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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 13 de março de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Hiroshima, Meu Amor'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia (05/03/26)

O tempo como vivemos, é composto  de camadas nas quais os passado se acumula a cada minuto que passa. Em seu longa de estreia, o francês Alain Resnais foi saudado pela capacidade de traduzir em imagens e palavras tanto as múltiplas presenças do tempo quanto o lugar e a ação da memória, como a faculdade que faz tudo sempre retornar. Essa habilidade seria retomada dois anos depois em "O Ano Passado em Marienbad" (1961), sob uma forma ainda mais radical.

"Hiroshima Meus Amor" (1959) não é apenas um filme, é também um texto de autoria de Marguerite Duras, que imprime às imagens uma densidade poética que ultrapassa o mero sentido dos diálogos. A trama se resume ao encontro entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês na cidade reconstruída depois de ter sido devastada por uma das bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos em 1945. "Você não viu nada em Hiroshima", ele insiste. "Eu vi tudo", ela retruca. Pois, mesmo que nenhum dos dois tenha estado lá no momento do ataque, é a memória que se encarrega de não fazer esquecer os grandes traumas.

É ela pode afirmar que "viu tudo" porque viveu a guerra a seu modo, na alma e na carne, quando jovem, ao se apaixonar por um soldado alemão durante a ocupação nazista da França. O amante foi morto em combate, e ela acabou punida pelo envolvimento. Entretanto, para além das lembranças pessoais, é a memória coletiva que interessa a Resnais, o que já estava evidente em alguns de seus primeiros curtas As Estátuas também Morrem, de 1953 e, sobretudo, em "Noite e Neblina, de 1955, e em "Toda a Memória do Mundo, de 1956.

Em "Noite e Neblina", um documentário sobre os campos de extermínio nazista, o texto do escritor Jean Cayrol servia de alerta contra os riscos do esquecimento: "Onde estão os futuros carrascos? Com certeza entre nós...".

Neste sentido, Hiroshima, Meu Amor" é acima de tudo um filme político, em que o romance individual serve de guia para a lição coletiva expressiva nas palavras do texto de Duras, que reitera os riscos "da desigualdade posta em princípio por alguns povos contra outros povos, da desigualdade posta em princípio por algumas raças contra outras raças, "da desigualdade posta em princípio por algumas classes contra outras classes".

Em "Hiroshima, Meu Amor" o tempo e a memória servem de matéria na construção de uma obra que se posiciona contra os riscos do esquecimento. 

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Cine Especial: Sessão de sábado no Clube de Cinema: "Apocalipse nos Trópicos" (14/03) no Cine Bancários

Neste sábado, dia 14 de março, nosso encontro será no Cine Bancários, às 10h15 da manhã, com uma exibição do documentário Apocalipse nos Trópicos, da diretora Petra Costa. O filme, ainda inédito no circuito de salas de cinema de Porto Alegre, discute a influência dos evangélicos nos rumos da política brasileira nos anos recentes. O filme foi um dos 15 selecionados na lista preliminar da categoria de documentários indicados ao Oscar de 2026.


Data: Sábado, 14/03, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cine Bancários

Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre

Apocalipse nos Trópicos

Brasil, 2024, 110min

Direção: Petra Costa

Roteiro: Petra Costa, Alessandra Orofino, David Barkes, Nels Bangerter, Tina Baz.

Sinopse: Em Apocalipse nos Trópicos, Petra Costa discute a crescente influência dos evangélicos na política brasileira e os perigos que ela representa à democracia.



Sobre o Filme: Petra Costa surpreendeu ao lançar "Democracia em Vertigem" (2020), documentário que procura buscar respostas sobre as motivações que levaram ao impeachment dá até então Presidente Dilma e do fortalecimento da Extrema Direita. Em meio a isso, houve um crescimento de discurso de ódio, tanto vindo de lideranças do até então deputado Jair Bolsonaro, como também um crescimento da religião evangélica inserida em território político. "Apocalipse nos Trópicos" (2025) revela que isso não aconteceu ao acaso, mas sim já estava sendo planejado há muito tempo.

No documentário, Petra Costa mergulha na interseção alarmante entre religião e política no Brasil. o longa revela como o movimento evangélico, com sua ideologia apocalíptica, desempenhou um papel crucial na ascensão de Jair Bolsonaro à presidência e levanta questões sobre a ameaça de uma teocracia nacional. Ao mesmo tempo revela um cenário assustador, levando o país para um cenário quase distópico.

NOTA: Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui. 

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (06/03/26)

 O TESTAMENTO DE ANN LEE

Sinopse: Ann Lee, a líder fundadora do movimento Shaker, é proclamada como o Cristo feminino. Estabelece uma sociedade utópica onde os Shakers adoram por meio de música e dança. Baseado em eventos reais.


