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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.Me acompanhem no meu: X: @cinemaanosluzFacebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Cine Dica: Próximo Cineclube Torres - "Nosso Segredo"

 No feriado de dia 2 de novembro, segunda às 20h, vai ter sessão normal no Cineclube Torres, com exibição especial do filme "Nosso Segredo" de Grace Passô.

O filme, ganhador do Festival de Gramado deste ano, vai inaugurar o ciclo Novembro Negro, e oferecer, exatamente no dia de finados, uma visão peculiar sobre o luto. "Nosso Segredo" é mais que um filme, é uma experiência audiovisual que desperta no espectador emoções e reflexões profundas sobre a morte. É a história de uma família negra que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto e o silêncio se instala na casa, o filho caçula, Tutu, guarda um segredo misterioso e inquietante.

Carregado de simbologias e de mistério, o filme foi o grande vencedor do 54º Festival de Cinema de Gramado em agosto, onde conquistou os Kikitos de Melhor Longa-Metragem Brasileiro, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. A sessão conta com a parceria especial com a Vitrine Filmes e a Sessão Vitrine Petrobrás e ocorre na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, com entrada franca até lotação do espaço. A sessão integra o projeto do Cineclube Torres denominado "Torres na Rede Cultural", uma realização pela PNAB do ministério da cultura do governo federal através do sistema Procultura da Secretaria da Cultura do Governo do Rio Grande do Sul.

O Cineclube Torres é um espaço democrático que se fundamenta no respeito e valorização dos direitos humanos, em atividade desde agosto 2011 e constituída como associação sem fins lucrativos; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Serviço:

O que: Exibição do filme "Nosso Segredo" (2026) de Grace Passô (Brasil) 

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres 

Quando: Segunda 2/11, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).

Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

Cine Dica: Mostra celebra a multiplicidade do cinema negro na Sala Redenção

Entre os dias 3 e 17 de novembro, em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, a Sala Redenção apresenta a mostra gratuita “A harmonia cósmica do sim”, que celebra a potência estética, crítica e política do cinema negro. O nome resgata a formulação de Frantz Fanon, um dos mais importantes nomes do pós-colonialismo, de que o ser humano é, fundamentalmente, “um sim vibrando com as harmonias cósmicas”.

Um dos destaques da mostra é a homenagem à cineasta e roteirista Sara Gómez, que, por meio de seu “cine imperfecto”, representou a comunidade afro-cubana e feminista e retratou as marcas do colonialismo em seu território. Da cineasta, são exibidos “De certa maneira” (1977), primeiro longa-metragem de ficção dirigido por uma mulher cubana; e o documentário “Uma ilha para Miguel” (1968), sobre o período posterior à revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista.

A programação ainda contempla, entre outros títulos, os longas-metragens “Ventos de agosto” (2014), de Gabriel Mascaro, que acompanha as mudanças no cotidiano de uma vila costeira a partir da chegada de um pesquisador; e “Kasa Branca” (2024), de Luciano Vidigal, em que um grupo de amigos responde ao avanço do Alzheimer em uma matriarca com um pacto de afeto e celebração pelos dias que lhe restam.

A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Eng. Luiz Englert, 333. A mostra “A harmonia cósmica do sim” tem apoio de Vitrine Filmes, Sesc e Filmes de Plástico.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Cine Especial: Revisitando 'Willow - Na Terra da Magia'

Eu conheci o clássico de fantasia e aventura "Willow - Na Terra da Magia" (1988) de uma forma muito inusitada. No final dos anos oitenta, eu ainda era uma criança e não podia ir sozinho ao cinema. Conhecer o longa não foi através de trailers ou até mesmo quando o filme foi exibido pela primeira vez na TV, mas sim bebendo Toddy.

A coleção promocional do Toddy inspirada no filme consistia em miniaturas de plástico dos personagens. Logicamente era uma forma de a empresa vender bastante as suas garrafas, já que cada uma vinha com um personagem diferente. Não é preciso ser gênio para saber que o bonequinho do "Willow" foi algo difícil de achar na época, depois de diversas compras.

Anos mais tarde, fui conhecer o longa em uma determinada noite na sessão da Tela Quente, da Globo, no início dos anos 90. Para uma criança como eu, foi uma alegria conhecer finalmente do que se tratava a história, já que eu somente tinha uma noção através de um resumo que vinha atrás da embalagem do Toddy. Mas vamos à história.

