Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
Me acompanhem no meu:
Twitter: @cinemaanosluz
Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com
Sinopse: Após a perda do marido, uma mulher enlutada busca consolo com seus sogros na isolada casa de campo da família. No entanto, o reencontro logo se transforma em um inferno na Terra quando o Livro dos Mortos liberta forças demoníacas que os transformam em Deadites um por um.
Moana
Sinopse: Moana acompanha Moana Waialiki, uma jovem corajosa que vive em uma ilha e sonha em explorar o oceano além das margens que cercam seu lar.
Primavera
Sinopse: Cecilia, uma violinista talentosa confinada em um orfanato, conhece Vivaldi, que se torna seu professor. Sob a mentoria dele e por meio de sua música, ela ganha coragem para se libertar do destino que lhe foi imposto e seguir sua verdadeira paixão.
Sinopse: Acompanha Alice em uma intensa batalha judicial pela guarda de seus filhos. Sob forte pressão, ela enfrenta uma juíza e precisa confrontar o pai das crianças, buscando provar as denúncias de violência e protegê-los antes que seja tarde demais.
O subgênero dos filmes de tribunal é muito apreciado ao longo da história do cinema. Se por um lado temos uma análise acalorada sobre o papel do júri no clássico "12 Homens e Uma Sentença" (1957), do outro, testemunhamos o peso da audiência na questão da separação no filme "Custódia" (2018). É nesse cenário que recebemos o belga "Nós Acreditamos em Vocês" (2026), no qual testemunhamos o relato de ambas as partes, mas onde fica notório quem diz a verdade.
Dirigido por Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys, a trama acompanha Alice (Myriem Akheddiou) em uma audiência para decidir a guarda de seus filhos. Sob grande pressão, a mãe enfrenta a juíza com o desejo de não cometer erro algum, pois a segurança das crianças depende dela e de suas palavras. Acusando o pai (Laurent Capelluto) de um terrível crime, a sessão envereda por caminhos imprevisíveis.
No clássico do cinema mudo "A Paixão de Joana D'Arc" (1928), o diretor foca exclusivamente na atriz Renée Jeanne Falconetti que, ao interpretar a personagem histórica, se entrega de corpo e alma diante da câmera. Algo similar acontece em Nós Acreditamos em Vocês. A câmera foca quase exclusivamente na protagonista, que inicialmente não consegue domar o próprio filho para levá-lo à audiência, tornando os minutos iniciais angustiantes. Tudo é baseado na ação e reação da personagem central, cuja expressão tem mais a dizer do que meras palavras — mérito que se deve, principalmente, à incrível atuação de Myriem Akheddiou.
Gradativamente, começamos a entender o cenário: vemos essa mãe tentar proteger os filhos de um pai ausente e que as crianças não querem ver. Em poucos minutos de filme, compreendemos que os pequenos agem por um impulso quase destrutivo, cujas razões vão sendo esclarecidas à medida que a protagonista expõe as suas dores. É aí que o filme encontra a sua alma: na sequência da audiência.
Devillers e Dufeys procuram dar espaço para cada um dos personagens — a mãe, o pai e seus respectivos advogados —, permitindo que todos defendam suas versões. Em meio a isso, temos a noção de quão difícil é colocar em prática uma "justiça justa", para que não se cometa nenhuma injustiça. Isso é bem sintetizado na expressão da juíza, que não esconde o temor de tomar uma decisão da qual venha a se arrepender depois.
Porém, uma vez que a mãe e o pai apresentam seus depoimentos, tudo fica bastante claro, e a realidade daquela família nos puxa para o seu dia a dia. Através do relato de Alice, temos a dimensão do horror que ela ouviu e testemunhou no decorrer dos anos, que privou seus filhos de uma infância saudável e quase a levou a um colapso. A câmera dos realizadores, por sua vez, capta cada nuance do olhar da protagonista, fazendo com que fiquemos o tempo todo ao seu lado.
