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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Cine Especial: Revisitando 'AKIRA'

No ano de 1982, o termo Cyberpunk começou a surgir de forma silenciosa e quase ninguém havia se dado conta. Embora a palavra tenha sido criada pelo escritor Bruce Bethke como título de um conto lançado em 1983, foi um ano antes que um filme e um mangá se tornaram, aos poucos, os maiores representantes dessa palavra enigmática. "Blade Runner" (1982) foi lançado nos EUA, enquanto o mangá "Akira" começou a ser publicado no mesmo ano, no Japão, pelo autor e desenhista Katsuhiro Otomo.

O filme de Ridley Scott começou a ganhar status cult no decorrer dos anos 1980, enquanto Katsuhiro Otomo criava uma trama distinta, mas na qual se nota a inspiração no longa americano para compor seu futuro apocalíptico. Curiosamente, o filme de Scott retrata o ano de 2019; já no mangá "Akira", a trama se inicia em 1988, mas, devido a uma catástrofe nuclear que dizima Tóquio, a história sofre um salto no tempo para nos apresentar a cidade revitalizada — rebatizada de Neo-Tóquio — se passando exatamente no ano de 2019. Coincidência?

O que mais impressiona na trajetória inicial da obra de Otomo é que a história ainda estava em andamento quando o estúdio TMS Entertainment propôs a adaptação para o cinema. Com o receio de ver outros assumindo a sua criação, o próprio autor decidiu escrever e dirigir o longa. O resultado foi "Akira" (1988), uma adaptação fiel à fonte, mas com identidade própria, condensando mais de duas mil páginas de história em pouco mais de duas horas de projeção.

Na trama, uma grande explosão destrói Tóquio em 1988, despertando a lenda de Akira, uma criança com poderes extraordinários controlada pelo governo. Anos depois, ergue-se a Neo-Tóquio que, em 2019, sucumbe a atentados terroristas e à guerra de gangues pelo domínio das drogas. Kaneda (Mitsuo Iwata) e Tetsuo (Nozomu Sasaki) são amigos de infância e integram um desses grupos de motoqueiros.

Em um duelo entre gangues, Tetsuo esbarra com Takashi (Tatsuhiko Nakamura), uma criança com poderes que servia de cobaia para uma agência secreta do governo. Ferido no encontro, Tetsuo é levado pelo exército antes que os amigos possam ajudá-lo, sob o comando do Coronel Shikishima (Taro Ishida). A partir daí, o jovem passa a desenvolver poderes inimagináveis, sendo comparado ao lendário Akira.

Assim como Blade Runner, o filme de Otomo possui um visual tão rico que, sempre que o revisitamos, descobrimos algo novo. Lançado em 1988, o longa impressiona por ter sido feito na animação tradicional sobre celulóide, mas com um nível de perfeccionismo nos detalhes que impressiona até hoje. A sequência de abertura, com a gangue de Kaneda percorrendo a cidade, é antológica e dá a exata dimensão da escala da produção.

Obra à frente do seu tempo, a produção também foi uma das primeiras a introduzir elementos de computação gráfica de forma fluida e integrada. Outro diferencial técnico foi a gravação das vozes antes da finalização da animação (pre-scoring), permitindo que o movimento dos lábios dos personagens casasse perfeitamente com a dublagem — uma exigência de precisão que serviu de referência para a indústria.

A trilha sonora, composta e regida por Shoji Yamashiro (pseudônimo de Tsutomu Ohhashi à frente do coletivo Geinoh Yamashirogumi), confere um tom épico e profético à narrativa. A combinação de cantos tradicionais e síntese digital eleva o status do filme, com destaque para a intensidade do tema de Tetsuo e para a apoteótica apresentação de Neo-Tóquio na abertura.

Sob uma roupagem adulta, o longa explora temas universais e atuais: a busca pelo poder ilimitado, os limites da intervenção humana sobre a natureza e o retrato de uma sociedade em decadência sob governos corruptos. Tetsuo encarna o perigo desse poder quando despertado sem maturidade, impulsionado por um ressentimento acumulado.

Otomo equilibra essa densidade filosófica com sequências de ação memoráveis. O confronto entre Kaneda e Tetsuo é eletrizante, sobretudo pela coragem de Kaneda em enfrentar o amigo em extrema desvantagem. A lendária moto vermelha de Kaneda se tornou um ícone da cultura pop, exaustivamente referenciada e homenageada ao longo das décadas.

Lançado em 1988, o filme expandiu seu alcance gradualmente. No Brasil, estreou em agosto de 1991 pela distribuição da Sato Company, tornando-se o primeiro longa de anime exibido nos cinemas do país. Ficou quase um ano em cartaz e atraiu mais de 250 mil espectadores, cravando um marco histórico na formação do público local.

A influência de "Akira" ecoa até hoje. Sem ele, marcos posteriores como "Ghost in the Shell" (1995) ou "The Matrix" (1999) não teriam o mesmo desenho estético ou temático. Revisitá-lo reafirma a visão visionária de Otomo sobre a desumanização, o avanço tecnológico e a incerteza do futuro, deixando "Akira" no patamar das obras indiscutíveis do cinema e da ficção científica.

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Cine Dica: Clube de Cinema: "The Rocky Horror Picture Show" (05/09) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (05/09), às 10h15 da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre homenageia Tim Curry com uma exibição de The Rocky Horror Picture Show na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim.

Dirigido por Jim Sharman e baseado na peça de Richard O'Brien, o filme combina musical, terror e ficção científica para brincar com convenções e referências do cinema de gênero, especialmente das produções de baixo orçamento. O resultado é uma obra que constrói seu humor a partir dessas referências e de uma narrativa deliberadamente fora dos padrões convencionais. O longa também marcou a estreia de Tim Curry na tela grande, interpretando o excêntrico Dr. Frank-N-Furter, personagem que se tornou uma de suas atuações mais marcantes.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 05/09, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


The Rocky Horror Picture Show

EUA, 1975, 98min

Direção: Jim Sharman

Roteiro: Jim Sharman e Richard O'Brien

Elenco: Tim Curry, Susan Sarandon, Barry Bostwick, Richard O'Brien

Sinopse: Após uma pane no carro, os recém-casados Brad e Janet procuram abrigo em um castelo isolado. Lá, conhecem o excêntrico Dr. Frank-N-Furter, um cientista que está prestes a apresentar sua mais recente criação, Rocky Horror. A partir desse encontro, a viagem do casal toma um rumo inesperado, em meio a festas, experiências científicas e personagens pouco convencionais.


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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 03 A 09 DE SETEMBRO

O documentário Não Existe Almoço Grátis, dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, estreia no CineBancários dia 3 de setembro. Vencedor do prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Brasília, o longa acompanha três lideranças femininas do Sol Nascente, no Distrito Federal, durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A produção aborda a luta cotidiana contra a fome e a força da organização comunitária no Brasil. 

O filme mostra como a ausência de políticas públicas eficazes para o enfrentamento da fome levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, responsáveis pela distribuição de refeições gratuitas em diferentes regiões do país. A história acompanha Bizza, Jurailde e Socorro, três mulheres negras que coordenam uma dessas cozinhas, localizada no Sol Nascente, uma das maiores favelas do país. Durante a posse de Lula, elas ficam responsáveis por preparar a alimentação de centenas de militantes do movimento que viajam a Brasília para acompanhar a cerimônia.

As três protagonistas possuem trajetórias distintas, apresentadas de forma não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir a própria casa e abrir um negócio no lote que conquistou por meio da luta no MTST. Jurailde, evangélica, relaciona a conexão com a terra à ancestralidade indígena e às experiências de trabalho infantil que marcaram sua infância. Socorro, por sua vez, encontra o orgulho de si mesma ao construir a própria família depois de ter sido abandonada pelo pai ainda criança.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE  03 A 09 DE SETEMBRO


ESTREIA:


 NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

Brasil/Documentário/2023/74min.

Direção: Marcos Nepomuceno, Pedro Charbel

Sinopse: Em Sol Nascente, maior favela do Brasil, Socorro, Jurailde e Bizza lideram uma das cozinhas solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), distribuindo almoços de graça diariamente. Para a posse do presidente Lula, elas estão encarregadas de cozinhar para centenas de pessoas em Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro. Em meio a ameaças de golpe, o documentário acompanha o evento e a organização coletiva, revelando que o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos.


EM CARTAZ:


MUITO PRAZER

Brasil/ Comédia/2026/ 98min.

Direção:Jorge Furtado

Sinopse: Rubem, um motorista de aplicativo sem perspectivas, recebe uma herança inesperada: o Motel Pérola, que logo descobre ser um prédio em ruínas. Lá ele conhece Grace, ex-funcionária que ficou morando numa das suítes quando o motel fechou. Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, Grace e Rubem unem-se para reativar o motel. Quase de brincadeira, com a ajuda de Nalva, que sabe tudo de internet, eles começam a gravar seus clientes e, para fazer algum dinheiro extra, a vender os vídeos, com identidades protegidas, para sites eróticos. O esquema se torna rapidamente lucrativo e, como era de se esperar, perigoso.