Dirigido por Ron Howard, na época conhecido pela direção de "Cocoon" (1985), e produzido por George Lucas, a trama se situa em um mundo mágico, onde conhecemos Willow Ufgood (Warwick Davis), um fazendeiro e aprendiz de mago, e Madmartigan (Val Kilmer), um grande esgrimista, que saem juntos em uma jornada numa terra devastada pela magia e monstros para salvar a vida de uma pequena princesa. De acordo com a profecia, essa bebê pode dar fim ao reinado da Rainha Má que atormenta a região.

Nascido de uma ideia vinda de George Lucas, o filme surgiu em um momento em que o gênero de fantasia e aventura não estava fazendo o mesmo sucesso de antigamente, mesmo quando alguns títulos obtiveram o seu status de cult, como foi o caso do ótimo "Krull" (1983). Porém, Lucas via no projeto uma forma de não somente criar uma boa aventura à moda antiga, como também testar alguns efeitos visuais novos que estavam sendo desenvolvidos na época. O resultado, revisto hoje, nos faz perceber como o longa se tornou pioneiro com relação a alguns efeitos técnicos que hoje se tornaram rotineiros no mercado.

Com recursos do estúdio Industrial Light & Magic, o filme foi um dos primeiros a usar o recurso de morphing digital, que permitia transições fluidas, contínuas e realistas entre duas imagens diferentes em live-action, sem a necessidade de cortes de câmera ou técnicas tradicionais de sobreposição. Esse recurso foi usado na marcante cena em que a feiticeira Fin Raziel (Patricia Hayes) é transformada consecutivamente em vários animais (uma cabra, uma avestruz, um pavão, um tigre) até finalmente retornar à sua forma humana. Logicamente, o recurso foi aprimorado em filmes revolucionários como "O Exterminador do Futuro 2" (1991) e, posteriormente, "Jurassic Park" (1993).

Mesmo com esses recursos de ponta, o filme possui diversos elementos técnicos tradicionais daquela época e que, revistos hoje, ganham maior peso em cena. O imenso dragão de duas cabeças que surge no decorrer da trama foi criado através do velho e bom stop motion, mas aprimorado através de computadores, sendo rebatizado na época de go-motion. Já no departamento de maquiagem, ninguém esquece da assustadora cena em que praticamente todos os protagonistas são sucumbidos aos poderes da feiticeira malvada, transformando-se em porcos em uma clara alusão ao clássico "A Odisseia", de Homero.

Visualmente, nota-se que George Lucas criou aquele universo bebendo muito da fonte da obra de J. R. R. Tolkien, ou seja, "O Senhor dos Anéis". Quando testemunhamos pela primeira vez a vila onde Willow mora, imediatamente nos vem à mente a passagem do "Condado" e dos carismáticos hobbits. Vale destacar que a produção foi pioneira ao contratar mais de duzentas pessoas com nanismo para interpretar os moradores daquele local, tornando esse momento ainda mais mágico e verossímil.

Conhecido na época por ter dado vida ao pequeno guerreiro Wicket em "Star Wars: O Retorno de Jedi" (1983), Warwick Davis obtém aqui o grande papel de sua carreira ao interpretar um jovem aprendiz de feitiços que carrega a insegurança sobre prosseguir ou não com o seu sonho. Tudo muda quando ele se torna uma espécie de herói predestinado a proteger a pequena princesa e levá-la em segurança para se tornar uma futura rainha. Qualquer semelhança com "A Jornada do Herói" de Joseph Campbell não é mera coincidência, já que essa estrutura ainda hoje serve de base para conquistar novas plateias.

Vale destacar que este foi um dos primeiros sucessos de Val Kilmer, na época colhendo os louros após ter sido coadjuvante em "Top Gun - Ases Indomáveis" (1986). O seu Madmartigan nada mais é do que um esgrimista desgarrado que não tem o menor interesse em se envolver em grandes missões, mas que, com o tempo, não tem outra escolha a não ser demonstrar o que sabe fazer de melhor com uma espada. Merece destaque também o seu par romântico, Sorsha, interpretada pela atriz Joanne Whalley, com quem viria a se casar após as filmagens.

Com personagens carismáticos, muita magia, ação e aventura, o filme acabou ganhando status de cult no decorrer dos anos, mesmo tendo tido apenas um relativo sucesso nas bilheterias na época do lançamento. Ao meu ver, as crianças sempre se identificaram com Willow: um protagonista pequeno, mas com uma força de vontade gigantesca para fazer o bem e proteger a pequena princesa frente às forças do mal. Para mim, foi uma grande aventura que começou a partir do momento em que passei a colecionar bonequinhos de plástico que vinham na garrafa de Toddy, fazendo-me embarcar em uma jornada inesquecível que marcou a minha infância como um todo.

