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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Cine Especial: Cinemateca Capitólio Petrobras com trilha sonora ao vivo e indo além do infinito



Sessões lotadas nesse final de semana no Capitólio.

Um final de semana cheio de atrações na Cinemateca Capitólio Petrobras, onde o cinéfilo teve o privilégio de assistir diversas atrações e tendo um final de semana inesquecível. Abaixo, segue duas sessões das quais me marcou muito. 

Sessão Cinedrome:
 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)

Sinopse: Uma estrutura imponente preta fornece uma conexão entre o passado e o futuro nesta adaptação enigmática de um conto reverenciado de ficção científica do autor Arthur C. Clarke. Quando o Dr. Dave Bowman e outros astronautas são enviados para uma misteriosa missão, os chips de seus computadores começam a mostrar um comportamento estranho, levando a um tenso confronto entre homem e máquina que resulta em uma viagem alucinante no espaço e no tempo.


A primeira vez que eu havia assistido a 2001 – Uma Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick (Laranja Mecânica) foi quando eu tinha apenas dez anos de vida, pela TV e no horário da tarde de um domingo qualquer. Minha mãe e eu tínhamos testemunhado aquele filme, do qual era diferente de tudo o que a gente já havia assistido e não tínhamos a menor ideia do que a gente havia testemunhado. Por eu ser uma criança ingênua na época eu achava, por exemplo, que os macacos do início da trama eram de outro planeta e que as naves que surgiram posteriormente iriam até lá.
Os anos se passaram, ao ponto que não sabia mais o nome daquele filme que marcou minha mãe e eu naquela longínqua tarde de domingo. Por não nos lembrarmos do nome apelidamos o filme de “silencioso”, já que as partes vistas no espaço eram, por vezes, silenciosas e enigmáticas. Somente em 1998, quando eu comecei me aprofundar mais sobre o cinema, é que eu descobri numa revista que o filme se chamava 2001 – Uma Odisseia no Espaço, pois a obra estava comemorando os seus trinta anos de vida. No dia primeiro de janeiro do ano de 2001, e novamente pela TV, assisti ao filme depois de vários anos, compreendendo um pouco melhor aquela enigmática história, mas fazendo-me levantar diversas outras teorias sobre o surpreendente final que ainda é um grande enigma.
E aqui cá estamos em 2018, ano em que o filme comemora os seus cinquenta anos de vida. Antes da sessão desse final de semana eu havia comprado o livro que deu origem ao filme, escrito por Arthur C. Clark e que, embora tenha algumas passagens mais explicativas do que são vistas no filme, me fez pensar ainda mais sobre qual é o nosso verdadeiro papel neste mundo, onde se encaixa o papel de Deus em nossas vidas, sobre seres vivos fora de nosso planeta e sobre esse universo vasto e infinito. Revendo o filme neste último final de semana, numa sessão especial pela Cinemateca Capitólio Petrobras (cortesia da equipe Cinedrome) eu tive o privilégio de não somente rever, como também passar por uma experiência sensorial e da qual poucas vezes eu vejo no cinema. 
Stanley Kubrick não criou um mero filme de ficção científica, mas sim criou uma obra prima que, após ser apreciada, a gente a leva em nossas memórias e faz com que ela cresça cada vez mais quando pensamos sobre ela. Ano após ano o cinema americano sempre lança filmes de ficção e que, alguns críticos precipitados, rotulam como o "novo 2001". Não haverá “outro 2001”, ou seja, não haverá outra experiência sem igual como a vista na obra de Kubrick, sendo algo que não envelheceu com o tempo e estando ainda muito a frente de nossos próprios sentidos.
O que há além do infinito? Stanley Kubrick me fez sempre pensar sobre isso, sendo que qualquer resposta é inútil, mas a pergunta ainda permanece com o seu poder intacto. 


Trilha Sonora ao vivo: O Inquilino (1927)

Sinopse: "O Vingador" é um serial killer que ataca jovens mulheres em Londres. Jonathan Drew (Ivor Novello) chega à pensão do casal Bounting (Arthur Chesney e Marie Ault) em busca de um quarto para alugar. O rapaz possui hábitos estranhos, como sair em noites com névoa, e guarda a foto de uma moça loira.

Quando o filme mudo e em preto e branco O Artista de 2011 levou o Oscar de melhor filme, muitos críticos se perguntavam qual era o próximo caminho do cinema. Em tempos de telas Imax, ou em 3D, se percebe que há um público que gosta de olhar para o passado e desfrutar de tempos mais simples e nostálgicos. Assistir a um filme mudo da forma como ele era apresentado, ou seja, com trilha sonora ao vivo, é uma experiência deliciosa para aqueles que desfrutam das velhas raízes de um bom cinema.
O projeto Trilhas Filmadas, apresentada na Cinemateca Capitólio Petrobras, é uma oportunidade única de revermos velhos clássicos e apresentados da maneira como eles haviam sido vistos pela primeira vez em seu ano de lançamento. Ano passado, por exemplo, tive o privilégio de assistir a uma sessão do filme Metrópolis (1927), cuja copia restaurada (encontrada anos atrás na Argentina) se alinhava com perfeição com a trilha composta ao vivo naquela vez. Novamente esse final de semana eu tive a chance de ter novamente uma experiência como aquela, ao assistir o clássico O Inquilino (The Lodger, 1927) do mestre Alfred Hitchcock. 
The Lodger é o primeiro thriller de Alfred Hitchcock, e também sua primeira obra-prima. É uma das obras máximas do cinema mudo. A narrativa visual do cinema mudo de The Lodger foi interpretada por músicas e canções de músicos representativos da cena eletrônica, guitarbands, jazz e rock de Porto Alegre. Ao vivo criam orquestrando performances em uma nova trilha sonora para The Lodger. Logo, o presente projeto busca recriar uma atmosfera sonora contemporânea através de breves intervenções sonoras e momentos dedicado a canções autorais. A banda é composta por Leandro Schirmer (instrumentos, vozes e produção), Zaracla (Guitarra, teclado e voz), Martha Buzin (voz), Souto Rodrigo (Bateria, Synth e DrumMachine), Zarpa (guitarra), Fabian Steinert (baixo). Participações especiais: EL NEGRO, DANCEADELIC, LOUISE BOECK. 
Embora o rock possa soar um tanto estranho em alguns momentos durante a projeção, a sessão ganha bons contornos conforme ela avança. O ponto alto fica por conta de Zaracla e Martha Buzin quando soltam a voz, em momentos em que uma história de amor surge em meio a uma trama policial sombria e com requintes expressionistas. Embora os minutos finais deixem claro que houve uma intromissão dos produtores para deixar o filme mais receptivo para o público da época, o filme não perde o seu brilho ao servir de exemplo sobre um grande cineasta autoral que estava surgindo naquele tempo.     

Nota: A sessão Trilhas Filmadas vai novamente ter uma sessão amanhã as 20horas na Cinemateca Capitólio Petrobras. Mais informações vocês encontram no cartaz abaixo.  
  
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