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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Cine Especial: 'Betty Blue - 40 Anos Depois'

Na abertura, em que Zorg (Jean-Hugues Anglade) e Betty (Béatrice Dalle) transam na frente do quadro da  Mona Lisa, "Betty Blue" (1986) acaba se tornando contagiante na medida em que os minutos passam. Um curioso caso de filme dramático em que a história de amor, e não exatamente as coisas que eles prezam, se tornam o foco principal. Zorg, é um pau para toda obra, não tendo muitas ambições no decorrer de sua vida. Ao conhecer Betty a mesma acaba morando com ele e ambos vivem uma tórrida relação que transita entre o amor e a loucura.

"Betty Blue" pode ser interpretado tanto a frente do seu tempo como também como um longa que sintonizou a nova geração daquele período de 1986. Pode ser analisado como uma representação de uma geração francesa que buscava a sua identidade própria. Zorg vai até o fundo do poço por Betty, desde agredir, roubar e até mesmo quase a matar. Tudo por Betty, mesmo com a possibilidade de leva-lo à ruína iminente.

Assim como alguns títulos franceses da época, "Betty Blue" parece um longa estrangeiro que copia o que o cinema norte americano apresentava naqueles tempos, onde as falsas promessas quase nunca eram alcançadas, mas que Hollywood vendia como água. Com planos abertos,  o diretor Jean-Jacques Beineix elabora planos abertos onde apreciamos os cenários e o dia a dia do casal de protagonistas. A trilha-sonora de Gabriel Yared é triste, porém, nos conquista de uma maneira contagiante.

Mesmo sendo o seu papel de estreia, Béatrice Dalle está magistral como Dalle, uma personagem bela, porém, uma verdadeira entidade da natureza imparável e que não mede esforços para obter os seus sonhos mesmo quando parece tudo impossível. Em suas três horas de duração, sendo inclusive a versão do diretor, o longa explora em potência máxima como a protagonista mudou a vida de Zorg, um filho de uma Segunda Guerra distante e sendo considerado descartável em uma França que não sabe ao certo em que direção trilhar.

Zorg escreve como ninguém as suas memórias, mas deixa em um canto qualquer da casa sem ao menos tentar a possibilidade de ser publicado por uma editora.  Betty, por sua vez, surge em sua vida com uma energia sem igual, sendo que ela foge de algo que nós desconhecemos e sonhando alto por uma realidade que se assemelha aos contos de fadas que tanto anseia em obter. Juntos eles dão de encontro com a paixão e cujo sexo se torna uma forma de esquecer os dilemas da vida que tanto os aflige a cada dia que passa.

Essa relação que transita entre o céu e o inferno faz com que o casal central mude de vida a todo momento, sendo de pintores de casas de refugiados para vendedores de piano na casa de um amigo. Tudo girando em uma forma de melhorar o amor que ambos passam, mesmo correndo certo risco de entrarem em um labirinto sem fim em que as emoções os traem a todo momento. Ao final, o destino acaba se tornando cruel, onde os sonhos estilhaçados fazem ambos serem levados ao inferno astral, mesmo quando um fio de esperança surja mesmo de uma forma tão tardia.

"Betty Blue" possui uma identidade própria ao conseguir explorar aquele casal de protagonistas que possuem uma imensa paixão, mas que infelizmente obtém também uma força destruída que os levam ao amargurado fim. Por mais que tenham força de vontade parece que Zorg e Betty chegam ao ponto que a desistência em não continuar lutando seria uma forma de manter o que haviam construído e para que assim, ao menos um deles, possa se lembrar dos melhores momentos. Uma representação de uma parcela francesa em busca do seu lugar no mundo e qual ainda viveria com mudanças ao final do século.

"Betty Blue" é o retrato de uma geração oitentista em busca de uma paixão genuína, mas que acaba dando de encontro com a sua própria aura destrutiva. 

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema: "800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva" (16/05) no Cine Bancários

Neste sábado, dia 16 de maio, nosso encontro será no Cine Bancários, às 10h15 da manhã, onde assistiremos ao documentário 800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva, de Thiago Lazeri. A sessão contará com a presença do diretor, que conversará conosco após o filme.

Partindo da catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o filme acompanha personagens que viveram diretamente os impactos das enchentes e da destruição provocada pelo maior desastre ambiental da história do estado. A partir de relatos e imagens marcadas pelos vestígios da tragédia, o documentário procura registrar não apenas a dimensão material das perdas, mas também as transformações subjetivas, os traumas e os esforços de reconstrução que permaneceram após a água baixar.


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 16/05, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cine Bancários

Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre

🎤 Sessão comentada com o diretor Thiago Lazeri


800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva

Brasil, 2024, 65min

Direção: Thiago Lazeri

Roteiro: Thiago Lazeri e Vitor Chagas

Sinopse: Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história. Em apenas dez dias, cidades inteiras foram devastadas pela chuva, pela lama e pelas enchentes. A partir dos testemunhos de pessoas que atravessaram essa experiência, o documentário acompanha histórias de perda, sobrevivência e reconstrução, refletindo sobre memória, trauma coletivo e os impactos sociais e ambientais da tragédia. 

