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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.Me acompanhem no meu: X: @cinemaanosluzFacebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Cine Especial: Revisitando 'Willow - Na Terra da Magia'

Eu conheci o clássico de fantasia e aventura "Willow - Na Terra da Magia" (1988) de uma forma muito inusitada. No final dos anos oitenta, eu ainda era uma criança e não podia ir sozinho ao cinema. Conhecer o longa não foi através de trailers ou até mesmo quando o filme foi exibido pela primeira vez na TV, mas sim bebendo Toddy.

A coleção promocional do Toddy inspirada no filme consistia em miniaturas de plástico dos personagens. Logicamente era uma forma de a empresa vender bastante as suas garrafas, já que cada uma vinha com um personagem diferente. Não é preciso ser gênio para saber que o bonequinho do "Willow" foi algo difícil de achar na época, depois de diversas compras.

Anos mais tarde, fui conhecer o longa em uma determinada noite na sessão da Tela Quente, da Globo, no início dos anos 90. Para uma criança como eu, foi uma alegria conhecer finalmente do que se tratava a história, já que eu somente tinha uma noção através de um resumo que vinha atrás da embalagem do Toddy. Mas vamos à história.

Dirigido por Ron Howard, na época conhecido pela direção de "Cocoon" (1985), e produzido por George Lucas, a trama se situa em um mundo mágico, onde conhecemos Willow Ufgood (Warwick Davis), um fazendeiro e aprendiz de mago, e Madmartigan (Val Kilmer), um grande esgrimista, que saem juntos em uma jornada numa terra devastada pela magia e monstros para salvar a vida de uma pequena princesa. De acordo com a profecia, essa bebê pode dar fim ao reinado da Rainha Má que atormenta a região.

Nascido de uma ideia vinda de George Lucas, o filme surgiu em um momento em que o gênero de fantasia e aventura não estava fazendo o mesmo sucesso de antigamente, mesmo quando alguns títulos obtiveram o seu status de cult, como foi o caso do ótimo "Krull" (1983). Porém, Lucas via no projeto uma forma de não somente criar uma boa aventura à moda antiga, como também testar alguns efeitos visuais novos que estavam sendo desenvolvidos na época. O resultado, revisto hoje, nos faz perceber como o longa se tornou pioneiro com relação a alguns efeitos técnicos que hoje se tornaram rotineiros no mercado.

Com recursos do estúdio Industrial Light & Magic, o filme foi um dos primeiros a usar o recurso de morphing digital, que permitia transições fluidas, contínuas e realistas entre duas imagens diferentes em live-action, sem a necessidade de cortes de câmera ou técnicas tradicionais de sobreposição. Esse recurso foi usado na marcante cena em que a feiticeira Fin Raziel (Patricia Hayes) é transformada consecutivamente em vários animais (uma cabra, uma avestruz, um pavão, um tigre) até finalmente retornar à sua forma humana. Logicamente, o recurso foi aprimorado em filmes revolucionários como "O Exterminador do Futuro 2" (1991) e, posteriormente, "Jurassic Park" (1993).

Mesmo com esses recursos de ponta, o filme possui diversos elementos técnicos tradicionais daquela época e que, revistos hoje, ganham maior peso em cena. O imenso dragão de duas cabeças que surge no decorrer da trama foi criado através do velho e bom stop motion, mas aprimorado através de computadores, sendo rebatizado na época de go-motion. Já no departamento de maquiagem, ninguém esquece da assustadora cena em que praticamente todos os protagonistas são sucumbidos aos poderes da feiticeira malvada, transformando-se em porcos em uma clara alusão ao clássico "A Odisseia", de Homero.

Visualmente, nota-se que George Lucas criou aquele universo bebendo muito da fonte da obra de J. R. R. Tolkien, ou seja, "O Senhor dos Anéis". Quando testemunhamos pela primeira vez a vila onde Willow mora, imediatamente nos vem à mente a passagem do "Condado" e dos carismáticos hobbits. Vale destacar que a produção foi pioneira ao contratar mais de duzentas pessoas com nanismo para interpretar os moradores daquele local, tornando esse momento ainda mais mágico e verossímil.

