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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 31 de maio de 2021

Cine Especial: Cine Debate: 'The Sunset Limited'

Sinopse: Um debate filosófico se estabelece entre um sujeito espiritualizado e um professor suicida. 

Não é de hoje que determinados filmes apresentem tramas em que elas se passem em um único cenário e gerando assim até mesmo uma sensação claustrofóbica de quem assiste. O clássico "12 Homens e uma Sentença" (1957), por exemplo, colocava os seus doze personagens principais em uma única sala e fazendo que os seus ânimos aflorassem na medida em que o tempo avançava. "The Sunset Limited" (2011) nos apresenta uma situação ainda mais estreita, ao nos colocar frente a frente com somente dois protagonistas em um único cenário e discutindo sobre descrença e fé ao mesmo tempo.  

Dirigido pelo veterano Tommy Lee Jones, o filme é protagonizado pelo mesmo, do qual tenta o suicídio ao se jogar nos trilhos do trem. Porém, ele é salvo pelo funcionário do local, interpretado pelo ator Samuel L. Jackson. Após o ocorrido, o funcionário tenta dialogar com o suicida e os motivos que o levaram a querer fazer isso.  

Tommy Lee Jones provou ter mão segura na direção, pois basta assistirmos o seu "Três Enterros" (2005) com um ótimo exemplo. Aqui o caso ainda é mais complexo, onde vemos o mesmo dirigindo a si próprio e contracenando com outro grande interprete que é Samuel L. Jackson. O suposto suicídio, por exemplo, jamais é visto, mas sim somente sabemos sobre o ocorrido através do diálogo de ambos.  

Neste último caso, o dialogo se torna a peça fundamental para que o filme continue funcionando, pois é através dele que construímos mentalmente sobre quem são e o que foram na vida esses dois personagens que acabaram se conhecendo de uma forma peculiar. Se formos simplificar, o filme seria uma versão resumida do clássico "A Felicidade Não Se Compra" (1946), mas de uma forma mais mórbida, realística e sem anjos para salvar o dia. O que se tem aqui é o embate entre a fé e descrença, sendo uma briga que perdura a séculos e não encontrando um ponto final nisso.   

Enquanto Samuel busca uma solução através do que aprendeu com a sua crença, o personagem de Jones, por sua vez, sempre anseia pela saída da porta, mas sempre ocorrendo uma desculpa para ele continuar com o diálogo na mesa. Diferente do que se imagina, Samuel L. Jackson não é uma espécie de salvador da pátria, já que o mesmo possui as suas falhas que acumulou ao longo da vida, mas acreditando que conseguiu obter, ao menos, um equilíbrio através da palavra da bíblia. Já o personagem de Jones é o típico personagem que acumulou cultura em abundância, mas cuja a própria não foi suficiente para escapar de uma realidade em ele acha que não há mais sentido algum em conviver com ela.  

O filme se torna cada vez mais estreito, claustrofóbico e sem nenhuma solução na medida em que a trama avançando. Em sua reta final, prevemos até mesmo o pior, mas sendo concluído sem nenhuma solução para ambas as partes, já que a desavença entre a fé e descrença é algo que perdura e perdurará ainda por muito tempo. Se conclui que essas duas pessoas não estão predestinadas a conviver em suas realidades, mas sim ela se mantém através de suas próprias escolhas e cabe a elas enfrentarem as suas consequências. 

"The Sunset Limited" é um resumo sobre um debate que perdura a séculos, onde razão e crença sempre procuram um equilíbrio entre ambas as partes para conviverem neste mesmo plano. 

Onde Assistir: HBO Go.  

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sexta-feira, 28 de maio de 2021

Cine Dica: Em DVD e Streaming: 'Oxigênio'

Sinopse: Mulher que, recuperando a consciência sem qualquer conhecimento de onde ela está, se vê trancada dentro de uma câmara criogênica, amarrada dentro de uma cápsula semelhante a um caixão, com sistemas de computador monitorando cada movimento seu.

No filme “Enterrado Vivo” (2010) vemos o protagonista lutar contra o tempo para escapar do caixão onde ele se encontra preso. “Contágio” (2011) é, talvez, o melhor filme que profetizou os tempos em que vivemos da pandemia atual. Agora, imagine misturar esses dois filmes em um único ingrediente e se tem “Oxigênio” (2021) filme que é uma espécie de metáfora sobre a força de vontade do ser humano atual em lutar pela sobrevivência em tempos nebulosos e cujo o futuro se encontra indefinido.

Dirigido por Alexandre Aja, do filme “Predadores Assassinos” (2019), o filme conta a história de uma mulher chamada Liz, interpretada pela atriz Mélanie Laurent do filme “Bastardos Inglórios” (2009), que se encontra presa em uma câmara criogênica. Com ajuda do computador virtual, ela começa agir com calma para conseguir escapar do local. Porém, quanto mais ela tenta escapar mais ela vai perdendo oxigênio e fazendo com que ela lute contra o próprio tempo.

Falar mais sobre o filme seria como estragar diversas surpresas que ele nos brinda ao longo de sua projeção. O que eu posso dizer é que o filme sintetiza esses tempos atuais em que vivemos, onde ficamos sempre com aquela sensação de estarmos pisando em um campo minado e sendo expostos pela coronavírus a todo o momento. O prólogo, por exemplo, onde vemos um rato em busca da saída em um gigante labirinto representa muito bem isso e se tornando o primeiro de inúmeros simbolismos que o filme vai nos apresentando.

