Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador #cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #cinema. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (23/04/26)

 MICHAEL

Sinopse: Cinebiografia do Rei do Pop, Michael Jackson. O longa traz uma representação de sua vida e do legado, contando sua história além da música, traçando sua jornada desde a descoberta de seu talento até se tornar o artista visionário, cuja ambição criativa alimentou uma busca incansável para se tornar o maior artista do mundo.


BOA SORTE, DIVIRTA-SE, NÃO MORRA

Sinopse: Um homem, que afirma ser do futuro, faz reféns, os clientes de uma icônica lanchonete de Los Angeles, em busca de recrutas improváveis para uma missão de salvar o mundo.


UM PAI EM APUROS

Sinopse: No limite da tensão, uma mãe cansada de cuidar sozinha da casa e dos filhos decide se dar férias e deixa tudo sob os cuidados do marido.


 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Cine Dica: Premiado em Cannes, “O Riso e a Faca” tem sessões de pré-estreia dias 28 e 29 de abril no CineBancários


Depois de ser premiado no Festival de Cannes e terminar em 5º lugar na lista da Cahiers du Cinéma de melhores filmes do ano passado, O RISO E A FACA ganha duas sessões de pré-estreia no CineBancários, nos dias 28 e 29 de abril, às 18h. O longa-metragem estreia dia 30 de abril, às 18h30. Lançado pela Vitrine Filmes, a coprodução entre Portugal, França, Romênia e Brasil reúne diversos profissionais brasileiros na equipe.

O novo filme do português Pedro Pinho lança um olhar sobre a complexa relação entre Europa e África, marcada por invasões territoriais e dominação econômica. Pinho mostra que, hoje, essa história ganhou gestos, tons e formatos diferentes.

O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. Na trama, acompanhamos Sergio, engenheiro português enviado por uma ONG a uma metrópole africana. Sua missão é fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores locais, Diára e Gui. O trio é vivido por Sergio Coragem, conhecido por filmes como Verão Danado e Fogo-Fátuo; Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes, por este filme; e Jonathan Guilherme, brasileiro que estreia no cinema.

Pinho diz que o filme parte “da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos ‘outros’” e afirma que o longa “mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas — todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial”. Segundo ele, “no coração do filme está o eterno ‘encontro’ entre a Europa e África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental”.


O DIRETOR

Pedro Pinho nasceu em Lisboa e viveu em Paris, Barcelona, Maputo (Moçambique) e Mindelo (Cabo Verde). Em 2009, fundou, com outros cinco cineastas, a produtora Terratreme. O seu primeiro documentário, Bab Sebta (co-realizado com Frederico Lobo), estreou no FIDMarseille em 2008, onde ganhou o Prêmio Espérance de Marselha.

O média-metragem de ficção Um Fim do Mundo participou da seção Generation, da Berlinale, em 2013. Em 2014, o documentário As Cidades e as Trocas (co-realizado com Luísa Homem) estreou no FIDMarseille e no Art of the Real no Lincoln Center, em Nova York. Em 2017, sua estreia em longas-metragens de ficção, A Fábrica de Nada, estreou na Quinzena de Cineastas de Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI da Crítica Internacional e recebeu outros 20 prêmios em festivais em todo o mundo. O filme recebeu ainda dois prêmios Sophia, o Oscar do cinema português e foi lançado comercialmente em países da Europa, Ásia e América Latina, entre eles o Brasil.


FILMOGRAFIA

2025 – O Riso e a Faca (longa)

2017 - A Fábrica de Nada (longa)

2017 - Cidade (série de TV)

2014 - As Cidades e As Trocas (longa), co-dirigido com Luísa Homem

2013 - Um Fim do Mundo (média)

2008 - Bab Sebta (longa), co-dirigido com Frederico Lobo

2008 - Zone d’Attente #00 (curta), co-dirigido com Frederico Lobo e Luísa Homem

2005 - No Ínicio (curta)

2004 - Perto (curta)

Assista aqui ao trailer de O Riso e a Faca 


SESSÕES DE PRÉ-ESTREIA


28 e 29 de Abril – 18h

ESTREIA

30 de abril a 06 de maio – 18h30


O RISO E A FACA

Portugal / Brasil / Romênia / França/2025/212 min

Direção: Pedro Pinho

Sinopse: Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.


