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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (29/02/24)

 DUNA: PARTE 2

Sinopse: Paul Atreides se une a Chani e aos Fremen em uma guerra de vingança contra os conspiradores que destruíram sua família. Diante de uma escolha entre o amor de sua vida e o destino do universo conhecido, ele se esforça para evitar um futuro terrível que só ele pode preve.



A SALA DOS PROFESSORES

Sinopse: Carla Nowak (Leonie Benesch) é uma professora de matemática e recém chegada à escola em que trabalha atualmente. Assim que ela chega ao local, percebe que há alguns roubos acontecendo lá. Agora, ela poderia aceitar essa situação, mas é exatamente isso que ela não quer fazer.

A Serva

Sinopse: Vicenta María viveu há quase 200 anos. Desde muito jovem sentiu a vocação de proteger outras mulheres do seu tempo, que não tinham as mesmas oportunidades e procuravam emigrar das suas aldeias para as grandes cidades...em muitos casos com poucos recursos econômicos. Lera, uma empregada doméstica que fugiu da Ucrânia, acaba de ser presa sob a acusação de roubo. 



O Reino Gelado – A Magia Continua

Sinopse: Kai e Gerda moram em uma cidade aconchegante e tranquila, de repente os Espíritos Gelados chegam lá para congelar todos. Porém, Ila, uma pequena feiticeira, surge para ajudar os heróis. Juntos, eles vão para o mundo mágico de Mirrorland para recuperar os Icy Spirits. Classificação indicativa Livre. Contém violência fantasiosa.

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Cine Dica: CINEMATECA PAULO AMORIM - PROGRAMAÇÃO DE 29 DE FEVEREIRO A 6 DE MARÇO DE 2024

 PROGRAMAÇÃO DE 29 DE FEVEREIRO A 6 DE MARÇO DE 2024

 HAMLET


SEGUNDA-FEIRA NÃO HÁ SESSÕES

A cinesemana que abre o mês de março traz duas estreias indicadas ao Oscar de filme internacional. Um é o elogiado longa DIAS PERFEITOS, do diretor Win Wenders, que arrebatou o público aqui da Cinemateca Paulo Amorim nas sessões de pré-estreia realizadas nos últimos dias. Também estreia o filme EU, CAPITÃO, do italiano Matteo Garrone, inspirado em relatos de jovens refugiados que saíram de seu país em busca de uma vida melhor na Europa.

Outro destaque é HAMLET, do diretor Zeca Brito, que ganha uma rodada de sessões de pré-estreia durante toda a semana. A partir dos movimentos de protestos de 2016, um jovem estudante enfrenta dilemas pessoas e sociais.

Entre os títulos que continuam em cartaz, com boa receptividade nas salas, estão MEU AMIGO ROBÔ, de Pablo Verger (indicado ao Oscar de melhor animação), o drama romântico VIDAS PASSADAS, de Celine Song (um dos dez indicados ao Oscar de melhor filme em 2024) e o intenso épico histórico OS COLONOS, sobre a colonização chilena.


Confira nossa programação completa e portal do cinema gaúcho em www.cinematecapauloamorim.com.br


SALA PAULO AMORIM


14h45 – DIAS PERFEITOS - ESTREIA Assista o trailer aqui.

(Perfect Days – Japão/Alemanha, 2023, 125min). Direção de Wim Wenders, com Koji Yakusho, Min Tanaka, Arisa Nakano, Tokio Emoto. O2 Play/Mubi, 14 anos. Drama.

Sinopse: Hirayama vive em Tóquio e é responsável pela limpeza de vários banheiros públicos. Além do trabalho modesto, ele preenche seus dias com a paixão pela música, pelos livros e pela fotografia de árvores. Hirayama parece perfeitamente feliz com sua rotina metódica, mas alguns encontros inesperados trazem revelações surpreendentes sobre o passado do protagonista. O filme estreou no Festival de Cannes, onde recebeu os prêmios do júri ecumênico e melhor ator para Koji Yakusho, e é um dos cinco indicados ao Oscar de filme internacional.


17h – VIDAS PASSADAS Assista o trailer aqui.

(Past Lives - Estados Unidos/Coreia do Sul, 2023, 105min). Direção de Celine Song, com Greta Lee, Teo Yoo, John Magaro. California Filmes, 12 anos. Drama.

Sinopse: Nora e Hae Sung eram amigos muito próximos na infância, até que a família dela decidiu emigrar para o Canadá. Doze anos depois, eles se reencontram virtualmente e percebem que ainda têm muitas coisas em comum. Depois de mais alguns anos, finalmente, eles ficam frente à frente e têm a chance de confrontar noções de destino, amor e as escolhas que fizeram na vida.


19h – DIAS PERFEITOS - ESTREIA

(Perfect Days – Japão/Alemanha, 2023, 125min). Direção de Wim Wenders, com Koji Yakusho, Min Tanaka, Arisa Nakano, Tokio Emoto. O2 Play/Mubi, 14 anos. Drama.