Claustrofóbico, o filme nos passa uma sensação de incomodo a todo momento, fazendo com que nós estivéssemos lado a lado da protagonista dentro daquele cenário tão apertado. O cenário em si é tecnológico, familiar e se casando com os tempos atuais em que estamos cada vez mais conectados através das redes sociais. Porém, quanto mais a protagonista usa essa tecnologia, mais complexa se torna a sua tentativa de fuga daquele lugar, ao ponto de que sua agonia e nervosismo lhe compliquem e faça com que ela tenha até mesmo delírios durante a sua luta pela vida.

Mélanie Laurent nos brinda com uma ótima atuação, onde ela nos passa através de sua personagem toda angustia e desespero em tentar saber o que realmente está acontecendo, já que, além dela estar presa, ela está sofrendo de uma forte amnésia e não sabe ao certo quem ela é. Na medida em que as respostas vem, seja através da tecnologia do local, ou de suas lembranças, mais a gente fica se perguntando o que é real e o que é ilusão.

Neste último caso, o filme não foge de certas teorias de conspiração que tanto pipocam ao longo dos anos no cinema, que vai desde a filmes como “Matrix” (1999) como “Vanilla Sky” (2001) em que os sonhos e lembranças estão apenas separados em uma camada bastante fina e se tornando a peça para a solução, ou então para uma grande armadilha. Mas, independente disso, o filme é sobre a luta do ser humano em estar liberto, em sua busca pelo desejo de viver, mesmo que para isso pague um alto preço ao descobrir a trágica verdade.

Com uma trilha sonora poderosa, o filme vai aos poucos descascando diversas camadas dessa cebola, cuja as suas revelações podem desconcertar alguns, mas ao mesmo tempo empolgando muitos. O filme com certeza irá dividir a opinião do público, principalmente em seu ato final que levantará mais perguntas do que respostas e que culminara em diversas horas de debates acalorados ao longo do tempo. O filme pode ser simplificado como uma metáfora sobre a força de vontade de viver em nossos tempos atuais, ou simplesmente um filme de suspense que mistura outros gêneros para se criar algo que nos prenda até o seu ultimo minuto.

“Oxigênio” é, desde já, um dos melhores filmes de suspense do ano, do qual nos coloca frente a frente com a força de vontade do ser humano em querer continuar vivendo em tempos cada vez mais complexos.  

Onde Assistir: Netflix.

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quinta-feira, 27 de maio de 2021

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (27/05/21)

Cruella

Sinopse: Inteligente, criativa e determinada, Estella quer fazer um nome para si através de seus designs e acaba chamando a atenção da Baronesa Von Hellman. Entretanto, o relacionamento delas desencadeia um curso de eventos e revelações que fazem com que Estella abrace seu lado rebelde e se torne a Cruella, uma pessoa má, elegante e voltada para a vingança.


Aqueles Que Me Desejam A Morte

Sinopse: Connor, de 12 anos, assiste ao assassinato do pai por dois desconhecidos. Apesar de conseguir escapar por entre uma floresta cerrada do Montana (EUA), o rapaz sabe que os assassinos não estão dispostos a deixar testemunhas. Na fuga, cruza-se com Hannah Faber, uma bombeira que se encontrava na torre de vigia quando tudo aconteceu.



O PROTOCOLO DE AUSCHWITZ

Sinopse: Dois jovens judeus eslovacos conseguem escapar de Auschwitz. Eles voltam para a Eslováquia e tentam relatar às autoridades o genocídio sistemático no campo de concentração.


Alvorada

Sinopse: O dia a dia de um chefe de estado em sua residência oficial. A presidente Dilma Rousseff no Palácio do Alvorada no período mais tenso e dramático da história recente do Brasil: o processo de impeachment que acabou por afastar a primeira mulher eleita presidente do país.


Confira também a programação da Cinemateca Paulo Amorim clicando aqui. 

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quarta-feira, 26 de maio de 2021

Cine Dica: Cinemateca Paulo Amorim - Programação de 27 de Maio a 2 de Junho de 2021

 

Babenco. 


SALA 1 / PAULO AMORIM

15h - BABENCO – ALGUÉM TEM QUE OUVIR O CORAÇÃO E DIZER: PAROU

(Brasil, 75min, 2020). Documentário de Bárbara Paz. Imovision, 12 anos.

Sinopse: A atriz Bárbara Paz encontrou forças na dor da despedida precoce para realizar um filme póstumo e fazer uma homenagem emocionante ao marido Hector Babenco (1946 - 2016). Em meio a lembranças, histórias e cenas dos muitos títulos que ele dirigiu, o público conhece um pouco mais da trajetória do diretor, que lutou contra um câncer durante três décadas e fez do cinema um motivo para continuar vivendo. Melhor documentário no Festival de Veneza de 2019, o longa também foi indicado para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de melhor filme internacional.


18h30 - LEGADO ITALIANO  (ESTREIA!)

(Brasil, 2020, 90min). Documentário de Márcia Monteiro. Lança Filmes, 10 anos.

 Sinopse: Com locações na Serra Gaúcha e no norte da Itália, o documentário revisita os 145 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul e os vários legados que hoje fazem parte da cultura gaúcha. Entre depoimentos e imagens, os descendentes de imigrantes abordam temas como a religiosidade, a música, a gastronomia, a arquitetura, a indústria, o dialeto talian e, claro, a produção do vinho.

SALA 2 / EDUARDO HIRTZ

15h30 - RAIA 4  (ESTREIA!)

(Brasil, 2020, 96min). Direção de Emiliano Cunha, com Brídia Moni, Kethelen Guadagnini e José Henrique Ligabue. Boulevard Filmes, Drama. 14 anos.

