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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (10/09/26)

 DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DE AMOR

Sinopse: O filme retorna a um universo envolto em travessuras à luz da lua e em uma poderosa magia ancestral. As irmãs Owens precisarão enfrentar a sombria maldição que ameaça destruir sua família de uma vez por todas.


A ILHA ESQUECIDA

Sinopse: Jo e Raissa, recém-formadas no ensino médio e melhores amigas desde a infância, estão prestes a seguir caminhos distintos. Enquanto celebram a sua última noite juntas, elas encontram um portal misterioso que as transporta para a fantástica ilha de Nakali.


A MARAVILHOSA ÁRVORE ENCANTADA

Sinopse: Em uma jornada mágica para toda a família, A MARAVILHOSA ÁRVORE ENCANTADA acompanha Tim (Andrew Garfield), Polly (Claire Foy) e seus três filhos, que deixam a cidade grande para recomeçar no interior da Inglaterra. Longe das telas, as crianças descobrem uma árvore mágica que os leva a mundos fantásticos.


CÓDIGO: VINGANÇA

Sinopse: Após testemunhar o assassinato de seu chefe bilionário e ser injustamente incriminado pelo crime, Cole Reed (Jason Statham) embarca em um navio cargueiro em uma cruzada solitária para vingar a morte de seu chefe. 

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 03 A 09 DE SETEMBRO

O documentário Não Existe Almoço Grátis, dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, estreia no CineBancários dia 3 de setembro. Vencedor do prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Brasília, o longa acompanha três lideranças femininas do Sol Nascente, no Distrito Federal, durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A produção aborda a luta cotidiana contra a fome e a força da organização comunitária no Brasil. 

O filme mostra como a ausência de políticas públicas eficazes para o enfrentamento da fome levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, responsáveis pela distribuição de refeições gratuitas em diferentes regiões do país. A história acompanha Bizza, Jurailde e Socorro, três mulheres negras que coordenam uma dessas cozinhas, localizada no Sol Nascente, uma das maiores favelas do país. Durante a posse de Lula, elas ficam responsáveis por preparar a alimentação de centenas de militantes do movimento que viajam a Brasília para acompanhar a cerimônia.

As três protagonistas possuem trajetórias distintas, apresentadas de forma não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir a própria casa e abrir um negócio no lote que conquistou por meio da luta no MTST. Jurailde, evangélica, relaciona a conexão com a terra à ancestralidade indígena e às experiências de trabalho infantil que marcaram sua infância. Socorro, por sua vez, encontra o orgulho de si mesma ao construir a própria família depois de ter sido abandonada pelo pai ainda criança.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE  03 A 09 DE SETEMBRO


ESTREIA:


 NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

Brasil/Documentário/2023/74min.

Direção: Marcos Nepomuceno, Pedro Charbel

Sinopse: Em Sol Nascente, maior favela do Brasil, Socorro, Jurailde e Bizza lideram uma das cozinhas solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), distribuindo almoços de graça diariamente. Para a posse do presidente Lula, elas estão encarregadas de cozinhar para centenas de pessoas em Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro. Em meio a ameaças de golpe, o documentário acompanha o evento e a organização coletiva, revelando que o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos.


EM CARTAZ:


MUITO PRAZER

Brasil/ Comédia/2026/ 98min.

Direção:Jorge Furtado

Sinopse: Rubem, um motorista de aplicativo sem perspectivas, recebe uma herança inesperada: o Motel Pérola, que logo descobre ser um prédio em ruínas. Lá ele conhece Grace, ex-funcionária que ficou morando numa das suítes quando o motel fechou. Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, Grace e Rubem unem-se para reativar o motel. Quase de brincadeira, com a ajuda de Nalva, que sabe tudo de internet, eles começam a gravar seus clientes e, para fazer algum dinheiro extra, a vender os vídeos, com identidades protegidas, para sites eróticos. O esquema se torna rapidamente lucrativo e, como era de se esperar, perigoso.

Elenco: Luisa Arraes, Daniel de Oliveira, Samantha Jones, Felipe Velozo.


NOSSO SEGREDO

Brasil/ Drama/2025/109 min.

Direção: Grace Passô

Sinopse: Nosso Segredo conta a história de uma família negra que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de encarar as raízes de suas dores e, juntos, descobrirem um novo caminho

Elenco: Ju Colombo, Robert Frank, Marisa Revert, Jessica Gaspar, Efraim Santos



HORÁRIOS DE 03 A 09  DE SETEMBRO

(não há sessões nas segundas)

15h: NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

17h: MUITO PRAZER

19h: NOSSO SEGREDO


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (03/09/26)

 IDIOTAS

Sinopse: Mark (Dave Franco) e Davis (O'Shea Jackson Jr.) são dois idiotas que aceitam um trabalho aparentemente simples: levar um adolescente rico e problemático (Mason Thames) até uma clínica de reabilitação. Só que o passageiro tem outros planos, e uma missão fácil se transforma numa jornada cada vez mais delirante, entre drogas, confusão e situações insanas que ninguém ali estava preparado para enfrentar.


MINHA MELHOR AMIGA

Sinopse: Julia e Clara são melhores amigas e vivem o auge dos seus 50 anos. Quando suas filhas, Manu e Isadora, viajam para um intercâmbio em Portugal, elas aproveitam para dar um tempo da rotina frustrante e decidem embarcar para a Europa. Mas, ao chegarem em terras lusitanas, nem tudo sai como planejado e o que seriam apenas umas férias divertidas com as garotas se transforma em uma viagem que vai ressignificar a vida das duas.


PRESSÃO

Sinopse: Embora os meteorologistas alemães esperassem mau tempo, os Aliados aproveitaram um período inesperado de céu limpo para os desembarques na Normandia.


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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte'

Sinopse: Jovem cineasta vai ao encontro de uma atriz reclusa para convencê-la a voltar a participar de uma franquia slasher.

O gênero slasher foi um dos mais explorados entre o final dos anos 1970 e toda a década de 1980. Já moribundo no início dos anos 1990, esse tipo de filme foi revitalizado a partir do primeiro "Pânico" (1996), o que fez com que os estúdios voltassem a explorá-lo à exaustão para obter grandes lucros. Porém, mais do que filmes de horror, essas produções carregavam uma metáfora impregnada em seus projetos.

Na trama, sempre víamos jovens na mais pura azaração, dispostos a fazer sexo de qualquer jeito. Contudo, havia sempre aquela jovem inocente e virgem que se tornava a única sobrevivente da história. Olhando para trás, observa-se que o assassino era uma espécie de representação do temor em relação aos tempos da AIDS: bastava os personagens fazerem sexo para logo serem punidos. Por mais violentos que fossem, esses filmes não deixavam de ser conservadores — alinhados com uma mentalidade que, hoje, seria politicamente incorreta, para dizer o mínimo.

"Acampamento Sinistro" (1983), por exemplo, seria uma produção completamente inviável nos dias de hoje, já que poderia facilmente ser taxada como transfóbica. Porém, assim como o primeiro Pânico, esses longas podem ser revitalizados desde que se explorem os acertos e erros de sua época, tornando a obra uma leitura curiosa para as novas plateias. "Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte" (2026) não é somente uma homenagem a esse subgênero do horror, mas também uma crítica ácida sobre a mentalidade de tempos passados e da própria Hollywood.

Dirigido por Jane Schoenbrun (de "Eu Vi o Brilho da TV", 2024), o longa acompanha a história de uma jovem cineasta queer (Hannah Einbinder) contratada para comandar os bastidores de um reboot da franquia de terror conhecida como Camp Miasma. Ela, por sua vez, decide reencontrar a atriz que protagonizou as cenas finais do longa original — interpretada por Gillian Anderson — e busca nela uma forma de fazer uma nova releitura do clássico. Porém, acontecimentos estranhos fazem com que ela enxergue uma nova realidade, despertando nela algo antes adormecido.

O público acostumado com as velhas regras de um determinado gênero fica tão preso ao convencional que, quando surge um filme que quebra essas fórmulas, ele se torna, em um primeiro momento, incompreensível. Em "A Natureza da Violência" (2024), por exemplo, assistimos à história pela perspectiva do monstro, e não de suas vítimas. "Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte" vai por um caminho similar ao desconstruir o gênero e criar uma nova visão sobre o assunto.

Logo no início do filme, Jane Schoenbrun brinca com o universo slasher ao explorar o quanto os estúdios exploram em potência máxima um determinado sucesso para gerar continuações intermináveis, spin-offs, refilmagens, reboots e produtos para a massa usufruir. Já o cenário principal da trama é explicitamente falso, como se a realizadora nos dissesse para não levarmos aquilo a sério, mas sim os pontos que desconstroem o gênero. Quando a protagonista finalmente se encontra com a atriz reclusa, o filme mostra a que veio.

Conhecida mundialmente como a protagonista da série "Arquivo X" (1993–2002), Gillian Anderson é uma presença que domina a cena assim que surge. Seu olhar peculiar não esconde o fato de ter descoberto, logo cedo, o que realmente move as engrenagens de um estúdio que apenas explorava o lado erótico das jovens moças do passado. Carregando essa bagagem, ela acaba influenciando a percepção da jovem cineasta dentro da trama, além de saber lidar com a própria sexualidade de forma mais aberta. Curiosamente, é notório que a diretora faz um paralelo da personagem de Gillian Anderson com a figura de Norma Desmond, do clássico "Crepúsculo dos Deuses" (1950), tornando essa observação ainda mais rica para os cinéfilos que apreciam o cinema clássico.

Hannah Einbinder nos brinda com uma atuação ainda mais complexa do que se imagina. Ela se apresenta como alguém de mente aberta em relação aos relacionamentos e ao sexo, mas que ainda não liberou seu verdadeiro eu por completo. Sua adoração pelo slasher clássico seria uma forma de reprimir seus verdadeiros desejos, mesmo tendo consciência das mensagens subliminares e conservadoras daquela época. A atuação de ambas juntas em cena é digna de nota: o desejo nasce de forma gradual, nada impulsiva, indo na contramão de quem espera algo imediatamente explícito.

O filme pode ser interpretado das mais diversas formas, inclusive de maneira surreal. Basta pegarmos como exemplo a cena em que as duas personagens centrais assistem ao clássico dentro da trama: o assassino surge no lago e começa a matar os jovens do acampamento de forma absurdamente cartunesca, despertando um riso involuntário. Ao mesmo tempo, é por essa passagem que o filme faz uma crítica certeira aos meios politicamente incorretos de se criar uma história de horror em outros tempos.

Jane Schoenbrun acerta ao homenagear e alfinetar o slasher, que por muito tempo usou a figura de jovens mulheres para despertar o monstro da trama — quando, na verdade, o próprio monstro era uma alusão a tempos mais conservadores e hipócritas. Na reta final, a obra cai de cabeça na mais pura metalinguagem ao sugerir que talvez tenhamos culpa por alimentar Hollywood a produzir tantas franquias intermináveis, seja no horror ou em qualquer outra fórmula de sucesso. Quando vemos as duas protagonistas despertas em relação a isso, elas cruzam com uma sociedade alienada e consumista, que já não se importa com o que assiste ou consome, desde que continue entretida em suas bolhas particulares.

"Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte" funciona tanto como uma bela homenagem ao gênero slasher quanto como uma inteligente crítica construtiva sobre a mentalidade politicamente incorreta desse tipo de cinema e da indústria hollywoodiana.


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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (20/08/26)

SÓ POR UMA NOITE

Sinopse: Owen, que acabou de ser abandonado em seu relacionamento, e a romântica e esperançosa Allie podem ser os únicos solteiros na cidade em busca de algo além de um encontro casual. Ambos sentem uma conexão especial quando se conhecem, mas uma série de desencontros e situações paralelas complicam a noite, mantendo-os separados.


SOBRENATURAL - AGORA ENTRE NÓS

Sinopse: Gemma é uma jovem mãe que cria sua filha na casa onde cresceu e descobre que pode viajar para O Além. Quando algo maligno passa a persegui-la, Gemma descobre uma habilidade que muda tudo: ela não apenas entra em O Além — ela pode trazer o que vive lá de volta ao mundo real. 


AMIGAS SEM FILTRO

Sinopse: Três amigas planejam um fim de semana de descanso em um spa de luxo, mas tudo sai do controle quando a integrante mais imprevisível do grupo aparece sem avisar.


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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (13/08/26)

 O FIM DA RUA

Sinopse: Após um misterioso evento cósmico arrancar a Rua Oak do subúrbio e transportar o bairro para um lugar desconhecido, a família Platt logo descobre que sua sobrevivência depende de permanecerem unidos enquanto enfrentam um ambiente agora irreconhecível.