Sinopse: Hirayama vive em Tóquio e é responsável pela limpeza de vários banheiros públicos. Além do trabalho modesto, ele preenche seus dias com a paixão pela música, pelos livros e pela fotografia de árvores. Hirayama parece perfeitamente feliz com sua rotina metódica, mas alguns encontros inesperados trazem revelações surpreendentes sobre o passado do protagonista. O filme estreou no Festival de Cannes, onde recebeu os prêmios do júri ecumênico e melhor ator para Koji Yakusho, e é um dos cinco indicados ao Oscar de filme internacional.


SALA EDUARDO HIRTZ


15h15 – MEU AMIGO ROBÔ Assista o trailer aqui.

(Robot Dreams - Espanha/França, 2019, 102min). Animação de Pablo Verger. Imovision, 10 anos.

Sinopse: Dog vive sozinho em Manhattan e resolve comprar um robô para lhe fazer companhia. Os dois se tornam grandes amigos e aproveitam o verão em vários passeios pela cidade, ao som do clássico pop “September”, da banda Earth, Wind & Fire. Mas, na última noite do verão, Dog é obrigado a deixar o Robô em uma praia, de onde ele só poderá sair no próximo ano – se a amizade dos dois resistir. O longa é uma adaptação da HQ americana "Robot Dreams", de Sara Varon, e é um dos cinco títulos indicados ao Oscar de melhor animação.


17h15 – EU, CAPITÃO – ESTREIA Assista o trailer aqui.

(Io Capitano – Itália/Bélgica/França, 2023, 121min). Direção de Matteo Garrone, com Seydou Sarr, Moustapha Fall, Issaka Sawadogo. Pandora Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Seydou e Moussa são dois adolescentes senegaleses que partem do Dakar rumo à Europa, protagonizando uma odisseia contemporânea que tem como objetivo uma vida melhor. No caminho, eles enfrentam todos os obstáculos possíveis: o mar, o deserto, os animais e os seres humanos. Premiado no Festival de Veneza como melhor diretor, Matteo Garrone construiu seu filme a partir dos relatos de adolescentes que vivem em um centro de acolhimento em Catânia, na Itália. O filme é um dos cinco indicados ao Oscar de filme internacional.


19h30 – HAMLET – PRÉ-ESTREIA Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2022, 87min). Direção de Zeca Brito, com Fredericco Restori, Jean-Claude Bernardet e Marcelo Restori. Brito & Santos Produções, 12 anos. Drama.

Sinopse: O filme combina ficção e documentário para mostrar os dilemas do jovem Hamlet diante de questões pessoais e sociais. O cenário é o caos político no Brasil de 2016, quando os estudantes secundaristas se uniram aos movimentos sociais e tomaram as ruas em protestos. A produção conquistou cinco Kikitos na Mostra de Longas Gaúchos do Festival de Cinema de Gramado (melhor filme, direção, ator, fotografia e montagem), além do prêmio de melhor direção no Festival Internacional de Cine Documental de Buenos Aires.


SALA NORBERTO LUBISCO


15h – TODO MUNDO AMA JEANNE Assista o trailer aqui.

(Tout Le Monde Aime Jeanne – França/Portugal, 2022, 95min). Direção de Céline Devaux, com Blanche Gardin, Laurent Lafitte. Imovision, 14 anos. Comédia dramática.

Sinopse: Jeanne não está em um bom momento da vida. Seu principal projeto fracassou, ela ficou com muitas dívidas, o namoro terminou e a mãe morreu recentemente. Tudo que lhe restou foi um apartamento, que a mãe deixou de herança em Lisboa – e que Jeanne precisa vender com urgência. No aeroporto, antes de embarcar no voo de Paris para Lisboa, acontece um reencontro inusitado com Jean, um antigo colega de escola que Jeanne nem lembrava que existia.


16h45 – OS COLONOS Assista o trailer aqui.

(Los Colonos - Chile/Argentina/Reino Unido, 2023, 100min). Direção de Felipe Gálvez, com Alfredo Castro, Sam Spruell, Mark Stanley, Mariano Llinás. O2 Play/Mubi, 16 anos. Drama.

Sinopse: No início do século XX, um rico fazendeiro da Terra do Fogo, no inóspito sul chileno, contrata um tenente britânico e um mercenário norte-americano para protegerem sua propriedade. Junto com eles vêm o mestiço Segundo, um exímio atirador, que acaba testemunhando um dos maiores massacres à população indígena do Chile. Elogiado relato sobre a colonização e o nascimento das fronteiras ao sul da América Latina, o filme ganhou o prêmio Fipresci no Festival de Cannes e foi indicado pelo Chile na disputa pelo Oscar de filme internacional.


18h45 – LEVANTE Assista o trailer aqui.