Os diretores acertam ao ambientar a audiência em um espaço pequeno, o que torna tudo ainda mais claustrofóbico e faz com que os ânimos fiquem à flor da pele. Curiosamente, todos ali têm um papel relevante, seja nas palavras ou no jogo de olhares que reage ao que está sendo dito. Portanto, a última cena com a juíza, na qual ela se vê esgotada, é a representação de nós mesmos diante daquele testemunho, desejando que ela tome a decisão mais correta.
Em tempos de denúncias cada vez mais frequentes de abusos no ambiente familiar, o filme surge como um alerta para que ninguém sofra em silêncio e para que o passo da denúncia seja dado. Assim, a cena final da mãe com os filhos, após uma montanha-russa de emoções, não é apenas um momento de paz rara, mas também de um peso extraído da própria consciência. Nunca é tarde para fazer o que é certo por si e por quem amamos.
"Nós Acreditamos em Vocês" é poderoso em suas cenas e cirúrgico em seu realismo ao tratar de um assunto que jamais pode ser banalizado em nosso mundo.
Sinopse: Joe (Rogen) e Angela (Wilde), um casal que atravessa uma fase turbulenta no relacionamento. Durante um jantar aparentemente comum com os vizinhos do andar de cima,
MINIONS & MONSTROS
Sinopse: Esta é a história frenética, improvável e totalmente verdadeira de como os Minions conquistaram Hollywood, se tornaram estrelas de cinema, perderam tudo, libertaram monstros no mundo e depois se uniram para tentar salvar o planeta do caos que acabaram criando.
Cinema brasileiro em destaque na Cinemateca Capitólio nas próximas semanas
A programação da Cinemateca Capitólio nas próximas semanas tem o cinema brasileiro como destaque, com dois lançamentos recentes em cartaz, o drama Dolores, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, e o premiado documentário Copan, de Carine Wallauer. Realizadora gaúcha radicada em São Paulo, Carine Wallauer participa de uma conversa com o público na quinta-feira, 11 de junho, às 19h, sobre seu documentário em torno do icônico edifício modernista de Oscar Niemeyer localizado na região central de São Paulo, que foi o grande vencedor do festival É Tudo Verdade em 2025.
No dia 16 de maio, a Capitólio inaugura uma de suas principais atrações previstas para 2026, a mostra A Cinemateca é Brasileira – Da Comédia ao Drama, programação com curadoria da Cinemateca Brasileira que inclui 23 títulos de diferentes épocas, incluindo desde clássicos com cópias restauradas (como São Bernardo, Amei um Bicheiro, A Hora e Vez de Augusto Matraga e Roberto Carlos em Ritmo de Aventura) a produções mais recentes (como Morto não Fala, Los Silencios, Que Horas Ela Volta? e Branco Sai, Preto Fica). A mostra, toda com entrada franca, irá se estender até o mês de julho, e é realizada em parceria com a Cinemateca Brasileira (aguarde divulgação específica).
Já na sexta-feira, 12 de junho, a Cinemateca Capitólio recebe mais uma edição do projeto Raros, com a exibição de Escuridão da Morte (Fade to Black), produção de horror de 1980 dirigida por Vernon Zimmerman. O filme acompanha o personagem Eric Binford (Dennis Christopher), que vive para o cinema. Cinéfilo solitário e obcecado pelas estrelas da Era de Ouro de Hollywood, ele encontra refúgio nas imagens que consome compulsivamente. Quando sua vida desmorona, a fronteira entre fantasia e realidade se rompe, e Eric passa a encenar sua vingança incorporando personagens clássicos do cinema. A entrada é franca.
Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui
Cinemateca Capitólio segue exibindo clássicos de Marilyn Monroe e estreia o drama brasileiro Dolores
A programação da Cinemateca Capitólio entre os dias 4 e 10 de junho tem como destaque a estreia do drama brasileiro Dolores (2025), de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, que divide horários com a segunda semana da mostra dedicada ao centenário da atriz Marilyn Monroe, comemorado em 1º de junho último, com a exibição de sete títulos marcantes de sua filmografia: Torrentes de Paixão, O Rio das Almas Perdidas, Os Homens Preferem as Louras, Como Agarrar um Milionário, O Pecado Mora ao Lado, Nunca Fui Santa e Os Desajustados.
Dolores é um projeto originalmente concebido pelo diretor Chico Teixeira, como complemento da trilogia formada ainda por Casa de Alice e Ausência. A morte prematura de Teixeira fez com que o filme fosse realizado por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar. A atriz Carla Ribas interpreta a personagem-título, uma mulher de 65 anos que tem a premonição de abrir um cassino. Isso, porém, se torna um problema, uma vez que ela já foi viciada em jogos. Dolores tem uma relação tensa com a única filha, Deborah (Naruna Costa), mas é próxima da neta, Duda (Ariane Aparecida), que trabalha numa loja de armas e sonha em se mudar para os Estados Unidos.
A dupla da direção também assina o roteiro e aponta que a solidariedade e o sentido de comunidade são temas caros à trilogia e, em especial, a esse filme. “É muito comum à experiência feminina você aprender com as trocas quase secretas, em particular, que se dão exclusivamente com outras mulheres. São trocas e ensinamentos que se dão num abraço, numa conversa, no meio de um trabalho ou num esbarrão na rua, e que vão formando uma teia de ensinamentos que produzem sobrevivência física mas também existencial. Queríamos retratar isso. Esse mundo de mulheres que acordam cedo, dormem tarde, sonham acordadas e movimentam o constroem o nosso país.”
Dolores já foi exibido no Festival Internacional de Roterdã, na Mostra de Tiradentes, no Festival de San Sebastian, onde fez sua estreia mundial, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no Festival do Rio e no Panorama Coisa de Cinema, em Salvador.
Finalmente, no sábado e domingo, às 15h, a Cinemateca Capitólio recebe mais uma edição da Sessão Vagalume, que neste mês de junho apresenta a clássica animação Alice no País das Maravilhas, versão de 1951 dos estúdios Disney para o célebre livro de Lewis Carroll.
Confira a programação completa da sala no site oficial clicandoaqui.
A fim de celebrar as pluralidades das narrativas nacionais e homenagear grandes trajetórias da sétima arte, a Sala Redenção promove a mostra “BR: do clássico ao contemporâneo”. A programação fica em cartaz entre os dias 1º e 17 de junho, com entrada franca e aberta à comunidade em geral.
Com longas-metragens de terror, comédia, drama, filmes históricos e de faroeste, a mostra “BR: do clássico ao contemporâneo” traduz a multiplicidade de Brasis que existem em um só país. A produção de Kleber Mendonça Filho, “O agente secreto” (2025), premiada no 78º Festival de Cannes e representante do Brasil no Oscar 2026, é o grande destaque da mostra. A programação também contempla “Oeste outra vez” (2024), grande vencedor do 52º Festival de Gramado; “Noites paraguayas” (1982), “Bar Esperança” (1983) e “Suçuarana” (2024).
Na segunda semana, a Sala Redenção homenageia Antônio Pitanga, diretor e ator com mais de 65 anos de carreira. São exibidos três filmes com Antônio no elenco – “Ladrões de Cinema” (1977), de Fernando Coni Campos; “Barravento” (1961), de Glauber Rocha; e “Quilombo” (1984), de Carlos Diegues –, além de “Malês” (2024), longa-metragem dirigido pelo cineasta que, em abril deste ano, venceu o Troféu Jangada de Melhor Filme no 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris.
A mostra tem apoio do Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cultura, Vitrine Filmes, CineSESC e Cinemateca Brasileira.
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Em sua curta, porém marcante carreira, Krzysztof Kieślowski construiu obras que não falavam apenas de sua Polônia natal, mas também da França, país que tão bem o acolheu. Seus filmes trazem sempre uma exploração profunda sobre o individualismo e as escolhas que movem o sujeito — temática que foi brilhantemente explorada, por exemplo, em Sorte Cega (1987).
Contudo, a questão do individualismo talvez tenha encontrado seu ápice no período em que a sociedade atravessava a transição entre as décadas de 1980 e 1990. Naqueles primeiros anos da última década do século XX, o mundo caminhava para um cenário de solidão, onde a preocupação com o próximo parecia ceder lugar ao autocentramento. "A Liberdade é Azul" (1993) envereda por esse pensamento: nele, a protagonista aprende, a duras penas, que não é possível desvencilhar-se tão facilmente do calor humano.
