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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 31 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Nino de Sexta a Segunda'

 Nota: O filme estreia nos cinemas dia 23 de Abril

Sinopse: Nino é um jovem que vive em Paris e descobre em um exame de rotina que tem câncer. O tratamento deve começar no início da semana seguinte.  

Filmes em que o protagonista descobre que possui uma doença terminal pode tanto soar como um grande dramalhão como também um filme que faz nos identificar com o personagem e sua situação. Se por um lado temos algo que soa artificial como "Lado a Lado" (1998), ao menos de vez em quando surge algo que nos faça refletir como no caso do clássico "Filadélfia" (1993).  "'Nino de Sexta a Segunda'" (2025) é um caso interessante em que a busca do personagem não é com relação a cura de sua doença, mas sim na busca motivacional de seguir em frente pela sua vida.

Dirigido por Pauline Loquès, na história acompanhamos a vida de um jovem garoto (Théodore Pellerin) que mora em Paris e recebe um diagnóstico de câncer. Tendo que iniciar o tratamento na semana seguinte, o rapaz procura da maneira mais delicada possível contar a verdade, seja para os seus parentes, ou para os seus amigos próximos. Dessa fase complexa surge uma nova forma dele enxergar as coisas com relação a sua própria vida.

Embora aborde um assunto delicado, a diretora Pauline Loquès procura nos convidar para assistir uma trama que nos faça ficarmos ao lado do protagonista, como se fossemos um visitante e ele o nosso guia com relação ao que ele fará em seguida após saber de sua doença. Há, portanto, um casamento perfeito entre direção e atuação, sendo que o jovem ator Théodore Pellerin carrega o filme nas costas em cenas  emocionais e que se tornam fáceis da gente se emocionar. Além disso, ao procurar uma forma de revelar a verdade para os seus entes queridos, eis que o filme nos conquista como um todo.

Curiosamente, o filme me remeteu ao título "Dois Dias, Uma Noite" (2015), estrelado por   Marion Cotillard, onde sua personagem se vê em um beco sem saída na possibilidade de perder o seu emprego, mas tendo uma nova perspectiva a partir do momento que interage com as pessoas que vão trilhando pelo seu caminho. Neste caso, o filme de Pauline Loquès segue por uma premissa similar, onde vemos o protagonista interagindo com a sua mãe, amigos em sua festa de aniversário e o seu reencontro com uma antiga colega de escola. São nesses momentos que nos revela que o calor humano é o único elo para continuarmos existindo, mesmo quando o outro lado da situação nos diz o contrário.

É um filme que aborda os laços famíliares de hoje, a interatividade das pessoas em meio a falta de comunicação do mundo real cada vez mais latente e a possibilidade de abraçar um novo recomeço. Claro que nem todos se sentem à vontade para assistir a um assunto delicado como esse, mas cabe a gente enfrentá-lo sem medo e para assim nos darmos conta que não é tão difícil encararmos os nossos próprios medos. Acima de tudo, sempre devemos buscar um ombro amigo em tempos que soem nebulosos.

"Nino de Sexta a Segunda'" é um filme delicado, porém necessário para ser visto e analisado. 

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Cine Dica: Curso - Novo Cinema Alemão

Apresentação

O movimento dos cinemas novos dos anos 1960 inaugurou uma outra maneira de entender a sétima arte e consolidou uma vertente crítica dentro das estéticas cinematográficas. Jean-Luc Godard, Glauber Rocha, Agnès Varda, Pier Paolo Pasolini, grandes nomes se formaram a partir deste momento da cultura. Na Alemanha, contudo, essa efervescência não é compreendida de imediato, e é apenas no final da década que veremos um grupo de cineastas reivindicar o chamado "cinema de autor" para si.

Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog e Wim Wenders se tornam as grandes personalidades do chamado Novo Cinema Alemão, que ainda contaria com cineastas tão díspares quanto Alexander Kluge, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Volker Schlöndorff, Margarethe Von Trotta, Rosa Von Praunheim, Ulrike Ottinger, Harun Farocki e outros. Se na França e no Brasil a tendência do cinema moderno foi de radicalizar a denúncia dos clichês narrativos, na Alemanha, salvo exceções, tomou-se o rumo de refundar a narração a partir das experiências da juventude. Um cinema "sem pais, apenas avós", como disse Herzog, tinha de se haver com o passado sombrio do nazismo para poder reformular uma outra relação entre estética e política.


Objetivos

O curso NOVO CINEMA ALEMÃO: CRÔNICAS DO SUBLIME, ministrado por Lennon Macedo, percorre a história e a geografia do cinema moderno na Alemanha, suas origens, seus diálogos com o passado e com o presente, seus principais nomes e filmes. A partir desse exame, será possível compreender a contribuição alemã para o movimento dos cinemas novos e suas influências sobre o cinema contemporâneo. As aulas serão expositivas e dialogadas, onde serão trabalhadas cenas de filmes e citações de textos recomendados.


