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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Arco'

Sinopse: Arco é um menino de dez anos vindo de um futuro pacífico que acidentalmente viaja no tempo para o ano de 2075. Ao descobrir um mundo em perigo, ele se une a uma jovem e seu robô cuidador em uma jornada para voltar para casa.

Quando o assunto é fantasia no cinema atual, muitos logo se lembrarão do Studio Ghibli. O estúdio japonês criou obras-primas como o clássico "A Viagem de Chihiro" (2001) e tornou-se fonte de inspiração para o mundo todo. Ao assistir a "Arco" (2025), percebo similaridades com a linguagem do estúdio oriental, mas a produção ganha luz própria ao encantar com uma história fantástica e, ao mesmo tempo, singela.

Dirigido por Ugo Bienvenu, o filme acompanha Arco, um garoto de 10 anos que vive no ano de 2932, época em que a civilização habita entre as nuvens. Certo dia, ele pega "emprestada" a capa de sua irmã — traje que lhe permite viajar ao passado — e acaba caindo no ano de 2075, onde encontra a jovem Iris, seu pequeno irmão e o robô cuidador da família. Juntos, eles tentam encontrar um meio de mandar Arco de volta para casa, enfrentando diversos obstáculos ao longo dessa jornada.

Visualmente, o longa lembra bastante a HQ de ficção científica "Paciência" (2016), do quadrinista Daniel Clowes, com a qual compartilha a temática da viagem no tempo. Contudo, enquanto o conto de Clowes se envereda por um tom mais pessimista, esta animação francesa transborda pura magia ao unir aventura e ficção científica sob o olhar de crianças que veem suas fantasias se tornarem realidade. Tudo isso é moldado por meio de uma animação tradicional 2D, com pontuais retoques em CGI, preservando o encanto e o frescor das produções de antigamente.

É fascinante observar o contraste tecnológico entre os tempos que separam Arco e Iris. O período da garota guarda mais semelhanças com a nossa realidade, ainda que permeado por certas tecnologias futuristas. O filme traça um paralelo sobre como os avanços tecnológicos podem distanciar os seres humanos — algo sintetizado com precisão na cena em que Iris interage apenas com hologramas dos próprios pais. Curiosamente, é o robô Mikki que acaba assumindo uma figura paterna para a jovem, com uma fidelidade absoluta que protagoniza um dos momentos mais emocionantes da obra.

Além disso, o design dos robôs remete àqueles descritos por Isaac Asimov em seus livros, que por sua vez inspiraram o curta "O Segundo Renascimento" (2003), da coletânea Animatrix. Ou seja, trata-se de uma obra recheada de referências a clássicos da ficção, mas que mantém sua personalidade ao usar fórmulas consolidadas para erguer uma belíssima aventura.

No fim das contas, "Arco" é um filme capaz de agradar a todas as idades: diverte e encanta as crianças ao mesmo tempo em que oferece uma camada profunda de reflexão para os adultos. Trata-se de uma das animações mais surpreendentes dos últimos anos, cuja força visual e poética enche os nossos olhos.

Onde Assistir: MUBI

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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 29 de outubro a 4 de novembro de 2026

A programação semanal da Cinemateca Capitólio traz sessão especial de Halloween com Pânico de Wes Craven, um clássico hitchcockiano, animações brasileiras e muito mais!

De 29 de outubro a 4 de novembro, a programação da Cinemateca Capitólio reúne cinema brasileiro, sessões gratuitas do Dia Internacional da Animação, um clássico de Alfred Hitchcock, um remember da mostra Bressane 80 e uma noite especial de Halloween com Pânico, de Wes Craven, que completa 30 anos.

A semana começa com a continuidade de Papaya, animação de Priscilla Kellen, e a estreia de Medley, novo longa-metragem de Ana Luiza Azevedo. Na terça-feira (3), Medley ganha uma sessão especial seguida de debate com a presença da diretora.

