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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Relatos do Mundo'

Sinopse: Cinco anos após o fim da Guerra Civil, o capitão Jefferson Kyle Kidd (Hanks) viaja pelos Estados Unidos de cidade em cidade como leitor de notícias, chamado de relator público. 

Paul Greengrass se tornou mundialmente conhecido pela sua câmera frenética e dição agiu graças a "trilogia do Bourne" (2002 - 2007). Porém, o mesmo possui gosto de fazer filmes que transitam entre a ficção com a linguagem documental como no caso, por exemplo, "Voo United 93" (2005) e "22 de julho" (2018). Em "Relatos do Mundo" (2020) ele entra em território até então desconhecido em sua filmografia, mas mantendo o equilíbrio na direção até o final dela.

A história se passa no ano de 1870, onde o Capitão Jefferson Kyle Kidd (Hanks), um viúvo que já lutou em duas guerras, viaja através do Texas oferecendo notícias do mundo para as pessoas, apesar dos jornais estarem se tornando cada vez mais acessíveis. Ele aceita uma proposta para levar uma menina de 10 anos, Johanna, interpretada pela ótima jovem atriz Helena Zengel, do filme "Transtorno Explosivo" (2020), até seus familiares. Criada pela tribo Kiowa, ela não conhece sua família e tem um comportamento hostil com as pessoas ao seu redor, mas acaba criando um vínculo com Kidd, forçando os dois a lidarem com as difíceis escolhas sobre o futuro.

De forma gradual, Paul Greengrass apresenta aquele mundo de forma gradual, de maneira suja, porém, realista e da maneira que o faroeste deveria ter sido sempre retratado nas telas do cinema. Jefferson é alguém com um passado nebuloso, mas que não perde a esperança em levar informação para as pessoas que não obtém notícias sobre o que acontece no mundo. Curiosamente, o protagonista não só enfrenta a ignorância daqueles que não aceitam o conhecimento, como também até mesmo notícias falsas que alimentam o povo e criando assim um curioso paralelo com relação as fakes news em nossos tempos contemporâneos.

Mas o filme engrena de vez a partir do momento em que Jefferson conhece Johanna e iniciando assim uma jornada cheia de aventuras, mas que também serve para que ambos se reinventem em suas vidas. A química entre ambos os interpretes se torna o coração pulsante do filme, principalmente em momentos em que a jovem atriz ofusca até mesmo o veterano ator em cena. Helena Zengel possui uma força descomunal só no seu olhar e fazendo a gente querer observá-la mais de perto em seus próximos trabalhos.

Tecnicamente o filme é um contraste se for comparado as outras anteriores do diretor, já que ação em si ela existe, porém contida, mas que cria em nós uma sensação de tensão, principalmente quando ambos os protagonistas lidam com o lado irracional do ser humano em um cenário hostil. Fora isso, o filme dá sempre uma pausa para se explorar o lado psicológico da dupla central, já que ambos carregam cicatrizes devido a um passado violento, mas encontrando em ambos um equilíbrio para manter o melhor deles ainda vivo. O final pode até ir contra as nossas expectativas, mas acaba servindo de redenção para os protagonistas que buscavam uma forma de se encontrarem em suas vidas.

"Relatos do Mundo" é um filme esperançoso e talvez um pouco necessário para os tempos atuais em que vivemos.

Onde Assistir: NETFLIX. 

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (26/02/21)

NOTA: Devido ao Lockdown de muitas regiões do país vários cinemas permanecerão fechados. Confira nos sites de cinema como, por exemplo, Itaú e Cinemark as regiões que os cinemas estão abertos, porém, previna-se e siga as regras do local.  

Judas e o Messias Negro

Sinopse: A história de ascensão e queda de Fred Hampton (Daniel Kaluuya), o ativista dos direitos dos negros e revolucionário líder do partido dos Panteras Negras. Um jovem proeminente na política, ele atrai a atenção do FBI, que com a ajuda de William O’Neal (LaKeith Stanfield) acaba infiltrando os Panteras Negras e causando o assassinato de Hampton.


Depois a Louca Sou Eu

Sinopse: Desde a infância, Dani (Débora Falabella) lida com todo tipo de crise de ansiedade. Já adulta, ela recorre a terapias e medicações para conviver não só com Sílvia (Yara de Novaes), sua mãe superprotetora, mas todos os demais que a cercam. Baseado no livro de mesmo nome, escrito por Tati Bernardi.


Mais que Especiais

Sinopse: Há 20 anos Bruno e Malik vivem num mundo à parte, aquele habitado pelas crianças e adolescentes autistas. Trabalhando cada um em uma instituição diferente, eles se dedicam à formação de jovens vindos de bairros problemáticos para tentar lidar com esses casos considerados “super-complexos”. Uma aliança pouco usual para personalidades fora do comum.


O Mundo de Gloria

Sinopse: Em Marselha, uma família se reúne para o nascimento do bebê Gloria, e apesar da alegria, eles enfrentam tempos difíceis. Com uma nova ideia de negócio, o ambicioso tio de Gloria tem o que pode ser uma saída para os problemas.