Ministrante: Lennon Macedo

Professor e pesquisador da Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Doutor em Comunicação pela UFRGS, participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC/UFRGS) e da Unidade de Investigação em Artes da Universidade da Beira Interior, de Portugal (iA*/UBI). Atuou como jornalista no fanzine de crítica de cinema Zinematógrafo e em festivais como Cine Esquema Novo e Fantaspoa. Compõe também o coletivo de arte gráfica Selo Manada, em Porto Alegre. Investiga atravessamentos entre Audiovisualidades, Comunicação e Semiótica, com foco em Cinema Contemporâneo, Teoria de Cineastas, Teorias da Comunicação e Pós-Estruturalismo. Ministrou os cursos O Dragão Vive: Glauber Rocha 80 Anos (2019) e Cinema de Fluxo: A Estética Desacelerada do Contemporâneo (2025) para a Cine UM.


Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/03/cinema-alemao.html

segunda-feira, 30 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'A Cronologia da Água'

 Nota: O filme estreia dia 02/04/26   

Sinopse: Tendo crescido em um ambiente assolado pela violência e pelo álcool, Lidia tem dificuldade em encontrar seu caminho. Ela consegue fugir de sua família e entra na universidade, onde encontra refúgio na literatura.

Acompanho Kristen Stewart desde quando a conheci no filme "O Quarto do Pânico" (2002) onde ela faz o papel da filha da personagem de Jodie Foster. A consagração viria na saga "Crepúsculo", do qual a tornou conhecida mundialmente, mas fazendo muitos duvidarem da sua versatilidade. Isso mudou com o passar do tempo ao se entregar em papéis que desafiavam a sua pessoa.

Foi a partir de filmes como "Personal Shopper" (2016) que a crítica especializada via nela como alguém que poderia avançar mais em termos dramáticos. Foi então que veio "Spencer" (2021), longa onde ela encarna a princesa Diana e cuja sua interpretação assombrosa espantou os mais céticos. Eis então que ela embarca em um novo desafio na carreira como diretora no filme "A Cronologia da Água" (2026), sendo um projeto provocador e que faz a gente pensar quais serão os seus próximos projetos.

O filme é uma adaptação da autobiografia de Lídia Yuknavitch. Atualmente como escritora, ela já foi uma aspirante a nadadora olímpica, e essa oportunidade a fez se libertar de um ambiente repleto de violência e abusos. Fadado ao fracasso, Lidia Yuknavitch conseguiu superar traumas através da arte da escrita. Hoje, ela tenta encorajar meninas a retomarem suas próprias histórias sangrentas, para que assim, suas vozes sejam ouvidas.

Ao levar às telas a vida dessa pessoa  Kristen Stewart busca criar uma representação das memórias da protagonista ao criar uma edição de cenas em que sintetize uma mente, por vezes, fragmentada. A opção para isso talvez se deva à forma em que a protagonista nos é apresentada, ao ser uma espécie de entidade da natureza pronta para explodir, mas que inicialmente não sabemos porquê. Porém, aos poucos, as cenas vão sendo jogadas diante de nós, para que então possamos montar um enorme quebra cabeça, mas cuja as respostas já temos uma noção devido ao que virá em seguida.

A questão do abuso físico e psicológico é colocada na mesa, ao ponto que o filme nos entrega certos momentos de tensão e faz a gente se preocupar com o que virá em seguida. Porém,  Kristen Stewart procura não explicitar o que realmente está acontecendo nas cenas, mas usando momentos em que a sugestão é muito mais dura do que qualquer cena que soaria por demais explícita. Se em um determinado ponto do longa já tínhamos uma noção da real natureza do pai da protagonista, muito se deve ao que já havia sido apresentado no decorrer da trama.

Imogen Poots entrega uma atuação cujo seu olhar tem muito mais a dizer do que meras palavras. Porém, a sua narração off faz com que tenhamos uma melhor noção sobre o que a sua personagem passa e sintetizando ainda mais a sua dolorida jornada em busca de sua redenção em meio a violência, sexo e drogas. Desde já uma das interpretações mais interessantes que eu vi neste início de ano.

Curiosamente, não me admiraria se a diretora tivesse buscado inspiração nas obras de outros cineastas. Ao assistir o filme ele me lembrou bastante "A Árvore da Vida" (2011), de Terrence Malick, sendo que em ambos os casos são longas que abordam as questões familiares e que, mesmo com os seus atritos infinitos, os laços de sangue são dificilmente cortados. Embora com um final reconfortante ele também não esconde o fato que toda a jornada que se preze é um desafio que nem todos conseguem obter um certo equilíbrio.

"A Cronologia da Água" revela o talento de Kristen Stewart por detrás das câmeras,  ao nos apresentar uma jornada complexa de uma jovem em busca de um sentido na vida através dos percalços que teve que enfrentar ao longo de sua jornada.


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Cine Dica: Sala Redenção apresenta adaptações de clássicos da literatura

Por mais um ano, o cinema da UFRGS promove o ciclo “Filmes & Livros”. Com curadoria conjunta entre a Sala Redenção e a professora e pesquisadora Fatimarlei Lunardelli, o projeto convida o público a refletir sobre as estratégias e os procedimentos adotados pelo cinema ao adaptar obras literárias. Neste primeiro semestre, o ciclo se debruça sobre as obras-primas de duas grandes escritoras, a britânica Emily Brontë e a francesa Marguerite Duras.

