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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cine Dica: De Boca em Boca

Sinopse: Um documentário inédito, realizado em diversas bocas de fumo da capital gaúcha, com depoimentos de traficantes locais, além do registro de manifestações de moradores de uma comunidade sem voz. Em um ano onde Porto Alegre se encontra conturbada, com jovens perdendo a vida devido aos crimes violentos, tais como esquartejamento e tortura de pessoas.


É fácil para um político fazer propaganda belamente plástica em época de eleição, para daí então se eleger e conseguir o seu tão sonhado mandato. O problema é que, na prática, promessas vêm e vão, acabam não sendo cumpridas e o povo então é esquecido. Por mais que a mídia sensacionalista de hoje esconda, pelo menos temos documentários como De Boca em Boca, do qual revela o submundo onde vivem essas pessoas, das quais abraçam o tráfico de drogas como a única forma de sobrevivência, mas não escapando de sérias consequências.
Dirigido por Vagner Abreu, acompanhamos o cineasta adentrar nas bocas de fumo dos bairros de Porto Alegre, para ter uma conversa franca com os donos do local e tentar desvendar os motivos que levam esses jovens a escolherem o submundo do crime. Gradualmente conhecemos as motivações de cada um dos que são entrevistados, conhecendo os seus medos perante uma polícia violenta e da qual não diferencia bandido de pessoas inocentes que vivem nas comunidades pobres. O resultado é uma bola de neve, onde a violência gera mais violência e se tornando um círculo vicioso do qual não para.
Se o documentário Central de Tatiana Sager e Renato Dornelles é a prova escancarada de que os presídios do RS e do resto do Brasil se encontram falidos, De Boca em Boca pode ser interpretado como uma espécie de continuidade, onde mostra apenas as consequências desse quadro, do qual muitos dos entrevistados já estiveram na prisão, mas que pouco mudou após terem saído de lá. Não havendo ajuda vinda de políticos, ou tão pouco um acesso para a cultura, assistimos então um mosaico de inúmeras vidas que se encontram num beco sem saída e que através da venda de drogas eles enxergam a única válvula de escape para a solução dos seus problemas. Com armas na mão, vemos jovens que poderiam estar fazendo coisa melhor, mas que, infelizmente, não tiveram a sorte de ter um guia para conseguir uma trilha melhor em suas vidas.
Com uma edição engenhosa de Joaquim Lima, as cenas são de um realismo cru, onde não se esconde a possibilidade de a qualquer momento aqueles jovens sofrerem uma represália, seja dos policiais ou de bocas rivais. Com isso, testemunhamos pessoas que perdem o direito de algum lazer, pois além de comandarem o tráfico, também tentam ajudar na segurança da própria comunidade e da qual não recebe de fora. É como se fosse uma região separada do resto do estado, jogados a própria sorte e tendo que conviver com a possibilidade não estarem vivos no outro dia. 
De Boca em Boca é um documentário em que nos mostra apenas a ponta de um grande iceberg, do qual poderia ser evitado, mas somente se houvesse políticos realmente responsáveis e que ajudassem o povo como um todo. 

NOTA: O filme teve exibição especial ontem no Cinebancários Porto Alegre mas não se encontra diariamente em exibição. Acompanhem a pagina do facebook dos realizadores para então saber onde será a próxima exibição. Cliquem aqui. 




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