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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 15 de maio de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Ciganos da Ciambra



Sinopse: Em Ciambra, uma pequena comunidade romana na Calábria, Pio Amato não vê a hora de virar adulto. Aos 14 anos, ele já bebe, fuma e é um dos poucos a circular com facilidade entre os grupos da região: os italianos locais, os refugiados africanos e o grupo de ciganos Romani. Pio tem como referência seu irmão mais velho Cosimo, mas quando ele desaparece, Pio vê uma chance de provar sua maturidade, mas logo se encontra diante de uma decisão que coloca tudo à prova.

O cineasta Jonas Carpignano (Mediterrânea) sabe que esta adentrando em temas delicados, que vai desde a questão de refugiados, pobreza, crimes, delinquência na juventude e que esse território complexo se encontra em Calábria. Porém, o cineasta é cuidadoso ao entrar nesse cenário não julgando, mas sim somente usando a sua câmera como observadora, ao criar uma síntese sobre um jovem protagonista que faz escolhas questionáveis e o levando a esse caminho devido a escassa falta de oportunidades melhores na realidade em que vive. Com isso, ao vermos o jovem aprender a roubar, não quer dizer que ele goste necessariamente, mas sim porque, talvez, ele acredite que não tenha outra opção para abraçar.
Como filme, há pontos negativos a serem considerados, como fato dessa escolha do cineasta em fazer de sua câmera, além de nós, como observadora da narrativa, torna tudo um tanto que cansativo, principalmente ao sentirmos um perfeccionismo ao extremo em determinados momentos. Porém, há de se destacar momentos humanos dos quais facilmente nos identificamos, como a gradual relação de confiança entre o personagens Pio e Aviva, onde se cria uma relação familiar, mesmo em meio em situações das quais iremos questionar: a cena em que o protagonista contrabandeia uma televisão para um grupo de refugiados sintetiza muito bem essa observação.
São momentos como esse que dão certa alegria para um ambiente moldado pela dor e da necessidade de sucumbir para uma criminalidade que não haverá futuro algum para aqueles personagens. Aqui não há vilões, mas sim uma ambiguidade, da qual os personagens nos apresentam, onde se encontram sempre na corda bamba, mas não escondendo o desejo pela busca de um ponto de fuga. Nos tornando, então, questionadores, mas reconhecemos a humanidade de cada um deles.
Com isso, há uma sensação de que, fora alguns momentos, de que há um lado primário na história, fazendo com que as situações se enveredam por um caminho que, não necessariamente, tenha uma linha reta e fazendo com que os destinos daquelas pessoas não sejam concretos, mas sim fique em aberto. Curiosamente, o teor dramático que, ao invés de melhorar, meio que se perde no caminho, devido a momentos em que o duelo entre a moral é estraçalhado pela “causa e consequência” e não acrescentando muito aquela realidade da qual vai, gradualmente, se consumindo. Porém, a sensibilidade no tratamento dado a Pio nunca se perde ao longo do percurso. Nem mesmo em situações em que poderíamos crucificá-lo, mas, como eu disse anteriormente, fórmula usada pelo cineasta em apenas observar, faz  com que torcemos por ele em suas situações vividas de alto risco.
Embora com os seus altos e baixos, Ciganos da Ciambra é uma síntese sobre a perda da inocência, onde jovens personagens embarcam na vida adulta de uma forma precoce e tendo consequências futuras indefinidas. 
 
 Onde assistir: Guion Center: Rua Gen. Lima e Silva 776, Porto Alegre. Horários: Sala 1: 16h15. Sala 2: 20h55. 

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