Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'O Morro dos Ventos Uivantes'

Sinopse:  intensa e destrutiva paixão entre Heathcliff, um órfão adotado, e Catherine Earnshaw, filha de seu benfeitor, nas charnecas inglesas. 

O livro "Morro dos Ventos Uivantes" (1847), da escritora Emily Brontë, entra facilmente na lista das obras literárias essenciais para as pessoas lerem antes de morrer. No decorrer da história do cinema já houve algumas adaptações significativas, como aquela lançada em 1939 e protagonizada por Laurence Olivier. Agora chega a versão de "O Morro dos Ventos Uivantes" (2026) para o século 21 e que com certeza dividirá a opinião de alguns.

Dirigido por Emerald Fennell, do filme "Bela Vingança" (2020), o filme conta a  história das famílias Earnshaw e Linton. Centrada em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), um romance intenso surge para destruir a vida dos dois jovens. O filho adotado do inquilino e Catherine entram em um jogo de obsessão, rejeição e vingança, ao mesmo tempo no qual tentam se distrair com essa louca paixão.

Uma coisa que eu sempre digo com relação às adaptações literárias para o cinema é que nunca se deve ser 100% fiel ao livro, pois faz com que o longa perca a sua identidade e tão pouco possuindo uma linguagem cinematográfica. Pegamos como exemplo adaptação de O Código Da Vinci" (2006), fiel a sua fonte de origem, mas zero em personalidade e ficando preso ao sucesso que o livro havia adquirido. Já "Blade Runner" (1982) não é somente uma adaptação da obra de  Philip K. Dick, como também funcionado pelo fato de Ridley Scott ter abraçado liberdades artísticas e adotando muito mais uma linguagem cinematograficamente falando.

"Morro dos Ventos Uivantes" foi uma obra literária que não só teve suas adaptações levadas para o cinema, como também serviu de inspiração para outras escritoras. Stephenie Meyer, por exemplo, sempre deixou claro que buscou inspiração no clássico ao elaborar a sua série literária "Crepúsculo", assim como também  E. L. James ao realizar a sua obra "Cinquenta Tons de Cinza". Em ambos os casos são sobre histórias de amor inocentes, mas que começam a transitar para um lado intenso e até mesmo abusivo.

É então que eu percebo que essa nova adaptação do clássico de  Emily Brontë é uma espécie de absorvente de tudo que já tinha sido feito antes. Emerald Fennell adapta a história para o cinema, mas deixando de lado o amor sugestivo e moldando para algo mais forte e carnal. Se observa desde o início que o casal central possuem certa atração um pelo outro, mas não escondendo o desejo de ser consumado, mesmo quando isso somente acontece mais adiante na trama. Curiosamente, o lado inocente dosado no primeiro ato se torna até mesmo um contraste para o que está por vir ao longo da projeção.

O atrito entre classes que gera o conflito amoroso se torna fiel a sua fonte original, mesmo quando ele soa piegas ou até mesmo um verdadeiro dejavu para aqueles que cresceram assistindo ao melhor e ao pior de novelas mexicanas. Tanto Margot Robbie como Jacob Elordi se entregam em atuações que não se prendem à sua fonte original, porém, me passando a sensação um tanto que artificial e que ganha  melhores contornos no decorrer da projeção. Se as atuações nos soam parciais, isso é contornado pela direção de Emerald Fennell, mesmo quando ela pisa no acelerador de forma anormal.

É um filme de época, mas com uma linguagem pop contemporânea, com direito até mesmo de músicas que não se casam muito bem com a trama. Isso me lembrou do longa "Maria Antonieta" (2006), de Sofia Coppola, mas que já na época soava estranho, mas sobrevivendo no decorrer do teste do tempo. Ainda é cedo para afirmar se essa visão autoral irá sobreviver no decorrer dos anos, mas não deixa de ser uma jogada curiosa para dizer o mínimo.

Visualmente o filme  é um verdadeiro colírio para os olhos, mesmo quando a edição de arte mais parece como uma produção que foi criada diretamente streaming. Se por um lado isso falha, ao menos a fotografia se casa com perfeição com o lado colorido de um figurino exótico e quase todos sendo protagonizados pela Margot Robbie em doses cavalares e que chegam a beirar para o lado inverossímil diga-se de passagem. A edição de cenas, por sua vez, é quase frenética, mas se tornando uma mera desculpa para ver a protagonista usar um figurino diferente a cada segundo de projeção e que com certeza irá irritar os olhos de alguns.

Porém, o que mais irá dividir a opinião do público com relação a essa adaptação será essa pregação pelo lado masoquista de uma história de amor que sempre foi vista de uma forma mais inocente. Ao meu ver  Emerald Fennell quis pegar carona dessa geração que leu o sucesso "Cinquenta Tons de Cinza", mas cuja a maioria amadureceu e que hoje vê esse tipo de relação como politicamente incorreta. O lado sugestivo se torna obsessivo, ao fazer com que a tragédia amorosa não aconteça pela diferença de classes, mas por um amor carnal quase irracional em algumas passagens.

