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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Marty supreme'

Sinopse: Drama ambientado nos anos 1950 sobre a ascensão de Marty Reisman, um excêntrico prodígio do tênis de mesa em Nova York. 

Josh Safdie e Benny Safdie chamaram atenção da crítica e do público através do ótimo "Bom Comportamento" (2017), um filme frenético e que provou que o ator Robert Pattinson sabia atuar como ninguém. Porém, neste último ano, ambos decidiram que cada ia fazer o seu próprio filme, sendo que Benny Safdie fez o divisível, porém que vale a pena ser conferido, "Coração de Lutador: The Smashing Machine" (2025). Josh Safdie, por sua vez, lançou "Marty supreme" (2025), filme que possui todos os ingredientes de sucesso que já foram vistos nos filmes anteriores e se tornando uma obra que vale cada centavo para ser vista no cinema.

Na trama, Marty Reisman (Timothée Chalamet) é um malandro que deseja se tornar uma lenda no jogo de tênis de mesa. Decidido em ser o que realmente deseja, ele vive em jogar pelo dinheiro das apostas em Manhattan, onde acaba se tornando campeão em mais de  mais de 22 competições de pingue-pongue. Porém, o seu sonho é ser o número um da categoria e não medirá esforços para obter o seu principal objetivo, nem que para isso tenha que roubar e enganar as pessoas próximas a ele.

Assistindo ao filme logo me veio o já citado "Bom Comportamento", pois em ambos os casos os protagonistas se metem em situações que beiram ao absurdo, mas que acabam não desistindo enquanto não alcançarem os seus objetivos. Marty anseia em realizar os seus sonhos, mas sempre tendo um obstáculo que o faz se meter nas piores arapucas que um malandro não gostaria de se meter. Por conta disso, vemos ele engravidar a melhor amiga, se envolver com uma atriz veterana, roubando dinheiro do seu patrão e levantando promessas que nunca serão cumpridas.

O resultado é um filme quase vertiginoso, onde a câmera do cineasta acompanha o protagonista quase o tempo todo, com o direito de uma edição de cenas fantásticas e que  acabam se tornando uma das melhores do ano. Vale destacar que esse é sem sombra de dúvida o maior filme do estúdio A24, pois temos uma dimensão disso graças a uma reconstituição de época primorosa e que se casa com perfeição com uma fotografia digna de nota. Não é todo dia que um pequeno estúdio faz um trabalho tão bom quanto um estúdio veterano que se perde em projetos de grandes orçamentos.

Timothée Chalamet entrega aqui o que talvez seja a melhor atuação de sua carreira, pois o seu Marty é uma pessoa mesquinha, egoísta, que só pensa em si mesmo e pisando em todos aqueles que se encontram em seu caminho. Porém, se percebe que no fundo ele não é exatamente uma pessoa ruim, mas sim moldada de acordo com o mundo real em sua volta e cuja missão é sobreviver não importa de qual forma. Para realizar o seu sonho, porém, terá que encarar de frente como é formado as engrenagens do sonho americano e do qual tudo é envolta do dinheiro e favores hediondos.

Vale destacar as atuações das atrizes Gwyneth Paltrow e Odessa A’zion, sendo dois lados da mesma moeda com relação ao fato de envolverem com o protagonista de formas distintas. Paltrow, por sua vez, interpreta uma atriz decadente, que procura obter luz própria, mas que acaba se vendendo para um empresário para continuar sobrevivendo e vendo em Marty uma válvula de escape para obter um prazer há muito tempo esquecido. Odessa A’zion, por sua vez, faz a típica personagem sonhadora, mas que conhecerá o lado feio deste conto de fadas da pior maneira, mesmo quando começa a saber jogar neste jogo de xadrez mortal quando se envolve nesta corrida desenfreada na vida do protagonista.

Assim como ótimo "Rivais" (2024), de Luca Guadagnino, o diretor Josh Safdie procura dar o destaque ao jogo de ping pong de uma forma com que faça ser algo sedutor e que atraia até mesmo aqueles olhares que antes viam a categoria como algo infantil. O ato final, por sua vez, nos proporciona momentos emocionantes, onde o protagonista procura obter a sua redenção, mesmo que para isso coloque a realização do seu sonho em risco. Ao final, testemunhamos o mesmo abraçando o que antes parecia impossível, mas tendo a consciência que se colocou neste cenário e tendo que encarar o lado bom de uma situação que antes não desejava abraçar como um todo.

