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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 10 de março de 2020

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Quando os Homens São Homens" (1971)

Sinopse: O apostador John McCabe (Warren Beatty) chega em uma comunidade de mineiros e decide abrir um bordel. Os residentes locais ficam impressionados com a autoconfiança do indivíduo, mas uma prostituta esperta, Constance Miller (Julie Christie) encontra uma forma de virar sócia de John no novo negócio.  

Robert Altman havia a recém colhido os louros pelo sucesso de "M.A.S.H" (1970), quando optou em voltar ao cenário de um gênero que ele mesmo frequentava no auge das séries de tv. Aqui, o retorno a esse cenário familiar não é voltada a nenhuma figura histórica, mas em vez disso o roteiro de Altman e Brian McKay se concentra em uma pequena cidade no oeste americano que se movimenta após a chegada de um jogador malandro (Warren Beatty) que monta um saloon e um prostíbulo no local. 
Sintetizar o dia a dia de pequenos cenários isolados do mundo sempre foi o ponto forte de Altman e como o olhar que o filme propõe sobre a conquista do oeste consiste em mostrar de forma um tanto mais crua a vida na cidade de Presbitherian Church, "Quando os Homens são Homens" acaba cedendo o espaço para o cineasta trabalhar em sua visão pessoal. Muito do que é inserido no filme são justamente pequenos elementos como a cena em que a mulher (Shelley Duvall) de um mineiro recém falecido e abordada para se tornar uma prostituta ou os as cenas entre Beatty e seu rival de negócios René Auberjonois. 
O olhar do cineasta como não poderia ser diferente é bastante crítico, mas o que se destaca é que aqui está crítica é desprovida do tom negativo que por vezes prejudica mesmo em algumas de suas melhores obras. No lugar dela entra um ar de melancolia que ronda toda a obra (reforçada pela bela trilha de Leonard Cohen). McCabe é mais ambicioso do que inteligente, pretencioso explicitamente nas façanhas que o público sabe que ele não cometeu, mas nunca é reduzido a uma caricatura ou é tratado com o tipo de ironia condescende que Altman costuma reservar para seus personagens. McCabe permanece como uma figura triste ao longo do filme, mas nunca digna de pena, que parece só encontrar alguma serenidade diante da morte que o aguarda.  
O cineasta sempre se interessou na pesquisa de gênero e parece se divertir muito manipulando os clichês que tinha que obedecer quando trabalhava para a televisão. A trama de "Quando os Homens são Homens" é tão batida que quando McCabe surge pela primeira vez na tela, o público já prevê a ascensão e queda que se seguirão. Se o percurso é conhecido, os detalhes e as ênfases mudam. Personagens não fazem o que deles se espera, o anti-herói se recusa a se redimir, o cenário segue desolado e coberto de neve, McCabe nunca deixa de ser apenas uma figura no meio do universo de personagens menores que seguem com seus próprios problemas. 
O filme todo converge rumo ao final onde McCabe é perseguido por um grupo de pistoleiros enquanto o resto da população tenta salvar a igreja em chamas. Altman filma a perseguição em planos gerais ou médios enquanto as cenas da igreja predominam planos americanos e closes, o que acaba intensificando o isolamento de McCabe. Este é o único momento do filme em que McCabe age como um herói de faroeste (e o faz surpreendentemente melhor do que a esta altura se esperava dele), ele consegue pegar todos os perseguidores mas não sem antes ser baleado e deixado para morrer sozinho enquanto o resto da cidade comemora. Há um estranhamento muito grande nestas últimas cenas um misto de tristeza e serenidade que intriga. Pode se dizer que é um dos finais mais positivos que Altman filmou. "Quando os Homens são Homens" não é tão famoso quanto “M.A.S.H”. ou “Nashville” (1975) mas não deixa nada a dever a estes ou qualquer outro dos filmes mais bem sucedidos do diretor. 

Nota: O filme será exibido para associados e não associados nesta terça-feira, as 19horas na Sala Redenção. Av. Paulo Gama, 110 - Farroupilha, Porto Alegre - RS 

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