O sábado (31) é intenso e concentra seis sessões, começando com a programação do Dia Internacional da Animação e passando por Hitchcock, Azevedo e Bressane até chegar à aguardada sessão de Halloween. Na quarta-feira (4), o JFF Discover Kabuki Tour, em parceria com a Fundação Japão, traz a Porto Alegre duas exibições de Cinema Kabuki e uma experiência corporal dedicadas ao teatro japonês.


Cinema brasileiro em cartaz

Em continuidade na programação, Papaya, animação dirigida por Priscilla Kellen, acompanha uma pequena semente de mamão que sonha em voar e precisa continuar se movendo para não criar raízes. Ao descobrir a força das conexões subterrâneas, ela transforma o ambiente ao seu redor e encontra um caminho inesperado para realizar seu sonho.

A partir de quinta-feira (29), entra em cartaz Medley, de Ana Luiza Azevedo. O filme acompanha Lola, uma adolescente de 16 anos que enfrenta a ausência misteriosa do pai, uma relação difícil com a mãe e as próprias limitações na natação. Durante as férias em Salto Bonito, novas amizades, um romance e a entrada para o time de natação da cidade despertam memórias e sentimentos que a levam a confrontar os traumas do passado. O longa é uma adaptação do livro Medley ou os Dias em que Aprendi a Voar, de Keka Reis.

Na terça-feira (3), às 19h, haverá uma sessão especial de Medley, seguida de debate com a presença da diretora Ana Luiza Azevedo. Os ingressos custam R$16,00 (inteira) e R$8,00 (meia), pagamento apenas em dinheiro.


Sábado de animação, clássico hitchcockiano e Halloween

No sábado (31), a programação começa às 14h com a Mostra Infantil do Dia Internacional da Animação, que reúne curtas-metragens brasileiros sobre amizade, generosidade, imaginação e descobertas. Às 15h, a Mostra Especial Itinerante Mulheres na Animação, apresenta filmes de realizadoras com técnicas e propostas variadas. Ambas as sessões fazem parte da programação do Dia Internacional da Animação e têm entrada franca.

Às 17h, a Sessão Clássicos apresenta Um Barco e Nove Destinos (1944), de Alfred Hitchcock. Ambientado inteiramente em um barco salva-vidas à deriva no Atlântico Norte durante a Segunda Guerra Mundial, o filme reúne sobreviventes de diferentes origens, cuja convivência se transforma após o resgate de um marinheira alemão.

Às 19h, será exibido Medley, de Ana Luiza Azevedo. Na sequência, às 20h45, a programação traz novamente um dos títulos da mostra Bressane 80, Memórias de um Estrangulador de Loiras (1971), filme realizado por Júlio Bressane durante o seu exílio em Londres e que acompanha um serial killer que assassina ininterruptamente mulheres louras. A sessão tem entrada franca.


Uma noite em Pânico na Capitólio

Às 22h, a Cinemateca Capitólio celebra o Halloween com uma sessão especial de Pânico (Scream, 1996), de Wes Craven, que completa 30 anos em 2026. A exibição integra a já tradicional sessão de Halloween da Cinemateca e convida o público a reencontrar na tela grande um dos títulos marcantes do cinema de terror dos anos 1990.

Na pequena cidade de Woodsboro, um assassino em série passa a perseguir adolescentes, fazendo perguntas sobre filmes de terror às suas vítimas. As respostas podem determinar quem sobrevive. O filme de Craven, que anteriormente foi responsável pela direção de clássicos do gênero como Quadrilha de Sádicos (1977) e A Hora do Pesadelo (1984), combina suspense, violência e humor, brincando com as convenções do gênero ao mesmo tempo que constrói uma história de terror.

Os ingressos custam R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia) e estão à venda desde 24 de outubro, nos horários de bilheteria da Capitólio. A sessão é uma parceria com a Associação de Amigos e Amigas da Cinemateca Capitólio (AAMICCA) e o pagamento pode ser realizado via PIX.