Conhecido na época por ter dado vida ao pequeno guerreiro Wicket em "Star Wars: O Retorno de Jedi" (1983), Warwick Davis obtém aqui o grande papel de sua carreira ao interpretar um jovem aprendiz de feitiços que carrega a insegurança sobre prosseguir ou não com o seu sonho. Tudo muda quando ele se torna uma espécie de herói predestinado a proteger a pequena princesa e levá-la em segurança para se tornar uma futura rainha. Qualquer semelhança com "A Jornada do Herói" de Joseph Campbell não é mera coincidência, já que essa estrutura ainda hoje serve de base para conquistar novas plateias.

Vale destacar que este foi um dos primeiros sucessos de Val Kilmer, na época colhendo os louros após ter sido coadjuvante em "Top Gun - Ases Indomáveis" (1986). O seu Madmartigan nada mais é do que um esgrimista desgarrado que não tem o menor interesse em se envolver em grandes missões, mas que, com o tempo, não tem outra escolha a não ser demonstrar o que sabe fazer de melhor com uma espada. Merece destaque também o seu par romântico, Sorsha, interpretada pela atriz Joanne Whalley, com quem viria a se casar após as filmagens.

Com personagens carismáticos, muita magia, ação e aventura, o filme acabou ganhando status de cult no decorrer dos anos, mesmo tendo tido apenas um relativo sucesso nas bilheterias na época do lançamento. Ao meu ver, as crianças sempre se identificaram com Willow: um protagonista pequeno, mas com uma força de vontade gigantesca para fazer o bem e proteger a pequena princesa frente às forças do mal. Para mim, foi uma grande aventura que começou a partir do momento em que passei a colecionar bonequinhos de plástico que vinham na garrafa de Toddy, fazendo-me embarcar em uma jornada inesquecível que marcou a minha infância como um todo.

Lançado recentemente em uma edição especial em DVD pelo selo "Obras Primas do Cinema", "Willow - Na Terra da Magia" é um grandioso clássico de aventura à moda antiga que continua conquistando o coração de várias gerações ao longo das décadas.

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Cine Dica: Clube de Cinema: "O Diabo" (31/10) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (31/10), às 10h15 da manhã, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para uma sessão do filme O Diabo, de Andrzej Zulawski, diretor do clássico cult Possessão.

Ambientado na Polônia do século XVIII, o segundo longa-metragem de Zulawski transforma um drama histórico em uma narrativa fragmentada, marcada pela violência, pelo delírio e pela presença constante do sobrenatural. A trajetória do protagonista serve de ponto de partida para uma alegoria sobre a ruína de uma sociedade e o poder político, realizada por meio de uma estética de pesadelo que subverte convenções religiosas e morais. Censurado pelas autoridades polonesas, o filme antecipa o estilo excessivo e provocador que marcaria a obra do cineasta.


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA


📅 Data: Sábado, 31/10, às 10h15

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


O Diabo (Diabel)

Polônia, 1972, 119min

Direção e roteiro: Andrzej Zulawski

Elenco: Wojciech Pszoniak, Leszek Teleszyński, Małgorzata Braunek, Iga Mayr, Wiktor Sadecki, Michal Grudziński, Maciej Englert, Monika Niemczyk

Sinopse: Na Polônia do século XVIII, Jakub, um jovem preso por conspirar contra o rei, é libertado por um misterioso homem conhecido como o Diabo. Ao retornar à vida que deixou para trás, encontra a família e os antigos vínculos profundamente alterados. Acompanhado por uma freira que encontra durante a fuga, percorre um país em crise, enquanto o caos ao seu redor põe em dúvida a fronteira entre realidade, loucura e influência sobrenatural.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (29/10/26)

 O BOSQUE SELVAGEM

Sinopse: Existe um bosque escondido logo depois da cidade, um lugar que não aparece em nenhum mapa e de onde dizem que ninguém volta. É para lá que uma revoada de corvos leva o irmão de Prue (Giulia Benite), enviados por uma feiticeira que precisa dele para seus planos sombrios. 


A TERRA DO MEU PAI

Sinopse: A Terra do Meu Pai acompanha a complexa relação entre o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann (Hanns Zischler) e sua filha Erika (Sandra Hüller), uma multifacetada atriz, escritora e pilota de rali. No verão de 1949, durante o ápice da Guerra Fria, pai e filha embarcam em uma densa e emocionante road trip a bordo de um Buick preto pelas ruínas da Alemanha, partindo de Frankfurt sob domínio estadunidense até a Weimar sob controle soviético.


