemplo de longa-metragem que conquistou o sorriso desses deuses, adquirindo o status de cult com o passar dos anos.

Dirigido por David Frankel e baseado no best-seller de Lauren Weisberger, o filme conta a história de Andrea Sachs (Anne Hathaway), uma jovem recém-formada em jornalismo que consegue um emprego na Runway Magazine, a mais importante revista de moda de Nova York. Ela passa a trabalhar como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), a principal executiva da publicação. Apesar da oportunidade com que muitos sonhariam, Andrea logo nota que lidar com Miranda não é uma tarefa simples.

Lauren Weisberger escreveu a obra baseada em sua própria experiência como assistente de Anna Wintour. Apesar do sucesso comercial, o livro não foi unanimidade entre a crítica especializada, que apontou o tom excessivamente queixoso da protagonista. Obviamente, a história não seria vista com bons olhos pelos detentores do poder no universo da moda — um mundo moldado pela estética, pelo vestuário e, acima de tudo, pelo poder. Trata-se de um ambiente regido pelo sistema capitalista, que vende sonhos para aqueles que desejam estar sob os holofotes.

A protagonista Andrea funciona como uma representação do nosso olhar inocente perante esse glamour, inicialmente não enxergando conteúdo algum nele. É a partir do momento em que ela compreende que só sobreviverá ao emprego se decidir adentrar de fato nesse universo — não apenas na forma de se vestir, mas no "jogo de cintura" necessário — que a trama se aprofunda. Um de seus mentores acaba sendo Nigel (interpretado brilhantemente por Stanley Tucci), que lhe mostra como a vestimenta dita as regras em um ambiente onde a beleza é a moeda de troca.

Logicamente, este é um mundo onde, a qualquer momento, alguém pode lhe "puxar o tapete". É o caso de Emily (Emily Blunt), personagem que não esconde suas ambições e vê em Andrea um obstáculo inesperado. Emily Blunt obteve sua consagração na carreira ao interpretar uma mulher que transita entre o humor e o lado trágico de quem sucumbe à ideia de que, para ser alguém, é preciso driblar até mesmo os amigos e colegas.

Embora tenha chamado a atenção anteriormente em filmes como "O Diário da Princesa" (2001) e "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005), foi em "O Diabo Veste Prada" que Anne Hathaway obteve o papel de sua vida, abrindo portas para grandes projetos futuros. Sua Andrea é uma personagem com quem nos identificamos facilmente: sua inocência pode ser um obstáculo, mas sua força de vontade em meio às adversidades a leva a cenários nunca antes vistos. O fato de ela não se deixar seduzir totalmente pelo poder talvez seja o principal motivo dessa identificação.

Mas, como não poderia deixar de ser, o filme pertence a Meryl Streep. Sua Miranda Priestly é a representação de uma líder que já não consegue enxergar as "pessoas normais", mas apenas aquelas que compreendem sua visão sobre o mundo da moda. Para ela, todas as suas assistentes são "Emilys" descartáveis, a menos que sucumbam à sua lógica de que o poder dita todas as regras.

É curioso observar como Streep constrói uma personagem não estereotipada, usando a arrogância para esconder uma faceta frágil. Talvez, no passado, Miranda não tenha sido tão diferente de Andrea, mas optou por se moldar ao sistema para sobreviver e dominar aqueles que queriam destruí-la. Sua humanidade existe, mas nem todos conseguem enxergá-la.

Com personagens tão ricos, o filme flui graças a uma edição dinâmica que combina com a correria do meio editorial. Além disso, a trilha sonora é marcante, incluindo sucessos como Crazy (Alanis Morissette), Vogue (Madonna) e Suddenly I See (KT Tunstall). Os figurinos, por sua vez, enchem os olhos e fazem o espectador se imaginar naquelas peças de alta-costura.

Com um orçamento de US$ 41 milhões, o filme faturou US$ 326 milhões mundialmente, recebendo o reconhecimento da crítica e diversas indicações a prêmios. É um caso raro de comédia refinada que não se entrega a fórmulas óbvias, arriscando-se em um cenário inédito para o gênero. Desde então, as bolsas Prada e o próprio filme passaram a sintetizar, com perfeição, o glamour superficial e o alto padrão da moda contemporânea.


Onde Assistir: Disney+

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Cine Dica: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Disque M para Matar" (02/05) na Cinemateca Capitólio

Neste sábado, dia 2 de maio, às 10h15 da manhã, nos reunimos na Cinemateca Capitólio para assistir o clássico Disque M Para Matar, de Alfred Hitchcock.