Na trama, após um trágico acidente que vitima seu marido e sua filha, Julie (Juliette Binoche) decide renunciar à sua própria história. Ela se afasta de tudo e de todos, assumindo o anonimato em meio à multidão parisiense. Essa existência fantasmagórica começa a ruir quando ela se vê compelida a lidar com uma importante obra inacabada de seu falecido esposo, um compositor de fama internacional.
Kieślowski filma como poucos. Sua fotografia fria sintetiza o estado emocional de uma personagem que tenta, a todo custo, não expressar sentimentos. Além disso, quando Julie é confrontada por perguntas de outros personagens, o diretor frequentemente faz uso de fades para o preto (escurecendo a imagem), como se, em seu interior, ela buscasse forças para responder. É como se houvesse um lapso temporal; o mundo à sua volta já não é urgente o suficiente para exigir uma resposta imediata.
Juliette Binoche — que muitos conheceram pelo clássico O Paciente Inglês (1996) — nos brinda com uma atuação que sustenta o filme. Ela constrói um ser que busca a assepsia emocional, mas que recupera a humanidade aos poucos, conforme pessoas ligadas ao seu passado ressurgem. Os personagens secundários, por sua vez, orbitam Julie em busca de suas próprias respostas, revelando-se também em jornadas particulares de autodescoberta.
"A Liberdade é Azul" abre a "Trilogia das Cores" de Kieślowski, seguida por "A Igualdade é Branca" (1994) e encerrada com "A Fraternidade é Vermelha" (1994). Há quem diga que as cores são apenas uma homenagem à bandeira francesa, mas elas funcionam, primordialmente, em sintonia com os sentimentos da trama. Aqui, o azul talvez seja uma representação do amor que cerca a personagem; um sentimento que ela recusa, mas que a impregna conforme a narrativa avança.
Com um teor psicológico e, por vezes, sombrio, o longa é apontado como uma obra à frente de seu tempo, antecipando dilemas que o cinema exploraria com afinco na virada do milênio. Assim como "Amores Expressos" (1994), o filme de Kieślowski é um daqueles casos que tardei a assistir, mas que, ao conhecer, percebo o quanto ainda há de "diamantes" dos anos 90 a serem descobertos. Nunca é tarde para apreciá-los.
"A Liberdade é Azul" é Kieślowski em sua essência: uma poderosa representação da alma humana em tempos de mudança.
Sinopse: Acompanha o caçador de recompensas solitário, o Mandaloriano Din Djarin (Pedro Pascal) e seu aprendiz Grogu.
HOKUM: O PESADELO DA BRUXA
Sinopse: O escritor solitário Ohm Bauman, interpretado por Adam Scott, se refugia em um hotel isolado para cumprir o último desejo de seus pais. A despedida silenciosa se transforma em pesadelo quando histórias sobre uma antiga bruxa que assombra a suíte de lua de mel passam a invadir seus sonhos e sua mente.
SEXO E DESTINO
Sinopse: Um drama espiritual ambientado nos dias atuais que revela como paixões, culpas e escolhas mal resolvidas atravessam vidas e gerações.
PASSAGEIRO DO MAL
Sinopse: Durante uma viagem de van, um casal presencia um acidente fatal. A partir daí, uma entidade demoníaca passa a persegui-los incansavelmente.
Com nove produções brasileiras na programação, como Ilha das Flores (1989), “Xingu” (2011) e “Lixo extraordinário” (2010), a Sala Redenção convida o público a refletir sobre o cenário global de crise climática por meio da mostra “Cinema socioambiental”. A programação, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis do Rio Grande do Sul (Ibama/RS), acontece de 8 a 22 de maio com entrada franca.
A mostra inicia no dia 8, às 14h, com “Xingu” (2011), longa-metragem de Cao Hamburger que acompanha os irmãos Villas-Bôas na Expedição Roncador-Xingu, na década de 1940. No dia 14, no mesmo horário, “Lixo extraordinário” (2010) documenta o trabalho do artista visual Vik Muniz no Jardim Gramacho (RJ), maior aterro sanitário da América Latina. Ambas as sessões são seguidas de conversa com o setor Educativo do Ibama/RS.
