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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema: "800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva" (16/05) no Cine Bancários

Neste sábado, dia 16 de maio, nosso encontro será no Cine Bancários, às 10h15 da manhã, onde assistiremos ao documentário 800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva, de Thiago Lazeri. A sessão contará com a presença do diretor, que conversará conosco após o filme.

Partindo da catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o filme acompanha personagens que viveram diretamente os impactos das enchentes e da destruição provocada pelo maior desastre ambiental da história do estado. A partir de relatos e imagens marcadas pelos vestígios da tragédia, o documentário procura registrar não apenas a dimensão material das perdas, mas também as transformações subjetivas, os traumas e os esforços de reconstrução que permaneceram após a água baixar.


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 16/05, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cine Bancários

Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre

🎤 Sessão comentada com o diretor Thiago Lazeri


800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva

Brasil, 2024, 65min

Direção: Thiago Lazeri

Roteiro: Thiago Lazeri e Vitor Chagas

Sinopse: Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história. Em apenas dez dias, cidades inteiras foram devastadas pela chuva, pela lama e pelas enchentes. A partir dos testemunhos de pessoas que atravessaram essa experiência, o documentário acompanha histórias de perda, sobrevivência e reconstrução, refletindo sobre memória, trauma coletivo e os impactos sociais e ambientais da tragédia. 

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Cine Dica: Cinesemana de 14 a 20 de maio de 2026

A cinesemana de 14 a 20 de maio destaca três novos filmes na nossa programação, sendo uma produção espanhola e dois títulos brasileiros. Da Espanha vem SURDA, elogiado filme da diretora Eva Libertad e que traz uma reflexão sobre os desafios da maternidade a partir das dúvidas de uma mãe que é deficiente auditiva. As estreias brasileiras são MAMBEMBE, do diretor Fabio Meira, um roadmovie que destaca personagens femininas do universo circense do Nordeste, e PERTO DO SOL É MAIS CLARO, um filme protagonizado pelo ator Reginaldo Faria e que reúne suas vivências sobre o envelhecimento.

O enfrentamento de problemas de saúde serve de pano de fundo para dois títulos que seguem em cartaz nesta semana: ERA UMA VEZ MINHA MÃE é baseado na autobiografia do advogado Roland Perez, nascido com uma condição de deficiência; e NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre um jovem francês que revê algumas prioridades antes de iniciar o tratamento contra um câncer. Também continuam em exibição filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, incluindo BETTY BLUE, drama erótico francês relançado nos cinemas depois de 40 anos. Outras atrações são PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus.

Esta é a última semana para conferir A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes; o longa-metragem gaúcho EDIFÍCIO BONFIM, inspirado nas lendas fantásticas da ilha de Florianópolis; ECLIPSE, o novo filme da cineasta Djin Sganzerla e com ela como protagonista.

Confira a programação completa da Cinemateca clicando aqui. 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Fanon'

Sinopse: A trajetória revolucionária do psiquiatra e filósofo martinicano Frantz Fanon, que lutou pela libertação da Argélia.

No filme brasileiro "Nise — O Coração da Loucura" (2015), vemos Glória Pires interpretar uma psiquiatra que enfrentou o sistema arcaico da época para buscar um tratamento mais digno a pessoas com sofrimento mental. Às vezes, porém, o desafio perante o sistema leva o indivíduo a um patamar cujo cenário é muito maior do que se imagina. "Fanon" (2026) fala sobre um médico que se envolveu em uma luta anticolonial e cujo exemplo ressoa até os dias de hoje.

Dirigido por Jean-Claude Barny, o filme narra a história de Fanon, um psiquiatra de origem martinicana cujo desafio profissional é chefiar os serviços do hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia. Rapidamente, seus métodos inovadores e seu tratamento humanístico atraem a ira de colegas e do diretor da instituição. Determinado, Fanon não abandona seus princípios; perante o conflito entre argelinos e colonizadores franceses, ele opta por ficar ao lado dos "condenados da terra".

Barny constrói um cenário, por vezes claustrofóbico, dentro da clínica, mas que aos poucos ganha luz à medida que Fanon faz a diferença. Acreditando no diálogo e na prática de suas virtudes, o protagonista não mede esforços para tratar seus pacientes como seres humanos, mesmo que precise desafiar seus superiores ou o próprio poder estabelecido. Conforme a trama avança, percebe-se que era questão de tempo até que seu papel médico se tornasse indissociável da luta política no país.

Alexandre Bouyer se sai bem ao encarnar Fanon, construindo um personagem que contém seus sentimentos perante o horror da injustiça, mas que não esconde no olhar uma revolta prestes a explodir. Entretanto, Stanislas Merhar se sobressai ao interpretar um sargento francês que não consegue mais ocultar o trauma das atrocidades cometidas a mando do governo, revelando-se um homem mentalmente quebrado. O embate entre ambos rende momentos de tensão, evidenciando dois lados de uma mesma moeda nesse conflito.