Os Lobos do Leste

Sinopse: Em Os Lobos do Leste, há 100 anos os lobos não são vistos nas montanhas japonesas de Higashi-Yoshino. Entretanto, Akira, um velho caçador, acredita no contrário. Para investigar o caso e provar que eles ainda existem, ele utiliza todos os recursos da Associação de Caçadores local, a qual é presidente, mas tal ação acaba causando sua demissão. Um ano após sua luta, um lobo é encontrado por membros da associação que decidem caçá-lo. Agora, Akira deve convencê-los a não matá-lo.



PJ Harvey: Um cão chamado dinheiro

Sinopse: Enquanto trabalha para desenvolver seu mais novo álbum, a cantora e compositora PJ Harvey passa por epifanias criativas e busca por novas inspirações. Documentada de perto, ela trilha uma jornada intimista ao redor do mundo para reunir todas as influências possíveis em sua próxima criação.


A Viúva das Sombras 

Sinopse: Um grupo de voluntários entra em uma densa floresta para resgatar um adolescente desaparecido e eventos sobrenaturais acontecem.

Christabel 

Sinopse: Filha única de um trabalhador rural, Christabel encontra uma mulher misteriosa trazendo paixão e liberdade.


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Cine Dica: Cinema Russo

A Balada do Soldado


Imperdivel........Exibições online e gratuitas de 22 longas incluem clássicos de Eisenstein, Bondarchuk, Kurosawa e Tarkovsky. O projeto “Cinema Soviético e Russo em Casa”, do CPC-UMES Filmes, retorna para uma segunda edição neste ano de 2021.

São 22 longas dos mais variados gêneros na programação deste semestre. Filmes de importantes diretores como Serguey Eisenstein, Grigori Chukhray, Karen Shakhnazarov e Andrei Tarkovsky. As exibições serão a partir de matrizes restauradas pelo próprio Estúdio Mosfilm, o maior e mais importante estúdio de cinema da Rússia.

O projeto “Cinema Soviético e Russo em Casa” é uma realização do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (CPC-UMES), que distribui e comercializa no Brasil, em DVD e Blu-Ray, Streaming, TV e Cinema os filmes produzidos pelo Estúdio Mosfilm.


Como funciona?

Cada filme estará disponível toda sexta feira a partir das 19h e poderá ser assistido até as 19h do domingo.

Para assistir o filme, basta acessar o canal CPC-UMES Filmes no Youtube no horário da exibição: 

http://bit.ly/CPCUMESFilmes

Aproveite e ative as notificações do canal para receber as novidades do CPC-UMES Filmes.

Confira a programação do primeiro semestre de 2021:


Janeiro

22/01 – ANNA KARENINA. A HISTÓRIA DE VRONSKY

29/01 – UM ACIDENTE DE CAÇA


Fevereiro

05/02 – DERSU UZALA

12/02 – ALEKSANDR NEVSKY

19/02 – VÁ E VEJA

26/02 – A ASCENSÃO


Março

05/03 – A BALADA DO SOLDADO

12/03 – QUANDO VOAM AS CEGONHAS

19/03 – TIGRE BRANCO

26/03 – O CAMINHO PARA BERLIM


Abril

02/04 – AMIGOS VERDADEIROS

09/04 – ESTAÇÃO BIELORRÚSSIA

16/04 – A PRISIONEIRA DO CÁUCASO

23/04 – A VIDA É MARAVILHOSA

30/04 – O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES


Maio

07/05 – ELES LUTARAM PELA PÁTRIA

14/05 – CIDADE ZERO

21/05 – O MENSAGEIRO

28/05 – BORIS GODUNOV


Junho

04/06 – ANDREI RUBLEV

11/06 – SOLARIS

18/06 – STALKER

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Vou Nadar Até Você'

Sinopse: A jovem fotógrafa Ophelia acredita ter descoberto quem é seu pai e sai de Santos, a nado, rumo a Ubatuba, onde espera encontrá-lo. Antes de partir, ela envia uma carta avisando que está a caminho. 

As vezes uma trama simples, ou até mesmo ruim, se sobressai quando o filme em si é moldado com um visual primoroso e que encobre os seus próprios defeitos. "Amor Além da Vida" (1998), por exemplo, é lembrado por ser uma história simples, mas que sobressaia graças ao seu primor visual. "Vou Nadar Até Você" transita entre uma trama que sozinha não se sustenta, mas que é compensado por possuir um dos melhores visuais do cinema nacional do ano.

Dirigido pelo fotografo Klaus Mitteldorf, o filme conta a história de Ophelia (Bruna Marquezine), uma jovem de 20 anos que vive com a mãe (Ondina Clais) e cresceu sem pai. Ela desconfia que ele seja Tedesco (Peter Ketnath), um artista plástico alemão que acaba de retornar ao Brasil. Decidida a encontrá-lo, ela envia uma carta avisando de sua chegada e que irá até ele nadando, a partir da ponte de Santos. Ao saber da chegada iminente, Tedesco pede a Smutter (Fernando Alves Pinto), seu grande amigo, que passe a acompanhá-la de perto.

