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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Se a Rua Beale Falasse’

Sinopse: Tish está esperando um filho enquanto luta para livrar seu marido de uma acusação criminal injusta e de subtextos racistas, a tempo de tê-lo em casa para o nascimento de seu bebê.

Embora tenha todos os ingredientes para se tornar o mais novo clássico do cinema, “La La Land” (2016) havia estreado num momento de mudanças, infelizmente, retrógradas, tanto nos EUA, como também no resto do mundo. Portanto, premiar o filme com o prêmio máximo da indústria do Oscar, não seria somente um erro, como também esconder o sol com a peneira com os prelúdios momentos em que a sociedade estava passando e, que ainda vive, nesse momento. Portanto, a vitória de “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (2016), não foi somente um trunfo contra o ultra conservadorismo, como também uma dica que o cinema como um todo não se curvasse perante óbvio.

Dirigido por Barry Jenkins, o filme não falava somente sobre a luta árdua do homem negro diante de uma sociedade preconceituosa, como também explorava questões importantes sobre a luta da comunidade LGBT e que jamais deve deixar de ser debatida. O sucesso do filme foi o suficiente para o cineasta abraçar novas ideias para serem exploradas, mas que houvesse a mesma simetria de questões para ainda serem revistas. Em “Se a Rua Beale Falasse” o cineasta chega a um novo patamar sobre assuntos vistos e revistos por nós, mas que nunca podem deixar de ser extintos.

Aliás, o filme começa como se fosse uma alfinetada contra “La La Land”. Com cores quentes e alegres, o Barry Jenkins brinca com a expectativa do cinéfilo que assiste, achando que irá assistir uma bela história de amor, mas com o tempo vai se mostrando o oposto disso. Com a trama se passando nos anos 70, o filme retrata a luta da comunidade negra, seja ela focada no casal central que busca o seu lugar ao sol, como também não se esquecendo das mazelas do mundo real.

É nessa questão que o filme se eleva, ao transitar entre a ficção (baseado no livro de James Baldwin) e realidade. Além do filme ir e voltar no tempo, ao mostrar a construção do relacionamento principal, ele mostra atos e consequências reais de uma justiça racista, de tempos aos quais não deveria retornar. Infelizmente, em tempos de Trump e Bolsonaro, é preciso que se coloque o dedo na ferida novamente e nos mostre que as sementes do mal sempre estão por lá.

Contudo, a história de amor formada pelo casal central é realmente cativante, porém, trágica. Tish Rivers (KiKi Layne) e Fonny Hunt (Stephan James), dois amigos de infância que começam a namorar no início da vida adulta, mas que veem seu futuro abalado quando o rapaz é acusado de um crime injustamente. O filme conta ainda com as presenças de Regina King, Colman Domingo, Michael Beach, Diego Luna, Pedro Pascal e Dave Franco. Vale mencionar o ótimo desempenho de Regina King e que sempre dá um show de interpretação em cena sempre quando ela aparece.

Embora fiquemos na expectativa com relação ao destino de Fonny na prisão, Barry Jenkins nos deixa claro que essa não é a questão principal do filme, mas sim explorar as questões sociais de tempos longínquos, porém, mais atualizados do que nunca. Embora não tenha o mesmo potencial de Moonlight, é um filme que tem muita a dizer sobre si, especialmente sobre a injustiças e preconceitos que teimam em não morrer. “Se a Rua Beale Falasse” é um exercício bem executado sobre tempos injustos.

Onde Assistir: Amazon Prime. 

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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Cine Especial: Cine Debate: 'O Coro'

Sinopse:  Garoto problemático tem segunda chance na vida através de uma escola de Coro.  

O cinema possui inúmeros filmes em que se explora a música em sua total magnitude e que, por vezes, desafia os seus protagonistas a se superarem na vida através dessa arte. "Whiplash: Em Busca da Perfeição" (2014) talvez seja o melhor exemplo com relação a esse meu pensamento e sendo facilmente apontado como um dos melhores filmes desses últimos dez anos. Embora não chegue ao nível de perfeição, "Coro" (2015) é delicioso ao assisti-lo, ao nos identificarmos com os protagonistas que buscam o seu talento no mais profundo do seu ser.

