Sinopse: Na esperança de um novo começo, uma jovem se torna empregada doméstica em tempo integral para um casal rico que abriga segredos sinistros.
O livro "Cinquenta Tons de Cinza", da escritora E. L. James, serviu para revelar uma parcela de uma sociedade que gosta de um teor politicamente incorreto e moldado pelo universo materialista que pode lhe oferecer. Contudo, houve aqueles críticos acusando a obra, já que muitas mulheres não são exatamente submissas a esse tipo de relacionamento problemático. "A Empregada" (2025) dá continuidade a esse círculo, mas revelando que todo ato terá uma consequência em um futuro próximo.
Dirigido por Paul Feig, e baseado na obra de Freida McFadden, o filme conta a história de uma jovem chamada Millie Calloway (Sydney Sweeney), sendo que ela um passado nebuloso e que procura recomeçar ao se candidatar para trabalhar como empregada doméstica. Ela é contratada por Nina (Amanda Seyfried) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar), um casal milionário com atitudes estranhas e o trabalho se mostra muito mais difícil do que imaginava. Não demora muito para Millie descobrir que está se envolvendo em um jogo de abuso e poder.
O diretor Paul Feig possui uma predileção ao fazer filmes que exploram o universo feminino, principalmente quando o assunto é comédias e das quais ele havia nos brindado no passado, como foi no caso de "Missão Madrinha de Casamento" (2011). Porém, foi a partir de "Um Pequeno Favor" (2018) que o realizador decidiu dar espaço para para si ao experimentar o universo do suspense, mas não deixando de lado umas pinceladas de humor ácido e do qual consegue com certo desempenho. Ao embarcar na realização de "A Empregada" , o cineasta teve a missão ingrata de dirigir uma adaptação de um livro de grande sucesso, mas cujo saldo até que se torna positivo.
Para começar é preciso reconhecer que ele constrói o cenário principal como se fosse o paraíso para toda mulher que sonha em obter status. Porém, já no início ele nos transmite também que toda a perfeição tem o seu lado peculiar, pois tudo que vem fácil tem um grande preço a se pagar. É então que o casal central daquela casa já nos diz que há algo errado no ar e muito disso se deve a um dos seus respectivos intérpretes.
Fico feliz em rever a atriz Amanda Seyfried depois de algum tempo, já que eu a acompanho desde a série "Big Love" e de lá para cá ela prova que não tem somente um rosto bonito. Na trama, Seyfried interpreta uma Nina imprevisível, desequilibrada e prestes a explodir a qualquer momento. Porém, a personagem ganha contornos que nada se deve ao que foi visto em filmes como "A Garota Exemplar" (2014) e tudo se torna mais verossímil graças ao desempenho da atriz.
Já Sydney Sweeney constrói uma personagem ambígua, já que ela nos conduz aquela história, mas nos dando a entender também que há algo a mais no seu passado que precisa ser revelado. A mesma não esconde os seus desejos, mesmo quando ela luta para serem contidos. Sweeney se esforça portanto ao interpretar uma personagem que funciona muito melhor nas páginas de um livro do que em sua adaptação para o cinema propriamente dito.
Porém, Brandon Sklenar é o ponto mais falho do elenco, já que ele não se esforça muito em esconder que o seu Andrew Winchester não é flor que se cheire e uma vez que ele obtém as suas investidas com relação a Millie não nos surpreende. O ator nada mais faz do que interpretar o típico macho alfa que obtém tudo, ao atrair as mulheres que desejam prazer e poder, mas a partir do momento que ele nos revela a sua verdadeira essência o impacto da revelação não nos soa como espanto, mas sim como algo que já estávamos esperando. E o que dizer do personagem Enzo interpretado pelo ator Michele Morrone que de tão inútil poderia ter sido facilmente descartado do roteiro.
Paul Feig, portanto, tira leite de pedra ao adaptar um livro que vai de contramão a tudo que havia sido pregado "Cinquenta Tons de Cinza", o que não quer dizer muita coisa. Eu enxergo "A Empregada", tanto o livro como a sua adaptação, como uma espécie de representação sobre o amadurecimento de uma parcela da sociedade que não se enxerga mais dentro daquele universo literário escrito por E. L. James. Tanto o livro como o filme possuem as suas irregularidades, mas ao menos servem como resposta e suspiro de alívio para as mulheres que lutaram contra esse endeusamento doentio.
"A Empregada" é uma adaptação eficaz da obra de Freida McFadden, mesmo com todas as suas imperfeições e das quais não consegue esconder.
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