Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Em homenagem ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, a Sala Redenção, em parceria com a Filmicca, apresenta a mostra “Geografias do íntimo”. São seis filmes de épocas, países e gêneros distintos que celebram a diversidade das identidades queer. As sessões acontecem de 22 de junho a 1º de julho com entrada franca e aberta à comunidade em geral.
A mostra inicia no dia 22, às 16h, com o terror brasileiro “Verão Fantasma” (2022), de Matheus Marchetti. Na obra, o romance adolescente entre Lucas e Martin é interrompido por forças sobrenaturais. Às 19h do mesmo dia, a exibição do primeiro longa-metragem ficcional da cineasta Chantal Akerman, “Eu, tu, ele, ela” (1974), é seguida de debate com os historiadores da arte e egressos da UFRGS Thainá Maria e Victor Souza.
A programação segue com “Lola e o mar” (2020), filme que acompanha a protagonista, uma jovem trans, que volta a conviver com o pai após vários anos. Já “Coronel Redl” (1985) conta a história de Alfred Redl, militar austro-hungaro que esconde sua origem judia e sua homossexualidade para ascender na carreira.
De Chantal Akerman, “Os encontros de Anna” (1978) retrata as andanças da protagonista pela Europa no intuito de promover seu filme mais recente. Completa a programação da mostra o documentário colombiano “ANHELL69” (2022), uma reflexão autobiográfica do diretor Theo Montoya sobre a comunidade LGBTQIAPN+ de Medellín.
“Geografias do íntimo” encerra no dia 1º de julho, às 19h, com mais uma exibição de “Verão Fantasma” (2022), desta vez seguida de seguida de conversa com o realizador da obra, Matheus Marchetti.
A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.
Confira a programação completa na pagina oficial do cinema clicandoaqui.
Sinopse: Woody, Buzz e Jessie enfrentam um novo desafio: a tecnologia. A atenção de Bonnie agora é totalmente disputada por "Lilypad", um tablet novinho em folha.
Quando "Toy Story 3" (2010) nos apresentou um final que encantou a todos, parecia que não havia necessidade de mais continuações. Porém, surgiu "Toy Story 4" (2019) que, embora não seja superior ao seu antecessor, provou que ainda havia uma ponta a ser explorada, brindando-nos com um desfecho surpreendente. "Toy Story 5" (2026) chega em um momento em que os fãs temem pelo desgaste da franquia, mas, mesmo assim, impressiona ao tocar em assuntos complexos e muito atuais.
Dirigido por Andrew Stanton e McKenna Harris, a trama revela Bonnie, agora com 8 anos, descobrindo um novo passatempo: o tablet. Lilypad (dublada por Greta Lee) é um dispositivo que permite à garota interagir com outras crianças, fazer amizades e brincar online. Temendo perder a atenção da menina, Jessie (Joan Cusack) pede ajuda a Woody (Tom Hanks), mas, antes que possam agir, a vaqueira acaba parando nas mãos de outra criança. Inicia-se, então, uma missão de resgate que se transforma em uma jornada cheia de revelações inesperadas para Jessie.
Se formos analisar friamente, o filme funciona basicamente como uma releitura do clássico de 1995, mas que aborda o principal tabu da infância contemporânea: o fato de as crianças de hoje brincarem cada vez menos com brinquedos tradicionais para passar mais tempo na frente de telas. Em tempos em que, de cada dez pessoas dentro de um vagão de trem, nove estão absortas em seus aparelhos navegando por redes sociais em vez de ler um bom livro, o longa acerta em cheio ao explorar essa questão de forma saudável, convidando-nos à reflexão. Ao mesmo tempo, é uma aventura genuinamente divertida, onde os velhos conhecidos retornam, mas abrindo um espaço maior para os novos rostos, o que projeta um leque de possibilidades para o futuro da franquia.
Mas talvez o maior acerto tenha sido realmente dar o protagonismo a Jessie. A divertida vaqueira, que nos conquistou com sua emocionante história de origem em "Toy Story 2" (1999), sempre pareceu ter um potencial dramático que não havia sido totalmente explorado. Ao assumir o papel principal, ela não apenas aprende a conviver com os novos dispositivos eletrônicos, mas também compreende que Bonnie merece uma infância saudável, independentemente de ela, como brinquedo, acabar ficando em segundo plano nesse processo. Em sua missão, Jessie retorna às suas raízes, descobre algo até então desconhecido e nos entrega o momento mais emocionante de todo o longa.