Dirigido por François Girard, do filme "Violino Vermelho" (1998), o filme conta a história de Stet (Garrett Wareing), um confuso garoto-problema de 11 anos de idade, que sofre com a recente morte de sua mãe solteira em um acidente de carro. Ele acaba em um internato, onde ele se sente um peixe fora d'água. Logo, ele bate de frente com o maestro do coral do colégio, Carvelle (Dustin Hoffman), que reconhece algo especial na voz de Stet. O professor vai influenciá-lo a descobrir seu dom criativo na música e o jovem rebelde vai provar que consegue atingir os padrões exigidos para participar do coral, orgulho da famosa escola.

O primeiro ato já nos pega um pouco desprevenido, não só pelo fato da morte repentina da mãe do protagonista, como também pelo fato do mesmo nos surpreender em possuir o dom pela música mesmo aparentando ser um rebelde sem causa. Na medida em que a trama avança, o jovem acaba aos poucos abaixando a guarda e deixando a magia da música molda-lo para uma realidade que antes ele desconhecia, mas da qual ele sempre tinha a chave para abrir a porta. Logicamente ele recebe ajuda daqueles que enxergam nele algo muito além de um simples jovem, mesmo quando alguns ainda ficam na dúvida sobre ele.

Tecnicamente o filme é aquela típica obra que poderia ser facilmente exibida nos finais de ano, já que a trama sempre tem como pano de fundo momentos festivos como o natal e a músicas do coral sintetizam muito bem essa minha visão. Com uma fotografia de cores que transita entre o frio e o colorido, isso acaba por ser uma espécie de representação das mudanças que o jovem protagonista vai passando, desde ao se tornar um dos principais do coral, como também o fato dele ir amadurecendo e conseguindo obter assim o seu caminho. Por conta disso, o personagem de Dustin Hoffman nada mais é do que uma espécie de mentor que, embora não tenha o mesmo patamar de outros grandes mentores do cinema, o veterano ator consegue fazer o dever de casa ao construir um personagem que transita entre o seu lado pretensioso e a humildade na medida certa.

Como não poderia deixar de ser, o filme se encaminha para um ato final em que a maioria já irá adivinhar o que irá acontecer. Porém, isso não tira o brilho do filme como um todo, principalmente quando temos o privilégio de ouvir o clássico "O Messias" através do coral cantado por esses jovens. Vale destacar que o filme é inspirado no American Boychoir School, um dos corais mais respeitados do mundo, com sede em Nova Jersey.

Com pouco mais de uma hora e meia, "O Coro" é um filme sobre o indivíduo comum que busca pelo seu "eu" verdadeiro através da arte da música e para que assim consiga encontrar o seu real caminho para trilhar na vida.  


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Cine Dica: AULA GRATUITA: O Som, a Fúria e as Imagens

Aula aberta e gratuita!

Queremos te convidar para este encontro muito especial que, antes de ser a inauguração de um novo curso, trata-se de um novo momento para o Cinema Popular. A partir de agora vamos nos dedicar ao estudo do cinema, da fotografia e da imagem em interface com a Teoria Feminista. Começaremos a jornada trazendo a segunda edição do curso O Som, a Fúria e as Imagens. Nesta edição, vamos traçar um panorama acerca de Artistas Mulheres Latinas - da performance ao audiovisual. A partir da ideia de uma dicotomia entre público e privado, discutiremos seus significados éticos e estéticos pela perspectiva de gênero. Com Nadia Granados, Leonora de Barros, Lissette Orozco, Carol Benjamin, Márcia X, Dolores Salcedo e tantas outras, vamos dar corpo a nossa fúria experienciando outras formas de narrar-se, lembrar-se, imaginar-se e pensar-se. Como sempre, nos faremos obra de arte por entre dobras e partilhas.

GRUPO TELEGRAM

12/05/2021 - Quarta-feira, às 19h | Aula aberta e gratuita

Nesta aula, ABERTA E GRATUITA, traçaremos um panorama geral de artistas mulheres e latinas que, enquanto subjetividades dissidentes, propõe novas formas de operar com as imagens do corpo e da memória. Desta forma, tensionam a dicotomia entre público e privado - como nos sugere Susan Okin. 

