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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Cine Especial: Revisitando 'A Hora da Zona Morta'

Muitos filmes que assisti quando criança me marcaram bastante, principalmente pelo fato de eu não estar preparado para eles. Em alguns casos, foram longas que vi no Supercine, da Rede Globo, e que assisti acompanhado de minha mãe, que fazia questão de estar ao meu lado nessas sessões. "A Hora da Zona Morta" (The Dead Zone, 1983) foi um desses títulos que me pegaram desprevenido e que, com o passar do tempo, só cresceram na minha memória.

Dirigido pelo mestre David Cronenberg e baseado na obra de Stephen King, o filme conta a história de Johnny Smith (Christopher Walken), um professor de literatura prestes a se casar que sofre um grave acidente de carro e fica cinco anos em coma. Ao recobrar a consciência, descobre que perdeu sua carreira e sua noiva, Sarah Bracknell (Brooke Adams). Em contrapartida, adquiriu poderes paranormais que lhe permitem ver o futuro. Ele passa a ter a capacidade de alterar o curso dos acontecimentos, o que estabelece seu grande dilema: interferir ou sofrer sozinho ao antever as tragédias prestes a acontecer?

Entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, as obras literárias de Stephen King eram adaptadas em profusão para o cinema, alcançando enorme sucesso — movimento impulsionado pelo impacto de "Carrie, a Estranha" (1976). No entanto, ficou célebre o atrito entre o escritor e o diretor Stanley Kubrick ao adaptar "O Iluminado" (1980), já que o longa se distanciou da fonte original para se tornar uma obra mais autoral do cineasta do que do próprio autor. Esperava-se, portanto, que a direção de David Cronenberg pudesse ter um destino semelhante, mas não foi exatamente o que ocorreu.

Vindo de uma carreira construída com produções autorais marcantes, como "Videodrome - A Síndrome do Vídeo" (1983), assumir uma adaptação de um escritor tão popular poderia não parecer o território mais propício para um realizador de estilo tão vincado. Contudo, é fascinante notar como o longa funciona perfeitamente como adaptação. Quem leu o livro reconhecerá diversas passagens transpostas fielmente para a tela, ainda que certas tramas tenham sido sintetizadas — caso do romance entre o protagonista e sua noiva, que teve o tempo de tela reduzido. A meu ver, o realizador optou por focar na dimensão humana de um homem que acorda do coma após anos e descobre um dom que pode ajudar os outros, mas ao custo de um fardo devastador.

Em vez de adentrar o gênero fantástico de forma imediata, Cronenberg prefere ancorar os personagens em um território de forte realismo dramático. Por conta disso, nos simpatizamos genuinamente com o protagonista: temos tempo de conhecê-lo antes do famigerado acidente. A partir do momento em que ele acorda, ficamos cada vez mais intrigados com suas dores e com os limites a que esse dom o levará.

Com uma estética de contornos góticos — muito característica do suspense e do horror da época —, o longa ostenta um visual elegante e mórbido que continua a fascinar. Não envelheceu; pelo contrário, apurou-se como um bom vinho. Destaco a sequência em que o protagonista investiga o assassinato de uma jovem em uma praça, cuja revelação sobre o culpado choca até hoje. Lembro-me perfeitamente do impacto da cena da tesoura — e quem já assistiu ao filme sabe do que estou falando.

Vindo de uma ascensão meteórica após ser agraciado com o Oscar de Ator Coadjuvante por "O Franco Atirador" (1978), Christopher Walken nos brinda com uma interpretação marcante. Seu Johnny Smith é uma figura tragicamente presa a uma dádiva que só lhe traz dor, enquanto busca desesperadamente entender o propósito de sua condição. Curiosamente, a resposta para o seu tormento surge na figura do candidato a presidente Greg Stillson.

Era o início dos anos 1980, e o mundo ainda vivia sob a sombra da Guerra Fria. O presidente era Ronald Reagan, ex-ator que prometia uma nova utopia ao povo americano enquanto desgastava a nação em conflitos geopolíticos e econômicos. O Greg Stillson apresentado na trama não é apenas uma caricatura megalomaníaca do cenário reaganista, mas também um anteparo profético de lideranças populistas e de extrema-direita, tornando esse trecho do filme mais atual do que nunca. Martin Sheen brilha ao interpretar um sujeito consumido por suas próprias ambições, mestre em persuadir uma multidão sedenta por falsas promessas.