Sinopse: Duas adolescentes de temperamentos distintos convivem no mesmo clube, onde treinam e se preparam para competições de natação. Além dos conflitos típicos da idade, as diferenças de personalidade entre as duas se intensificam por conta das disputas na piscina e também na vida pessoal. Rodado em Porto Alegre, as protagonistas do filme são estreantes e foram selecionadas entre mais de 100 jovens nadadoras. “Raia 4” se destacou no Festival de Gramado de 2019, quando conquistou os prêmios do Júri da Crítica, Fotografia (assinada por Edu Rabin) e Melhor Longa Gaúcho.


19h - ALVORADA  (ESTREIA!)

(Brasil, 2020, 90min). Documentário de Anna Muylaert e Lô Politi. Vitrine Filmes, Livre.

Sinopse: O filme acompanha o período que antecedeu o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mostrando reuniões, longos telefonemas e as atuações de políticos e equipe de trabalho nos bastidores. Rodado entre julho e setembro de 2016, o longa também destaca a intimidade da presidente em meio a suntuosidade do Palácio da Alvorada - entre grandes salões e longos corredores, ela fala de política, história, literatura e de si própria.

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PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 12,00 (R$ 6,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 14,00 (R$ 7,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). CLIENTES DO BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES.Professores tem direito a meia-entrada mediante apresentação de identificação profissional.

Estudantes devem apresentar carteira de identidade estudantil. Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013. Brigadianos e Policiais Civis Estaduais tem direito a entrada franca mediante apresentação de carteirinha de identificação profissional. 

*Quantidades estão limitadas à disponibilidade de vagas na sala.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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terça-feira, 25 de maio de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Radioactive'

Sinopse: Cientista Marie (Rosamund Pike) cria a radioatividade e se tornando pioneira no universo da ciência.  

Vários pioneiros de diversas invenções viram as suas obras serem mastigadas de forma errônea pela humanidade ao longo da história. Pegamos, por exemplo, o nosso Santos Dumont, que criou o avião a motor e que viu o seu maior feito sendo usados para um cenário que ele jamais queria que fosse inserido. Em 1932, ocorreu a revolução constitucionalista, em que o estado de São Paulo se levantou contra o governo revolucionário de Getúlio Vargas. Mas o conflito aconteceu e aviões atacaram o Campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho. Possivelmente, sobrevoaram o Guarujá, e a visão de aviões em combate pode ter causado uma angústia profunda em Santos Dumont que, nesse dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade.  

Grandes feitos acabam sendo usados pela ambição do homem e do qual não consegue desvencilhar desse grande defeito ao longo da história. "Radiocative" (2021) fala sobre uma mulher à frente do seu tempo, mas que viu o seu grande feito sendo dividido entre a salvação e a destruição. Dirigido por  Marjane Satrapi, do filme "Persepolis" (2008), o filme conta sobre a cientista Marie (Rosamund Pike), que sempre enfrentou dificuldades em conseguir apoio para suas experiências devido ao fato de ser uma mulher. Ao conhecer Pierre Curie (Sam Riley), ela logo se surpreende pelo fato dele conhecer seu trabalho, o que a deixa lisonjeada. Logo os dois estão trabalhando juntos e, posteriormente, iniciam um relacionamento que resultou em duas filhas. Juntos, Marie e Pierre descobrem dois novos elementos químicos, rádio e polônio, que dão início ao uso da radioatividade. 

Marjane Satrapi gosta de fazer filmes baseados em graphic novel, sendo que "Persepolis" ainda é o seu maior feito. Por conta disso, muitos irão acusa-la em não se aprofundar de forma mais verossímil sobre a vida de Marie e Pierre Curie, já que a cineasta usou somente a HQ como fonte de adaptação para o filme. Porém, acredito que as duas mídias mantem a essência principal sobre essa personagem histórica e cuja a mensagem nos diz o quanto a humanidade tropeça no uso de invenções que deveriam ser somente usadas para a nossa sobrevivência. 

Com uma belíssima reconstituição de época, o filme possui uma montagem ágil de cenas, das quais se casa muito bem com a presença dos atores e que dão o melhor de si quando surgem na tela. A fotografia, por exemplo, é outro ponto técnico a ser destacado, da qual sintetiza cores quentes de uma época mais dourada e cheia de possibilidades. Ao mesmo tempo essas cores acabam se diluindo no momento em que as dificuldades enfrentadas pelos personagens vão surgindo.  

Embora tudo fique um tanto que na superfície, o filme procura explicar na forma da linguagem cinematográfica a criação da radioatividade. Se por um lado a explicações ficam um tanto que parciais, do outro, isso é contornado graças ao bom desempenho do elenco, principalmente Rosamund Pike. A eterna "Garota Exemplar" (2014) novamente entrega uma atuação de peso e se entregando de corpo e alma ao dar vida a uma personagem de tamanha importância ao longo da história.  

Curiosamente, o filme transita no período em que se passa a trama principal para momentos de outros pontos da história em que foi usada a sua criação. Se por um lado a radioatividade foi usada para combater o câncer, infelizmente ela acabou sendo usada como arma e fazendo de sua invenção algo a ser questionado. Momentos em que mostram as consequências em Hiroshima e Chernobyl sintetizam muito bem isso.  