(Brasil/França/Uruguai, 2023, 100min). Direção de Lillah Halla, com Ayomi Domenica, Grace Passô, Loro Bardot, Onna Silva. Lira Filmes/Vitrine Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Às vésperas de um campeonato de vôlei decisivo para seu futuro como atleta, Sofia, de 17 anos, descobre uma gravidez indesejada. Na tentativa de fazer um aborto, ela acaba se convertendo em alvo de um grupo fundamentalista decidido a detê-la a qualquer preço. Mas Sofia conta com o apoio da família e do seu time para enfrentar o grupo e decidir o que é melhor para ela neste momento. O filme, que abriu o Frapa em novembro passado, ganhou os prêmios de melhor direção e montagem no Festival do Rio 2023.


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 14,00 (R$ 7,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 16,00 (R$ 8,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). CLIENTE BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES MEDIANTE PAGAMENTO COM O CARTÃO DO BANCO.

Estudantes devem apresentar Carteira de Identidade Estudantil.

Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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Cine Dica: Próximo Clube de Cinema - 'Zona de Interesse'

Segue a programação do Clube de Cinema no próximo final de semana.

SESSÃO CLUBE DE CINEMA


Local: Espaço de Cinema, Sala 3, Bourbon Shopping Country

Data: 02/03/2024, sábado, às 10:15 da manhã

"Zona de Interesse" (The Zone of Interest)

EUA / Polônia / Reino Unido, 2023, 105 min, 14 anos

Direção: Jonathan Glazer

Elenco: Sandra Hüller, Freya Kreutzkam, Christian Friedel

Sinopse: Com direção de Jonathan Glazer, "Zona de Interesse" é um retrato impactante de uma família nazista vivendo nas proximidades de Auschwitz. No filme, Rudolf Höss (Christian Friedel), o comandante de Auschwitz, e sua esposa Hedwig (Sandra Hüller), desfrutam de uma vida aparentemente bucólica em uma casa com um jardim ao lado do campo de concentração.

Sobre o Filme: Nos últimos trinta anos o cinema nos proporcionou experiências emocionais ao testemunharmos tramas que nos levava aos tempos da Segunda Guerra Mundial e onde os nazistas estavam dispostos em riscar os judeus da face da terra. De todos, um dos mais angustiantes foi para mim "O Menino de Pijama Listrado" (2008), cuja fantasia e os sonhos de um menino alemão dão de encontro com a realidade nua e crua do campo de concentração através de um menino judeu. "Zona de Interesse" (2023) possui uma proposta familiar, mas cujo horror do extermínio é banalizado e fazendo com que os personagens fiquem agindo como se nada estivesse acontecendo.

Dirigido por Jonathan Glazer, do genial "Sob a Pele" (2014), o filme é uma adaptação de um livro escrito por Martin Amis. Na trama, Rudolf Höss (Christian Friedel) é um comandante de Auschwitz, e sua esposa Hedwig (Sandra Hüller) vivem uma vida aparentemente simples e cujo pátio parece a entrada para o paraíso. Porém, tudo não passa de uma verdadeira cortina de fumaça, pois ao lado do muro se encontra justamente o campo de concentração de Auschwitz e do qual foi cenário de inúmeras mortes de judeus. No decorrer do filme, as atrocidades nunca vemos, mas sentimos que algo terrível está acontecendo.

Confira a minha crítica já publicada clicando aqui. 


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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Cine Dica: Em Cartaz- 'O Menino e a Garça'

Sinopse: O jovem Mahito luta para se estabelecer em uma nova cidade após a morte de sua mãe. Quando uma garça falante conta para Mahito que sua mãe ainda está viva, ele entra em uma torre abandonada em busca dela. 

Hayao Miyazaki é apontado por muitos fãs como o Disney do Japão e se pararmos para pensar a comparação não é muito forçada. Só pelo Studio Ghibli ele criou obras primas que, tanto explora a fantasia como foi visto em "A Viagem de Chihiro" (2001), como também filmes com o pé mais na realidade e que fala um pouco sobre a sua pessoa como no caso de "Vidas ao Vento" (2013). Portanto, "O Menino e a Garça" (2023) transita entre o realismo e o fantástico e nos transportando novamente para um universo pessoal do realizador como um todo.

Baseado no livro de Genzaburo Yoshino de 1937, a trama é sobre o menino Mahito Maki. Após a trágica morte de sua mãe, Mahito se muda com o seu pai e sua nova mãe para uma propriedade no interior, mas que lá começa acontecer eventos misteriosos e que o lava a conhecer uma garça peculiar e que fala. Quando a sua nova mãe desaparece o jovem decide procurá-la, mas indo de encontro com um mundo mágico e cujo tempo e espaço se fundem como um todo.

Embora seja baseado em um livro de outro autor é notório que Hayao Miyazaki usou o conto para falar um pouco sobre si mesmo, já que o próprio passou por maus bocados ao lado da sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que o seu pai ajudava na fabricação de aviões para colaborar com o governo japonês, o realizador, por sua vez, sempre questionou se valeria a pena ajudar em uma guerra em que ambos os lados saem perdendo independente de quem ganha. Por conta disso, os seus filmes falam de protagonistas que fogem da realidade nua e crua e embarcam em um mundo fantástico cheio de detalhes e conteúdo.