Com uma trilha sonora original composta por Daniel Lopatin, além de clássicos da música pop dos anos oitenta, "Marty supreme" é sobre a luta do indivíduo em busca do seu sonho, nem que para isso se torne alguém que não mereça nosso respeito em um primeiro momento. 

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Cine Especial: Retrospectiva Clube de Cinema de Porto Alegre | 2025


Em 2025, o Clube de Cinema seguiu firme na missão de ver, pensar e compartilhar cinema. Foram 74 sessões ao longo do ano, encerrando com 141 associados (sendo 48 novos), em uma comunidade que só cresce pelo amor ao cinema. Atravessamos épocas, países e cinematografias, recebemos convidados especiais, exibimos curtas e vivemos um momento histórico: 206 pessoas reunidas em uma emocionante homenagem a Hayao Miyazaki.

Nada disso seria possível sem as parcerias que caminham conosco: Sala Redenção, Cinemateca Paulo Amorim, Capitólio, CineBancários e Instituto Goethe.


Confira o vídeo clicando aqui. 


🎥 No vídeo: trechos dos trailer/material de divulgação de todos os filmes assistidos no Clube de Cinema ao longo de 2025.

Edição: Kelly Demo Christ (Diretora de Comunicação)

Música: “Gimme Shelter” — The Rolling Stones


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Veludo Azul'

Nota: Filme exibido para os associados no dia 17/01/26 

David Lynch era conhecido como o cineasta do bizarro, ou mais precisamente com relação a filmes que possuíam uma trama, por vezes, não linear. Tanto "Estrada Perdida" (1997) como "Cidade dos Sonhos" (2001) reforçaram muito esse pensamento, mas o que fez ele se tornar um dos melhores diretores autorais de todos os tempos. Contudo, as tramas não eram exatamente incompreensíveis, mas sim o seu modo de filmar é que falava por si.

Enquanto os diretores convencionais criavam cenas que faziam o espectador compreender os fatos, por outro lado, Lynch optou em fazer cenas que nos conduziam para situação, por vezes, surreais mas que chegavam ao ponto em que fazia algum sentido. O realizador optou em lançar o desafio em fazer a gente pensar com relação ao que nos era apresentado e quebrando as nossas expectativas a partir do momento em que nem tudo o que a gente imaginava aconteceu exatamente em cena. O seu "Veludo Azul" (1986) nos conduz para um universo sombrio, mas do qual se encontra escondido em uma realidade que dizia aparentemente perfeita.

Na trama, Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan), um rapaz simples que acaba de voltar à cidade, envolve-se em uma perigosa investigação inusitada a partir do momento em que encontra uma orelha humana em um terreno abandonado. Com ajuda de  Sandy (Laura Dern), ele acaba adentrando na casa de uma cantora de cabaré chamada Dorothy Vallens (Isabella Rossellini), sendo que a mesma é manipulada em meio aos jogos sádicos do traficante de drogas Frank (Dennis Hopper). Não demora muito para que Jeffrey adentra em uma realidade perigosa e que pode não sair com vida.    

Abertura do filme já é antológica, onde nos mostra a sociedade norte-americana perfeita, onde o céu azul ilumina todos os quintais das casas perfeitinhas de uma sociedade que se diz viver na terra das oportunidades. Porém, a partir do momento em que o pai do protagonista passa mal enquanto molhava as folhas, a câmera do realizador foca cada vez mais o gramado e onde vemos formigas devorando a carne do mais fraco inseto. Um simbolismo que sintetiza o fato que sempre haverá algo feio por detrás das cortinas, por mais que outros digam ao contrário.

O bizarro achado da orelha decepada é uma das principais características de  Lynch, ao criar uma verdadeira aura de mistério em torno desta descoberta e fazendo da obra uma verdadeira homenagem ao subgênero noir de antigamente. Ao mesmo tempo, se nota uma predileção do realizador em nos conduzir para um teor de puro suspense, cuja as mulheres vistas na tela transitam para verdadeiras damas fatais, como também para a mais pura inocência, mas que pode ser a qualquer momento corrompida. Qualquer semelhança ao que o mestre do suspense Alfred Hitchcock fazia não é mera coincidência.