No dia 2 de abril, quinta-feira, às 16h, a Sala Redenção exibe o filme “Morro dos Ventos Uivantes” (1939), de William Wyler, adaptação do clássico homônimo de Emily Brontë. Na segunda-feira seguinte, dia 6, às 15h, as obras são discutidas em um bate-papo conduzido por Fatimarlei. Já no dia 1º de junho, o livro “Os pequenos cavalos de Tarquínia”, de Marguerite Duras, e sua adaptação para o cinema, “Azuro” (2021), de Matthieu Rozé, são o tema da sessão-debate. Ambas as obras acompanham um grupo de amigos que tem suas férias pacatas interrompidas com a chegada de um homem misterioso.

O ciclo “Filmes & Livros” tem entrada franca e aberta à comunidade geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. 

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

domingo, 29 de março de 2026

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - "Meu Bolo Favorito"

 O filme iraniano "Meu Bolo Favorito" encerra a programação de março do Cineclube Torres dedicada às mulheres, na segunda-feira, dia 30, às 20h.

A programação continuada segue na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, com muita cultura audiovisual e bate-papo com entrada franca. O Irã, atualmente centro da atenção mídiatica por razões da guerra deflagrada com o assassinato do seu líder, possui historicamente uma cinematografia relevante no panorama internacional. Desde o eterno mestre Abbas Kiarostami até os mais recentes Asghar Farhadi e Jafar Panahi, o país se destacou por filmes emocionantes e dotados de primorosa técnica cinematográfica.

A obra mais recente do casal de diretores Maryam Moqadam e Behtash Sanaeeha, segue esse caminho que, pela censura imposta pelo regime, muitas vezes transforma temas espinhosos em pujantes metáforas. Mahin, uma viúva de 70 anos, solitária depois que seu marido morreu e sua filha se mudou para Europa,  decide reavivar sua vida amorosa e u mim encontro casual se transforma em uma noite inesquecível.

"A receita de “Meu bolo favorito” tem dois ingredientes principais: crítica política e memória. E os dois combinam-se de forma sublime – é bolo de produção caseira" (Bruno Leal, Café História). A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Serviço:

O que: Exibição do filme "Meu Bolo Favorito" (2024) de Maryam Moqadam e Behtash Sanaeeha - Irã

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 30/3, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sábado, 28 de março de 2026

Cine Especial: 'Um Drink No Inferno - 30 Anos Depois'

Era início dos anos noventa e os filmes de vampiros voltaram a fazer sucesso a partir do ótimo "Drácula de Bram Stocker" (1992). Todos queriam fazer esse tipo de filme da sua maneira e proporcionando uma experiência até mesmo incomum. "Um Drink No Inferno" (1996) se encaixa nesta primeira observação, já que o filme surpreendeu aqueles que foram assistir a obra sem nenhuma informação.

O longa foi realizado pela união entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. No início dos noventa, Tarantino estava colhendo o que havia plantado dentro do universo do cinema independente, ao realizar suas obras primas como "Cães de Aluguel" (1992) e principalmente "Pulp Fiction" (1994). Curiosamente, Rodriguez estava surgindo também por um caminho similar, ao realizar "El mariachi" (1992) com um orçamento de apenas R$ 7,000 e ganhando carta branca para obter um orçamento maior e realizar a continuação "A Balada do Pistoleiro" (1995).Nota-se que ambos os realizadores possuem uma linguagem similar ao realizar os seus filmes, ao criar tramas que remetem aos longas  de antigamente, principalmente aqueles vistos na década de setenta e sendo muitas vezes rotulados como filmes B. A diferença está no ritmo, sendo que Tarantino preza por longos diálogos afiados e fazendo com que a gente não perca nenhum segundo na tela. Rodriguez até preza por diálogos dinâmicos, mas que logo se envereda por cenas de ação absurdas e quase mesmo cartunescas.

Não é à toa que os realizadores logo se conheceram e fizeram parceria na realização de alguns filmes e o "Drink no Inferno" foi o auge dessa parceria. O roteiro é do próprio Tarantino, que estava guardado há um bom tempo. Na trama, os irmãos Seth (George Clooney) e Richard Gecko (Quentin Tarantino) são procurados pela polícia por 16 mortes. Eles seqüestram um ex-pastor e seu casal de filhos, para poderem atravessar a fronteira com o México e lá se dirigem à uma casa noturna frequentada por caminhoneiros e motoqueiros, que é uma mistura de cabaré e prostíbulo. Porém, ao chegar lá a dupla se depara com algo totalmente inacreditável.  O grande trunfo do filme talvez esteja em sua quebra de expectativa, ou até mesmo a troca de gênero ao longo da história. Inicialmente estamos diante de um filme policial, onde vemos dois bandidos tentando escapar da polícia e cujo os diálogos e  a construção dos personagens apresentada fazem toda a diferença. Porém, uma vez que eles adentram  a casa noturna, o gênero de horror invade a tela, com direito a muito sangue, gore, cabeças rolando e que remete aos melhores momentos do cinema B como um todo.

Além de escrever o roteiro, não me surpreenderia se a primeira parte do longa tivesse sido dirigida por Tarantino, pois há algumas passagens que remetem a sua forma de dirigir, desde ao enquadramento, como também dando um enfoque maior aos diálogos. Na realidade, o filme pertence ao universo interligado dos filmes do realizador, já que o longa não só tem referência aos seus títulos anteriores, como também os que seriam lançados posteriormente. O xerife Earl McGraw (Michael Parks) que surge no início do longa retornaria em "Kill Bill: Volumes 1" (2003), "Planeta Terror" (2007) e "À Prova de Morte"(2007), sendo que esses dois últimos filmes foi outro projeto que uniu Tarantino e Rodriguez.

O grande charme do longa está realmente em sua mudança de tom de história e isso causa maior impacto principalmente para aqueles que foram assistir ao filme no cinema sem muita informação sobre a história. Me lembro que o primeiro contato que eu tive com a obra foi ao ver um poster na locadora onde se destaca George Clooney e Quentin Tarantino apontando as armas em nossa direção. Houve diversas pessoas que alugaram na época achando que fosse uma história policial e dando de cara com um filme de horror sem igual.

O filme serviu para consagrar George Clooney nos cinemas, já que na época ele era mais conhecido por atuar na série de tv "Plantão Médico" e depois desse longa ele retornaria em outros sucessos como "O Pacificador" (1997) e "Um dia Especial" (1996). O filme também foi a segunda parceria entre o diretor Rodriguez com a atriz Salma Hayek, que já havia trabalhado com o diretor no já citado "A Balada do Pistoleiro". Aqui, Hayek interpreta o Satanico Pandemonion, uma vampira stripper que protagoniza uma das danças mais sensuais da história do cinema.

Revisto hoje nota-se que o longa possui diversas misturas de histórias já contadas diversas vezes em outros longas, mas nos passando a sensação de algo fresco para época. Em meio aos absurdos a história explora a questão sobre a fé e a busca de uma redenção pessoal, sendo que isso é muito bem representado pelo personagem pastor interpretado por Harvey Keitel. Esses momentos mais sérios alinhados com teor de horror nos passa uma sensação, por vezes, estranha, mas que tenha sido justamente a intenção dos cineastas em nos provocar essa sensação mórbida.Não posso deixar de mencionar a participação do ator e maquiador Tom Savini. Aqui ele interpreta o personagem Sex Machine que surge dentro do bar em meio aos acontecimentos e cuja sua principal arma se encontra no ponto mais inacreditável do seu corpo. Savini já era conhecido na época por ser um grande maquiador em filmes de horror e aqui marcou sua primeira parceria com Rodriguez e que se repetiria posteriormente em longas como "Planeta Terror" e "Machete" (2010).

Outra presença marcante dentro do bar é do ator Fred Williamson, que aqui interpreta um ex -soldado traumatizado devido a guerra do Vietnã. Williamson se tornou um ator bastante conhecido na década de setenta, principalmente ao protagonizar títulos que pertenciam ao movimento Blaxploitation. Curiosamente, Tarantino prestaria uma homenagem a esse movimento no seu filme "Jackie Brown" (1997).

Revisto hoje, o filme é um ponto alto da carreira de Rodriguez, que hoje se mantém firme como realizador autoral, mesmo tendo que realizar projetos de sua não autoria como foi no caso do cultuado  "Alita: Anjo de Combate" (2019). Pode-se dizer que a sua criatividade se alinha muito bem com filmes de baixo orçamento, onde a criatividade fala mais alto e cujas limitações técnicas se tornam o seu maior triunfo. Em tempos em que o CGI se encontra mais do que desgastado, um cineasta que preza pela velha fórmula de se fazer filmes é sempre bem vindo.

Servindo até mesmo de inspiração para longas recentes como "Pecadores" (2025), "Um Drink No Inferno" é um dos melhores e mais divertidos filmes de horror do século passado e que sempre merece ser revisitado. 


Onde Assistir: Mercado Play. 

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (28/03/26)

 UMA SEGUNDA CHANCE

Sinopse: Após um passeio perfeito com o namorado, Kenna (Maika Monroe, de A Mão que Balança o Berço, Longlegs – Vínculo Mortal) comete um erro imperdoável que a leva à prisão. Sete anos depois, ela retorna à sua cidade natal, no Wyoming, na esperança de reconstruir a vida e conquistar a chance de se reencontrar com sua filha pequena, Diem, a quem nunca conheceu.

VELHOS BANDIDOS

Sinopse: Velhos Bandidos" acompanha o casal de aposentados Marta e Rodolfo, enquanto planejam o crime perfeito: um enorme assalto a banco. Só que para o roubo ser bem-sucedido, eles precisam de um casal de jovens assaltantes, Nancy e Sid, que viram parceiros no crime. O maior problema do grupo de ladrões é o obstinado investigador Oswaldo.


NUREMBERG

Sinopse: Um psiquiatra dos Estados Unidos é designado para examinar 22 oficiais nazistas que aguardam julgamento por crimes de guerra. À medida que ele se aproxima de um de seus pacientes e tenta desvendar a essência do mal, ele se vê envolvido em uma jornada sem volta.