Te inscreve no grupo do curso no Telegram, pois é por lá que enviaremos o link e o material da aula.

GRUPO TELEGRAM

Quem irá ministrar o curso?

Iasmin Schleder é formada em Fotografia pelo Centro Universitário FADERGS. Durante a graduação realizou, em 2019, um intercâmbio no IADE - Creative University em Lisboa/Portugal, onde cursou Fotografia e Cultura Visual. Realizou, em 2019, duas exposições de seu projeto fotográfico ‘Pieces Project’, uma em março, como parte da Programação Especial 8M, realizada na Fora da Asa - Experiências Plurais, Porto Alegre/RS; e outra em junho, no Centro Cultural Ordovás, Caxias do Sul/RS. É uma das idealizadoras da Teto Coletivo.

Luciana Tubello Caldas é idealizadora do Projeto Cinema Popular, que desde 2014 oferece oficinas teóricas e práticas de cinema, gratuitas ou a preços populares. Como cofundadora do Cineclube Academia das Musas, já participou de cinedebates, palestras e publicações na área do cinema. Em 2020, passou a integrar a Associação de Críticos de Cinema do RS - ACCIRS.

SAIBA MAIS:

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Cine Dica: Concurso Audiovisual Coreano

 CONCURSO NACIONAL DE AUDIOVISUAL COREANO 

Filmes coreanos inspiram competição de produções amadoras 

O Cinema Coreano, um dos mais prestigiados e premiados do mundo, é tema de concurso realizado pela Embaixada da República da Coreia no Brasil em parceria com a Cine UM Produtora Cultural e curadoria de Josmar Reyes.

Com o objetivo de divulgar e promover as produções coreanas (filmes e kdramas) o CONCURSO NACIONAL DE AUDIOVISUAL COREANO (CNAC) é aberto a residentes no Brasil, maiores de 18 anos (inclusive), nas categorias estudantes e não-estudantes. 

Os participantes interessados devem produzir vídeos de 2 a 6 minutos que façam referência (paródia, pastiche, imitação, menção, releitura) a cenas selecionadas de 10 (dez) filmes e kdramas coreanos. Os filmes indicados são: “Certo Agora, Errado Antes” de Hong Sang-Soo, “Parasita” de Bong Joon-Ho, “Old Boy” de Park Chang-Wook, “Em Chamas” de Lee Chang-Dong e “Minari” de Lee Isaac-Chung. Os kdramas são: “My Love from the Stars”, “Descendants of the Sun”, “Goblin”, “Sky Castle” e “Crash Landing on you”. As cenas selecionadas das produções estão disponíveis para os interessados no Google Drive (link https://bit.ly/2S8Nh2Z) O áudio dos vídeos inscritos pode ser em português ou em coreano (neste caso o vídeo deverá ser legendado em português). É vetado o recurso do yellow face. 

Os vídeos selecionados serão exibidos e premiados durante o “Festival República da Coreia 2021”. Os vencedores recebem menções honrosas, certificados e artigos eletrônicos da indústria coreana.

As inscrições para o CNAC estão abertas até o dia 21 de maio de 2021. 
Para mais informações e inscrições, acessar o Edital: https://bit.ly/3sRPBYJ
Acompanhe as redes sociais da Embaixada da República da Coreia no Brasil e da Cine UM. 

CONCURSO NACIONAL DE AUDIOVISUAL COREANO (CNAC)
Realização: Embaixada da República da Coreia no Brasil 
Promoção: Cine UM Produtora Cultural 
Curadoria: Josmar Reyes 


Contato:
 audiovisualcoreano@cineum.com.br 


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terça-feira, 27 de abril de 2021

Cine Dica: Curso Mulheres Diretoras No Cinema Brasileiro.


 APRESENTAÇÃO

O cinema feito por mulheres é um fenômeno vigoroso e de longa data no Brasil. Entretanto, muitas vezes a trajetória das nossas cineastas acaba minimizada ou esquecida nos livros de história do cinema. Nas últimas duas décadas, a insurgência dos movimentos sociais em prol da equidade de gênero impulsionou pesquisadoras e pesquisadores a resgatarem a presença artística das mulheres no audiovisual.