Emerald Fennell, portanto, acerta em dar novos rumos a sua adaptação, mas falha ao mirar em um público que hoje está sempre em transformação constante com relação ao sexo e que nem todos hoje em dia enxergam como uma peça primordial em um relacionamento. Só o tempo dirá se a mudança de rumo foi válida, ou se ela foi mal calculada. Por enquanto, a sensação que eu tenho é divisória e que somente irá mudar em uma eventual segunda análise quando for assistir novamente a obra.

"O Morro dos Ventos Uivantes" é a mais nova adaptação do clássico literário que mira um determinado público alvo, mas cujo seu teor irá dividir a opinião de muitos e principalmente por não conseguir um nivelamento exato.



      Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres -'O Homem do Futuro'

 XI CICLO DE FILMES DE EXPRESSÃO IBERO-AMERICANA

"O HEMISFÉRIO É NOSSO"

Segue o ciclo de verão do Cineclube Torres mesmo na segunda de Carnaval, 16 de fevereiro, às 20h, com o filme chileno "O homem do futuro" (2019) de Felipe Rios no seu primeiro longa, uma coprodução argentina ambientada na Patagônia. O filme é um conto delicado sobre a distância física e emocional entre pai, caminhoneiro na sua última viagem ao extremo sul, e a filha, uma boxeadora amadora em busca de um futuro longe da pequena cidade onde vive. Seus caminhos se intersectam no cenário ermo e gelado do extremo sul do nosso continente.

A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. A entrada franca até a lotação do espaço. O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.


Serviço:

O que: Exibição do filme "O homem do futuro" (2019) de Felipe Rios

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 16/2, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'O Açougueiro'

Filme exibido para os associados no dia 07/02/26.

Embora eu tenha buscado assistir ao melhor do período Nouvelle Vague, devo reconhecer que nem todos os filmes tive a chance de apreciar e conhecer melhor os seus cineastas. Um desses casos foi o diretor Claude Chabrol, sendo que o mesmo é apontado por muitos como um dos fundadores do movimento francês que mudou a forma de se fazer cinema por lá. Antes tarde do que nunca conhecê-lo a partir de "O Açougueiro" (1970), filme que possui elementos conhecidos do gênero de suspense, mas que se difere se formos comparar ao que foi visto no cinema tradicional norte americano daquela época e até nos dias de hoje.

A trama se passa em uma pacata cidade interiorana francesa, onde surge o nascimento de uma amizade incomum entre o açougueiro da vila e de uma professora da escola local. O cotidiano tranquilo do vilarejo é abalado quando uma série de estranhos e violentos assassinatos começam a ocorrer. Não demora muito para a professora suspeitar que o principal suspeito possa ser o próprio açougueiro.

Inicialmente  Claude Chabrol cria uma abertura com um teor mórbido e nos passando a entender que não assistiremos um filme qualquer. Porém, é curioso observar que as pessoas daquele vilarejo se apresentam como cidadãos comuns e que todos convivem em harmonia uns com os outros. Portanto, é importante constatar como fácil é o surgimento da amizade entre os dois protagonistas naquele cenário dos principais acontecimentos, mas porque talvez seja um costume  local e cuja a possibilidade de um, assassinato se torna improvável.

Durante todo o tempo surge sempre pistas de que o açougueiro Angelo (Antonio Passalia) possa ser o possível assassino, desde a forma peculiar, porém, bastante cuidadosa ao cortar uma carne, como também quando diz que ficou no exército por 15 anos e tendo conhecido de perto o lado sombrio de um conflito. Ao mesmo tempo, a professora  Hélène (Stéphane Audran) demonstra ser uma mulher um tanto à frente do seu tempo, mas ao mesmo tempo demonstrando sinais de ser uma pessoa reservada e que não se envolve facilmente com as pessoas. São dois lados da mesma moeda na trama, dos quais se envolvem pelas suas características distintas, mas que no fundo possuem histórias para serem contadas.

Claude Chabrol capricha nos momentos de suspense, principalmente com a revelação do segundo corpo que se encontra em cima de um morro. A revelação surge de forma gradual, onde os pingos de sangue que caem em uma das alunas durante uma excursão já nos prepara para a grande revelação da cena. Não me surpreenderia se Claude Chabrol tivesse buscado inspiração nas obras de Alfred Hitchcock para a elaboração deste grande momento do longa como um todo.

