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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Severina




Sinopse: Um dono de livraria se encanta por uma mulher que visita sua loja e volta dia após dia para cometer furtos. Inicialmente ele não reage, mas em uma das vezes, mais interessado em puxar conversa do que recuperar o prejuízo, ele a encurrala. Ela passa então a pegar livros em outros estabelecimentos, porém ele não está disposto a se libertar da misteriosa obsessão.

Por mais tentador que seja, roubar livros ainda é errado, mesmo quando as paginas nos dão a oportunidade de fugirmos um pouco do mundo real e adentrarmos num mundo cheio de possibilidades. Numa velha livraria, por exemplo, dá para sentir o desejo em querer segurar velhas relíquias, mas despertando reações controversas. Finalidade cultural que, por si só, quase desculpa o ato, ainda mais se for praticado por jovem culta e bonita. Quem sabe um tanto cleptômana.
Numa realidade atual, onde a pratica de leitura é ameaçada por tablets e celulares, é interessante elaborar uma história de amor que acontece justamente numa livraria. Bom, um livro desses, destinado a não ser lido, foi escrito pelo jovem escritor guatemalteco, Rodrigo Rey Rosa. Porém, Severina (o título do livro), não só foi lido como transformado em filme por outro visionário, o diretor de teatro e cineasta Felipe Hirsch.
É verdade que histórias de livros costumam gerar tanto bons (O Exorcista) como também filmes ruins (O Código de Vinci), Contudo, é raro um filme ter livros como seus principais figurantes e uma livraria como local dos principais acontecimentos que vão surgindo na obra. Severina se passa numa cidade conhecida da América latina, mas que poderia ter acontecido em qualquer parte do mundo, já que, por mais absurda que a trama seja, nos identificamos devido a  paixão que temos pela literatura.
Outro fator determinante do qual nos identificamos com a trama é pelo fato da livraria nos lembrar uma de muitas que ainda existem por ai e que resistem bravamente em pleno século 21. É comum, por exemplo, irmos nesses lugares e ficarmos minutos lendo diversas pagina de um determinado volume, mesmo quando não temos interesse de comprarmos ele. Situação que podemos enxergar nesse filme, onde a trama se passa em Realejo, em Santos.
Do nada, surge Ana Severina que, bem discreta, rouba alguns livros, mas ao mesmo tempo, transmitindo charme para o jovem livreiro protagonista da trama. Essa história nos faz lembrar da Librairie Maspero, no Quartier Latin parisiense, onde os jovens esquerdistas franceses e inclusive exilados brasileiros (era a época da ditadura militar) roubavam livros para completar sua formação literária, social e política.
O jovem livreiro protagonista percebe os roubos, mas ao mesmo tempo, decide esperar uma nova visita para um flagrante mais explicito, mas acaba caindo ao charme da misteriosa colecionadora de livros roubados. Descobre que ela vive numa pensão com o pai que, indeniza os livreiros por onde passa sua filha cleptômana. Na verdade, parece que vivem da venda de livros raros. Cria-se uma cumplicidade, um caso de amor, até Ana Severina desaparecer, sem ao menos deixar algum vestígio e restando um livreiro desiludido, talvez com um bom tema para escrever seu primeiro romance. E talvez com tempo para ler também Gabriel Garcia Marquez, Jorge Amado e Manuel Scorza.
Um filme que começa com uma espécie de comédia romântica familiar, mas que se envereda para momentos de suspense e até mesmo para um clima noir. Severina é um filme que começa nos dando gostinho pelo universo literário e nos prendendo até o fim pelas suas palavras poéticas reflexivas.   

Onde Assistir: Cinebancários de Porto Alegre. Rua General da Câmara, nº 424. Horário: 17h,    



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