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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Se a Rua Beale Falasse’

Sinopse: Tish está esperando um filho enquanto luta para livrar seu marido de uma acusação criminal injusta e de subtextos racistas, a tempo de tê-lo em casa para o nascimento de seu bebê.

Embora tenha todos os ingredientes para se tornar o mais novo clássico do cinema, “La La Land” (2016) havia estreado num momento de mudanças, infelizmente, retrógradas, tanto nos EUA, como também no resto do mundo. Portanto, premiar o filme com o prêmio máximo da indústria do Oscar, não seria somente um erro, como também esconder o sol com a peneira com os prelúdios momentos em que a sociedade estava passando e, que ainda vive, nesse momento. Portanto, a vitória de “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (2016), não foi somente um trunfo contra o ultra conservadorismo, como também uma dica que o cinema como um todo não se curvasse perante óbvio.

Dirigido por Barry Jenkins, o filme não falava somente sobre a luta árdua do homem negro diante de uma sociedade preconceituosa, como também explorava questões importantes sobre a luta da comunidade LGBT e que jamais deve deixar de ser debatida. O sucesso do filme foi o suficiente para o cineasta abraçar novas ideias para serem exploradas, mas que houvesse a mesma simetria de questões para ainda serem revistas. Em “Se a Rua Beale Falasse” o cineasta chega a um novo patamar sobre assuntos vistos e revistos por nós, mas que nunca podem deixar de ser extintos.

Aliás, o filme começa como se fosse uma alfinetada contra “La La Land”. Com cores quentes e alegres, o Barry Jenkins brinca com a expectativa do cinéfilo que assiste, achando que irá assistir uma bela história de amor, mas com o tempo vai se mostrando o oposto disso. Com a trama se passando nos anos 70, o filme retrata a luta da comunidade negra, seja ela focada no casal central que busca o seu lugar ao sol, como também não se esquecendo das mazelas do mundo real.

É nessa questão que o filme se eleva, ao transitar entre a ficção (baseado no livro de James Baldwin) e realidade. Além do filme ir e voltar no tempo, ao mostrar a construção do relacionamento principal, ele mostra atos e consequências reais de uma justiça racista, de tempos aos quais não deveria retornar. Infelizmente, em tempos de Trump e Bolsonaro, é preciso que se coloque o dedo na ferida novamente e nos mostre que as sementes do mal sempre estão por lá.

Contudo, a história de amor formada pelo casal central é realmente cativante, porém, trágica. Tish Rivers (KiKi Layne) e Fonny Hunt (Stephan James), dois amigos de infância que começam a namorar no início da vida adulta, mas que veem seu futuro abalado quando o rapaz é acusado de um crime injustamente. O filme conta ainda com as presenças de Regina King, Colman Domingo, Michael Beach, Diego Luna, Pedro Pascal e Dave Franco. Vale mencionar o ótimo desempenho de Regina King e que sempre dá um show de interpretação em cena sempre quando ela aparece.

Embora fiquemos na expectativa com relação ao destino de Fonny na prisão, Barry Jenkins nos deixa claro que essa não é a questão principal do filme, mas sim explorar as questões sociais de tempos longínquos, porém, mais atualizados do que nunca. Embora não tenha o mesmo potencial de Moonlight, é um filme que tem muita a dizer sobre si, especialmente sobre a injustiças e preconceitos que teimam em não morrer. “Se a Rua Beale Falasse” é um exercício bem executado sobre tempos injustos.

Onde Assistir: Amazon Prime. 

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