Quanto aos nossos velhos conhecidos Woody e Buzz, eles se encaixam perfeitamente como coadjuvantes aqui, desempenhando papéis altamente relevantes para o desenvolvimento da trama. E se Buzz havia perdido um pouco de sua utilidade narrativa no filme anterior, os roteiristas se redimem ao introduzir um exército de clones do Buzz que realmente acreditam ser patrulheiros espaciais, cruzando o caminho dos protagonistas. Embora a ideia desse exército possa soar um pouco forçada dentro do roteiro, a execução é extremamente divertida.
Além disso, o filme é repleto de rimas visuais e momentos que remetem aos capítulos anteriores, despertando aquela nostalgia que o público tanto gosta. Se por um lado isso pode parecer uma leve falta de originalidade, por outro demonstra que os realizadores têm total consciência do peso emocional do legado da franquia, respeitando o que veio antes. Para as novas gerações, o longa funciona como um excelente cartão de visita não apenas para os filmes anteriores, mas para toda a história que a Pixar construiu desde os anos 90.
No mais, a produção traz uma bela lição sobre as novas tecnologias, mostrando que elas podem, sim, ser úteis no nosso dia a dia, desde que não nos afastem daquilo que nos torna humanos. Por conta disso, a personagem Lilypad não é construída como uma vilã convencional, mas sim como o reflexo do uso desmedido que fazemos desses aparelhos — deixando claro que cabe aos pais orientar os filhos sobre o real significado da amizade, algo que não nasce em uma tela de tablet, mas sim das boas intenções e do olho no olho. Nunca é tarde para uma superprodução trazer uma mensagem tão necessária.
"Toy Story 5" prova que uma franquia veterana ainda pode demonstrar muito fôlego diante dos dilemas do mundo real, tratando-os de forma leve, descontraída e extremamente convidativa para todas as idades.
Sobre o Filme: As redes sociais atualmente tem sido uma forma das pessoas escaparem de sua própria realidade, mas ao mesmo tempo se perdendo em um mundo virtual que, por vezes, não se leva em lugar algum. Porém, há casos desta ferramenta ajudar a pessoa, mesmo quando esse cenário se torna cada vez mais raro hoje em dia. "Um Pai para Lily" (2025) nos revela a realidade de pessoas que anseiam por carinho e que procuram enfrentar os seus próprios medos através da ajuda do seu próximo.
Dirigido e roteirizado por Tracie Laymon, o filme é inspirado em experiências da própria diretora e da qual decide revelar nas telas. Na trama, a jovem Lily (Barbie Ferreira) se decepciona mais a cada dia buscando ao buscar atenção do seu pai. Por conta do egocentrismo dele, os dois se afastam cada vez mais, o que faz Lily conhecer por acidente pelas redes sociais Bob Trevino, um homem bondoso e que vê na jovem uma forma de se sentir alguém mais vivo e ajudar ela no que for necessário.
Confira a minha crítica já publicada clicandoaqui e participe do próximo Cine Debate.
Sinopse: Um século antes dos eventos de Game of Thrones, quando a linhagem Targaryen ainda detém o Trono de Ferro, dois improváveis heróis vagam por Westeros.
"Game of Thrones" entra facilmente na lista das melhores séries de todos os tempos, e era difícil imaginar que a HBO largaria a mão dessa imensa fonte de audiência. Por conta disso, a rede buscou outras adaptações do escritor George R. R. Martin, como foi o caso de "A Casa do Dragão", que vem rendendo sucesso, mesmo quando colhe também algumas críticas negativas, para dizer o mínimo. "O Cavaleiro dos Sete Reinos" (2025) é mais uma produção deste universo fantástico e, por enquanto, o saldo é mais do que positivo.
A trama se passa cerca de 90 anos antes dos eventos principais e acompanha um cavaleiro andante de origem humilde chamado Sor Duncan, o Alto, e seu jovem escudeiro, Egg. Duncan decide participar de um torneio de cavaleiros para tentar ser tão bom quanto o seu mestre, que faleceu recentemente. Porém, o protagonista logo descobre que a realidade é bem mais nua e crua do que imaginava.
