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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 24 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Cara de Um, Focinho de Outro'

 Sinopse: Para defender os animais jovem funde a sua mente em uma castora robótica. 



Em sua era de ouro era comum dizer que a Pixar não lançava filmes ruins e isso era muito bem representado através de grandes títulos como "Procurando Nemo" (2003) e "Os Incríveis" (2005). Porém, sempre quando se atinge o teto há sempre o risco de haver um desequilíbrio na qualidade e rendendo títulos que não correspondem aos velhos tempos do estúdio como foi no caso de "Elio" (2025). Mas entre altos e baixos ao menos "Cara de Um, Focinho de Outro" (2026) é uma prova que o  estúdio procura saber nivelar ao criar tramas que transitam com diversão mas com boas doses de reflexão.

Dirigido por Daniel Chong, o filme conta a história de Mabel (Piper Curda), que ensinada pela sua querida avó aprendeu desde cedo a cuidar dos animais. Quando ela descobre que o prefeito da cidade Jerry (Jon Hamm) quer fazer um viaduto que pode colocar em risco o lar dos castores da floresta, ela decide se unir com uma cientista que possui a tecnologia de transferir as mentes das pessoas em animais robóticos. Mabel se transforma em uma castora, que acaba se unindo com um rei castor para procurar um meio de contornar esse problema, mas mal sabendo que outros irão surgir em meio a essa cruzada.

Em tempos em que a Pixar anda meio presa com as continuações de seus grandes sucessos é sempre bom ver que ainda há esperança quando o estúdio procura se arriscar em algo novo. Embora a trama soe familiar, principalmente para aqueles que assistiram ao clássico "Sem Floresta" (2005), o filme se envereda por questões que vão desde a proteger a natureza, como também sobre assumir o peso da responsabilidade quando se procura pôr em prática a mudança das coisas. Ou seja, por mais que a gente coloque em prática a nossa boa vontade há também de surgir percalços pelo caminho e nesta questão o estúdio acerta em cheio com relação a esse pensamento.

Outro fator positivo é a sua própria protagonista da trama, sendo que Mabel é uma força da natureza disposta em ajudar os animais da floresta, nem que para isso enfrente grandes autoridades como o próprio prefeito da cidade. Vale destacar a sua singela relação com a sua avó, sendo que as cenas iniciais protagonizadas pelas duas é uma representação positiva e do que irá se desenrolar durante a trama. São momentos como esse que não só irá conquistar os pequenos, como também fará com que os adultos se identifiquem e se emocionem ao mesmo tempo.

Com relação a transferência de mentes para animais robóticos isso se torna somente uma mera desculpa para a protagonista interagir logo de uma vez com os animais da floresta, principalmente com relação ao Rei Castor e que se torna o grande amigo dela. É neste ponto, por exemplo, que a trama me lembrou também o clássico "Irmão Urso" (2003), sendo que em alguns momentos vemos a perspectiva dos animais perante os humanos, ou vice e verça. Uma forma interessante de analisar que a relação de seres diferentes um do outros somente se encontram separados através do medo do desconhecido.

Outro fator interessante da história é explorar o quanto a nossa boa vontade em querer melhorar as coisas pode também gerar grandes consequências. Por mais que Mabel procure ajudar os animais, ela jamais imaginaria que as consequências surgiriam justamente através das regras imposta pelos próprios líderes da floresta e desencadeando situações inusitadas durante uma determinada reunião. Já adianto que as consequências dessa cena não somente desencadeiam uma situação irreversível, como também um dos momentos mais hilários do longa como um todo.

A partir desse momento o filme se envereda para uma verdadeira montanha russa e onde vemos os protagonistas correrem contra o relógio. São nestes momentos, por exemplo, que o estúdio ainda prova que sabe fazer boas cenas de ação e fazendo a gente prender a respiração em alguns momentos e até temendo pela vida dos personagens principais da trama. Claro que o estúdio não perde a chance de fazer mesmo até piada de outros filmes clássicos e portanto a referência do clássico "Tubarão" (1975) e de suas limitações absurdas é mais do que evidente para dizer o mínimo.

O ato final só descamba um pouco para uma ação quase vertiginosa, onde não há um respiro, mas ao menos dando um espaço para que os personagens amadureçam com relação ao que sempre acreditavam. A lição de moral é colocada em prática, onde fazem com que os personagens tomem novos rumos e obtenham um equilíbrio o que antes parecia impossível. Pode não ser o melhor longa do estúdio, mas ao menos obteve coragem de se arriscar e tentar criar algo novo.

"Cara de Um, Focinho de Outro" é uma grata surpresa deste início de ano e provando que o estúdio Pixar ainda pode nos brindar com ótimos longas que remetem aos seus bons e velhos tempos de sua era de ouro. 



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Cine Dica: A Revolução de Jean-Luc Godard

 GODARD 60: UMA DÉCADA REVOLUCIONÁRIA

de Leonardo Bomfim

* Datas: 28 e 29 / Março (sábado e domingo)

* Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)

* Horário: 14h30 às 17h30


Apresentação

No agitado panorama cinematográfico da década de 1960, poucos cineastas tiveram um papel mais decisivo que JEAN-LUC GODARD.

De Acossado (1960), obra basilar da Nouvelle Vague, aos filmes militantes do Grupo Dziga Vertov após 1968, o cineasta instigou a linguagem do cinema até o limite. Em uma década, realizou quase vinte longas-metragens que subverteram gêneros consagrados, do musical em Uma Mulher é uma Mulher (1961) à ficção científica de Alphaville (1965), apontando novos caminhos e provocando uma verdadeira revolução estética.


Objetivos

O curso GODARD 60: UMA DÉCADA REVOLUCIONÁRIA, ministrado por Leonardo Bomfim, propõe um mergulho na filmografia que Jean-Luc Godard construiu ao longo da década de 1960, destacando as inúmeras rupturas de linguagem que redefiniram o cinema, a partir de filmes emblemáticos como Acossado, O Desprezo, O Demônio das Onze Horas, Weekend à Francesa e Vento do Leste.


Ministrante: Leonardo Bomfim

Jornalista e Doutor em Comunicação Social (PUCRS), Natural do Rio de Janeiro, Brasil. É Programador da Cinemateca Capitólio, espaço dedicado à preservação e difusão cinematográfica localizado em Porto Alegre. Foi programador do Cine P. F. Gastal, na mesma cidade, entre 2013 e 2017. Foi curador das mostras Cinema Marginal (2008), Cinema Novo: Brasil em Transe (2017) e Cinema de Invenção (2019). Realizou trabalhos de programação para festivais brasileiros como Olhar de Cinema, Gramado e Brasília. Publicou textos em revistas como Archive Prism (Coreia do Sul), Cahiers du Cinéma (França), La Vida Útil (Argentina) e Teorema (Brasil). Já ministrou os cursos Novos Cinemas dos Anos 60; Brian De Palma: O Poder da Imagem; Lumière, Méliès & Outros Pioneiros, A Gênese da Nova Hollywood e Cinema Marginal Brasileiro pela Cine UM.


Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/02/jean-luc-godard.html

segunda-feira, 23 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Cinco Tipos De Medo'

 Nota: Filme estreia dia 09/04/26

Sinopse: Em meio ao luto, o músico Murilo encontra Marlene, enfermeira que vive um relacionamento tóxico. O destino os conecta a uma policial sedenta por vingança e um advogado misterioso, levando todos a uma jornada sem volta.

Não há como negar que Alejandro González Iñárritu fez escola ao criar tramas cujos os seus protagonistas se interligam através de uma situação inusitada. Se em "Babel" (2006) uma única bala fogo interligou diversos personagens ao redor do globo, por outro lado, "21 Gramas" (2003) todas as vidas se chocam a partir de um acidente de carro. É lógico que antes de Alejandro González Iñárritu o cinema já havia apresentado uma proposta parecida.

Quentin Tarantino, por exemplo, nos apresentou "Cães de Aluguel" (1991) e "Pulp Fiction" (1994), sendo que, além de personagens interligados no decorrer do filme, há sempre um retorno de uma determinada situação, mas sendo vista por outra perspectiva. Tudo isso que eu falei até aqui serviu de ingredientes para que o cinema brasileiro bebesse da fonte e surgisse títulos como "Cidade de Deus" (2002) onde nos apresenta um mosaico de personagens todos interligados e cujo cenário é quase remodelado através do tempo.  "Cinco Tipos de Medo" (2026) nos revela o quanto o cinema brasileiro não deve em nada em questões de histórias, técnicas e nos brindando com um longa caprichado do começo até o final de sua última cena.