A sua trilha sonora é marcante, misturando composições originais sombrias de Angelo Badalamenti como também canções clássicas, como "Blue Velvet" de Bobby Vinton e "In Dreams" de Roy Orbison, criando uma atmosfera neo-noir perturbadora, destacando-se a voz etérea de Julee Cruise e a melodia "Mysteries of Love". Isso faz com que a atmosfera se torne cada vez mais densa na medida em que o protagonista adentra em um território que não deveria ter chegado, mas que se encontra ali em um beco sem saída. A virada de mesa é quando ele finalmente obtém contato com a cantora de cabaré e onde  Isabella Rossellini nos brinda com uma das atuações femininas mais intensas da história do cinema.

É difícil hoje em dia imaginar a personagem Dorothy Vallens sendo interpretada por outra atriz, já que ela transita entre a loucura e um pouco de lucidez que ainda há nela e somente Rossellini naquele momento poderia ter obtido tal feito. Sua atuação ao lado de Dennis Hopper é deveras marcante justamente pelo fato deste último estar completamente fora de si, ao interpretar um personagem viciado em drogas e nas mais puras sordidez. Se o intérprete já havia atuado completamente chapado no clássico "Apocalypse Now" (1979) aqui não me admira se tivesse acontecido o mesmo.

Com situações que transitam entre a loucura, erotismo e o melhor do suspense, o filme dividiu opiniões da época, principalmente através da crítica especializada que talvez não estivesse pronto para o que iriam testemunhar. A frente do seu tempo, o filme foi aos poucos sendo reavaliado, apontado atualmente como um dos filmes norte-americanos mais importantes da história. Em 2008 foi escolhido pelo American Film Institute como um dos dez maiores filmes de mistério dos Estados Unidos.

"Veludo Azul" é uma viagem sensorial de David Lynch  sobre o que há por detrás das cortinas de uma sociedade que aparenta ser politicamente correta.



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Cine Dica: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Nouvelle Vague" (24/01) na Cinemateca Paulo Amorim


Oi, foi aqui que pediram estreias no Clube de Cinema?

Neste sábado, dia 24 de janeiro, às 10h15 da manhã, teremos uma sessão mais do que especial na Cinemateca Paulo Amorim: a exibição de Nouvelle Vague, novo filme de Richard Linklater.

Velho conhecido do nosso público, Linklater já passou pelo Clube com o divertido Assassino por Acaso, e dispensa apresentações quando lembramos dos seus filmes da trilogia Before, Boyhood e nosso amado Escola de Rock. Agora, o diretor retorna com uma verdadeira carta de amor à Nouvelle Vague, movimento que revolucionou o cinema francês no final dos anos 1950 e segue ecoando até hoje. Em Nouvelle Vague, Linklater recria ficcionalmente os bastidores das filmagens de Acossado, de Jean-Luc Godard.

Após a sessão, teremos comentários de Fatimarlei Lunardelli, pesquisadora, crítica e biógrafa do Clube de Cinema, em uma conversa que já funciona como aquecimento para o nosso ciclo temático de 2026 em parceria com a Sala Redenção, que irá abordar justamente a Nouvelle Vague. O ciclo começa em março e acontece sempre na segunda quinta-feira do mês, às 19h, ideal para quem quer se aprofundar (ou se apaixonar) por esse momento fundamental da história do cinema.


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 24/01, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Nouvelle Vague

França, 2025, 105 min, 14 anos

Direção: Richard Linklater

Elenco: Guillaume Marbeck, Zoey Deutch, Aubry Dullin

Sinopse: O filme acompanha os bastidores das filmagens de Acossado (1960), de Jean-Luc Godard, oferecendo um retrato ficcional do surgimento da Nouvelle Vague e de suas ideias sobre cinema, criação e liberdade artística.

Esperamos vocês, até sábado!