Diferente do que já foi produzido na franquia, a série não explora o jogo político pelo controle dos Sete Reinos, mas sim o lado mais humilde e falho dos povos daquele universo. Duncan não é um cavaleiro perfeito; em alguns momentos, ele teme pela própria vida por saber que qualquer passo em falso pode levá-lo à morte em uma luta. Pode-se dizer que ele é o típico personagem que se mete no lugar errado e na hora errada, mas que carrega as características clássicas da Jornada do Herói, conceito consagrado pelo mitólogo Joseph Campbell.
O até então desconhecido Peter Claffey se sai muito bem em seu primeiro papel como protagonista, mesmo carregando o peso e a responsabilidade de liderar um derivado de Game of Thrones. O destaque de sua atuação fica por conta de seu lado ingênuo perante os eventos que vão acontecendo, o que, aos poucos, o força a amadurecer. Outro grande acerto é o jovem Egg, interpretado por Dexter Sol Ansell, um garoto que carrega um segredo surpreendente.
A dinâmica entre os dois em cena se torna o verdadeiro coração da série, já que ambos aprendem um com o outro como funciona a realidade de Westeros e quais são os meios necessários para sobreviver no dia a dia. O cenário principal onde ocorre o torneio nos reserva momentos emocionantes, crus e violentos, fazendo do quinto capítulo o melhor da temporada até aqui. É interessante observar a lei de ação e consequência de determinados personagens, cujas atitudes mudam o curso da história, mesmo que de forma indireta.
Inspirada em um volume único de contos, a primeira temporada adapta basicamente o primeiro segmento, intitulado "O Cavaleiro Andante". Logicamente, os próximos anos devem se basear em "A Espada Jurada" e "O Cavaleiro Misterioso". O único receio é que a HBO abuse do sucesso da série e queira esticar demais a sua duração em número de temporadas, gerando um desgaste desnecessário. Esse esticamento já foi sentido parcialmente em "A Casa do Dragão", e resta esperar que a emissora não cometa o mesmo erro unicamente por ambição financeira.
"O Cavaleiro dos Sete Reinos" funciona justamente por não ser pretensiosa, entregando uma ótima e envolvente história extraída do rico universo de George R. R. Martin.
Filme sueco "Força Maior" (2014) na tela do Cineclube Torres da próxima segunda-feira dia 22, às 20h, com entrada franca.
Segue o ciclo dedicado à produção audiovisual de países nórdicos europeus, na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo. Uma família sueca vai para os alpes franceses para esquiar por alguns dias. Durante um almoço num restaurante, a ameaça da chegada de uma avalanche no lugar vai acabar por abalar o equilíbrio familiar. É o quarto longametragem do diretor sueco Ruben Östlund, premiado como melhor filme da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2014.
O diretor, um atento observador do comportamento humano, ainda conquistou com realizações posteriores ("The Square" e "Triângulo da Tristeza") duas Palmas de Ouro do Festival de Cannes, se tornando hoje um dos nomes mais interessantes do cinema mundial. "Irónico e profundamente inteligente, visualmente encantador e confiante, FORÇA MAIOR é um filme duro e nada complacente, apesar dos seus momentos de humor" (Emanuel Madalena). A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, em parceria com a Up Idiomas Torres e com entrada franca até a lotação do espaço.
O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Serviço:
O que: Exibição do filme "Força Maior" (2014) de Ruben Östlund
Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres
Quando: Segunda-feira, 22/6, às 20h
Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).
Cineclube Torres
Associação sem fins lucrativos
Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva
Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus
Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur
Nota: Filme exibido para os associados no dia 29/03/26
"Wanda" (1970), o único longa-metragem escrito e dirigido por Barbara Loden, que também estrela como a personagem-título, é um filme fácil de assistir. Um retrato de uma vida esvaziada da capacidade de encontrar significado e prazer, a personagem titular de Wanda vagueia sem direção, acabando por se envolvendo com um ladrão de bancos insignificante e tornando-se sua cúmplice passiva. Mas este não é um thriller policial no estilo de "Bonnie e Clyde" (1967); não há ganchos de gênero, nem referências explícitas a outros filmes ou obras de arte. A referência mais próxima talvez seja o cinema independente pioneiro de John Cassavetes. Comparações com Badlands, de Malick, ou outros filmes de "fuga" como o já mencionado "Bonnie e Clyde" do início da Nova Hollywood se mostram um tanto deficientes ou inúteis. "Wanda" não é simplesmente o oposto de Hollywood. Não se posiciona conscientemente contra a máquina dos sonhos, mas parece existir em um plano completamente diferente.
