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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: O Formidável



Sinopse: Paris 1967. Jean-Luc Godard, o mais influente cineasta de sua geração, está filmando ‘A Chinesa' com a mulher que ama, Anne Wiazemsky, 20 anos mais jovem. Eles são felizes, atraentes, apaixonados e se casam. Mas a recepção do filme desencadeia uma profunda reflexão em Godard. Os eventos de maio de 68 vão amplificar esse processo, e a crise que abala o cineasta irá transformá-lo profundamente, de um cineasta superstar à um artista Maoísta inteiramente fora do sistema e incompreendido.

Mais do que um cineasta autoral, com um grande teor político, Jean Luc Godard (Acossado) é alguém que possui um olhar sempre a frente do seu próprio tempo. Quando ele lançou o seu filme político A Chinesa (1967), por exemplo, foi na realidade um pouco antes dos eventos de Maio de 1968 e se casando com a realidade da qual a própria França estava convivendo. O Formidável é hábil em transitar nesse período histórico, mas ao mesmo tempo, desperdiçando a chance do que poderia ser uma grande adaptação sobre esses dias turbulentos dos quais o cineasta havia testemunhado. 
Baseado no livro autobiográfico da atriz Anne Wiazemsky (O Demônio das Onze Horas), o filme é dirigido pelo cineasta Michel Hazanavicius (O Artista) e que tinha sempre um grande interesse em criar um longa sobre o cineasta. O filme foca nos dias após o termino de filmagens do clássico A Chinesa e que, ao mesmo tempo, Godard (interpretado por Louis Garrel de Além da ilusão) começa a testemunhar os protestos nas ruas e que desencadeou o famoso Maio de 68. Ao mesmo tempo, o seu relacionamento com atriz Anne Wiazemsky (Stacy Martin de Ninfomaníaca) começa a ruir a partir do momento em que o cineasta começa a enfrentar ele mesmo.
O primeiro e o início do segundo ato do filme são um verdadeiro primor de reconstituição de época. Michel Hazanavicius cria nos seus primeiros minutos de projeção situações que remetem ao clássico A Chinesa de Godard, para que assim as transições dos primeiros momentos de protestos que ocorreram em solo francês soem como algo profético e inevitável. Ao mesmo tempo o cineasta foi engenhoso ao inserir momentos de humor, onde Godard em alguns momentos nos lembra Woody Allen, cujas situações de perder sempre os óculos durante os protestos acabam sendo hilárias. Ao mesmo tempo é prazeroso ver um período do qual ressoe mais forte do que nunca nos dias de hoje e provando que os problemas políticos (como no Brasil pós-golpe de 1964 e 2016) é algo que jamais morre, mas sim somente adormece.
Infelizmente essa qualidade da qual move o filme vai desaparecendo no decorrer do tempo. O grande problema, no meu entendimento, foi o fato do cineasta não ter sido mais corajoso em ter ido mais á fundo no conflituoso casamento entre Godard e Anne. Com o intuito de preservar a imagem de ambos, o filme acaba nos passando uma sensação de que há algo freando o enredo, como se houvesse medo de revelar a verdadeira faceta de ambos. 
Louis Garrel se sai muito bem como Jean Luc Godard, ao conseguir nos passar os conflitos internos dos quais o cineasta vai passando no decorrer do tempo. Isso se cria até mesmo momentos de tensão, já que Garrel nos passa um Godard imprevisível e inconsequente com relação aos seus próprios sentimentos, como se houvesse uma entidade pronta para explodir no mais fundo do seu interior. É claro que, do pouco que eu conheço do verdadeiro Godard, duvido muito que ele venha a gostar da sua imagem vista na tela, principalmente numa fase atual da qual ele ainda se mantém na ativa, mas numa posição mais reservada.
Em contrapartida, o desempenho de Stacy Martin como Anne Wiazemsky acaba sendo desperdiçado em cena. Ao querer passar um ar de ambiguidade da qual a famosa atriz francesa tinha, Anne mais parece estar no piloto automático em alguns momentos, como uma espécie de observadora e apenas aguardando a explosão do protagonista. Somente na reta final é que testemunhamos o que poderia ter sido verdadeira Anne Wiazemsky perante o eu marido, mas acaba não sendo o suficiente para satisfazer aqueles que estão assistindo.
Com um final do qual remete um desejo intimo do cineasta, O Formidável é um filme com potencial, mas do qual lhe faltou asas para obter o seu grande voo final. 




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