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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Invisível



Sinopse: Buenos Aires, Argentina. Ely (Mora Arenillas) é uma jovem de 17 anos que vive com sua mãe, Susana (Mara Bestelli), em um pequeno apartamento em um conjunto habitacional localizado no bairro de La Boca. Ela mantém uma relação distante com sua mãe e leva uma rotina pesada, se dividindo entre as atividades domésticas e o trabalho diário num pet shop. Tudo muda quando ela descobre que está grávida de Raúl, bem mais velho, casado e seu chefe. Consumida pela angústia, a jovem terá que fazer uma difícil decisão: fazer ou não um aborto.

Embora para alguns o cinema seja um local de fuga para que possamos nos esquecer um pouco da realidade, alguns filmes, por sua vez, escancaram os problemas dos quais nós enfrentamos no dia a dia, para assim refletimos e debatermos sobre o assunto. Se em filmes recentes como O Formidável, do qual retrata os protestos de Maio de 68 na França e fazendo com que as imagens daquele período consigam ecoar em nosso presente, o filme Manifesto, por sua vez, escancara uma dura crítica contra conservadores de hoje e que ousam censurar as artes das quais nos fazem pensar. Ironicamente, Invisível vem para colocar mais lenha na fogueira com relação ao tema do aborto, justamente numa semana em que dezoito homens do congresso de nosso país tentam retroceder os direitos da mulher.
Dirigido por Pablo Giorgelli (do cultuado Las Acacias), acompanhamos a história de Ely (Mora Arenillas), jovem estudante que trabalha num pet Shop e cuida da mãe Susana (Mara Bestelli), que vive de depressão. No trabalho, vive um relacionamento sem compromisso algum com o seu colega e ao mesmo tempo perambula pelas ruas de Bueno Aires em busca de uma forma para se esquecer de sua rotina. Porém, Ely descobre que está grávida e começa então a enfrentar uma difícil cruzada e da qual ela própria terá que escolher um caminho para trilhar.
Como o aborto é proibido na Argentina, Pablo Giorgelli cria então um retrato conflituoso de uma pessoa da qual vive com um sério dilema. Com a câmera na mão, o cineasta não se distancia por muito tempo de sua protagonista, pois faz questão que, mesmo com poucas palavras vindas dela, ele consiga extrair com a sua lente os conflitos internos dos quais ela passa em seu dia a dia. É como se a câmera então representasse o nosso olhar com relação à Nely, esperando então qual será o próximo passo dela e desejando para que ela faça uma escolha coerente consigo mesma.
Ao mesmo tempo, Pablo Giorgelli cria um retrato pouco reconfortante da cidade de Bueno Aires, cuja sua fotografia fria e cinzenta sintetiza uma realidade pouco acolhedora para aquelas pessoas. Ao vermos a protagonista pesquisar a forma de se fazer um aborto, por exemplo, é uma alusão clara de uma realidade política, seja ela de lá ou aqui, da qual cada vez mais se afunda em leis retrógradas e somente tirando os direitos de escolha das pessoas. Contudo, o cineasta opta em não colocar na parede essas questões políticas como um todo, mas deixando claro que o estado deveria sim ajudar as pessoas que optam em seguir um caminho tão espinhoso. 
Embora possa ser uma novata na área da atuação, Mora Arenillas é a alma do filme como um todo. Fazendo me lembrar o trabalho da atriz Adèle Exarchopoulos em Azul é a cor mais quente, Arenillas cria para sua Ely um olhar observador com relação ao mundo em que vive, do qual tenta de todas as formas em saber enfrentar uma realidade dura e da qual aos poucos vai demonstrando amadurecimento para encará-la: a cena em que ela confronta a sua mãe para que ela vença sua depressão é disparado o seu melhor momento.
O ato final reserva momentos primorosos, onde a técnica de filmagem e atuação fica de mãos dadas até o derradeiro momento de escolha da personagem. Após o seu final, o destino da protagonista fica em aberto e fazendo com que continuemos pensando na árdua tarefa da qual ela própria irá trilhar. Por mais polêmico que seja o assunto, o filme Invisível propõe para que todos nós debatermos sobre um assunto tão delicado e não somente sendo decidido por políticos conservadores de hoje, dos quais usam a bíblia dentro do governo como uma espécie de arma ao invés de usá-la para paz.  


Onde Assistir: Cinebancários: R. Gen. Câmara, 424 - Centro, Porto Alegre. Horário: 17horas



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