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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Monsieur & Madame Adelman



Sinopse: Victor e Sarah vivem um amor de altos e muitos baixos. Ela sempre está à sombra do marido e o relacionamento dos dois é permeado por traições, segredos e desentendimentos. Mesmo assim, Victor e Sarah estão juntos há 45 anos e ninguém entende como conseguiram ficar juntos durante todos esses anos.
Quando sinto falta de rir dentro do cinema me dou conta que o gênero se sustenta atualmente através de outros gêneros e acaba que perdendo a sua própria identidade. Porém, dentro do gênero, ainda existe os subgêneros, como no caso comédia dramática e comédia romântica. Se essa última anda atualmente desgastada, principalmente dentro do território americano, é através França que vem Monsieur e Madame Adelman para provar que o cruzamento de comédia com romance ainda pode gerar grandes frutos. 
Dirigido por Nicolas Bedos, acompanhamos as idas e vindas do casal Victor (o próprio Nicolas Bedos) e Sarah (a estreante Doria Tillier) que, através do mundo da literatura, acabam se apaixonando e se casando. Contudo, Sarah se vê na sombra do marido, do qual ganha frutos através dos seus livros, mas faz com que ao mesmo tempo transforme o seu casamento numa montanha russa de altos e baixos. Isso acaba desencadeando a verdadeira natureza da personalidade de ambos e culminando em revelações surpreendentes ao longo dos anos de relacionamento.
Para começo de conversa, é preciso tirar o chapéu para o cineasta Nicolas Bebos, pois mesmo estando atrás câmeras e atuando ao mesmo tempo, consegue criar um filme dinâmico e delicioso de se assistir. Mais do que uma cruzada sobre a vida de um casal, o cineasta é habilidoso ao colocar os principais eventos políticos e do mundo como pano de fundo e fazê-los com que eles façam parte fundamental da trama. Por conta disso, o cineasta consegue passar um perfeccionismo nas reconstituições de época que, embora apareçam sempre às datas dos períodos da história, nós conseguimos nos localizarmos através da moda, dos cabelos dos personagens e de uma fotografia que sintetiza cada período.
Mas toda essa parte técnica não funcionaria se o casal central não nos conquistasse de imediato e é exatamente isso o que acontece. Através de um grande flashback, conhecemos quando eles se conheceram, se apaixonaram, mas ao mesmo tempo conhecendo as ambições de ambos. Logo de cara percebemos que Victor é um amante da literatura e do qual sofre quando não consegue adquirir os seus sonhos através da escrita. Já Sarah, não só se torna o seu amor na trama, como também uma pessoa que o inspira para que ele consiga alcançar os seus objetivos.
Porém, diferente da maioria das comédias românticas, principalmente se formos comparar com as comédias previsíveis norte americanas de hoje, o filme se envereda para um contexto que mais lembra, por exemplo, os melhores momentos da carreira de Woody Allen. O divertido é assistirmos a perspectiva de ambos com relação ao relacionamento: de um lado temos Victor desabafando sempre com o seu psiquiatra e do outro vemos Sarah, já envelhecida, contando inúmeras verdades sobre o seu casamento para um jornalista e revelando inúmeras situações que beiram a um humor negro caprichado e que nos faz rir do começo ao fim.
Mas são nos desdobramentos da trama que é revelado as verdadeiras facetas do casal central e fazendo com que isso se torne o maior trunfo do filme. Se por um lado Victor demonstra todos os sinais frágeis de um homem em busca de um relacionamento e de uma carreira perfeita, por outro lado, temos Sarah que, aos poucos, dá sinais de que desde o principio tinha controle com relação ao que queria no relacionamento e em sua vida profissional. Posso estar sendo precipitado em dizer isso, porém, não me surpreenderia se Sarah viesse a ser uma das personagens femininas mais complexas do cinema atual e muito se deve ao magnífico desempenho de Doria Tillier. 
É graças ao desempenho dela, aliás, que ficamos tendo inúmeros sentimos em conflito com relação à Sarah. Não sabemos se amamos ou a odiamos com relação aos caminhos que ela trilhou tanto para tanto manter o relacionamento com Victor, como também ao contornar os obstáculos que nasceram desse relacionamento e sair da história de uma forma limpa e sem nenhum remorso. Os minutos finais ficam na memória de quem assiste e que com certeza gerará inúmeros debates após a sessão terminar. 
Com uma maquiagem e reconstituição de época primorosa, Monsieur & Madame Adelman é uma comédia que lhe faz rir, se emocionar e refletir sobre os relacionamentos conflituosos de ontem e hoje.

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