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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Socorro!'

Sinopse: Dois colegas ficam presos em uma ilha deserta, os únicos sobreviventes de um acidente de avião. 

Sam Raimi é um diretor autoral que revolucionou o gênero de horror e criando o termo "terrir" a partir da sua trilogia clássica "Uma Noite Alucinante". O realizador usa e abusa, não somente de sua câmera frenética, como também de bastante sangue e nojeira na medida certa. Em "Socorro!" (2026) o cineasta retorna novamente as suas raízes, tendo total liberdade criativa, mesmo quando o mesmo tropeça na hora errada.

Na trama, Linda Liddle (Rachel McAdams) é uma funcionária de uma empresa comandada por um chefe insuportável chamado Bradley Preston (Dylan O'Brien). O relacionamento  conturbado da dupla será levado aos limites  quando ambos sobrevivem a um acidente de avião e ficam isolados em uma ilha deserta. Eles são obrigados a enfrentar os velhos ressentimentos de sua relação e trabalhar juntos para tentar sobreviver, mas não significa que essa união será exatamente perfeita ao longo da história.

Sam Raimi não só tem a sua visão autoral na realização dos seus filmes, como também tem o interesse em construir os seus personagens que transitem para o realismo para o mais puro cartunesco. Bruce Campbell, por exemplo, parecia um cruzamento de desenho animado com os "Três Patetas" no já citado "Uma Noite Alucinante" e aqui não é diferente. A atuação de Rachel McAdams é quase unidimensional inicialmente, como se ela estivesse brincando o tempo todo em cena e fazendo de sua personagem um ser que não nos transmite certo equilíbrio mental mesmo fazendo parte de um sistema trabalhista que tanto almeja.

Porém, a sua personagem ganha novos contornos a partir do momento em que ela e seu colega de cena ficam presos em uma ilha misteriosa. Atenção para a cena do acidente, onde Sam Raimi usa todos os seus ingredientes de sucesso, desde cortes rápidos, mortes absurdas e tudo moldado de um jeito quase cartunesco. É como se fosse o desenho clássico do Papa Léguas, mas que aqui qualquer passo em falso já lhe dá o direito de não retorno dentro da trama.

Uma vez que o longa somente foca os dois protagonistas é então que os mesmos acabam ganhando contornos mais humanos e fazendo a gente compreender a real natureza de cada um deles. Contudo, Sam Raimi opina em deixar claro que não somos obrigados a escolher a qual lado torcer, já que ambos são personagens com atitudes ambíguas e que vão se revelando cada vez mais na medida em que o tempo passa. Quando se menos espera você não está torcendo para nenhum dos dois, mas somente esperando sobre quem sairá vivo disso tudo.

Até lá vemos de tudo um pouco, desde situações bizarras, mortes absurdas, vômitos surreais e um cenário paradisíaco que transita entre o verossímil para o lado mais bizarro do cartunesco e bem ao estilo do realizador. Sam Raimi, porém, peca um pouco pela criação do ritmo, onde ele dá espaço para o desenvolvimento entre os dois personagens, mas que soa um tanto forçado algumas vezes. Porém, não deixa de ser interessante o personagem Preston fora de sua zona de conforto, mas não fugindo do seu lado escroto que nos foi apresentado desde o início.

Mas talvez o maior erro de Sam Raimi neste filme nem seja com relação ao seu ritmo, mas sim devido ao seu fator surpresa com relação a um grande segredo escondido na ilha. infelizmente quando essa revelação surge em cena, ao invés de nos surpreender, gera um grande dejavu, principalmente para aqueles que já assistiram ao longa "Triângulo da Tristeza" (2023) de  Ruben Östlund. Pode pegar de jeito um desavisado, mas para um cinéfilo de olhar atento não será pego desprevenido.

Entre atos e consequências os personagens se tornam figuras bem diferentes de como foram apresentadas no início do filme, mas não muito distantes de suas naturezas internas. Mesmo que o final não nos surpreenda ao menos o diretor nos revela uma lição de moral nada hipocrita, pois desde o início os personagens lutaram para obter os seus reais objetivos, nem que para isso tentassem se matar a cada momento. No final a luta pela sobrevivência é igual, seja ela na natureza selvagem ou em uma selva de pedra moldada por aqueles que procuram se tornarem mais fortes.

"Socorro!" é o Sam Raimi como nos velhos tempos, mesmo quando falha em alguns momentos em termos de ritmo e de fator surpresa para dizer o mínimo.


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