A MORTE DE ROBIN HOOD

Sinopse: Heróis se vão. Lendas são para sempre. Atormentado pelas cicatrizes de uma vida marcada pelo crime, Robin Hood (Hugh Jackman) sobrevive por pouco àquela que acreditava ser sua batalha final. Gravemente ferido, ele é encontrado por uma mulher misteriosa que o recolhe das sombras e passa a cuidar de seus ferimentos. Com o corpo fora de combate, cada erro cometido no passado volta para assombrá-lo.


PATRULHA CANINA: UMA AVENTURA DINO

Sinopse: A maior aventura que a nossa Patrulha favorita já enfrentou! 

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (09/07/26)

 A Morte do Demônio: Em Chamas

Sinopse: Após a perda do marido, uma mulher enlutada busca consolo com seus sogros na isolada casa de campo da família. No entanto, o reencontro logo se transforma em um inferno na Terra quando o Livro dos Mortos liberta forças demoníacas que os transformam em Deadites um por um.


Moana

Sinopse: Moana acompanha Moana Waialiki, uma jovem corajosa que vive em uma ilha e sonha em explorar o oceano além das margens que cercam seu lar.

Primavera 

Sinopse: Cecilia, uma violinista talentosa confinada em um orfanato, conhece Vivaldi, que se torna seu professor. Sob a mentoria dele e por meio de sua música, ela ganha coragem para se libertar do destino que lhe foi imposto e seguir sua verdadeira paixão.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Nós Acreditamos em Vocês'

Sinopse: Acompanha Alice em uma intensa batalha judicial pela guarda de seus filhos. Sob forte pressão, ela enfrenta uma juíza e precisa confrontar o pai das crianças, buscando provar as denúncias de violência e protegê-los antes que seja tarde demais.

O subgênero dos filmes de tribunal é muito apreciado ao longo da história do cinema. Se por um lado temos uma análise acalorada sobre o papel do júri no clássico "12 Homens e Uma Sentença" (1957), do outro, testemunhamos o peso da audiência na questão da separação no filme "Custódia" (2018). É nesse cenário que recebemos o belga "Nós Acreditamos em Vocês" (2026), no qual testemunhamos o relato de ambas as partes, mas onde fica notório quem diz a verdade.

Dirigido por Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys, a trama acompanha Alice (Myriem Akheddiou) em uma audiência para decidir a guarda de seus filhos. Sob grande pressão, a mãe enfrenta a juíza com o desejo de não cometer erro algum, pois a segurança das crianças depende dela e de suas palavras. Acusando o pai (Laurent Capelluto) de um terrível crime, a sessão envereda por caminhos imprevisíveis.

No clássico do cinema mudo "A Paixão de Joana D'Arc" (1928), o diretor foca exclusivamente na atriz Renée Jeanne Falconetti que, ao interpretar a personagem histórica, se entrega de corpo e alma diante da câmera. Algo similar acontece em Nós Acreditamos em Vocês. A câmera foca quase exclusivamente na protagonista, que inicialmente não consegue domar o próprio filho para levá-lo à audiência, tornando os minutos iniciais angustiantes. Tudo é baseado na ação e reação da personagem central, cuja expressão tem mais a dizer do que meras palavras — mérito que se deve, principalmente, à incrível atuação de Myriem Akheddiou.

Gradativamente, começamos a entender o cenário: vemos essa mãe tentar proteger os filhos de um pai ausente e que as crianças não querem ver. Em poucos minutos de filme, compreendemos que os pequenos agem por um impulso quase destrutivo, cujas razões vão sendo esclarecidas à medida que a protagonista expõe as suas dores. É aí que o filme encontra a sua alma: na sequência da audiência.

Devillers e Dufeys procuram dar espaço para cada um dos personagens — a mãe, o pai e seus respectivos advogados —, permitindo que todos defendam suas versões. Em meio a isso, temos a noção de quão difícil é colocar em prática uma "justiça justa", para que não se cometa nenhuma injustiça. Isso é bem sintetizado na expressão da juíza, que não esconde o temor de tomar uma decisão da qual venha a se arrepender depois.

