Sinopse: Enquanto seu parceiro Richard Rodgers comemora o sucesso de "Oklahoma!" no bar Sardi's, Hart enfrenta alcoolismo, declínio da carreira, sexualidade reprimida e a solidão, em um drama íntimo e poético.
Richard Linklater trabalhou e fez bonito no ano de 2025. Só com o filme "Nouvelle Vague" (2025) ele já havia ganhado o meu respeito, pois o longa retrata a construção de um dos filmes que mudaria os rumos do cinema francês. Mas eis que então ele me surpreende novamente com "Blue Moon" (2025), filme que desvenda a personalidade de um grande artista, mas cujo talento não foi o suficiente para alcançar a verdadeira felicidade que tanto queria.
A trama se passa na noite do dia 31 de Março de 1943, na abertura do musical que se tornará um sucesso, o inovador Oklahoma!. A peça é a primeira escrita pela dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II e se tornará um sucesso de crítica e público. Quem não está nada feliz com isso é o lendário letrista Lorenz Hart que, fugindo do teatro, acaba amargurado no bar Sardi onde acontecerá a festa de celebração e lá colocará para fora os seus demônios e seu verdadeiro eu.
"Blue Moon" é uma daquelas músicas que você ouve desde pequeno, mas que não tem uma noção do seu peso histórico. Eu a conheci logo cedo quando inventei de ficar acordado até tarde para assistir ao clássico filme de terror "Um Lobisomem Americano em Londres" (1982), sendo que ela é tocada em três ocasiões e sendo uma delas na famosa transformação do protagonista. Portanto, assistir ao filme "Blue Moon" foi uma grata surpresa, ao conhecer o artista que criou essa obra e conhecendo um pouco de sua pessoa.
Porém, é incrível como Richard Linklater tem a proeza de falar sobre a vida de alguém unicamente em um único cenário, sendo mais precisamente em uma determinada noite em que ele vai encher a cara e colocar as suas mágoas para fora ao lado do seu amigo barman. O cineasta, portanto, resgata o que já tinha feito no passado, mais precisamente quando vemos os dois protagonistas de "Antes do Pôr-do-Sol" (2004) dialogarem durante uma caminhada no final do dia e fazendo a gente ter a sensação de um plano-sequência. Aqui, por sua vez, tudo gira em torno do protagonista em um único cenário e sendo brilhantemente orquestrado pela espantosa atuação de Ethan Hawke.
Ouso dizer que essa é sem sombra de dúvida a melhor atuação do ator em anos, pois ele simplesmente desaparece na pele de Lorenz Hart, um artista de sucesso que vai em busca sempre da perfeição do seu trabalho, mas decaindo devido aos seus vícios e desejos nunca alcançados. É um personagem que facilmente nos identificamos, pois ele não é muito diferente de uma pessoa normal que sonha pelo seu maior objetivo, mas que se vê diante de pessoas que um dia o admiravam, mas que começam a descartá-lo. Um personagem trágico, poético e gente como a gente acima de tudo.
O filme dá o seu merecido destaque a Margaret Qualley, que aqui interpreta uma jovem atriz em ascensão e da qual se torna a principal paixão do protagonista. Porém, ela é aquele tipo de personagem que odiamos pelo fato de não enxergar além do que o protagonista poderia oferecer, mas ao mesmo tempo a gente compreende que neste jogo pelo sucesso vale tudo, mesmo quando magoamos aqueles que admiramos. A cena entre os dois em uma determinada passagem da trama se torna pesada, angustiante, pois as vezes as palavras são mais dolorosas do que um soco na cara.
Ao final, tudo que resta ao protagonista é colher o que resta, sendo que a sua cena final é simbólica, pois representa um indivíduo tendo que encarar o fato que já ofereceu tudo o que tinha para apresentar ao mundo. Não importa os altos e baixos, pois ao menos basta ser lembrado para ter algum significado no decorrer do tempo. Neste último caso o diretor nos brinda com esse pensamento e com estilo.
"Blue Moon" é uma carta de amor para aqueles talentos que muitas vezes nós cruzamos na rua, mas que não temos uma verdadeira dimensão de sua própria história.
Onde Assistir: Apple tv e Amazon Prime.
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