IRON LUNG

Sinopse: As estrelas desapareceram. Os planetas sumiram. Apenas indivíduos a bordo de estações espaciais ou naves estelares restaram. Após décadas de decadência e de infraestrutura em ruínas, a Consolidação de Ferro fez uma Descoberta em uma lua árida designada AT-5: um oceano de sangue. Na esperança de encontrar recursos desesperadamente necessários, eles lançam imediatamente uma expedição. Um submarino é construído e um condenado é soldado dentro dele. 


MISSÃO REFÚGIO

Sinopse: Em Missão Refúgio, um ex-assassino de aluguel, agora um homem recluso numa ilha costeira remota, salva uma garota de uma tempestade terrível, colocando os dois na mira do perigo. Forçado a sair da aposentadoria e do isolamento, o homem é obrigado a enfrentar seu passado perigoso para proteger a menina enquanto tenta sobreviver uma jornada tensa repleta de perigos e redenção.


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quarta-feira, 11 de março de 2026

Cine Dica: Cine Dica: Streaming - 'Amores à Parte'

Sinopse: Após sua esposa pedir o divórcio, um homem corre para seus amigos em busca de apoio, apenas para descobrir que o segredo da felicidade deles é um casamento aberto. 

 

As comédias românticas foram tão revisitadas nos anos noventa que elas foram praticamente desgastadas e quase esquecidas neste novo século. Porém, o recente sucesso de "Amores Materialistas" (2025) é um exemplo claro de que um bom roteiro sintonizado com os dilemas amorosos atuais pode sim gerar um bom longa como um todo. "Amores à Parte" (2025) é mais um exemplo de envolvidos que sabem o que estão fazendo, ao criar uma narrativa dinâmica e verossímil se comparado ao que realmente acontece no mundo de hoje.

Dirigido e atuado por Michael Angelo Covino, o filme conta a história de Carey (Kyle Marvin), que vê sua vida virar de cabeça para baixo após sua mulher lhe revelar que o traiu com outra pessoa e, logo em seguida, pedir o divórcio do casal. Carey sofre com as confissões inesperadas de sua esposa Ashley (Adria Arjona) e vai atrás de seu casal de amigos Julie (Dakota Johnson) e Paul (Michael Angelo Covino) em busca de consolo e conselhos. Mal sabem eles que este encontro irá rolar algo inusitado e fazendo o leve para uma cruzada cheia de conflitos amorosos.

Dividida em capítulos, os primeiros minutos de projeção já nos dão uma base do que irá acontecer no decorrer do filme, sendo que os desdobramentos ocorrem tudo pelos atos e consequências dos quatro personagens centrais da trama e fazendo a gente não desgrudar da cadeira.  Embora certos absurdos que acontecem no decorrer da história Michael Angelo Covino procura filmar da forma mais naturalista possível, ao ponto do nu de alguns personagens surgir sem prévio aviso, mas tudo de uma forma nada grosseira, mas sim natural perante a situação. Vale destacar que o realizador ainda tem a proeza de realizar diversos planos-sequências incríveis, sendo que a luta corporal de alguns deles está entre as melhores passagens da trama e da qual são muitas.

O elenco principal é outro trunfo da produção, sendo que cada um se casou perfeitamente com a ideia principal do longa e fazendo com que os quatro obtenham uma ótima química. Destaque para Kyle Marvin que nos faz rir e refletir perante a situação em que está envolvido, onde se dá conta que os relacionamentos atuais são muito mais complexos do que se imaginava, mas a partir do momento em que descobre isso age das maneiras mais estranhas e divertidas. Já Dakota Johnson novamente nos brinda com uma ótima atuação e fazendo de 2025 um dos melhores de sua carreira até agora.

No final das contas é um filme que nos convida para adentrarmos os dilemas dos casais de hoje, cada vez mais indecisos se amam ou não a sua cara metade e que acabam tomando certas decisões inconvenientes. Em tempos de hoje em que tudo está mais acelerado e tudo mais facilmente descartado, o filme é uma crítica ácida com relação a uma sociedade que age assim também com os relacionamentos que eles criam, mas que deveriam se perguntar se deviam. No geral, é um filme em sintonia com as loucuras do amor e do sexo de hoje em dia e que nos faz a gente se perguntar onde a gente vai parar.

"Amores à Parte" é um reflexo sobre uma sociedade que perdeu o rumo com relação aos seus relacionamentos amorosos e tudo o que resta é somente um futuro indefinido.   



 Onde Assistir: Apple TV, Amazon Prime.   


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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 12 A 18 DE MARÇO

 ESTREIAS:

MOTHER’S BABY

MOTHER’S BABY

Austria-Alemanha-Suiça/Drama/2025/108min.

Direção:Johanna Moder

Sinopse: Julia, uma maestrina de sucesso de 40 anos, e seu parceiro Georg anseiam por um filho quando o Dr. Vilfort lhes oferece uma esperança. Julia engravida após um tratamento bem-sucedido na clínica de fertilidade do médico. O parto não ocorre como planejado e o bebê é imediatamente retirado de seus braços, deixando Julia sem saber o que aconteceu. Quando finalmente se reencontra com a criança, Julia sente-se estranhamente distante. Ela começa a duvidar se é realmente seu filho.

