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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Ferrugem

Sinopse: A adolescente Tati adora compartilhar sua vida nas redes sociais. Mas ela precisa amadurecer e lidar com as consequências, depois que algo que ela não queria que se tornasse público é divulgado no grupo do WhatsApp de sua turma de colégio.

Os filmes de Aly Muritiba são inquietantes, pois se vê seus protagonistas, tanto como julgados como julgadores de determinados atos. Em Para a minha Amada Morte, por exemplo, vemos o protagonista testando os seus limites ao saber da traição da sua falecida mulher, enquanto em A Gente vemos um diretor de uma penitenciária dividido entre a fé e a razão para colocar ordem num local em que a burocracia é a sua principal inimiga. Em Ferrugem, o cineasta novamente coloca os protagonistas frente a frente nas consequências dos seus atos e cabe cada um deles saber como contornar situações das quais se encontram sem rumo.
Na trama conhecemos Tati ( (Tiffanny Dopke), jovem comum e que adora compartilhar sua imagem nas redes sociais. Porém, ela perde o seu celular, cujo o conteúdo existe um vídeo indiscreto com o seu ex namorado. O vídeo é postado por alguém a partir de um grupo de Whatsapp e iniciando uma série de situações que se encaminharão para resultados trágicos.
Com uma trama realista, além dela ser mais atual do que nunca, o filme de Aly Muritiba vai aos poucos apresentando os efeitos de tais atos inconsequentes, principalmente vindos a partir do que é compartilhado na internet. Além disso, o filme escancara a total alienação dos pais de hoje, dos quais não conseguem interagir com os seus próprios filhos e tão pouco se dão o dever de querer saber no que eles estão realmente passando. O resultado é inevitável, porém, é preciso ser sentido.
Dividido em duas partes, o início é sobre atitudes inconsequentes, seja da jovem protagonista ao guardar em seu aparelho algo muito intimo, seja na atitude impensável daquele que usufruiu do seu conteúdo e fazendo de sua atitude em algo errôneo. Já a segunda parte é sobre o peso de tal ato, como se as consequências se tornassem  fantasmas e dos quais dizem que jamais irão abandonar as memórias do autor inconsequente. Aly Muritiba cria, então, inúmeros planos fechados, como se o ambiente cada vez mais se fechasse para o autor do crime e sintetizando o beco sem saída do qual ele encontra.
Aliás, Aly Muritiba novamente dá uma bela aula de planos- sequências. Se em boa parte em  Para a Minha Amada Morta ele usava o plano-sequência para causar a sensação de apreensão, aqui, o recurso surge num momento dentro de um carro, do qual serve para descascar as reais personalidades de um casal perante uma situação que eles terão que contornar. Aliás, é nesse cenário visto dentro do carro  em que se escâncara o casal contemporâneo, dos quais os dilemas de uma relação problemática acabam por nublar os problemas que afligem os seus próprios filhos e fazendo com que não enxerguem num primeiro olhar.
Com uma rápida, porém, perturbadora cutucada com relação aqueles que apoiam sobre o porte de Armas, Ferrugem dá um soco no estômago ao constatarmos o quão somos impotentes perante os atos inconsequentes vindos do nosso mundo atualmente. 

Onde assistir: Cinebancários. Rua General Câmara, nº 424, centro de Porto Alegre. Horário: 17h.

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