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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'A Única Saída'

Sinopse: Demitido abruptamente após 25 anos na mesma empresa, um homem desesperado chega a extremos para eliminar a concorrência pelo emprego que deseja.

Recentemente eu me preocupei com a possibilidade de ser demitido na empresa em que eu trabalho e fazendo com que eu temesse pelo meu próprio futuro. Mas o problema não é ser um desempregado, mas sim como você lidará com isso. "A Única Saída" (2025) mostra o indivíduo sugado por essa possibilidade e adentrando por um caminho de alto risco.

Dirigido por Park Chan-Wook, o filme conta a história de  Man-Su (Lee Byung-hun) que perde o seu emprego depois de 25 anos no cargo, pois a empresa está sendo vendida por uma multi milionária norte-americana e provocando corte de funcionários. Desesperado, Man-Su mergulha em uma cruzada para reaver o seu emprego, mas ao mesmo tempo tendo que lidar com a família se desequilibrando perante esse cenário. Não demora muito para que ele elimine literalmente aqueles que podem ser uma futura concorrência caso ele tenha a chance de reaver a vaga.

Park Chan-Wook é um diretor que dispensa apresentações, já que ele se consagrou a partir da sua trilogia sobre vingança a partir da sua obra prima "Old Boy" (2003) e fazendo com que o mundo redescobrisse o cinema sul coreano. Desde então o realizador tem procurado explorar por outros caminhos que ligasse ao lado primitivo do ser humano e fazendo com que o mesmo liberasse a sua violência dentro de si. Aqui, porém, a violência acontece de forma acidental, quase se tornando uma comédia absurdamente sombria, pois a própria realidade, por vezes, acaba se tornando realmente uma grande piada.

 Man-Su é escravo de um sistema capitalista do qual havia se entregado de corpo e alma por mais de duas décadas e não conseguindo aceitar viver de outra forma. Não é de hoje, seja em filme ou série, que a Coreia tem explorado essa questão delicada em tempos contemporâneos, seja com relação à divisão de classes vista em "Parasita" (2019), ou quando o indivíduo participa de um jogo mortal para obter renda na série "Round 6". Por conta disso há o declínio, onde o ser humano cada vez mais se torna descartável, sendo substituído por alguém mais qualificado, ou simplesmente pelas novas tecnologias que andam atualmente em passos largos.

O filme não nos poupa de situações inusitadas, seja quando o protagonista tenta eliminar a sua primeira concorrência, ou quando tudo dá errado e fazendo gerar em nós um riso involuntário. São nestes momentos que Park Chan-Wook capricha em uma direção impecável, onde num jogo de câmera criativo as cenas se tornam uma síntese de como o protagonista enxerga a situação em que está se envolvendo, ou simplesmente se tornando uma representação de uma sociedade em transe e da qual se entrega ao mínimo prazeres. Chega ao ponto que ficamos torcendo até mesmo para o protagonista, mesmo que lá no fundo a gente sabe que a sua situação acaba se tornando cada vez mais pecaminosa.

Em suma, o filme é uma crítica ácida com relação a uma sociedade cada vez mais presa em sua bolha particular, ou mais precisamente se tornando escrava dos seus bens materiais. Por mais que o protagonista de a desculpa que faz tudo pela sua família, porém, esse discurso se torna hipócrita, uma vez que o mesmo não se imagina diminuído em hipótese alguma. Ao final, constatamos o cenário de harmonia entre funcionário e empresa, mas não escondendo o derramamento de sangue e um alto preço a se pagar  que visto durante os créditos finais de obra.

"A Única Saída" é retrato sarcástico e sombrio de uma sociedade cada vez mais materialista e cuja a desculpa  em lutar pela  família se torna algo cada vez mais hipócrita. 

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