Conhecido pelo ramo da fotografia, Klaus Mitteldorf faz uma espécie de declaração de amor a sua arte através do cinema e cujo os seus personagens podem ser, logicamente, seus halteres egos de sua pessoa. Embora estreante na cadeira da direção, é interessante as cenas em câmera lenta, das quais ele elabora, principalmente nas cenas em que a protagonista nada em direção ao seu objetivo. Ao mesmo tempo, a fotografia do filme sintetiza um alto grau de cores quentes, como se fossem em alguns momentos quadros pintados em movimento e se tornando os pontos altos do filme.

Isso tudo, porém, não é o suficiente para esconder uma trama que oscila entre o simples ao previsível, mesmo quando em alguns momentos ela consegue nos prender atenção devido umas passagens reveladoras com relação aos personagens e seus passados nebulosos. Outro fator determinante que faz com que o filme fique aquém do esperado é o seu próprio elenco, do qual alguns parecem estar no piloto automático. Bruna Marquezine está muito longe de ser uma grande atriz e cuja a sua atuação fica até mesmo ofuscada pelo desempenho dos atores Peter Ketnath e Fernando Alves Pinto e olha que eles nem fazem muito esforço em seus desempenhos.

O ato final em si coloca os personagens principais se colidindo e revelando os atos e consequências dos quais irão selar os seus destinos. Porém, talvez tenha faltado um pouco de coragem da parte do diretor na questão da finalização da história, mas que própria irá levantar algumas teorias para quem for assisti-la. Após encerramento, cada um terá que digerir do seu jeito e pensar sobre o que foi visto.

Com uma curiosa homenagem ao Super-8 no primeiro ato da trama,  "Vou Nadar Até Você" possui um dos mais belos visuais do cinema brasileiro do ano, mas cujo o recheio irá dividir a opinião de muitos. 

Onde Assistir: Google Play Filmes. 

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: 'Monster Hunter'

Sinopse: Tenente Artemis e seus soldados são transportados para um novo mundo. Lá, eles se envolvem em batalhas imponentes, buscando desesperadamente a sobrevivência contra bestas gigantes portadoras de habilidades surreais. 

Paul W.S. Anderson construiu uma carreira com filmes vertiginosos, esquecíveis, mas que conseguiram render aos cofres dos estúdios. A partir de "Mortal Kombat" (1995) ele não parou mais, ao realizar filmes classe B, mas que ganharam status de cult como no caso de "O Enigma do Horizonte" (1997) e "O Soldado do Futuro" (1998). Porém, tudo o que ele queria fazer do seu jeito foi na franquia "Resident Evil", iniciada em 2001 e somente encerrada em 2016 com o filme "Resident Evil 6 - Capitulo Final".

Baseado em uma série de vídeo games, a franquia foi sempre criticada pelos fãs pelo fato de o cineasta nunca seguir à risca em termos de fidelidade ao jogo. O que talvez tenha sustentado a franquia por anos foi justamente a presença forte de sua protagonista, Milla Jovovich, modelo profissional que começou a carreira como atriz no início dos anos noventa, se destacando no já clássico "O Quinto Elemento" (1997 e provando certo talento de interpretação em "Joana D'Arc de Luc Besson" (1999). Na franquia "Resident Evil" ela provou ter um bom porte físico em aguentar tanta correria, explosões, tiros e efeitos visuais duvidosos.

Casada com o diretor já alguns anos, não me surpreende ela ter sido escolhida novamente para atuar como protagonista em "Monster Hunter" (2020), filme baseado em outro jogo de vídeo game e o resultado não é muito diferente do que foi visto no passado. Baseado no jogo da Capcom chamado "Monster Hunter", o filme conta o que há por trás do mundo que conhecemos, onde existe um perigoso universo, com bestas gigantes e monstros perigosos que governam com total feracidade. Quando uma tempestade de areia transporta a Tenente Artemis (Milla Jovovich) e sua unidade para esse mundo, os soldados ficam em choque, descobrindo que o novo ambiente é o hostil lar de diversas criaturas perigosas, imunes ao seu poder de fogo. Batalhando por suas vidas, a unidade precisará de um milagre para se salvar da fúria desse inóspito novo local.

O filme é visualmente bonito, onde se explora bastante aquele universo cheio de detalhes e com criaturas bastante ferozes. Porém, o filme é uma verdadeira salada, principalmente para o cinéfilo de olhar mais atento que irá perceber que a obra é uma mistura de ideias tiradas de outros filmes, que vai desde "Guerra ao Terror" (2008), como também "Ataque dos Vermes Malditos" e "Reino de Fogo" (2002). Com relação em termos de ação ela é vertiginosa, onde os protagonistas não tem espaço para descanso e tão pouco para serem melhor explorados. São apenas mocinhos vs monstros poderosos e é basicamente isso.

Milla Jovovich está bem neste tipo de filme que se tornou rotineiro em sua carreira e sua personagem é basicamente a mesma coisa do que foi visto por anos na franquia "Resident Evil". O filme ganha pontos pela construção da amizade dela com o personagem Caçador, interpretado por Tony Jaa, mas o roteiro impede que isso vá mais a fundo, pois logo vem sempre uma ameaça moldada por efeitos visuais. Outro ponto lamentável é a presença do ótimo Ron Perlman, o eterno Hellboy, mas cujo o seu personagem tem poucos momentos em cena.