Em suma, o filme aborda uma luta universal com a qual todos podem se identificar, especialmente aqueles que defendem a liberdade. Por mais que a causa aparente ser perdida em certos momentos, o tempo faz justiça àqueles que acreditaram no sonho, mesmo quando não puderam testemunhar sua concretização. Embora se alongue um pouco em passagens específicas, a obra prende a atenção pelo tema necessário.

"Fanon" resgata uma figura histórica por vezes desconhecida do grande público, mas que merece ser descoberta em tempos em que o mundo ainda lida com as sombras do colonialismo.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 14 A 20 DE MAIO

 ESTREIAS:

PERTO DO SOL É MAIS CLARO

SURDA

Espanha/ Drama/ 2025/ 99min

Direção:EVA LIBERTAD

Sinopse: Ângela, uma mulher surda, vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte, Hector. Com a chegada do bebê, Ângela precisa enfrentar os desafios e complexidades de ser mãe em um mundo que não foi preparado para pessoas como ela.

Elenco:  Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta


PERTO DO SOL É MAIS CLARO

Brasil/Drama/2025/110min.

Direção: Regis Faria

Sinopse: Comovente retrato de Regi, engenheiro carioca de 85 anos, no momento em que lida com a perda recente de sua esposa. A resiliência e o poder do amor nas complexidades do envelhecimento.

Elenco: Reginaldo Faria, Marcelo Faria, Vanessa Gerbelli, André Faria.


EM CARTAZ:

AQUI NÃO ENTRA LUZ

Brasil/Documentário/2025/78min.

Direção: Karol Maia

Sinopse: Entre memórias pessoais e pesquisas históricas, uma cineasta, filha de uma trabalhadora doméstica, percorre o Brasil procurando rastros da escravidão na arquitetura. No caminho, encontra outras mulheres que enfrentam o mesmo legado.


HORÁRIOS SESSÕES DE 14 A 20 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

15h: AQUI NÃO ENTRA LUZ

17h: PERTO DO SOL É MAIS CLARO

19h: SURDA


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 12 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Surda'

Nota: O filme estreia dia 14 de maio.

Sinopse: A surdez de Angela gera preocupações durante sua gravidez sobre a conexão com sua filha. Após o parto, seu parceiro Héctor a apoia enquanto ela aprende a ser mãe em uma sociedade que não oferece acomodações adequadas para pessoas com deficiência auditiva.

Nos últimos tempos, o cinema tem explorado protagonistas cujo desafio é viver em um mundo silencioso e aprender a coexistir com ele. Se em "O Som do Silêncio" (2019) vemos o personagem lidando com uma perda súbita, e em "No Ritmo do Coração" (2021) testemunhamos uma família adaptada ao silêncio enfrentando o preconceito, "Surda" (2026) nos revela uma mulher que precisa aceitar um mundo onde o som é onipresente, enquanto busca o direito de ser compreendida em sua totalidade.

Dirigido por Eva Libertad, o filme narra a história de Angela (Miriam Garlo), uma mulher surda que vivencia a maternidade pela primeira vez ao lado de seu parceiro ouvinte, Héctor (Álvaro Cervantes). Com a chegada do bebê, Angela enfrenta as complexidades de ser mãe em uma estrutura social que não foi projetada para pessoas como ela.

Eva Libertad constrói a trama com uma delicadeza e simplicidade que cativam pelo carinho do olhar. Grande parte dessa atmosfera se deve ao fato de a cineasta dirigir a própria irmã; isso transforma a obra em algo que transcende a ficção, tornando-se um retrato quase real dos sentimentos da atriz Miriam Garlo. O filme parece ter sido moldado para ela, que consegue transmitir emoções genuínas, permitindo ao espectador uma dimensão mais profunda de sua realidade.

A protagonista Angela transita bem em seu cotidiano com o apoio de um parceiro que compreende sua condição. Contudo, após o nascimento da filha — que não possui a mesma deficiência — Angela passa a se sentir deslocada, como uma "estranha no ninho". Testemunhamos sua ação e reação: em boa parte da trama, ela observa o entorno, buscando formas de interagir sem se sentir isolada.

Em uma era de hiperconectividade e perda de privacidade, o filme revela que não ouvir o som ao redor tem seu lado negativo, mas também nos permite enxergar o que as pessoas, em geral, já não conseguem notar. A comunicação é o que nos torna humanos; mesmo na ausência de um sentido primordial, o toque e a compreensão bastam para eliminar o deslocamento. O ato final é primoroso: Angela aprende por meio de experiências duras, e o uso de cenas sem som algum torna a experiência cinematográfica sublime.

Vencedor de três prêmios Goya, "Surda" é um retrato delicado de quem luta contra limitações impostas pelo meio, ansiando apenas por ser notada e sentir-se verdadeiramente viva.