Elenco:Marie Leuenberger, Hans Löw, Claes Bang e Julia Franz Richter


A VIDA SECRETA DE MEUS TRÊS HOMENS

Brasil/Drama/2025/ 75 min

Direção: Leticia Simões

Sinopse: Três homens vindos do passado atravessam o presente para revelar as marcas invisíveis da história do Brasil. Entre memória, fantasia e poesia, A Vida Secreta de Meus Três Homens propõe um acerto de contas com a violência que nos formou e a possibilidade de outro futuro.

Elenco: Nash Laila | narradora, Guga Patriota | Arnaud, Giordano Castro |Fernando Murilo Sampaio: |Sebastião


EM CARTAZ:

SIRAT

Espanha-França/2025/ Drama/115min.Direção: Oliver Laxe

Sinopse: Pai e filho chegam a uma rave nas montanhas do sul do Marrocos. Ambos estão em busca de Mar — filha e irmã —, que desapareceu meses antes em uma dessas festas intermináveis. Cercados por música eletrônica e por uma sensação crua e desconhecida de liberdade, eles distribuem a foto da jovem repetidas vezes. A esperança vai se apagando, mas os dois persistem e seguem um grupo de frequentadores rumo a uma última festa no deserto. Conforme avançam por esse cenário escaldante, a jornada os obriga a confrontar seus próprios limites. Elenco: Sergi López, Bruno Núñez Arjona, Richard Bellamy. 


HORÁRIOS DE 12 A 18 DE MARÇO (não há sessões nas segundas-feiras):

15h: SIRAT

17h: A VIDA SECRETA DE MEUS TRÊS HOMENS

19h: MOTHER’S BABY


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 10 de março de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Morra, Amor'

Lynne Ramsay é aquele tipo de talento na direção que não é muito lembrada por uma filmografia vasta, mas cujo alguns títulos fazem uma grande diferença. "Precisamos Falar Sobre Kevin" (2012), por exemplo, talvez seja a sua obra mais lembrada pelo público, principalmente ao explorar uma questão delicada, mas que todos fogem para não ser discutida. Em "Morra, Amor" (2025) a realizadora novamente retorna em um cenário familiar, perturbador e extremamente real.

Baseado no livro da escritora argentina Ariana Harwicz, o filme conta a história de uma dona de casa de uma área rural que luta com a sua sanidade enquanto lida com a maternidade e uma possível perda da sanidade. Ela vive em uma casa isolada em uma cidade rural no interior dos Estados Unidos. Além de não saber se adaptar ao papel de mãe, a mesma começa ter problemas de relacionamento com o seu marido.

Pelo fato do filme ser baseado em um livro em que se explora o lado psicológico dos personagens sempre haverá a possibilidade de determinadas passagens da obra funcionarem muito melhor em suas páginas do que em sua adaptação em si para o cinema. Porém, ao meu ver, a diretora Lynne Ramsay apostou todas as suas fichas na atuação poderosa de Jennifer Lawrence, que aqui ela interpreta uma personagem complexa, imprevisível e da qual tememos sobre qual será a sua ação seguinte em cena. Ao meu ver, a atriz não somente entrega uma ótima atuação, como também coloca para fora todos os demônios que estava guardando nos últimos anos, já que a artista havia se afastado dos holofotes após ser muito criticada por determinadas condutas em público.

Por conta disso, há aqui um casamento perfeito entre personagem e atriz, onde não sabemos ao certo onde uma começa e onde a outra termina, mas tudo moldado para que os melhores momentos do filme sejam protagonizados por ela e fazendo com que ela leve o filme nas costas. Porém, Robert Pattinson não fica muito atrás, ao construir um personagem que se perde perante as ações de sua esposa, mas que também não sabe como saber se expressar e procurar um meio para se ajudarem. Curiosamente, os seus pais, interpretados pelos veteranos Nick Nolte e Sissy Spacek são também um casal que enfrenta certos pesadelos pessoais, dos quais ficam em segundo plano, mas que despertam a nossa curiosidade como um todo.

Com cenas fragmentadas, onde o presente e o passado vem e volta sem nenhum aviso, constatamos que a personagem sempre foi como ela é ao não saber controlar os seus próprios impulsos, mas que talvez o problema esteja mais embaixo do que nós imaginamos. A edição do filme, por sua vez, transita tanto com relação ao passado e o presente, como também à possibilidade de que nem tudo o que a gente assiste em cena pode ser real ou delírio da própria protagonista. Para os que não estão acostumados com esse tipo de transição no enredo isso pode acabar incomodando um pouco, principalmente para aqueles que desejam uma resposta mais coerente e que faça pensar menos.

