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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: GERALDINOS


Sinopse: Em 1950 era inaugurado o maior estádio do Brasil, o Maracanã, no Rio de Janeiro. Junto com sua história veio a do setor conhecido como Geral, espaço para os torcedores expressarem a paixão nacional pelo futebol. Mas com a reforma do complexo veio abaixo o espaço, mostrando o reflexo do processo de elitização do esporte.


Quando me perguntam qual é o time que eu torço eu respondo que, com a maior sinceridade do mundo, para nenhum, mas curto o futebol de uma forma esportiva e curtindo cada lance na boa. Talvez essa seja a essência principal desse esporte, do qual os torcedores curtem, se emocionam e testemunham inúmeras histórias. Em Geraldinos, testemunhamos uma parte dessa história, mais especificamente numa parte do estádio do Maracanã, conhecido como Geral, onde inúmeros torcedores ficavam de pé perto do gramado e torciam pelo seu time com a maior paixão do mundo. 
Dirigido pelos cineastas Pedro Asbeg e Renato Martins, o filme possui inúmeras imagens de arquivos, onde testemunhamos clássicos jogos que entraram para a história no gigante estágio. Porém, o documentário foca as reações dos torcedores, mais especificamente os Geraldinos, apelido carinhoso para aqueles que ficavam nessa parte clássica do estágio. Através de depoimentos de veteranos Geraldinos, ficamos conhecendo inúmeras histórias, desde as mais simplórias, para as mais imprevisíveis e que somente poderia acontecer devido à paixão pelo futebol.
Curiosamente, todas essas pessoas começaram até mesmo a se fantasiar no decorrer dos anos, desde Mister M, Seu Madruga, Homem Aranha e por assim adiante. Tudo para animar cada vez mais cada ocasião do jogo e transformar o momento num verdadeiro espetáculo. Pode até parecer algo simples, mas para essas pessoas significa muito, mesmo quando times adversários ganhavam na ocasião.
Um dos pontos interessantes da obra são os depoimentos de ex-jogadores e torcedores que, numa ou outra ocasião, acabaram se encontrando em determinados jogos. O ápice desses depoimentos é quando um torcedor do Fluminense invadiu o campo e segurou a perna de Zico (na época jogador do Flamengo) e implorando para que parassem de dar gols contra o seu time. É um momento engraçado, mas ao mesmo tempo emocionante e que ilustra com perfeição esse vicio que é o esporte.
Infelizmente todo o começo tem um fim e foi isso que aconteceu com essa parte do Maracanã no início do século 21. Para se criar mais segurança, conforto e receber os principais eventos esportivos (como a Copa do Mundo), o Maracanã passou para uma reforma geral, do qual ofereceu conforto e tecnologia de ponta, mas tirou do povo a parte Geral do estádio. Isso custou à ida de pessoas de classes mais baixas e forçando elas a terem que pagar ingressos mais caros ou pagarem por TV a cabo para se assistir na TV.
O ato final é de pura melancolia, mas ao mesmo tempo sintetizando uma aura de nostalgia e fazendo com que muitos desejassem que essa parte importante da história do futebol retornasse. O filme também é um exemplo da dominação da classe mais rica, da qual está interessada em ganhar somente dinheiro e pouco se importando com uma geração inteira que saiu prejudicada devido a essas mudanças. O filme também não deixa de ser uma representação do clima político dos últimos tempos, mas somente assistindo aos minutos finais do filme para compreender melhor com o que eu estou dizendo.
Para os torcedores do futebol, Geraldinos é aquele tipo de filme do qual faz a pessoa se recordar de um passado mais dourado e fazendo se esquecer por uns momentos de um futuro cada vez mais obscuro. 

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