Já no dia 15 de maio, às 14h, são exibidos os curta-metragens “O veneno está na mesa” (2011), “Ilha das Flores” (1989) e “Recife frio” (2009). Após a sessão, integrantes do G6+Direitos Humanos, grupo ligado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, conduzem um bate-papo sobre os filmes. Na noite do mesmo dia, às 19h, a programação segue com “Águas de maio” (2025), longa-metragem que registra o trabalho voluntário realizado pela Faculdade de Farmácia da UFRGS e por outras entidades farmacêuticas durante as enchentes de 2024 no estado. A exibição é seguida de conversa com o diretor Lucas Moraes.
No dia 21, às 19h, é a vez de “Comida de mentira” (2025), documentário sobre a indústria dos ultraprocessados cuja apresentação é acompanhada de conversa com as professoras Tatiana Camargo e Marilisa Hoffman, do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências (PPGECI), e com os mestrandos Edu Lopes e Julia Sokolovsky.
Para finalizar a mostra, no dia 22 de maio, a Sala Redenção exibe “25 anos da Feira do Menino Deus: a cidade encontra o campo” (2020) e “Mãos à terra” (2025), às 14h e às 16h, respectivamente. Ambas as sessões contam com bate-papo com as pessoas realizadoras.
“Cinema Socioambiental” tem apoio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Casa de Cinema de Porto Alegre, Vitrine Filmes e ACT Promoção da Saúde.
confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.
Sinopse: Cinebiografia do Rei do Pop, Michael Jackson. O longa traz uma representação de sua vida e do legado, contando sua história além da música, traçando sua jornada desde a descoberta de seu talento até se tornar o artista visionário, cuja ambição criativa alimentou uma busca incansável para se tornar o maior artista do mundo.
BOA SORTE, DIVIRTA-SE, NÃO MORRA
Sinopse: Um homem, que afirma ser do futuro, faz reféns, os clientes de uma icônica lanchonete de Los Angeles, em busca de recrutas improváveis para uma missão de salvar o mundo.
UM PAI EM APUROS
Sinopse: No limite da tensão, uma mãe cansada de cuidar sozinha da casa e dos filhos decide se dar férias e deixa tudo sob os cuidados do marido.
Depois de ser premiado no Festival de Cannes e terminar em 5º lugar na lista da Cahiers du Cinéma de melhores filmes do ano passado, O RISO E A FACA ganha duas sessões de pré-estreia no CineBancários, nos dias 28 e 29 de abril, às 18h. O longa-metragem estreia dia 30 de abril, às 18h30. Lançado pela Vitrine Filmes, a coprodução entre Portugal, França, Romênia e Brasil reúne diversos profissionais brasileiros na equipe.
O novo filme do português Pedro Pinho lança um olhar sobre a complexa relação entre Europa e África, marcada por invasões territoriais e dominação econômica. Pinho mostra que, hoje, essa história ganhou gestos, tons e formatos diferentes.
O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. Na trama, acompanhamos Sergio, engenheiro português enviado por uma ONG a uma metrópole africana. Sua missão é fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores locais, Diára e Gui. O trio é vivido por Sergio Coragem, conhecido por filmes como Verão Danado e Fogo-Fátuo; Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes, por este filme; e Jonathan Guilherme, brasileiro que estreia no cinema.
Pinho diz que o filme parte “da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos ‘outros’” e afirma que o longa “mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas — todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial”. Segundo ele, “no coração do filme está o eterno ‘encontro’ entre a Europa e África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental”.
O DIRETOR
Pedro Pinho nasceu em Lisboa e viveu em Paris, Barcelona, Maputo (Moçambique) e Mindelo (Cabo Verde). Em 2009, fundou, com outros cinco cineastas, a produtora Terratreme. O seu primeiro documentário, Bab Sebta (co-realizado com Frederico Lobo), estreou no FIDMarseille em 2008, onde ganhou o Prêmio Espérance de Marselha.