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Cine Dica: Cinesemana de 14 a 20 de maio de 2026

A cinesemana de 14 a 20 de maio destaca três novos filmes na nossa programação, sendo uma produção espanhola e dois títulos brasileiros. Da Espanha vem SURDA, elogiado filme da diretora Eva Libertad e que traz uma reflexão sobre os desafios da maternidade a partir das dúvidas de uma mãe que é deficiente auditiva. As estreias brasileiras são MAMBEMBE, do diretor Fabio Meira, um roadmovie que destaca personagens femininas do universo circense do Nordeste, e PERTO DO SOL É MAIS CLARO, um filme protagonizado pelo ator Reginaldo Faria e que reúne suas vivências sobre o envelhecimento.

O enfrentamento de problemas de saúde serve de pano de fundo para dois títulos que seguem em cartaz nesta semana: ERA UMA VEZ MINHA MÃE é baseado na autobiografia do advogado Roland Perez, nascido com uma condição de deficiência; e NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre um jovem francês que revê algumas prioridades antes de iniciar o tratamento contra um câncer. Também continuam em exibição filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, incluindo BETTY BLUE, drama erótico francês relançado nos cinemas depois de 40 anos. Outras atrações são PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus.

Esta é a última semana para conferir A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes; o longa-metragem gaúcho EDIFÍCIO BONFIM, inspirado nas lendas fantásticas da ilha de Florianópolis; ECLIPSE, o novo filme da cineasta Djin Sganzerla e com ela como protagonista.

Confira a programação completa da Cinemateca clicando aqui. 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Fanon'

Sinopse: A trajetória revolucionária do psiquiatra e filósofo martinicano Frantz Fanon, que lutou pela libertação da Argélia.

No filme brasileiro "Nise — O Coração da Loucura" (2015), vemos Glória Pires interpretar uma psiquiatra que enfrentou o sistema arcaico da época para buscar um tratamento mais digno a pessoas com sofrimento mental. Às vezes, porém, o desafio perante o sistema leva o indivíduo a um patamar cujo cenário é muito maior do que se imagina. "Fanon" (2026) fala sobre um médico que se envolveu em uma luta anticolonial e cujo exemplo ressoa até os dias de hoje.

Dirigido por Jean-Claude Barny, o filme narra a história de Fanon, um psiquiatra de origem martinicana cujo desafio profissional é chefiar os serviços do hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia. Rapidamente, seus métodos inovadores e seu tratamento humanístico atraem a ira de colegas e do diretor da instituição. Determinado, Fanon não abandona seus princípios; perante o conflito entre argelinos e colonizadores franceses, ele opta por ficar ao lado dos "condenados da terra".

Barny constrói um cenário, por vezes claustrofóbico, dentro da clínica, mas que aos poucos ganha luz à medida que Fanon faz a diferença. Acreditando no diálogo e na prática de suas virtudes, o protagonista não mede esforços para tratar seus pacientes como seres humanos, mesmo que precise desafiar seus superiores ou o próprio poder estabelecido. Conforme a trama avança, percebe-se que era questão de tempo até que seu papel médico se tornasse indissociável da luta política no país.

Alexandre Bouyer se sai bem ao encarnar Fanon, construindo um personagem que contém seus sentimentos perante o horror da injustiça, mas que não esconde no olhar uma revolta prestes a explodir. Entretanto, Stanislas Merhar se sobressai ao interpretar um sargento francês que não consegue mais ocultar o trauma das atrocidades cometidas a mando do governo, revelando-se um homem mentalmente quebrado. O embate entre ambos rende momentos de tensão, evidenciando dois lados de uma mesma moeda nesse conflito.

Em suma, o filme aborda uma luta universal com a qual todos podem se identificar, especialmente aqueles que defendem a liberdade. Por mais que a causa aparente ser perdida em certos momentos, o tempo faz justiça àqueles que acreditaram no sonho, mesmo quando não puderam testemunhar sua concretização. Embora se alongue um pouco em passagens específicas, a obra prende a atenção pelo tema necessário.

"Fanon" resgata uma figura histórica por vezes desconhecida do grande público, mas que merece ser descoberta em tempos em que o mundo ainda lida com as sombras do colonialismo.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 14 A 20 DE MAIO

 ESTREIAS:

PERTO DO SOL É MAIS CLARO

SURDA

Espanha/ Drama/ 2025/ 99min

Direção:EVA LIBERTAD

Sinopse: Ângela, uma mulher surda, vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte, Hector. Com a chegada do bebê, Ângela precisa enfrentar os desafios e complexidades de ser mãe em um mundo que não foi preparado para pessoas como ela.

Elenco:  Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta


PERTO DO SOL É MAIS CLARO

Brasil/Drama/2025/110min.

Direção: Regis Faria

Sinopse: Comovente retrato de Regi, engenheiro carioca de 85 anos, no momento em que lida com a perda recente de sua esposa. A resiliência e o poder do amor nas complexidades do envelhecimento.

