Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Sinopse: Um ex-soldado ferido e seu cão de guerra aposentado lutam para sobreviver na região do Alasca e encontrar o caminho de volta para casa após um acidente.
PRECISAMOS FALAR
Sinopse: Após um ataque brutal cometido por seus filhos adolescentes contra uma mulher em situação de rua, dois casais veem suas vidas desmoronarem.
MARIDO DE ALUGUEL
Sinopse: Alice (Mariana Xavier) está falida, endividada e sem condições de manter a casa em pé. Sem grana e sem sossego, ela já tinha perdido as esperanças, até que Vadeco (Maurício Manfrini) aparece: um marido de aluguel de boa lábia, jeito excêntrico e solução pra (quase) tudo, por um preço camarada.
APAYA
Sinopse: Apaixonada pela ideia de voar, uma pequena semente de mamão precisa continuar se movendo para evitar enraizar-se. Perseverante, ela descobre o poder de suas raízes, que conectam a vida por caminhos profundos e misteriosos, e desencadeia uma grande revolução, transformando seu ambiente e realizando seu sonho da forma mais inusitada.
Entre cinema polonês e filmes brasileiros, a cinesemana de 24 a 30 de setembro de 2026 traz duas estreias, uma mostra e várias exibições especiais. Um dos destaques é a MOSTRA ANDRZEJ WAJDA: O ROMÂNTICO DO CINEMA POLONÊS, com seis longas do diretor produzidos nas décadas de 1960 e 1970. Também temos a estreia de dois filmes brasileiros: NEM TODA HISTÓRIA DE AMOR ACABA EM MORTE, de Bruno Costa, protagonizado por uma atriz surda; e VIRTUOSAS, de Cíntia Domit Bittar, que fez parte da seleção do Fantaspoa.
Entre as sessões especiais, haverá a exibição de YONLU!, de Hique Montanari, dentro da programação do Setembro Amarelo, e mais uma exibição do ciclo PRESERVAÇÃO E HISTÓRIA DO CINEMA GAÚCHO, que trata dos cinejornais da D.G. Filmes (anos 60). A semana também é de Sessão Nostalgia, que traz o clássico EDWARD MÃOS DE TESOURA, do diretor Tim Burton.
Seguem em cartaz os longas europeus OS TRAPACEIROS DE GARIBALDI, de Roberto Andò; TRÊS VEZES ADEUS, de Isabel Coixet; e MIRRORS NO. 3, de Christian Petzold. O público ainda tem chance de assistir à comédia MUITO PRAZER, de Jorge Furtado, sobre três jovens que tentam reabrir um motel decadente, e o campeão de bilheteria ACAMPAMENTO MIASMA, um terror slasher assinado por Jane Schoenbrun.
Esta é a última semana de exibições dos documentários GONZAGUINHA, DA MAIOR LIBERDADE, dirigido por Susanna Lira e vencedor do Festival de Gramado; e SANTIAGO, de Henrique de Freitas Lima, sobre a trajetória do cartunista gaúcho, além dos longas A QUINTA PORTUGUESA, de Avelina Prat; e AS CORES DO TEMPO, de Cédric Klapisch.
Confira a programação completa da cinemateca Paulo Amorim clicandoaqui.
Sinopse: Acompanha um retiro VIP para mulheres cristãs em busca da "melhor versão" de sua feminilidade. Liderado pela coach Virgínia (Bruna Linzmeyer), o grupo mergulha em um cenário de controle e isolamento, onde a busca pela perfeição se torna uma perigosa descida à loucura.
Em tempos atuais, nos quais os assuntos sobre política e religião estão cada vez mais acalorados em território brasileiro, é sempre interessante ver o cinema nacional explorar esses temas. Ao mesmo tempo, assim como ocorre em outros países, o nosso cinema tem explorado cada vez mais o horror psicológico em detrimento do tradicional, pois o mundo real parece estar se tornando mais assustador do que qualquer ficção. "Virtuosas" (2025) é aquele caso de filme pequeno em escopo, porém grande em impacto, que retrata uma história situada em um único cenário, mas que sintetiza o que o país está vivendo.