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (22/01/26)

 Justiça Artificial

Sinopse: Em um futuro próximo, um detetive (Chris Pratt) está sendo julgado, acusado de assassinar sua esposa. Ele tem 90 minutos para provar sua inocência à avançada justiça de Inteligência Artificial (Rebecca Ferguson) que ele mesmo ajudou a implementar, antes que ela determine seu destino.


TERROR EM SILENT HILL: REGRESSO PARA O INFERNO

Sinopse: A produção traz a icônica franquia de terror de volta às telas. Quando James recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido, Mary, ele é atraído para Silent Hill — uma cidade antes familiar, agora consumida pela escuridão. Enquanto a procura, James enfrenta criaturas monstruosas e desvenda uma verdade aterrorizante que o levará ao limite da sanidade.


Davi - Nasce Um Rei

Sinopse: Um jovem pastor enfrenta o gigante Golias com fé inabalável, iniciando uma jornada de coragem, lealdade e propósito.


Bob Esponja: Em Busca Da Calça Quadrada

Sinopse: No novo filme, Bob Esponja tem a missão de provar que é um “cara grande". Determinado a mostrar sua bravura ao Sr. Sirigueijo, ele segue o Holandês Voador – um misterioso pirata fantasma - e embarca em uma aventura marítima que o leva às profundezas do mar, onde nenhum outro Esponja jamais esteve.



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Cine Dica: Cinesemana de 22 a 28 de janeiro de 2026

A cinesemana de 22 a 28 de janeiro traz a estreia do novo longa do diretor Park Chan-wook (de Oldboy), que com A ÚNICA SAÍDA faz uma crítica bem-humorada ao universo do trabalho. Atendendo a pedidos do público, entra em cartaz EU, QUE TE AMEI, longa que revisita a história de dois ícones do cinema francês: Yves Montand e Simone Signoret. Seguem em cartaz o ATO NOTURNO, novo título dos diretores gaúchos Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, e a comédia tailandesa A USEFUL GHOST - UMA AJUDA DO ALÉM, de Ratchapoom Boonbunchachoke.

Sucessos absolutos de público, os longas premiados no Globo de Ouro garantem mais uma semana em cartaz. O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, venceu como melhor filme de língua não inglesa e melhor ator para Wagner Moura. Com SE EU TIVESSE PERNAS EU TE CHUTARIA, Rose Byrne conquistou o prêmio de melhor atriz, enquanto VALOR SENTIMENTAL rendeu a Stellan Skarsgard o de melhor coadjuvante.

Esta é a última semana para conferir SORRY BABY, protagonizado por Eva Victor, indicada ao Globo de Ouro, e MILONGA, coprodução entre Argentina e Uruguai protagonizada por Cesar Troncoso e Paulina Garcia.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Quatro Paredes'

Sinopse: Jornalista japonesa Shiori Ito processa seu estuprador, um jornalista influente próximo ao então primeiro-ministro Shinzo Abe, expondo o patriarcado e o sistema judicial ultrapassado do Japão através de sua investigação e batalhas legais. 

Em 2014 eu participei do curso "O Que é um Documentário?", criado pelo Cine Um e ministrado pelo jornalista Rafael Valles. Nele eu fui conhecendo os mais diversos tipos de documentários, desde reflexivo, interativo e observacional. O documentário "Quatro Paredes" (2024), me fez relembrar esse curso, onde há uma exposição do próprio realizador e fazendo com que a obra se torne muito mais do que observacional.

Dirigida pela jornalista  Shiori Ito, no documentário ela expõe a público ao revelar o fato de ter sido abusada sexualmente pelo jornalista e biógrafo do então primeiro-ministro Shinzo Abe. Após revelar sua dor para o mundo, Shito Ito é arrastada para o centro da política e dos holofotes midiáticos do país, sendo hostilizada por diferentes detratores. Ao mesmo tempo, ela lança o seu livro e expondo ainda mais o caso e indo até mesmo a julgamento.