Neste filme não é diferente, onde o realizador elabora uma trama em que quase pode ser tocada na tela, pois embora seja feito com desenho tradicional é impressionante os inúmeros detalhes que se encontram em nossa frente. Acompanhamos os personagens por esses cenários, desde uma sala cheia de livros ou um simples quarto, mas que ali guarda diversas histórias a partir de cada detalhe que acabamos fisgando quando nos encontramos mais atentos. E essa sensação não é diferente quando o pequeno protagonista adentra ao mundo mágico que ele irá conhecer, onde os traços do realizador fluem de tal modo como se eles fossem realmente vivos e nos passando a sensação de peso e sendo algo que quase nunca sentimos em produções sobrecarregadas de CGI.

O filme em si lembra bastante alguns contos já elaborados pela Disney, como no caso do clássico "Alice no País das Maravilhas" (1951), mas tudo embalado com a cultura oriental e fazendo da obra muito mais genuína. Em comum, ambas falam sobre a busca de um protagonista em tentar fugir da dor que se encontra em sua realidade, sendo que o mundo fantástico não serve somente como ponto de fuga, como também uma forma deles enfrentarem as suas dores interiores e podendo, enfim, enfrentar o mundo real de uma forma mais madura. Até lá, nos deliciamos com as imagens fantásticas e cujo personagens enigmáticos aumenta ainda mais a experiência.

Mahito, por exemplo, é um menino que facilmente nos identificamos com ele, já que os seus sentimos e pensamentos são coisas das quais nos identificamos e fazendo com que a gente fique do seu lado o tempo todo enquanto ele embarca nesta estranha aventura. Ao mesmo tempo, a Garça é sem sombra de dúvida uma das figuras mais peculiares e divertidas do longa, já que ela se apresenta de uma forma misteriosa, para logo depois surgir com uma nova faceta de uma forma original e ao mesmo tempo surpreendente. Esse é um de inúmeras estranhas e fantásticas figuras que surgem na tela e fazendo da obra se tornar ainda mais encantadora.

Curiosamente, é um filme que também brinca com a questão do multiverso e que hoje em dia está na moda dentro do gênero de Super Heróis para o cinema´. Porém, aqui ela é usada de uma forma emocional, para que o pequeno protagonista aprenda ainda mais sobre qual é a missão dos seres humanos em vida e como é preciso lidar com a morte, pois ela pode ser o fim, mas também o começo para cada um de nós. Ao final, concluímos que a jornada do pequeno protagonista é sobre a nossa própria jornada sobre amadurecimento e do qual precisa vir para encararmos novos desafios desse mundo real, por vezes, cruel, mas que possuem também coisas maravilhosas para serem sentidas enquanto vivermos nela ao longo de nossas vidas.

Favorito para Oscar de Melhor Longa de Animação de 2024, "O Menino e a Garça" é aquele filme mágico que nos contagia do começo ao final da narrativa e fazendo a gente torcer que essa não seja a última realização do mestre  Hayao Miyazaki em vida. 

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 29 DE FEVEREIRO A 06 DE MARÇO:

 ESTREIA:

AMANHÃ

Brasil/Documentário/2023/103min.

Direção: Marcos Pimentel

Sinopse: Crianças de universos sociais completamente diferentes se cruzaram em 2002 em Belo Horizonte, na Barragem Santa Lúcia, que separa um conjunto de favelas de um bairro de classe média alta. Mesmo morando tão perto, sempre foram tão distantes. Vinte anos depois, o que aconteceu com cada uma delas? Entre 2002 e 2022, o Brasil foi virado pelo avesso. E suas vidas também. Um filme sobre os encontros e desencontros da sociedade brasileira contemporânea.



EM CARTAZ:

SERVIDÃO

Brasil/Documentário/82min

Direção: Renato Barbieri

Servidão foi premiado como “Melhor Longa Metragem Documental” no 15ª Trinidad+Tobago Film Festival de Port of Spain, em Trinidad and Tobago, e “Grande Prêmio Juri Popular ” no 22º Rencontres du cinéma Sud-américain, de Marselha , França. O filme tem a participação de Leonardo Sakamoto e narração de Negra Li

Sinopse:  Longa documental sobre o trabalho escravo contemporâneo com foco na Amazônia brasileira. Foram ouvidos trabalhadores rurais que foram escravizados em frentes de desmatamento no Norte do Brasil e abolicionistas contemporâneos de diferentes vertentes. Embora as condições de trabalho análogas à de escravo sejam consideradas crime previsto pelo Código Penal Brasileiro, o regime da servidão é praticado no Brasil desde sempre, há cinco séculos. A Lei Áurea aboliu a escravidão clássica, mas não transformou as relações de trabalho no Brasil, que perduraram. Com narração de Negra Li, o documentário é um contundente registro sobre uma das maiores mazelas do Brasil.