Elenco:

Sérgio Coragem | Sérgio

Cleo Diára | Diára

Jonathan Guilherme | Gui

Renato Sztutman | ele mesmo

Jorge Biague | Borjan

Nástio Mosquito | Horatio

Bruno Zhu

Kody McCree

Everton Dalman


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Um Cabra Bom de Bola'

Sinopse: Zeca Brito (ou Will/Cam em algumas versões), um pequeno bode com grandes sonhos no "berrobol", um esporte intenso dominado por animais fortes.

O cineasta Tyree Dillihay parece confiar tanto na estética de animação com toques de CGI, animação 2D e influências de anime, quanto no seu roteiro, e não força a barra para encher a projeção com momentos desnecessários. "Um Cabra Bom de Bola" (2025) é divertido e tem várias gags medianas, capazes de agradar tanto os pequenos quanto os mais velhos. Mas o ponto principal é que Zeca é um protagonista doce e sincero, e é particularmente bom ver um longa-metragem onde um jovem admira abertamente uma estrela feminina. As mensagens são boas e a película fala sobre a importância do elenco em equipe e de acreditar em si mesmo, ainda que explore muito os dispositivos de celulares, curtidas online e viralização, o que pode ser um pouco cansativo, ainda mais quando nos utilizamos da sala escura para fugir um pouco desses vícios modernos.

"Um Cabra Bom de Bola entrega" uma produção carismática, visualmente inventiva e com uma trama honesta sobre pertencimento, persistência e colaboração em equipe. Mesmo sem reinventar o clássico clichê do azarão, a fita se destaca pelo cuidado com seus papéis, pela mistura criativa de estilos de animação e pela sensibilidade ao retratar um personagem que vence mais pela empatia do que pela força. Apesar do uso excessivo de referências à viralização e às redes sociais, o que pode soar repetitivo, o título encontra equilíbrio ao apostar no coração da narrativa: a alma de uma trupe e o poder de acreditar em si mesmo. No fim das contas, é uma exibição divertida, calorosa e inspiradora, capaz de agradar crianças e adultos, e que deixa uma moral positiva.


Onde Assistir: Prime Vídeo 

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

domingo, 12 de abril de 2026

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - "Livros Restantes"

 O próximo filme do ciclo Ler do Cineclube Torres é o brasileiro "Livros Restantes" de Márcia Paraiso, na segunda-feira, dia 13, às 20h

O ciclo do mês dedicado à leitura continua na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo sempre com entrada franca. Ana Catarina, professora de literatura, está de mudança para Portugal. Ela consegue doar quase todos os seus livros, menos cinco, os mais especiais, com dedicatórias, cheiros e marcas, que ela decide devolvê-los para quem a presenteou. É mais um delicado filme da carioca, mas catarinense de adoção, Márcia Paraiso, que após anos de documentários de caráter etnográfico, abordando questões sociais, ambientais e culturais, desde 2017 se dedica, com sucesso de critica, à ficção.

"O filme dá vontade de ler. Dá vontade de revisitar os livros que foram importantes na nossa vida e lembrar das pessoas que estavam por trás deles, do momento em que os lemos. Os livros são um pano de fundo da nossa existência" (Denise Fraga, que interpreta a protagonista do filme). A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Apoio cultural, Livraria Superlivros!


Serviço:

O que: Exibição do filme "Livros Restantes" (2025) de Márcia Paraiso - Brasil

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 13/4, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Cine Especial: Revisitando 'BER-HUR'

Ao longo dos seus mais de cem anos de existência o cinema sempre foi ameaçado de extinção antes mesmo do advento da tv nos lares da população. Charles Chaplin certa vez disse que quando o cinema começou a ter som uma parte significativa havia sido morta e dando um passo adiante para que essa arte fosse extinta. A evolução tecnológica pode até trazer algum benefício, mas talvez nem tudo seja flores quando a magia se encontrava no que já estava perfeito.

Com o surgimento da tv foi então que o cinema corria risco real, principalmente no início dos anos cinquenta onde os principais estúdios viam o futuro como algo nebuloso. Coube então alguns avanços para atrair a grande massa de volta às salas, como no caso do surgimento do CinemaScope que foi um revolucionário processo de filmagem anamórfica criado pela 20th Century Fox em 1953 e que expandiu a tela do cinema até então de uma forma inédita. Foi graças ao épico "O Manto Sagrado" (1953) que essa nova tecnologia surpreendeu o público e provou que grandes espetáculos visuais não poderiam ser apreciados em sua total magnitude em uma caixa pequena dentro de casa.