É claro que alguns também irão acusar o filme de tentar romantizar por demais a história da cientista com o seu marido. Porém, é através deles que se há uma discussão sobre ciência e fé, sendo que são dois temas que sempre ficam tendo atritos ao longo da história, enquanto o filme nos passa a mensagem de que ambos os temas, talvez, estejam separados somente por uma linha fina. Um debate acalorado e que é sempre levantando até mesmo nos dias de hoje.  

Com uma pequena, mas importante participação de Anya Taylor Joy,  "Radioactive" é sobre grandes descobertas, mas que infelizmente algumas sucumbem devido a ambição humana.  

  

Onde Assistir: Netflix.

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segunda-feira, 24 de maio de 2021

Cine Dica: Streaming: 'E Amanhã… O Mundo Todo'

Sinopse: Luisa (Mala Emde), uma jovem de 20 anos, de boa família, e que está preocupada com o futuro da Alemanha, numa virada fascista.

É perceptível que há uma onda fascista se impregnando ao redor do mundo, ao  ponto dela invadir determinados governos e torna-los quase ditatoriais. Tanto Bolsonaro como Donald Trump são exemplos em que a voz do fascismo ganhou força através das redes sociais e fazendo que essas pessoas, até então escondidas, começaram a crer que podem sim sair de suas tocas a partir do momento em que há um líder em que pense da mesma forma do que eles. "E Amanhã… O Mundo Todo" (2021) fala da nova geração democrática, da qual defende um país livre, mas correndo o risco de cometerem atos que poderão futuramente se arrependerem.

Dirigido por Julia von Heinz, o filme conta a história de Luisa (Mala Emde), uma dedicada estudante de direito, e militante, que encontra-se no primeiro semestre da faculdade. Quando Luisa se une a outros alunos para lutar contra o fascismo, a situação fica bastante complicada, forçando-a decidir se vale a pena prosseguir com a causa, mesmo que, indiretamente, coloque em risco sua família e amigos.

Começando com um prólogo curioso, o filme nos leva para um cenário familiar, mesmo se passando na Alemanha, já que a luta dos jovens de lá não é muito diferente da nossa daqui. Com uma montagem dinâmica, Julia Von Heinz cria um retrato sobre essa nova geração protestando contra o  aumento do discurso autoritário de partidos alemães, sendo que esses últimos desejam eliminar imigrantes, negros e a comunidade LGBT de acordo com os seus discursos inflamados. Parece um déjà vu, mas acontece lá e fazendo a gente compreender que esse problema de hoje é universal e cabe enfrentarmos de frente.

Mas é aí que a realizadora entra em um terreno delicado, onde Luisa e seus companheiros começam a ser seduzidos por métodos mais duros contra essas pessoas que se dizem cidadãos de bem, mas correndo sério riscos deles caírem nesta mesma vala. O filme levanta o debate sobre até que ponto devemos usar a violência contra essas pessoas. Será que vale realmente descer ao nível do fascismo para eliminar o mesmo?

Mala Emde tem um ótimo desempenho em cena, onde ela transita entre o desejo e a razão e culminando em situações que ficamos nos perguntando qual será o seu próximo passo. Além disso, o filme possui uma interessante análise sobre a luta de ontem e hoje, sobre o que mudou atualmente e como se deve enfrentar um grupo de pessoas cheias de ódio que, na maioria das vezes, são defendidas até mesmo pela justiça. Cabe então essa nova geração sair desse sistema cheio de regras e partir para ação, desde que isso não venha a transforma-las em algo pior.

"E Amanhã… O Mundo Todo" é sobre a luta atual contra o fascismo, da qual não devemos descer ao nível dos que praticam o ódio, mas não significa que não responderemos de imediato. 

Onde Assistir: Netflix. 

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sexta-feira, 21 de maio de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Falção e o Soldado Invernal'

Sinopse: Ambientada no MCU, e estrelada por dois dos mais populares heróis aliados do Capitão América, tendo que lidar com sua ausência e as consequências ao mundo depois do "blip". 

Os irmãos Russo foram os responsáveis em abrir um novo leque para o estúdio Marvel, mais precisamente para que cineastas autorais tivessem maiores liberdades em elaborar tramas que ousassem ir muito além da fórmula de sucesso do estúdio. Vale destacar que em "Capitão América 2: O Soldado Invernal" (2014) foi o primeiro filme do estúdio a discutir questões políticas, sobre a infiltração do fascismo dentro do próprio território americano e sobre o real papel de Steve Roger. Pois a série "Falcão e o Soldado Invernal" (2021) é uma espécie de continuidade desse teor mais adulto, não se esquecendo dos eventos dos últimos filmes dos "Vingadores" e abrindo mais um novo leque de possibilidades.

Dirigido por Malcolm Spellman, o filme se passa não muito depois dos eventos de "Vingadores - Ultimato" (2019), onde vemos Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie) lutar para assumir o posto do herói. Ele se junta, então, a Bucky Barnes/Soldado Invernal (Sebastian Stan), embarcando em uma aventura mundial que vai colocar à prova as habilidades dos dois. Entre discussões e entendimentos, acompanhamos uma jornada no desenvolvimento da amizade entre ambos, ao mesmo tentam em que tentam deixar para trás os problemas do passado. Enquanto o Falcão sente a responsabilidade do escudo de Steve Rogers, Bucky tenta lidar com a própria culpa por suas ações enquanto estava sob comando da Hydra.

O primeiro capitulo já começa antológico, onde vemos Sam enfrentar diversos terroristas em um avião e cuja as cenas aéreas são impressionantes. Vale destacar que, embora seja uma série, a produção não deve em nada em termos de super produções das que são vistas no cinema e o que faz a gente ficar ainda mais impressionado pela sua qualidade técnica. Porém, a produção tem os seus momentos de calmaria, principalmente quando se explora ainda mais a vida pessoal dos dois protagonistas e fazendo a gente se identificar ainda mais com eles.