ELES VÃO TE MATAR

Sinopse: New Line Cinema e Nocturna apresentam Eles Vão Te Matar, eletrizante e sanguinária comédia de ação de terror na qual uma jovem precisa sobreviver à noite no Virgil, o misterioso e mortal esconderijo de um doentio culto demoníaco, antes de se tornar a próxima oferenda em uma batalha única, um verdadeiro e autêntico evento cinematográfico com mortes épicas e sarcástico humor ácido.


VINGADORA

Sinopse: Nikki (Milla Jovovich) é uma ex-militar que lutou nos piores campos de batalha da guerra, mas nada se compara à dor de ter sua filha sequestrada. Caçada por bandidos e policiais, ela usará cada habilidade mortal que aprendeu em combate para invadir o submundo do crime e resgatar a única coisa que importa para ela.

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sexta-feira, 27 de março de 2026

Cine Dica: Newsletter de 26 de março a 1ª de abril

Cinemateca Capitólio comemora seu 11º aniversário com exibições especiais e mostra destacando a produção cinematográfica realizada no interior do RS. Entre os dias 26 de março e 1° de abril, a Cinemateca Capitólio recebe a programação da 1ª Semana do Cinema Gaúcho. A iniciativa, fruto de uma parceria da Capitólio com o SIAV RS, o Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio Grande do Sul, tem como foco a produção audiovisual no interior do Estado, e acontece justamente na semana em que se celebra o Dia do Cinema Gaúcho, comemorado em 27 de março.

A mostra tem entrada franca e inclui nove longas realizados em diferentes regiões do Estado, e um programa de curtas que destaca o trabalho da produtora TV OVO, de Santa Maria. Entre os longas, serão exibidos títulos produzidos nas cidades de Santa Cruz do Sul (InfiniMundo), Cachoeira do Sul (Extermínio), Canoas (Um Filme de BR), Mostardas (Campo Grande é o Céu), Santa Maria (Câncer - Sem Medo da Palavra, Manhã Transfigurada e Os Abas Largas), Caxias do Sul (Porto de Elis, uma Viagem à Diversidade da Arte) e Erechim (Sem Saída). A programação inclui ainda mesas de debates e a exibição especial dos longas Saneamento Básico, o Filme, de Jorge Furtado (que será apresentado ao ar livre, na Praça dos Açorianos, no dia 28 de março (junto com o curta A Diferença Entre Mongóis e Mongoloides, de Jonatas Rubert) e Um Certo Cinema de Porto Alegre, de Boca Migotto.

Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui. 

Cine Dica: Sessão dupla no Clube de Cinema: "Notas Sobre Um Desterro" (28/03) e "Wanda" (29/03)

Neste final de semana, teremos jornada dupla no Clube de Cinema! No sábado (28/03), exibiremos o filme Notas Sobre Um Desterro, do diretor Gustavo Castro. A sessão, realizada em parceria com a 1ª Conferência Internacional Antifascista, contará com a presença do próprio diretor e ocorre na Sala Redenção da UFRGS, às 10h15 da manhã. Após a exibição do filme, Kelly Demo Christ, nossa diretora de comunicação, irá mediar uma conversa com Gustavo Castro e Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL).

Já no domingo (29/03), nos reuniremos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir Wanda, único e cultuado longa de Barbara Loden. Considerado uma "joia perdida" da Nova Hollywood, o filme aborda a marginalidade feminina como experiência de abandono, resistência e sobrevivência cotidiana.


Confira os detalhes da programação:


SÁBADO (28/03, 10h15 da manhã)

Notas Sobre Um Desterro

Brasil, 2025, 80min

Direção e roteiro: Gustavo Castro

📍 Local: Sala Redenção – Cinema Universitário (UFRGS)

Rua Eng. Luiz Englert, 333 – Campus Centro, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada com o diretor Gustavo Castro e Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL)

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade

Sinopse: Após os acontecimentos de outubro de 2023, o cineasta Gustavo Castro revisita imagens filmadas na Cisjordânia em 2018, utilizando esse material como ponto de partida para refletir sobre a tragédia contínua do povo palestino, marcado por um ciclo histórico de destruição e deslocamento.


DOMINGO (29/03, 10h15 da manhã)

Wanda

EUA, 1970, 99min

Direção e roteiro: Barbara Loden

Elenco: Barbara Loden, Michael Higgins, Peter Shupenes

📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, sala Eduardo Hirtz

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Sinopse: Após abandonar marido e filhos, Wanda passa a vagar sem rumo até cruzar o caminho de um criminoso que a envolve, à força, em um plano de assalto.



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quinta-feira, 26 de março de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 26 de março a 1 de abri de 2026

A cinesemana de 26 de março a 1° de abril reúne quatro estreias na nossa programação. Um dos destaques é ENZO, filme póstumo do diretor francês Laurent Cantent, sobre um adolescente que deixa sua família rica para realizar os seus projetos pessoais, junto com O OLHAR MISTERIOSO DO FLAMINGO, produção chilena que traz a visão de uma adolescente sobre o início da disseminação da Aids. Outra novidade é NARCISO, novo longa do diretor Jeferson De, sobre um menino negro que sonha em ser adotado. Também temos o relançamento de EU, TU, ELE, ELA, primeiro longa da diretora Chantal Akerman (1950 – 2015) e referência de um cinema queer e feminista.