Vale salientar que foi graças aos épicos romanos dos anos cinquenta que o cinema obteve novo sangue para atrair as pessoas de volta às salas. Em 1956  a Paramount lançou o magistral "Os Dez Mandamentos", sendo considerado a versão definitiva sobre a história de Moisés e se tornando a última e grande obra do diretor e produtor  Cecil B. DeMille. Porém, o melhor e mais arriscado projeto estava ainda por vir.

Baseado na obra de Lew Wallace, o livro "Ben-Hur" de 1880 já havia sido adaptado para o cinema no ano de 1925 pelo diretor  Fred Niblo e se tornando um verdadeiro clássico para a época. A ideia de levar o conto novamente as telas acontecia desde o início da década de cinquenta, principalmente pelo fato que o gênero épico estava fazendo um enorme sucesso a partir de títulos como "Quo Vadis?". Porém, o projeto não era somente uma forma para obter sucesso, como também a última cartada do estúdio MGM.

Na época, o estúdio do leão estava quase decretando falência e por conta disso apostou todas as suas fichas nesse épico que poderia dar muito certo, ou muito errado. Coube ao diretor  William Wyler comandar a empreitada, sendo que o mesmo já havia sido o responsável por grandes clássicos como "Morro dos Ventos Uivantes" (1939) e "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (1946). Com um orçamento de R$ 15 milhões, sendo astronômico para aquele periodo, o épico foi rodado nos estúdios da Cinecittà, em Roma, Itália, sendo que as  filmagens também incluíram locações em Arcinazzo, perto de Roma, e cenas de batalha naval em tanques do estúdio, com algumas miniaturas feitas em Culver City, EUA.

Para o papel principal os realizadores acertaram em cheio ao escolher Charlton Heston, sendo que na época já era apontado como favorito para estrelar filmes épicos como o já citado "Os Dez Mandamentos". Com uma presença forte, o intérprete carrega o filme nas costas em cenas impactantes, seja nos elementos dramáticos envolvendo a sua família, como também nas cenas de ação que exigiu o seu porte físico. Não é à toa que o astro viria a ganhar o seu único Oscar por esse papel.

Em contrapartida, Stephen Boyd foi outra escolha perfeita para a produção, ao interpretar o líder Romano Messala, que trai Ben-Hur e condena a prisão perpétua ele e a sua família. O intérprete constrói para si um vilão de diversas camadas a serem analisadas, principalmente pelo fato do intérprete construir uma aura ambígua com relação aos reais sentimentos de Messala a Ben-Hur, sendo que originalmente ambos teriam um caso homosexual, mas que para os padrões conservadores da época seria algo impossível de ocorrer. Porém, graças a sua atuação sugestiva, isso acabou sendo perceptível para o cinéfilo de olhar mais atento da época.

Há de se destacar outros intérpretes da produção como Jack Hawkins, Haya Harareet, Martha Scott, Cathy O'Donnell e Hugh Griffith. Esse último, por sua vez, interpreta Inderius, dono dos cavalos de corrida que Ben-Hur usaria na corrida de bigas. Com uma expressão forte e presença marcante, o intérprete teve poucos momentos em cena, mas sendo o suficiente para conquistar o público e conquistar o seu merecido prêmio de ator coadjuvante no Oscar. O seu personagem por sua vez é peça principal para que Ben-Hur possa participar de um dos momentos mais marcantes do filme como um todo.

A famosa corrida de bigas levou cerca de cinco semanas para ser filmada, com as filmagens distribuídas ao longo de três meses. A sequência épica, realizada nos Cinecittà Studios em Roma, envolveu milhares de figurantes e mais de 320 km de corrida acumulada. A cena custou US$ 1 milhão e utilizou mais de 70 cavalos e a  equipe de segunda unidade, liderada por Yakima Canutt e Marton, foi a principal responsável por treinar os cavalos e filmar a sequência.

Tudo isso culminando em 11 minutos de pura tensão e adrenalina pura, onde vemos realmente cavalos correndo com toda a sua grandeza e os intérpretes principais quase não sendo substituídos por dublês. O resultado é de um realismo até então jamais visto, onde Charlton Heston quase morreu em uma queda, sendo que muitos cavalos também se machucaram seriamente, mas tudo foi mantido para ser levado às telas do cinema. O resultado não é só um dos melhores como a melhor cena de ação de todos os tempos.