O média-metragem de ficção Um Fim do Mundo participou da seção Generation, da Berlinale, em 2013. Em 2014, o documentário As Cidades e as Trocas (co-realizado com Luísa Homem) estreou no FIDMarseille e no Art of the Real no Lincoln Center, em Nova York. Em 2017, sua estreia em longas-metragens de ficção, A Fábrica de Nada, estreou na Quinzena de Cineastas de Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI da Crítica Internacional e recebeu outros 20 prêmios em festivais em todo o mundo. O filme recebeu ainda dois prêmios Sophia, o Oscar do cinema português e foi lançado comercialmente em países da Europa, Ásia e América Latina, entre eles o Brasil.
FILMOGRAFIA
2025 – O Riso e a Faca (longa)
2017 - A Fábrica de Nada (longa)
2017 - Cidade (série de TV)
2014 - As Cidades e As Trocas (longa), co-dirigido com Luísa Homem
2013 - Um Fim do Mundo (média)
2008 - Bab Sebta (longa), co-dirigido com Frederico Lobo
2008 - Zone d’Attente #00 (curta), co-dirigido com Frederico Lobo e Luísa Homem
2005 - No Ínicio (curta)
2004 - Perto (curta)
Assista aqui ao trailer de O Riso e a Faca
SESSÕES DE PRÉ-ESTREIA
28 e 29 de Abril – 18h
ESTREIA
30 de abril a 06 de maio – 18h30
O RISO E A FACA
Portugal / Brasil / Romênia / França/2025/212 min
Direção: Pedro Pinho
Sinopse: Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.
Elenco:
Sérgio Coragem | Sérgio
Cleo Diára | Diára
Jonathan Guilherme | Gui
Renato Sztutman | ele mesmo
Jorge Biague | Borjan
Nástio Mosquito | Horatio
Bruno Zhu
Kody McCree
Everton Dalman
Ingressos
Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.
CineBancários
Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre
Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br
Sinopse: Zeca Brito (ou Will/Cam em algumas versões), um pequeno bode com grandes sonhos no "berrobol", um esporte intenso dominado por animais fortes.
O cineasta Tyree Dillihay parece confiar tanto na estética de animação com toques de CGI, animação 2D e influências de anime, quanto no seu roteiro, e não força a barra para encher a projeção com momentos desnecessários. "Um Cabra Bom de Bola" (2025) é divertido e tem várias gags medianas, capazes de agradar tanto os pequenos quanto os mais velhos. Mas o ponto principal é que Zeca é um protagonista doce e sincero, e é particularmente bom ver um longa-metragem onde um jovem admira abertamente uma estrela feminina. As mensagens são boas e a película fala sobre a importância do elenco em equipe e de acreditar em si mesmo, ainda que explore muito os dispositivos de celulares, curtidas online e viralização, o que pode ser um pouco cansativo, ainda mais quando nos utilizamos da sala escura para fugir um pouco desses vícios modernos.
"Um Cabra Bom de Bola entrega" uma produção carismática, visualmente inventiva e com uma trama honesta sobre pertencimento, persistência e colaboração em equipe. Mesmo sem reinventar o clássico clichê do azarão, a fita se destaca pelo cuidado com seus papéis, pela mistura criativa de estilos de animação e pela sensibilidade ao retratar um personagem que vence mais pela empatia do que pela força. Apesar do uso excessivo de referências à viralização e às redes sociais, o que pode soar repetitivo, o título encontra equilíbrio ao apostar no coração da narrativa: a alma de uma trupe e o poder de acreditar em si mesmo. No fim das contas, é uma exibição divertida, calorosa e inspiradora, capaz de agradar crianças e adultos, e que deixa uma moral positiva.
O próximo filme do ciclo Ler do Cineclube Torres é o brasileiro "Livros Restantes" de Márcia Paraiso, na segunda-feira, dia 13, às 20h
O ciclo do mês dedicado à leitura continua na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo sempre com entrada franca. Ana Catarina, professora de literatura, está de mudança para Portugal. Ela consegue doar quase todos os seus livros, menos cinco, os mais especiais, com dedicatórias, cheiros e marcas, que ela decide devolvê-los para quem a presenteou. É mais um delicado filme da carioca, mas catarinense de adoção, Márcia Paraiso, que após anos de documentários de caráter etnográfico, abordando questões sociais, ambientais e culturais, desde 2017 se dedica, com sucesso de critica, à ficção.