Com um previsível gancho para uma eventual continuação, "Monster Hunter" é apenas um convite para aqueles que não conhecem a história do vídeo game e arrisco dizer que o jogo pode ser até mais interessante.  


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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Eu Me Importo'

Sinopse: Uma curadora rouba dos clientes idosos sob seus cuidados. Mas sua última vítima guarda uma surpresinha que pode acabar com o esquema. 

Rosamund Pike se encaminha para ser uma espécie de representação da mulher que não leva desaforo para casa, nem que para isso vá até as últimas consequências. Talvez ela não venha ser isso na vida real, mas os seus personagens sintetizam esse meu pensamento e fazendo a gente amar e odiar as suas atuações ao mesmo tempo. Em "Garota Exemplar" (2014), por exemplo, ela interpretou uma personagem que não mediu esforços para fazer o seu marido comer na sua mão, pois ela não estava disposta a receber um não.

É claro que há aqueles que irão acusá-la de fazer o mesmo tipo de personagem, mas não há como negar que há uma aura de sedução em saber até onde as suas personagens chegam para obter certo lucro. Neste último caso, as suas personagens se tornam uma representação de tempos em que o mais forte sobrevive perante uma época em que quase todos são devorados pelo sistema capitalista e que para sobreviver é preciso dançar conforme a música. Neste caso, "Eu Me Importo" (2020) oscila entre o entretenimento e reflexão sobre tempos em que não se pode perder tempo em ser cordeiro, mas sim esperto como uma raposa e faminto como um lobo.

Dirigido por  J Blakeson, até então conhecido pelo fracasso "A 5ª Onda" (2016), o filme conta a história de Marla Grayson (Rosamund Pike) é uma renomada guardiã legal que gosta de ficar com pessoas idosas e ricas. Às custas da última, ela leva uma confortável vida de luxo. Quando ela pensa ter encontrado uma nova vítima perfeita, descobre que a mesma guarda segredos perigosos. Com base nisso, Marla vai ter que usar toda sua astúcia se quiser continuar viva.

Rosamund Pike é um desses casos em que atriz se casa com a parte técnica do filme, pois assim como "Garota Exemplar", as palavras de sua personagem aqui se misturam com uma edição de cenas ágil e que nos explicam como é feito o seu mundo. Além disso, a trilha sonora orquestrada por Marc Canham faz aumentar ainda mais a qualidade dessa dança visual, principalmente na meia hora inicial e da qual tem todos os ingredientes para odiarmos a personagem. Porém, a personagem de Rosamund Pike é, novamente, aquela típica figura em que você ama ou odeia, já que a sua explicação de como ganha a vida faz todo o sentido, mesmo quando sentimos também repulsa com relação a isso.

Com humor sombrio, o filme nos conquista já no primeiro ato e fazendo com que a gente nem se importe muito com os deslizes que virão ao longo dos próximos minutos. Isso ocorre principalmente quando surge em cena o mafioso Roman, interpretado com intensidade por Peter Dinklage e fazendo dele uma espécie de antagonista, quando na verdade não há heróis e vilões na história, mas sim pessoas comuns, porém, ambiciosas que usam métodos nada corretos para ganhar na vida. Por conta disso, o roteiro nos manipula para escolhermos ficar ao lado de Rosamund Pike, mesmo com todas as suas artimanhas que haviam sido apresentadas no início da trama.

Se por um lado essa indução compromete um pouco a história, do outro, isso faz com que mexa com os nossos sentimentos, principalmente com relação aqueles que sempre enxergaram o mundo simplificado entre o bem e o mal. Essa simplicidade pode até ser introduzida em blockbuster, mas quando a proposta é de nos puxarmos da nossa zona de conforto sempre haverá aqueles que ficarão com o sentimento embaralhado. O final, aliás, pode até ser acusado por alguns de que os realizadores usaram o termo "aqui se faz aqui se paga", mas isso não tira o fato que o circo das aparências em adquirir lucro através do mais fraco sempre estará ali independente de quem lidera.

"Eu Me Importo" nos esfrega na cara de que é preciso sermos ambiciosos para sobrevivermos em um mundo camuflado do faz de conta, quando na verdade ele é muito mais complexo do que a gente imagina. 

Onde Assistir: Netflix. 

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Cine Dica: 'Novo Cinema Iraniano'

 Apresentação

O Curso online Novo Cinema Iraniano, ministrado por Pedro Garcia, propõe uma revisão geral do cinema contemporâneo do Irã, além de um resgate histórico dos principais momentos da produção cinematográfica daquele país. Os principais filmes dos cineastas mais destacados serão analisados e discutidos à luz do contexto político local e do contexto mais amplo de valorização da estética realista e de questionamentos sobre os limites da arte na atualidade.

Na década de 2010 o Irã foi o único país a conquistar dois Oscar de filme internacional, em 2012 e 2017, o que é um forte indicativo do prestígio alcançado pela produção cinematográfica daquela nação. Participações bem-sucedidas nos principais festivais do planeta desde a década de 90 reforçam ainda mais a visibilidade e a qualidade de uma das mais destacadas cinematografias nacionais da atualidade.

O cinema iraniano encontra suas origens ainda na virada do século 19 para o século 20, mas se desenvolve principalmente a partir dos anos 60, período que assinala o marco inaugural do chamado Novo Cinema Iraniano. Fortemente afetada pelas convulsões políticas ocorridas no país, sobretudo quando a Revolução Islâmica de 1979, a produção cinematográfica ganha um impulso definitivo a partir da segunda metade da década de 80, que se consolida mundialmente com a Palma de Ouro de Cannes em 1997 para O Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami. Além dele, que se tornou um nome fundamental da sétima arte, inúmeros outros autores se destacaram nos últimos anos.

Dentre os autores que serão estudados estão:

Dariush Mehrjui, Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbaf, Jafar Panahi, Ebrahim Forouzesh, Majid Majidi, Samira Makhmalbaf e Asghar Farhadi.

Curso online

NOVO CINEMA IRANIANO

de Pedro Garcia

Datas

27 e 28 de Fevereiro (sábado e domingo) - 14h às 16h

Material

Certificado de Participação

Investimento

R$ 95,00

Forma de pagamento

- Cartão de Crédito (em até 12x)

Informações

cineum@cineum.com.br  /  Fone: (51) 99320-2714

Inscrições

http://cinemacineum.blogspot.com/2021/02/novo-cinema-iraniano.html

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Malcolm & Marie'

Sinopse: Ambientado em apenas uma noite, o filme acompanha as conversas e tensões crescentes de um casal formado por um cineasta em ascensão (John David Washington) e sua namorada atriz (Zendaya). 

Mike Nichols fez escola no cinema ao nos brindar com filmes em que retratava de forma realista a crise de um relacionamento. "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" (1966) foi o pontapé inicial do cinema norte americano ao sair da bolha do mundo perfeito que tanto os próprios passavam para o público e abrindo caminho para um cinema mais cru que viria nos anos seguintes dominado pela fase da “Nova Hollywood”. Porém, o que mais chama atenção nestes filmes é a sua limitação, ou seja, filmes que mostram uma história em um único cenário e deixando tudo muito mais tenso.

O cinema recente, por exemplo, nos brindou com filmes cuja as histórias se passavam em um cenário limitado e que, ao mesmo tempo, traziam elementos vindos do próprio cinema de Mike Nichols. Se por um lado Roman Polanski uniu essas duas fórmulas em "Deus da Carnificina" (2011), do outro, o filme francês "Qual É o Nome do Bebê" (2012) unia humor com as questões dos relacionamentos atuais em frangalhos. É aí que chegamos a "Malcolm & Marie" (2021), filme que se torna uma verdadeira montanha russa na medida em que os demônios interiores do seu casal central são colocados para fora.

Dirigido por Sam Levinson, da ótima série "Euphoria" (2019), o filme é ambientado em apenas uma noite, onde acompanhamos as conversas e tensões crescentes de um casal formado por um cineasta em ascensão chamado Malcolm (John David Washington) e sua namorada atriz Marie (Zendaya). Durante a conversa sabemos que eles estão voltando da festa de lançamento do seu filme, porém, Marie começa agir de uma forma estranha. A partir daí começa o jogo de gato e rato entre os dois.

Sam Levinson ganhou notoriedade com a série "Euphoria" e sendo produtor do elogiado "Pieces of a Woman" (2021). Em ambos os casos, são filmes que exploram ao máximo o lado psicológico dos seus personagens em momentos de tensão e de como são frágeis as barreiras que separam a sanidade do total descontrole. Neste último caso, ele é bastante contido em "Malcolm & Marie", porém, isso não diminui a tensão que vai crescendo na gente na medida em que o filme avança.

Na abertura, aliás, já dá sinais do que iremos testemunhar, onde o diretor cria um plano-sequência que faz com que não percamos o casal central de vista, mesmo quando ambos os casos estejam bastante distantes um do outro. Ao mesmo tempo, a bela fotografia em preto e branco me fez lembrar do subgênero “filmes noir”, onde era retratado mulheres fatais em casos policiais. Curiosamente, aqui não há caso policial, mas não deixa de ser curioso como em alguns momentos a tensão vai aumentando e não devendo em nada a esse subgênero.

Talvez, o que colabora ainda mais para ficarmos na expectativa com relação ao que irá acontecer, é pelo fato de o diretor focar em alguns momentos os rostos dos dois protagonistas, principalmente em momentos em que ambos dão uma pausa sobre o que estão falando e nos passando a sensação de que estão arquitetando sobre o que irão dizer na próxima fase conflito. A união perfeita de técnica com atuação de cena e da qual ganha a nossa atenção do começo ao final dela.

Fora o fato de testemunharmos um casamento em crise, é curioso observar como o filme dá espaço também ao criar uma crítica ácida contra a própria Hollywood, da qual se sustenta com filmes de grandes proporções, mas não dando muito espaço ao cinema autoral. Em um determinado momento, por exemplo, Marnie compara os cineastas como prostitutos, que precisam se vender ao sistema hollywoodiano para assim só depois dizer para o que veio. Um momento hilário, para não dizer trágico.

Fora a arte técnica orquestrada pelo cineasta, é notório salientar que o filme realmente funciona graças ao talento de ambos os interpretes em cena. Desde "infiltrados na Klan" (2018) John David Washington saiu da sombra do pai e nos brinda com atuações dignas de nota e provando que irá tão longe quanto o seu parentesco. Já Zendaya teve a sorte de obter os dois mundos, tanto do grande público, atuando nos dois últimos filmes do "Homem Aranha", como também obras autorais como "Euphoria" e se tornando o mais novo talento hollywoodiano.

Ambos em cena há um duelo verbal e quase físico, mas cuja as ações são contidas para jamais gerar nenhuma tragédia. Em determinado momento, por exemplo, Marie coloca Malcolm e nós em situação de encurralados, para depois ser revelado o seu lado engenhoso perante uma situação em que ela e ele estão jogando para procurar quem está com a razão com relação ao conflito. O que se tem é um jogo em que ambos revelam o seu lado pretensioso, tanto com relação ao relacionamento, como também ao universo hollywoodiano em que estão convivendo.

Acima de tudo, é um filme que sintetiza o desgaste dos relacionamentos, sejam eles matrimoniais ou não e cujo o individualismo está cada vez mais forte nestes tempos atuais. Os minutos finais ficam em aberto, mas dando a entender que, tanto o casal visto da tela, como os demais do mundo real, precisa se ajustar aos novos tempos e dos quais os mesmos estão cada vez mais confusos. Talvez os relacionamentos atuais não sejam duradouros, mas o que importa é saber o do porque eles começaram e manter ao menos isso de precioso.

"Malcolm & Marie" é um jogo de talentos, luz e trevas sobre os relacionamentos cada vez mais complexos deste mundo contemporâneo.  

Onde Assistir: Netflix

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (19/02/21)

 Nona - Se me Molham eu os Queimo

Sinopse: Aos 66 anos de idade, Nona (Josefina Ramirez) decide finalmente vingar-se de seu ex-amante e comete um atentado que a obriga a fugir para que não seja presa. 


Monster Hunter

Sinopse: Paralelo ao nosso mundo, existe outro: um mundo de poderosos e perigoso monstros que controlam seus territórios com ferocidade mortal. Quando uma inesperada tempestade de areia transporta a Tenente Artemis (Milla Jovovich) e seu esquadrão (TI Harris, Meagan Good, Diego Boneta) para um novo mundo, os soldados se chocam ao descobrirem que esse ambiente desconhecido e hostil é o lar de enormes e assustadores monstros que são imunes ao seu poder de fogo.


New Life S.A.

Sinopse: Augusto (Renan Rovida) é um arquiteto bem-sucedido, no comando da construção de um novo condomínio de luxo em Brasília.

Notre Dame

Sinopse: Maud Crayon, arquiteta e mãe de duas crianças, conquista – graças a um mal-entendido – o grande concurso promovido pela prefeitura de Paris para reformar o pátio diante da catedral de Notre-Dame.


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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: ‘O Paraíso Deve Ser Aqui’

Sinopse: Elia Suleiman deixa sua terra natal, na Palestina, e viaja pelo mundo apenas para encontrar, por onde passa, os mesmos problemas que encontrava lá. 