Elenco: Marinaldo Soares Santos, Negra Li, Dodô Azevedo, Rafael Sanzio dos Anjos, Alberto da Costa e Silva, Ana Maria Gonçalves, Marcelo Gonçalves Campos, Victor Leonardi, Leonardo Sakamoto, Gladyson Pereira, Luis Camargo de Melo, Ricardo Rezende Figueira, Ela Wiecko, João Roberto Ripper, Fabrícia Carvalho, Cláudio Secchin, Binka Le Breton, Gildásio Silva Meireles, Sebastião Gonçalves, Aldemir Pereira, Xavier Plassat, Carlos Haddas, Lelio Bentes, Antônio Mello, Valderez Monte, Calisto Torres, Rachel Cunha, André Roston, Bené Florindo, Jônatas Andrade, José Marcelino, Caio Magri, Kailash Satyarthi e Paulo Paim.


LEVANTE

Brasil, França e Uruguai/Ficção/ 2022/92min.

Direção: Lillah Halla

 Exibido no Festival de Cannes em 2023, onde foi premiado com Melhor Filme de Estreia nas mostras paralelas do Festival de Cannes 2023, LEVANTE também recebeu o Prêmio WIP Paradiso, Prêmio Canal+, Prêmio CICAE no Cine en Construcción – Cinelatino Toulouse 2023, além da participação em inúmeros festivais internacionais. O filme é estrelado por Domenica Dias, filha do rapper Mano Brown.

Sinopse: Às vésperas do campeonato de vôlei decisivo para seu futuro como atleta, Sofía (17), descobre uma gravidez indesejada. Na tentativa de interrompê-la clandestinamente, ela acaba se convertendo em alvo de um grupo fundamentalista decidido a detê-la a qualquer preço, mas nem Sofía nem aqueles que a amam estão dispostos a se render ante o fervor cego da manada.

Elenco: Ayomi Domenica, Loro Bardot, Grace Passô


Horários de 29 de fevereiro  a 06 de março(não há sessões nas segundas-feiras):


15h: SERVIDÃO

17h: LEVANTE

19h: AMANHÃ


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 12 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 6. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas.

EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 6,00.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Meu Amigo Robô'

 Nota: Filme exibido para os associados no último sábado (24/02/24).

Sinopse: Na cidade de Nova York dos anos 1980, Dog monta um robô para ser seu companheiro e eles se tornam melhores amigos. 

Nos tempos do cinema mudo os personagens nos passavam os seus sentimentos através de gestos e expressões que diziam muito mais do que meras palavras jogadas ao vento. Portanto, é raro um filme feito atualmente que consiga obter tamanho feito de como era realizado o cinema de antigamente, mas há casos a serem destacados como no caso do genial "O Artista" (2011). "Meu Amigo Robô" (2023) não é somente uma mera animação, como também uma obra que presta uma homenagem de como se fazia cinema antigamente e ao mesmo tempo nos ensinando o verdadeiro significado de uma bela amizade.

Dirigido por Pablo Berger, o filme é baseado em uma HQ de Sara Varon e cuja trama nós compreendemos mesmo com nenhuma palavra dita. O filme conta a história de Dog, um cachorrinho que mora em Manhattan, que ao se sentir cansado de ficar sozinho decide comprar um robô para ser seu companheiro. Ao ritmo da Nova York nos anos 80, a amizade se torna forte, mas um certo problema ocorrido em uma praia faz com que ambos tomem caminhos diferentes e fazendo a gente se perguntar se ambos irão se reencontrar um dia novamente.

O filme possui elementos familiares para aqueles que cresceram assistindo desenhos animados de antigamente, já que todos os personagens vistos na tela são retratados como animais, mas que nos passa humanidade de forma surpreendente. Dog, por exemplo, é o retrato do cidadão comum que se vê solitário perante uma cidade grande cheia de possibilidades, mas que encontra somente algum sentido na vida quando obtém uma amizade vinda justamente de um robô. Se por um lado o primeiro consegue enxergar os prazeres da vida a partir do novo companheiro, do outro, esse último é um recém-nascido e testemunha esse mundo com um olhar inocente e cheio de curiosidade.

Feito com desenho tradicional, o filme possui inúmeros detalhes de uma Nova York em movimento constante, como se os personagens vistos na tela não tivessem tempo para desfrutar dos minutos que vão escorrendo para os seus dedos, mas somente aqueles que conseguem compartilhar o tempo através do seu próximo é que tudo começa a fazer algum sentido. Porém, uma vez que a dupla central se separa a partir do cenário da praia, obtemos uma nova análise sobre o real papel sobre o amor da amizade. Conhecemos pessoas, nos apaixonamos por elas, mas a vida nos prega uma peça que faz com que nos distanciamos, mas jamais nos esquecemos de como fomos felizes naqueles tempos.

