Sinopse: Drama ambientado nos anos 1950 sobre a ascensão de Marty Reisman, um excêntrico prodígio do tênis de mesa em Nova York.
Josh Safdie e Benny Safdie chamaram atenção da crítica e do público através do ótimo "Bom Comportamento" (2017), um filme frenético e que provou que o ator Robert Pattinson sabia atuar como ninguém. Porém, neste último ano, ambos decidiram que cada ia fazer o seu próprio filme, sendo que Benny Safdie fez o divisível, porém que vale a pena ser conferido, "Coração de Lutador: The Smashing Machine" (2025). Josh Safdie, por sua vez, lançou "Marty supreme" (2025), filme que possui todos os ingredientes de sucesso que já foram vistos nos filmes anteriores e se tornando uma obra que vale cada centavo para ser vista no cinema.
Na trama, Marty Reisman (Timothée Chalamet) é um malandro que deseja se tornar uma lenda no jogo de tênis de mesa. Decidido em ser o que realmente deseja, ele vive em jogar pelo dinheiro das apostas em Manhattan, onde acaba se tornando campeão em mais de mais de 22 competições de pingue-pongue. Porém, o seu sonho é ser o número um da categoria e não medirá esforços para obter o seu principal objetivo, nem que para isso tenha que roubar e enganar as pessoas próximas a ele.
Assistindo ao filme logo me veio o já citado "Bom Comportamento", pois em ambos os casos os protagonistas se metem em situações que beiram ao absurdo, mas que acabam não desistindo enquanto não alcançarem os seus objetivos. Marty anseia em realizar os seus sonhos, mas sempre tendo um obstáculo que o faz se meter nas piores arapucas que um malandro não gostaria de se meter. Por conta disso, vemos ele engravidar a melhor amiga, se envolver com uma atriz veterana, roubando dinheiro do seu patrão e levantando promessas que nunca serão cumpridas.
O resultado é um filme quase vertiginoso, onde a câmera do cineasta acompanha o protagonista quase o tempo todo, com o direito de uma edição de cenas fantásticas e que acabam se tornando uma das melhores do ano. Vale destacar que esse é sem sombra de dúvida o maior filme do estúdio A24, pois temos uma dimensão disso graças a uma reconstituição de época primorosa e que se casa com perfeição com uma fotografia digna de nota. Não é todo dia que um pequeno estúdio faz um trabalho tão bom quanto um estúdio veterano que se perde em projetos de grandes orçamentos.
Timothée Chalamet entrega aqui o que talvez seja a melhor atuação de sua carreira, pois o seu Marty é uma pessoa mesquinha, egoísta, que só pensa em si mesmo e pisando em todos aqueles que se encontram em seu caminho. Porém, se percebe que no fundo ele não é exatamente uma pessoa ruim, mas sim moldada de acordo com o mundo real em sua volta e cuja missão é sobreviver não importa de qual forma. Para realizar o seu sonho, porém, terá que encarar de frente como é formado as engrenagens do sonho americano e do qual tudo é envolta do dinheiro e favores hediondos.
Vale destacar as atuações das atrizes Gwyneth Paltrow e Odessa A’zion, sendo dois lados da mesma moeda com relação ao fato de envolverem com o protagonista de formas distintas. Paltrow, por sua vez, interpreta uma atriz decadente, que procura obter luz própria, mas que acaba se vendendo para um empresário para continuar sobrevivendo e vendo em Marty uma válvula de escape para obter um prazer há muito tempo esquecido. Odessa A’zion, por sua vez, faz a típica personagem sonhadora, mas que conhecerá o lado feio deste conto de fadas da pior maneira, mesmo quando começa a saber jogar neste jogo de xadrez mortal quando se envolve nesta corrida desenfreada na vida do protagonista.
Assim como ótimo "Rivais" (2024), de Luca Guadagnino, o diretor Josh Safdie procura dar o destaque ao jogo de ping pong de uma forma com que faça ser algo sedutor e que atraia até mesmo aqueles olhares que antes viam a categoria como algo infantil. O ato final, por sua vez, nos proporciona momentos emocionantes, onde o protagonista procura obter a sua redenção, mesmo que para isso coloque a realização do seu sonho em risco. Ao final, testemunhamos o mesmo abraçando o que antes parecia impossível, mas tendo a consciência que se colocou neste cenário e tendo que encarar o lado bom de uma situação que antes não desejava abraçar como um todo.
Com uma trilha sonora original composta por Daniel Lopatin, além de clássicos da música pop dos anos oitenta, "Marty supreme" é sobre a luta do indivíduo em busca do seu sonho, nem que para isso se torne alguém que não mereça nosso respeito em um primeiro momento.
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