Conhecemos finalmente a vida pessoal de Sam, sua família, além dele enfrentar o dilema de seguir ou não os passos do Capitão América. Bucky ainda enfrenta a sombra do seu passado e tendo que lidar com o fato que foi marionete por vários anos da Hydra e provocando o sofrimento de inúmeras pessoas. Amizade de ambos, aliás, é o coração do filme e fazendo com que a ausência de Steve Rogers não seja muito sentida.

Falando nele, é curioso que os realizadores tiveram a coragem de inserir um velho personagem das HQ que é o Agente Americano, que aqui é interpretado por Wyatt Russell e que será visto em breve no filme "A Mulher na Janela" (2021). Esse personagem foi um dos sucessores do Capitão original nos quadrinhos, mas não conseguindo obter o feito por possuir uma personalidade mais explosiva e que ultrapassava a linha do bom senso. O personagem, aliás, é protagonista de um dos momentos mais violentos e tensos de todo o universo do MCU e fazendo iniciar diversas discussões sobre o papel do herói em tempos contemporâneos em que tudo está mais nebuloso.

A série também discute diversas questões vindas do mundo real, que vai desde a refugiados como também com relação ao racismo dentro da história dos EUA. Neste último caso, os realizadores foram corajosos ao trazerem um personagem até então desconhecido para a maioria do público e revelando o quão perverso o governo norte americano foi contra os soldados negros ao longo da história. Em tempos de diversidade em meio a intolerância esse foi sem dúvida um grande acerto da Marvel até agora.

Vale destacar o retorno do vilão Zemo e novamente interpretado pelo ótimo ator Daniel Brühl do filme "Bastardos Inglórios" (2009). Grande vilão de "Capitão América 3" - Guerra Civil, Zemo retorna com toda a sua ambiguidade e jogo de palavras nos momentos em que ele surge em cena e fazendo a gente desejar revermos ele muitas vezes futuramente. Mas isso se deve graças a ótima atuação de Daniel Brühl e fazendo do vilão o mais humano do MCU.

A série possui o seu começo, meio e fim. Porém, como não poderia deixar de ser, a história deixa inúmeras pontas soltas para uma eventual segunda temporada, ou em futuro filme solo da dupla de heróis que terá destaque maior ainda nos próximos anos da Marvel no cinema. Resta saber se o estúdio irá manter a qualidade de suas produções, pois até agora veio para surpreender.

"Falcão e Soldado Invernal" é entretenimento puro e alinhado com discussões atuais do mundo real e que não se pode serem jogadas para debaixo dos panos. 

Onde Assistir: Disney + 

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quinta-feira, 20 de maio de 2021

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (20/05/21)

Nota: Por enquanto, os cinemas voltaram a reabrir para alegria dos cinéfilos. Porém, mantenha os cuidados do combate contra a pandemia e obedeça as regras dos estabelecimentos.  Confira as estreias. 

Mães de Verdade

Sinopse: O casal Kiyokazu Kurihara e Satoko decide adotar um bebê. Seis anos depois, felizes no casamento, eles recebem uma ligação de uma mulher chamada Hikari Katakura alegando ser a mãe biológica de Asato, o filho adotado do casal. 


Amor, Casamentos e Outros Desastres

Sinopse: Um famoso banqueteiro, uma mulher cega, um guia de ônibus turístico e um planejador de casamentos procuram pelo amor.


Berlin Alexanderplatz

Sinopse: Franz Biberkopf é liberto da prisão, no final da década de 1920 em Berlim, e promete seguir sua vida de maneira íntegra. Contudo, ele rapidamente se envolverá no submundo do crime na cidade.


Em Guerra com o Vovô

Sinopse: Peter (Oakes Fegley) e seu avô Ed (Robert De Niro) costumavam ter uma boa relação, mas quando o avô se muda para a casa da família, Peter é forçado a deixar seu quarto e a dormir no sótão. 


Mortal Kombat

Sinopse: Nova versão do clássico jogo para as nova plateias. 


Mundo em Caos

Sinopse: Em um futuro não muito distante, em um mundo onde as mulheres desapareceram e os homens foram afetados pelo "ruído" – uma força que deixa seus pensamentos audíveis. 


O Último Jogo

Sinopse: Dois vilarejos separados por nove quilômetros e uma rivalidade ferrenha. Do lado brasileiro, os habitantes de Belezura, uma pequena cidade que vive de empregos na indústria moveleira, está prestes a encarar dois eventos que mudarão suas vidas.


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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Amor e Monstros'

 Sinopse:  Sete anos após ter sobrevivido ao apocalipse dos monstros, o infeliz e adorável Joel deixa seu bunker subterrâneo aconchegante em uma jornada para encontrar sua ex-namorada. 

Com tantos filmes apocalípticos sérios lançados nos últimos anos nunca é demais ser lançado um que transita entre humor e uma boa aventura. "Zumbilandia" (2009), por exemplo, é criativo ao cruzar humor com o horror e alinha-lo com uma boa dose de cultura pop. "Amor e Monstros" (2021) é divertido por nos soar familiar, divertido e até mesmo reflexivo em alguns momentos.