Como eu disse acima, nem sempre a linguagem literária funciona na tela do cinema, principalmente quando é levada de forma fiel por demais e esquecendo da linguagem cinematográfica. Porém, não é exatamente o que acontece aqui, já que a cineasta procura ao máximo colocar em prática uso de sua câmera e extraindo de forma verossímil as atuações dos principais astros em cena. O final em aberto pode frustrar alguns, mas isso não tira o mérito do filme de conseguir fazer a gente pensar e desejar uma segunda revisão em uma eventual nova sessão.

"Morra, Amor" é um filme inquietante que explora a insatisfação do ser humano perante ao fato de não saber se encaixar em um comodismo que os demais aceitam de bom grado.   

Onde Assistir: Mubi. 

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Cine Dica: Programação Cinemateca Capitólio de 12 a 18 de março

A Cinemateca Capitólio segue com sua programação comemorativa ao Dia Internacional da Mulher (celebrado em 8 de março), iniciada no último final de semana, recebendo a partir de quinta-feira, dia 12, a mostra A Leoa Vai à Caça. A mostra é um projeto desenvolvido por Betânia Furtado e Renata de Lélis, com a proposta de destacar a produção de cineastas mulheres no Rio Grande do Sul. A sessão inaugural tem como atração a exibição de duas raridades, o curta O Brinco (1989), de Flávia Moraes, e o longa In Vino Veritas (1981), de Ítala Nandi. A programação se estende até domingo, dia 15 de março, apresentando trabalhos de diretoras de diferentes gerações, como Ana Luiza Azevedo, Marta Biavaschi, Flávia Seligman, Liliana Sulzbach, Adalgisa Luz, Lisiane Cohen, Mirela Kruel, Cristiane Oliveira, Mariani Ferreira, Camila de Moraes, Juliana Balhego, Britney Fiderline e Patrícia Ferreira Yxapy, e inclui exibições em 35mm e uma mesa de debate com as diretoras participantes da mostra. Todas as sessões são abertas ao público e têm entrada franca (mais informações no arquivo em anexo).

Também no domingo, 15 de março, a partir de 21h, a Cinemateca Capitólio transmite a cerimônia de entrega no Oscar 2026. A entrada é gratuita, com distribuição de senhas a partir de 19h30. Ao longo da semana ocorrem ainda as derradeiras exibições da comédia dramática espanhola Volveréis, de Jonás Trueba, e da versão restaurada em 4K do clássico São Paulo Sociedade Anônima, de Luís Sérgio Person.

Finalmente, na terça-feira, dia 18 de março, a Cinemateca Capitólio inaugura uma nova mostra, Clássicos do Cinema Francês, com a exibição de As Coisas da Vida (1970), de Claude Sautet, com Romy Schneider e Michel Piccoli. A mostra reúne 7 títulos de diferentes épocas, em versões restauradas, e se estende até o dia 25 de março (aguarde divulgação específica).


Programação Semana 12 a 18 de março de 2026


12 de março (quinta-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

19:00 – Sessão de abertura da mostra A Leoa Vai à Caça, com o curta O Brinco, de Flávia Moraes, e o longa In Vino Veritas, de Ítala Nandi (entrada franca) – 69 minutos


13 de março (sexta-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Bola de Fogo + O Último Poema) – entrada franca – 117 minutos

19:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (LÉO + Mulher do Pai) – entrada franca – 109 minutos


14 de março (sábado)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Hoje Tem Felicidade + A Noite do Sr. Lanari + A Invenção da Infância + As Bicicletas de Nhanderu) – entrada franca – 96 minutos

19:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Quero Ir para Los Angeles + Antes que o Mundo Acabe) – 119 minutos


15 de março (domingo)

15:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

17:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Logos + mesa de debate Políticas Públicas para Mulheres no Audiovisual) – entrada franca – 115 minutos

19:00 – Mostra A Leoa Vai à Caça (Café Paris + O Caso do Homem Errado) – entrada franca – 86 minutos

21:00 – Transmissão da cerimônia de entrega do Oscar 2026 (entrada franca) – 280 minutos


17 de março (terça-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

19:00 – Mostra Clássicos Franceses: As Coisas da Vida (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 89 minutos


18 de março (quarta-feira)

15:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

17:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

19:00 – Mostra Clássicos Franceses: Os Olhos sem Rosto (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 90 minutos


Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out'  

Sinopse: O detetive Benoit Blanc conta com a ajuda de um jovem padre para investigar um crime impossível na igreja de uma cidadezinha que tem uma história sombria.

Rian Johnson achou o seu lugar em Hollywood, ao menos ao dirigir a série de filmes protagonizada pelo personagem Benoit Blanc e sendo interpretado brilhantemente por Daniel Craig. Curiosamente, tanto "Entre Facas e Segredos" (2019) como "Glass Onion: Um Mistério Knives Out" (2022) são filmes que funcionam de forma independente e fazendo com que o público não tenha que se preocupar caso não tenha assistido a história anterior. "Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out" (2025) novamente possui uma história fechada, com vários desdobramentos e nos surpreendendo pelas suas revelações ao longo do caminho.

