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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: O Banquete

Sinopse: No fim da década de 1980, apesar de ter retornado à democracia, o Brasil ainda vive uma época de extrema instabilidade política e incerteza geral. Em meio a este clima de desconfiança, uma jornalista descobre segredos podres sobre o presidente do país, que ameaçarão ainda mais o frágil equilíbrio da nação.

O Deus da Carnificina (2012), Qual o nome do Bebê?(2013) e o recente A Festa, são filmes dos quais nos lembram uma espécie de teatro filmado, mas que a arte cinematográfica prevalece em meio as limitações do cenário. Isso garante até mesmo momentos de tensão, pois as discussões colocadas em pauta nas obras rendem situações que beiram ao imprevisível, porém, realístico. O Banquete segue essa premissa, mas usando um cenário familiar vindo do passado mas que ecoa em nossos tempos contemporâneos.
Dirigido por Daniela Thomas (Vazante), o filme acompanha os preparativos para um jantar, do qual será reunido amigos para se fazer uma determinada  comemoração. Porém, a reunião desencadeia revelações surpreendentes e das e quais se coloca os ânimos a flor da pele. Aos poucos a harmonia se desfaz e revelando uma outra faceta daquelas pessoas em cena.
O início já deixa muito claro do que podemos esperar desse filme, Já que Daniela Thomas já tinha demonstrado ares de perfeccionismo em Vazante, mesmo com todas as polêmicas em que a cineasta teve que carregar nas costas devido aquele filme. Nos deparamos, por exemplo,  com uma flor carnívora devorando uma mosca e já sinalizando que esse jantar pode ser uma armadilha  ou para se colocar as cartas na mesa. A cineasta não tem pressa em colocar isso em pauta de imediato, mas deixando os pensamentos do cinéfilo aflorarem aos poucos.
Gradualmente vamos conhecendo cada uma dessas peças desse tabuleiro cinematográfico, dos quais vão se apresentando sobre o que fazem, o que querem e revelando suas verdadeiras raízes em meio as mudanças em que o país vivia naquela fase. Estamos na era Collor, onde a redemocratização ainda era nova, mas ainda carregando resquícios dos tempos da ditadura. Com isso, descobrimos que aquelas figuras são da classe média esquerdista bem sucedida, mas se esquecendo sobre o que é preciso exatamente para se  enfrentar um autoritarismo corrupto que ainda persistia naqueles tempos longínquos e que agora surge  em tempos contemporâneos.
Com isso, Daniela Thomas cria um retrato de um país de ontem e hoje, onde é preciso acordar perante os eventos que andam acontecendo, antes que a lama venha a transbordar como um todo. Mas independente das questões políticas, o filme ainda possui  questões a serem debatidas nas entrelinhas, desde o papel da mulher,  casamento e fidelidade perante o próximo. É aí que os personagens começam a se descascarem e revelando suas principais fragilidades e medos interiores.
Dito isso, o cenário do jantar começa a se tornar sufocante, tanto para os protagonistas como também para aqueles que assistem. Aliás, é notório que o espelho, por exemplo,  com suas linhas retangulares e do qual se encontra a frente do banquete, se torne a representação de uma gaiola em que se encontra aqueles personagens.  Uma vez presos não tem como fugir das verdades vindo a tona e tão pouco de uma realidade batendo a sua porta.
Daniela Thomas foi feliz na escolha do seu elenco, onde cada um coloca para fora a sua força para moldar os seus respectivos personagens. Se por um lado Caco Ciocler (Elis) e Rodrigo Bolzan (Pendular), interpretam personagens que se veem algemados perante as suas próprias escolhas, Drica Moraes (Getúlio) e Mariana Lima (Sudoeste) interpretam mulheres também presas as suas, mas não escondendo o desejo de quebrar as algemas e tornando o ato final da trama num duelo verbal em que as levam num caminho sem volta. Embora em pouco tempo de cena, Bruna Linzmeyer (A Frente Fria que a Chuva Traz), dá  novamente um show de interpretação, cujo o diabo que ela coloca pra fora se sobressai perante aos seus colegas de cena.
O Banquete usa um pequeno cenário para se discutir  sobre os anseios de um país que  deseja cada vez mais se desvencilhar do lado hipócrita de uma parte da sociedade que finge em ser cega, surda e muda. 


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