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Cine Dica: Newsletter de 14 a 20 de maio

Mostra Diana Ross no Cinema revisita a trajetória de uma das maiores figuras da cultura popular do século XX, enquanto as cópias restauradas de Suspiria e Veneno para as Fadas seguem em cartaz.A Cinemateca divulga sua programação de 14 a 20 de maio, com destaque para a mostra Diana Ross no Cinema, dedicada à trajetória cinematográfica de uma das figuras mais influentes da cultura popular no século XX e referência fundamental para a cultura afro-americana.

A mostra reúne três títulos estrelados por Diana Ross durante a década de 1970: o musical cult O Mágico Inesquecível (The Wiz, 1978), dirigido por Sidney Lumet; Mahogany (1975), melodrama ambientado no universo da moda; e O Ocaso de uma Estrela (Lady Sings the Blues, 1972), cinebiografia de Billie Holiday que rendeu à artista uma indicação ao Oscar. Todas as sessões da mostra têm entrada franca.

A programação da semana também conta com as cópias restauradas em 4K de Suspiria (1977), clássico absoluto do horror de Dario Argento, e Veneno para as Fadas (1986), obra-prima do cinema fantástico mexicano dirigida por Carlos Enrique Taboada. Informamos também que, devido a um problema técnico temporário, a divulgação da programação da Cinemateca está sendo realizada, neste momento, exclusivamente por meio de nosso Instagram (@cinematecacapitolio) e mailing eletrônico.

Confira a programação completa da Cinemateca clicando aqui.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Mambembe'

 Nota: O filme estreia dia 14 nos Cinemas. 

Sinopse: Um topógrafo viaja pelos cantos do Brasil e conhece três artistas de circo mambembe. As histórias desses personagens revelam uma trama contemplativa sobre o acaso e a construção artística.

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo" (2009), de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, fez escola na história do cinema brasileiro. A partir dele, consolidou-se uma onda de híbridos entre documentário e ficção, em que histórias elaboradas transitavam pelo viés documental, fundindo real e fantasia em um único projeto. Filmes como "Branco Sai, Preto Fica" (2014) e "A Vizinhança do Tigre" (2014) fortaleceram essa tendência, na qual as fronteiras entre o verídico e o inventado tornavam-se propositalmente nebulosas.

"Mambembe" (2026) segue essa mesma cartilha, mas com um diferencial: o filme não camufla onde começa e termina cada instância, o que torna a experiência cinematográfica ainda mais interessante. Dirigido por Fábio Meira — realizador de longas como "As Duas Irenes" (2017) e "Tia Virgínia" (2023) —, o filme narra o encontro de três mulheres de um circo itinerante (Índia Morena, Madonna Show e Jéssica) com um misterioso topógrafo. A partir dessas interações, desenha-se uma trama que mistura realidade e ficção ao longo de 15 anos, revelando-se uma jornada sobre o tempo, a arte circense e o próprio cinema.

Em seus trabalhos anteriores, Fábio Meira explora laços familiares que, por vezes, fogem do ideal de "família perfeita", revelando a face autêntica do cotidiano brasileiro. Pode-se dizer que "Mambembe" é seu filme mais pessoal ao transformar o fotógrafo andarilho, vivido por Murilo Grossi, em uma espécie de representação de seu próprio pai. É uma obra feita com evidente afeto, que presta homenagem ao universo circense — hoje em declínio, mas que mantém intacta a arte da resistência cultural.

O grande charme da obra reside na transição entre o registro ficcional e o documental. Enquanto Dandara Ohana dá vida a Jéssica (ex-artista de Belém), Índia Morena e Madonna Show interpretam a si mesmas, revisitando o passado ao cruzarem o caminho do protagonista. O resultado são atuações autênticas, em que o valor não está no improviso, mas na presença genuína dessas mulheres e no que elas se tornaram ao longo da vida.

Diferente das referências citadas no início, aqui Fábio Meira deixa as divisões mais claras, colocando-se à frente da câmera para dirigir seus intérpretes. É como se o projeto, inicialmente concebido como ficção, ganhasse força ao revelar sua própria construção, expondo a vontade de colocar a cultura em prática. Em muitos momentos, o que começa como uma cena simples ganha complexidade, como se qualquer passo em falso exigisse que os envolvidos recomeçassem do zero.

Além disso, o diretor utiliza com maestria o formato Super-8, remetendo ao início dos anos 80, quando essa estética era popular entre realizadores que buscavam um cinema fora dos padrões. Além de surgir em cena, o cineasta conduz uma ótima narração em off, essencial para momentos que não vemos, mas sentimos. Exemplo disso é a cena do encontro de Madonna com seu filho, cuja reconstituição ocorre apenas pela voz de Meira, tornando o momento digno de nota.

Acima de tudo, "Mambembe" é um filme sobre a resistência da arte brasileira perante os tempos de mudança. Em uma época em que o público anseia por novidades, o longa oferece os ingredientes ideais para quem deseja desfrutar de algo que foge das convenções. É uma experiência em que documentário e ficção se entrelaçam para revelar a força da cultura circense como um todo.

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