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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: VERÃO

Nota: filme será exibido no próximo domingo (02/12/18) para associados as 10h15min na Casa de Cultura de Porto Alegre. 
Sinopse: No verão de 1981, o rock underground chegava na Rússia Soviética, mais precisamente em Leningrado, onde hoje localiza-se a cidade de St. Petersburg. O jovem Viktor Tsoi ganhou fama internacional e tornou-se o primeiro grande representante russo do gênero. Além da música, ele também ficou conhecido pelas polêmicas relacionadas a sua vida pessoal, como o triângulo amoroso que viveu junto com o seu mentor musical, Mike, e a esposa dele, Natasha.


Visto como símbolo capitalista do ocidente, principalmente vindo dos EUA, o rock foi por muito tempo algo subversivo nos tempos da União Soviética. Contudo, isso começou a mudar, gradativamente, nos primeiros anos da década de 80, já que naqueles tempos deu início a políticas de liberação e diálogo. As bandas puderam finalmente sair das sombras e foram liberadas a gravarem álbuns​, revolucionando, assim, o cenário musical russo.
O filme Verão, dirigido por Kirill Serebrennikov, retrata o nascimento do rock underground na Rússia Soviética​, mais especificamente em Leningrado, onde hoje se localiza a cidade de St. Petersburg, nos apresentando músicos provavelmente pouco conhecidos pelo grande público. Simplificando, o filme é uma cine biografia de Viktor Tsoi (Teo Yoo) e de seu mentor Mike (Roman Bilyk), grandes​ representantes da música russa, ainda que se preocupe menos com este fato, confirmado apenas ao final da obra, e mais com a própria música, da qual se sobressai aos seus criadores e se torna o grande destaque da obra. Mike e Viktor viveram suas carreiras num contexto de passagem, um momento anterior ao processo de abertura política.
Ainda que pudessem se apresentar, seu trabalho estava sujeito ao controle dos poderosos da época. O acesso a artistas internacionais, por exemplo, era restrito; nos shows, seguranças não permitiam nenhuma resposta vibrante com relação aos músicos, pois um simples cartaz, por exemplo, poderia ser censurado e letras precisavam ser explicadas para serem aprovadas pelos censores. É aí que a música ganha o seu espaço como elemento anarquista e revolucionário.
Embora os protagonistas quase não manifestem suas opiniões sobre aquele universo que  vivem, vale a ideia de que toda a vida se vale pela política. Os artistas se colocam no mundo através da música, invertendo as  regras e expressando os sentimentos de raiva e paixão por elas. Há também certa nostalgia com relação a época onde se passa o filme, fortalecida por sua belíssima fotografia em preto e branco e que remete os tempos mais dourados do cinemão russo do final dos anos 70.
O lado convencional da trama é quebrado no momento em que os protagonistas cantam músicas famosas, e por representar um filme amador em cores, com cenas do verão em que eles se conheceram, e onde teve início o triângulo amoroso formado por Mike, sua esposa Natasha e Viktor. Há na tela sempre aquele desejo no ar, porém, nunca consumado. A felicidade é projetada num passado idealizado ou num momento imaginado.
Essa sensação geral que o filme transmite pode estar relacionada também com seu próprio processo de produção. Infelizmente o cineasta Kirill Serebrennikov foi acusado pelo atual governo russo de apropriação indevida dos fundos orçamentários de um teatro que ele administra, e finalizou o trabalho em prisão domiciliar, sem contato algum com o restante da equipe. Mas, mesmo em uma situação difícil, Serebrennikov fez um belo filme, sensível e vibrante com as  cenas musicais.
Foi certa também a decisão de ficcionalizar em cima de fatos verídicos. A liberdade criativa em Verão se destaca, pois é pela criatividade que nos salvará, ou que pelo menos nos trará conforto em tempos retrógrados.


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