"O filme dá vontade de ler. Dá vontade de revisitar os livros que foram importantes na nossa vida e lembrar das pessoas que estavam por trás deles, do momento em que os lemos. Os livros são um pano de fundo da nossa existência" (Denise Fraga, que interpreta a protagonista do filme). A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.
O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Apoio cultural, Livraria Superlivros!
Serviço:
O que: Exibição do filme "Livros Restantes" (2025) de Márcia Paraiso - Brasil
Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres
Quando: Segunda-feira, 13/4, às 20h
Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).
Cineclube Torres
Associação sem fins lucrativos
Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva
Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus
Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur
Ao longo dos seus mais de cem anos de existência o cinema sempre foi ameaçado de extinção antes mesmo do advento da tv nos lares da população. Charles Chaplin certa vez disse que quando o cinema começou a ter som uma parte significativa havia sido morta e dando um passo adiante para que essa arte fosse extinta. A evolução tecnológica pode até trazer algum benefício, mas talvez nem tudo seja flores quando a magia se encontrava no que já estava perfeito.
Com o surgimento da tv foi então que o cinema corria risco real, principalmente no início dos anos cinquenta onde os principais estúdios viam o futuro como algo nebuloso. Coube então alguns avanços para atrair a grande massa de volta às salas, como no caso do surgimento do CinemaScope que foi um revolucionário processo de filmagem anamórfica criado pela 20th Century Fox em 1953 e que expandiu a tela do cinema até então de uma forma inédita. Foi graças ao épico "O Manto Sagrado" (1953) que essa nova tecnologia surpreendeu o público e provou que grandes espetáculos visuais não poderiam ser apreciados em sua total magnitude em uma caixa pequena dentro de casa.
Vale salientar que foi graças aos épicos romanos dos anos cinquenta que o cinema obteve novo sangue para atrair as pessoas de volta às salas. Em 1956 a Paramount lançou o magistral "Os Dez Mandamentos", sendo considerado a versão definitiva sobre a história de Moisés e se tornando a última e grande obra do diretor e produtor Cecil B. DeMille. Porém, o melhor e mais arriscado projeto estava ainda por vir.
Baseado na obra de Lew Wallace, o livro "Ben-Hur" de 1880 já havia sido adaptado para o cinema no ano de 1925 pelo diretor Fred Niblo e se tornando um verdadeiro clássico para a época. A ideia de levar o conto novamente as telas acontecia desde o início da década de cinquenta, principalmente pelo fato que o gênero épico estava fazendo um enorme sucesso a partir de títulos como "Quo Vadis?". Porém, o projeto não era somente uma forma para obter sucesso, como também a última cartada do estúdio MGM.
Na época, o estúdio do leão estava quase decretando falência e por conta disso apostou todas as suas fichas nesse épico que poderia dar muito certo, ou muito errado. Coube ao diretor William Wyler comandar a empreitada, sendo que o mesmo já havia sido o responsável por grandes clássicos como "Morro dos Ventos Uivantes" (1939) e "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (1946). Com um orçamento de R$ 15 milhões, sendo astronômico para aquele periodo, o épico foi rodado nos estúdios da Cinecittà, em Roma, Itália, sendo que as filmagens também incluíram locações em Arcinazzo, perto de Roma, e cenas de batalha naval em tanques do estúdio, com algumas miniaturas feitas em Culver City, EUA.
Para o papel principal os realizadores acertaram em cheio ao escolher Charlton Heston, sendo que na época já era apontado como favorito para estrelar filmes épicos como o já citado "Os Dez Mandamentos". Com uma presença forte, o intérprete carrega o filme nas costas em cenas impactantes, seja nos elementos dramáticos envolvendo a sua família, como também nas cenas de ação que exigiu o seu porte físico. Não é à toa que o astro viria a ganhar o seu único Oscar por esse papel.