Dirigido por Michael Matthews, o filme conta a história de criaturas gigantes que assumem o controle da terra, fazendo com que o resto da humanidade busque por refúgio no subsolo. Após sete anos do apocalipse dos monstros, Joel Dawson (Dylan O’Brien) consegue se reconectar via rádio com Aimee (Jessica Henwick), sua namorada da época de escola, e a paixão ressurge. Mesmo com ela vivendo a quase 130 km de distância, Joel percebe que não há nada que o prenda ao subterrâneo e resolve ir em busca de Aimee, apesar de todos os perigos que possam aparecer em sua jornada.

Com um prólogo magistral, o filme começa em narração off, onde o protagonista nos conta passo a passo como aconteceu o nascimento dos monstros e sem muitas delongas, já que a proposta principal é já nos colocar no meio da aventura. Aventura, aliás, começa quando o protagonista decide sair do buraco e partir em busca do seu amor perdido. O motivo da missão se torna uma mera desculpa, já que o verdadeiro charme dessa aventura é vermos o protagonista amadurecer, fazer amigos e enfrentar os seus piores pesadelos.

Para o cinéfilo com olhar atento com certeza irá fisgar velhas fórmulas de sucesso desse tipo de filme, desde o protagonista se encontrando com andarilhos que irão lhe dar lições de sobrevivência, como também a aparição de um cachorro que irá se tornar o seu parceiro. Aliás, fazia tempo que eu não via um cachorro tão expressivo como esse, que aqui é chamado de "garoto" e sendo protagonista dos momentos de maior puro suspense. Atenção para a cena em que o mesmo é encurralado por um monstro da terra e fazendo da situação bastante angustiante.

Tecnicamente o filme possui um visual claro e bastante limpo, mesmo para um filme cheio de efeitos visuais, mas cujo os mesmos estão ali não de forma gratuita, mas sim para se casar com a proposta principal da história. Os monstros, por sua vez, são bastante interessantes, expressivos e nos passando até mesmo uma sensação de peso em determinadas cenas. Não é à toa que o filme ganhou até mesmo uma indicação ao Oscar de efeitos visuais neste ano.

No final das contas, é um filme que reflete sobre os dilemas do mundo que estamos vivendo, principalmente em tempos de pandemia e que muitos se encontram isolados. O medo é uma ferramenta importante para nos lembrarmos dos perigos do mundo, mas é preciso também ter coragem e nos levantarmos contra os obstáculos que nos freiam em nossa jornada. O protagonista aprende da melhor e pior maneira possível e conseguindo, enfim, dar um grande passo para o seu amadurecimento.

"Amor e Monstros" é diversão pura, reflexivo na medida certa e nostálgico do começo ao fim de sua jornada. 

Onde Assistir: Netflix. 

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terça-feira, 18 de maio de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Upgrade'

Sinopse: Gray tem a mulher assassinada e fica com o corpo paralisado. Porém, com uma tecnologia avança, consegue a chance de se locomover e buscar vingança.  

Leigh Whannell vem construindo uma carreira solida como um cineasta autoral e com ideias criativas dentro do gênero de horror e ficção. Trabalhando desde cedo pelo estúdio Blumhouse Productions, através como produtor e roteirista de franquias como "Jogos Mortais" e Sobrenatural", Whannell obteve o seu primeiro grande sucesso como diretor no bem sucedido sucesso de público e crítica "O Homem Invisível" (2020). Em "Upgrade" (2018) ele consegue demonstrar ainda mais seus dotes como cineasta autoral e não decepciona.

A trama se passa em um futuro próximo, onde a tecnologia controla quase todos os aspectos da vida. Mas quando Gray (Logan Marshall-Green), um tecnofóbico, tem seu mundo virado de cabeça para baixo, sua única esperança de vingança é um implante experimental de chips de computador chamado Stem. O que ele não sabe é que ele e a inteligência artificial se tornaram um só.

Visualmente se percebe que o cineasta bebeu muita da fonte da série cultuada "Black Mirror", da qual nos apresenta tramas em que a tecnologia vista ali não é muito diferente da nossa atual. Em ambos casos, são obras que falam sobre o poder cada vez maior dessas tecnologias, fazendo do ser humano cada vez mais dependentes a elas e fazendo com que, enfim, a gente perca a nossa própria identidade. Ao mesmo tempo, é uma trama em que mostra a tecnologia cada vez mais evoluindo, mas ao mesmo tempo fazendo com que muitos de nós percam o seu emprego e se tornando miseráveis e caindo no esquecimento.

Embora com essa forte carga de crítica contra o sistema capitalista, o filme também é entretenimento de primeira, mas que jamais se esquece da proposta principal da trama. Tecnicamente o filme é um show com o uso da câmera, já que Leigh Whannell a usa para registrar cada movimento do protagonista quando o mesmo usa a sua tecnologia interna. Com isso se tem momentos em que a câmera faz um giro de 360º graus, ou momentos de plano-sequências mirabolantes e cuja essa maneira de se filmar seria vista também em "O Homem Invisível".

Mas embora a trama seja criativa ela não é muito diferente do que já foi visto em filmes, literatura ou HQ em que se explora o subgênero cyberpunk. Porém, ela se torna corajosa quando se envereda por terrenos que raramente os realizadores se arriscam, mas fazendo com que se faça a diferença e ganhando assim até mesmo atenção de uma crítica mais exigente. Logan Marshall-Green pode até não ser um grande ator, mas se sai muito bem em determinadas cenas dramáticas e se virando bem em momentos em que se exige um bom preparo físico.

Com um final que daria espaço para uma eventual continuação, até mesmo para um série de tv,"Upgrade" é corajoso em sua proposta, ao retratar um futuro não muito diferente do nosso presente e fazendo a gente até mesmo temer pela perda de nossa própria realidade.  