Dirigido por Bruno Bini, a trama acompanha a história de um jovem chamado Murilo (João Vitor) que após perder a mãe e sobreviver ao Covid ele se apaixona e se envolve com sua antiga enfermeira Marlene (Bella Campos), que está presa em um relacionamento abusivo com Sapinho (Xamã), um traficante. Um dia, Sapinho é preso pela policial movida por vingança Luciana (Bárbara Colen) e passa a contar com a ajuda do advogado Ivan (Rui Ricardo Diaz) que possui intenções secretas. Todos estão interligados por um único motivo, mas mal sabem disso.

Já nos minutos iniciais Bruno Bini nos coloca na ação, onde vemos os principais protagonistas em situação extrema e cuja narração off se casa com perfeição com o título principal da obra. Já na abertura temos uma noção do que podemos esperar do longa, onde uma edição caprichada nos conduz a uma trama que nos prende atenção do começo ao final da obra e nos surpreende ainda mais pelo fato de tudo estar interligado e fazendo com se exige uma atenção redobrada. Há, por exemplo, situações que nos enganam, desde a uma possível morte, como também de um determinado crime.

As principais passagens da história vem e voltam a todo momento, não somente para montar um verdadeiro quebra cabeça, como também nos brindar por outra perspectiva. Logicamente não irá faltar elementos que ressoe com relação aos clássicos brasileiros, que vai desde ao já citado "Cidade de Deus" como também o cultuado "Tropa de Elite" (2007). Porém, diferente desses títulos citados, os dois lados da mesma moeda são apresentados e nos revelando que, querendo ou não, todos estão envolvidos através de um ponto de início e nascendo assim o lado vingativo do ser humano.

Bella Campos, João Victor Silva e principalmente Bárbara Colen interpretam os seus respectivos personagens de forma trágica, sendo que cada um se envolve em situações que jamais gostariam de estar, mas que são forçados a desencadear um lado até mesmo obscuro dentro de si. Se por um lado a personagem de Colen é movida pela vingança, por outro lado, o personagem de João Victor é jogado no olho do tornado e fazendo a gente se perguntar como ele chegou a tudo isso. A pergunta que fica é, se todos os eventos que foram desencadeados foi a partir da pandemia; da relação da mãe de Victor com o vizinho; ou de ele ter se apaixonado?

É um verdadeiro efeito borboleta que, logicamente, alguns irão dizer que o roteirista forçou a barra, mas o próprio mundo real já nos apresenta também situações inusitadas. O filme, portanto, talvez não soe forçado, mas sim esteja atrasado perante uma realidade em que as situações absurdas são tantas que ficção e realidade se encontram somente separadas por uma camada fina. Resta somente a gente assistir ao filme de mente aberta e desfrutar de um bom cinema nacional na medida certa.

Grande vencedor do último festival de Gramado, "Cinco Tipos de Medo" é um exemplo de como o cinema brasileiro pode ir longe em questões de produção e criatividade enquanto estiverem de mãos dadas. 


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Cine Dica: Cinema & política na Sala Redenção, arte & natureza no Centro Cultural

A Sala Redenção promove, a partir da próxima segunda-feira, dia 23 de março, a mostra “Cinema & Política”. A programação contempla nove produções – entre comédias, dramas, documentários, ficção científica e animação – que abordam temas como revolução, autoritarismo, democracia, religião, colonialismo e disputas ideológicas, evidenciando como as relações políticas atravessam o cotidiano e as experiências individuais. As sessões acontecem sempre em dois horários, às 16h e às 19h, com entrada franca e aberta ao público em geral.

A mostra inicia com “Processo Goldman” (2023), de Cédric Kahn, drama inspirado em um caso criminal que movimentou a Paris dos anos 1970. De Jean-Luc Godard, “A chinesa” (1967) acompanha um grupo de estudantes que forma uma célula maoísta em Paris, antecipando o clima de efervescência política que culminaria nos protestos de maio de 1968. 

Já “Divino amor” (2019), de Gabriel Mascaro, imagina um Brasil futurista em que religião e Estado se confundem. O filme é estrelado por Dira Paes e foi indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2020. A animação “A sirene” (2023), da iraniana Sepideh Farsi, retrata a resistência civil durante a guerra Irã-Iraque a partir do olhar de um adolescente, enquanto “Corações sujos” (2011), de Vicente Amorim, tematiza as repercussões da derrota do Eixo na Segunda Grande Guerra entre os nipo-brasileiros. 