Do início ao fim Shiori Ito procura ficar na frente da câmera, ao revelar diversos fatos sobre a terrível noite em que havia sido violentada e não se intimidando com a possibilidade de ser hostilizada. A realizadora procura não somente fazer com que a gente compreenda a sua situação, como também expor o quanto o Japão ainda se encontra atrasado com relação aos direitos das mulheres e como certos poderosos procuram acobertar os verdadeiros fatos. Logicamente, há muitos insultos contra ela no decorrer do longa, onde ouvimos palavras machistas e dando a entender que ela não passa de uma aproveitadora.

A realizadora, porém, se vê diante da chance de não somente exorcizar os seus temores, como também de uma maneira de mantê-la viva e não cair na tentação de acabar com a sua própria vida. O documentário revela, portanto, o seu diário virtual, assim como também o seu livro que acabou se tornando um verdadeiro sucesso, mas ao mesmo tempo abrindo a Caixa de Pandora e fazendo com que ela enfrentasse o pior da Justiça. A tensão somente aumenta principalmente pelo fato da realizadora não esconder o seu sofrimento e onde testemunhamos as suas lágrimas diante das câmeras em diversos momentos.

O documentário, portanto, não vem somente para expor esse caso, como também de muitos e ao revelar um Japão que se encontra atrasado com relação aos direitos em defesa da mulher e que era necessário avançar. Eu só acho uma pena que a obra tenha tido pouca visibilidade em alguns países, mas sendo reconhecida por diversos críticos como um dos melhores documentários de 2024. Tendo sido indicado na categoria na última cerimônia, o longa merece ser redescoberto pelo público.

"Quatro Paredes" é um ótimo documentário investigativo e que expõe que o problema do abuso contra as mulheres não é algo de um país específico, mas sim do mundo inteiro. 

Onde Assistir: Prime Vídeo

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Cine Dica: Programação Cinemateca Capitólio - 22/01 a 28/01

 

Conta Comigo


Longa gaúcho em cartaz, curtas argentinos, carta branca a Filipe Matzembacher e Marcio Reolon e Sessão Vagalume Férias entre as atrações da semana na Cinemateca Capitólio

A programação da Cinemateca Capitólio entre os dias 22 e 28 de janeiro continua destacando a estreia do longa gaúcho Ato Noturno, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, que divide sessões com novas atrações da mostra carta branca, para a qual a dupla de diretores selecionou 15 títulos que dialogam com sua obra. Ao longo da semana ganham suas primeiras exibições três dos mais aguardados filmes da mostra, Bom Trabalho, de Claire Denis, Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg, e Garotos de Programa, de Gus Van Sant. Ainda na mostra, O Homem Invisível e A Noiva de Frankenstein, ambos de James Whale, terão suas últimas sessões.


Curtas da diretora argentina Lucila Mariani

No domingo, dia 25 de janeiro, em sessão gratuita, às 19h15, o cinema argentino ganha espaço novamente na programação da Cinemateca Capitólio (após a concorrida exibição do monumental Trenque Lauquen na semana passada) com a apresentação de um programa de cinco curtas da diretora Lucila Mariani, que está rodando em Porto Alegre seu primeiro longa-metragem, Los Días Libres, protagonizado pela atriz Laura Paredes, e co-produzido pela Vulcana Cinema. Com passagem por vários festivais importantes, como Locarno, Rotterdam e Bafici, os curtas de Mariani colocaram a jovem cineasta entre os nomes promissores do novo cinema argentino.

A sessão será comentada por Lucila Mariani e pela professora e crítica de cinema Daniela Strack.


Curtas Programados:


Wekwaindu

Argentina / 2018 / 10 minutos / DCP

Uma menina de 11 anos atravessa seu primeiro período menstrual enquanto tenta entender seu corpo e aqueles que a rodeiam.


Ressonâncias

Resonancias

Argentina / 2019 / 15 minutos / DCP

Male gosta de nadar. Um dia, enquanto está na piscina, ao entrar água em seu ouvido, ela começa a atravessar experiências distintas que a aproximam do mar. Exibido nos festivais de Rotterdam, New Directors/New Films em Nova York e no Bafici.

                                            

Lua que se Quebra sobre a Treva de Minha Solidão

Luna que se Quiebra sobre la Tiniebla de mi Soledad

Argentina / 2022 / 12 minutos / DCP

O cotidiano de uma menina se vê alterado com a aparição de um vampiro em seu computador, que se desdobra em um passeio pela noite escura de Buenos Aires. Exibido nos festivais de Locarno, Montevidéu, Dresden e Mar del Plata.