RAZÃO E SENSIBILIDADE

Sinopse: Após perderem sua casa, as irmãs Elinor e Marianne Dashwood se mudam para uma propriedade distante, onde enfrentam desafios financeiros e descobrem as complexidades do amor na Inglaterra do século 19.


100 DIAS

Sinopse: Sozinho em um pequeno barco, Amyr Klink desafia o Atlântico Sul a remo e escreve uma história que nunca havia sido tentada. Em 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha, a travessia entre a África e o Brasil se transforma em uma batalha contra o medo, a solidão e os próprios limites. Enquanto o corpo resiste ao mar, a mente enfrenta memórias, conflitos familiares e escolhas que moldaram quem ele é. Mais do que cruzar um oceano, Amyr precisa atravessar a si mesmo.


TRÊS HORAS PARA VIVER

Sinopse: TRÊS HORAS PARA VIVER acompanha Hank Malone (Alan Ritchson), um transportador de elite contratado para uma missão urgente: levar um órgão vital que pode salvar a vida de uma garotinha de 7 anos. Ao seu lado está o Ben Bishop (Owen Wilson), responsável por proteger e monitorar o carregamento durante todo o trajeto. 


AS DEZ VANTAGENS DE MORRER DEPOIS DE VOCÊ

Sinopse: Arrasada após a morte trágica de sua melhor amiga, Gabriela descobre que ela deixou um presente de despedida inesperado: dez cartas com desafios para ajudá-la a superar o luto.

A CAIXA DO DEMÔNIO

Sinopse: Em A CAIXA DO DEMÔNIO, após a morte da mãe, Ellen se muda para uma pequena cidade e acolhe seu primo Winthrop, um veterano do exército com um passado conturbado. Quando eventos estranhos começam a acontecer e os moradores passam a desconfiar dele, Ellen precisa descobrir se Winthrop é apenas um homem traumatizado ou se algo muito mais sombrio se esconde por trás dele.

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Cine Dica: Cinesemana de 29 de outubro a 4 de novembro de 2026

A cinesemana que encerra outubro marca a estreia de MEDLEY, novo longa da diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo. Com foco no público infantojuvenil, o filme é uma adaptação do livro homônimo de Keka Reis e que foi inspirado na vida da própria autora. Nesta semana, também entramos na programação do Festival de Cinema Francês do Brasil, que vai reunir 21 títulos inéditos nos cinemas do país. Entre 2 e 6 de novembro, fazemos uma pausa nas nossas atividades para receber mais uma edição do Frapa, o Festival de Roteiro de Porto Alegre, com uma programação intensa e sessões inéditas de curtas e longas brasileiros.

Entre os filmes que seguem em cartaz estão a comédia erótica I WANT YOUR SEX, novo trabalho do diretor Gregg Araki e protagonizado pela atriz Olivia Wilde; e MEU VERÃO NA SICILIA, primeiro longa da diretora italiana Margherita Spampinato.

Três títulos ganham suas últimas exibições nesta semana: RAN, de Akira Kurosawa, que voltou aos cinemas em cópia restaurada; ROSEBUCH PRUNNING, novo longa do diretor cearense Karin Ainouz; e MUITO PRAZER, comédia dirigida por Jorge Furtado.

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Arco'

Sinopse: Arco é um menino de dez anos vindo de um futuro pacífico que acidentalmente viaja no tempo para o ano de 2075. Ao descobrir um mundo em perigo, ele se une a uma jovem e seu robô cuidador em uma jornada para voltar para casa.

Quando o assunto é fantasia no cinema atual, muitos logo se lembrarão do Studio Ghibli. O estúdio japonês criou obras-primas como o clássico "A Viagem de Chihiro" (2001) e tornou-se fonte de inspiração para o mundo todo. Ao assistir a "Arco" (2025), percebo similaridades com a linguagem do estúdio oriental, mas a produção ganha luz própria ao encantar com uma história fantástica e, ao mesmo tempo, singela.

