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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Gabriel e a Montanha

inopse: Gabriel é um jovem aventureiro cheio de planos. Antes de se preparar para a vida acadêmica na Universidade da Califórnia, ele decide ir para a África. Durante a viagem, Gabriel decide subir o Monte Mulanje, um dos mais altos do Malawi.

Felipe Barbosa surpreendeu na direção com o seu filme Casa Grande, obra que faz um retrato sobre a desconstrução da família da classe média brasileira. O filme foi o princípio para o lançamento de outros títulos dos quais explorassem esse território como no caso “A que horas ela volta?”. Contudo, “Gabriel e a Montanha” talvez venha a ser o seu melhor filme da carreira, não só por ter uma pegada mais pessoal, como também emocional e inesquecível.
O filme é baseado nas últimas semanas de um amigo próximo do cineasta, o jovem estudante Gabriel Buchmann (João Pedro Zappa de Boa Sorte) que, antes de ingressar na faculdade, decide fazer uma viagem pelos países da África. Ao longo do trajeto, ele acaba conhecendo diversas culturas, pessoas, lugares exóticos e se criando dentro de si um desejo em querer ir mais longe. Porém, durante a sua cruzada, Gabriel acaba conhecendo os limites entre o homem e a natureza.
Inspirado a partir dos diários de viagem do Gabriel, o cineasta Felipe Barbosa cria um retrato minucioso sobre os passos que o protagonista trilhou, ao ponto dele convidar as verdadeiras pessoas que haviam realmente se cruzado com ele ao longo do trajeto. Talvez esse seja o maior trunfo do filme, pois embora o filme seja uma ficção baseada em fatos verídicos, ele se envereda algumas vezes pelo lado do documentário, pois testemunhamos o dia a dia daquelas pessoas humildes, das quais não possuiam nada, mas ofereceram tudo o que tinham quando conheceram o protagonista. Além disso, em alguns momentos, ouvimos os depoimentos em off dessas pessoas, onde podemos sentir em suas palavras o lado emocional aflorar em cada um deles quando fala.
Ao longo do trajeto, surge então à namorada de Gabriel chamada Cris (Carol Abras de Sangue Azul), que decide viajar uma parte da viagem com ele. Embora sejam namorados, há na realidade um pequeno embate entre os dois com relação a visões diferentes do mundo, ao ponto de Cris não conseguir exatamente compreender as motivações de Gabriel ao decidir se aventurar nessa cruzada. Embora o próprio explique o desejo dele de se aventurar nas mais diversas culturas para então compreendê-las, há também um desejo do qual nem ele consiga explicar, mas que nos dá entender que ele jamais teve a intenção de desistir em alcançar.
Tecnicamente o filme possui uma belíssima fotografia, onde Felipe Barbosa registra com a sua câmera aquela natureza que, por vezes, parece nova e intocável. Em planos abertos, testemunhamos o esplendor de diversos locais, mas ao mesmo tempo sempre nos lembrando o quanto aqueles pontos remotos podem se tornar hostis para o ser humano. Porém, existe uma sedução, da qual tanto o protagonista sente como também nós sentimos e fazendo a gente compreender um pouco de sua paixão pela sua busca do desconhecido.
João Pedro Zappa se sai muito bem na pele de Gabriel, mesmo quando em alguns momentos sua atuação parece um tanto que contida, mas sintetizando um pouco do lado obsessivo que Gabriel tinha em alcançar os seus objetivos. Tanto ele como Carol Abras se saem muito bem em cena, cuja química de ambos se solidifica, até mesmo quando se separam num ponto crucial da trama. É aí que começa a via cruz do personagem e que, mesmo a gente tendo plena consciência do que irá acontecer, não desejamos que a cruzada dele tivesse se encerrado de uma forma tão trágica.
Gabriel e a Montanha” é sobre a busca do homem pelo seu verdadeiro “eu”, em tentar desvendar o seu elo do qual possui com a natureza e independente de qual lugar ele irá encontrar.


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