Lançado recentemente em uma edição especial em DVD pelo selo "Obras Primas do Cinema", "Willow - Na Terra da Magia" é um grandioso clássico de aventura à moda antiga que continua conquistando o coração de várias gerações ao longo das décadas.

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Cine Dica: Clube de Cinema: "O Diabo" (31/10) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (31/10), às 10h15 da manhã, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para uma sessão do filme O Diabo, de Andrzej Zulawski, diretor do clássico cult Possessão.

Ambientado na Polônia do século XVIII, o segundo longa-metragem de Zulawski transforma um drama histórico em uma narrativa fragmentada, marcada pela violência, pelo delírio e pela presença constante do sobrenatural. A trajetória do protagonista serve de ponto de partida para uma alegoria sobre a ruína de uma sociedade e o poder político, realizada por meio de uma estética de pesadelo que subverte convenções religiosas e morais. Censurado pelas autoridades polonesas, o filme antecipa o estilo excessivo e provocador que marcaria a obra do cineasta.


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA


📅 Data: Sábado, 31/10, às 10h15

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


O Diabo (Diabel)

Polônia, 1972, 119min

Direção e roteiro: Andrzej Zulawski

Elenco: Wojciech Pszoniak, Leszek Teleszyński, Małgorzata Braunek, Iga Mayr, Wiktor Sadecki, Michal Grudziński, Maciej Englert, Monika Niemczyk

Sinopse: Na Polônia do século XVIII, Jakub, um jovem preso por conspirar contra o rei, é libertado por um misterioso homem conhecido como o Diabo. Ao retornar à vida que deixou para trás, encontra a família e os antigos vínculos profundamente alterados. Acompanhado por uma freira que encontra durante a fuga, percorre um país em crise, enquanto o caos ao seu redor põe em dúvida a fronteira entre realidade, loucura e influência sobrenatural.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (29/10/26)

 O BOSQUE SELVAGEM

Sinopse: Existe um bosque escondido logo depois da cidade, um lugar que não aparece em nenhum mapa e de onde dizem que ninguém volta. É para lá que uma revoada de corvos leva o irmão de Prue (Giulia Benite), enviados por uma feiticeira que precisa dele para seus planos sombrios. 


A TERRA DO MEU PAI

Sinopse: A Terra do Meu Pai acompanha a complexa relação entre o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann (Hanns Zischler) e sua filha Erika (Sandra Hüller), uma multifacetada atriz, escritora e pilota de rali. No verão de 1949, durante o ápice da Guerra Fria, pai e filha embarcam em uma densa e emocionante road trip a bordo de um Buick preto pelas ruínas da Alemanha, partindo de Frankfurt sob domínio estadunidense até a Weimar sob controle soviético.


RAZÃO E SENSIBILIDADE

Sinopse: Após perderem sua casa, as irmãs Elinor e Marianne Dashwood se mudam para uma propriedade distante, onde enfrentam desafios financeiros e descobrem as complexidades do amor na Inglaterra do século 19.


100 DIAS

Sinopse: Sozinho em um pequeno barco, Amyr Klink desafia o Atlântico Sul a remo e escreve uma história que nunca havia sido tentada. Em 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha, a travessia entre a África e o Brasil se transforma em uma batalha contra o medo, a solidão e os próprios limites. Enquanto o corpo resiste ao mar, a mente enfrenta memórias, conflitos familiares e escolhas que moldaram quem ele é. Mais do que cruzar um oceano, Amyr precisa atravessar a si mesmo.


TRÊS HORAS PARA VIVER

Sinopse: TRÊS HORAS PARA VIVER acompanha Hank Malone (Alan Ritchson), um transportador de elite contratado para uma missão urgente: levar um órgão vital que pode salvar a vida de uma garotinha de 7 anos. Ao seu lado está o Ben Bishop (Owen Wilson), responsável por proteger e monitorar o carregamento durante todo o trajeto. 


AS DEZ VANTAGENS DE MORRER DEPOIS DE VOCÊ

Sinopse: Arrasada após a morte trágica de sua melhor amiga, Gabriela descobre que ela deixou um presente de despedida inesperado: dez cartas com desafios para ajudá-la a superar o luto.

A CAIXA DO DEMÔNIO

Sinopse: Em A CAIXA DO DEMÔNIO, após a morte da mãe, Ellen se muda para uma pequena cidade e acolhe seu primo Winthrop, um veterano do exército com um passado conturbado. Quando eventos estranhos começam a acontecer e os moradores passam a desconfiar dele, Ellen precisa descobrir se Winthrop é apenas um homem traumatizado ou se algo muito mais sombrio se esconde por trás dele.

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Cine Dica: Cinesemana de 29 de outubro a 4 de novembro de 2026

A cinesemana que encerra outubro marca a estreia de MEDLEY, novo longa da diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo. Com foco no público infantojuvenil, o filme é uma adaptação do livro homônimo de Keka Reis e que foi inspirado na vida da própria autora. Nesta semana, também entramos na programação do Festival de Cinema Francês do Brasil, que vai reunir 21 títulos inéditos nos cinemas do país. Entre 2 e 6 de novembro, fazemos uma pausa nas nossas atividades para receber mais uma edição do Frapa, o Festival de Roteiro de Porto Alegre, com uma programação intensa e sessões inéditas de curtas e longas brasileiros.

Entre os filmes que seguem em cartaz estão a comédia erótica I WANT YOUR SEX, novo trabalho do diretor Gregg Araki e protagonizado pela atriz Olivia Wilde; e MEU VERÃO NA SICILIA, primeiro longa da diretora italiana Margherita Spampinato.

Três títulos ganham suas últimas exibições nesta semana: RAN, de Akira Kurosawa, que voltou aos cinemas em cópia restaurada; ROSEBUCH PRUNNING, novo longa do diretor cearense Karin Ainouz; e MUITO PRAZER, comédia dirigida por Jorge Furtado.

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Arco'

Sinopse: Arco é um menino de dez anos vindo de um futuro pacífico que acidentalmente viaja no tempo para o ano de 2075. Ao descobrir um mundo em perigo, ele se une a uma jovem e seu robô cuidador em uma jornada para voltar para casa.

Quando o assunto é fantasia no cinema atual, muitos logo se lembrarão do Studio Ghibli. O estúdio japonês criou obras-primas como o clássico "A Viagem de Chihiro" (2001) e tornou-se fonte de inspiração para o mundo todo. Ao assistir a "Arco" (2025), percebo similaridades com a linguagem do estúdio oriental, mas a produção ganha luz própria ao encantar com uma história fantástica e, ao mesmo tempo, singela.

Dirigido por Ugo Bienvenu, o filme acompanha Arco, um garoto de 10 anos que vive no ano de 2932, época em que a civilização habita entre as nuvens. Certo dia, ele pega "emprestada" a capa de sua irmã — traje que lhe permite viajar ao passado — e acaba caindo no ano de 2075, onde encontra a jovem Iris, seu pequeno irmão e o robô cuidador da família. Juntos, eles tentam encontrar um meio de mandar Arco de volta para casa, enfrentando diversos obstáculos ao longo dessa jornada.

Visualmente, o longa lembra bastante a HQ de ficção científica "Paciência" (2016), do quadrinista Daniel Clowes, com a qual compartilha a temática da viagem no tempo. Contudo, enquanto o conto de Clowes se envereda por um tom mais pessimista, esta animação francesa transborda pura magia ao unir aventura e ficção científica sob o olhar de crianças que veem suas fantasias se tornarem realidade. Tudo isso é moldado por meio de uma animação tradicional 2D, com pontuais retoques em CGI, preservando o encanto e o frescor das produções de antigamente.

É fascinante observar o contraste tecnológico entre os tempos que separam Arco e Iris. O período da garota guarda mais semelhanças com a nossa realidade, ainda que permeado por certas tecnologias futuristas. O filme traça um paralelo sobre como os avanços tecnológicos podem distanciar os seres humanos — algo sintetizado com precisão na cena em que Iris interage apenas com hologramas dos próprios pais. Curiosamente, é o robô Mikki que acaba assumindo uma figura paterna para a jovem, com uma fidelidade absoluta que protagoniza um dos momentos mais emocionantes da obra.

Além disso, o design dos robôs remete àqueles descritos por Isaac Asimov em seus livros, que por sua vez inspiraram o curta "O Segundo Renascimento" (2003), da coletânea Animatrix. Ou seja, trata-se de uma obra recheada de referências a clássicos da ficção, mas que mantém sua personalidade ao usar fórmulas consolidadas para erguer uma belíssima aventura.

No fim das contas, "Arco" é um filme capaz de agradar a todas as idades: diverte e encanta as crianças ao mesmo tempo em que oferece uma camada profunda de reflexão para os adultos. Trata-se de uma das animações mais surpreendentes dos últimos anos, cuja força visual e poética enche os nossos olhos.

Onde Assistir: MUBI

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