Porém, uma vez que a mãe e o pai apresentam seus depoimentos, tudo fica bastante claro, e a realidade daquela família nos puxa para o seu dia a dia. Através do relato de Alice, temos a dimensão do horror que ela ouviu e testemunhou no decorrer dos anos, que privou seus filhos de uma infância saudável e quase a levou a um colapso. A câmera dos realizadores, por sua vez, capta cada nuance do olhar da protagonista, fazendo com que fiquemos o tempo todo ao seu lado.

Os diretores acertam ao ambientar a audiência em um espaço pequeno, o que torna tudo ainda mais claustrofóbico e faz com que os ânimos fiquem à flor da pele. Curiosamente, todos ali têm um papel relevante, seja nas palavras ou no jogo de olhares que reage ao que está sendo dito. Portanto, a última cena com a juíza, na qual ela se vê esgotada, é a representação de nós mesmos diante daquele testemunho, desejando que ela tome a decisão mais correta.

Em tempos de denúncias cada vez mais frequentes de abusos no ambiente familiar, o filme surge como um alerta para que ninguém sofra em silêncio e para que o passo da denúncia seja dado. Assim, a cena final da mãe com os filhos, após uma montanha-russa de emoções, não é apenas um momento de paz rara, mas também de um peso extraído da própria consciência. Nunca é tarde para fazer o que é certo por si e por quem amamos.

"Nós Acreditamos em Vocês" é poderoso em suas cenas e cirúrgico em seu realismo ao tratar de um assunto que jamais pode ser banalizado em nosso mundo.


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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (02/07/26)

 “O Convite” 

Sinopse:  Joe (Rogen) e Angela (Wilde), um casal que atravessa uma fase turbulenta no relacionamento. Durante um jantar aparentemente comum com os vizinhos do andar de cima, 

MINIONS & MONSTROS

Sinopse: Esta é a história frenética, improvável e totalmente verdadeira de como os Minions conquistaram Hollywood, se tornaram estrelas de cinema, perderam tudo, libertaram monstros no mundo e depois se uniram para tentar salvar o planeta do caos que acabaram criando.



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terça-feira, 9 de junho de 2026

Cine Dica: Newsletter de 11 a 17 de junho de 2026

 Cinema brasileiro em destaque na Cinemateca Capitólio nas próximas semanas

A programação da Cinemateca Capitólio nas próximas semanas tem o cinema brasileiro como destaque, com dois lançamentos recentes em cartaz, o drama Dolores, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, e o premiado documentário Copan, de Carine Wallauer. Realizadora gaúcha radicada em São Paulo, Carine Wallauer participa de uma conversa com o público na quinta-feira, 11 de junho, às 19h, sobre seu documentário em torno do icônico edifício modernista de Oscar Niemeyer localizado na região central de São Paulo, que foi o grande vencedor do festival É Tudo Verdade em 2025.

No dia 16 de maio, a Capitólio inaugura uma de suas principais atrações previstas para 2026, a mostra A Cinemateca é Brasileira – Da Comédia ao Drama, programação com curadoria da Cinemateca Brasileira que inclui 23 títulos de diferentes épocas, incluindo desde clássicos com cópias restauradas (como São Bernardo, Amei um Bicheiro, A Hora e Vez de Augusto Matraga e Roberto Carlos em Ritmo de Aventura) a produções mais recentes (como Morto não Fala, Los Silencios, Que Horas Ela Volta? e Branco Sai, Preto Fica). A mostra, toda com entrada franca, irá se estender até o mês de julho, e é realizada em parceria com a Cinemateca Brasileira (aguarde divulgação específica).

Já na sexta-feira, 12 de junho, a Cinemateca Capitólio recebe mais uma edição do projeto Raros, com a exibição de Escuridão da Morte (Fade to Black), produção de horror de 1980 dirigida por Vernon Zimmerman. O filme acompanha o personagem Eric Binford (Dennis Christopher), que vive para o cinema. Cinéfilo solitário e obcecado pelas estrelas da Era de Ouro de Hollywood, ele encontra refúgio nas imagens que consome compulsivamente. Quando sua vida desmorona, a fronteira entre fantasia e realidade se rompe, e Eric passa a encenar sua vingança incorporando personagens clássicos do cinema. A entrada é franca.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca  clicando aqui

terça-feira, 2 de junho de 2026

Cine Dica: Newsletter de 4 a 10 de junho

 Cinemateca Capitólio segue exibindo clássicos de Marilyn Monroe e estreia o drama brasileiro Dolores