Onde Assistir: Netflix.

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Cine Dica: Curso Hitchcock - Mestre do Suspense

ALFRED HITCHCOCK, O "MESTRE DO SUSPENSE",

 É O CINEASTA MAIS INFLUENTE DE TODOS OS TEMPOS.

Curso online especial

...4 Encontros...

...10 horas / aula...


APRESENTAÇÃO 

Sir Alfred Joseph Hitchcock (Londres, 13 de agosto de 1899 — Los Angeles, 29 de abril de 1980), diretor e produtor cinematográfico britânico, é amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como o "Mestre do Suspense", dirigiu 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira. Tornou-se também famoso por conta de diversas entrevistas, das frequentes aparições em seus filmes e da apresentação do programa de TV Alfred Hitchcock Presents (1955-1965). 

Alfred Hitchcock é certamente o mais popular diretor de toda a história do cinema. Seu perfil característico é reconhecido até mesmo por aqueles que jamais viram seus filmes, da mesma maneira que o mais casual dos cinéfilos é capaz de citar alguma cena memorável de um filme de Hitchcock, mesmo que nem o tenha assistido. Este é o poder inigualável da obra do realizador. 

OBJETIVOS

O trabalho do realizador inglês é o tema do Curso online ALFRED HITCHCOCK: A ARTE DE UM MESTRE, ministrado pelo jornalista, escritor e crítico de cinema CARLOS PRIMATI, que fará uma revisão de sua carreira e seus filmes, que serão analisadas a partir de seu pleno domínio da técnica cinematográfica e da linguagem narrativa, exemplos máximos do cinema clássico. 

Ministrante: Carlos Primati

Jornalista, crítico, historiador e pesquisador dedicado ao cinema de horror mundial e brasileiro. Publicou artigos em livros sobre a obra do cineasta José Mojica Marins e sobre o Horror no cinema brasileiro. Colaborou no livro "Maldito", de André Barcinski e Ivan Finotti, e coproduziu a Coleção "Zé do Caixão" em DVD, vencedora do 1º Prêmio DVD Brasil como a "Melhor Coleção" do ano. Pesquisador da obra de Alfred Hitchcock com inúmeros textos, artigos e análises publicadas sobre o realizador inglês. 

Colaborou com as edições especiais "O Livro do Horror" (Herói); "Super Livro dos Filmes de Ficção Científica" (Superinteressante) e "A História do Rock" (Bizz). Criou e editou a revista "Cine Monstro", o livro "Voivode: Estudos Sobre os Vampiros" e escreveu o volume sobre "Séries de TV" da Coleção "100 Respostas" (Mundo Estranho). 

Já ministrou para a Cine UM os cursos "História do Cinema de Horror"; "Zé do Caixão: 50 Anos de Terror"; "Expressionismo Alemão: Uma Sinfonia de Luzes e Sombras"; "Ficção Científica dos Anos 50", "Horror no Cinema Brasileiro” e “Horror Britânico: Uma Orgia de Sangue e Pavor”. 

Curso online

ALFRED HITCHCOCK: A ARTE DE UM MESTRE

de Carlos Primati

Datas 

29 e 30 / Maio, 05 e 06 / Junho 

(sábados e domingos) 

Horário

14h às 16h30 

Duração

4 encontros online 

(carga horária: 10 horas / aula) 

Material

Certificado de participação 

Apostila 

Investimento 

R$ 110,00 (parcelado em até 12x) 

..PROMOÇÃO..

Valor Especial para as primeiras 10 inscrições: R$ 80,00 

Informações

cineum@cineum.com.br / Fone: (51) 99320-2714 

,,,Inscrições...

http://cinemacineum.blogspot.com/

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Cine Dica: Em DVD e Streaming: 'O Segredo: Ouse Sonhar'

Sinopse: Miranda é uma viúva que se esforça para criar três filhos sozinha, até que uma tempestade traz um grande desafio e um homem chamado Bray Johnson para sua vida. A presença de Bray revitaliza a família, mas ele possui um segredo que pode mudar tudo.

Em 2006, escritora Rhonda Byrne criou um documentário reunindo depoimentos de escritores e filósofos sobre a Lei da Atração, ou seja, sobre a alguém que é capaz de conseguir tudo aquilo que deseja. Pouco depois disso, ela lançou o livro "O Segredo" com a mesma teoria e  que virou grande sucesso em todo o mundo. Logicamente, não demoraria para a obra ganhar a sua versão cinematográfica.

"O Segredo: Ouse Sonhar" (2020) é uma ficção extraída da obra e carregando até mesmo o selinho da franquia. O longa, dirigido por Andy Tennant, não vai muito além do previsível, tudo é muito pensado, extremamente fácil, para o marinheiro de primeira viagem não pense muito. Katie Holmes e Josh Lucas, que já trabalhara com Tennant em "Doce Lar" até que fazem o que podem com o pouco material que tem em mãos, o roteiro de Bekah Brunstetter (responsável pela adaptação), do próprio diretor e Rick Parks é bastante difícil. Além de investir em dilemas que não nos dizem para o que veio fazem com que isso complique o nosso desejo no fundo de querer gostar da obra como um todo.

Outras coisas que também complicam é a falta de atualização do filme para os dias de hoje, pois ele tem mais cara de filme família com lições de moral que eram vistas nos anos oitenta e e noventa do que parecer um filme que nos faça refletir sobre os problemas de hoje em dia.  O sentimento é de algo deslocado no tempo, o que se acentua com alguns diálogos que quase não são mais usados hoje em dia. Até mesmo alguns personagens parecem ter saído de uma máquina do tempo, como a Bobby de Celia Weston (de Um Senhor Estagiário), sogra da protagonista. Fica sempre uma coisa com cheiro muito forte de naftalina.