Dirigido por Cíntia Domit Bittar, a trama acompanha um grupo de mulheres cristãs selecionadas por sorteio para participarem de uma imersão exclusiva com o objetivo de "aumentar a feminilidade", explorando a ótica das coaches de comportamento. O que algumas não sabem é que esse isolamento se transformará em um verdadeiro inferno.
Nesta era em que a Geração Z cria influenciadores virtuais a todo momento, é curioso notar como isso se tornou banal; há um surgimento constante desse tipo de celebridade, embora muitas sejam esquecidas rapidamente. Ao fazer um retrato dessa mania atual, Cíntia Domit Bittar nos revela o lado falso e hipócrita desse universo, principalmente vindo daqueles que pregam "bons costumes" através de passagens bíblicas usadas como mera cortina de fumaça. Qualquer semelhança com a nossa realidade pré-eleições não é mera coincidência.
Com um orçamento enxuto, a diretora usa a criatividade para transmitir uma sensação claustrofóbica através do cenário principal, que aos poucos se revela um ambiente estranho. Com a câmera sempre em movimento, vemos quase sempre algo acontecendo em primeiro plano, enquanto detalhes ao fundo nos deixam apreensivos — algo semelhante ao que foi visto no já clássico "Hereditário"(2018), guardadas as devidas proporções.
Verdade seja dita, a câmera torna-se uma extensão do nosso olhar, adentrando aquele ambiente e fazendo-nos sentir impotentes perante os eventos orquestrados pela personagem Virgínia. Ela usa seu talento de persuasão para manipular o grupo de acordo com seus desejos. Bruna Linzmeyer nos brinda com uma atuação assombrosa; seu olhar de controle e fúria contida sintetiza um ser ambicioso que instrumentaliza a religião em benefício próprio.
Transitando entre crendices e lógica, o filme é um retrato de uma parcela de um Brasil "zumbificado", seja pela palavra de falsos profetas, de líderes políticos ou de influenciadores que se dizem detentores da verdade. Por conta disso, o longa termina de forma abrupta, deixando-nos a refletir sobre as consequências do descontrole no ato final. Ao meu ver, o final em aberto nada mais é do que o reflexo de um Brasil cujo futuro se encontra indefinido neste momento.
"Virtuosas" é um horror psicológico fictício, mas não muito distante do cenário atual brasileiro.
Da literatura tchecoslovaca ao cinema chinês: encontros e paisagens distantes em uma semana de programação gratuita na Cinemateca Capitólio
Entre 24 e 30 de setembro, a Cinemateca Capitólio dá continuidade à programação da quinta edição da mostra tchecoslovaca, intitulada Literakino: entre palavras e imagens da Tchecoslováquia, que neste ano investiga as relações entre literatura e cinema com produções realizadas entre 1930 e 1980. A semana também reúne uma sessão especial de Travellings: curtas-metragens da Sinosfera, duas exibições de documentários chineses e a continuidade da mostra As Mulheres de Altman.
Toda a programação tem entrada franca.
Literakino em sessão especial com o Clube de Cinema e debate de Trens Estreitamente Vigiados. Até 11 de outubro, a Cinemateca Capitólio apresenta a mostra tchecoslovaca que, neste ano, dedica o foco em produções fílmicas que dialogam com obras literárias.
Com um recorte histórico que percorre produções realizadas entre as décadas de 1930 e 1980, a programação reúne adaptações de obras de autores como Božena Němcová, Karel Čapek, Jaroslav Hašek, Vítězslav Nezval, Milan Kundera e Bohumil Hrabal, além de filmes criados a partir de diferentes universos literários.
No sábado, 26 de setembro, às 10h, a Cinemateca recebe uma sessão em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre, cineclube mais antigo em atividade no Brasil. O filme escolhido é Três Veteranos (1983), de Oldřich Lipský, adaptação livre do conto homônimo de Jan Werich, importante ator, dramaturgo e escritor tcheco que integrou o grupo vanguardista Devětsil, ativo nas décadas de 1920 e 1930. Na história, três soldados dispensados com honras precisam reaprender a apreciar os dons mágicos da vida. O filme parte de um conto publicado por Werich no livro Fimfárum, de 1960, e transforma a narrativa em uma fábula cinematográfica marcada pelo humor e pela fantasia.