A programação da Cinemateca Capitólio entre os dias 4 e 10 de junho tem como destaque a estreia do drama brasileiro Dolores (2025), de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, que divide horários com a segunda semana da mostra dedicada ao centenário da atriz Marilyn Monroe, comemorado em 1º de junho último, com a exibição de sete títulos marcantes de sua filmografia: Torrentes de Paixão, O Rio das Almas Perdidas, Os Homens Preferem as Louras, Como Agarrar um Milionário, O Pecado Mora ao Lado, Nunca Fui Santa e Os Desajustados.

Dolores é um projeto originalmente concebido pelo diretor Chico Teixeira, como complemento da trilogia formada ainda por Casa de Alice e Ausência. A morte prematura de Teixeira fez com que o filme fosse realizado por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar. A atriz Carla Ribas interpreta a personagem-título, uma mulher de 65 anos que tem a premonição de abrir um cassino. Isso, porém, se torna um problema, uma vez que ela já foi viciada em jogos. Dolores tem uma relação tensa com a única filha, Deborah (Naruna Costa), mas é próxima da neta, Duda (Ariane Aparecida), que trabalha numa loja de armas e sonha em se mudar para os Estados Unidos.

A dupla da direção também assina o roteiro e aponta que a solidariedade e o sentido de comunidade são temas caros à trilogia e, em especial, a esse filme. “É muito comum à experiência feminina você aprender com as trocas quase secretas, em particular, que se dão exclusivamente com outras mulheres. São trocas e ensinamentos que se dão num abraço, numa conversa, no meio de um trabalho ou num esbarrão na rua, e que vão formando uma teia de ensinamentos que produzem sobrevivência física mas também existencial. Queríamos retratar isso. Esse mundo de mulheres que acordam cedo, dormem tarde, sonham acordadas e movimentam o constroem o nosso país.”

Dolores já foi exibido no Festival Internacional de Roterdã, na Mostra de Tiradentes, no Festival de San Sebastian, onde fez sua estreia mundial, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no Festival do Rio e no Panorama Coisa de Cinema, em Salvador.

Finalmente, no sábado e domingo, às 15h, a Cinemateca Capitólio recebe mais uma edição da Sessão Vagalume, que neste mês de junho apresenta a clássica animação Alice no País das Maravilhas, versão de 1951 dos estúdios Disney para o célebre livro de Lewis Carroll.

Confira a programação completa da sala no site oficial clicando aqui. 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cine Dica: Cinema brasileiro ganha protagonismo na Sala Redenção

A fim de celebrar as pluralidades das narrativas nacionais e homenagear grandes trajetórias da sétima arte, a Sala Redenção promove a mostra “BR: do clássico ao contemporâneo”. A programação fica em cartaz entre os dias 1º e 17 de junho, com entrada franca e aberta à comunidade em geral.

Com longas-metragens de terror, comédia, drama, filmes históricos e de faroeste, a mostra “BR: do clássico ao contemporâneo” traduz a multiplicidade de Brasis que existem em um só país. A produção de Kleber Mendonça Filho, “O agente secreto” (2025), premiada no 78º Festival de Cannes e representante do Brasil no Oscar 2026, é o grande destaque da mostra. A programação também contempla “Oeste outra vez” (2024), grande vencedor do 52º Festival de Gramado; “Noites paraguayas” (1982), “Bar Esperança” (1983) e “Suçuarana” (2024).

Na segunda semana, a Sala Redenção homenageia Antônio Pitanga, diretor e ator com mais de 65 anos de carreira. São exibidos três filmes com Antônio no elenco – “Ladrões de Cinema” (1977), de Fernando Coni Campos; “Barravento” (1961), de Glauber Rocha; e “Quilombo” (1984), de Carlos Diegues –, além de “Malês” (2024), longa-metragem dirigido pelo cineasta que, em abril deste ano, venceu o Troféu Jangada de Melhor Filme no 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

A mostra tem apoio do Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cultura, Vitrine Filmes, CineSESC e Cinemateca Brasileira.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Cine Especial: Conhecendo 'A Liberdade é Azul'

Em sua curta, porém marcante carreira, Krzysztof Kieślowski construiu obras que não falavam apenas de sua Polônia natal, mas também da França, país que tão bem o acolheu. Seus filmes trazem sempre uma exploração profunda sobre o individualismo e as escolhas que movem o sujeito — temática que foi brilhantemente explorada, por exemplo, em Sorte Cega (1987).

