Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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"Minhas Tardes com Margueritte", um hino à amizade e à leitura, na próxima sessão do Cineclube Torres, segunda-feira, dia 20, às 20h,
O filme francês integra o ciclo dedicado à leitura na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo sempre com entrada franca. Minhas Tardes com Margueritte é um filme francês de 2010 dirigido por Jean Becker, baseado num livro homônimo, sobre a magia da leitura. Germain, um homem solitário e com pouca instrução que trabalha com serviços gerais, cria um laço especial com uma mulher muito mais velha e culta, descobrindo uma nova forma de conexão e aprendizado.
Quem gosta de livros e filmes, não pode perder “Minhas Tardes com Margueritte”: nas palavras dodiretor Jean Becker, que é filho de cineasta e iniciou sua carreira como assistente do pai “É uma coisa que eu aprendi com meu pai. A cultura e o cinema podem tornar nossas vidas melhores.”A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.
O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Apoio cultural Livraria Superlivros
Serviço:
O que: Exibição do filme "Minhas Tardes com Margueritte" (2010) de Jean Becker - França
Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres
Quando: Segunda-feira, 20/4, às 20h
Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).
Cineclube Torres
Associação sem fins lucrativos
Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva
Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus
Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur
Nota: Filme exibido para os associados no dia 02/04/26
Quando François Truffaut lançou seu clássico "Os Incompreendidos" (1959), reuniram-se ali todos os ingredientes do que viria a ser a Nouvelle Vague. Com a câmera na mão, o realizador criou cenas maravilhosas das ruas de Paris — um feito raro em um período no qual a maioria dos filmes era feita em estúdios, quase nunca revelando o lado mais realista do mundo. "Cléo das 5 às 7" (1962) talvez seja uma das melhores sínteses desse período e um dos melhores trabalhos da diretora Agnès Varda.
Na trama, Cléo (Corinne Marchand) é uma cantora francesa que vive um momento de angústia enquanto espera o resultado de um exame. O teste pode apontar se ela tem ou não câncer de estômago. Sem saber o que fazer, Cléo perambula pela cidade de Paris. No decorrer desse tempo, ela observa e conversa com as pessoas que cruzam seu caminho.
Confesso que só fui conhecer Agnès Varda a partir de "Visages, Villages" (2017), documentário que revela seu talento e que foi o suficiente para me fazer buscar seus outros títulos. No caso dos tempos de Nouvelle Vague, talvez tenha sido ela quem melhor compreendeu a proposta principal de seus colegas: ter uma ideia na mente, uma câmera na mão e ocupar as ruas para realizar um feito mais cru, mas não menos magistral. A jornada de angústia da protagonista torna-se um artifício de roteiro para que a realizadora possa exercer sua liberdade criativa.
Já na abertura, por exemplo, vemos um jogo de cena protagonizado por mãos e cartas, para logo em seguida testemunharmos diversos espelhos espalhados pelos lugares onde a protagonista caminha. Esse recurso serve para obtermos uma perspectiva do mundo em que ela vive — onde há muito a oferecer, mas cujas possibilidades se tornam nubladas pelo medo inicial. Há, por exemplo, um momento em uma cafeteria onde ocorre um conflito entre um casal e a câmera dá atenção à moça, que se encontra extremamente sozinha.
Se por um momento achamos que a protagonista irá ajudá-la, logo ela dá as costas para continuar caminhando sem rumo. É neste ponto também que ocorre o delicioso encontro entre a ficção e o lado documental de Varda; sua câmera torna-se uma representação do olhar da protagonista, dando-nos a dimensão de como ela enxerga o mundo em meio ao temor pela vida. Nota-se que a câmera caminha entre as pessoas, que olham com espanto em alguns momentos, dando a entender que não foram avisadas da filmagem, o que confere um peso maior ao realismo.
Isso se casa com a presença de Corinne Marchand. Ao atravessar as ruas, nota-se o olhar curioso do público — principalmente o masculino — devido à sua beleza marcante. Marchand é um caso raro em que talento e beleza se cruzam; ela surpreende tanto na atuação quanto na voz, tornando seus momentos de canto um dos pontos altos do longa. Ao mesmo tempo, ela mantém uma inocência que contrasta com o surgimento de sua amiga, interpretada por Dorothée Blank.
É neste encontro que surge uma bela homenagem ao cinema mudo, mais precisamente quando ambas vão assistir a um curta-metragem na cabine de projeção. O curta é estrelado por ninguém menos que Jean-Luc Godard e Anna Karina. Curiosamente, esse trecho me fez lembrar do clássico "Um Cão Andaluz" (1929), de Luis Buñuel, já que a trama flerta com o non-sense.