OBJETIVOS

O Curso online MULHERES DIRETORAS NO CINEMA BRASILEIRO, ministrado por Daniela Strack, deseja lançar luz à trajetória das cineastas mulheres no contexto brasileiro. A partir da análise da vida e obra de algumas de suas principais cineastas, o curso propõe um novo olhar para a história do cinema brasileiro.

CONTEÚDOS

Aula1

Percursos invisíveis: as primeiras cineastas 

1) Breve panorama dos estudos sobre mulheres no cinema brasileiro; 

2) De personagem à cineasta: as pioneiras do cinema brasileiro (Cléo de Verberena, Carmen Santos, Gilda de Abreu);

3) Mulheres diretoras nas décadas de 60 e 70 (Helena Solberg, Tereza Trautman, Vera de Figueiredo);

4) Amor Maldito e as cineastas pós ditadura militar (Adélia Sampaio, Suzana Amaral, Lúcia Murat).

Aula 2

Feminino e plural: mulheres no cinema brasileiro contemporâneo

1) A geração pós-retomada (Tata Amaral, Anna Muylaert, Ana Luiza Azevedo, Laís Bodanzky); 

2) Helena Ignez e Paula Gaitán: longos percursos, novos cinemas; 

3) Mulheres no cinema brasileiro contemporâneo.


Curso online 

MULHERES DIRETORAS NO CINEMA BRASILEIRO

de Daniela Strack

Datas

01 e 02 / Maio

(sábado e domingo) 

Horário

14h às 16h 


Duração

2 encontros online 

(carga horária: 4 horas / aula) 


Investimento

R$ 80,00 (parcelado em até 12x) 


PROMOÇÃO

Valor Especial para as primeiras 10 inscrições: R$ 60,00 

* Antecipe sua inscrição e garanta o desconto! *


Informações

cineum@cineum.com.br / Fone: (51) 99320-2714

INSCRIÇÕES AQUI

http://cinemacineum.blogspot.com/2021/04/mulheres-diretoras.html


segunda-feira, 26 de abril de 2021

Cine Curiosidade: Vencedores do Oscar 2021

Chloé Zhao – Nomadland  - Vencedora

Mesmo com as restrições devido a pandemia ocorreu, enfim, o Oscar 2021 e coroando a diversidade que já havia sido sentida no ano passado com a vitória do filme Coreano "Parasita". Chloé Zhao, por exemplo, se torna a segunda mulher a ganhar o Oscar de Melhor Direção pelo filme "Nomadland" e sendo a primeira mulher Chinesa a ganhar o tão sonhado prêmio. O filme, aliás, levou os prêmios também de Melhor Filme e, novamente, Oscar de Melhor Atriz para Frances McDormand e tornando uma das atrizes mais premiadas da academia.

A expectativa maior da noite ficou por conta da categoria de melhor ator, já que a maioria estava apostando em uma vitória póstuma para o falecido ator Chadwick Boseman pelo filme "A Voz Suprema do Blues". Porém, os membros da academia precisaram reconhecer a fantástica atuação de Anthony Hopkins pelo filme "Meu Pai" e recebendo, enfim, o seu segundo Oscar na carreira. Por outro lado, não foi dessa vez Glenn Close ganhou o seu tão sonhado primeiro Oscar pelo seu desempenho pelo filme "Era Uma Vez um Sonho", mas sim a veterana atriz coreana Yuh-Jung Youn pelo filme  "Minari".

Com diversos filmes com teor bastante político, muitos dos indicados e que saíram vencedores são uma representação do discurso contra o fascismo de hoje, principalmente em um EUA pós Donald Trump. "Judas e o Messias Negro", por exemplo, foi coroado com dois Oscar, dentre eles para Daniel Kaluuya ao interpretar um famoso líder do partido Panteras Negras e que foi brutalmente assassinado por agentes do governo dos EUA. Em tempos em que o país sofre novamente com atentados e mortes provados pelas armas, o curta "Se Algo Acontecer...Te amo" saiu triunfante com o Oscar de Melhor Curta de Animação e cuja sua mensagem emocional contra as armas encantou o público e a crítica.  