Dog, por exemplo, obtém mais coragem ao desfrutar de uma cidade em movimento e ao mesmo tempo tendo a chance maior de conhecer novas pessoas e compreendendo alguns novos significados sobre a vida e dos quais ele quase nunca enxergava. Já o robô, mesmo impossibilitado em uma determinada passagem da trama, obtém uma lição importante sobre a vida através do nascimento e aprendizado de simples pássaros, mas que se torna um dos momentos mais sublimes do filme como um todo. Nada mal para uma animação de traços simples, mas cuja mensagem poderosa possui muito mais peso do que qualquer superprodução de conteúdo vazio de hoje em dia.

Curiosamente, os destinos de ambos os personagens se encaminham por situações inusitadas, mas que fazem a gente somente se perguntar se ambos se reencontraram algum dia. A resposta vem para um ato final sublime, do qual fará muito marmanjo chorar, pois com certeza passamos por situações em que desejamos lá no fundo reatar aquele amor antigo que nos ensinou muito, mas cujo ensinamentos nos serviram para desfrutarmos melhor de nossas vidas. Sempre teremos novas oportunidades de conhecermos novas pessoas, mas sempre guardando lá no fundo a esperança de nos cruzarmos com aquela pessoa especial que nós conhecemos um dia e que nos ensinou a enxergar a realidade através de uma nova perspectiva.

Indicado ao Oscar de Melhor Longa de Animação de 2024, "Meu Amigo Robô" é uma história de amor e amizade de duas figuras incomuns, mas das quais nos identificamos e fazendo a gente relembrar sobre pessoas do passado e que ainda hoje nós amamos. 

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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Amor Esquecido'

Sobre o Filme: 

Quando um longa é baseado em um livro de sucesso sempre poderá render um grande sucesso ou um grande fracasso. O problema sempre cai na questão em saber como levar a linguagem literária para o filme, pois basta pegarmos exemplos como adaptação de "O Código Da Vinci" (2006) para constatarmos que fidelidade ao extremo não é sinônimo de qualidade. "Amor Esquecido" (2023) é baseado em um livro que eu não li, mas se percebe que os realizadores quiseram transitar em ser fiel a sua fonte como também fazer cinema e o resultado tornasse parcial diga-se de passagem.

Dirigido por Michal Gazda, o filme é uma adaptação cinematográfica do romance de Tadeusz Dolega Mostowicz, publicado em 1937. A trama é sobre um médico renomado que perde a família e a memória e se transforma num andarilho sem perder princípios éticos e habilidades da medicina. Ao mesmo tempo, conhecemos pessoas importantes vindas do seu passado e das quais ele vai reencontrando.

Com mais de duas horas e vinte de duração se percebe que os realizadores se empenharam em ser fiel ao máximo ao livro, pois nota-se que os inúmeros desdobramentos da trama é algo corriqueiro quando se lê um volume, principalmente aqueles que se tornaram clássicos no seu devido tempo. Porém, se o já citado "O Código Da Vinci" foi falho neste quesito, ao menos aqui o diretor Michal Gazda não parece estar dirigindo no piloto automático, pois o mesmo procura obter a nossa atenção ao inserir um ritmo um tanto que dinâmico em algumas passagens da trama, mesmo quando elas se estendem por demais em algumas ocasiões. Neste último caso, o filme se alonga mais do que deveria, não somente pelas várias perguntas que o protagonista busca em sua jornada, como também devido as suas subtramas como no caso, por exemplo, da sua filha e de sua história de amor que, por vezes, é muito forçada.

O filme somente ganha maior atenção graças ao desempenho de Leszek Lichota, que aqui faz um protagonista confuso, mas que segue em frente em busca de saber sobre qual é o seu verdadeiro passado. Curiosamente, é um personagem construído para fazer com que nos identifiquemos com ele, pois embora não tenhamos amnesia ao longo da vida, sempre desejamos lá no fundo uma vez ou outra em viajar pelo mundo sem rumo e saber ao certo sobre qual é o seu verdadeiro papel nesta história. Pode ser um tanto que forçada essa minha observação, mas me veio ao concluir a sessão.

Mas assim como eu disse acima o filme falha ao se estender por demais, principalmente em sua uma hora final que por vezes me passou a sensação de que tudo poderia ser resolvido em menos de duas horas. A intenção pode parecer boa até certo ponto com relação a fidelidade na adaptação. Porém, em tempos em que séries e minisséries de qualidade se tornaram corriqueiras em nosso dia a dia, talvez a adaptação tivesse se tornado melhor neste formato ao invés de ser todo condensado em uma produção de mais de duas horas.

"Amor Esquecido" é um exemplo de produção em que a fidelidade a sua fonte não é sinônimo de qualidade, mesmo com alguns pontos positivos que lhe dão destaque. 

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEMATECA CAPITÓLIO 29 DE FEVEREIRO A 6 DE MARÇO DE 2024

MIYAZAKI INAUGURA SESSÃO VAGALUME 2024

A Cinemateca Capitólio retoma no próximo final de semana a sua já tradicional Sessão Vagalume, projeto de formação de público ligado às ações do Programa de Alfabetização Audiovisual da instituição, desenvolvido em parceria com a UFRGS.

A atração programada para os dias 2 e 3 de março, às 15h,  é o muito aguardado O Menino e a Garça, novo filme do mestre japonês da animação Hayao Miyazaki. Filme de animação mais premiado da temporada, vencedor do Globo do Ouro, do Bafta e favorito ao Oscar na categoria, O Menino e a Garça marca o retorno de Miyazaki ao cinema, 10 anos após a realização de seu longa anterior, Vidas ao Vento, lançado em 2013. Embora os filmes de Miyazaki sejam muito apreciados pelo público infantil, é importante observar que devido a sua longa duração e complexidade narrativa, O Menino e a Garça pode não funcionar com crianças menores, cabendo aos acompanhantes responsáveis essa avaliação.


A Sessão Vagalume tem ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00.


O Menino e a Garça (Japão, 2023, 124 minutos)

Depois de perder a mãe durante a guerra, o menino Mahito muda-se para a propriedade de sua família no campo. Lá, uma série de eventos misteriosos o levam a uma torre antiga e isolada, lar de uma travessa garça cinzenta. Quando a nova madrasta de Mahito desaparece, ele segue a garça até a torre e entra num mundo fantástico partilhado pelos vivos e pelos mortos. Ao embarcar em uma jornada épica com a garça como guia, Mahito deve descobrir os segredos deste mundo e a verdade sobre si mesmo.


CINECLUBE ACADEMIA DAS MUSAS DEBATE FILME JAPONÊS

No domingo, 3 de março, às 17h30, o Cineclube Academia das Musas, coletivo dedicado ao estudo de filmes dirigido por mulheres, apresenta a sessão de A Estrada Distante, da diretora japonesa Sachiko Hidari. Após a sessão, ocorre um debate conduzido pela cineclubista Yasmin Borges. Entrada franca.


Mais informações:   https://www.capitolio.org.br/eventos/6982/cineclube-academia-das-musas-a-estrada-distante/


FILMES DE GUILLAUME BRAC E JOÃO CANIJO EM CARTAZ

A partir de quinta-feira, 29 de fevereiro, a Cinemateca Capitólio exibe Embarque!, longa-metragem do realizador francês Guillaume Brac, e Mal Viver, primeiro filme do díptico do diretor português João Canijo.


Mais informações: https://www.capitolio.org.br/programacao/ 


GRADE DE HORÁRIOS

29 de fevereiro a 6 de março de 2024


29 de fevereiro (quinta-feira)

15h – Esperando a Felicidade

17h – Mal Viver

19h15 – O Menino e a Garça


1º de março (sexta-feira)

15h – Embarque!

17h – Mal Viver

19h15 – O Menino e a Garça


2 de março (sábado)

15h – Sessão Vagalume: O Menino e a Garça

17h20 – Embarque!

19h – Mal Viver


3 de março (domingo)

15h – Sessão Vagalume: O Menino e a Garça

17h30 – Cineclube Academia das Musas: A Estrada Distante


5 de março (terça-feira)

15h – Embarque!

17h – Mal Viver

19h15 – O Menino e a Garça


6 de março (quarta-feira)

15h – Embarque!

17h – Mal Viver

19h30– Sessão do curso Jovem Produtor Audiovisual

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Cine Especial: Conhecendo 'A Morte e a Donzela'

Roman Polanski é um cineasta autoral, porém, o mesmo procura não ficar preso exatamente a um gênero. Ao mesmo tempo, eu acredito que em suas obras ele fale um pouco sobre a sua pessoa, ou simplesmente uma forma de enfrentar os seus medos e arrependimentos que guarda para si ao longo dos anos. "O Pianista"(2002), por exemplo, talvez tenha sido uma forma de exorcizar um passado traumático, já que o realizador perdeu os seus pais logo cedo nos campos de concentração. Ao mesmo tempo, é um diretor experimental, ao conseguir alinhar a linguagem cinematográfica com a teatral e realizando obras como "Deus da Carnificina" (2012).

Porém, tem alguns filmes que eu fui conhecer posteriormente, como no caso deste agora "A Morte e a Donzela" (1994) e que fez com que eu percebesse que esse namoro pelo universo teatral não havia começado no início desse século. O roteiro é baseado em uma peça de teatro de Ariel Dorfman, um chileno exilado que escapou do regime de Augusto Pinochet. Portanto, a trama gira em um país sul-americano após a queda da ditadura, onde Paulina Escobar (Sigourney Weaver), a mulher de Gerardo Escobar (Stuart Wilson), um famoso advogado, fica sabendo no rádio que Gerardo deverá chefiar as investigações das mortes ocorridas no regime militar. Quando Gerardo a chega o vê acompanhado de um estranho que o socorreu na estrada, mas quando o desconhecido retorna à casa ela o identifica pela voz como sendo Roberto Miranda (Ben Kingsley), o homem que a torturou e a estuprou quando ela fazia militância política.