Também integram a mostra as produções “Sementes: mulheres pretas no poder” (2020), de Éthel Oliveira e Júlia Mariano, que acompanha a onda de candidaturas de mulheres negras nas eleições de 2018; e duas obras de Silvio Tendler, “Brizola: anotações para uma história” (2024) e “Jango: como, quando e por que se derruba um presidente” (1984). Este último tem sessão comentada no dia 1º de abril, às 19h. Participam Nilo Piana, doutor em Ciência Política pela UFRGS, e Lorena Holzmann, professora aposentada do Departamento de Sociologia da Universidade. 

A mostra encerra no dia 9 de abril com a exibição de “A capela” (1979), clássico do cinema congolês dirigido por Jean-Michel Tchissoukou. O filme parte do confronto entre um missionário evangélico, um professor e um feiticeiro para expor as tensões entre as tradições e as imposições da Igreja Católica.

“Cinema & Política” tem apoio da Aliança Francesa Porto Alegre, IFCinèma, Cinemateca Africana, Taturana Mobilização Social, Ancine e Vitrine Filmes.

A Sala Redenção está localizada na Rua Eng. Luiz Englert, 333, campus centro da UFRGS.

Confira a programação completa no site oficial clicando aqui. 

domingo, 22 de março de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Every Day a Good Day'

Sinopse: Uma jovem de 20 anos cuja mãe sugere que ela comece a ter aulas de cerimônia do chá com a Sra. Takeda, conhecida por ser uma professora extraordinária e interpretada pela igualmente extraordinária KIKI Kirin.

Quando eu era criança eu não entendia certos filmes, principalmente aqueles que possuem certa complexidade, mas que nos encanta pela sua aura de mistério. "2001 - Uma Odisséia no Espaço" (1968) foi um desses casos, sendo que eu nunca antes havia testemunhado um filme como aquele e que hor sobre a perspectiva sobre o que enxergamos em nosso passado e como aquilo muda quando possuímos um olhar adulto.

Baseado no livro de grande sucessje adulto compreendo a sua total magnitude. "Every Day a Good Day" (2018) nos revela um olhao da ensaísta MORISHITA Noriko e dirigido por OMORI Tatsushi, Every Day a Good Day é estrelado por KUROKI Haru, de The Little House, no papel de Noriko, uma jovem de 20 anos cuja mãe sugere que ela comece a ter aulas de cerimônia do chá com a Sra. Takeda, conhecida por ser uma professora extraordinária e interpretada pela igualmente extraordinária KIKI Kirin. No início, Noriko se sente confusa com a natureza meticulosa da cerimônia, mas, com o tempo, passa a perceber que ela oferece uma maneira única de compreender a vida e os desafios que estão por vir.

Já nos minutos iniciais da obra a jovem protagonista disse que não entendeu nada quando assistiu ao filme "A Estrada da Vida" (1954) de Federico Fellini. O filme nos revela um olhar inocente perante um mundo do qual a protagonista ainda está descobrindo e cujo os eventos que ela testemunha, seja no cinema, na música, ou em suas próprias tradições, terão uma compreensão melhor na medida em que o tempo passa. As aulas de chá, por exemplo, são um exercício de corpo e mente, onde a jovem vai exercitando os seus reflexos, assim como também uma forma de criar uma linha sobre o tempo da inocência para a fase adulta.

O grande prazer em assistir ao filme é testemunhar a forma como eles tratam a questão de servir um simples chá como um ritual de aprendizado, de concentração e se tornando uma experiência quase sensorial. É da simplicidade que se gera disciplina e paciência e nisso o filme nos conduz aos ingredientes que, se por um lado não pertence a nossa cultura, ao menos nos ensina a buscar dentro dela. Em tempos em que a sociedade está cada vez mais presa em tecnologias é sempre bom ver um ensinamento de que os velhos costumes ainda são a melhor coisa para o corpo e o espírito.

Acima de tudo, é um filme que nos revela a inocência transitando pela fase adulta e cujo conto de fadas talvez nunca seja aquilo que a gente esperava. Ao final, vemos a jovem protagonista compreender melhor as coisas, tanto com relação ao que quer ser na vida, como também sobre ganhos  e perdas. Portanto, ao chegar em certa idade ela não só se lembra agora de "Estrada da Vida" como uma obra de arte, como também se sente orgulhosa com relação a tudo o que passou em sua própria cruzada.