Outros incômodos vão além da questão do filme como um todo, que alcançam a própria teoria e talvez estejam muito mais associados à visão pessoal da crítica. Há sempre uma conotação muito apegada ao ter. O destaque vai muito aos bens materiais, desde aos  carros, casa, sendo que estão sempre induzindo aquela lei capitalista de que só existe felicidade se há a mansão extraída dos seus maiores desejos, assim como uma  garagem, o computador e o pônei que, ao meu ver, foi a cereja do bolo para esse meu pensamento.

Apesar de todos esses pesares, o filme vai encontrar o seu público, talvez para aqueles que curtem um filme bem água com açúcar e que vem a se tornar um cult em uma Sessão da Tarde da vida. "O Segredo: Ouse Sonhar" é um filme que irá atrair somente os fãs e não aqueles que buscam pensar sobre os dilemas mais  verossímeis e atuais. 

Onde Assistir: Netflix.

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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Cine Dica: Em DVD e Streaming:: 'Pinóquio'

Sinopse: Gepeto é um solitário marceneiro que sonha em ser pai e deseja que Pinóquio, o boneco que acabou de construir, ganhe vida.  

Quando se fala em Pinóquio imediatamente nos lembramos do clássico da Disney de 1940, pois o filme ainda hoje impressiona pelo seu perfeccionismo e genialidade do criador de Mickey. Porém, ao longo das décadas, já houve diversas adaptações, que chegavam a ser mais e fiéis e com um teor um tanto que sombrio. "Pinóquio" (2019) é uma obra muito mais próxima da visão do escritor Carlo Collodi e que, curiosamente, transita entre a fantasia e realidade.

Dirigido por Matteo Garrone, do filme "Gomorra" (2008), somos apresentados à verdade sombria por trás de um clássico que marcou gerações. O solitário marceneiro Gepeto (Roberto Benigni) tem o grande desejo de ser pai, e deseja que Pinóquio (Federico Ielapi), o boneco de madeira que acabou de construir, ganhe vida. Seu pedido é atendido, mas a desobediência do jovem brinquedo faz com que ele se perca de casa e embarque em uma jornada repleta de mistérios e seres mágicos, que o levará a conhecer de fato os perigos do mundo.

O filme já começa de forma surpreendente, onde não testemunhamos um conto de fadas colorido, mas sim pálido, sujo, onde a cidade em que Gepeto mora mais parece uma cidade Italiana dos tempos pós-Segunda Guerra Mundial. Curiosamente, Gepeto é meio que o verdadeiro protagonista do primeiro ato da trama, já que Roberto Benigni constrói o personagem da sua maneira e se distanciando das outras encarnações que Gepeto teve ao longo das décadas. A sua atuação é tão boa que faz a gente até lamentar quando ele sai um pouco de cena e dando lugar ao pequeno protagonista.

Não tem muito o que dizer sobre atuação de Federico Lelapi como Pinóquio, já que ela é econômica e não possuindo o lado carismático que o personagem havia nos conquistado na versão de Disney. Ao menos, isso é um pouco contornado quando o protagonista embarca em uma verdadeira aventura cheia de fantasia, mesmo cometendo o erro de desobedecer ao seu pai ao longo da história. É a partir dessa desobediência que o personagem irá aprender da pior maneira possível que certas regras são preciosas e que são necessárias por elas em prática.

Logicamente o filme possui diversas passagens do livro que todos nós conhecemos, desde aos momentos em que o protagonista fica preso em um circo, como também nos momentos em que ele se dá mal nas mãos de dois larápios. Porém, a passagem em que ele e as demais crianças são transformadas em burros continua sendo um dos momentos mais assustadores do conto, ao ponto de quase superar o clássico da Disney. Curiosamente, alguns personagens ganharam nova roupagem, como no caso do Grilo Falante e que aqui ele mais parece a voz da consciência de Pinóquio, mas tendo pouco contato com ele ao longo do percurso.

Porém, a nova visão da Fada azul, interpretada pela atriz Marine Vacth, supera as nossas expectativas, principalmente por ser uma visão que se distancia e bastante do clássico da Disney e possuindo uma aura de mistério em volta dela. Alias. É através dela que surgem personagem animalescos, um mais curioso do que o outro e nos surpreendendo pelas suas pesadas maquiagens. Em tempos em que quase tudo é feito digitalmente nos rostos dos atores, não me surpreenderia se o filme ganhasse um Oscar por essa categoria.

O ato final não traz nenhuma surpresa, principalmente para aqueles que leram tanto o livro como também as suas adaptações ao longo dos anos. Porém, o filme é uma simpática adaptação para ser vista e revista com certo cuidado, já que ela toca em lições de vida que merecem ainda a nossa atenção, principalmente quando certos valores de amor e amizade são esquecidos por alguns em nosso mundo real. Transitando entre a fantasia e realidade, quem sabe o filme venha a conquistar uma nova legião de pequenos que nunca tinham ouvido falar sobre esse curioso personagem de madeira.

Indicado para dois prêmios ao Oscar 2021, "Pinóquio" é uma nova versão de um grande clássico, do qual o seu visual se difere dos outros e o que faz dele valer a pena ser conferido.  

Onde Assistir: Locação em DVD ou compra ou alugue em Youtube. 

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