Seguem em cartaz A GRAÇA, nova parceria do diretor italiano Paolo Sorrentino com o ator Toni Servillo, e a A MENSAGEIRA, produção argentina premiada no Festival de Berlim. O longa norueguês VALOR SENTIMENTAL, vencedor do Oscar de melhor filme internacional, também continua na nossa programação, junto com o espanhol SIRÂT, que concorreu pelo mesmo prêmio.

A semana também é de muitas exibições especiais. Na sessão Almanaque 21 o destaque é ISTO É SPINAL TAP, de Rob Reiner, enquanto o Dia do Cinema Gaúcho, comemorado em 27 de março, será lembrado com uma sessão especial de UMA EM MIL, longa assinado pelos irmãos Tiago e Jonatas Rubert. Na volta da Sessão Nostalgia, o destaque é SINTONIA DE AMOR, de Nora Ephron, em comemoração ao Mês da Mulher.

Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Cine Dica: Streaming - - 'O Sobrevivente'

Sinopse:  Ben Richards (Glen Powell), um homem desesperado que entra num reality show mortal, "O Sobrevivente", para ganhar dinheiro e salvar sua filha doente.

Eu me lembro que assisti pela primeira vez ao filme "O Sobrevivente" (1987) em um distante domingo na Band quando eu estava voltando da casa de uns parentes. Por ser estrelado pelo herói dos filmes de ação da época, Arnold Schwarzenegger, fiz questão de assisti-lo mesmo quando já estava na metade da história. Revi alguns anos atrás e posso dizer que o filme envelheceu mal, não pela sua temática em si, mas sim pela sua estética muito oitentista.

Baseado na obra de Stephen King, o filme tinha tudo para ser um longa a frente do seu tempo, pois a trama falava sobre um futuro totalitário, onde o governo alinhado com programas de TV entretém a sociedade através de reality show manipuladores e que controlavam a opinião do público. Uma trama bem a frente do seu tempo, mas do qual King se inspirou em tempos da era Ronald Reagan, em que a ideia do consumismo acima de tudo era o único meio de sustentar o império norte americano como um todo. Agora temos o novo "O Sobrevivente" (2025), longa que é mais próximo em termos de fidelidade ao livro, mas que chegou um pouco atrasado.

Dirigido pelo genial  Edgar Wright, o filme retrata um futuro sombrio dos nos Estados Unidos, onde a economia está em colapso e a violência global se intensifica. Nesse cenário caótico, Ben Richards (Glen Powell) encontra sua única chance de salvar a família ao se voluntariar para participar do violento game show "O Sobrevivente". Os participantes precisam escapar de uma equipe de assassinos profissionais enviados para matá-los durante 30 dias, com a promessa de ganhar um prêmio em dinheiro.

Edgar Wright é um desses casos de cineastas autorais que não tem exatamente carta branca para fazer o que bem entender nos seus longas. Se por um lado ele conquistou o mundo através do seu genial "Todo Mundo Quase Morto" (2004), do outro, ele viu o seu projeto "Homem Formiga" (2015) ser roubado pela Marvel e fazendo perceber que os estúdios é que dão a palavra final por mais que você seja criativo. Ao menos em "O Sobrevivente" percebo um realizador que procura fazer um longa de sua maneira, mesmo com as regras do estúdio em sua cola.

Tudo o que ele faz está lá, desde uma edição frenética, ação caprichada e um humor ácido que ele faz como ninguém. Além disso, é preciso reconhecer que o longa é bastante fiel a sua fonte original, o que não quer dizer muita coisa, já que seria bastante fácil hoje em dia fazer algo que se distanciasse da primeira versão de 1987. Eu acho que o problema principal dessa nova adaptação é ter chegado um tanto tarde, já que os reality shows já se encontram saturados, enquanto a própria sociedade faz o seu próprio show nas redes sociais e onde fazem de tudo para se tornarem uma celebridade instantânea. Em tempos em que temos até mesmo suicidido sendo anunciado antes do ato, talvez nem o próprio Stephen King imaginava que a sociedade se deixaria levar pela manipulação das redes e tendo total consciência disso, já que a verdade já não é mais o suficiente para eles.

Se por um lado o filme chegou atrasado alguns anos, ao menos ele nos revela uma tecnologia semelhante a nossa, onde todos são vigiados, mas pouco se importando com isso, desde que ganhe alguns segundos de estrelato. Em meio a esse caos, Ben Richards somente quer dinheiro para ajudar a sua família, mas mal sabendo da armadilha imposta contra ele. Glen Powell vem aos poucos se destacando no cinema desde "Top Gun: Maverick" (2022) e aqui demonstra ter fibra em um filme que exige porte físico em meio a tantos tiros e correria.