Contudo, o filme é pertencente a uma época em que a igreja tinha um papel fortíssimo em meio a sociedade e isso é sentido quando assistimos aos títulos da época. Os épicos bíblicos surgiram através desta  tendências e "Ben-Hur" vem carregado de mensagens de fé, principalmente pelo fato de Jesus Cristo ter um papel crucial dentro da trama. Vale destacar que o ator Claude Heater que interpreta o Messias aparece quase sempre de costas, pois o diretor William Wyler decidiu que seria mais poderoso mostrar a reação das pessoas ao olhar para Jesus do que mostrar o rosto de um ator.

Lançado em 18 de novembro de 1959 nos Estados Unidos, "Ben-Hur" acabou se tornando um verdadeiro sucesso de bilheteria, arrecadando cerca de US$ 74 milhões de dólares e salvando a MGM da falência. O filme também foi colecionando diversos prêmios na carreira e ao chegar na cerimônia do Oscar acabou levando 11 estatuetas, incluindo melhor filme e melhor diretor e se tornando um recordista para a época. Feito somente repetido vários anos depois a partir de títulos como "Titanic" (1997) e "O Senhor Dos Anéis - O Retorno do Rei" (2003), sendo que ambos obtiveram também 11 Oscars no total.

Revisitando o filme atualmente no cinema percebo que é um tipo de superprodução que quase não se faz hoje em dia, já que os estúdios se encontram presos por demais pelo CGI e limitando um maior realismo em cena. Contudo, após sucessos como "Top Gun: Maverick" (2023) percebo que o  grande público tem um interesse maior pelo realismo, onde se sente o peso das cenas e fazendo com que a gente se sinta dentro da história. O clássico de 1959 foi isso e muito mais e por isso merece ser conferido em uma grande tela.

"BEN-HUR" é sem sombra de dúvida um dos maiores épicos da história do cinema, ao nos brindar com a melhor cena de ação da história e que nenhum filme atual consegue superar em hipótese alguma.  


 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 9 a 15 de abril de 2026

A segunda cinesemana de abril marca o nosso reencontro com o Fantaspoa, o festival dedicado ao gênero fantástico e que traz dezenas de filmes inéditos de cinematografias do mundo todo. Também temos novidades respaldadas por competições importantes, começando pelo grande vencedor do Festival de Gramado de 2025: CINCO TIPOS DE MEDO, do diretor matogrossense Bruno Bini, é uma história eletrizante que mistura amor, vingança e violência na periferia de uma grande cidade brasileira. A outra estreia é o filme vencedor do Festival de Veneza, PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, do diretor Jim Jarmusch, que traz um elenco de estrelas do cinema vivendo relações conturbadas entre pais e filhos.

Seguem em cartaz três filmes que caíram no gosto do nosso público:

A MULHER MAIS RICA DO MUNDO, em que a diva Isabelle Huppert dá vida a uma protagonista inspirada em um dos maiores escândalos da alta sociedade francesa; A CRONOLOGIA DA ÁGUA, filme de estreia da atriz Kristen Stewart como diretora; e BARBA ENSOPADA DE SANGUE, drama de Aly Muritiba e baseado no romance do escritor Daniel Galera. 

Em última semana, o público pode conferir O OLHAR MISTERIOSO DO FLAMINGO, produção chilena que traz a visão de uma adolescente sobre o início da disseminação da Aids, e NARCISO, novo longa do diretor Jeferson De. 

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui. 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Devoradores de Estrelas'

Sinopse: O professor de ciências Ryland Grace acorda em uma nave espacial sem nenhuma lembrança de quem é ou como chegou lá. Conforme sua memória retorna lentamente, ele logo descobre que deve resolver o enigma por trás de uma misteriosa substância que está fazendo o sol se apagar.

Alguns anos atrás o cinema norte americano abraçou novamente os filmes de ficção em que explorava os mistérios do universo através de viagens ao espaço. "Gravidade" (2013), "Interestelar" (2014) e "Perdido em Marte" (2015) são alguns destes títulos que procuram nos passar filosofia e os mistérios da vida através de uma viagem para estrelas. "Devoradores de Estrelas" (2026) é um caso raro de uma ficção alinhada com humor e dramaticidade na medida certa.

Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, dos longas "Anjos da Lei", e baseado no livro de Andy Weir, acompanhamos a história de um professor de ciências do ensino fundamental chamado Ryland Grace (Ryan Gosling). Sem entender o que está acontecendo, Ryland acorda em uma espaçonave a anos-luz do planeta Terra, sendo que sua memória somente vem aos poucos e se lembrando da sua missão. Ele faz parte do projeto Fim do Mundo na qual ele foi enviado a 11,9 anos-luz da Terra para investigar o motivo pelo qual o Sol está morrendo na Via Láctea. Ryland precisará recorrer aos seus conhecimentos científicos para resolver esse enigma o mais rápido possível, mas ao mesmo tempo ele obtém ajuda de alguém que surge de uma forma inesperada.

Inicialmente o filme me lembrou do longa francês "Oxigênio" (2021), já que ambos os personagens acordam no espaço sideral e não tem ideia de quem sejam. Porém, as comparações param por aí, já que o filme se envereda por elementos que transitam de uma forma fragmentada, já que a todo momento vemos o passado do protagonista e tendo então uma dimensão do porquê ele estar naquele cenário. Se por um lado a busca de uma maneira de salvar o sol de um vírus soa forçada, do outro, ao menos o filme se sustenta graças ao  seu protagonismo diante de uma inevitável solidão nos confins do espaço.

Ryan Gosling carrega o filme nas costas do começo ao final da história, já que nos identificamos com o seu personagem de forma imediata, sendo  que ele pode ser um gênio, mas não esconde certa inocência perante os mistérios do universo. E quando a gente acha que veremos somente o astro em cena, eis que surge a figura de um alienígena completamente inusitado chamado Rocky, que é mais parece uma pedra com pernas, mas cheio de carisma. A união entre os dois torna o coração pulsante do filme como um todo e rendendo momentos de puro humor e emoção na medida certa.

Além disso, preciso dar os parabéns com relação aos responsáveis pela parte técnica, principalmente com relação aos efeitos visuais que transitam entre o digital e a velha pirotecnia de tempos anteriores de quando se fazia um bom cinema. Além disso, a composição da trilha sonora criada pelo compositor Daniel Pemberton se casa com total perfeição com as cenas, sendo que ela soa forte na medida em que a missão ruma para a sua jornada final e tornando tudo mais emocionante. Mas o ápice em termos de música é a inserção de alguns clássicos da música pop, como no caso de “Sign of the Times” que é tocada em um karaokê pela personagem Stratt, interpretada pela atriz Sandra Hüller e se  tornando um dos momentos mais belos do filme.

O filme talvez somente peca em sua reta final, cujas reviravoltas uma em cima da outra acabam soando desnecessárias. Porém, tudo é compensado graças ao carisma da dupla central da trama e fazendo com que a gente torça por eles até o final da história. Acima de tudo, é um filme que fala sobre amor, amizade e a luta de seguir em frente em manter viva a raça humana em tempos nebulosos, seja ele da ficção ou do mundo real.

"Devoradores de Estrelas" é desde já uma das mais belas surpresas deste início de ano e provando que a ficção ainda tem muito o que nos ensinar sobre o que nos faz realmente humanos. 

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (03/04/26)

Super Mario Galaxy - O Filme

Sinopse: Depois de salvar o Reino dos Cogumelos, Mario e seus amigos se encontram em uma missão intergaláctica para deter um novo vilão ameaçador.


O DRAMA

Sinopse: Apaixonados e no meio dos últimos preparativos para o grande dia do casamento, o casal entra em conflito ao descobrirem segredos que jamais poderiam imaginar. A imprevisibilidade do acontecimento coloca em risco toda a confiança e amor dos dois, trazendo ao longa uma nova perspectiva sobre o romantismo. Intrigados com a situação, eles passam a se perguntar se realmente conhecem um ao outro e precisam refletir sobre o futuro dos dois.


A Última Ceia

Sinopse: Os discípulos de Jesus se unem pela última vez antes da traição iminente. Cristo se prepara para oferecer o sacrifício final enquanto seus seguidores se veem perdidos sem o Mestre.


 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 02 A 08 DE ABRIL

 ESTREIAS:


CRONOLOGIA DA ÁGUA

França- Letônia- Estados Unidos – Reino Unido/Drama/2025/128min

Direção: Kristen Stewart

Sinopse: Tendo crescido em um ambiente assolado pela violência e pelo álcool, Lidia tem dificuldade em encontrar seu caminho. Ela consegue fugir de sua família e entra na universidade, onde encontra refúgio na literatura.