Em contrapartida, Stephen Boyd foi outra escolha perfeita para a produção, ao interpretar o líder Romano Messala, que trai Ben-Hur e condena a prisão perpétua ele e a sua família. O intérprete constrói para si um vilão de diversas camadas a serem analisadas, principalmente pelo fato do intérprete construir uma aura ambígua com relação aos reais sentimentos de Messala a Ben-Hur, sendo que originalmente ambos teriam um caso homosexual, mas que para os padrões conservadores da época seria algo impossível de ocorrer. Porém, graças a sua atuação sugestiva, isso acabou sendo perceptível para o cinéfilo de olhar mais atento da época.
Há de se destacar outros intérpretes da produção como Jack Hawkins, Haya Harareet, Martha Scott, Cathy O'Donnell e Hugh Griffith. Esse último, por sua vez, interpreta Inderius, dono dos cavalos de corrida que Ben-Hur usaria na corrida de bigas. Com uma expressão forte e presença marcante, o intérprete teve poucos momentos em cena, mas sendo o suficiente para conquistar o público e conquistar o seu merecido prêmio de ator coadjuvante no Oscar. O seu personagem por sua vez é peça principal para que Ben-Hur possa participar de um dos momentos mais marcantes do filme como um todo.
A famosa corrida de bigas levou cerca de cinco semanas para ser filmada, com as filmagens distribuídas ao longo de três meses. A sequência épica, realizada nos Cinecittà Studios em Roma, envolveu milhares de figurantes e mais de 320 km de corrida acumulada. A cena custou US$ 1 milhão e utilizou mais de 70 cavalos e a equipe de segunda unidade, liderada por Yakima Canutt e Marton, foi a principal responsável por treinar os cavalos e filmar a sequência.
Tudo isso culminando em 11 minutos de pura tensão e adrenalina pura, onde vemos realmente cavalos correndo com toda a sua grandeza e os intérpretes principais quase não sendo substituídos por dublês. O resultado é de um realismo até então jamais visto, onde Charlton Heston quase morreu em uma queda, sendo que muitos cavalos também se machucaram seriamente, mas tudo foi mantido para ser levado às telas do cinema. O resultado não é só um dos melhores como a melhor cena de ação de todos os tempos.
Contudo, o filme é pertencente a uma época em que a igreja tinha um papel fortíssimo em meio a sociedade e isso é sentido quando assistimos aos títulos da época. Os épicos bíblicos surgiram através desta tendências e "Ben-Hur" vem carregado de mensagens de fé, principalmente pelo fato de Jesus Cristo ter um papel crucial dentro da trama. Vale destacar que o ator Claude Heater que interpreta o Messias aparece quase sempre de costas, pois o diretor William Wyler decidiu que seria mais poderoso mostrar a reação das pessoas ao olhar para Jesus do que mostrar o rosto de um ator.
Lançado em 18 de novembro de 1959 nos Estados Unidos, "Ben-Hur" acabou se tornando um verdadeiro sucesso de bilheteria, arrecadando cerca de US$ 74 milhões de dólares e salvando a MGM da falência. O filme também foi colecionando diversos prêmios na carreira e ao chegar na cerimônia do Oscar acabou levando 11 estatuetas, incluindo melhor filme e melhor diretor e se tornando um recordista para a época. Feito somente repetido vários anos depois a partir de títulos como "Titanic" (1997) e "O Senhor Dos Anéis - O Retorno do Rei" (2003), sendo que ambos obtiveram também 11 Oscars no total.
Revisitando o filme atualmente no cinema percebo que é um tipo de superprodução que quase não se faz hoje em dia, já que os estúdios se encontram presos por demais pelo CGI e limitando um maior realismo em cena. Contudo, após sucessos como "Top Gun: Maverick" (2023) percebo que o grande público tem um interesse maior pelo realismo, onde se sente o peso das cenas e fazendo com que a gente se sinta dentro da história. O clássico de 1959 foi isso e muito mais e por isso merece ser conferido em uma grande tela.
"BEN-HUR" é sem sombra de dúvida um dos maiores épicos da história do cinema, ao nos brindar com a melhor cena de ação da história e que nenhum filme atual consegue superar em hipótese alguma.