Confira todos os vencedores:


Melhor Filme

Bela Vingança

Judas e o Messias Negro

Mank

Meu Pai

Minari

Nomadland - Vencedor

Os 7 de Chicago

O Som do Silêncio


Melhor Direção

Lee Issac Chung – Minari

Emerald Fennel – Bela Vingança

David Fincher – Mank

Thomas Vinterberg – Druk: Mais Uma Rodada

Chloé Zhao – Nomadland  - Vencedora


Melhor Ator

Riz Ahmed – O Som do Silêncio

Chadwick Boseman – A Voz Suprema do Blues

Anthony Hopkins – Meu Pai  - Vencedor

Gary Oldman – Mank

Steven Yeun – Minari


Melhor Atriz

Viola Davis – A Voz Suprema do Blues

Andra Day – The United States vs. Billie Holiday

Vanessa Kirby – Pieces of a Woman

Frances McDormand – Nomadland  - Vencedora

Carey Mulligan – Bela Vingança


Melhor Ator Coadjuvante

Sacha Baron Cohen – Os 7 de Chicago

Daniel Kaluuya – Judas e o Messias Negro  - Vencedor

Leslie Odom Jr. – Uma Noite em Miami

Paul Raci – O Som do Silêncio

Lakeith Stanfield – Judas e o Messias Negro


Melhor Atriz Coadjuvante

Maria Bakalova – Borat 2

Glenn Close – Era uma Vez um Sonho

Olivia Colman – Meu Pai

Amanda Seyfried – Mank

Yuh-Jung Youn – Minari  - Vencedora


Melhor Roteiro Original

Judas e o Messias Negro

Minari

Bela Vingança  - Vencedor

O Som do Silêncio

Os 7 de Chicago


Melhor Roteiro Adaptado

Borat 2

Meu Pai  - Vencedor

Nomadland

Uma Noite em Miami

O Tigre Branco


Melhor Animação

Dois Irmãos

A Caminho da Lua

A Shaun the Sheep Movie: Farmaggedon

Soul - Vencedor

Wolfwalkers


Melhor Direção de Fotografia

Judas e o Messias Negro

Mank  - Vencedor

Relatos do Mundo

Nomadland

Os 7 de Chicago


Melhor Documentário

Collective

Crip Camp

The Mole Agent

Professor Polvo  - Vencedor

Time


Melhor Figurino

Emma

A Voz Suprema do Blues  - Vencedor

Mank 

Mulan

Pinocchio


Melhor Montagem

Meu Pai

Nomadland

Bela Vingança

O Som do Silêncio  - Vencedor

Os 7 de Chicago


Melhor Trilha Sonora Original

Terence Blanchard – Destacamento Blood

Trent Reznor e Atticus Ross – Mank

Emile Mosseri – Minari

James Newton Howard – Relatos do Mundo

Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste – Soul  - Vencedor


Melhor Canção Original

“Fight for You” – Judas e o Messias Negro  - Vencedor

“Hear my Voice” – Os 7 de Chicago

“Husavik” – Festival Eurovision da Canção

“Io Sí” – Rosa e Momo

“Speak Now” – Uma Noite em Miami


Melhor Filme Internacional

Druk: Mais uma Rodada (Dinamarca)  - Vencedor

Better Days (Hong Kong)

Collective (Romênia)

The Man Who Sold His Skin (Tunísia)

Quo Vadis, Aida? (Bósnia)


Melhor Curta Animado

Burrow

Genius Loci

Se Algo Acontecer… Te Amo  - Vencedor

Opera

Yes-People


Melhor Curta em Live-action

Feeling Through

The Letter Room

The Present

Dois Estranhos  - Vencedor

White Eye


Melhor Curta em Documentário

Collete  - Vencedor

A Concerto is a Conversation

Do Not Split

Hunger Ward

A Love Song for Latasha


Melhor Som

Greyound

Mank

Relatos do Mundo

Soul

O Som do Silêncio  - Vencedor


Melhor Maquiagem

Emma

Era uma Vez um Sonho

A Voz Suprema do Blues  - Vencedor

Mank

Pinóquio


Melhores Efeitos Visuais

Amor e Monstros

O Céu da Meia-Noite

Mulan

O Grande Ivan

Tenet  - Vencedor


Melhor Design de Produção

Meu Pai

A Voz Suprema do Blues

Mank  - Vencedor

Relatos do Mundo

Tenet

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domingo, 25 de abril de 2021

Cine Especial: Oscar 2021: 'Nomadland' e 'Bela Vingança'

Enfim, estamos na reta final para o Oscar 2021 e deixo aqui a minha última postagem especial sobre os favoritos "Nomadland" e "Bela Vingança". 

'Nomadland' 

Sinopse: Após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos, Fern, uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna. 

Nos próximos anos especialistas farão uma análise mais profunda sobre os tempos de hoje em que vivemos e dos quais o cinema nos revelou como um todo.  Se por um lado "Parasita" (2019) fala sobre os problemas que o mundo capitalista faz com que tudo transborde, do outro, "Coringa" (2019) fala sobre o indício comum abandonado por esse mesmo sistema e que não excita mais em estourar a bolha. "Nomadland" vem para complementar ainda mais esse quadro, do qual retrata um lado dos EUA sem nenhuma glória e que se sustenta somente com a força de vontade que lhe resta.

Dirigido pelo cineasta Chloé Zhao, o filme se passa logo após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos.  Fern (Frances McDormand), uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna. Durante o percurso, trabalha em diversos empregos, além de conhecer pessoas comuns e com o mesmo destino.

A crise econômica de 2008 serviu como pano de fundo para a realização de diversos filmes que revelaram um olhar mais sujo e sofrido do povo americano, pois basta pegar o filme "Inverno da Alma" (2010) como um bom exemplo. Porém, "Nomadland" se encaixa mais com os dois filmes citados acima, ao retratar uma protagonista presa as regras capitalistas, mas obtendo a chance de sair dessa bolha e dando de encontro com uma realidade até então desconhecida. Com a sua Van, Fern dá de encontro com pessoas iguais a ela e das quais cada história são maiores do que a vida.

Ao procurar nos passar maior realismo possível, a cineasta Chloé Zhao procurou pessoas reais para que as mesmas atuassem e revelassem as suas vidas reais de Nômades na frente da tela. O resultado é uma bela transição entre ficção e realidade, onde Frances McDormand para por uns instantes de atuar para então ouvir as palavras dessas pessoas sofridas, mas que não se abalam nem mesmo quando o estado lhe dá as costas. Pessoas que foram engolidas pelas consequências do capitalismo desenfreado, mas que se viram livres ao sair dessa realidade cheia de regras e que sempre cobram um alto preço.

Como não poderia deixar de ser, Frances McDormand dá novamente um show de interpretação, ao colocar para fora as suas raízes humildes de sua vida pessoal e revelando uma faceta de sua pessoa até então inédita nas telas. Sua personagem nunca se dá por vencida, ao escolher continuar trabalhando em empregos sem nenhum futuro, mas cujo os mesmos a fazem esquecer um pouco do seu passado dolorido. Passado, aliás que se encontra nos mais pequenos detalhes dentro de sua Van, desde a pratos raros, como também fotos preciosas e que valem muito para ela.

Na reta final, a protagonista tem a chance de se encaixar novamente no mundo em que ela havia deixado para atrás. Porém, as cicatrizes vindas do passado falam mais alto e constatamos que, mesmo com um sistema cada vez mais no controlando, há ainda lugares intocáveis e dos quais vale a pena testemunharmos e senti-los. Talvez seja a hora de começarmos a enxergarmos o que há além dos muros desse sistema doentio.

"Nomadland" é um filme universal sobre o nosso tempo atual, onde a sociedade não tem mais para onde se esconder desse sistema capitalista, a não ser estourar a bolha e colocar o pé na estrada. 


Nota: Em Cartaz nos cinemas. 

'Bela Vignça’  

Sinopse: Cassie (Carey Mulligan) é uma jovem que sempre sonhou em ser médica. No entanto, um acontecimento traumático fez ela largar a faculdade e voltar para a casa dos pais. Agora perto dos 30 anos, ela decide se vingar dos predadores sexuais que se aproveitam das mulheres bêbadas. 