Dirigido por Ugo Bienvenu, o filme acompanha Arco, um garoto de 10 anos que vive no ano de 2932, época em que a civilização habita entre as nuvens. Certo dia, ele pega "emprestada" a capa de sua irmã — traje que lhe permite viajar ao passado — e acaba caindo no ano de 2075, onde encontra a jovem Iris, seu pequeno irmão e o robô cuidador da família. Juntos, eles tentam encontrar um meio de mandar Arco de volta para casa, enfrentando diversos obstáculos ao longo dessa jornada.

Visualmente, o longa lembra bastante a HQ de ficção científica "Paciência" (2016), do quadrinista Daniel Clowes, com a qual compartilha a temática da viagem no tempo. Contudo, enquanto o conto de Clowes se envereda por um tom mais pessimista, esta animação francesa transborda pura magia ao unir aventura e ficção científica sob o olhar de crianças que veem suas fantasias se tornarem realidade. Tudo isso é moldado por meio de uma animação tradicional 2D, com pontuais retoques em CGI, preservando o encanto e o frescor das produções de antigamente.

É fascinante observar o contraste tecnológico entre os tempos que separam Arco e Iris. O período da garota guarda mais semelhanças com a nossa realidade, ainda que permeado por certas tecnologias futuristas. O filme traça um paralelo sobre como os avanços tecnológicos podem distanciar os seres humanos — algo sintetizado com precisão na cena em que Iris interage apenas com hologramas dos próprios pais. Curiosamente, é o robô Mikki que acaba assumindo uma figura paterna para a jovem, com uma fidelidade absoluta que protagoniza um dos momentos mais emocionantes da obra.

Além disso, o design dos robôs remete àqueles descritos por Isaac Asimov em seus livros, que por sua vez inspiraram o curta "O Segundo Renascimento" (2003), da coletânea Animatrix. Ou seja, trata-se de uma obra recheada de referências a clássicos da ficção, mas que mantém sua personalidade ao usar fórmulas consolidadas para erguer uma belíssima aventura.

No fim das contas, "Arco" é um filme capaz de agradar a todas as idades: diverte e encanta as crianças ao mesmo tempo em que oferece uma camada profunda de reflexão para os adultos. Trata-se de uma das animações mais surpreendentes dos últimos anos, cuja força visual e poética enche os nossos olhos.

Onde Assistir: MUBI

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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 29 de outubro a 4 de novembro de 2026

A programação semanal da Cinemateca Capitólio traz sessão especial de Halloween com Pânico de Wes Craven, um clássico hitchcockiano, animações brasileiras e muito mais!

De 29 de outubro a 4 de novembro, a programação da Cinemateca Capitólio reúne cinema brasileiro, sessões gratuitas do Dia Internacional da Animação, um clássico de Alfred Hitchcock, um remember da mostra Bressane 80 e uma noite especial de Halloween com Pânico, de Wes Craven, que completa 30 anos.

A semana começa com a continuidade de Papaya, animação de Priscilla Kellen, e a estreia de Medley, novo longa-metragem de Ana Luiza Azevedo. Na terça-feira (3), Medley ganha uma sessão especial seguida de debate com a presença da diretora.

O sábado (31) é intenso e concentra seis sessões, começando com a programação do Dia Internacional da Animação e passando por Hitchcock, Azevedo e Bressane até chegar à aguardada sessão de Halloween. Na quarta-feira (4), o JFF Discover Kabuki Tour, em parceria com a Fundação Japão, traz a Porto Alegre duas exibições de Cinema Kabuki e uma experiência corporal dedicadas ao teatro japonês.


Cinema brasileiro em cartaz

Em continuidade na programação, Papaya, animação dirigida por Priscilla Kellen, acompanha uma pequena semente de mamão que sonha em voar e precisa continuar se movendo para não criar raízes. Ao descobrir a força das conexões subterrâneas, ela transforma o ambiente ao seu redor e encontra um caminho inesperado para realizar seu sonho.

A partir de quinta-feira (29), entra em cartaz Medley, de Ana Luiza Azevedo. O filme acompanha Lola, uma adolescente de 16 anos que enfrenta a ausência misteriosa do pai, uma relação difícil com a mãe e as próprias limitações na natação. Durante as férias em Salto Bonito, novas amizades, um romance e a entrada para o time de natação da cidade despertam memórias e sentimentos que a levam a confrontar os traumas do passado. O longa é uma adaptação do livro Medley ou os Dias em que Aprendi a Voar, de Keka Reis.