Falando sobre o mestre do suspense, é curioso observar que longa possui similaridade com o clássico "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), já que ambas as tramas retratam o suspeito de forma ambígua, fazendo com que não tenhamos a exata certeza se ele é a pessoa certa. Ao mesmo tempo, o filme explora as raízes do mal, sendo que nem sempre há uma explicação genuína sobre as motivações do assassino e agindo somente pelo impulso do qual o mesmo não tem controle. Qualquer semelhança com o clássico "M, O Vampiro de Dusseldorf" (1931) não é mera coincidência.

Destaco principalmente o seu ato final, onde Claude Chabrol constrói um cenário de suspense sufocante, onde a câmera acompanha a protagonista em suas idas e vindas em seu apartamento e do qual a qualquer momento pode ser invadido. Destaco principalmente os eventos que não são vistos em cena, mas que são construídos através de sons ao fundo e sombras e fazendo dessa sequência uma das melhores do longa. Ao final, não há mocinho e bandido em cena, mas sim pessoas fraturadas pela vida e das quais foram moldadas pelas suas escolhas e fraquezas.

"O Açougueiro" é uma aula de suspense elegante e fugindo do lado previsível e tradicional do gênero como um todo. 

      Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (12/02/26)

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

Sinopse: O Morro dos Ventos Uivantes conta a história das famílias Earnshaw e Linton. Centrada em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), um romance intenso surge para destruir a vida dos dois jovens. O filho adotado do inquilino e Catherine entram em um jogo de obsessão, rejeição e vingança, ao mesmo tempo no qual tentam se distrair com essa louca paixão.


CAMINHOS DO CRIME

Sinopse:Uma série de roubos de joias de alto nível na Pacific Coast Highway permanece sem solução há anos, principalmente porque o criminoso segue um código rígido que ele chama de "Crime 101". A polícia atribui os roubos a cartéis colombianos, mas a intuição do detetive Lou Lubesnick (Mark Ruffalo) diz que é obra de apenas um homem. Agora, o ladrão solitário de joias está em busca daquele lendário golpe final, e Lou quebra todas as regras do Crime 101.


Um Cabra Bom De Bola

Sinopse: UM CABRA BOM DE BOLA, uma animação original ambientada em um mundo habitado apenas por animais. A história acompanha Will, uma pequena cabra com grandes sonhos, que recebe uma oportunidade única na vida de se juntar aos profissionais e jogar roarball – um esporte de alta intensidade, misto e de contato total, dominado pelos animais mais rápidos e ferozes do mundo. Os novos companheiros de equipe de Will não ficam muito empolgados em ter uma pequena cabra no elenco, mas Will está determinado a revolucionar o esporte e provar de uma vez por todas que "os pequenos também mandam bem no jogo!" 


      Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO SEMANAL | CINEMATECA CAPITÓLIO de 12 a 18 de Fevereiro

Entre os dias 12 e 18 de fevereiro, a Cinemateca Capitólio apresenta uma semana mais curta de programação, em função dos feriados de Carnaval, com sessões concentradas na quinta e na sexta-feira.

Mesmo com a programação reduzida, o longa gaúcho Ato Noturno, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, segue em cartaz, dividindo horários com os filmes da mostra Carta Branca, que reúne títulos escolhidos pela dupla em diálogo com sua obra. Prevista inicialmente para se encerrar no dia 13, a mostra ganhará uma semana extra a partir de 19 de fevereiro, com a repescagem de alguns títulos, em razão do grande sucesso de público.


Confira os destaques da semana:

SESSÃO EM HOMENAGEM A P. F. GASTAL

Na quinta-feira (12/02), data que marca os 30 anos da morte de P. F. Gastal, a Cinemateca realiza uma sessão especial em homenagem ao jornalista e crítico de cinema, exibindo Luzes da Ribalta, de Charles Chaplin, um dos filmes favoritos de Gastal, figura fundamental na formação da cinefilia no Rio Grande do Sul.

Sessão com entrada franca.

PROJETO RAROS — EDIÇÃO PRÉ-CARNAVAL

Na sexta-feira (13/02), o Projeto Raros apresenta a pérola oitentista pouco conhecida, Manhã Aterradora (The Zero Boys, 1986), em uma sessão que dialoga com o espírito da data e o clima pré-carnavalesco.

A exibição será apresentada por Rafael Bernardy e Thainá Maria.


Entrada franca.

📅 PROGRAMAÇÃO COMPLETA

12/02 (quinta-feira)

15h – Ato Noturno (R$ 16,00 / R$ 8,00)

17h15 – No Silêncio da Noite (entrada franca)

19h – Luzes da Ribalta — sessão em homenagem aos 30 anos de morte de P. F. Gastal (entrada franca)

13/02 (sexta-feira)

15h – Ato Noturno (R$ 16,00 / R$ 8,00)

17h – O Açougueiro (entrada franca)

19h30 – Projeto Raros: Manhã Aterradora (The Zero Boys) (entrada franca)

14 a 18/02

🎭 Recesso de Carnaval — sem programação

Fonte: Cinemateca Capitólio.  