Graças a esse filme, não me surpreende que a obra de Varda tenha servido de inspiração para outros realizadores. Richard Linklater, por exemplo, criou sua trilogia iniciada com "Antes do Amanhecer" (1995), onde o casal central conversa sobre a vida em planos-sequência surpreendentes. Ao conhecer "Cléo das 5 às 7", percebo de onde ele bebeu sua inspiração. Linklater, inclusive, lançou recentemente "Nouvelle Vague" (2025), filme que não apenas homenageia a criação de "Acossado" (1960), mas o movimento como um todo.
No final das contas, é um filme sobre saborear a vida, pois nunca sabemos o dia de amanhã. Quando a protagonista começa a dialogar com um soldado (Antoine Bourseiller), prestes a embarcar para uma guerra que pode lhe tirar a vida, ela percebe que cada minuto é precioso e que a interação com o próximo pode mudar sua perspectiva. O final em aberto nos faz manter o filme na mente e desejar que ele não tivesse acabado tão cedo.
"Cléo das 5 às 7" é o longa que melhor representou a ideia primordial da Nouvelle Vague, um grande feito que somente Agnès Varda poderia ter colocado em prática dessa maneira.
Neste sábado, dia 18 de abril, às 10h15 da manhã, nos reunimos na Cinemateca Paulo Amorim para a exibição de Amores Expressos, de Wong Kar-wai. Também responsável pelos belíssimos Amor à Flor da Pele e Anjos Caídos, o cineasta constrói um cinema marcado por narrativas fragmentadas, música atmosférica e uma fotografia de cores intensas e saturadas. Em Amores Expressos, não é diferente: ambientado em Hong Kong, o filme acompanha duas histórias de amor desencontradas, atravessadas pela solidão, pelo acaso e pelo ritmo vertiginoso da vida urbana. Policiais melancólicos, encontros improváveis e personagens à deriva, aqui Wong Kar-wai compõe um retrato fragmentado das relações na modernidade, embalado ao som de The Mamas & the Papas. Inesquecível!
Confira os detalhes:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 18/04, às 10h15 da manhã
📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim
Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre
Amores Expressos (Chung Hing sam lam)
Hong Kong, 1994, 102 min, 12 anos
Direção: Wong Kar-wai
Elenco: Takeshi Kaneshiro, Tony Leung Chiu-wai, Faye Wong, Brigitte Lin
Sinopse: Todos os dias, o policial 223 compra uma lata de abacaxi em conserva com a mesma data de validade: 1º de maio. A data simboliza o dia em que ele superará seu amor perdido. Ele também está de olho em uma mulher misteriosa de peruca loira, sem saber que ela é traficante. O policial 663 está devastado pela tristeza causada por um término. Quando sua ex-namorada deixa cair um molho extra de suas chaves em um café local, uma garçonete entra em seu apartamento e dá um toque especial à sua vida.
Sinopse: Na trama, Patrícia Trindade é afastada da polícia após comandar uma operação fracassada. Sem emprego e em busca de segurança, ela resolve deixar São Paulo e passa a morar em Santarém do Pará.
MALDIÇÃO DA MÚMIA
Sinopse: A jovem filha de um jornalista desaparece no deserto sem deixar rastros. Oito anos depois, a dilacerada família fica chocada quando ela retorna para casa, e o que deveria ser um reencontro feliz se transforma em um pesadelo vivo.
O ADVOGADO DE DEUS
Sinopse: Um drama cheio de suspense, romance e aquele olhar espiritual e sobrenatural é o gênero da história de O Advogado de Deus.
Sinopse: Zeca Brito (ou Will/Cam em algumas versões), um pequeno bode com grandes sonhos no "berrobol", um esporte intenso dominado por animais fortes.
O cineasta Tyree Dillihay parece confiar tanto na estética de animação com toques de CGI, animação 2D e influências de anime, quanto no seu roteiro, e não força a barra para encher a projeção com momentos desnecessários. "Um Cabra Bom de Bola" (2025) é divertido e tem várias gags medianas, capazes de agradar tanto os pequenos quanto os mais velhos. Mas o ponto principal é que Zeca é um protagonista doce e sincero, e é particularmente bom ver um longa-metragem onde um jovem admira abertamente uma estrela feminina. As mensagens são boas e a película fala sobre a importância do elenco em equipe e de acreditar em si mesmo, ainda que explore muito os dispositivos de celulares, curtidas online e viralização, o que pode ser um pouco cansativo, ainda mais quando nos utilizamos da sala escura para fugir um pouco desses vícios modernos.