O desfecho surge de forma abrupta, porém extremamente corajosa para os padrões da época, marcando profundamente minha infância. Vale lembrar que o livro ganhou outra adaptação anos mais tarde, desta vez para a TV na série "O Vidente" (2002–2007), embora sem alcançar o status cult que o filme de Cronenberg consolidou com o tempo. Outra curiosidade instigante: no início do longa, Johnny sugere aos seus alunos a leitura de "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça"; anos depois, em 1999, o próprio Christopher Walken interpretaria o lendário vilão na adaptação dirigida por Tim Burton.

Lançado no Brasil em uma apurada edição física pela Obras Primas do Cinema, "A Hora da Zona Morta" é um verdadeiro sobrevivente ao teste do tempo — e uma daquelas obras inesquecíveis que marcaram a minha juventude.


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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema: "Corra, Lola, Corra" (15/08) no Instituto Goethe

Neste sábado (15/08), o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne às 10h15 da manhã no auditório do Instituto Goethe para uma exibição do cult Corra, Lola, Corra, de Tom Tykwer.

Combinando ação, romance, animação e experimentação narrativa, o filme acompanha Lola, uma jovem que recebe um telefonema desesperado de seu namorado, Manni. Ele perdeu uma grande quantia de dinheiro e precisa recuperá-la em apenas 20 minutos. A partir daí, ela precisa atravessar as ruas de Berlim em uma corrida contra o tempo, enquanto pequenos acontecimentos parecem ser capazes de alterar o rumo da história.


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 15/08, às 10h15 da manhã

📍 Local: Instituto Goethe -

Rua 24 de Outubro, 112 - Moinhos de Vento, Porto Alegre

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


Corra, Lola, Corra (Lola rentt)

Alemanha, 1998, 81min

Direção e roteiro: Tom Tykwer

Elenco: Franka Potente, Moritz Bleibtreu, Herbert Knaup, Armin Rohde

Sinopse: Lola recebe um telefonema do namorado Manni, que perdeu uma grande quantia de dinheiro e precisa recuperá-la em apenas vinte minutos. Ela parte então em uma corrida desesperada por Berlim, numa tentativa de evitar que ele cometa um ato irreversível.

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (13/08/26)

 O FIM DA RUA

Sinopse: Após um misterioso evento cósmico arrancar a Rua Oak do subúrbio e transportar o bairro para um lugar desconhecido, a família Platt logo descobre que sua sobrevivência depende de permanecerem unidos enquanto enfrentam um ambiente agora irreconhecível.


A MORTE DE ROBIN HOOD

Sinopse: Heróis se vão. Lendas são para sempre. Atormentado pelas cicatrizes de uma vida marcada pelo crime, Robin Hood (Hugh Jackman) sobrevive por pouco àquela que acreditava ser sua batalha final. Gravemente ferido, ele é encontrado por uma mulher misteriosa que o recolhe das sombras e passa a cuidar de seus ferimentos. Com o corpo fora de combate, cada erro cometido no passado volta para assombrá-lo.


PATRULHA CANINA: UMA AVENTURA DINO

Sinopse: A maior aventura que a nossa Patrulha favorita já enfrentou! 

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito'

Sinopse: Tanjiro e os Hashira entram em uma batalha final colossal. Após o líder do Esquadrão de Caçadores ficar em perigo, eles avançam até a base secreta, mas acabam sugados para o misterioso e distorcido labirinto da fortaleza de Muzan Kibutsuji, dando início à guerra definitiva.

Foi-se o tempo em que as maiores bilheterias mundiais pertenciam exclusivamente ao território norte-americano. A animação chinesa "Ne Zha 2: O Renascer da Alma" (2025) impressionou o mundo ao ultrapassar a marca de dois bilhões de dólares em bilheteria, provando a força avassaladora do mercado audiovisual chinês. Por sua vez, o anime japonês "Demon Slayer: Castelo Infinito" (2025) não apenas dá continuidade a uma franquia de estrondoso sucesso, mas fortalece ainda mais a presença da cultura pop do Terra do Sol Nascente no cenário global.

Dirigido por Haruo Sotozaki, o longa retoma a trajetória do jovem Tanjiro, que descobre que sua família foi exterminada por criaturas demoníacas conhecidas como Onis, e cuja irmã acabou transformada em uma dessas entidades. Ele se junta à organização dos Caçadores de Demônios determinado a curar a irmã e derrotar o responsável por essa tragédia. Durante essa jornada, o grupo é lançado para o interior da fortaleza mutável de Muzan Kibutsuji, deflagrando o confronto final.

Com quatro temporadas já consolidadas entre o público otaku e amante da cultura pop, a expansão do universo de Demon Slayer para as telonas era questão de tempo. A escolha dos realizadores em adaptar o clímax da história como uma trilogia cinematográfica iniciada por este filme provou-se um acerto monumental. Estamos presenciando uma nova era dos animes no cinema; poucas vezes se viu um fenômeno de público desse porte, mesmo resgatando precedentes históricos como o aclamado "A Viagem de Chihiro" (2001).

Trata-se, contudo, de uma experiência melhor aproveitada por quem já acompanha a série de TV. O filme não perde tempo e lança os protagonistas diretamente no epicentro da ação, o que pode exigir um esforço extra de adaptação do espectador de primeira viagem. Ainda assim, a direção é ágil ao inserir flashbacks pontuais para os personagens principais, construindo uma camada emocional genuína a partir de origens trágicas. A sequência de combate entre Tanjiro e Akaza é espetacular — com este último praticamente assumindo o protagonismo no ato final ao ter seu passado sombrio revelado.

Esteticamente, a produção ostenta um dos visuais mais deslumbrantes do cinema recente. O desenho arquitetônico da fortaleza distorcida não fica devendo em nada a concepções como a Dimensão Espelhada de "Doutor Estranho" (2016) ou o universo dos sonhos de "A Origem" (2010). O grande mérito da Ufotable está em mesclar a linguagem da animação tradicional ao topo da tecnologia em computação gráfica (CGI), conferindo peso e tridimensionalidade a cada movimento.

Para quem cresceu assistindo a clássicos como "Os Cavaleiros do Zodíaco", o longa é um prato cheio ao explorar guerreiros que canalizam forças elementares em combate. O resultado são sequências de ação que operam como um verdadeiro balé: uso preciso da câmera lenta, cortes árabes, giros espaciais audaciosos e uma paleta de cores vibrante que arremata a fotografia. Tudo isso profundamente enraizado na tradição cultural japonesa, ainda que envelopado pelo gênero da alta fantasia.

O único ponto negativo é a inevitável ansiedade pela espera dos dois capítulos seguintes. Até lá, o filme certamente terá angariado uma nova legião de admiradores, impulsionando a busca tanto pela série animada quanto pelos mangás originais. Se as continuações mantiverem esse nível de apuro técnico e dramático, cada segundo de espera terá valia.

"Demon Slayer: Castelo Infinito" consolida-se como uma das maiores e mais gratificantes surpresas do ano, demonstrando que o alcance do cinema de animação japonês definitivamente não possui mais fronteiras.

Onde Assistir: Crunchyroll

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Cine Dica: Cinesemana de 13 a 19 de agosto de 2026

A cinesemana de 13 a 19 de agosto traz a aguardada estreia de ACAMPAMENTO MIASMA: SEXO, ADOLESCÊNCIA E MORTE, o terror slasher dirigido por Jane Schoenbrun e que lotou a sessão de pré-estreia realizada no final de semana passado. Outro destaque é HONESTINO, misto de documentário e ficção que recupera a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil sequestrado pela ditadura militar brasileira. Também recebemos a MOSTRA DO CINEMA PERNAMBUCANO, que reúne quatro longas restaurados em 4k e representativos de várias décadas da produção de diretores de Pernambuco.

Seguem em cartaz CHAMPAGNE: UMA VIAGEM DE PAI E FILHO, do diretor holandês Tim Kamps, que faz um relato emocionante do reencontro entre um pai doente e seu filho distante, e YUNAN, do diretor sírio Ameer Fakher Eldin, sobre um escritor que busca um sentido para sua vida em uma ilha remota. Em terceira semana, A PROFESSORA DE PIANO, com Isabelle Huppert, completa 25 anos e reforça a direção hábil de Michael Haneke na abordagem da psique humana.

A programação da semana segue com filmes prestigiados, incluindo O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, sobre dois casais que discutem as relações, e FRANZ, da polonesa Agnieszka Holland, sobre a trajetória do escritor Franz Kafka.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 13 A 19 DE AGOSTO

 Filmes nacionais “Honestino” e “Rio de Clarice” estreiam em 13 de agosto no CineBancários

O CineBancários apresenta duas estreias nacionais no dia 13 de agosto: HONESTINO, documentário dirigido por Aurélio Michiles sobre o líder estudantil, ex-presidente da UNE e aluno da UnB, Honestino Guimarães, desaparecido durante a ditadura militar brasileira aos 26 anos, e RIO DE CLARICE, longa que traz cinco contos de Clarice Lispector, estrelado por 18 grandes nomes da dramaturgia.

Produzido por Nilson Rodrigues, HONESTINO propõe uma reflexão sobre memória, justiça e o legado de um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado no Brasil. Mistura de documentário e ficção, reconstitui a trajetória do jovem por meio de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos, políticos e companheiros de militância, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. A narrativa também ganha uma dimensão contemporânea com a participação de Bruno Gagliasso, que conduz parte da história e aproxima o público de uma figura cuja trajetória permanece atual mais de cinco décadas após seu desaparecimento.

Preso em 1973, Honestino Guimarães nunca mais foi visto. Mesmo após o reconhecimento oficial de sua morte pelo Estado brasileiro, seu corpo jamais foi encontrado. Sua história tornou-se um símbolo da luta pela memória, pela verdade e pela justiça em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar.

Premiado com o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio, HONESTINO também foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e para o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos. No 20º Fest Aruanda, conquistou os prêmios de Melhor Longa Nacional pelo Júri Popular, Melhor Edição, o Prêmio Abraccine de Melhor Longa-Metragem e o Prêmio Vladimir Carvalho, concedido ao melhor documentário do festival.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=MSRNclptwjY


Em RIO DE CLARICE, mulheres comandam atrás e na frente das câmeras: o projeto é estruturado em histórias independentes, dirigidas por cinco cineastas brasileiras, Maria Luiza Aboim, Eunice Gutman, Nicole Allgranti, Taciana Oliveira e Barbara Kahane, que exploram as epifanias, as angústias e a fragilidade das relações humanas, marcas registradas da literatura clariceana. O roteiro é assinado por Nicole Allgranti, sobrinha-neta da escritora, e Teresa Montero, biógrafa de Clarice Lispector e uma das maiores pesquisadoras de sua vida e obra.

A complexidade psicológica, a visão de mundo única e o cotidiano transformador da obra de Clarice Lispector (1920-1977) ganham uma nova dimensão nas telas.

“Um dos grandes desafios desse projeto foi traduzir para a tela do cinema a intensidade psicológica e as epifanias do cotidiano que marcam a obra da Clarice. O filme é um mergulho muito fiel na complexidade humana dessas personagens e dessas histórias”, destaca Nicole Allgranti.

Conheça os cinco contos retratados no filme:


Feliz Aniversário

Sob a direção de Maria Luiza Aboim, o segmento acompanha a tensa comemoração dos 89 anos de Dona Anita. Reunidos mais por obrigação do que por afeto, filhos, noras, genros e netos deixam transparecer ressentimentos e hipocrisias que contrastam fortemente com a atmosfera festiva. É um retrato cru sobre a solidão da velhice e a fragilidade dos laços familiares.

Elenco principal: Louise Cardoso, Lucélia Santos, Madhia, Luiz Octavio Moraes e Ilana Pogrebinschi.


Mal-estar de um Anjo

Dirigido por Eunice Gutman, o episódio traz a personagem Anjo — a figura que mais se aproxima da própria Clarice Lispector. Após sair do psicanalista sob forte chuva, ela pega um táxi, mas a viagem toma um rumo inesperado quando uma "Invasora" implora por carona. Ao ceder, Anjo vê a estranha tentar dominar a situação e mudar o itinerário, instaurando um intenso conflito psicológico.

Elenco principal: Letícia Spiller, Gabrielle Farias, Dora Pellegrino e Bruno Barbosa.


A Bela e a Fera ou A Ferida Grande Demais

A direção de Nicole Allgranti apresenta Carla de Souza Campos: rica, segura, mas infeliz com o casamento. Após um imprevisto com seu motorista, Carla se aventura em uma Kombi e acaba em uma rodoviária pobre. Desesperada ao perder o celular em um bueiro e o contato com seu mundo de privilégios, ela é acolhida por uma mendiga que a convida para tomar chá, promovendo um forte choque de realidades.

Elenco principal: Guida Vianna, Letícia Isnard e Freddy Assis Ribeiro.


Amor

Dirigido por Taciana Oliveira, o conto acompanha Hanna. Presa a uma rotina entediante e dedicada à família, ela se distrai no bonde observando um cego, perde o ponto e desce em frente a um parque deslumbrante. Imersa na natureza, vivencia uma epifania de autodescoberta. A magia se desfaz quando percebe que os portões do parque fecharam. Nesta adaptação inovadora, a história foi transposta para o contexto de uma família judaica ortodoxa.

Elenco principal: Bia Sion e Julio Levy.


Preciosidade

Com direção de Barbara Kahane, a história narra a trajetória de uma jovem criada pela empregada devido à ausência constante do pai. Durante o trajeto para a escola, ela sofre um assédio, ato de violência que a lança em um profundo processo de dor, mas que também atua como um catalisador doloroso para o seu amadurecimento como mulher.

Elenco principal: Karolyna Mendes, Duaia Assumpção, Hugo Bonèmer e Flávio Bauraqui.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=860kR3zgKbY


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 13 a 19 DE AGOSTO


ESTREIAS:


RIO DE CLARICE

Brasil/Drama/2025/

Direção: Taciana Oliveira, Barbara Kahane, Eunice Gutman, Nicole Allgranti e Maria Luiza Aboim.

Sinopse: Longa-metragem brasileiro que adapta cinco contos clássicos de Clarice Lispector para o cinema. O filme foi dirigido por uma equipe de cinco cineastas mulheres e explora temas como família, identidade, desejo e epifanias femininas. A obra é composta por cinco segmentos independentes:

Amor (dirigido por Taciana Oliveira): A clássica história da epifania de uma dona de casa que, da janela do ônibus, vê um homem cego mascando chiclete. Preciosidade (dirigido por Barbara Kahane): Retrata a trajetória de uma jovem em processo de amadurecimento após lidar com a ausência paterna e um episódio de violência/assédio. Mal-estar de um Anjo (dirigido por Eunice Gutman): Um mergulho psicológico na vida de uma mulher que, após uma sessão de terapia, é confrontada por conflitos internos. A Bela e a Fera ou uma Ferida Grande Demais (dirigido por Nicole Allgranti): Abordagens sobre a dualidade, o desejo e a essência feminina através da lente única da autora. Feliz Aniversário (dirigido por Maria Luiza Aboim): Uma reunião familiar tensa e dramática pelos 89 anos de Dona Anitta, revelando mágoas e fissuras nas relações.

Elenco: Letícia Spiller, Letícia Isnard, Louise Cardoso, Lucélia Santos e Hugo Bonemer


HONESTINO

Brasil/Documentário-Drama/2025/ 86min.

Direção: Aurélio Michiles

Sinopse: Fusão entre documentário e ficção, o filme conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração 1968, presidente da UNE e aluno da UnB. Preso cinco vezes por sua militância, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, e é uma das centenas de desaparecidos da ditadura militar. Baseado em cartas, poemas e imagens de arquivo, dezenas de depoimentos de familiares, amigos e militantes e cenas interpretadas por Bruno Gagliasso. 

Elenco: Bruno Gagliasso


EM CARTAZ:


CHAMPAGNE – UMA VIAGEM DE PAI E FILHO

Holanda/drama/2025/92 min.

Direção: Tim Kamps

Sinopse: Quando Maarten descobre que seu pai está com uma doença terminal, ele o leva em uma última viagem à região de Champagne, na França. Com conversas tensas e velhos padrões ressurgindo, eles se conectam através de refeições compartilhadas e pequenos momentos inesperados que, aos poucos, os aproximam.