Pode-se dizer que a obra é uma crítica ferrenha contra todas as ditaduras militares que ocorreram na América do Sul nos anos sessenta, setenta até os anos oitenta. A informação de que o filme é baseado em uma peça escrita por um dramaturgo Chileno faz com que o cinéfilo se localize melhor com relação aquele lugar em que a trama se passa, muito embora isso pouco importa, pois o que vale é o fato de a história representar inúmeras que ocorram nos tempos de chumbo. Sigourney Weaver nos brinda com uma atuação poderosa, pois já nos primeiros minutos observamos todos os sinais de alguém que sofreu nas mãos de torturadores e cuja cena em que ela vai jantar dentro de um armário simboliza o fato que ela não desvencilhou de situações em que ela não tinha nada, a não ser o objetivo de continuar viva.

Pelo fato do filme se passar em um único cenário, ou seja, dentro da casa do casal central, o filme ganha ares de suspense psicológico, dos quais se tornam cada vez mais sufocantes na medida que a personagem de Weaver transita entre a lógica e o desiquilíbrio, principalmente a partir do momento em que ela encara o que ela acredita ser o seu algoz vindo do passado. Já Stuart Wilson cria para o seu personagem uma espécie de equilíbrio com relação aos fatos, mas que aos poucos começa a se deteriorar quando não sabe mais em que direção tomar, se acredita em sua esposa, ou na inocência do homem em que ela acredita ser um verdadeiro monstro. Já Ben Kingsley nos brinda com uma atuação ambígua, já que quase nunca sabemos ao certo se ele é culpado ou inocente com relação aos fatos, mas aos poucos tiramos nossas próprias conclusões a partir de suas próprias palavras e ações ao longo do percurso.

Na medida em que o tempo avança o clima fica cada vez mais sufocante, cuja fotografia que transita entre as cores quentes e a escuridão de uma noite chuvosa alimentam ainda mais essa sensação. Assim como Brian De Palma, o realizador também é um grande adorador de Alfred Hitchcock e não me surpreenderia se o mesmo tivesse buscado inspiração no que o mestre do suspense havia feito. Vale destacar o ótimo trabalho do compositor Wojciech Kilar e cuja sua trilha aqui nos lembra os melhores momentos dos filmes de Hitchcock.

Falando nisso, o longa presta uma bela homenagem a Schubert com a sua clássica música "A Morte e a Donzela", que dá título ao filme e se torna peça fundamental dentro da trama. Aos poucos, nota-se que o desequilíbrio entre os personagens, assim como o ambiente dentro da casa, que começa a desmoronar e tudo que resta é uma confissão, mesmo na possiblidade dela soar falsa. A meu ver não há falso testemunho quando ocorre no limiar da trama, pois talvez o próprio realizador esteja usando os seus personagens como avatares para confessar sobre a sua verdadeira pessoa.

No passado, após a sua esposa Sharon Tate ter sido brutalmente assassinada de forma brutal em 09 de agosto de 1969 por Charles Manson e integrantes do culto o qual liderava, anos depois, o diretor foi condenado por estupro de uma garota chamada Samantha Geimer e que tinha apenas 13 anos de idade em 1978 e cujo crime ocorreu na mansão do ator Jack Nicholson. Desde então Roman Polanski viveu na Europa, para não ser preso. Em outubro de 2013, Samantha Geimer afirmou, durante a apresentação do seu livro de memórias, "The Girl: A Life in the Shadow of Roman Polanski" ("A menina: Uma vida na sombra de Roman Polanski"), em Paris, que há "muito tempo" perdoou o cineasta.

Porém, na minha opinião, talvez o próprio cineasta não tenha se perdoado pelo que cometeu e neste filme eu percebo que ele assume isso através do personagem de Ben Kingsley. No ápice da trama, quando o mesmo não vê saída, ele decidiu assumir as atrocidades que ele havia cometido no passado contra a personagem de Sigourney Weaver, mas sinto que o personagem de Kingley sai de cena e entra as palavras de Polanski e assumindo, enfim, a culpa. É como se o cenário que ele descreveu através do personagem foi a forma como ele viu na mansão do ator Jack Nicholson e fazendo com que cometesse tal ato.

Quem for ler esse texto e logo em seguida assistir ao filme cabe cada um irá tirar as suas próprias conclusões. Roman Polanski é um artista, porém, falho como ser humano e cabe a justiça julgá-lo, mas antes disso talvez fosse realmente necessário ele assumir, não com palavras, mas sim através da sétima arte da qual alavancou a sua carreira. Em tempos de cancelamento, principalmente como a internet que torna tudo isso mais fácil, cabe não julgarmos o artista e a sua obra, mas sim a sua pessoa e do qual os seus filmes talvez tenham-lhe dado uma saída.

"A Morte e a Donzela" é mais do que um belo suspense, como também uma confissão camuflada do diretor Roman Polanski. 

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