Quisera Não Sentir Todo Este Ruído

Quisiera no Sentir Todo Este Ruido

Argentina / 2025 / 13 minutos / DCP

Durante a noite anterior à realização de um aborto, uma mulher é acometida pela insônia. Os ruídos vizinhos se misturam com o ruído que sente em seu interior. Selecionado para o Indie Lisboa 2025.


As Horas

Las Horas

Argentina / 2020 / 8 minutos / DCP

Durante a noite de verão anterior ao aniversário de seu próprio desaparecimento, uma mulher enfrenta o ardor da recordação. Trinta anos antes, na província de Buenos Aires, uma jovem planeja fugir de seu vilarejo e deixar sua vida para trás. Enquanto as horas transcorrem, se contraem e dilatam até o começo de um novo dia, o passado pode tornar-se tão real como o presente. Co-dirigido por Francisco Zuleta.


Sessão Vagalume Férias Homenageia Rob Reiner

No mês de janeiro, o projeto Sessão Vagalume realiza uma programação especial, em homenagem ao cineasta Rob Reiner, recentemente falecido. Ao longo de uma semana, em sessões diárias e alternadas, serão exibidos dois dos maiores sucessos do diretor, os já clássicos Conta Comigo (1986) e A Princesa Prometida (1987), filmes que desde a sua estreia, na década de 1980, vêm seduzido crianças e adolescentes de diferentes gerações.


Conta Comigo

Stand by Me

Direção de Rob Reiner

Estados Unidos / 1986 / 89 minutos

Direção de Rob Reiner

Classificação indicativa: 12 anos (dublado em português)

R$ 10,00

No verão de 1959, os garotos Gordie, Vern, Chris e Teddy descobrem que um menino foi acidentalmente morto perto da cidade natal deles, Castle Rock. Juntos decidem desbravar a área rural onde moram à procura do corpo. No percurso, os amigos precisam lidar com uma série de percalços e ainda enfrentar a gangue de arruaceiros liderada por Ace Merrill. À medida que o tempo passa, a jornada que parecia apenas uma diversão juvenil no início se transforma em um divisor de águas na vida dos quatro amigos. Um clássico do cinema infanto-juvenil, inspirado em conto do escritor Stephen King.


A Princesa Prometida

The Princess Bride

Estados Unidos / 1987 / 98 minutos

Direção de Rob Reiner

Classificação indicativa: livre (dublado em português)

R$ 10,00

Um avô lê um conto de fadas ao seu neto, com direito a uma linda princesa, lutas de esgrima e gigantes. A história conta as peripécias da linda princesa Buttercup, que é apaixonada por um jovem camponês. Prometida a um nobre malvado, no dia de seu casamento ela é sequestrada por seu amado.


Grades de Horários


22 de janeiro (quinta-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: Conta Comigo (89 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – A Noiva de Frankenstein (75 minutos) – entrada franca


23 de janeiro (sexta-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: A Princesa Prometida (98 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – O Homem Invisível (71 minutos) – entrada franca


24 de janeiro (sábado)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: Conta Comigo (89 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Bom Trabalho (92 minutos) – R$ 16,00


25 de janeiro (domingo)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: A Princesa Prometida (98 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Sessão de curtas da diretora argentina Lucila Mariani, seguida de debate – (58 minutos + debate) – entrada franca


27 de janeiro (terça-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: A Princesa Prometida (98 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Crash – Estranhos Prazeres (100 minutos) – entrada franca


28 de janeiro (quarta-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias (Conta Comigo) (89 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Garotos de Programa (104 minutos) – entrada franca

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria'

Sinopse: Com a vida desmoronando ao seu redor, Linda tenta lidar com a misteriosa doença de sua filha, seu marido ausente, uma pessoa desaparecida e um relacionamento cada vez mais hostil com seu terapeuta.

Na minha opinião pessoal "Repulsa do Sexo" (1965), do diretor Roman Polanski, é o primeiro filme de horror cujo monstro talvez não esteja dentro do armário, mas sim em nossas mentes a beira de um colapso nervoso. Em tempos atuais em que o mundo real é mais assustador do que qualquer monstro clássico se tornou cada vez mais fácil fazer filme que explorasse o indivíduo à beira de um ataque de nervos perante os obstáculos diversos que vão surgindo. "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria" (2026) é um desses casos de filmes que nos provoca ansiedade e medo, mas não com a possibilidade da existência de um monstro, mas sim devido à ação e reação da protagonista principal da trama.

Dirigido pela atriz e diretora Mary Bronstein, a trama é sobre  a psicóloga Linda (Rose Byrne), uma mãe à beira de um ataque de nervos. Mãe de uma menina doente, a protagonista é obrigada a conviver com obstáculos um atrás do outro quando seu teto cai graças a um vazamento enorme de água em seu lar. Com a vida sua vida caindo aos pedaços ela busca socorro de todos os lados, mas ninguém parece estar disposto ou ser capaz de ajudá-la, nem seu ausente marido.

Já no início a diretora Mary Bronstein nos prega uma peça curiosa, já que a sua câmera foca somente a protagonista em um primeiro plano,  enquanto somente ouvimos as vozes da filha e da médica. O filme prossegue e nos passa a impressão que somente iremos observar a ação e reação da protagonista, principalmente no momento em que um buraco surge em sua casa e fazendo ela quase perder o controle da situação. Somente quando ela se muda para um hotel para cuidar de sua filha é que outros personagens surgem e agindo cada de uma forma distinta perante a protagonista.

Seria curioso se somente Rose Byrne se mantivesse em cena e colocando os demais personagens fora do quadro, pois nestes primeiros minutos de projeção ficamos perplexos com a expressão facial da atriz, pois ela consegue passar para nós um ser pronto para explodir perante as adversidades que vão ocorrendo em seu dia a dia e não tendo mais saúde mental para contorná-las. Se o mundo fosse justo  Rose Byrne mereceria todos os prêmios que seria indicada.

Aliás, esse é um belo exemplo de sincronia entre a direção e atuação da protagonista em cena, já que a diretora Mary Bronstein não desvia o seu foco e se concentra em todo o trabalho maravilhoso que a atriz nos brinda em cada minuto. Além disso, a realizadora prova que poderá construir uma grande carreira de direção autoral na medida certa, principalmente ao realizar um jogo de edição de cenas caprichado e que remete elementos do já clássico "Réquiem para um Sonho" (2000) de Darren Aronofsky. Curiosamente, Mary Bronstein presta também homenagem, mesmo de forma subliminar, ao mestre David Cronenberg, principalmente pelo fato que o físico e a mente são explorados na história de uma forma que nos dá a entender que uma não vive sem a outra enquanto não estiverem em harmonia.

O filme não somente foca com relação ao desespero mental da protagonista, como também explora uma sociedade, tanto aquela que está pedindo por socorro, como também aquela parte que busca fugir dos problemas e não se prestar a ajudar o próximo. Bom exemplo disso é o colega de profissão da protagonista, que se vê na responsabilidade de ajudá-la, mas logo decide abandoná-la, pois o próprio já não tem forças nem para resolver as suas próprias adversidades na vida. Além disso, a protagonista ainda tem que lidar com pacientes que não são diferentes se compararmos a ela, mas que se encontram cada vez mais à beira do precipício, por mais que Rose procure ajuda-los em meio a toda loucura que está lhe acontecendo.

O filme explora sobre até que ponto uma mente aguenta perante a aceleração que o mundo atual se encontra e fazendo a protagonista ser seduzida pela quietude eterna que lhe seduz em alguns momentos. Embora o minuto final de ao espectador um fio de esperança para a personagem, ao mesmo tempo fica em aberto se tudo não passa de uma cortina de fumaça moldada pela própria para fugir da dor emocional que sempre lhe perseguiu em vida. Não é sempre que um filme obtém uma grande sintonia com os tempos atuais cada vez mais complexos e que nos deixa ainda mais confusos.

"Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria" é assustador por não ter um monstro no armário, mas sim dentro de nossas mentes que não consegue mais acompanhar a aceleração de um mundo cada vez mais complexo. 


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