Elenco Imogen Poots, Thora Birch, James Belushi :


RUAS DA GLÓRIA

Brasil/ Drama/ 2025/109 min.

Direção: Felipe Sholl

Sinopse:Ao sofrer uma grande perda, Gabriel deixa o Recife para se reinventar no Rio de Janeiro. Sozinho na nova cidade, o professor encontra Adriano, um garoto de programa com quem desencadeia uma conturbada paixão, que beira a obsessão.

Elenco: Caio Macedo, Alejandro Claveaux, Diva Menner.


BARBA ENSOPADA DE SANGUE

Brasil/Drama/2025/128min

Direção: Aly Muritiba

Sinopse:Após a morte de seu pai, Gabriel parte para a praia da Armação em busca de suas origens. Lá, ele encontra uma trama complexa em torno da figura misteriosa de seu avô, um esqueleto de baleia e uma cidade que quer enterrar seu passado a qualquer custo.

Elenco:  Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller , Roberto Birindelli.


HORÁRIOS DE 02 A 08 DE ABRIL (não há sessões nas segundas):

14h50: RUAS DA GLÓRIA

16h50: CRONOLOGIA DA ÁGUA

19h10: BARBA ENSOPADA DE SANGUE


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

segunda-feira, 30 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'A Cronologia da Água'

 Nota: O filme estreia dia 02/04/26   

Sinopse: Tendo crescido em um ambiente assolado pela violência e pelo álcool, Lidia tem dificuldade em encontrar seu caminho. Ela consegue fugir de sua família e entra na universidade, onde encontra refúgio na literatura.

Acompanho Kristen Stewart desde quando a conheci no filme "O Quarto do Pânico" (2002) onde ela faz o papel da filha da personagem de Jodie Foster. A consagração viria na saga "Crepúsculo", do qual a tornou conhecida mundialmente, mas fazendo muitos duvidarem da sua versatilidade. Isso mudou com o passar do tempo ao se entregar em papéis que desafiavam a sua pessoa.

Foi a partir de filmes como "Personal Shopper" (2016) que a crítica especializada via nela como alguém que poderia avançar mais em termos dramáticos. Foi então que veio "Spencer" (2021), longa onde ela encarna a princesa Diana e cuja sua interpretação assombrosa espantou os mais céticos. Eis então que ela embarca em um novo desafio na carreira como diretora no filme "A Cronologia da Água" (2026), sendo um projeto provocador e que faz a gente pensar quais serão os seus próximos projetos.

O filme é uma adaptação da autobiografia de Lídia Yuknavitch. Atualmente como escritora, ela já foi uma aspirante a nadadora olímpica, e essa oportunidade a fez se libertar de um ambiente repleto de violência e abusos. Fadado ao fracasso, Lidia Yuknavitch conseguiu superar traumas através da arte da escrita. Hoje, ela tenta encorajar meninas a retomarem suas próprias histórias sangrentas, para que assim, suas vozes sejam ouvidas.

Ao levar às telas a vida dessa pessoa  Kristen Stewart busca criar uma representação das memórias da protagonista ao criar uma edição de cenas em que sintetize uma mente, por vezes, fragmentada. A opção para isso talvez se deva à forma em que a protagonista nos é apresentada, ao ser uma espécie de entidade da natureza pronta para explodir, mas que inicialmente não sabemos porquê. Porém, aos poucos, as cenas vão sendo jogadas diante de nós, para que então possamos montar um enorme quebra cabeça, mas cuja as respostas já temos uma noção devido ao que virá em seguida.

A questão do abuso físico e psicológico é colocada na mesa, ao ponto que o filme nos entrega certos momentos de tensão e faz a gente se preocupar com o que virá em seguida. Porém,  Kristen Stewart procura não explicitar o que realmente está acontecendo nas cenas, mas usando momentos em que a sugestão é muito mais dura do que qualquer cena que soaria por demais explícita. Se em um determinado ponto do longa já tínhamos uma noção da real natureza do pai da protagonista, muito se deve ao que já havia sido apresentado no decorrer da trama.

Imogen Poots entrega uma atuação cujo seu olhar tem muito mais a dizer do que meras palavras. Porém, a sua narração off faz com que tenhamos uma melhor noção sobre o que a sua personagem passa e sintetizando ainda mais a sua dolorida jornada em busca de sua redenção em meio a violência, sexo e drogas. Desde já uma das interpretações mais interessantes que eu vi neste início de ano.

