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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: 'Ainda Temos a Imensidão da Noite' - Continuaremos Cantando

Sinopse: Cansada de lutar por um lugar ao sol com sua aguerrida banda de rock, onde é vocalista e trompetista, Karen decide ir embora de Brasília, cidade que seu avô ajudou a construir. Ela segue os passos do ex-parceiro de banda Artur, que tenta a sorte em Berlim. 

Se existe uma cidade do Brasil da qual eu não visitaria é a própria Brasília, pois hoje ela é tomada por um governo fascista e que prega doutrinas religiosas conservadoras. Imagino o cidadão comum que vive por lá, principalmente aqueles que prezam pela cultura, mas que se sentem sufocados pela perseguição e censura. "Ainda Temos a Imensidão da Noite" responde alguns desses meus pensamentos e com grande êxito.
Dirigido por Gustavo Galvão, do filme "Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa" (2014), o filme conta a história de Karen (Ayla Gresta), uma trompetista e cantora em uma banda de rock em Brasília. No entanto, ela não consegue muita sorte em sua trajetória musical. Por isso, decide seguir os passos de Artur (Gustavo Halfeld), um ex-companheiro de carreira, indo para a Alemanha na intenção de ter sucesso na música.
Se antes eu sentia desgosto na ideia de visitar Brasília, o filme aumenta ainda mais esse meu sentimento, principalmente pelo fato de Gustavo Galvão sempre retratar a cidade como uma espécie de território fantasma, formado por grandes prédios, mas sem nenhum pingo de sentimentos genuínos. A vida que nós testemunhamos nesse cenário nenhum pouco acolhedor é somente pelos personagens principais, dos quais vivem através da boa música, mas que são sugados pela falta de recursos, sem nenhuma expectativa para o futuro e na falta de interesse das pessoas da cidade com relação a magia do rock. O filme fala sobre uma geração moribunda, da qual mantem a sua arte intacta, mesmo quando a batalha aparente ser perdida.
Porém, Karen é a típica pessoa que vive contra maré, principalmente em possuir um desejo em manter o que ela está predestinada para ser. Ao contrário dos seus colegas, dos quais se vendem ao sistema para continuarem sobrevivendo na capital do país, Karen ainda assim luta pelo que sonha, mesmo que para isso coloque os seus demônios para fora. Ayla Gresta dá um show de interpretação e fisgando a nossa atenção do começo ao fim da projeção.
Acima de tudo, é um filme sobre a geração do passado do rock, que brilhava nos palcos em tempos mais dourados, mas que hoje sobrevive pela nostalgia e na esperança de ver essa nova geração em seguir com a ideia. Portanto, nada mais natural do que o cenário principal da trama seja Brasília, da qual os sobreviventes de uma época tentam ajudar uma nova geração sem nenhum entusiasmo com relação ao futuro. Quando o cenário de Berlim surge, por exemplo, é um sinal que há outros lugares para obter novas chances para o futuro, mas no final das contas, pertencemos a uma terra que precisamos lutar por ela e matar os ratos que infestam o nosso território tão arduamente conquistado.
"Ainda Temos a Imensidão da Noite" é sobre a luta sem trégua dessa nova geração brasileira em manter a arte do rock em atuais em que o fascismo tenta tomar o que é nosso no coração de um país moribundo. 



Onde assistir: Cinebancários. R. Gen. Câmara, 424 - Centro Histórico, Porto Alegre. Horário: 15h.


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