Talvez esse seja também um ponto um tanto falho na obra, onde  Edgar Wright faz o que sabe fazer de melhor em termos de ritmo, mas não se casando em harmonia com a ideia primordial da obra que é refletir. Se por um lado você não sai do cinema pensando sobre a proposta principal do longa, ao menos você sairá entretido, mesmo lhe passando a sensação que faltou algo pelo caminho. A mensagem é que você seja contra o sistema, mas é preciso ser muito mais  claro para uma geração cuja visão está cada vez mais nublada.

"O Sobrevivente" é uma versão fiel do clássico de Stephen King, mas pelo visto chegou de forma atrasada e fazendo com que essa geração manipulada pelas mídias digitais nem se dê conta dela. 


Onde Assistir: Amazon Prime Vídeo. 

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 26 DE MARÇO A 01 DE ABRIL

AISHA NÃO PODE VOAR

 ESTREIA:

AISHA NÃO PODE VOAR

Egito/Drama/2025/120min

Direção:Morad Mostafa

Sinopse: Aisha é uma cuidadora sudanesa que vive no centro do Cairo. Diariamente, ao sair para trabalhar, ela testemunha a tensão entre os outros imigrantes africanos e os membros das gangues egípcias locais. Aos 26 anos, ela se vê presa entre um relacionamento indefinido com um jovem egípcio e um novo emprego.

Elenco: Achai Ayom Buliana Simon Ziad Zaz


PRÉ ESTREIA:


BARBA ENSOPADA DE SANGUE

Brasil/Drama/2025/128min

Direção: Aly Muritiba

Sinopse:Após a morte de seu pai, Gabriel parte para a praia da Armação em busca de suas origens. Lá, ele encontra uma trama complexa em torno da figura misteriosa de seu avô, um esqueleto de baleia e uma cidade que quer enterrar seu passado a qualquer custo.

Elenco:  Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller , Roberto Birindelli


EM CARTAZ:

A GRAÇA

Italia/Drama/2025/ 131min.

Direção: Paolo Sorrentino

Sinopse:Do cineasta Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar e do Bafta, “A Graça” é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?

Elenco:Toni Servillo, Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello.


NARCISO

Brasil/Drama/2025/90 min.

Direção: Jeferson De

Sinopse:Narciso (11), um menino negro e órfão, mora na casa de Carmem e Joaquim, junto com outras crianças que aguardam adoção. Ele sonha em ter uma família, mas acaba enfrentando uma grande decepção. Para alegrá-lo, uma das crianças da casa lhe dá de presente uma bola de basquete velha e mágica e diz que, se ele acertar três cestas, um gênio aparecerá e realizará todos os seus desejos.

Elenco: Arthur Ferreira, Ju Colombo, Bukassa Kabengele e Seu Jorge


HORÁRIOS 26 DE MARÇO A 31 DE MARÇO (não há sessões nas segundas):

15h: A GRAÇA

17h20: NARCISO

19h20: AISHA NÃO PODE VOAR


DIA 01 DE ABRIL:

15h: A GRAÇA

17h20: NARCISO

19h20: PRÉ ESTREIA DE BARBA ENSOPADA DE SANGUE, seguida de debate após a sessão com a presença do autor Daniel Galera, Carolina Panta e Fabiano de Souza.


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QU


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 24 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Cara de Um, Focinho de Outro'

 Sinopse: Para defender os animais jovem funde a sua mente em uma castora robótica. 



Em sua era de ouro era comum dizer que a Pixar não lançava filmes ruins e isso era muito bem representado através de grandes títulos como "Procurando Nemo" (2003) e "Os Incríveis" (2005). Porém, sempre quando se atinge o teto há sempre o risco de haver um desequilíbrio na qualidade e rendendo títulos que não correspondem aos velhos tempos do estúdio como foi no caso de "Elio" (2025). Mas entre altos e baixos ao menos "Cara de Um, Focinho de Outro" (2026) é uma prova que o  estúdio procura saber nivelar ao criar tramas que transitam com diversão mas com boas doses de reflexão.

Dirigido por Daniel Chong, o filme conta a história de Mabel (Piper Curda), que ensinada pela sua querida avó aprendeu desde cedo a cuidar dos animais. Quando ela descobre que o prefeito da cidade Jerry (Jon Hamm) quer fazer um viaduto que pode colocar em risco o lar dos castores da floresta, ela decide se unir com uma cientista que possui a tecnologia de transferir as mentes das pessoas em animais robóticos. Mabel se transforma em uma castora, que acaba se unindo com um rei castor para procurar um meio de contornar esse problema, mas mal sabendo que outros irão surgir em meio a essa cruzada.

Em tempos em que a Pixar anda meio presa com as continuações de seus grandes sucessos é sempre bom ver que ainda há esperança quando o estúdio procura se arriscar em algo novo. Embora a trama soe familiar, principalmente para aqueles que assistiram ao clássico "Sem Floresta" (2005), o filme se envereda por questões que vão desde a proteger a natureza, como também sobre assumir o peso da responsabilidade quando se procura pôr em prática a mudança das coisas. Ou seja, por mais que a gente coloque em prática a nossa boa vontade há também de surgir percalços pelo caminho e nesta questão o estúdio acerta em cheio com relação a esse pensamento.