Contudo, a questão do individualismo talvez tenha encontrado seu ápice no período em que a sociedade atravessava a transição entre as décadas de 1980 e 1990. Naqueles primeiros anos da última década do século XX, o mundo caminhava para um cenário de solidão, onde a preocupação com o próximo parecia ceder lugar ao autocentramento. "A Liberdade é Azul" (1993) envereda por esse pensamento: nele, a protagonista aprende, a duras penas, que não é possível desvencilhar-se tão facilmente do calor humano.

Na trama, após um trágico acidente que vitima seu marido e sua filha, Julie (Juliette Binoche) decide renunciar à sua própria história. Ela se afasta de tudo e de todos, assumindo o anonimato em meio à multidão parisiense. Essa existência fantasmagórica começa a ruir quando ela se vê compelida a lidar com uma importante obra inacabada de seu falecido esposo, um compositor de fama internacional.

Kieślowski filma como poucos. Sua fotografia fria sintetiza o estado emocional de uma personagem que tenta, a todo custo, não expressar sentimentos. Além disso, quando Julie é confrontada por perguntas de outros personagens, o diretor frequentemente faz uso de fades para o preto (escurecendo a imagem), como se, em seu interior, ela buscasse forças para responder. É como se houvesse um lapso temporal; o mundo à sua volta já não é urgente o suficiente para exigir uma resposta imediata.

Juliette Binoche — que muitos conheceram pelo clássico O Paciente Inglês (1996) — nos brinda com uma atuação que sustenta o filme. Ela constrói um ser que busca a assepsia emocional, mas que recupera a humanidade aos poucos, conforme pessoas ligadas ao seu passado ressurgem. Os personagens secundários, por sua vez, orbitam Julie em busca de suas próprias respostas, revelando-se também em jornadas particulares de autodescoberta.

"A Liberdade é Azul" abre a "Trilogia das Cores" de Kieślowski, seguida por "A Igualdade é Branca" (1994) e encerrada com "A Fraternidade é Vermelha" (1994). Há quem diga que as cores são apenas uma homenagem à bandeira francesa, mas elas funcionam, primordialmente, em sintonia com os sentimentos da trama. Aqui, o azul talvez seja uma representação do amor que cerca a personagem; um sentimento que ela recusa, mas que a impregna conforme a narrativa avança.

Com um teor psicológico e, por vezes, sombrio, o longa é apontado como uma obra à frente de seu tempo, antecipando dilemas que o cinema exploraria com afinco na virada do milênio. Assim como "Amores Expressos" (1994), o filme de Kieślowski é um daqueles casos que tardei a assistir, mas que, ao conhecer, percebo o quanto ainda há de "diamantes" dos anos 90 a serem descobertos. Nunca é tarde para apreciá-los.

"A Liberdade é Azul" é Kieślowski em sua essência: uma poderosa representação da alma humana em tempos de mudança.

Onde Assistir: MUBI. 

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (22/05/26)

 O MANDALORIANO E GROGU

Sinopse: Acompanha o caçador de recompensas solitário, o Mandaloriano Din Djarin (Pedro Pascal) e seu aprendiz Grogu.


HOKUM: O PESADELO DA BRUXA

Sinopse: O escritor solitário Ohm Bauman, interpretado por Adam Scott, se refugia em um hotel isolado para cumprir o último desejo de seus pais. A despedida silenciosa se transforma em pesadelo quando histórias sobre uma antiga bruxa que assombra a suíte de lua de mel passam a invadir seus sonhos e sua mente.


SEXO E DESTINO

Sinopse: Um drama espiritual ambientado nos dias atuais que revela como paixões, culpas e escolhas mal resolvidas atravessam vidas e gerações. 


PASSAGEIRO DO MAL

Sinopse: Durante uma viagem de van, um casal presencia um acidente fatal. A partir daí, uma entidade demoníaca passa a persegui-los incansavelmente.

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