Curiosamente, não me admiraria se a diretora tivesse buscado inspiração nas obras de outros cineastas. Ao assistir o filme ele me lembrou bastante "A Árvore da Vida" (2011), de Terrence Malick, sendo que em ambos os casos são longas que abordam as questões familiares e que, mesmo com os seus atritos infinitos, os laços de sangue são dificilmente cortados. Embora com um final reconfortante ele também não esconde o fato que toda a jornada que se preze é um desafio que nem todos conseguem obter um certo equilíbrio.

"A Cronologia da Água" revela o talento de Kristen Stewart por detrás das câmeras,  ao nos apresentar uma jornada complexa de uma jovem em busca de um sentido na vida através dos percalços que teve que enfrentar ao longo de sua jornada.


 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Cine Dica: Sala Redenção apresenta adaptações de clássicos da literatura

Por mais um ano, o cinema da UFRGS promove o ciclo “Filmes & Livros”. Com curadoria conjunta entre a Sala Redenção e a professora e pesquisadora Fatimarlei Lunardelli, o projeto convida o público a refletir sobre as estratégias e os procedimentos adotados pelo cinema ao adaptar obras literárias. Neste primeiro semestre, o ciclo se debruça sobre as obras-primas de duas grandes escritoras, a britânica Emily Brontë e a francesa Marguerite Duras.

No dia 2 de abril, quinta-feira, às 16h, a Sala Redenção exibe o filme “Morro dos Ventos Uivantes” (1939), de William Wyler, adaptação do clássico homônimo de Emily Brontë. Na segunda-feira seguinte, dia 6, às 15h, as obras são discutidas em um bate-papo conduzido por Fatimarlei. Já no dia 1º de junho, o livro “Os pequenos cavalos de Tarquínia”, de Marguerite Duras, e sua adaptação para o cinema, “Azuro” (2021), de Matthieu Rozé, são o tema da sessão-debate. Ambas as obras acompanham um grupo de amigos que tem suas férias pacatas interrompidas com a chegada de um homem misterioso.

O ciclo “Filmes & Livros” tem entrada franca e aberta à comunidade geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. 

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sábado, 28 de março de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (28/03/26)

 UMA SEGUNDA CHANCE

Sinopse: Após um passeio perfeito com o namorado, Kenna (Maika Monroe, de A Mão que Balança o Berço, Longlegs – Vínculo Mortal) comete um erro imperdoável que a leva à prisão. Sete anos depois, ela retorna à sua cidade natal, no Wyoming, na esperança de reconstruir a vida e conquistar a chance de se reencontrar com sua filha pequena, Diem, a quem nunca conheceu.

VELHOS BANDIDOS

Sinopse: Velhos Bandidos" acompanha o casal de aposentados Marta e Rodolfo, enquanto planejam o crime perfeito: um enorme assalto a banco. Só que para o roubo ser bem-sucedido, eles precisam de um casal de jovens assaltantes, Nancy e Sid, que viram parceiros no crime. O maior problema do grupo de ladrões é o obstinado investigador Oswaldo.


NUREMBERG

Sinopse: Um psiquiatra dos Estados Unidos é designado para examinar 22 oficiais nazistas que aguardam julgamento por crimes de guerra. À medida que ele se aproxima de um de seus pacientes e tenta desvendar a essência do mal, ele se vê envolvido em uma jornada sem volta.


ELES VÃO TE MATAR

Sinopse: New Line Cinema e Nocturna apresentam Eles Vão Te Matar, eletrizante e sanguinária comédia de ação de terror na qual uma jovem precisa sobreviver à noite no Virgil, o misterioso e mortal esconderijo de um doentio culto demoníaco, antes de se tornar a próxima oferenda em uma batalha única, um verdadeiro e autêntico evento cinematográfico com mortes épicas e sarcástico humor ácido.


VINGADORA

Sinopse: Nikki (Milla Jovovich) é uma ex-militar que lutou nos piores campos de batalha da guerra, mas nada se compara à dor de ter sua filha sequestrada. Caçada por bandidos e policiais, ela usará cada habilidade mortal que aprendeu em combate para invadir o submundo do crime e resgatar a única coisa que importa para ela.

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

quarta-feira, 25 de março de 2026

Cine Dica: Streaming - - 'O Sobrevivente'

Sinopse:  Ben Richards (Glen Powell), um homem desesperado que entra num reality show mortal, "O Sobrevivente", para ganhar dinheiro e salvar sua filha doente.

Eu me lembro que assisti pela primeira vez ao filme "O Sobrevivente" (1987) em um distante domingo na Band quando eu estava voltando da casa de uns parentes. Por ser estrelado pelo herói dos filmes de ação da época, Arnold Schwarzenegger, fiz questão de assisti-lo mesmo quando já estava na metade da história. Revi alguns anos atrás e posso dizer que o filme envelheceu mal, não pela sua temática em si, mas sim pela sua estética muito oitentista.

Baseado na obra de Stephen King, o filme tinha tudo para ser um longa a frente do seu tempo, pois a trama falava sobre um futuro totalitário, onde o governo alinhado com programas de TV entretém a sociedade através de reality show manipuladores e que controlavam a opinião do público. Uma trama bem a frente do seu tempo, mas do qual King se inspirou em tempos da era Ronald Reagan, em que a ideia do consumismo acima de tudo era o único meio de sustentar o império norte americano como um todo. Agora temos o novo "O Sobrevivente" (2025), longa que é mais próximo em termos de fidelidade ao livro, mas que chegou um pouco atrasado.

Dirigido pelo genial  Edgar Wright, o filme retrata um futuro sombrio dos nos Estados Unidos, onde a economia está em colapso e a violência global se intensifica. Nesse cenário caótico, Ben Richards (Glen Powell) encontra sua única chance de salvar a família ao se voluntariar para participar do violento game show "O Sobrevivente". Os participantes precisam escapar de uma equipe de assassinos profissionais enviados para matá-los durante 30 dias, com a promessa de ganhar um prêmio em dinheiro.

Edgar Wright é um desses casos de cineastas autorais que não tem exatamente carta branca para fazer o que bem entender nos seus longas. Se por um lado ele conquistou o mundo através do seu genial "Todo Mundo Quase Morto" (2004), do outro, ele viu o seu projeto "Homem Formiga" (2015) ser roubado pela Marvel e fazendo perceber que os estúdios é que dão a palavra final por mais que você seja criativo. Ao menos em "O Sobrevivente" percebo um realizador que procura fazer um longa de sua maneira, mesmo com as regras do estúdio em sua cola.

Tudo o que ele faz está lá, desde uma edição frenética, ação caprichada e um humor ácido que ele faz como ninguém. Além disso, é preciso reconhecer que o longa é bastante fiel a sua fonte original, o que não quer dizer muita coisa, já que seria bastante fácil hoje em dia fazer algo que se distanciasse da primeira versão de 1987. Eu acho que o problema principal dessa nova adaptação é ter chegado um tanto tarde, já que os reality shows já se encontram saturados, enquanto a própria sociedade faz o seu próprio show nas redes sociais e onde fazem de tudo para se tornarem uma celebridade instantânea. Em tempos em que temos até mesmo suicidido sendo anunciado antes do ato, talvez nem o próprio Stephen King imaginava que a sociedade se deixaria levar pela manipulação das redes e tendo total consciência disso, já que a verdade já não é mais o suficiente para eles.

Se por um lado o filme chegou atrasado alguns anos, ao menos ele nos revela uma tecnologia semelhante a nossa, onde todos são vigiados, mas pouco se importando com isso, desde que ganhe alguns segundos de estrelato. Em meio a esse caos, Ben Richards somente quer dinheiro para ajudar a sua família, mas mal sabendo da armadilha imposta contra ele. Glen Powell vem aos poucos se destacando no cinema desde "Top Gun: Maverick" (2022) e aqui demonstra ter fibra em um filme que exige porte físico em meio a tantos tiros e correria.

Talvez esse seja também um ponto um tanto falho na obra, onde  Edgar Wright faz o que sabe fazer de melhor em termos de ritmo, mas não se casando em harmonia com a ideia primordial da obra que é refletir. Se por um lado você não sai do cinema pensando sobre a proposta principal do longa, ao menos você sairá entretido, mesmo lhe passando a sensação que faltou algo pelo caminho. A mensagem é que você seja contra o sistema, mas é preciso ser muito mais  claro para uma geração cuja visão está cada vez mais nublada.

"O Sobrevivente" é uma versão fiel do clássico de Stephen King, mas pelo visto chegou de forma atrasada e fazendo com que essa geração manipulada pelas mídias digitais nem se dê conta dela. 


Onde Assistir: Amazon Prime Vídeo. 

  Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948