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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Dois Procuradores'

Nota: O filme estreia dias 05/02/26

Sinopse: União Soviética, 1937. Milhares de cartas de detentos acusados injustamente pelo regime são queimadas. No entanto, uma delas chega ao seu destino, na mesa do promotor local recém-nomeado Alexander Kornev.

Seja um regime democrático, ou comunista, qualquer um desses poderes se corrompe a partir do momento em que vozes contrárias são silenciadas e se tornando um poder autoritário e disposto em derramar sangue. Porém, há aqueles que procuram fazer a diferença, mesmo quando a causa aparenta ser perdida. "Dois Procuradores" (2025) é o retrato isolado de um jovem promotor em busca de fazer a coisa certa, mas que vê o sistema em volta violado e corrompido.

Dirigido por  Sergei Loznitsa, a trama se passa nos tempos da União Soviética, no ano de 1937. Um jovem promotor chamado Kornev (Aleksandr Kuznetsov) recebe uma carta anônima de um prisioneiro, sendo a única que passou pelas grades da detenção e não foi queimada como as demais. Kornev decide então encontrar o prisioneiro, onde acaba se envolvendo em um esquema de corrupção e violência realizado por agentes da polícia secreta do governo, a NKVD.

Já na abertura Sergei Loznitsa nos deixa claro que as informações e propagandas contra o governo da época não passam para o lado de fora daquele cenário e fazendo com que tenhamos uma dimensão maior da mordaça contra aqueles que se tornam oposição. Vemos então o protagonista procurar a todo custo conversar com o detento, mas tendo que encarar toda uma burocracia hipócrita daqueles que trabalham por lá e já nos dando a entender que eles não querem que o jovem promotor dê mais nenhum passo. São momentos como esse que Sergei Loznitsa constrói uma tensão no ar, como se nos passasse o fato que a qualquer momento o protagonista será amordaçado pela sua insistência.

Outro fator determinante que nos chama atenção é os diálogos extensos, porém, muito bem construídos e que nos faz refletir sobre aquela realidade que faz da União Soviética daqueles tempos um lugar que se isolou do mundo através de sua ideia comunista mas que foi moldada de forma, por vezes, errônea. Gosto muito da passagem fora da prisão onde o protagonista vai a Moscou enquanto um senhor sem braço e perna procura ajuda para continuar se sustentando e lutando pelas causas de um governo que nem sabe que o mesmo existe. Um momento de reflexão sobre até que ponto devemos nos entregar a uma ideia, principalmente quando ela vem da realidade política.

É claro que a melhor e a mais reveladora passagem da trama é quando realmente o protagonista dialoga com o prisioneiro. O resultado é uma conversa que nos revela uma realidade nua e crua e sendo sintetizada pela atuação assombrosa do ator Aleksandr Filippenko. Porém, é preciso reconhecer que o jovem ator Aleksandr Kuznetsov é quem carrega o filme nas costas, pois só com o seu olhar ele nos passa a dimensão do pensamento crítico com relação a realidade em que ele vive, mas não escondendo também um certo cansaço mesmo quando não desiste perante os obstáculos.

Ao final, constatamos que aquele governo está viciado por um fascismo escondido na surdina, onde a ideia do comunismo se torna uma mera desculpa para outros tomarem o estado e estar no direito de silenciar diversas vidas. O protagonista, portanto, aprende isso da pior maneira possível e cujo resultado não é muito diferente do que acontece hoje em dia em países em que o poder se encontra cada vez mais corrompido. A história sempre está aqui para ser contada, mas infelizmente essa nova geração não se importa com ela.

"Dois Procuradores" é um estudo sobre como nasce o autoritarismo por meio de uma ideia e da qual acaba se tornando corrompida. 

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