Baseado em uma peça teatral de mesmo nome, o filme condensa sua ação em poucos espaços e personagens, seguindo a fórmula consolida pelo mestre do suspense: ao colocar o espectador a par do crime desde o início, Hitchcock desloca o nosso interesse para a execução minuciosa do plano e, sobretudo, para suas inevitáveis falhas, construindo um jogo de ironia e reviravoltas que nos mantém envolvidos na narrativa até o seu desfecho.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 02/05, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cinemateca Capitólio

Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre

Disque M para Matar (Dial M for Murder)

EUA, 1954, 105min

Direção: Alfred Hitchcock

Roteiro: Frederick Knott

Elenco: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, Anthony Dawson

Sinopse: Ao descobrir a traição da esposa, um ex-tenista elabora um plano meticuloso para assassiná-la e garantir sua herança. Quando o crime não ocorre como previsto, ele precisa improvisar uma nova estratégia, manipulando evidências e circunstâncias para incriminá-la.

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 30 de abril a 6 de maio de 2026

A primeira cinesemana de maio reúne quatro novos filmes na nossa programação, incluindo três estreias brasileiras. Uma delas é A FÚRIA, o longa mais recente do veterano cineasta Ruy Guerra, que chega aos 95 anos em 2026; da seleção de Gramado do ano passado estreamos PAPAGAIOS, que rendeu ao talentoso Gero Camilo o Kikito de melhor ator; e O ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA, mostrando o quanto a Covid-19 impactou uma das principais festas brasileiras. A quarta novidade é A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes.

O público lotou as sessões da primeira semana e segue pedindo para ver BETTY BLUE, drama erótico francês que voltou aos cinemas para comemorar seus 40 anos de lançamento. Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus, A CRONOLOGIA DA ÁGUA, com a atriz Imogen Poots dando vida às memórias da escritora Lidia Yuknavitch.

Esta é última semana para conferir CASO 137, filme que rendeu a Léa Drucker o prêmio César de melhor atriz, e CINCO TIPOS DE MEDO, o longa vencedor dos Kikitos de melhor filme e roteiro no Festival de Gramado de 2025.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – "Zico: O Samurai de Quintino"

Sinopse: Documentário que desvenda os primórdios da era de ouro de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.


Vivemos tempos em que o futebol brasileiro virou moeda de troca. Um jogador se destaca brevemente e logo é vendido para o exterior, pelo valor mais alto. O resultado é a escassez de atletas com amor à camisa; em campo, vemos "bonecos articulados" facilmente substituíveis, fazendo do esporte um grande negócio, e não mais uma paixão. A era de ouro parece ter ficado para trás, e as gerações mais novas talvez não compreendam esse sentimento, a menos que se dediquem a ler um bom livro de história esportiva ou a assistir a produções como esta.

Para quem se dispõe a ver documentários, surge ao menos uma noção de como eram esses tempos dourados. É inegável que Pelé permanece no topo, mas figuras como Zico garantiram seu lugar na história por meio de ações que definiram seu caráter. "Zico: O Samurai de Quintino" (2026) revela não apenas o craque, mas o homem que se tornou peça primordial para o esporte.

Sob a direção de João Wainer, acompanhamos a trajetória do maior ídolo da história do Flamengo, desde a infância no subúrbio carioca até sua ascensão como lenda global. O filme resgata a história de Arthur Antunes Coimbra com um acervo precioso: objetos históricos, vídeos em Super-8, imagens raras e entrevistas inéditas que fazem jus ao seu legado.

Lembro-me de, quando pequeno, assistir a uma notícia sobre um garoto acidentado que era fã do Galinho. Zico fez questão de ir ao hospital presenteá-lo com a mística camisa dez, transmitindo uma sensação de total humildade. Talvez essa mesma postura tenha sido o combustível para sua jornada no Japão, onde se tornou o símbolo máximo do futebol no "País do Sol Nascente". Em um cenário onde o beisebol reinava absoluto, Zico fez a diferença, cultivando no povo japonês uma paixão genuína pelo futebol.

O documentário destrincha com equilíbrio a vida pessoal e a profissional: os primeiros passos no Flamengo, a consagração na Seleção Brasileira, o casamento e a construção da família. Há momentos de puro deleite, como ver o Rei Pelé ao lado de Zico em registros de tempos longínquos. Wainer capricha ao trazer arquivos de jogos históricos, cujas imagens, saturadas pelo calor do Super-8, sintetizam uma estética nostálgica e vibrante.

Ao assistir ao longa, constato que vivemos um presente que pouco olha para o passado e raramente extrai dele o seu melhor. Zico representa um tipo de atleta em extinção, que se entregava à profissão por amor, e não pelas cifras futuras. No passado, havia jogadores de quilate; hoje, infelizmente, sobram aqueles que jogam pelo lance mais alto.

"Zico: O Samurai de Quintino" não é apenas sobre um grande jogador; é o retrato de uma época em que o futebol brasileiro era, verdadeiramente, a nossa principal paixão.

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