Não conhecemos a Palestina como ela é realmente, mas sim somente pelos noticiários, ou pela imagem estereotipada que o cinema norte americano fica retratando-a ao longo dos anos. Uma coisa é enxergamos os países do mundo a fora de acordo como os nossos governantes, ou meios de comunicação, nos vendem com relação aquela cultura, mas que faz com que obtemos somente a superfície dela. “Paraíso Deve Ser Aqui” fala sobre um tema universal, do qual as culturas podem ser distintas uma da outra, mas o dia a dia pode haver mais semelhanças do que a gente imagina.
Dirigido por Elia Suleiman, o filme conta a história dele mesmo, que decide deixar a sua terra natal da Palestina e viaja pelo mundo apenas para encontrar, por onde ele passa, os mesmos problemas que encontrava lá. De Paris à Nova York, por onde suas viagens o levam, ele encontra problemas com a polícia, racismo, controle de imigração. Tentando deixar sua nacionalidade para trás, mas sempre sendo lembrado dela, ele questiona o significado de identidade e o lugar que se pode chamar de lar.
O prólogo do filme já nos deixa uma pista sobre o que iremos testemunhar ao longo do filme, onde se sintetiza o papel da igreja e como ela influencia o dia a dia das pessoas. Suleiman observa as pessoas e seus costumes de sua terra natal, mas que, curiosamente, são situações que nos soam familiares e nenhum pouco diferente do que vemos do lado de cá da tela. É como se o cineasta nos dissesse que os problemas, seja eles vindo do conservadorismo, ou meios políticos, são todos iguais ao redor do globo, mas mesmo assim ele decide sair pelo mundo a fora e nos convidar nessa grande jornada.
Ao adentrar na cidade de Paris, Suleiman encara uma nova realidade, onde as mulheres, por exemplo, possuem mais liberdade, muito embora não deixam de ser objetos de desejo e controle que os homens tanto almejam obter como um todo. Um país onde se acolhe inúmeros povos, mas que não esconde o desejo pelo controle e tão pouco esconde a separação entre as classes. Tudo isso sendo moldado de uma forma estereotipada, porém, crítica que o cineasta faz com relação a cidade da luz, mas isso nada se compara com a sua chegada em Nova York.
Sendo visto como uma espécie de maravilha rara por um taxista, o cineasta revela uma sociedade norte americana ingênua com relação a Palestina, ou até mesmo com relação a qualquer nação que ela não sabe ou não quer compreendê-la. Em contrapartida, o humor ácido domina nesta fase em território gringo, onde em um sonho, por exemplo, Suleiman enxerga uma sociedade norte americana totalmente armada e paranoica, sendo algo que não foge muito do sonho desejado pelo presidente Donald Trump hoje em dia. Em sua reta final, constatamos que o cineasta não poderá obter a chance de falar sobre a sua Palestina em uma produção norte americana, pois vai contra a ideia que a sociedade opta em se alimentar e tão pouco quer saber do que realmente se passa por lá, a não ser se for do modo já conhecido, ou seja, estereotipado.
Em seus minutos finais Elia Suleiman faz algo de acordo com a ideia que o norte americano tem em mente, ou seja, é o nada ou o lado bidimensional sobre a sua pessoa e seu país de origem. Ao vermos o cineasta de volta as suas raízes, constatamos, enfim, que a Palestina nada mais é do que um lugar em que facilmente podemos nos identificar, pois seus problemas com relação à economia, machismo e conservadorismo não são muito diferentes do nosso e tornando a cena final simbólica como um todo. “O Paraíso Deve Ser Aqui” fala sobre a busca de um lugar perfeito, quando na verdade ele não existe e fazendo a gente valorizar cada vez mais as nossas próprias raízes.

Onde assistir: Locação pelo Youtube ou Google Play Filmes.
 
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Cine Dica: Streaming: 'El Desayuno'

O cineasta colombiano, Cristian Arcos Cerón, obteve o Primeiro Lugar no XI Festival Internacional de Curtas da China, com sua obra "El Desayuno", na categoria Prêmio Observação Especial de Curtas - Seção Anti Covid-19/Pandemia.

Fevereiro de 2021.

Confira o curta pelo Youtube abaixo


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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'A Caminho da Lua'

 Sinopse: Estimulada pelas histórias da mãe, Fei Fei decide construir uma nave espacial para ir até a Lua e comprovar a existência de uma lendária deusa. Assista o quanto quiser.

Se tem um legado que os estúdios Pixar irão deixar para história é pelo fato deles obterem atenção tanto dos pequenos como também dos adultos. Com personagens carismático, os seus filmes possuem nas entrelinhas um conteúdo adulto e do qual atraiu sempre um público mais velho. Embora não seja pertencente ao estúdio, "A Caminho da Lua" segue essa cartilha de sucesso, ao nos apresentar uma trama com um universo colorido, mas que fala de assuntos delicados e dos quais os adultos compreendem muito.

Dirigido por Glen Keane e  John Kahrs, colaboradores no passado dos estúdios Disney, em “A Caminho da Lua”, depois de ter finalizado a construção de uma engenhosa nave espacial, a jovem Fei Fei embarca para a lua para provar ao seu pai a existência de uma deusa mística que habitaría no astro. Chegando ao seu destino. a jovem descobre criaturas fantásticas que a ajudarão a completar sua missão e retornar para a terra sã e salva.

Ao ser uma trama que se passa na China, o primeiro ato é carregado de imagens que sintetizam a mitologia de lá, do qual o desenho tradicional com animação gráfica caminha de mãos dadas. Aliás, é já no primeiro ato que surgem os dilemas que Fei Fei terá de enfrentar, desde ao fato de perder um ente querido, como também aceitar as mudanças que a vida lhe dá. A questão de saber lidar com a perda e ter de aceitar os novos rumos da vida é um prato cheio para qualquer adulto que acompanha os seus filhos para assistir uma obra como essa.

Se o recheio é complexo para os adultos, por outro lado, o visual é um verdadeiro colírio para os olhos dos pequenos. A partir do momento que a realidade dá espaço para a fantasia, o filme ganha um visual extraordinário e multicolorido, onde as tradições, lendas e a cultura Chinesa explodem na tela e se misturando com a proposta principal da obra. Logicamente, há sempre personagens fofinhos, sejam aqueles para somente encher a tela, como também ter um papel primordial na história.

Claro que haverá muitas meninas por aí que irão se identificar e muito com a jovem Fei Fei. Porém, ao invés do discurso sobre o feminismo, o filme foca mais nas questões do lado cientifico vs fantasia, mas que ambos os casos podem sim andar de mãos dadas. Os que forem assistir a obra, por exemplo, poderão acreditar que a jornada de Fei Fei realmente aconteceu, ou que simplesmente ela caiu na toca do coelho e se vocês conhecem o clássico "Alice No País das Maravilhas" sabem muito bem do que eu estou falando.