"Every Day a Good Day" é sobre o passado e presente, onde as dificuldades de compreender e colocar em prática determinada situação se torna um ritual para adquirir novos caminhos no seu devido tempo. 

Onde Assistir: JFF THEATER 

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Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - O Julgamento De Viviane Amsalem

 O Cineclube Torres vai apresentar o filme israelense "O Julgamento De Viviane Amsalem" de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz próxima segunda-feira, dia 23, às 20h.

Segue a programação dedicada às mulheres na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo com filme dedicado a um direito que só foi conquistado através de muita luta. Em Israel, não há casamento civil, nem divórcio. Apenas os rabinos podem legitimar um casamento ou sua dissolução e só é possível com o consentimento do marido. Viviane Amsalem luta há três anos para recuperar sua liberdade e dignidade através do divórcio enfrentando a oposição do marido.mas o marido.

No longa, rodado inteiramente em tribunais, nos corredores da corte e dentro da sala do julgamento, brilha no papel da protagonista, com uma atuação de grande intensidade emocional, Ronit Elkabetz, diretora do filme. juntamente com o irmão Shlomi. "É um filme sóbrio, engenhoso, mas que ataca com uma fúria fria o patriarcalismo religioso que invade as relações civis em Israel. Fica ali, par a par, com o também israelense Kadosh, de Amos Gitai, e com o iraniano A Separação, de Asghar Farhadi." (Isabela Boscov)

A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. A entrada franca até a lotação do espaço. O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.


Serviço: 

O que: Exibição do filme "O Julgamento De Viviane Amsalem" (2014) de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz - Israel

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 23/3, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 20 de março de 2026

Cine Especial: 'Tempos Modernos - 90 Anos'

"Tempos Modernos" tornou-se um dos filmes mais conhecidos de Charles Chaplin principalmente por causa das cenas da primeira parte da história, nas quais o personagem Carlitos aparece como empregado de uma linha de montagem que acaba sendo engolido pela máquina. O trabalho de apertar parafusos é tão repetitivo que produz no protagonista comportamentos obsessivos mesmo fora do ambiente da fábrica. Amalucado, ele passa a apertar qualquer botão que encontrar pela frente, com os que vê no vestido de uma senhora que cruza a rua. A crítica à forma mecânica da exploração do trabalho em linhas de produção é evidente, mas não é a única que o filme faz.

Na rua, Carlitos vê passar um caminhão do qual cai uma bandeira, possivelmente vermelha (o filme é em preto e branco). Ele a pega para devolver e logo aparece, atrás dele, uma manifestação, atrás dele, uma manifestação de trabalhadores. O personagem é então preso e acusado de ser comunista. Por essa e outras o filme, supostamente de conteúdo socialista, foi proibido na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini. Nos Estados Unidos Chaplin também enfrentou dificuldades para exibi-lo, devido às críticas que faz ao capitalismo e à desigualdade social.

Nos anos de 1950, durante a chamada "caça às Bruxas", em que o senador Joseph McCarthy liderou um processo de julgamento de pessoas públicas sob a acusação de atividades antiamericanas (leia-se comunismo), este foi um dos filmes que levaram Chaplin a ser perseguido politicamente, o que culminou com seu exílio na Suíça.

Mesmo após o advento do som no cinema (a partir de 1927), Chaplin insistiu em fazer filmes sem falas, como neste caso. Apesar de mudo, "Tempos Modernos" utiliza o som de um modo Chapliniano e burlesco, quando aparecem em cena aparelhos mecânicos de reprodução sonoras, como videofones, fonógrafos e rádios, para reiterar o tema do filme sobre a tecnologia e a desumanização.

Contudo, vale ressaltar que Chaplin explorava as possibilidades estéticas do som compondo ele mesmo as trilhas de seus filmes, o que deu origem a um punhado de canções que entraram para a história, entre as quais Smile, tema da cena final do longa. "Tempos Modernos" é uma crítica à transformação do homem em máquina, onde gradualmente é substituído por novas tecnologias e fazendo do longa se tornar mais atual do que nunca. 

Onde Assistir: Pluto TV.

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