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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Em Pedaços


Sinopse: Após cumprir pena por tráfico de drogas, o turco Nuri Sekerci leva uma vida amorosa e tranqüila com a esposa Katja Sekerci e o filho Rocco na Alemanha. Certo dia, ele e o menino estão no escritório e morrem vítimas de uma explosão criminosa, tragédia que deixa Katja arrasada. Ela batalha na justiça pela punição dos culpados, um casal neonazista, e, insatisfeita com o desenrolar do caso, decide pela vingança com as próprias mãos.


Adolf Hitler está morto, mas a sua ideia, infelizmente, está viva e ainda ganhando seguidores no mundo a fora. Basta vermos a explosão que foi o surgimento de nazistas dentro do governo Trump, ou de pessoas que aprovam discursos conservadores e retrógrados de tal político chamado Jair Bolsonaro aqui no Brasil. Em Pedaços é a síntese de uma realidade global, aonde discursos politicamente incorretos vão ganhando, não somente as redes sociais, como também as ruas e assim colecionando suas vitimas.
Dirigido por Faith Akin (Do Outro Lado), acompanhamos na trama os primeiros anos de casamento do turco Nuri (Numan Acar) e de sua esposa Katja (Diane Kruger, de Bastados Inglórios). Certo dia, Katja deixa o seu filho no trabalho do seu marido, para ele assim cuidá-lo, mas quando ela retorna o local sofreu um grave atentado e provocando a morte de seu marido e filho. Na busca pela Justiça legal, Katja descobre que o atentado foi provocado por um casal nazista, mas para a sua surpresa, descobrirá que a justiça terá que ser feita de outra maneira.
Com o desejo de querer que embarquemos numa trama, cuja ficção e realidade se separam somente numa linha bem fina, o cineasta Faith Akin já nos apresenta o início do filme de uma forma convidativa. Os primeiros minutos são inundados por imagem de um filme caseiro, onde assistimos o casal central se casando e desejando um para o outro um belo futuro. Uma forma criativa para já nos familiarizarmos com os personagens e para, logo em seguida, sentirmos a dor e a realidade crua que virá.
Após o atentado, testemunhamos um Faith em frangalhos e com todo o peso do mundo por ter perdido os seus entes queridos num ato cruel tão sem sentido. Embora seja conhecida por ter atuado em superproduções americanas como Tróia e A Lenda do Tesouro Perdido, é somente aqui que Diane Kruger nos brinda com o melhor desempenho de sua carreira e que, talvez, tenha sido o melhor desempenho feminino do ano passado. Sua Faith é uma personagem cheia de vida nos primeiros minutos da obra, mas que sua energia vai desaparecendo e dando lugar a um ser humano a beira do precipício.
Dividido em três atos, o início da trama é sobre a queda e a procura por uma força interna da qual a protagonista busca para não desistir. Já o segundo ato, testemunhamos o cenário do julgamento, onde se desencadeara eventos irreversíveis para todos. Diferente do filme recente, o libanês O Insulto, aqui a justiça é falha, não somente por sua parcialidade nítida, mas porque, talvez, represente uma parcela de Alemanha atual, que vê a questão do nazismo com desdém e não leve o caso a sério como deveria ser.
Devido essa falha da justiça, é assim que, lamentavelmente, surja cada vez mais seguidores de ideias que não deveriam mais existir, mas que existem graças à falha do homem em não querer combater de frente os horrores de um passado distante que insiste em voltar. O terceiro ato é o resultado de uma justiça falha, mas não espere pelo típico filme de ação de “olho por olho”, mas sim de uma realidade crua, em que a vingança com as próprias mãos pode até ser mais rápida, mas que não aliviará a dor que jamais termina. 
Em Pedaços é uma trama que se passa na Alemanha, mas retratando um problema global e do qual, infelizmente, é vinda de um passado errôneo e que nunca se apaga. 


Onde assistir: Casa de Cultura Mario Quintana, na sala Paulo Amorim as 15h30. Rua das Andradas, nº 736, centro de Porto Alegre.   


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