Na trama, após um assassinato súbito e inexplicável colocar uma cidade de cabeça para baixo, a chefe de polícia local (Mila Kunis) une forças com o perspicaz detetive  Benoit Blanc (Daniel Craig) para encontrar o culpado e a verdade que desafia toda e qualquer lógica. Quando um padre é assassinado à vista de todos na igreja onde dava um sermão, sua morte, aos olhos de Benoit, parece ser fruto de um esquema grandioso e complexo.

Tendo consciência do material de sucesso em mãos, Rian Johnson não tem pressa ao apresentar a sua trama, sendo que o principal crime da história acontece a mais de meia hora de projeção e sendo que o próprio detetive surge bem depois disso. O que faz manter a nossa atenção no primeiro ato da trama, não é somente através de uma sedutora história de crime policial, como também possuir um elenco escolhido a dedo e onde cada um faz com que os seus respectivos  personagens se destaquem, Destaco principalmente a atuação selvagem de Josh Brolin como padre radical que procura influenciar os seus seguidores e acaba sendo vítima de um misterioso crime.

Aliás, devo confessar que Josh Brolin é sem sombra de dúvida o melhor em cena, onde o seu personagem nos hipnotiza pelo seu lado complexo e como a sua lábia consegue persuadir os seus seguidores na missa da igreja. Curiosamente, a sua figura em si me lembrou muito ao do revendo do clássico "Moby Dick" (1956) e que foi interpretado por Orson Welles. Não me surpreenderia, portanto, se Josh Brolin fosse o escolhido para uma nova adaptação futura do clássico de Herman Melville.

Outros, logicamente, obtém o seu merecido destaque, como no caso da veterana Glen Close que interpretada uma misteriosa conservadora da igreja e cuja sua atuação se sobressai no ato final da trama. E como é bom rever a bela e talentosa atriz Mila Kunis em cena, sendo que desde "Cisne Negro" (2009) ela tem chamado atenção por roubar a cena nos filmes que participa, mesmo quando aqueles não valem muito a pena serem lembrados. E como é revigorante ver Jeremy Renner livre das amarras do estúdio Marvel, atuando em um projeto autoral e que faz com que obtenha atuações que remetem aos tempos iniciais de sua carreira.

Quanto ao mistério sobre o assassinato do padre a trama dá espaço para fazer uma crítica acida dos tempos atuais de como certos lideres de determinadas religiões procuram persuadir a população para se tornarem cada vez mais poderosos e para que futuramente obtenham poder pelo viez político. Ao mesmo tempo, o filme transita com relação ao questionamento sobre a fé e a razão, sendo que ambas podem estar separadas por uma camada bem fina e nisso é bastante sintetizado, tanto pelo próprio protagonista, como também pelo jovem padre interpretado pelo ator  Josh O'Connor. Por conta disso, o filme tanto se envereda para um humor ácido refinado, como também pela pinceladas dramáticas e muito bem vindas para dizer o mínimo.

Com um final surpreendente,  "Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out" só faz desejar a gente querer mais novas aventuras detetivescas desse personagem e do qual as tramas não devem em nada se comparado aos clássicos de Agatha Christie.   

Onde Assistir: Netflix. 

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sexta-feira, 6 de março de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (06/03/26)

KILL BILL – THE WHOLE BLOODY AFFAIR

Sinopse: KILL BILL – THE WHOLE BLOODY AFFAIR, a versão completa, inédita e mais sangrenta da icônica saga de vingança - reunindo Kill Bill Vol. 1 e Kill Bill Vol. 2 em uma única e poderosa experiência cinematográfica. 


A NOIVA!

Sinopse: Na Chicago dos anos 30, Frankenstein pede ajuda ao Dr. Euphronius para criar uma companheira. Eles dão vida a uma mulher assassinada como a Noiva, provocando um romance, o interesse da polícia e uma mudança social radical.


CARA DE UM, FOCINHO DE OUTRO

Sinopse: Hoppers, nova animação da Pixar dirigida e escrita por Daniel Chong, vai abordar a trama de uma amante dos animais que usa uma tecnologia própria. Essa nova invenção consiste em colocar a sua consciência em um castor robótico, com a intenção de descobrir os mistérios do mundo animal, além de sua imaginação e seus sentimentos.


PUSH – NO LIMITE DO MEDO

Sinopse: Natalie Flores, uma corretora de imóveis grávida, está se preparando para um open house em uma propriedade com um passado sombrio. Quando um espírito maligno disfarçado de possível cliente aparece, ela entra em trabalho de parto prematuro e precisa encontrar uma maneira de escapar antes de dar à luz.

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quarta-feira, 4 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Hora do Recreio'

Sinopse: Fala sobre temas paralelos à educação básica no Brasil e que refletem a realidade de adolescentes de 14 a 19 anos que estudam em quatro colégios espalhados por diferentes bairros e comunidades do Rio de Janeiro.

O tipo de documentários que mais me chama atenção são aqueles que não há uma intervenção do realizador, mas sim permitindo que as pessoas filmadas agem de acordo com a sua própria natureza. O documentário "A Vizinhança do Tigre" (2014), por exemplo, não tinha uma interação entre diretor e protagonista, mas sim somente a câmera captando a real  ação e reação dos personagens em cena. "Hora do Recreio" (2026) caminha por um caminho parecido, mas transitando com a interação com os realizadores e dando espaço para outros elementos que moldam uma história como um todo.

Dirigido por Lucia Murat, o documentário discute a educação brasileira a partir do ponto de vista dos próprios estudantes. O longa-metragem mistura documentário e encenação ficcional para falar sobre temas paralelos à educação básica no Brasil e que refletem a realidade de adolescentes de 14 a 19 anos que estudam em quatro colégios espalhados por diferentes bairros e comunidades do Rio de Janeiro. O  longa une debates com os alunos em sala de aula sobre os temas evasão escolar, racismo, tráfico de drogas, bala perdida, feminicídio e gravidez na adolescência.

No primeiro ato do longa nós vemos uma professora falando com os seus alunos sobre a violência contra a mulher. Imediatamente a câmera foca os alunos em que cada um conta a sua história com relação a violência que já sofreram no passado, seja dentro da realidade familiar, ou com relação ao preconceito. Logo em seguida o quadro se abre e constatamos que os alunos foram chamados para serem eles mesmos em uma filmagem de Lúcia Murat.

Há, portanto, uma mistura curiosa entre a realidade e a ficção, já que as histórias contadas pelos alunos são verdadeiras, mas sendo também ensaiadas para que fossem melhor apresentadas para o público que for assistir. O documentário ganha pontos ao fazer com que os alunos captados pela câmera  sejam eles mesmos, mas também não escondendo os seus contornos romantizados a partir da direção da cineasta e fazendo com que em alguns momentos a gente se pergunte onde começa a ficção e onde começa a realidade. Porém, as cenas de tiroteio nos morros captadas pela câmera são uma fórmula criativa para constatarmos que nem tudo estava no roteiro e fazendo com que o imprevisto se torne também um elemento dramático.

Diante disso, o documentário se envereda também para o universo do teatro, onde os jovens das comunidades extravasam as suas dores através da atuação e construindo uma representação sobre o preconceito e diferença de classes que perdura até nos dias de hoje. Lúcia Murat, portanto, escancara o fato que basta uma pessoa ser negra, para que ela seja perseguida ou excluída de uma elite que se acha dominante, quando na verdade somente escancara o lado atrasado da sociedade. Além disso, não faltam depoimentos de jovens que sofrem preconceito ao ficarem gravidas precocemente, ou pelo fato que o estado não está nem aí para ajuda-las e não deixando um espaço para que questão sobre o aborto serem debatidas.

O documentário, portanto, entra em um vespeiro que vai desde ao preconceito, separação de classes, o poder patriarcado escondido em um país que se diz democrático e a falta de recursos para a cultura. Essa última, por sua vez, é o único elemento com que faz a futura geração não cair em certas armadilhas da vida, pois através do estudo, escrita e conhecimento são os únicos pilares que constroem uma sociedade em equilíbrio. Infelizmente não serão todos que ouviram essa ideia que sempre deveria ser colocada em prática.

"Hora do Recreio"  é um mosaico de informações sobre a geração atual brasileira que luta contra o preconceito, violência e a busca pelo equilíbrio e manter a sua própria cultura intacta. 


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Cine Dica: Cinemateca Capitólio - 5 a 11 de março de 2026

 Mostra na Cinemateca Capitólio destaca obra do cineasta espanhol Gonzalo Suárez, homenageado com o Goya de Honra em 2026

Na 40.ª edição dos Prêmios Goya deste ano, principal premiação do cinema espanhol, realizada no último sábado, dia 28 de fevereiro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha concedeu o Goya de Honra a Gonzalo Suárez, reconhecendo o trabalho deste cineasta insólito e imprescindível na história do cinema da Espanha. Em função desta homenagem, a Cinemateca Capitólio, em parceria com o Instituto Cervantes, realiza uma mostra com quatro dos mais importantes filmes do veterano realizador espanhol, que é pouco conhecido no Brasil.

Gonzalo Suárez (Oviedo, 1934) é um dos criadores mais singulares e inclassificáveis do cinema espanhol. Sua obra transita entre a fantasia, a reflexão metacinematográfica e o humor irônico, desafiando as convenções narrativas e estéticas do cinema contemporâneo. Jornalista, romancista e cineasta, Suárez construiu um universo próprio em que a identidade é fragmentária, os personagens se desdobram e a realidade se mistura com a ficção de forma inquietante e poética. Sua filmografía, de Ditirambo (1967) a A Verdadeira História de Frankenstein (1988) e além – demonstra um empenho constante em explorar a imaginação como motor criativo, sem se submeter a modas, correntes ou gêneros pré-estabelecidos. Seu cinema é um espaço de jogo e reflexão, um labirinto de referências literárias e culturais, no qual o humor convive com a melancolia e o olhar crítico se manifesta com sutileza. Suárez tem sido celebrado tanto na Espanha quanto internacionalmente. Sua filmografia reúne mais de 20 longas, nos quais a experimentação e o interesse pelo cinema narrativo caminham juntos. Seu legado é o de um artista livre, que concebeu o cinema como um ato de invenção constante e uma exploração dos limites da percepção e da narrativa.

A mostra de Gonzalo Suárez tem entrada franca, com distribuição de ingressos meia hora antes de cada sessão.


Grade de horários Semana de 5 a 11 de março de 2026


5 de março (quinta-feira)

15:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

17:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

19:15 – Mostra Gonzalo Suárez (A Verdadeira História de Frankenstein) – entrada franca – 95 minutos


6 de março (sexta-feira)

15:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

17:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

19:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos


7 de março (sábado)

15:00 – Sessão Vagalume: O Rei Leão (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 88 minutos

17:00 – Manas, sessão seguida de debate (entrada franca) – 101 minutos


8 de março (domingo)

15:00 – Sessão Vagalume: O Rei Leão (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 88 minutos

17:00 – Mostra Gonzalo Suárez (O Detetive e a Morte) – entrada franca – 108 minutos

19:00 – Selva + Terra das Cinzas, sessão seguida de debate com a diretora costa-riquenha Sofia Quirós – entrada franca


10 de março (terça-feira)

15:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

17:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

19:15 – Mostra Gonzalo Suárez (Epílogo) – entrada franca – 92 minutos


11 de março (quarta-feira)

15:00 – Volveréis (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 114 minutos

17:00 – São Paulo Sociedade Anônima (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 107 minutos

19:15 – Mostra Gonzalo Suárez (O Goleiro) – entrada franca – 88 minutos.

Confira a programação completa no site oficial da sala https://www.capitolio.org.br/

terça-feira, 3 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Sirât'

Sinopse: Luis está viajando pelo sul do Marrocos com seu filho, Esteban. Eles estão à procura de sua filha, que está desaparecida há cinco meses, vista pela última vez em um festival de dança no deserto. 

No momento que eu estou escrevendo esse texto os EUA estão bombardeando o Irã e provocando a morte de centenas de pessoas. Não importa qual as motivações do início de uma guerra, pois quem sai perdendo são pessoas inocentes que não tinham envolvimento algum com relação a esse conflito. "Sirât" (2025) é uma ficção, mas que sintetiza o calor desse momento em que não há escapatória diante de um conflito global inevitável.

Dirigido por Oliver Laxe, o filme conta a história de um pai (Sergi López) e um filho (Bruno Núñez) que viajam até o Marrocos atrás de uma rave no meio das áridas montanhas do deserto onde acreditam que possa estar a filha e a irmã Marina. Movidos pela esperança, os dois decidem seguir um grupo que está à procura de uma última festa que acontecerá no meio do deserto. O que eles não sabem é que através dessa encruzilhada eles irão enfrentar diversos obstáculos.

Embora a trama se passe no Marrocos, ela poderia facilmente se passar em qualquer ponto do globo, pois nunca saberemos qual será o próximo país que entrará em conflito e fazendo de sua população refém de um filme de horror anunciado. Oliver Laxe faz da dança e da música uma forma para os personagens extravasar os seus medos diante a desconstrução de um mundo que eles conheciam, mas que agora não é mais reconhecido em meio aos escombros. Portanto, a busca pela jovem que o pai e filho fazem se torna uma mera desculpa, pois adversidades que ocorrem em sua jornada é o que sintetiza a ideia principal da obra.

Oliver Laxe cria elementos em que não há saída, pois os protagonistas enfrentam diversos obstáculos, desde soldados como também os próprios desafios criados por uma natureza implacável. Não há como negar que o roteiro guarda momentos imprevisíveis e que fará com que o espectador saia de sua zona de conforto e fazendo a gente aguardar sobre qual será o próximo elemento mortal e inevitável. Atenção para a cena da subida do morro e culminando em um dos momentos mais angustiantes do longa como um todo.

Verdade seja dita, o filme se assemelha ao clássico "O Comboio do Medo" (1977), de  William Friedkin. Porém, se lá havia uma missão para uma entrega, aqui a busca pela jovem se torna uma cruzada pela sobrevivência diante da possibilidade de qualquer passo em falso pode lhe causar a morte a qualquer momento. Quando os personagens se veem diante de um cenário que mais parece o fim do mundo eles, enfim, se dão conta que já estava acontecendo a muito tempo.

De um típico road movies, o filme se encaminha para uma jornada espiritual, onde os protagonistas se entregam para o inevitável, para só assim obterem a possibilidade de saírem vivos. O final talvez seja um dos mais pessimistas que eu já assisti no cinema recente, onde vemos uma população abandonar o seu mundo já em pedaços, mas cujo destino talvez não haja nenhum, pois tudo estará destruído. Após a sessão concluo que o ser humano está a beira da extinção há muito tempo.

"Sirât" é um verdadeiro soco no estômago para aqueles que ainda tem fé pela humanidade, mas cuja própria não está se ajudando atualmente. 

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segunda-feira, 2 de março de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema -'Ato Noturno'

Sinopse: Um ator ambicioso e um político em ascensão vivem um caso em sigilo e descobrem compartilhar o fetiche por sexo em lugares públicos. À medida que a fama se aproxima, cresce também o desejo de se colocarem em risco. 

Filipe Matzembacher e Marcio Reolon retrataram uma Porto Alegre pouco acolhedora no premiado "Tinta Bruta" (2018), onde o protagonista busca um significado de sua existência em meio a uma cidade em metamorfose. Nesta minha última observação, por exemplo, concluo que os cineastas gostam de colocar a capital do RS como uma  espécie de personagem que, tanto acolhe, como também oprime. "Ato Noturno" 2025) transita por essas duas linhas, ao não esconder os seus mais profundos desejos, mas ao mesmo tempo tendo que enfrentar olhos questionadores ao longo do tempo.

Na trama, Matias (Gabriel Faryas) é um ator de teatro que deseja crescer em sua carreira ao entrar em uma respeitada companhia teatral de Porto Alegre. Ele disputa o papel de protagonista de uma série de TV com o seu companheiro de quarto, criando assim certa rivalidade entre os dois. Além disso, os riscos na vida de Matias se aprofundam quando ele entra em um caso com um político local que está no armário e juntos, eles exploram o fetiche de fazer sexo em locais públicos.

Ao ter o teatro como um dos cenários principais da trama o filme vai de forma gradual apresentando uma cidade um tanto que acolhedora, mas que não esconde os seus segredos através das sombras. Matias não se esconde com relação ao que ele é e deseja, mas ao mesmo tempo contém dentro de si desejos que vão muito mais além do que se vê na tela. A partir do momento em que ele se envolve com o candidato a prefeito Rafael é então que ele percebe que não há exatamente uma liberdade que ele anseia, mas sim se vê rodeado de uma realidade cheia de regras e que o faz se esconder de sua própria pessoa.

Tanto Gabriel Faryas como Cirillo Luna brilham em cenas de sexo complexas, onde os cineastas exploram cada movimento dos seus corpos, assim como também construindo certa tensão, como se a qualquer momento eles fossem descobertos em um momento. Isso ocorre principalmente em cenas onde eles se encontram em lugares públicos, mas cujo o cenário é moldado pela escuridão de uma noite que é moldada por uma bela fotografia que destaca os protagonistas. Além disso, é sempre curioso testemunhar a cidade de Porto Alegre pelo olhar dos protagonistas, sobre como aquela realidade em que os protagonistas enxergam se diferencia da nossa.

Oscilando por elementos dramáticos e com alguns toques de humor, o filme também se envereda para um belo conto de suspense, já que a relação entre os dois se torna cada vez mais perigosa e tudo magistralmente bem casado com uma trilha sonora caprichada. Destaco principalmente a cena em que os dois praticam sexo ao lado de um carro, enquanto uma família tradicional se encontra ao lado desembarcando e ao mesmo tempo parece que alguém está filmando os acontecimentos. Esse Voyeurismo rapidamente fez me lembrar dos melhores momentos de Alfred Hitchcock principalmente em sua maior realização que foi "Janela Indiscreta" (1954).

Falando sobre o mestre do suspense, é preciso parabenizar os dois cineastas já que eles  fizeram o seu dever de casa em momentos em que a tensão cada vez aumenta. A cena de um determinado crime na trama, alinhado com a já citada trilha sonora, comprova que o lado criativo e muito bem filmado fazem toda a diferença. A tensão somente aumenta quando temos uma noção do real algoz, o que faz com que o desconforto aumenta ainda mais.

Acima de tudo, é um filme que prega o sistema das aparências, seja ele do mundo político ou artístico e que qualquer passo em falso pode gerar conflito. Porém, os desejos retratados na trama são uma forma de diz que não adianta deixar engaiolados, pois a qualquer momento será transbordado e cabe cada um saber administrar os seus sentimentos com relação a isso. Em tempos de luta pelos direitos iguais, o filme vem nos dizer que boa parcela da sociedade ainda se encontra sufocada e que a qualquer momento não dará a mínima com relação às consequências.

"Ato Noturno" é um retrato de uma Porto Alegre que aparenta ser acolhedora, mas que esconde uma parcela da sociedade que se esconde nas sombras devido o olhar preconceituoso de certas pessoas. 

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