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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Cine Dicas: Em Blu-Ray, DVD, Netflix e locação via TV a Cabo:



BOI NEON



Sinopse: Iremar (Juliano Cazarré) e um grupo de trabalhadores viajam pelo nordeste do Brasil trabalhando em vaquejadas, preparando os animais para apresentações em arenas. Nas horas vagas, Iremar costura várias peças de roupa e sonha em um dia trabalhar no polo de confecção do estado.

 

O filme possui inúmeras camadas de interpretação, mas aqui destaco algumas delas: filosóficas, antropológicas, psicanalíticas e religiosas. No principio, ao assistir o filme, parecia que a trama destacava a animalidade do ser humano, mas não a encarando como um lastro negativo, a ser superado pela cultura, e sim como um patrimônio cuja negação é não apenas impossível como indesejável. O estado animal, tal como mostrada pelo cineasta Gabriel Mascaro (Doméstica), é genial. Ela não contradiz a cultura ou a espiritualidade em seu sentido mais amplo, mas a enriquece e se expande. Ao reconhecer e viver sua dimensão animal, o homem não se rebaixa, mas se eleva a um novo nível terreno. 
Daí que as imagens mais marcantes desse longa metragem, plasticamente robusto como um touro e delicado como um retalho de seda talvez sejam a da masturbação de um cavalo de raça por um homem (para colher seu valioso sêmen), a da dança de uma mulher com cabeça de cavalo e a contagiante e magnética cena de sexo que não vou descrever aqui para não estragar a poesia e a surpresa.
Desde já um dos melhores filmes nacionais do ano.  


OBRA


Sinopse: São Paulo. Às vésperas do nascimento de seu primeiro filho, um arquiteto, João Carlos (Irandhir Santos), encontra uma ossada na obra que está prestes a iniciar. A descoberta desestabiliza sua vida, fazendo com que ele questione sua profissão, a cidade em que vive e até mesmo o relacionamento com sua esposa (Lola Peploe).
Nesse belo filme do estreante Gregório Graziosi, a cidade de São Paulo é representada uma cidade invasiva, opressora e agressiva que a todo o momento está sobrepondo seu peso sobre os corpos. A trilha sonora é uma estratégia fundamental que permite ao cinéfilo viver essa sensação de desconforto e agitação. Durante todo o filme, está presente os sons da inquieta cidade que nunca dorme. 
Outro destaque do filme é a fotografia em preto e branco, baseada no trabalho estético do fotografo Cristiano Mascaro. O aspecto temporal está intrinsecamente ligado ao tipo de enquadramento que foi dado ao filme. A câmera parada passa a sensação de que temos tempo para olhar com atenção a ambientação e a relação dos personagens com o espaço. O que mais chama atenção é a distância e a frieza com que os personagens são filmados.



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