Cinema Kabuki chega a Porto Alegre

Na quarta-feira (4), o JFF Discover Kabuki Tour, em parceria com a Fundação Japão, apresenta duas obras do teatro japonês filmadas: às 17h10, a comédia Migawari Zazen (The Zen Substitute), sobre um marido mulherengo e a uma esposa ciumenta; e, às 18h30, Renjishi, célebre pela dança dos leões e pelos movimentos expressivos de suas jubas. Das 19h30 às 20h30, o público também poderá participar gratuitamente da experiência corporal Kumadori, dedicada à caracterização visual do Kabuki.


GRADE DE HORÁRIOS

Semana 29 de outubro a 4 de novembro de 2026


29 de outubro (quinta-feira)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


30 de outubro (sexta-feira)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


31 de outubro (sábado)

14:00 – Dia Internacional da Animação/Mostra Infantil: Esperança, O Leaõ e o Rato, Vaca Amarela, O Jardim Mágico, O Chapéu do Zezéu, A Viagem de Tetê (entrada franca)

15:00 – Dia Internacional da Animação/Mostra Especial Mulheres – Dia Itinerante POA: Uma Menina, um Rio, A Rede, Daninha, Na Beira, A Tragédia do Lobo Guará, See, Posso Contar nos Dedos, O Projeto do Meu Pai (entrada franca) – 72 minutos

17:00 – Sessão Clássicos: Um Barco e Nove Destinos (entrada franca) – 97 minutos


19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

20:45 – Reprise Mostra Bressane 80: Memórias de um Estrangulador de Loiras (entrada franca) – 70 minutos

22:00 – Programação Especial Halloween: Pânico 30 Anos (R$ 20,00 e R$ 10,00) – 111 minutos


1º de novembro (domingo)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


3 de novembro (terça-feira)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley, sessão comentada com a diretora Ana Luiza Azevedo (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


4 de novembro (quarta-feira)

15:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

17:10 – Cinema Kabuki: Migawari Zazen (entrada franca) - 62 min.

18:30 - Cinema Kabuki: Kenjishi (entrada franca) - 55 min.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'OVERMAN'

Sinopse: O protagonista Overman (Caco Ciocler) é um super-herói em decadência, desempregado, endividado e vivendo escondido em uma pensão de terceira categoria, preso a uma profunda crise existencial e aos seus próprios excessos.

Quando o público geral pensa em quadrinhos brasileiros, imediatamente vem à mente a "Turma da Mônica". Porém, há HQs mais corajosas, cuja linguagem sintetiza os altos e baixos de um país sempre em conflito com governos, com o sistema capitalista e com uma luta de classes que até hoje não tem fim. Neste cenário, é preciso dar destaque à obra de Laerte Coutinho.

Criadora de tiras icônicas como "Piratas do Tietê", a cartunista teve seu universo levado ao cinema na animação "A Cidade dos Piratas" (2018), de Otto Guerra — filme que, revisto hoje, parece quase profético quanto ao que o Brasil enfrentaria nos anos seguintes. Entre suas criações mais memoráveis está o Overman, um super-ser repleto de problemas cotidianos com os quais qualquer brasileiro se identifica, o que fez da tirinha um sucesso cult imediato. Eis que chega agora aos cinemas "Overman" (2026), uma adaptação que vai na contramão das convenções do gênero.

Dirigido por Tomás Portella, o longa nos apresenta Overman (Caco Ciocler), um super-herói desempregado à beira de um colapso emocional e financeiro, buscando com todas as forças um propósito de vida. Tudo muda quando ele recebe uma proposta para trabalhar na Secretaria de Segurança Pública e enxerga ali a chance de colocar a vida nos eixos. Contudo, quando Pâmela, sua fiel ajudante, começa a se tornar tão famosa quanto ele, Overman precisa lidar com as crises de ego, além de descobrir que uma alta figura de autoridade pode estar prejudicando a cidade.

