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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: A LOUCURA ENTRE NÓS



Sinopse: Através dos corredores e grades de um hospital psiquiátrico, busca-se personagens e histórias que revelem as fronteiras do que é considerado loucura. Por meio de, principalmente, personagens femininos, o documentário exala as contradições da razão nos fazendo refletir nossos próprios conflitos, desejos e erros.

Após a década de 80, a saúde mental no Brasil  teve grandes avanços com o surgimento da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) para tentar extinguir os maus tratos e a política de prisão silenciadora dos manicômios. Mas infelizmente os mesmos ainda não foram totalmente limados, devido a uma série de interesses de empresários, políticos corruptos e, principalmente, da indústria farmacêutica que vive das custas de pacientes. Em sua estréia como cineasta, a diretora Fernanda Fontes Vareille cria nesse documentário de pouco mais de uma hora, uma câmera da qual representa a sua visão pessoal com relação ao que ela enxerga e revela o Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira (fundado em 1892) de dentro para fora, dando voz e um olhar especial a essa parcela da população que é muito pouco ouvida pela sociedade.
Por vários anos o louco foi retratado no cinema, fotografia e outras artes como alguém que tem que viver em lugar fechado, estereotipado, desacreditado, com sintomas muito mais latentes devido aos efeitos adversos das medicações fortíssimas e terapias desumanas como eletrochoque e lobotomia do que pela própria loucura. Porém, no filme, Vareille consegue mostrar a realidade da clausura de forma crítica, apontando os vícios do sistema e, principalmente, sua ineficiência.
Em A loucura entre nós são discutidos temas pertinentes a realidade das pessoas institucionalizadas como a autonomia que lhes é tirada no momento em que passam a viver num hospital, as dificuldades da família para o cuidado, agravada principalmente pela falta de conhecimento do assunto e pela própria situação financeira vulnerável; o impacto das medicações diárias e vitalícias na vida dos paciente; a subjetividade de cada um; o aspecto questionador da loucura – a medida que se passa a não mais fazer questão de seguir as convenções sociais – e, principalmente, humaniza a figura do louco através de suas vozes, canções, expressões e histórias de vida.
Os personagens reais do documentário revelam seus anseios, desejos e delírios de forma muito honesta, levando o espectador a questionar o que é a loucura e quais os impactos negativos do modelo asilar para o interno. As personagens mais fortes são as femininas que norteiam o filme de formas marcantes; alegres ou muito dolorosas, as vezes até fatais. Essa delicadeza do universo feminino, concomitante, com a força e fibra delas é o marco da narrativa. A fotografia é crua, onde a câmera é um personagem revelador, ele inspira confiança aos depoentes que a usam como um espaço para verbalizar suas angustias, desejos e alegrias. As grades do Juliano Moreira são palco de vários depoimentos espontâneos e momentos de cada um. Sua presença é muito forte no filme.
Infelizmente, os manicômios ainda são uma realidade e enquanto eles existirem, o tratamento psicossocial não alcançará sua máxima potência, por isso, esse filme é de extrema importância, principalmente nesse momento de tantos retrocessos políticos e econômicos para a saúde mental no Brasil. 



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