Na terça-feira (3), às 19h, haverá uma sessão especial de Medley, seguida de debate com a presença da diretora Ana Luiza Azevedo. Os ingressos custam R$16,00 (inteira) e R$8,00 (meia), pagamento apenas em dinheiro.


Sábado de animação, clássico hitchcockiano e Halloween

No sábado (31), a programação começa às 14h com a Mostra Infantil do Dia Internacional da Animação, que reúne curtas-metragens brasileiros sobre amizade, generosidade, imaginação e descobertas. Às 15h, a Mostra Especial Itinerante Mulheres na Animação, apresenta filmes de realizadoras com técnicas e propostas variadas. Ambas as sessões fazem parte da programação do Dia Internacional da Animação e têm entrada franca.

Às 17h, a Sessão Clássicos apresenta Um Barco e Nove Destinos (1944), de Alfred Hitchcock. Ambientado inteiramente em um barco salva-vidas à deriva no Atlântico Norte durante a Segunda Guerra Mundial, o filme reúne sobreviventes de diferentes origens, cuja convivência se transforma após o resgate de um marinheira alemão.

Às 19h, será exibido Medley, de Ana Luiza Azevedo. Na sequência, às 20h45, a programação traz novamente um dos títulos da mostra Bressane 80, Memórias de um Estrangulador de Loiras (1971), filme realizado por Júlio Bressane durante o seu exílio em Londres e que acompanha um serial killer que assassina ininterruptamente mulheres louras. A sessão tem entrada franca.


Uma noite em Pânico na Capitólio

Às 22h, a Cinemateca Capitólio celebra o Halloween com uma sessão especial de Pânico (Scream, 1996), de Wes Craven, que completa 30 anos em 2026. A exibição integra a já tradicional sessão de Halloween da Cinemateca e convida o público a reencontrar na tela grande um dos títulos marcantes do cinema de terror dos anos 1990.

Na pequena cidade de Woodsboro, um assassino em série passa a perseguir adolescentes, fazendo perguntas sobre filmes de terror às suas vítimas. As respostas podem determinar quem sobrevive. O filme de Craven, que anteriormente foi responsável pela direção de clássicos do gênero como Quadrilha de Sádicos (1977) e A Hora do Pesadelo (1984), combina suspense, violência e humor, brincando com as convenções do gênero ao mesmo tempo que constrói uma história de terror.

Os ingressos custam R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia) e estão à venda desde 24 de outubro, nos horários de bilheteria da Capitólio. A sessão é uma parceria com a Associação de Amigos e Amigas da Cinemateca Capitólio (AAMICCA) e o pagamento pode ser realizado via PIX.


Cinema Kabuki chega a Porto Alegre

Na quarta-feira (4), o JFF Discover Kabuki Tour, em parceria com a Fundação Japão, apresenta duas obras do teatro japonês filmadas: às 17h10, a comédia Migawari Zazen (The Zen Substitute), sobre um marido mulherengo e a uma esposa ciumenta; e, às 18h30, Renjishi, célebre pela dança dos leões e pelos movimentos expressivos de suas jubas. Das 19h30 às 20h30, o público também poderá participar gratuitamente da experiência corporal Kumadori, dedicada à caracterização visual do Kabuki.


GRADE DE HORÁRIOS

Semana 29 de outubro a 4 de novembro de 2026


29 de outubro (quinta-feira)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


30 de outubro (sexta-feira)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


31 de outubro (sábado)

14:00 – Dia Internacional da Animação/Mostra Infantil: Esperança, O Leaõ e o Rato, Vaca Amarela, O Jardim Mágico, O Chapéu do Zezéu, A Viagem de Tetê (entrada franca)

15:00 – Dia Internacional da Animação/Mostra Especial Mulheres – Dia Itinerante POA: Uma Menina, um Rio, A Rede, Daninha, Na Beira, A Tragédia do Lobo Guará, See, Posso Contar nos Dedos, O Projeto do Meu Pai (entrada franca) – 72 minutos

