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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Baseado em Fatos Reais



Sinopse: Baseado no romance de Delphine de Vigan este filme foi a aposta do Festival de Cannes para ser o filme de encerramento da seleção oficial, extracompetição. A história de uma escritora de sucesso (Emmanuelle Seigner) que inicia uma relação amorosa com uma admiradora (Eva Green) e que pouco e pouco, vai literalmente controlar a sua vida com uma crescente violência física e psicológica.


Quando se conhece a carreira de Roman Polanski sabe que sua filmografia é formada por personagens complexos, atormentados e cuja sua realidade pode não ser bem o que a gente esteja assistindo. Na trilogia "Do Apartamento", por exemplo, (formada por Repulsa do Sexo, O Bebê de Rosemary e O Inquilino) temos protagonistas lutando contra situação que, ou elas vêm de fora, ou vindas de suas próprias mentes febris. Baseado em Fatos Reais, não só resgata essa fórmula extraída dos seus clássicos, como também insere elementos vindos dos seus últimos e elogiados filmes.
Baseado na obra de Delphine de Vigan, o filme acompanha a história da escritora Delphine Seigner (Emmanuelle Seigner, esposa do diretor e vista no recente A Pele de Vênus), que colhe frutos dos sucessos vindo dos seus livros, mas que se encontra numa fase que lhe falta inspiração para um próximo projeto. Certo dia conhece Elle (Eva Green), escritora fantasma, grande admiradora de Delphine e que ambas acabam iniciando uma forte amizade. Não demora muito para que Elle entrar na vida profissional da escritora e desencadeando uma aura de mistério com relação as suas reais intenções.
Se num primeiro momento o filme nos faz lembrar de alguns clássicos de suspense e sedução, sendo muitos desses vistos nos anos 90, não demora muito para o cineasta nos dizer que o filme não procura copiar ninguém, mas sim ter a sua identidade própria. Em contra partida, o filme possui todos os ingredientes vistos nos seus filmes anteriores, tanto dos clássicos, como de suas obras recentes. Pode-se dizer que o filme é uma espécie de irmão mais novo do O Escritor Fantasma, obra que deu nova guinada na carreira de Polanski, mas possuindo uma aura mais dinâmica e fazendo a gente não desviar os olhos da tela. Mas se por um lado lhe falta originalidade, o filme se fortalece graças às presenças das duas atrizes, cujas suas interpretações nos garantem momentos que nos prende a cadeira a todo momento. 
Emmanuelle Seigner, aliás, finalmente interpreta uma personagem da qual sempre irei me lembrar, pois embora já tenha atuado em inúmeros títulos, ela nunca havia me chamado atenção. Sua personagem Delphine é uma pessoa de alma cansada, cujo seu talento na escrita é tão vasto, que faz com seu corpo não aguente tamanho talento. Isso acaba servindo de fresta para a personagem Elle (Green) adentrar em sua vida e fazendo com que tenhamos dúvidas sobre as suas reais intenções dentro da vida da escritora. 
Eva Green novamente dá um verdadeiro show de interpretação. Sempre com aquele ar de "dama fatal de filme noir", Green cria para a sua personagem um ar de ambiguidade, da qual conquista Delphine pela sua simpatia, mas não escondendo em seu olhar intenções obscuras e que nos faz a gente ficar sempre na dúvida. Mas, se por um lado logo se percebe que há uma obsessão de Elle por Delphine, logo se percebe que essa última também guarda segundas intenções para a sua admiradora e gerando um jogo psicológico de ambas as partes.
Porém, é no terceiro ato em que Roman Polanski vira a mesa e fazendo com que tenhamos novas interpretações com relação às reais intenções das protagonistas. Mas não espere por algo complexo, principalmente se você já acompanhou de cabo a rabo cada filme do cineasta até aqui e que, quando se menos percebe, você mata a charada. Embora isso possa parecer um verdadeiro Déjà vu, o filme é compensador ao provar que o lado autoral do cineasta prevalece, mesmo não conseguindo se comparar aos seus grandes clássicos de um passado mais distante. 
Baseado em Fatos Reais é um filme elegante, bem convidativo para o universo autoral de Roman Polanski e não tendo nenhuma prepotência em querer mudar a vida da gente.  


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