"Um Cabra Bom de Bola entrega" uma produção carismática, visualmente inventiva e com uma trama honesta sobre pertencimento, persistência e colaboração em equipe. Mesmo sem reinventar o clássico clichê do azarão, a fita se destaca pelo cuidado com seus papéis, pela mistura criativa de estilos de animação e pela sensibilidade ao retratar um personagem que vence mais pela empatia do que pela força. Apesar do uso excessivo de referências à viralização e às redes sociais, o que pode soar repetitivo, o título encontra equilíbrio ao apostar no coração da narrativa: a alma de uma trupe e o poder de acreditar em si mesmo. No fim das contas, é uma exibição divertida, calorosa e inspiradora, capaz de agradar crianças e adultos, e que deixa uma moral positiva.
A cinesemana de 16 a 22 de abril destaca a estreia de O ESTRANGEIRO, novo filme do diretor francês François Ozon e que traz uma adaptação do cultuado romance de Albert Camus. A semana também dá sequência à programação do Fantaspoa, o festival dedicado ao gênero fantástico e que traz dezenas de filmes inéditos de cinematografias do mundo todo.
Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui.
Sinopse: Um presidente italiano viúvo enfrenta crises morais sobre a legislação da eutanásia e o indulto a assassinos, enquanto lida com a infidelidade da falecida esposa em seus últimos meses de mandato.
Quando "A Grande Beleza" (2013) levou o Oscar de Melhor Filme Internacional, muitos começaram a apontar o diretor italiano Paolo Sorrentino como um novo Federico Fellini. Embora, em um primeiro momento, a comparação soe exagerada, por outro lado, é preciso reconhecer que o realizador constrói tramas reflexivas e alinhadas com a cultura pop contemporânea. "A Graça" (2025) é um caso curioso em que a seriedade da história transita entre pitadas de humor que surgem na surdina.
Na trama, acompanhamos os últimos dias do presidente italiano Mariano De Santis (Toni Servillo). Viúvo e católico, ele tem uma filha chamada Dorotea, que trabalha como orientadora para o pai. No decorrer do tempo, o presidente precisa decidir sobre dois indultos, ao mesmo tempo em que tem de enfrentar as dores do passado.
Paolo Sorrentino segue a mesma cartilha que havia sido usada no seu grande sucesso, A Grande Beleza. Se naquele filme víamos o protagonista sendo apresentado em um número musical, aqui o personagem nos é revelado através de músicas que não parecem condizer com a sua personalidade, mas que atraem o olhar curioso de quem assiste. Além disso, é surpreendente o que o realizador faz com a câmera quando o assunto é o uso do slow motion.
Se Zack Snyder usou esse artifício até saturá-lo nos filmes de super-heróis, aqui Sorrentino procura usá-lo nos momentos mais banais, mas que, ao mesmo tempo, têm algo a dizer. Na cena, por exemplo, em que o protagonista aguarda a chegada de um grande aliado, nota-se cada detalhe deste último sendo apresentado, mas sendo sucumbido por uma tempestade repentina, onde vemos cada gota de água cair sobre ele. Se, por um lado, isso pode parecer gratuito, por outro, há de se analisar que possa ser uma representação do olhar daqueles que testemunham aquele momento, gerando certa aflição, para dizer o mínimo.
Apesar de a visão autoral do diretor chamar bastante atenção, é preciso reconhecer que o filme é carregado nas costas pelo ator Toni Servillo. "Queridinho" do cineasta em sete de suas obras, o ator constrói um político que busca a lógica ao lado do viés emocional e conservador que molda o seu governo, tendo que analisar com cuidado as suas decisões ao longo do percurso. Ao mesmo tempo, o seu conflito ao não saber quem foi o amante de sua falecida esposa gera momentos tanto tensos quanto de um humor refinado, algo raro de se ver hoje em dia.
Curiosamente, talvez esse seja o ponto em que o filme vá dividir a opinião do público, principalmente daqueles que apontam que o longa teria sido feito para agradar a todos a todo custo. Ao meu ver, o filme toca em assuntos espinhosos quando o tema é política, mas, ao mesmo tempo, faz um convite para acompanharmos um protagonista digno de nota, cujo maior inimigo é ele mesmo, enquanto se sente assombrado pelas dores vindas do passado. Quando ele esboça um único sorriso durante o filme todo, é então que nos damos conta de que a sua redenção finalmente foi obtida.
"A Graça" é um filme elegante, dramático e bem-humorado de Paolo Sorrentino, mesmo não sendo o "novo Federico Fellini", como muitos dizem.