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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sábado, 22 de setembro de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Buscando

Sinopse: Após uma jovem de 16 anos desaparecer, seu pai David Kim (John Cho) pede ajuda às autoridades locais. Sem sucesso, após 37 horas, David decide invadir o computador de sua filha para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro. 

Ao longo de mais de um século, o cinema tem nos brindado com diversas formas de se apresentar uma história, seja ela de formas previsíveis ou genuinamente  criativas. Em Janela Indiscreta, por exemplo, Alfred Hitchcock fez mais do que levantar questões sobre o voyeurismo, mas sim prestar uma homenagem ao próprio cinema, já que cada janela observada pelo personagem de James Stuart contava a sua própria história. Buscando conta uma história de começo, meio e fim, mas montada de uma forma raramente vista e muito bem vinda.
Dirigido pelo estreante Aneesh Chaganty, o filme conta a história de uma família em harmonia e da qual conhecemos através do computador de sua filha Margot (Michelle La). Porém, a esposa vêm a falecer e cabe ao pai David Kim (John Cho, o Sulu dos novos filmes de Star Trek) cuidar de sua filha da melhor forma  possível. Porém, Margot desaparece e desencadeando uma busca que irá levar David a situações reveladoras e surpreendentes.
Em termos de originalidade o roteiro em si soa a todo momento familiar, já que ele não é muito diferente do que é visto em outros suspenses clássicos do gênero. Porém, é na sua maneira de  apresentação em que o filme ganha voz própria, já que  toda a trama se passa na frente do computador. Há desde uma criação de uma linha narrativa, como apresentação dos personagens, atos e consequências na trama, mas tudo moldado através de fotos, vídeos, redes sociais, imprensa e tudo isso e muito mais visto pelo olhar do protagonista na frente da tela.
A criatividade aqui fica nítida e a ilusão cinematográfica colabora para que compremos de um modo mais fácil a proposta vinda da obra. Isso se deve também ao que tudo que é visto na tela nos pareça  familiar, desde ao fato de testemunharmos na tela as ferramentas como, por exemplo, Google, das redes sociais, FaceTime, livestreaming e por aí vai. E, como uma ou outra “licença poética”, o resultado se torna até mesmo verossímil e muito bem feito.
Outro grande feito é o seu lado dinâmico, cuja a edição em que apresenta as imagens vistas no computador se crie um verdadeiro balé perante os nossos olhos e fazer com que não nos desgrudemos da poltrona por nenhum momento. Isso ainda melhora cada vez mais quando surge em cena a trilha sonora composta por Torin Borrowdale, da qual faz um belo casamento com as sequências vistas na tela e fazendo até mesmo me lembrar dos melhores momentos do filme A Rede Social de David Fincher. São dois filmes distintos, mas que falam sobre o papel da  interatividade das redes sociais em tempos contemporâneos.
Aliás, é notório que Aneesh Chaganty busque dialogar com o cinéfilo com relação as inúmeras questões que são abordadas dentro da história, ao ponto de fazer com que a pessoa se identifique facilmente com elas. Assuntos como, por exemplo, amizades virtuais, celebridades instantâneas nas redes, midía sensacionalista e demais assuntos que são cada vez mais debatidos hoje em dia. Isso se cria uma gangorra que balança para os dois lados, onde se explora, tanto os bons recursos que a tecnologia pode nos  oferecer, como também os males que podem vir a surgir.
É claro que, mesmo com toda a criatividade na apresentação da trama, onde possui inúmeras camadas a serem descascadas, ela não viria a funcionar sem um bom protagonista. Em seu primeiro grande papel de destaque, John Cho se sai muito bem em cena, onde o seu personagem vai mudando aos poucos, tanto fisicamente, como também mentalmente  e tentando se sustentar para não enlouquecer perante a sua cruzada em busca de sua filha. Pelo olhar de incrédulo de David, por exemplo, testemunhamos alguém ao não acreditar nas situações que vão acontecendo, mas das quais existem e sintetizando tempos onde cada vez é mais fácil colecionar amigos pelas redes virtuais, mas nunca termos a total certeza sobre suas reais identidades. 
Buscando é um filme  criativo em sua proposta e provando que a magia do cinema pode sim nos brindar ainda com novas formas de apresentar uma boa história. 


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