Elenco: Leo Alkemade (Maarten), Huub Stapel (Hans), Beppie Melissen (Sophie) e Jennifer Hoffman (Loes)


HORÁRIOS DE 13 a 19 DE AGOSTO

(não há sessões nas segundas)


15h: CHAMPAGNE – UMA VIAGEM DE PAI E FILHO

17h: RIO DE CLARICE

19h: HONESTINO


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'A Casa do Dragão - 3ª Temporada'

Sinopse: Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) alcança o objetivo pelo qual tanto lutou: o Trono de Ferro. No entanto, a vitória revela-se muito mais amarga do que esperava.

O tempo é a principal peça em relação a tudo e, perante a arte de contar histórias, não é diferente — seja no cinema ou nas séries de TV. O livro "Fogo & Sangue", escrito por George R. R. Martin, se tornou o principal alvo da HBO desde que "Game of Thrones" foi encerrada, fazendo muitos fãs se perguntarem como seria o formato da adaptação. O resultado foram, até agora, três temporadas, sendo que a quarta será a última.

Olhando para trás, percebe-se um certo erro de cálculo ao estender por tantas temporadas uma obra baseada em um único livro, visto que o segundo ano mais parecia a construção do que viria mais adiante. É exatamente essa a sensação que tive com esta terceira temporada, que já começa a todo vapor com a famosa "Batalha da Goela" — desde já um dos confrontos mais sangrentos de Westeros, resultando em perdas irreversíveis. Isso afeta Rhaenyra Targaryen de forma fulminante, fazendo com que a sua conquista pelo trono se torne ainda mais dramática e brutal.

Emma D'Arcy consegue construir muito bem para sua personagem alguém à beira do colapso mental perante a responsabilidade de obter o trono, tendo que pagar um alto preço e carregar um peso incalculável. Pode-se dizer que, daqui em diante, a Rhaenyra que conhecíamos de uma forma até então inocente dá lugar, aos poucos, a uma personagem com um ar de ambiguidade, fazendo com que a gente testemunhe sua entrega gradativa à escuridão contra a qual tanto lutou. Pelo visto, a família Targaryen está condenada a conviver com a loucura nascida do poder e do peso da responsabilidade em abundância.

Do outro lado da moeda temos Aegon, vivido intensamente pelo jovem ator Tom Glynn-Carney. Aqui temos um personagem se reerguendo das cinzas aos poucos e provando não ser inútil, mas sim sabendo usar o seu lado desalmado na hora certa. Daemon Targaryen, interpretado novamente por Matt Smith, nos brinda não somente com uma grande atuação, mas também protagonizando as melhores cenas de luta com espada até este momento da série, provando ser o verdadeiro e fiel braço direito da rainha. E, como não poderia deixar de ser, a série carrega novamente aquele velho jogo político, onde alianças e traições correm a todo vapor, tornando a trama ainda mais imprevisível.

E se alguns ainda estavam reclamando da falta de ritmo, pode-se dizer que o último episódio desta temporada é uma aula de como se elabora uma bela história alinhada com muita ação do gênero fantástico e épico na medida certa. Dirigido por Andrij Parekh (da série "Watchmen", de 2019), o realizador elabora cenas maravilhosas, como aquela em que Rhaenyra Targaryen discursa perante o seu povo enquanto o seu exército se prepara para a Batalha de Tumbleton, tudo embalado por uma bela trilha sonora. Aliás, essa batalha entra facilmente entre os momentos mais violentos e sangrentos da série, cujos atos e consequências nos levam para um caminho sem volta.

Em suma, a terceira temporada termina de forma mais do que satisfatória, com uma linguagem cinematográfica tão elaborada por seus criadores que nos faz desejar assisti-la em uma tela grande. Mas estamos falando do universo dos Sete Reinos, onde ninguém está a salvo, fazendo-nos temer ainda mais por personagens com os quais estamos cada vez mais nos simpatizando. O quarto ano, pelo visto, será um rio de lágrimas, sangue e fogo em todos os sentidos.

"A Casa do Dragão - 3ª Temporada" supera em todos os sentidos o ano anterior, preparando-nos psicologicamente para a sua derradeira temporada final.


Onde Assistir: HBO MAX. 

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