17:00 – Sessão Clássicos: Um Barco e Nove Destinos (entrada franca) – 97 minutos


19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

20:45 – Reprise Mostra Bressane 80: Memórias de um Estrangulador de Loiras (entrada franca) – 70 minutos

22:00 – Programação Especial Halloween: Pânico 30 Anos (R$ 20,00 e R$ 10,00) – 111 minutos


1º de novembro (domingo)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


3 de novembro (terça-feira)

15:00 – Papaya (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 74 minutos

17:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

19:00 – Medley, sessão comentada com a diretora Ana Luiza Azevedo (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos


4 de novembro (quarta-feira)

15:00 – Medley (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 96 minutos

17:10 – Cinema Kabuki: Migawari Zazen (entrada franca) - 62 min.

18:30 - Cinema Kabuki: Kenjishi (entrada franca) - 55 min.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'OVERMAN'

Sinopse: O protagonista Overman (Caco Ciocler) é um super-herói em decadência, desempregado, endividado e vivendo escondido em uma pensão de terceira categoria, preso a uma profunda crise existencial e aos seus próprios excessos.

Quando o público geral pensa em quadrinhos brasileiros, imediatamente vem à mente a "Turma da Mônica". Porém, há HQs mais corajosas, cuja linguagem sintetiza os altos e baixos de um país sempre em conflito com governos, com o sistema capitalista e com uma luta de classes que até hoje não tem fim. Neste cenário, é preciso dar destaque à obra de Laerte Coutinho.

Criadora de tiras icônicas como "Piratas do Tietê", a cartunista teve seu universo levado ao cinema na animação "A Cidade dos Piratas" (2018), de Otto Guerra — filme que, revisto hoje, parece quase profético quanto ao que o Brasil enfrentaria nos anos seguintes. Entre suas criações mais memoráveis está o Overman, um super-ser repleto de problemas cotidianos com os quais qualquer brasileiro se identifica, o que fez da tirinha um sucesso cult imediato. Eis que chega agora aos cinemas "Overman" (2026), uma adaptação que vai na contramão das convenções do gênero.

Dirigido por Tomás Portella, o longa nos apresenta Overman (Caco Ciocler), um super-herói desempregado à beira de um colapso emocional e financeiro, buscando com todas as forças um propósito de vida. Tudo muda quando ele recebe uma proposta para trabalhar na Secretaria de Segurança Pública e enxerga ali a chance de colocar a vida nos eixos. Contudo, quando Pâmela, sua fiel ajudante, começa a se tornar tão famosa quanto ele, Overman precisa lidar com as crises de ego, além de descobrir que uma alta figura de autoridade pode estar prejudicando a cidade.

É fácil comparar o protagonista a outros personagens que fogem à regra básica do gênero, como o Deadpool. Em ambos os casos, são figuras que subvertem o heroísmo tradicional, mesmo quando se veem forçadas a se alinhar ao sistema para obter alguma redenção no meio do caminho. No caso de Overman, ele tenta colocar em prática seu lado heroico, mas sem alcançar no íntimo a realidade que desejava.

Tomás Portella constrói uma trama que coloca o personagem diante de um dilema existencial curioso e com o qual qualquer brasileiro se identificará. A veia criativa de Laerte está pulsante na tela, a ponto de certas situações absurdas se tornarem metáforas perfeitas daquilo que ouvimos em tempos turbulentos de um Brasil fragmentado. A ideia de retratar o vilão como o próprio sistema capitalista pode soar caricata à primeira vista, mas faz todo o sentido dentro do embate enfrentado pelo protagonista.

Caco Ciocler se destaca ao interpretar um personagem que poderia facilmente parecer ridículo em uma versão em live-action. O ator captou com perfeição o tom da obra: visualmente e em sua personalidade sarcástica, o Overman da tela é extremamente fiel às tiras, sem deixar de lado pontuais momentos de ousadia. Claro que o espectador habituado ao lado mais comercial e higienizado do gênero achará o longa estranho, mas é justamente esse estranhamento que o torna um ponto fora da curva em uma época em que os filmes de super-heróis já tiveram dias mais gloriosos.

"Overman" é uma ótima adaptação da obra de Laerte Coutinho, provando que também temos nossos próprios heróis nos quadrinhos — mas com um tempero e um caldo genuinamente brasileiros.

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