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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cine Dica: Em Cartaz: Terapia de Risco



Sinopse: A trama gira em torno da jovem Emily Hawkins (Rooney Mara), que acaba de ver o marido (Channing Tatum) ser libertado da prisão por um crime de colarinho branco. Mesmo aliviada, Emily tem crises de depressão e busca a ajuda de medicamentos prescritos para conter a ansiedade. Ela também busca amparo num tratamento psicológico, lidando com  profissionais (Jude Law e Catherine Zeta-Jones). O tratamento, por mais que comece de forma positiva, vai gerar consequências inesperadas na vida da jovem.

A quem diga que Terapia de Risco seria o ultimo filme de Steven Soderbergh, pois o próprio alega que está muito cansado e que gostaria de encerrar com sua carreira de cineasta. O caso, que isso já faz alguns anos que ele fica dizendo isso, e nesse meio tempo, ele tem lançado pelo menos dois ou três filme por ano, sendo que às vezes até mesmo eu me perco sobre o que já foi lançado dele (o ultimo que eu vi no cinema foi Contagio). Caso esse venha ser o seu ultimo filme, pelo menos ele fecharia a carreira com estilo, pois embora não seja uma obra prima, o filme possui todos os ingredientes que fizeram a sua carreira decolar desde Sexo, Mentiras e Video tape.  
Embora seja com um elenco pequeno (diferente de outras obras como 11 Homens e um segredo), o filme não deixa de ser uma teia de inúmeros eventos, a partir do momento que a protagonista Emily (Rooney Mara) passa a sofrer de depressão e pede ajuda a um psiquiatra (Jude Law), que por sua vez recorre a uma amiga e psiquiatra (Catherine Zeta-Jones) para testar na paciente um novo antidepressivo que estão testando. O caso que tudo ocorre de uma forma inesperada e Emily acaba matando o seu próprio marido (Channing Tatum) num momento que parecia estar em sonambulismo, ou efeito do remédio. Do inicio até a metade do filme, o que assistimos é um verdadeiro jogo de cenas, onde o cineasta cria, o que parece ser um verdadeiro retrato sobre até onde a depressão de uma pessoa pode levar, mas nem tudo é o que parece.
Na realidade o primeiro ato é a construção de um palco, onde os protagonistas (aparentemente) se apresentam como eles são. Mas a partir do segundo ato, Soderbergh cria uma verdadeira cebola de tamanho gigante, aonde aos poucos ele vai descascando-a e revelando a verdadeira personalidade de cada um dos protagonistas e fazendo com que tudo que imaginávamos até então fique do avesso. Com isso, é preciso dar palmas para Rooney Mara e Jude Law, pois se no principio eles se apresentam de uma forma, aos poucos seus personagens vão crescendo de tal forma, que a imagem da qual ambos tinham  no principio, se torna cada vez mais distante quando eles começam a mudar radicalmente.
O curioso é observar, que como Soderbergh gosta de fazer filmes da sua autoria, mas que ao mesmo tempo não perde a oportunidade de fazer uma critica pessoal de determinado assunto. Se em Traffic ele escancara a verdadeira torre de Babel sobre o trafico de drogas, aqui ele mostra o submundo sobre o universo farmacêutico e como eles tratam os seus pacientes como se fosse gado, fazendo de tudo para que eles tomem os remédios novos que eles vão lançando ao longo dos anos. Podemos interpretar o filme também como uma espécie de continuação de Contágio, pois tanto neste como naquele, o cineasta soube muito bem retratar a hipocrisia daqueles que controlam os remédios perante a uma situação inexplicável, seja vinda de um vírus ou até mesmo de uma doença mental.

Embora o final decaia um pouco em soluções fáceis, isso não é o suficiente para tirar o brilho desse filme elegante, eficiente e que nos prende atenção do inicio ao fim. Se for a aposentadoria do cineasta, então ele encerrou suas atividades com honras.   

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