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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: 'Legalidade' - Problemático, Mas Necessário

Sinopse: Em 1961, o governador Leonel Brizola lidera um movimento sem precedentes na história do Brasil: a Legalidade. Lutando pela constituição, mobiliza a população na resistência pela posse do presidente João Goulart. 

Nos últimos tempos, adaptar a vida de uma figura política não tem sido nada fácil, pois na maioria dos casos, o interprete fica preso naquela figura histórica e ficando até mesmo difícil de inventar alguma coisa de especial em cena. Em “Getúlio”, por exemplo, Tony Ramos parecia estar no piloto automático ao interpretar um dos maiores ícones da nossa história política e fazendo o filme valer mais pela sua boa reconstituição de época. É aí que chegamos em 'Legalidade', filme com diversos problemas, mas também com algumas qualidades que merecem ser vistas e debatidas hoje em dia.
Dirigido por Zeca Brito, do filme "97 Era Assim"(2018), o filme se passa no ano de 1961, quando Jânio Quadros renuncia à presidência do Brasil, o vice-presidente João Goulart torna-se o sucessor natural ao cargo, porém, setores da sociedade, liderados pelos militares, clamavam pelo impedimento da posse de Jango, temerosos de suas posições de esquerda. Liderado por Leonel Brizola (Leonardo Machado), o movimento Legalidade é criado para garantir a posse do vice-presidente, colocando grande parte do Rio Grande do Sul contra o núcleo do exército.

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Zeca Brito foi feliz na reconstituição da Porto Alegre de 1961, mesmo com poucos recursos à disposição. Ao invés de criar grandes cenários para reconstituir os fatos, o cineasta usa os verdadeiros monumentos históricos da cidade de Porto Alegre para moldar a sua história, usando assim planos fechados e esconder o ambiente atual de nossa cidade. Não deixa de ser surpreendente, por exemplo, a cena em que se passa na Igreja Nossa Senhora das Dores e comprovando o perfeccionismo e esforço do cineasta como um todo.
Além disso, devido à falta de recursos, os realizadores também foram sábios ao usarem registros históricos da época, cuja as imagens reais se entrelaçam com as cenas reconstituídas e criando assim um interessante jogo de cena entre fatos históricos e ficção. Esses momentos, aliás, se tornam bastante ricos se for comparado por situações que mais parecem que foram inventadas para melhorar na dramaticidade da trama, mas que fica difícil de engolir algumas delas: a cena em que se passa em um aeroporto em Canoas sintetiza muito bem essa dúvida.
Falando em invenções, as subtramas inseridas dentro da trama principal se tornam o ponto mais negativo na obra como um todo. Em meio à turbulência política e social, um triângulo amoroso é formado entre Cecília (Cleo Pires), Luis Carlos (Fernando Alves Pinto) e Tonho (José Henrique Ligabue) e fazendo disso uma espécie de versão de “Casablanca” mas de muito mal gosto. Mas, se por lado Cleo Pires se apresenta em cena com uma de suas piores atuações de sua carreira, em contrapartida, Fernando Alves Pinto faz o que pode numa interpretação convincente em uma subtrama monótona e dispensável.
O filme só não vai ladeira abaixo graças a presença de Leonardo Machado na pele de Leonel Brizola. No ato final da trama, por exemplo, há o famoso discurso do governador na época e que fez muitos gaúchos se levantarem contra o possível golpe que poderia acontecer a qualquer momento naquele período. Curiosamente, Machado imita com exatidão a voz do falecido político e faz com ela se case muito bem nos momentos em que a voz do verdadeiro Brizola entra em cena.
É um momento que, particularmente, eu acho que possui uma grande força perante os tempos de hoje em que políticos tentam ser fortes com fake news mas que jamais chegaram aos pés dos verdadeiros líderes políticos. Mesmo tendo somente o recurso do rádio naqueles tempos longínquos, Brizola mobilizou vários gaúchos em acreditar em uma ideia, de um país livre de um possível golpe e de fortalecer a democracia acima de tudo. Infelizmente a vida dá voltas para quem vive no Brasil e cabe seguirmos exemplos como de Brizola para que o mal atual que nos governa não piore as nossas vidas.
"Legalidade" é um filme de altos e baixos, mas cuja mensagem principal é mais do que necessária para tempos atuais e nebulosos.   





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