Ainda no sábado, às 19h, é a vez de Trens Estreitamente Vigiados (1966), de Jiří Menzel, um dos filmes mais conhecidos do cinema tchecoslovaco dos anos 1960 e vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1968. Adaptado da novela homônima de Bohumil Hrabal, o filme acompanha Miloš Hrma, um jovem aprendiz de despachante que trabalha em uma pequena estação ferroviária na Boêmia durante a ocupação nazista. Entre a rotina da estação, a presença da guerra e suas próprias descobertas, Miloš atravessa um processo de amadurecimento e inicia sua passagem para a vida adulta. Após a sessão, o filme será debatido por Danilo Hora, editor de livros e um dos curadores da Coleção Leste da Editora 34, e pelos curadores e produtores da mostra Leonardo Bomfim e Věra Matysíková.
Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.
Sinopse: "Gonzaguinha, Da Maior Liberdade" é um filme que busca resgatar em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de um dos artistas mais importantes para a construção e a discussão popular de nossa história democrática: Luiz Gonzaga Jr.
Ao crescer durante a década de oitenta, tive a chance de ouvir diversas músicas de Gonzaguinha. Porém, por ser muito jovem, nunca tive a dimensão de quanto ele esteve no centro das transformações pelas quais o país passava na época. "Gonzaguinha da Maior Liberdade" (2026) resgata essa figura fascinante e mostra como ele foi fundamental para a nossa música.
Dirigido por Susanna Lira — do premiado documentário "Torre das Donzelas" (2018) —, o filme revisita a trajetória de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, um dos nomes mais expressivos da Música Popular Brasileira e da construção da memória democrática do país. Por meio de imagens de arquivo, canções e registros históricos, a produção resgata uma obra marcada pela poesia, pela indignação e pelo desejo visceral de liberdade.
Diferente do que se poderia imaginar, o documentário não recorre a entrevistas com parentes ou conhecidos próximos do cantor, mas sim a uma rica seleção de cenas de arquivo em que o próprio Gonzaguinha solta a voz. Ao mesmo tempo, a linguagem documental dialoga com a ficção por meio de cenas de reconstituição, nas quais o artista — interpretado por André Dale — aparece sendo entrevistado por dois repórteres. Trata-se da recriação de uma das inúmeras sabatinas reais concedidas pelo músico, recurso que ajuda a revelar a sua personalidade por inteiro.
Na contramão de seu pai, Gonzaguinha optou por construir uma carreira cujas canções sintetizavam um Brasil em metamorfose, em meio à transição gradual da ditadura para a redemocratização. Ao mesmo tempo em que criava pérolas do repertório nacional, sofria as represálias da censura, o que o tornava ainda mais altivo e rebelde diante da tirania. Músicas como "Comportamento Geral" fizeram com que o cantor ficasse sob a mira do regime, arriscando-se a ser preso ou deportado.
Para traduzir esse espírito, Susanna Lira aposta em uma montagem ágil e enérgica, sobrepondo as canções do artista a imagens de protestos populares contra o regime militar — eventos dos quais o próprio cantor participou ativamente. Talvez o ápice dessa construção esteja no resgate dos acontecimentos em torno do atentado do Riocentro, a frustrada tentativa dos setores duros da ditadura de frear a abertura política. Assim, a obra não serve apenas para nos reaproximar do artista, mas também como uma janela necessária para a nossa própria história.
O documentário reserva espaço, ainda, para a emocionante reconciliação entre Gonzaguinha e seu pai. Duas figuras gigantescas da nossa música, trilhando caminhos estéticos e políticos distintos, mas unidos pela mesma paixão pela arte. Ironicamente, pai e filho partiram com um intervalo de menos de dois anos, deixando uma lacuna imensa, mas também um legado que continua sendo redescoberto por novas gerações. Gonzaguinha deixou seu recado gravado em canções que se fixaram de forma definitiva no imaginário popular brasileiro.
"Gonzaguinha da Maior Liberdade" é o retrato vigoroso de um grande artista cujo ápice criativo e poético coincidiu com um Brasil em profunda transformação.