Outro fator positivo é a sua própria protagonista da trama, sendo que Mabel é uma força da natureza disposta em ajudar os animais da floresta, nem que para isso enfrente grandes autoridades como o próprio prefeito da cidade. Vale destacar a sua singela relação com a sua avó, sendo que as cenas iniciais protagonizadas pelas duas é uma representação positiva e do que irá se desenrolar durante a trama. São momentos como esse que não só irá conquistar os pequenos, como também fará com que os adultos se identifiquem e se emocionem ao mesmo tempo.

Com relação a transferência de mentes para animais robóticos isso se torna somente uma mera desculpa para a protagonista interagir logo de uma vez com os animais da floresta, principalmente com relação ao Rei Castor e que se torna o grande amigo dela. É neste ponto, por exemplo, que a trama me lembrou também o clássico "Irmão Urso" (2003), sendo que em alguns momentos vemos a perspectiva dos animais perante os humanos, ou vice e verça. Uma forma interessante de analisar que a relação de seres diferentes um do outros somente se encontram separados através do medo do desconhecido.

Outro fator interessante da história é explorar o quanto a nossa boa vontade em querer melhorar as coisas pode também gerar grandes consequências. Por mais que Mabel procure ajudar os animais, ela jamais imaginaria que as consequências surgiriam justamente através das regras imposta pelos próprios líderes da floresta e desencadeando situações inusitadas durante uma determinada reunião. Já adianto que as consequências dessa cena não somente desencadeiam uma situação irreversível, como também um dos momentos mais hilários do longa como um todo.

A partir desse momento o filme se envereda para uma verdadeira montanha russa e onde vemos os protagonistas correrem contra o relógio. São nestes momentos, por exemplo, que o estúdio ainda prova que sabe fazer boas cenas de ação e fazendo a gente prender a respiração em alguns momentos e até temendo pela vida dos personagens principais da trama. Claro que o estúdio não perde a chance de fazer mesmo até piada de outros filmes clássicos e portanto a referência do clássico "Tubarão" (1975) e de suas limitações absurdas é mais do que evidente para dizer o mínimo.

O ato final só descamba um pouco para uma ação quase vertiginosa, onde não há um respiro, mas ao menos dando um espaço para que os personagens amadureçam com relação ao que sempre acreditavam. A lição de moral é colocada em prática, onde fazem com que os personagens tomem novos rumos e obtenham um equilíbrio o que antes parecia impossível. Pode não ser o melhor longa do estúdio, mas ao menos obteve coragem de se arriscar e tentar criar algo novo.

"Cara de Um, Focinho de Outro" é uma grata surpresa deste início de ano e provando que o estúdio Pixar ainda pode nos brindar com ótimos longas que remetem aos seus bons e velhos tempos de sua era de ouro. 



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Cine Dica: A Revolução de Jean-Luc Godard

 GODARD 60: UMA DÉCADA REVOLUCIONÁRIA

de Leonardo Bomfim

* Datas: 28 e 29 / Março (sábado e domingo)

* Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)

* Horário: 14h30 às 17h30


Apresentação

No agitado panorama cinematográfico da década de 1960, poucos cineastas tiveram um papel mais decisivo que JEAN-LUC GODARD.

De Acossado (1960), obra basilar da Nouvelle Vague, aos filmes militantes do Grupo Dziga Vertov após 1968, o cineasta instigou a linguagem do cinema até o limite. Em uma década, realizou quase vinte longas-metragens que subverteram gêneros consagrados, do musical em Uma Mulher é uma Mulher (1961) à ficção científica de Alphaville (1965), apontando novos caminhos e provocando uma verdadeira revolução estética.


Objetivos

O curso GODARD 60: UMA DÉCADA REVOLUCIONÁRIA, ministrado por Leonardo Bomfim, propõe um mergulho na filmografia que Jean-Luc Godard construiu ao longo da década de 1960, destacando as inúmeras rupturas de linguagem que redefiniram o cinema, a partir de filmes emblemáticos como Acossado, O Desprezo, O Demônio das Onze Horas, Weekend à Francesa e Vento do Leste.


Ministrante: Leonardo Bomfim

Jornalista e Doutor em Comunicação Social (PUCRS), Natural do Rio de Janeiro, Brasil. É Programador da Cinemateca Capitólio, espaço dedicado à preservação e difusão cinematográfica localizado em Porto Alegre. Foi programador do Cine P. F. Gastal, na mesma cidade, entre 2013 e 2017. Foi curador das mostras Cinema Marginal (2008), Cinema Novo: Brasil em Transe (2017) e Cinema de Invenção (2019). Realizou trabalhos de programação para festivais brasileiros como Olhar de Cinema, Gramado e Brasília. Publicou textos em revistas como Archive Prism (Coreia do Sul), Cahiers du Cinéma (França), La Vida Útil (Argentina) e Teorema (Brasil). Já ministrou os cursos Novos Cinemas dos Anos 60; Brian De Palma: O Poder da Imagem; Lumière, Méliès & Outros Pioneiros, A Gênese da Nova Hollywood e Cinema Marginal Brasileiro pela Cine UM.


Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/02/jean-luc-godard.html