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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Cine Especial: Revisitando 'O Anjo Azul'

No ano de 1927, a sétima arte conta com o surgimento do som. Houve diversas tentativas de unir som e imagem até o surgimento do Vitaphone. Três anos após, mais precisamente no dia 1o de abril de 1930, estreou o filme que tornaria Marlene Dietrich uma das maiores estrelas da época, "O Anjo Azul".

Adaptado do romance ´´Professor Unrat“ de Heinrich Mann, esse clássico do cinema alemão, que naquele tempo estava começando a dar Adeus ao expressionismo, narra a história de Immanuel Rath, interpretado por Emil Jannings, do clássico "A Última Gargalhada" (1924), um educado, porém, severo e conservador professor de inglês e literatura que irá atrás de seus alunos na casa de espetáculos Anjo Azul para repreendê-los. Lá conhece a cantora de cabaré Lola Lola (Dietrich) e, assim como os demais, acaba se apaixonando pela jovem.

Há considerações a serem feitas sobre o filme que, dentre elas, as características expressionistas encontradas principalmente em sua edição de arte e fotografia, que esbanjam contraste de luz e sombras. A elaboração dos personagens que surgem sutilmente ingênuos e solitários perante a femme fatale. Tanto Lola como Rath têm seus desejos, frustrações e orgulho e fazendo com isso obtenham certa afinidade entre os dois em diversos momentos da projeção. 

Porém, isso aos poucos vai deixando de existir, pois essa harmonia não sustenta, já que Rath a tinha como objeto idealizado de contemplação e a vida ao lado de Lola em nada corresponde aos seus sonhos. Portanto, a degradação de Rath é anunciada antes mesmo que ela aconteça, com a presença da figura de um palhaço triste do grupo que é diversas vezes encarado pelo professor com olhar melancólico.

Uma vez que o próprio protagonista se torna o palhaço da história, o ápice da degradação e humilhação, em meio aos risos da platéia e uma suposta traição de Lola Lola, o professor tem um surto nervoso e é amarrado em dos momentos mais chocantes da história do cinema. Quando solto, retorna pelas mesmas ruas que chegará pela primeira vez na casa de espetáculos para a escola, onde, sentado em sua antiga mesa, parte desta vida. .Emil Jannings, talvez crie neste, "O Anjo Azul", um dos personagens mais trágicos personagens do cinema.

A câmera se afastando e deixando-o sozinho diante de uma classe vazia com apenas alguns poucos livros sobre sua mesa não é um prenúncio de uma tragédia inevitável, mas sim uma lição de como jogar um personagem no fundo do poço. Curiosamente, eu vejo nesta cena a síntese do que a própria Alemanha enfrentaria, onde uma geração nova de rebeldes despreza o educador, deixando ele as traças e abraçando o fascismo que o país se tornaria. Para um olhar mais conservador tudo seria culpa de Lola, mas o problema talvez estivesse acontecendo mais embaixo naquela época.

Em "O Anjo Azul" Sternberg não só dá ao cinema uma de suas maiores musas do cinema, como nos  brinda a todos com um longa que representa a autoestima de uma nação em quera. 


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