É fácil comparar o protagonista a outros personagens que fogem à regra básica do gênero, como o Deadpool. Em ambos os casos, são figuras que subvertem o heroísmo tradicional, mesmo quando se veem forçadas a se alinhar ao sistema para obter alguma redenção no meio do caminho. No caso de Overman, ele tenta colocar em prática seu lado heroico, mas sem alcançar no íntimo a realidade que desejava.

Tomás Portella constrói uma trama que coloca o personagem diante de um dilema existencial curioso e com o qual qualquer brasileiro se identificará. A veia criativa de Laerte está pulsante na tela, a ponto de certas situações absurdas se tornarem metáforas perfeitas daquilo que ouvimos em tempos turbulentos de um Brasil fragmentado. A ideia de retratar o vilão como o próprio sistema capitalista pode soar caricata à primeira vista, mas faz todo o sentido dentro do embate enfrentado pelo protagonista.

Caco Ciocler se destaca ao interpretar um personagem que poderia facilmente parecer ridículo em uma versão em live-action. O ator captou com perfeição o tom da obra: visualmente e em sua personalidade sarcástica, o Overman da tela é extremamente fiel às tiras, sem deixar de lado pontuais momentos de ousadia. Claro que o espectador habituado ao lado mais comercial e higienizado do gênero achará o longa estranho, mas é justamente esse estranhamento que o torna um ponto fora da curva em uma época em que os filmes de super-heróis já tiveram dias mais gloriosos.

"Overman" é uma ótima adaptação da obra de Laerte Coutinho, provando que também temos nossos próprios heróis nos quadrinhos — mas com um tempero e um caldo genuinamente brasileiros.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 29/10 A 04/11

 Dia 29 de outubro estreia MEDLEY no CineBancários, que terá também sessões de pré-estreia do premiado FEITO PIPA

Mel Maia vive jovem nadadora em novo longa de Ana Luiza Azevedo que estreia na sessão das 19h; Feito Pipa, filme premiado no Festival de Gramado com Lázaro Ramos, ganha duas sessões de pré-estreia no final de semana

O universo da adolescência volta a cruzar o caminho de Ana Luiza Azevedo em Medley, novo filme da cineasta que estreia em 29 de outubro no CineBancários. O reencontro da diretora gaúcha com o tema acontece mais de 15 anos depois de Antes que o Mundo Acabe, seu primeiro e premiado longa-metragem. Desta vez, ela traz Mel Maia no papel de Lola, uma jovem e talentosa nadadora que vive em conflito com a mãe e precisa mergulhar no próprio passado para lidar com um trauma familiar.

Um coming of age sobre superação e autodescoberta, a história de Medley se passa no interior do estado do Rio de Janeiro, nos anos 90. Na trama, é ali que os pais da protagonista se conheceram e onde estão algumas das pistas que ajudam a explicar segredos do passado da família. O filme é uma adaptação do livro Medley ou Os Dias em Que Aprendi a Voar, da escritora Keka Reis, nome de destaque da literatura infantojuvenil brasileira. A própria autora assina o roteiro, com consultoria de Carolina Kotscho. Inspirada na história pessoal de sua vida, Keka teve a ideia de escrever o livro depois que o projeto do filme avançou e entrou em desenvolvimento.

O filme foi selecionado para o LA FEMME International Film Festival 2026, um dos mais tradicionais festivais de cinema feminino do mundo, que acontece no mês de outubro em Los Angeles.

Como a personagem que interpreta, Mel também começou a carreira bem cedo. “Mel atua desde criança e tem uma sensibilidade incrível. É um talento que fala pelo olhar”, afirma a diretora. A atriz cresceu diante das câmeras e viveu papéis de destaque desde os primeiros trabalhos, como Rita, de Avenida Brasil. Sobre a experiência de viver Lola, Mel destaca o que aprendeu com a personagem: “A Lola me ensinou muita coisa. Me ensinou a ter mais dedicação, a encarar os medos e principalmente a lidar com os sentimentos mais difíceis”, conta.

O filme ainda traz no elenco Mariana Lima, André Ramiro e Leona Cavalli, além de Guthierry Sotero e Alana Cabral.

FEITO PIPA tem pré-estreia no Bancários

“Feito Pipa”, longa-metragem dirigido por Allan Deberton, ganha duas sessões de pré-estreia no CineBancários, às 19h dos dias 31 de outubro, sábado, e 1º de novembro, domingo. Estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, o filme estreou na Berlinale 2026, onde conquistou dois prêmios, e passou por importantes festivais internacionais, entre eles o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México e o Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (FICCI), na Colômbia, onde também foi premiado.

"Feito Pipa" acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino de quase 12 anos apaixonado por futebol que vive ao lado da avó Dilma (Teca Pereira), responsável por criá-lo de maneira livre e afetuosa. Ele vive seu primeiro desafio quando precisa encarar a possibilidade de morar com o pai (Lázaro Ramos), um homem incapaz de expressar seus sentimentos. Rodado em Quixadá, no sertão do Ceará, o filme constrói uma narrativa delicada sobre amadurecimento, pertencimento, afeto e liberdade. O elenco conta também com Carlos Francisco (O Agente Secreto) e Georgina Castro (O Céu de Suely).

Desde sua estreia mundial em Berlim, em fevereiro deste ano, "Feito Pipa" vem construindo uma das mais expressivas trajetórias internacionais do cinema brasileiro em 2026. O longa conquistou os dois principais prêmios da mostra Generation Kplus, o Crystal Bear (Urso de Cristal), concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional, tornando-se um dos grandes destaques do festival alemão. Na sequência, o filme abriu o Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (FICCI), na Colômbia, onde também recebeu o prêmio de Melhor Interpretação para o jovem ator Yuri Gomes. Logo depois, conquistou mais dois importantes reconhecimentos no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México: Prêmios Maguey de Melhor Filme e Melhor Interpretação para Yuri Gomes e Teca Pereira. Ao todo, "Feito Pipa" já soma cinco prêmios internacionais e passou por importantes festivais na Suíça, China, Itália, Estados Unidos e Israel.

PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 29 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO


ESTREIA:


MEDLEY

Brasil/Ficção/2025/ 96min.

Direção: Ana Luiza Azevedo

Sinopse: A jovem Lola vive em conflito com a mãe e carrega o trauma da ausência  do pai, de quem guarda poucas lembranças. Ao viajar sozinha nas férias para uma cidade do interior, ela entra para uma equipe de natação competitiva e, enquanto tenta vencer o bloqueio que a impede de nadar no estilo borboleta, embarca em uma jornada de autodescoberta que revela segredos do passado de sua família.

Elenco: Mel Maia, Guthierry Sotero, André Ramiro, Alana Cabral, Mariana Lima


PRÉ-ESTREIA:


FEITO PIPA

Brasil/Ficção/2026/ 93min.

Direção: Allan Deberton

Sinopse: Gugu é um menino de quase 12 anos, sonhador e apaixonado por futebol, que vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. A relação do garoto com o pai Batista é difícil, feita de ausências, expectativas e afetos não ditos. Avó e neto moram sozinhos ao lado da barragem de Araújo Lima que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família.

Elenco: Yuri Gomes (Gugu), Lázaro Ramos (Batista), Teca Pereira (Dilma), Georgina Castro, Castro Francisco, e apresentando as crianças Luan Vasconcelos, Beatriz Carwile, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo.

EM CARTAZ:


MESTRE ZU

Brasil/Documentário/2026/70min.

Direção: Zelito Viana

Sinopse: Em um encontro na casa do cineasta Zelito Viana, jornalistas, familiares e amigos que conviveram e trabalharam com Zuenir Ventura revisitam memórias e episódios que marcaram sua trajetória. Entre lembranças, histórias de redação, bastidores da imprensa e discussões sobre sua obra literária, o documentário traça um retrato de um dos nomes mais respeitados do jornalismo brasileiro, cuja trajetória se confunde com a própria história recente do país.