"A Caminho da Lua" é sobre fantasia´, fé e os dilemas que a vida adulta nos dá. 

Onde Assistir: Netflix. 

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Cine Dica: Cine Clube Sesc Canoas: "Umbrella" e "Ba"

 


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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Cine Debate: 'Rede do Ódio'

Próximo encontro do CINE DEBATE – FILMES PARA PENSAR A VIDA será no dia 23.02.2021 (terça-feira) das 19h às 20h 30min vamos discutir/comentar o filme: Rede do ódio com mediação de Eduardo Fernandes Sarturi.

O filme está disponível na Plataforma do Netflix.

Mais informações e como participar da live entrar em contato com Emilia Bottini clicando aqui. 

Confira a minha crítica sobre o filme clicando aqui. 

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'O Tigre Branco'

Sinopse: A trajetória de Balram (Adarsh Gourav), um jovem indiano que nasceu em meio à miséria e que foi ensinado desde pequeno que seu destino era escolher um grande marajá para servir até o fim com muita lealdade. 

Embora o mundo tenha conhecido mais de perto a realidade atual da Índia através do filme "Quem Quer Ser Um Milionário?" (2008), convenhamos, o final foi romanceado para agradar as plateias do ocidente que gosta de comprar a ideia da superação positiva perante os obstáculos da vida. Porém, nos últimos tempos, cada vez mais se percebe que não há como esconder a realidade em que vários países começam a sentir os efeitos negativos do sistema capitalista e filmes como "Coringa" (2019) e "Parasita" (2019) cada vez mais se tornam símbolos cinematográficos sobre o caminho sem volta de uma sociedade cada vez mais sufocada e sem para onde ir, a não ser se vender ao poder para sobreviver. Aliás, essa minha última observação se casa com a proposta do filme "O Tigre Branco" (2021), do qual o indivíduo comum não deseja pertencer mais ao abate, mas sim pular do galinheiro e se tornar em definitivo o chefe.

Dirigido por Ramin Bahrani, o filme é baseado no best-seller escrito por escrito por Aravind Adiga, que conta a história de um ambicioso motorista indiano chamado Balram (Adarsh Gourav) que decide sair do seu vilarejo e crescer na vida sendo motorista de uma família poderosa. Durante o percurso, ele usa toda a sua astúcia e sagacidade para escapar da pobreza e se libertar de sua vida de servidão a patrões ricos. Contudo, há um alto preço a ser pago.

Com narração off, acompanhamos a trama através das palavras do protagonista que, curiosamente, começa a olhar para nós e assim quebrar a quarta parede. Sendo usado com cada vez mais frequência no cinema, a quebra da quarta parede serve aqui mais para ficarmos lado a lado do protagonista, como se houvesse um desejo pelo mesmo em querer que a gente entenda o seu ponto de vista sobre sua história e para assim abraçarmos a sua causa. Não é preciso muito esforço, já que o diretor faz questão em criar um verdadeiro contraste entre a vida que o protagonista havia passado com a realidade cheia de frutos do qual ele tanto deseja adquirir como um todo.

Tecnicamente o filme é um colírio para os olhos, onde a edição é frenética e jamais cansativa, se casando com uma trilha sonora que empolga e cuja a fotografia foge dos clichês hollywoodianos e nos brindando com um visual limpo e cru sobre a realidade do povo indiano. Mas o filme não seria nada se não fosse pelo grande desempenho de  Adarsh Gourav, cujo o olhar do seu personagem transmite certa inocência perante a realidade em sua volta, mas aprendendo de formas duras como sobreviver perante a ela. O tigre branco, aliás, faz referência ao felino com pelos brancos que raramente nasce por lá, mas ao mesmo tempo interligando com o indivíduo comum que se destaca no meio da multidão.

Porém, se destacar na multidão é preciso certos sacrifícios, ao ponto de o protagonista chegar a vender a alma ao Diabo. Contudo, há uma famosa frase do jornalista David Brinkley que se casa com a proposta principal do filme: "Um homem de sucesso é aquele que cria uma parede com os tijolos que jogaram nele". O protagonista, portanto, vai guardando os tijolos, mas não para somente erguer um muro, como também sujar as suas próprias mãos em alguns momentos.

Embora se passe na Índia, o filme de uma forma simples se cruza com realidade atual de todo o globo, onde testemunhamos os governos do ocidente, principalmente do norte americano, se afundando no próprio império capitalista que haviam construído. Enquanto isso, a China dá o seu recado como potência atual super poderosa e a mensagem final do filme é desconcertante pois ela é realista mesmo quando um negacionista tenta não querer enxergar ela. Algumas palavras do protagonista chegam até mesmo ser proféticas e fazendo o filme se alinhar com esses tempos indefinidos em que todos nós vivemos.

Com um minuto final que se assemelha a filmes como "O Lobo de Wall Street" (2013) e "Um Toque de Pecado" (2013), "O Tigre Branco" entra fácil na lista dos melhores filmes do ano, ao escancarar a dura realidade de que nós pertencemos ao abate do sistema capitalista e que para sobreviver é preciso se vender ao poder dela.   

Onde Assistir: Netflix  

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