"Wanda" é uma imersão no espaço mental existencial da personagem-título, para quem a vida deixou de ter propósito — em seus papéis como mãe ou esposa, em sua vida nacional ou cívica. O filme começa com Wanda, apresentada inicialmente dormindo em um sofá e, em seguida, caminhando lentamente até o tribunal em meio à enorme indústria de carvão que circunda o bairro. No tribunal, ela casualmente entrega a guarda de seus dois filhos pequenos ao marido, concedendo-lhe o divórcio. Posteriormente, sem conseguir encontrar emprego, Wanda se envolve com uma série de homens que conhece em bares, eventualmente se apegando ao "Sr. Dennis" (Michael Higgins), quando o confunde com um barman durante um assalto a um bar.
Como um registro da desolação americana, "Wanda" é um filme único. Em seu registro de imagens e sons e filmagens granuladas em 16mm, parece uma caminhada por um registro dos fracassos da contracultura pós-anos 60 e dos primórdios do declínio industrial americano. Sequências memoráveis, pelo menos no que diz respeito a conferir ao filme seu senso único de tempo e lugar, ocorrem em um shopping center, antecipando o consumismo zumbi tedioso de Dawn of the Dead, de Romero (outra história ambientada na Pensilvânia), e outra no "parque temático" cristão evangélico de baixo orçamento do pai do Sr. Dennis. O filme termina após um assalto mal sucedido, com Wanda sem encontrar resolução para sua crise existencial e talvez à beira de se perder para sempre.
"Wanda" é única — e este é o aspecto sobre o qual você mais lê — por ser feita por uma mulher, escrevendo, dirigindo e estrelando. Essas histórias de mal-estar e perda existencial são geralmente totalmente masculinas e, por esse motivo, "Wanda" ressoa como um documento importante simplesmente por conceder a uma mulher essa atenção central. Mas não é apenas a mesma velha história com uma mulher como protagonista. Eu não conseguiria imaginar a mesma história estrelada por um homem. O filme questiona as expectativas da feminilidade americana de meados do século XX, questionando como deveria ser a relação da mulher com sua família e sociedade, ao mesmo tempo que mostra como a associação entre passividade e feminilidade pode desafiar, em vez de afirmar, as expectativas existentes.
Neste sábado, dia 20 de junho, nosso encontro será às 10h15 da manhã no Cine Bancários, onde assistiremos ao documentário Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia. Partindo de histórias pessoais e de uma investigação sobre a arquitetura das casas brasileiras, Aqui Não Entra Luz propõe uma reflexão sobre o trabalho doméstico, as marcas da escravidão e as desigualdades que continuam presentes no cotidiano brasileiro. Ao reunir relatos de mulheres que foram, ou ainda são, empregadas domésticas, o filme articula experiências individuais e processos históricos mais amplos, revelando como espaços, relações de trabalho e hierarquias sociais permanecem conectados.
Entre as personagens está Miriam Mendes, mãe da diretora, cujas vivências inspiraram o documentário. A partir de lembranças da infância, quando acompanhava a mãe em seus locais de trabalho, Karol Maia constrói um filme sensível sobre memória, reconhecimento e justiça social.
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 20/06, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cine Bancários
Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre
Aqui Não Entra Luz
Brasil, 2025, 79 min
Direção e roteiro: Karol Maia
Sinopse: A partir das trajetórias de cinco mulheres que trabalharam, ou trabalham, como empregadas domésticas em diferentes regiões do Brasil, o documentário investiga as permanências da herança escravista nas relações de trabalho e na organização dos espaços domésticos. Unindo lembranças pessoais, pesquisa histórica e reflexões sobre direitos e reconhecimento profissional, o filme constrói um retrato das experiências de quem dedicou a vida ao cuidado das casas e das famílias de outras pessoas.