Elenco: Luisa Arraes, Daniel de Oliveira, Samantha Jones, Felipe Velozo.


NOSSO SEGREDO

Brasil/ Drama/2025/109 min.

Direção: Grace Passô

Sinopse: Nosso Segredo conta a história de uma família negra que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de encarar as raízes de suas dores e, juntos, descobrirem um novo caminho

Elenco: Ju Colombo, Robert Frank, Marisa Revert, Jessica Gaspar, Efraim Santos



HORÁRIOS DE 03 A 09  DE SETEMBRO

(não há sessões nas segundas)

15h: NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

17h: MUITO PRAZER

19h: NOSSO SEGREDO


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (03/09/26)

 IDIOTAS

Sinopse: Mark (Dave Franco) e Davis (O'Shea Jackson Jr.) são dois idiotas que aceitam um trabalho aparentemente simples: levar um adolescente rico e problemático (Mason Thames) até uma clínica de reabilitação. Só que o passageiro tem outros planos, e uma missão fácil se transforma numa jornada cada vez mais delirante, entre drogas, confusão e situações insanas que ninguém ali estava preparado para enfrentar.


MINHA MELHOR AMIGA

Sinopse: Julia e Clara são melhores amigas e vivem o auge dos seus 50 anos. Quando suas filhas, Manu e Isadora, viajam para um intercâmbio em Portugal, elas aproveitam para dar um tempo da rotina frustrante e decidem embarcar para a Europa. Mas, ao chegarem em terras lusitanas, nem tudo sai como planejado e o que seriam apenas umas férias divertidas com as garotas se transforma em uma viagem que vai ressignificar a vida das duas.


PRESSÃO

Sinopse: Embora os meteorologistas alemães esperassem mau tempo, os Aliados aproveitaram um período inesperado de céu limpo para os desembarques na Normandia.


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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Coyote vs. Acme'

Sinopse: Após os produtos da Acme falharem vezes demais em sua incansável perseguição ao Papa-Léguas, Wile E. Coyote decide contratar um advogado de porta de cadeia para processar a Acme Corporation.

"Uma Cilada Para Roger Rabbit" (1988) ainda é a maior referência quando se trata da interação entre atores reais e animação, sendo apontado por muitos como a obra-prima desse subgênero. Houve, claro, boas tentativas posteriores — como o ótimo "Tico e Teco: Defensores da Lei" (2022) —, mas sem atingir o patamar de perfeição alcançado pela obra de Robert Zemeckis. Eis que surge "Coyote vs. Acme" (2026), um longa que, embora não atinja esse estado de perfeição, diverte com inteligência e nos brinda com ótimas doses de reflexão.

Dirigido por Dave Green, o filme nos reapresenta a Wile E. Coyote no deserto, obstinado como sempre em capturar o Papa-Léguas. Contudo, ao se dar conta de que todos os aparatos da ACME Corporation falham sistematicamente, ele decide ir à cidade para processar a empresa. Ao contratar o advogado Kevin Avery (Will Forte), ambos logo percebem que enfrentar um gigante corporativo está longe de ser uma tarefa simples.

Chuck Jones foi, sem sombra de dúvida, o maior gênio por trás do enorme sucesso dos Looney Tunes na Era de Ouro da animação, quando os curtas eram exibidos nas salas de cinema. O curioso é que, mesmo sendo figuras caricatas, os personagens transbordavam carisma e conquistavam a empatia imediata do público. No entanto, talvez nenhum deles tenha gerado tanta identificação quanto o Coyote.

Em sua persistência inabalável para capturar a ave, o personagem tornou-se um símbolo involuntário da perseverança de uma sociedade que busca seus objetivos a despeito dos obstáculos. O detalhe irônico é que o obstáculo principal acaba sendo justamente a tralha vendida pela ACME — e é a partir dessa premissa simples, porém brilhante, que o filme captura a nossa atenção do início ao fim.

A partir desse gancho, os realizadores constroem uma crítica ácida contra grandes corporações que manipulam a sociedade pelo consumo para inflar suas próprias contas bancárias. O roteiro toca em feridas ainda mais profundas ao revelar que os personagens animados funcionam como meras cobaias para a ACME testar seus produtos — uma metáfora corajosa e reveladora. Não é à toa que a própria Warner tenha relutado em lançar o filme nos cinemas; felizmente, graças à comoção do público, o longa finalmente encontrou a luz do dia.

O charme da produção reside, em grande parte, no resgate nostálgico. O roteiro abre espaço para reverenciarmos os clássicos curtas do Coyote, despertando aquela memória afetiva tão cara ao espectador. Tecnicamente, o cuidado com a interação entre o elenco em carne e osso e a animação tradicional é notável, chegando perto da fluidez vista em Roger Rabbit. Além disso, há excelentes referências à história do cinema — a própria aparição do Pernalonga serve de gancho para uma sátira primorosa ao clássico "Todos os Homens do Presidente" (1976).