Quando os escândalos de abuso sexual cometidos por Harvey Weinstein explodiram e caíram no colo da grande imprensa, vários outros escândalos foram noticiados, pois as vítimas perceberam que, enfim, poderiam sair do armário e sem medo. A cultura do estupro é algo que, infelizmente, se encontra ainda muito incrustado na nossa sociedade, pois a maioria dos homens que cometem jamais irão admitir tais atos, ao ponto de usar todos os meios para persuadir a justiça a qualquer custo. Neste caso, "Bela Vingança" (2020) vem para nos dizer que a situação transbordou, não há mais volta e que as mulheres não podem mais recuar perante tais violências físicas e psicológicas.
Dirigido por Emerald Fennell, o filme conta a história de Cassie (Carey Mulligan), uma mulher com muitos traumas do passado que frequenta bares todas as noites e finge estar bêbada. Quando homens mal intencionados se aproximam dela com a desculpa de que vão ajudá-la, Cassie entra em ação e se vinga dos predadores que tiveram o azar de conhecê-la e o mau caráter de tentar abusá-la. Aos poucos é revelado os motivos de suas ações ao longo do percurso.
Diferente do que se imagina, principalmente se levar muito em consideração o título, o filme não se enverada para os típicos filmes de vingança, onde há muita violência e sangue, mas sim tudo de uma forma mais sugestiva e deixando a nossa imaginação trabalhar após cada importante cena apresentada. Embalado com uma sedutora trilha sonora, da qual é moldada com vários sucessos, Emerald Fennerll procura ser bastante perfeccionista, pois se percebe que cada cena filmada foi criada de uma forma muito bem pensada e para assim ficarmos prestando atenção em cada ação de sua protagonista, desde aos gestos com as mãos, como também pelo seu olhar que tem muito a dizer. O prólogo, por exemplo, é um belo exemplo do que veremos no decorrer do filme e fazendo da obra algo bem diferente do que estamos acostumados em assistir dentro do gênero.
Mais do que uma obra com um teor de humor sombrio, o filme também é uma crítica ácida contra uma sociedade machista, onde filhinhos de papai ricos acham que podem fazer o que bem entenderem, quando na verdade não passam de homens fracos perante ao momento que terão que sofrer as consequências dos seus atos monstruosos. Além disso, o filme destrincha como certas bases importantes da sociedade tentam acobertar esses atos, sendo que acabam se tornando tão culpados quanto os que praticam o ato e provocando assim uma bola de neve que vai aumentando conforme o tempo vai passando. As justificativas são quase sempre as mesmas e fazendo a gente ter menos pena das partes que se acharam um dia intocáveis.
Carey Mulligan, vista em filmes como "As Sufragistas" (2015) obtém aqui o melhor papel de sua carreira, onde interpreta uma Cassie marcada pelos horrores do passado e não conseguindo seguir em frente na vida como um todo. Reparem que a fotografia, assim como determinadas cores de certos objetos vistos na tela, sintetizam elementos inocentes que ela ainda mantém em seu dia a dia, mesmo tendo consciência da real realidade nua e crua em sua volta. E quando se achava que ela se encaminhava para a chance de obter  a sua redenção, eis que situações a fazem se dar conta que o único jeito de obter justiça é do seu jeito, pois o estado acaba se tornando ineficaz para praticar tal ato.
Chegando neste ponto, adentramos em um ato final muito bem dirigido, onde Emerald Fennell não tem medo de nos colocar frente a frente a uma situação inusitada e criando um plano sequência que faz a gente se afundar na cadeira. Os minutos finais a gente pode até adivinhar o que acontece, mas não prejudica o resultado final, mas sim somente fortifica a ideia de que algo precisa ser feito em nosso mundo real. O abuso e a violência precisam acabar, ou então terá várias Cassies que irão aparecer por aí.
"Bela Vingança" e uma síntese de nossa época atual, onde as mulheres não podem somente esperar por justiça, mas sim agir contra os lobos fantasiados de cordeiros.  

Nota: O filme tem previsão de estrear nos cinemas brasileiros em Maio. 

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