ROSEBUSH PRUNING

Reino Unido/ Drama/ 2025/94min.

Direção: Karin Ainouz

Sinopse: Sob o sol da Catalunha, quatro irmãos norte-americanos vivem com o pai cego em uma mansão, entregues ao isolamento, à fortuna herdada, às roupas de grife e a uma relação de dependência mútua. Quando Jack, o irmão mais velho e pilar da família, anuncia que vai morar com a namorada Martha, o frágil equilíbrio começa a ruir. Enquanto Ed investiga a verdade sobre a morte da mãe, antigos segredos e mentiras vêm à tona, desintegrando os laços familiares. Estreia mundial na Competição Oficial do Festival de Berlim 2026.

Elenco: Pamela Anderson, Elle Faning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Lukas Gage, Elena Anaya e Tracy Letts.



HORÁRIOS DIAS 29 e 30 de OUTUBRO e 03 e 04 de NOVEMBRO:

15h: ROSEBUSH PRUNING

17h: MESTRE ZU

19h: MEDLEY


HORÁRIOS DIAS 31 de OUTUBRO e 01 de NOVEMBRO (sábado e domingo):

15h: MESTRE ZU

17h: MEDLEY

19h: FEITO PIPA (Pré-estreia)


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Cara-de-Barro'

Sinopse: Um ator desfigurado se transforma em uma entidade mutante cujo corpo é feito inteiramente de argila.

Batman é um dos heróis mais complexos das histórias em quadrinhos. Por conta disso, era preciso ter uma galeria de vilões que representasse um verdadeiro desafio para o Homem-Morcego e o fizesse encarar os seus próprios limites. Não à toa, o personagem possui uma das melhores galerias do gênero, composta por figuras trágicas e densas que nos levam à reflexão.

Nomes ilustres como Coringa, Pinguim e Duas-Caras nasceram de tragédias que beiram o realismo, fazendo com que o leitor compreenda os motivos que os levaram ao lado sombrio da condição humana. Há também os vilões do chamado segundo escalão, mas que ganharam enorme reconhecimento ao longo dos anos. "Cara-de-Barro" (2026) é talvez o maior "estranho no ninho" desta nova leva de filmes da Warner/DC, mas prova que esses personagens merecem ser explorados, desde que a adaptação vá muito além do convencional.

Dirigido por James Watkins ("Não Fale Mal", 2024), o longa conta a história de Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão que tem seu rosto brutalmente desfigurado por um chefão de Gotham City. Abandonado por empresários e sem nada a perder, Matt busca um tratamento estético radical e clandestino. A substância restaura sua antiga aparência, mas o procedimento traz efeitos colaterais devastadores, fazendo com que seu rosto e corpo mudem de forma como se fossem feitos de argila.

Embora o personagem tenha tido quatro versões diferentes nos quadrinhos, o Cara-de-Barro se tornou popular mesmo na clássica série animada "Batman: A Série Animada" (1992), cujos efeitos impressionam até hoje. Essa versão com certeza serviu de inspiração para a nova adaptação, ainda que James Watkins tenha bebido da fonte do recente sucesso "A Substância" (2024) — ambos os filmes exploram o horror corporal e nos brindam com cenas de puro gore. Em ambos os casos, a trama aborda o lado tóxico do estrelato, onde a aparência perfeita dita as cartas e cobra um preço alto.

Matt Hagen é uma representação dos astros contemporâneos, cujo talento acaba ofuscado pela beleza — o que torna sua mutilação pela máfia uma verdadeira tragédia grega. Porém, é interessante observar a ambiguidade apresentada já no primeiro ato, sugerindo que sua ruína pessoal já estava em curso há muito tempo. Ponto para Tom Rhys Harries: o intérprete, que vinha atuando como coadjuvante em títulos recentes como "O Retorno" (2024), aqui carrega o filme nas costas com elegância e grande intensidade nas cenas mais exigentes.