Infelizmente, nem tudo funciona perfeitamente. O núcleo humano não tem o mesmo carisma do elenco animado. Por mais que se esforce, Will Forte acaba resultando em uma presença pálida diante do brilhantismo do Coyote em cena, oscilando entre a comédia bobajona e momentos dramáticos um pouco forçados. Quem se sai melhor é John Cena na pele de um dos executivos da ACME: seu estilo caricato e canastrão casa perfeitamente com o tom cartunesco da narrativa.

"Coyote vs. Acme" chega em um momento em que os grandes estúdios se transformaram em conglomerados frios, cujos executivos priorizam o lucro em detrimento da qualidade artística. Torna-se poético e irônico ver um filme debochar justamente dessa indústria do entretenimento controlada por gigantes. No fim, o Coyote nos ensina a nunca desistir, mesmo quando enfrentamos corporações que insistem em tratar o público como mero gado consumidor.

Trata-se de uma grata surpresa que alinha entretenimento de qualidade a uma crítica madura contra a Hollywood atual — um ecossistema cada vez mais perdido em suas próprias marcas e franquias inesgotáveis.


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Cine Dica: Clube de Cinema: "Nacionalidade do Imigrante" (03/09, quinta-feira) na Sala Redenção

Nesta quinta-feira (03/09), às 19h, o Clube de Cinema de Porto Alegre dá continuidade ao ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.

O filme da vez é Nacionalidade do Imigrante, de Sidney Sokhona. Realizado a partir da experiência de trabalhadores africanos em Paris, o filme combina elementos documentais e ficcionais para abordar as condições de vida e trabalho dos imigrantes, o racismo e as dificuldades impostas pela burocracia e pela precariedade habitacional. Produzido de maneira independente e com recursos bastante modestos, o longa transforma uma experiência concreta de organização dos trabalhadores em um filme de forte dimensão política.

Após a sessão, teremos ainda um bate-papo com Walter Lippold, historiador e professor da UFRGS, especialista em História da África e pensamento anticolonial. O ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" é uma ação de extensão da Sala Redenção (UFRGS) em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre, oferecendo certificados de participação aos inscritos e possibilitando o aproveitamento de horas complementares aos estudantes. Inscreva-se!


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: 03/09 (quinta-feira), às 19h

📍 Local: Sala Redenção – UFRGS

R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada com Walter Lippold

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


Nacionalidade do Imigrante (Nationalité immigré)

França e Mauritânia, 1976, 70min

Direção e roteiro: Sidney Sokhona

Elenco: Sidney Sokhona, Jacques Ruisseau, Constant Hames

Sinopse: Sidi, um trabalhador mauritano empregado na França, enfrenta, como tantos outros imigrantes, condições precárias de trabalho e exploração por parte dos patrões. Diante do racismo e da exploração econômica, ele e outros trabalhadores começam a se organizar para enfrentar essas condições.

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Cine Dica: Cinesemana de 3 a 9 de setembro de 2026

A primeira cinesemana de setembro apresenta duas estreias na nossa programação. Uma das novidades é A QUINTA PORTUGUESA, coprodução entre Espanha e Portugal e com Maria de Medeiros como protagonista. O outro lançamento é o documentário brasileiro NEM TUDO É PAZ E AMOR, que reúne depoimentos de filhos de artistas que cresceram influenciados pelas ideias de paz e amor dos anos 1970. Nesta semana, também apresentamos a Mostra Sedac/Iecine de Longas Gaúchos, que reúne os cinco filmes apresentados no Festival de Cinema de Gramado.

Em segunda semana, o público pode conferir MUITO PRAZER, de Jorge Furtado, sobre três jovens que tentam reabrir um motel decadente e apostam em estratégias pouco convencionais, além de NOSSO SEGREDO, de Grace Passô, filme vencedor do Festival de Cinema de Gramado. Dois longas franceses continuam em cartaz: O APEGO, que conquistou o prêmio César de melhor filme em 2026, e AS CORES DO TEMPO, dirigido por Cédric Klapisch.

O público ainda tem a oportunidade de conferir dois sucessos da nossa bilheteria: ACAMPAMENTO MIASMA - SEXO, ADOLESCÊNCIA E MORTE, um filme de terror slasher dirigido por Jane Schoenbrun; e O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, sobre dois casais que discutem as relações. 

Confira a programação completa da Cinemateca no site oficial clicando aqui.