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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: O Lamento



Sinopse: A chegada de um estranho misterioso em uma aldeia tranquila coincide com uma onda de assassinatos cruéis, causando pânico e desconfiança entre os moradores. Enquanto investiga o suspeito, policial percebe que sua filha pode ter sido vítima do ataque.
Se for para simplificar, o filme O Lamento  nos conta uma história com teor folclórico, sobre guardiões, demônios, xamãs e sobre uma parte curiosa sobre cultura oriental e da qual tem conexões nítidas com a religião e cultura ocidental. Mas indo muito além dessa observação, podemos analisar de inúmeras maneiras de que forma exatamente o mal entra na vida das pessoas, seja de ajuda, seja de boas intenções, de ligações com o paraíso ou não. Quando você olha muito tempo para um precipício ele olha para você, dizia Friedrich Nietzsche. Dependendo de como você combate o mal, acaba caindo na tentação do mal, ou abrindo a janela para ele. É um dos recados do filme de Na Hong-jin (O Caçador) que quer nos passar.
Ele fala sobre erros pecaminosos não exatamente por questões bíblicas, mas pelo lado humano, mostrando como é fina a linha da qual separa o remorso da inocência, questionando sobre onde se busca por justiça e que, no final das contas, se tornam atos de vingança. Nesse pensamento, podemos adentrar a um forte teor crítico ao uso de indivíduos que dão á religião e a fé o poder destrutivo para falsos profetas que, infelizmente, se alastram até mesmo nas questões políticas contemporâneas.
A todo o momento o roteiro nos pega desprevenido, contando uma trama aparentemente simples, mas da qual vai se tornando complexa, mas por outro lado gradualmente entendida. O filme nos apresenta os seus protagonistas e vai montando de uma forma subliminar, sem dar muitas explicações sobre cada um deles, quais seriam as suas reais intenções e em situações que num primeiro momento não se sabe por que acontece. Isso acaba exigindo atenção do cinéfilo que assiste, além de certa paciência, pois o filme beira a mais de duas horas e meia
Porém, uma vez quando começa o filme, com suas inúmeras charadas, estamos mais do que presos a ele e não será o tempo que irá nos afastarmos até sabermos sobre o que realmente está acontecendo na tela. Sua fotografia e trilha sonora mórbida é uma combinação perfeita, da qual nos coloca em meio aquele cenário e que mesmo tempo nos dá a entender de que algo observa aquele local o tempo todo. É nesses momentos que nos damos conta que estamos diante de um filme de horror que, aliás, caminha para outros subgêneros dentro desse universo, que vai desde aos filmes sobre contaminação, possessão e até mesmo da mania zumbi. 
Além disso, o cineasta tem a proeza de criar uma atmosfera desconcertante, mas sem apelar para a pirotecnia atual que tanto polui o resultado final desses tipos de filmes. O Lamento é um grande filme de terror, repleto de mistérios, mas ao mesmo tempo cheio de mensagens subliminares e das quais nos surpreende a cada segundo.

Onde assistir: Cinemateca Capitólio Petrobras. R. Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro Histórico, Porto Alegre. Horários: as 15 horas, nos dias 12 e 15 de outubro.   


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