Com humor ácido sobre mulheres ultraconservadoras, “Virtuosas” estreia no CineBancários em 24 de setembro. CineBancários exibe em pré estreia a partir do dia 26 o aplaudidíssimo e premiado em Veneza, NAZA, ás 17h.
Chega ao CineBancários dia 24 de setembro o aguardado longa-metragem “Virtuosas”. A produção, que é dirigida pela cineasta Cíntia Domit Bittar, aposta em uma trama repleta de reviravoltas costurada por crítica social com elementos de humor ácido, cuja narrativa se passa em um retiro VIP para mulheres que se autodefinem como virtuosas e que estão em busca de sua melhor versão. Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta e Brisa Marques estão no elenco principal.
Linzmeyer dá vida à Virgínia Heinzel, uma coach que tem como foco o público feminino conservador e que prega sobre os valores da mulher virtuosa do Provérbios 31 e seu papel na família e na sociedade. Um desconforto rapidamente se instala e, conforme o retiro avança, a tensão cresce na tela por meio do fascínio e inquietação do público diante das atitudes das personagens, surpreendendo-se com até onde podem chegar.
O elenco ainda conta com Nenê Borges, Fernando Bispo e participação especial de Gabriel Godoy. “Eu acho que a ideia de mulher virtuosa, muito conhecida no exterior como ‘Trad Wives’, as mulheres tradicionais, é uma leitura, uma interpretação que elas fazem do Provérbios 31, que condiz, na visão delas, com uma mulher subserviente ao marido, à família. E está tudo bem, mas o problema é quando esse lado é visto como a única possibilidade do ser mulher”, disse Bruna Linzmeyer durante a estreia do longa no Festival do Rio.
Antes de chegar aos cinemas, o filme foi premiado no programa “Goes to Cannes”, uma vitrine de filmes inéditos ou em pós-produção realizada pelo Marché du Film do Festival de Cannes de 2025, dentre 25 títulos de 5 países. O longa foi um dos cinco projetos brasileiros escolhidos por meio do edital da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC), com curadoria do Festival do Rio.
A partir de sábado, dia 26, o CineBancários reliza sessões de pré estreia de NAZA, que tem direção dos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor e foi aplaudido por mais de 25 minutos , conquistando o Prêmio Especial do Júri. Realizado a partir de uma investigação de três anos, o longa denuncia os sistemas utilizados pelas forças israelenses em operações militares em Gaza, reunindo 24 depoimentos anônimos de militares e integrantes da inteligência israelense. Produção do Reino Unido, o documentário tem 80 minutos de duração.
A partir de sábado, dia 26, o CineBancários reliza sessões de pré estreia de NAZA, que tem direção dos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor e foi aplaudido por mais de 25 minutos , conquistando o Prêmio Especial do Júri. Realizado a partir de uma investigação de três anos, o longa denuncia os sistemas utilizados pelas forças israelenses em operações militares em Gaza, reunindo 24 depoimentos anônimos de militares e integrantes da inteligência israelense. Produção do Reino Unido, o documentário tem 80 minutos de duração.
CINEBANCÁRIOS - 24 A 30 DE SETEMBRO
ESTREIA:
VIRTUOSAS
Brasil/ Drama/2025 /92min
Direção: Cíntia Domit Bittar
Sinopse: Um retiro VIP promete aperfeiçoar mulheres em busca de sua melhor versão, sob as regras de uma fé que não admite falhas. Mas essa jornada virtuosa acaba se revelando absurda e perigosa.
Elenco: Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta e Brisa Marques.
PRÉ ESTREIA:
NAZA
Reino Unido/Documentário/2026/80min
Direção: Yuval Abraham e Rachel Szor
Sinopse: Filmado à noite nos telhados de Tel Aviv, o documentário de Yuval Abraham e Rachel Szor reconstrói os mecanismos por trás das operações militares de Israel na Faixa de Gaza.
HORÁRIOS DE 24 a 27 DE SETEMBRO(não há sessões nas segundas):
15h: GONZAGUINHA DA MAIOR LIBERDADE
17h: MORTE E VIDA MADALENA
19h: VIRTUOSAS
HORÁRIOS DIAS 29 E 30 DE SETEMBRO (não há sessões nas segundas):
15h: MORTE E VIDA MADALENA
17h: NAZA (Pré estreia)
19h: VIRTUOSAS
Ingressos
Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.
