Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 70 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Monsieur & Madame Adelman



Sinopse: Victor e Sarah vivem um amor de altos e muitos baixos. Ela sempre está à sombra do marido e o relacionamento dos dois é permeado por traições, segredos e desentendimentos. Mesmo assim, Victor e Sarah estão juntos há 45 anos e ninguém entende como conseguiram ficar juntos durante todos esses anos.
Quando sinto falta de rir dentro do cinema me dou conta que o gênero se sustenta atualmente através de outros gêneros e acaba que perdendo a sua própria identidade. Porém, dentro do gênero, ainda existe os subgêneros, como no caso comédia dramática e comédia romântica. Se essa última anda atualmente desgastada, principalmente dentro do território americano, é através França que vem Monsieur e Madame Adelman para provar que o cruzamento de comédia com romance ainda pode gerar grandes frutos. 
Dirigido por Nicolas Bedos, acompanhamos as idas e vindas do casal Victor (o próprio Nicolas Bedos) e Sarah (a estreante Doria Tillier) que, através do mundo da literatura, acabam se apaixonando e se casando. Contudo, Sarah se vê na sombra do marido, do qual ganha frutos através dos seus livros, mas faz com que ao mesmo tempo transforme o seu casamento numa montanha russa de altos e baixos. Isso acaba desencadeando a verdadeira natureza da personalidade de ambos e culminando em revelações surpreendentes ao longo dos anos de relacionamento.
Para começo de conversa, é preciso tirar o chapéu para o cineasta Nicolas Bebos, pois mesmo estando atrás câmeras e atuando ao mesmo tempo, consegue criar um filme dinâmico e delicioso de se assistir. Mais do que uma cruzada sobre a vida de um casal, o cineasta é habilidoso ao colocar os principais eventos políticos e do mundo como pano de fundo e fazê-los com que eles façam parte fundamental da trama. Por conta disso, o cineasta consegue passar um perfeccionismo nas reconstituições de época que, embora apareçam sempre às datas dos períodos da história, nós conseguimos nos localizarmos através da moda, dos cabelos dos personagens e de uma fotografia que sintetiza cada período.
Mas toda essa parte técnica não funcionaria se o casal central não nos conquistasse de imediato e é exatamente isso o que acontece. Através de um grande flashback, conhecemos quando eles se conheceram, se apaixonaram, mas ao mesmo tempo conhecendo as ambições de ambos. Logo de cara percebemos que Victor é um amante da literatura e do qual sofre quando não consegue adquirir os seus sonhos através da escrita. Já Sarah, não só se torna o seu amor na trama, como também uma pessoa que o inspira para que ele consiga alcançar os seus objetivos.
Porém, diferente da maioria das comédias românticas, principalmente se formos comparar com as comédias previsíveis norte americanas de hoje, o filme se envereda para um contexto que mais lembra, por exemplo, os melhores momentos da carreira de Woody Allen. O divertido é assistirmos a perspectiva de ambos com relação ao relacionamento: de um lado temos Victor desabafando sempre com o seu psiquiatra e do outro vemos Sarah, já envelhecida, contando inúmeras verdades sobre o seu casamento para um jornalista e revelando inúmeras situações que beiram a um humor negro caprichado e que nos faz rir do começo ao fim.
Mas são nos desdobramentos da trama que é revelado as verdadeiras facetas do casal central e fazendo com que isso se torne o maior trunfo do filme. Se por um lado Victor demonstra todos os sinais frágeis de um homem em busca de um relacionamento e de uma carreira perfeita, por outro lado, temos Sarah que, aos poucos, dá sinais de que desde o principio tinha controle com relação ao que queria no relacionamento e em sua vida profissional. Posso estar sendo precipitado em dizer isso, porém, não me surpreenderia se Sarah viesse a ser uma das personagens femininas mais complexas do cinema atual e muito se deve ao magnífico desempenho de Doria Tillier. 
É graças ao desempenho dela, aliás, que ficamos tendo inúmeros sentimos em conflito com relação à Sarah. Não sabemos se amamos ou a odiamos com relação aos caminhos que ela trilhou tanto para tanto manter o relacionamento com Victor, como também ao contornar os obstáculos que nasceram desse relacionamento e sair da história de uma forma limpa e sem nenhum remorso. Os minutos finais ficam na memória de quem assiste e que com certeza gerará inúmeros debates após a sessão terminar. 
Com uma maquiagem e reconstituição de época primorosa, Monsieur & Madame Adelman é uma comédia que lhe faz rir, se emocionar e refletir sobre os relacionamentos conflituosos de ontem e hoje.

Nenhum comentário: