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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: O Botão de Pérola



Sinopse: O oceano contém a história de toda a humanidade. O mar porta todas as vozes da terra e aquelas que vêm do cosmo exterior. Água recebe impulso das estrelas e as conduz para os seres vivos. Água, a maior fronteira no Chile, também retém o segredo de dois botões misteriosos que foram encontrados no fundo de seu oceano. Chile, com suas 2.670 milhas de litoral e o maior arquipélago do mundo, apresenta uma paisagem sobrenatural. Nele estão vulcões, montanhas e geleiras, e também as vozes dos povos indígenas da Patagônia, os primeiros marinheiros ingleses e seus prisioneiros políticos. Alguns relatam que a água tem memória.

Cineasta do elogiado Nostalgia da Luz (2010), o chileno Patricio Guzmán volta adentrar o espírito do seu país em mais um documentário de sua autoria, do qual desvenda elementos, tanto políticos como ecológicos e provando que ambos é um só elemento como um todo. Em Botão de Pérola, Guzmán coloca o oceano em cena para dizer, tanto sobre a magia de nosso planeta, como também o terror que os mares  oculta e depois escancara, A partir da própria narração do cineasta, o filme abre as suas cortinas através de uma crônica sobre a Patagônia, região sul do Chile.
A água por si só se encontra em toda parte, em belos planos sequências, sendo visto do auto e dando uma dimensão de sua grandiosidade. Guzmán vai então pintando um quadro sobre o caráter atemporal do litoral Chileno. Resumidamente, a água é uma condição Elemental, cultural e que faz parte da essência do país como um todo e que somente os povos mais antigos daquela terra tinham uma exatidão maior sobre isso.
A partir daí, gradualmente, Guzmán usa bem o tempo de duração de seu filme ao adentrar sobre assuntos delicados a partir de sua visão pessoal: o massacre dos indígenas da Patagônia, entre o século 19 e o início do século 20, e o assassinato de pessoas durante a ditadura militar de Pinochet, que destituiu Salvador Allende do poder e lançou o país num tenebroso período de violência e repressão. Uma visão pessoal do cineasta com relação a esses fatos, mas que jamais foge da verdade nua e crua.
Existe durante a projeção uma clara ligação pessoal entre o cineasta, personagens e assuntos tratados durante o documentário. Os sobreviventes dos povos indígenas, os poucos que restaram, contam as suas sagas pessoais dos seus antepassados. Em um dos momentos mais significativos da obra, dois entrevistados são incentivados a falarem palavras e a narrarem os eventos através de sua língua nativa, da qual infelizmente se encontra hoje em extinção.
Ao colocar na mesa sobre os massacres da ditadura, Guzmán relembra as pessoas sem vida e jogadas ao mar por helicópteros. Em um momento peculiar, o longa reconstitui até mesmo a maneira como as pessoas eram preparadas para terem o seu fim no fundo do mar. Porém, por mais que o governo escondesse os seus horrores, a natureza do local foi capaz de fossilizar pedaços significativos e desvendando histórias que jamais devem ser esquecidas.
Achado no oceano, o cineasta consegue um símbolo vindo de um passado mórbido: botões de pérolas. O documentário então se molda através de imagens e palavras simples, mas carregadas pela força da vida da qual não adormece mesmo depois da morte. Tudo isso a partir do momento em que o cineasta partiu para uma saga para compreender melhor as suas raízes e acabou encontrando uma ligação forte entre a humanidade, natureza e até os confins do universo.  





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