Elenco: Reginaldo Faria, Marcelo Faria, Vanessa Gerbelli, André Faria.


EM CARTAZ:

AQUI NÃO ENTRA LUZ

Brasil/Documentário/2025/78min.

Direção: Karol Maia

Sinopse: Entre memórias pessoais e pesquisas históricas, uma cineasta, filha de uma trabalhadora doméstica, percorre o Brasil procurando rastros da escravidão na arquitetura. No caminho, encontra outras mulheres que enfrentam o mesmo legado.


HORÁRIOS SESSÕES DE 14 A 20 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

15h: AQUI NÃO ENTRA LUZ

17h: PERTO DO SOL É MAIS CLARO

19h: SURDA


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 12 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Surda'

Nota: O filme estreia dia 14 de maio.

Sinopse: A surdez de Angela gera preocupações durante sua gravidez sobre a conexão com sua filha. Após o parto, seu parceiro Héctor a apoia enquanto ela aprende a ser mãe em uma sociedade que não oferece acomodações adequadas para pessoas com deficiência auditiva.

Nos últimos tempos, o cinema tem explorado protagonistas cujo desafio é viver em um mundo silencioso e aprender a coexistir com ele. Se em "O Som do Silêncio" (2019) vemos o personagem lidando com uma perda súbita, e em "No Ritmo do Coração" (2021) testemunhamos uma família adaptada ao silêncio enfrentando o preconceito, "Surda" (2026) nos revela uma mulher que precisa aceitar um mundo onde o som é onipresente, enquanto busca o direito de ser compreendida em sua totalidade.

Dirigido por Eva Libertad, o filme narra a história de Angela (Miriam Garlo), uma mulher surda que vivencia a maternidade pela primeira vez ao lado de seu parceiro ouvinte, Héctor (Álvaro Cervantes). Com a chegada do bebê, Angela enfrenta as complexidades de ser mãe em uma estrutura social que não foi projetada para pessoas como ela.

Eva Libertad constrói a trama com uma delicadeza e simplicidade que cativam pelo carinho do olhar. Grande parte dessa atmosfera se deve ao fato de a cineasta dirigir a própria irmã; isso transforma a obra em algo que transcende a ficção, tornando-se um retrato quase real dos sentimentos da atriz Miriam Garlo. O filme parece ter sido moldado para ela, que consegue transmitir emoções genuínas, permitindo ao espectador uma dimensão mais profunda de sua realidade.

A protagonista Angela transita bem em seu cotidiano com o apoio de um parceiro que compreende sua condição. Contudo, após o nascimento da filha — que não possui a mesma deficiência — Angela passa a se sentir deslocada, como uma "estranha no ninho". Testemunhamos sua ação e reação: em boa parte da trama, ela observa o entorno, buscando formas de interagir sem se sentir isolada.

Em uma era de hiperconectividade e perda de privacidade, o filme revela que não ouvir o som ao redor tem seu lado negativo, mas também nos permite enxergar o que as pessoas, em geral, já não conseguem notar. A comunicação é o que nos torna humanos; mesmo na ausência de um sentido primordial, o toque e a compreensão bastam para eliminar o deslocamento. O ato final é primoroso: Angela aprende por meio de experiências duras, e o uso de cenas sem som algum torna a experiência cinematográfica sublime.

Vencedor de três prêmios Goya, "Surda" é um retrato delicado de quem luta contra limitações impostas pelo meio, ansiando apenas por ser notada e sentir-se verdadeiramente viva.

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Cine Dica: Newsletter de 14 a 20 de maio

Mostra Diana Ross no Cinema revisita a trajetória de uma das maiores figuras da cultura popular do século XX, enquanto as cópias restauradas de Suspiria e Veneno para as Fadas seguem em cartaz.A Cinemateca divulga sua programação de 14 a 20 de maio, com destaque para a mostra Diana Ross no Cinema, dedicada à trajetória cinematográfica de uma das figuras mais influentes da cultura popular no século XX e referência fundamental para a cultura afro-americana.

A mostra reúne três títulos estrelados por Diana Ross durante a década de 1970: o musical cult O Mágico Inesquecível (The Wiz, 1978), dirigido por Sidney Lumet; Mahogany (1975), melodrama ambientado no universo da moda; e O Ocaso de uma Estrela (Lady Sings the Blues, 1972), cinebiografia de Billie Holiday que rendeu à artista uma indicação ao Oscar. Todas as sessões da mostra têm entrada franca.

A programação da semana também conta com as cópias restauradas em 4K de Suspiria (1977), clássico absoluto do horror de Dario Argento, e Veneno para as Fadas (1986), obra-prima do cinema fantástico mexicano dirigida por Carlos Enrique Taboada. Informamos também que, devido a um problema técnico temporário, a divulgação da programação da Cinemateca está sendo realizada, neste momento, exclusivamente por meio de nosso Instagram (@cinematecacapitolio) e mailing eletrônico.

Confira a programação completa da Cinemateca clicando aqui.