CineBancários
Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre
Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br
Sinopse: Bryan (Austin Abrams) é um entregador de medicamentos e órgãos que precisa fazer uma entrega noturna no Hospital Geral de Raccoon City. Mal ele sabe que adentrará uma noite repleta de horror.
A franquia "Resident Evil" no cinema sofreu por anos com o ego inflado do diretor Paul W. S. Anderson ao colocar sua esposa, Milla Jovovich, como a grande protagonista, tornando sua personagem o centro de todo aquele universo apocalíptico. Para os fãs dos jogos, cada nova produção se mostrava decepcionante, fazendo com que muitos jogassem a toalha quanto à possibilidade de um filme decente. Eis que a resposta vem com "Resident Evil" (2026), que não é somente um reboot, mas também um recomeço mais do que necessário.
Dirigido por Zach Cregger — do genial "A Hora do Mal" (2025) —, acompanhamos Bryan (Austin Abrams), um entregador que está a caminho do Hospital Geral de Raccoon City para deixar uma encomenda. No entanto, o que deveria ser apenas mais uma entrega em uma noite de neve se transforma em uma corrida desesperada pela sobrevivência quando criaturas grotescas surgem na cidade.
Zach Cregger já pode ser apontado como um dos novos nomes do horror autoral capaz de conquistar tanto o público quanto a crítica especializada. Talvez nem ele mesmo imaginasse que "A Hora do Mal" iria tão longe, abrindo portas em grandes estúdios. "Resident Evil" não é apenas uma tentativa de reiniciar a franquia, mas um belo exemplo de como o cinema autoral de gênero pode nos entreter e surpreender na medida certa.
O realizador decidiu fugir de comparações diretas com a narrativa dos jogos clássicos, criando uma história nova, mas com forte vínculo com esse universo tão popular. O resultado traz elementos que se conectam diretamente ao material de origem, desde os mortos-vivos tradicionais até infectados que sofrem metamorfoses grotescas e impressionantes. Os fãs não têm do que reclamar: a essência está toda lá.
Vale destacar que Cregger busca ao máximo imergir o espectador na trama. A câmera frequentemente acompanha o protagonista em planos fechados e utiliza recursos visuais que remetem aos jogos de tiro em primeira pessoa. Essa escolha intensifica a sensação claustrofóbica, fazendo parecer que o perigo iminente está a poucos metros e que a única saída é disparar contra o que vem pela frente. Tudo isso aliado ao uso ostensivo de efeitos práticos, garantindo peso físico às cenas e resgatando o modo de se fazer cinema de horror como antigamente.
Nesse sentido, saltam aos olhos as referências ao estilo visceral e gore de John Carpenter — o clássico "O Enigma de Outro Mundo" (1982) veio à minha mente em diversos momentos. Curiosamente, o filme também remete a "Depois de Horas" (1985), de Martin Scorsese, já que em ambas as obras acompanhamos um protagonista comum tentando desesperadamente voltar para casa após ser tragado por uma sequência de eventos surrealistas e fora de seu controle.
Austin Abrams se consolida como uma das grandes promessas de sua geração ao carregar o filme nas costas com enorme carisma. O grande diferencial de seu personagem é que Bryan não é um herói treinado, mas um indivíduo comum arremessado em situações absurdas que transitam entre o suspense tenso e tiradas de um humor ácido surpreendente. Você se assusta e ri quase ao mesmo tempo, um equilíbrio tom-atmosfera raríssimo.
Se há uma falha no longa, ela se encontra justamente no ato final. Ao preparar o terreno para uma inevitável continuação, o filme perde parte de seu impacto. Os realizadores pesaram a mão na reta final ao recorrer a um CGI visivelmente apressado, abandonando a textura dos efeitos práticos que vinha funcionando tão bem. Fica a sensação de um desfecho um pouco genérico, embora isso não tire o brilho do excelente percurso construído até ali.
"Resident Evil" é a prova de que ainda existe inteligência em Hollywood quando se decide revitalizar uma franquia desgastada nas mãos de um cineasta que realmente domina a linguagem da tensão.