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Living The Land'

Sinopse: China, início dos anos 1990. Chuang, de dez anos, é criado por sua família em sua aldeia, enquanto seus pais trabalham na cidade.

Nos meus quase cinquenta anos de vida eu nunca imaginei que um dia veria a China se tornando uma das principais potências econômicas do mundo e fazendo com que os EUA fiquem atirando para todos os lados para obter novamente o equilíbrio. Contudo, sempre haverá um sacrifício em nome do progresso e que, infelizmente, os mais necessitados acabam pagando o preço. "Living The Land' (2025) é o retrato sobre o prelúdio desta mudança que aconteceu de forma gradual e mudando os rumos daquele país de uma forma sem igual.

Dirigido por  Huo Meng, a trama se passa no ano de 1991 numa pequena vila chinesa. Chuang é um jovem que vê uma forte transformação socioeconômica afetar o seu país, principalmente os camponeses de sua região, incluindo a própria família. Em determinado momento, os integrantes da Vila Bawangtai e de outras zonas rurais passam a se deslocar para a cidade grande. Com dificuldades para se acostumar com as novidades da tecnologia, o filme retrata os prelúdios de tempos de mudanças que o país estava obtendo nos últimos anos do século 20.

Huo Meng talvez seja um nome que devemos observar de perto, já que ele nos conduz a realidade Chinesa do interior e não devendo em nada em termos de reconstituição de um período que hoje fica em segundo plano em solo Chines. Nota-se, por exemplo, que o realizador conduziu boa parte de sua produção com um elenco amador, sendo que em diversos momentos podemos constatar que eles se comportam como eles são e fazendo com que as cenas se tornem ainda mais verossímeis. Isso fortalece ainda mais a mensagem do filme como um todo, sobre a união familiar perante os ventos das mudanças, mas não impedindo que todos ali em cena se mantenham juntos haja o que houver.

Vale destacar principalmente o fato das cenas serem ricas em detalhes, ao ponto de me fazer querer assistir a obra para uma segunda revisão. É notório, por exemplo, a preocupação do realizador em destacar o trabalho e as ferramentas daquelas pessoas que vivem no seu dia a dia daquele vilarejo e que cada dia que passa é um novo desafio a ser enfrentado. Um perfeccionismo que nos chama bastante atenção e faz a gente imaginar o que o cineasta fará futuramente.

Mas talvez o ápice em termos técnicos esteja nos planos-sequências dos quais Huo Meng elabora cenas onde há inicialmente um enquadramento, para logo depois a câmera começar a passear em determinado cenário e onde acabamos testemunhando outros eventos do local. Além disso, é interessante observar algumas situações que ocorrem nos planos de fundo e fazendo com que tenhamos uma análise maior  sobre os principais acontecimentos que ocorrem naquele cenário. Uma maneira interessante de apresentar certas passagens do longa, sendo que é algo semelhante ao que foi visto no genial "Roma" (2018), mas num grau menos elevado à primeira vista.

Em suma, o filme também é uma história vista pela perspectiva de uma criança, que se vê forçada a amadurecer mais cedo na vida e tendo que observar de perto as mudanças, por vezes, dolorosas que a sua família enfrenta. Vale destacar o ato final que é, desde já, poderoso em imagem e se tornando uma lembrança de uma China que está sendo deixada para trás, mas que não deve ser esquecida por aqueles que lutaram por um futuro melhor em suas vidas.  "Living The Land' é o retrato de uma geração da China muito diferente da que a gente conhece hoje em dia, mas da qual não pode ser esquecida.


      Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

Cine Dica: Cinesemana de 12 a 18 de fevereiro de 2026

A semana de Carnaval destaca a estreia de mais um título indicado ao Oscar: é SONHOS DE TREM, produção da Netflix que tem na equipe técnica o diretor de fotografia Adolpho Veloso, brasileiro que desponta como o favorito para levar o Oscar na categoria.

Junto com esta estreia, seguem em cartaz mais quatro títulos elogiados pela crítica e candidatos ao Oscar: O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, indicado em quatro categorias; VALOR SENTIMENTAL, que concorre a nove estatuetas; FOI APENAS UM ACIDENTE, que recebeu duas indicações; e o tunisiano A VOZ DE HIND RAJAB, que concorre ao Oscar internacional.

A ÚNICA SAÍDA, do diretor Park Chan-wook (de Oldboy), segue em cartaz, assim como DOIS PROCURADORES, do diretor ucraniano Sergei Loznitsa.  Seguimos com as exibições, em última semana, de  ZAFARI, da diretora venezuelana Mariana Rondón, e de UM CORPO SÓ, documentário do diretor gaúcho Cacá Nazário sobre a trajetória do grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui.