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Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 70 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Cine Especial: Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão: Parte 4



Nos dias 22 e 23 de outubro eu estarei participando do curso Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão, criado pelo Cine Um e ministrado pelo escritor e crítico de cinema Rodrigo Gerace. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui eu irei relembrar um pouco dos principais filmes do cinema explicito, dos quais não só nos excita como também nos provoca e nos faz pensar. 

O LADO CRÍTICO, POLÊMICO E EXPLICITO DE LARS VON TRIER
    

  Os Idiotas (1998)

 

O segundo filme do movimento Dogma 95 criado por Von Trier e Thomas Vinterberg, que preza um cinema menos comercial, mais simples, sem tecnologia em nenhum durante qualquer processo do filme, diferente do padrão hollywoodiano que tanto estamos acostumados. E aqui vemos um filme completamente simples e caseiro, quase documental com câmeras tremidas, microfones aparecendo a toda hora, sombras dos produtores e assim por diante, e assim o Dogma diz que pode-se fazer um bom filme sem o equipamento milionário que vemos na américa. E por isso não é um filme para qualquer pessoa, e sua historia e personagens também não são muito digeríveis.
Aqui vemos um grupo de pessoas que se fingem de doentes mentais para fazer um protesto ante a sociedade hipócrita que existe, uma sociedade que não se importa mais com o próximo que pensa somente em como vai ter mais poder e como ficar mais rico, mas que em momento nenhum se importa com a felicidade?
Mas isso é colocado em prova. Será que fingir ser um idiota é de fato uma ideologia para atacar a sociedade, ou apenas uma forma de fugir da realidade?
Cada um do grupo está ali por algum motivo, mas principalmente porque quer ser feliz, liberar esse idiota que existe dentro de você, esse que não se importa com o que esta acontecendo ao redor e sente com mais força os sentimentos que o mundo lhe oferece.
E isso também é um meio de enfrentar a sociedade, a mesma que diz que não vê problema nenhum em conhecer um deficiente até o momento que esse deficiente começa a babar em seu ombro. E assim começa a inventar desculpas para não viver com isso como uma "separação de bairros", ou aquele cumprimento de longe sem emoção, pois quanto mais longe melhor, porque assim não se tem contato.
O elenco está ótimo a toda hora, em nenhum momento você vê algum ator faltar muito menos menos capazes, e isso alavanca ainda mais a força que o filme tem. Von Trier como diretor de elenco também está fenomenal que consegue extrair o máximo de seus atores, a ponto de ter cenas de sexo explicito (sim, onde você vê a penetração) e que chega perto do pornográfico, mas se ajusta onde quer chegar.




ANTICRISTO (2009)


Neste filme Lars Von Trier vai totalmente contra maré, ou seja, contra tudo  que o público em geral espera de um filme, do qual cria uma trama que choca desde a primeira cena, até seu momento final. Dividido em três partes, junto com um prólogo e um epílogo, o filme carrega inúmeras belas imagens nunca antes vistas no cinema, mas ao mesmo tempo com imagens que faz o espectador se contorcer na cadeira e ficar se perguntando, “o que esta acontecendo?”
O prólogo, por exemplo, apresenta o casal protagonista do filme num momento de grande intimidade, (acredite, aparece tudo) ao mesmo tempo o filho único deles sai do quarto, se aproxima da janela, caindo para morte, numa sequência em preto e branco e câmera lenta nunca vista antes na historia do cinema. Além disso, essa sequência é embalada com a trilha sonora clássica do Hande que fica ecoando em nossas mentes por um bom tempo. Só por essa sequência já vale todo o filme, mas não satisfeito, o diretor nos força a assistir a cenas de pura tensão, terror psicológico, sexo explicito e mutilação das mais terríveis.
Tudo isso para contar uma historia que levanta questões como: “da onde vem o mau do homem?”; “onde fica o céu e o inferno?”. Talvez a resposta esteja no subconsciente da pessoa, onde ela pode tanto criar a mais pura paz para si, como também o verdadeiro inferno na terra. Cada um cria o seu mundo conforme você administra a sua vida no dia a dia. Essa foi a conclusão que eu tive após assistir a esse filme, mas cada um irá tirar suas próprias conclusões e portanto o que eu disse seja apenas a ponta do iceberg.
Charlotte Gainsbourg (A Noiva Perfeita, 21 Gramas) e Willem Dafoe (Homem-Aranha 2, Manderlay), interpretam seus papeis como se fossem os último de suas vidas. Se Dafoe entrega novamente uma bela interpretação, Charlotte entrega uma das melhores e mais polêmicas interpretações dos últimos tempos, pois ela é responsável por umas das sequências mais perturbadoras do longa metragem. Não me surpreenderia se a pessoa mais dura do planeta recuasse o rosto nesse determinado momento.
Reerguido das cinzas, após problemas profissionais e pessoais na época,  Lars Von Trier cria aqui um filme inquietante, forte, explicito e cheio de conteúdo.Saído da sua mente no tempo que estava passando por uma terrível depressão. Isso talvez explique o filme ser como ele é, pois Lars retirou tudo que tinha em sua mente depressiva e colocou na tela. Porém, ao em vez de a gente assistir um filme vazio, testemunhamos uma trama que será lembrada ao longo das décadas. 




Ninfomaníaca (2014)



Volume 1

Considerado “persona non grata” em Cannes depois de declarações bombásticas durante o lançamento do filme Melancolia, Von Trier retorna com esse projeto digno novamente de nota, que vinha sendo divulgado de uma forma maciça de propagandas, tanto pela internet, como TV e revistas de cinema.  Mas para a surpresa de todo mundo, resultado final foi uma produção de mais de cinco horas de projeção, o que forçou a tomar decisão de lançar o filme em duas partes, sendo que a segunda será lançada no próximo mês de março.
Nessas primeiras duas horas de trama, conhecemos Joe (Charlotte Gainsbourg), uma enigmática mulher que é encontrada desmaiada em um beco sujo. É levada para a casa do Seligman (Stellan Skarsgård) para que possa se recuperar. Ela então começa a contar a sua história e o que a levou a se tornar uma ninfomaníaca, desde que era criança, até os seus vinte e poucos anos (interpretada pela jovem e ótima atriz Stacy Martin).
Através de cinco capítulos, acompanhamos a perda da virgindade, a primeira paixão(?), a descoberta da libido, a relação estranha  com o pai (Christian Slater) e o número estrondoso de parceiros sexuais crescendo cada vez mais. Quanto às tão polêmicas cenas de sexo, é importante salientar que foi  lançado uma versão por aqui com cortes (a estendida será exibida em Festival de Veneza), mas creio que a alteração esteja apenas no tempo de duração desses momentos que, já são suficientemente chocantes, muito embora não seja nada fora do comum que já nos acostumamos a ver em muitos outros filmes e sinceramente passa longe do que é visto num filme pornô. 
Ninfomaníaca, pelo menos nessa primeira parte, conquistou a minha simpatia por saber prender a nossa atenção do começo ao fim(?) e tentar saber do porquê ela ter se tornado assim. Além disso, a fusão das cenas com conhecimentos culturais que vai da musica clássica, para a melhor forma de pescar peixe (ou homem) tornam a sessão ainda mais imperdível. Das cenas do filme, destaco a participação de Uma Thurman, como uma desequilibrada esposa de um dos amantes da protagonista. Embora em pouco tempo de cena, Thurman da um verdadeiro show de interpretação que é algo que não se via dela desde Kill Bill. 
Infelizmente quando a gente está todo envolvido com o filme, ele acaba, mas deixando claro através de cenas nos créditos que o melhor estar por vir. 

Volume 2

Lars von Trier não tem medo de cutucar, incomodar e tão pouco falar o que bem entender. Embora polêmico, o cineasta gradualmente foi se tornando ao longo desses últimos anos um dos mais novos diretores autorais que se têm notícias e filmes como Anticristo e Melancolia fortalece isso. No épico Ninfomaníaca: Volume 1 acompanhamos a narrativa contada por Joe (Charlotte Gainsbourg), onde se é explorado os seus anos em busca pelo prazer sexual não importando qual preço a pagar.
Nesta sequência que complementa a trama, adentramos mais ainda ao universo explicito da protagonista, que talvez busque no sexo e masoquismo a mesma sensação que um dia havia sentido e chegado até mesmo a ver santos no céu. Ousado como ninguém Von Trier não poupa o espectador ao misturar cenas explicitas de sexo e violência, mas que por incrível que pareça, funde muito bem ao se fazer um mosaico de acontecimentos nos quais nos leva a verdadeira natureza do subconsciente da personagem. Uma vez lá, conseguimos enxergar não uma mulher fria e calculista em busca dos seus objetivos, mas alguém frágil que tenta achar o caminho da felicidade através de métodos pouco comuns.
Desde o Anticristo Von Trier tenta criar uma espécie de analise filmada sobre os mistérios da mente das pessoas, dos seus desejos, melancolias e loucuras. Talvez Ninfomaníaca seja uma espécie de encerramento sobre essa analise do mundo do sexo, sobre até aonde a pessoa chega a isso, que vai do seu ápice, para a sua queda e. por fim, buscar uma redenção particular. Não é um filme fácil de ser visto, principalmente para uma pessoa conservadora, sendo mais indicado para pessoas com a mente aberta e que enxergam ali alguma mensagem escondida nas entrelinhas.
 

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