As sequências em que ele aos poucos vai se transformando em algo que inicialmente não compreende promovem um belo casamento entre atuação e recursos de maquiagem de ponta — que seria uma injustiça não ver lembrados no Oscar. No aspecto técnico, é impressionante como Watkins constrói o personagem sem depender excessivamente de efeitos digitais. O CGI pode até ter sido usado em pontas, mas o que salta aos olhos é o bom e velho cinema artesanal: jogos de câmera, truques de sombra e uma edição digna de nota. A cena da boate, onde acontece o ápice do filme, é um belo exemplo de como filmar ação entrelaçada com suspense e horror.

Haverá, com certeza, quem se incomode pelo fato de os coadjuvantes não se destacarem tanto em cena, sendo a Dra. Caitlyn Corr (Naomi Ackie) o único ponto de apoio dessa ala. Sua personagem não apenas desenvolve a fórmula que muda radicalmente a vida do protagonista, como também se torna seu interesse amoroso, ganhando passagens que remetem ao clássico "A Mosca" (1986). Embora a relação não seja profundamente explorada, os minutos finais da dupla compensam essa lacuna.

Ainda sobre os coadjuvantes, é fascinante notar que eles só sobressaem de fato quando deixam de ser eles mesmos — ou seja, quando Matt Hagen os mata e assume suas identidades. O grande destaque fica novamente para a sequência da boate, na qual diversos intérpretes emulam Hagen em cena com impecável precisão. São momentos que também remetem ao clássico "Darkman: Vingança Sem Rosto" (1990), de Sam Raimi, com o qual a premissa guarda visíveis similaridades.

No saldo geral, o filme não é apenas mais uma adaptação de HQ, mas um belo exemplar do horror à moda antiga, no qual simpatizamos com o lado trágico do personagem enquanto nos damos conta de que sua queda para a escuridão é um caminho sem volta. Resta saber se a Warner/DC continuará com a coragem de ousar sem se refazer em fórmulas desgastadas. "Cara-de-Barro" nos dá a exata dimensão do potencial que certos personagens podem alcançar quando transpostos para a grande tela com autoria.

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Cine Dica: Programação especial homenageia Helena Ignez e Djin Sganzerla

De 26 a 30 de outubro, a Sala Redenção celebra uma das atrizes e diretoras mais importantes do país, Helena Ignez, e a filha, Djin Sganzerla, com a minimostra “Atoras” — neologismo criado por Helena para definir as mulheres que, assim como ela e Djin, transitam entre a atuação e a direção, no cinema e no teatro. A entrada é gratuita e aberta à comunidade em geral. A minimostra inicia no dia 26, às 16h, com “Ralé” (2015), dirigido por Helena Ignez. Simultaneamente filosófica e musical, a produção — que conta com Ney Matogrosso no elenco — atualiza o espírito do cinema marginal dos anos 1970 para celebrar a liberdade e a individualidade sexuais.

Já em “A mulher de todos” (1969), Helena interpreta a protagonista Ângela Carne-e-Osso, uma ninfomaníaca que devora ferozmente os homens. A sessão do dia 26 de outubro, às 19h, é seguida de conversa com Daniela Strack, pesquisadora da obra de Ignez, e Juliana Costa, membro-fundadora do Cineclube Academia das Musas, dedicado à pesquisa e difusão de cinematografias de cineastas mulheres. Completa a programação “Eclipse” (2025), segundo longa-metragem de Djin Sganzerla. O filme parte da convivência transformadora entre duas irmãs para refletir sobre as marcas da violência patriarcal e colonial.

A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. A minimostra “Atoras” tem apoio de Mercúrio Produções.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sábado, 24 de outubro de 2026

NOTA: COM A PALAVRA O SENHOR CHARLES CHAPLIN

 

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