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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: O CONTADOR



Sinopse: Um contador comum e educado (Ben Affleck) segue uma rotina aparentemente tranqüila. O que as pessoas ao seu redor nem imaginam é que ele leva uma vida dupla, quando sai pelas ruas para agir como assassino de aluguel.

Ben Affleck e Matt Damon são amigos de longa data, cresceram juntos, formaram a dupla de roteiristas de Gênio Indomável e do qual eles ganharam o Oscar de roteiro original. Após isso, ambos seguiram carreiras distintas: enquanto Matt Damon se consagrava como um ator versátil e atuando na franquia do espião desmemoriado Borne, sendo esta elogiada pela crítica, Affleck por sua vez foi decaindo cada vez mais em atuações duvidosas e fracassos de bilheteria. A virada de mesa veio no momento que começou a se dedicar na direção, dirigindo filmes como Medo da Verdade e se consagrando com um Oscar de melhor filme por Argo. 
Mas isso não foi o bastante para o astro que quis provar o seu valor a todo custo. Fã de HQ, Affleck fez de tudo para ser o novo Batman do cinema e que, apesar de ter despertado a ira dos fãs do personagem no princípio, ele não somente convenceu como Batman, como também irá retornar e dirigir um filme solo só dele. Mas como eu disse, Affleck vive numa fase de provar o seu potencial, ao ponto de atuar em O Contador, uma espécie de Identidade do Borne alternativa do seu amigo Damon, mas carregando algumas características de sua própria carreira solo e ganhando então um pouco de identidade própria.
Aqui, Affleck interpreta uma pessoa que sofre desde jovem de uma espécie de autismo, mas que ao mesmo tempo, lhe fez ganhar a capacidade de desenvolver e solucionar contas e valores complexos. Adulto, se torna um brilhante contador, ao ponto de ser convidado por inúmeros donos de empresas para cuidar de suas contas. Porém, o seu personagem acaba se envolvendo com inúmeras organizações criminosas, fazendo dele não só um alvo, como também os seus ex- clientes.
Dirigido por Gavin O'Connor (Guerreiro), o filme se apresenta como uma espécie de filme policial noir contemporâneo, onde a bela fotografia e trilha sonora já no principio da obra, dão uma dimensão do que virá a seguir. Mas o cinéfilo mais atento irá reparar que há elementos familiares, como se o roteirista pegasse idéias já bem usadas de outros filmes ou até mesmo franquias: da já citada franquia do Borne a Batman e até mesmo Uma Mente Brilhante, já que o personagem de Affleck é uma espécie de versão anabolizada do John Nash, personagem de Russel Crowe daquele filme.
Comparações a parte, é preciso pelo menos reconhecer o esforço de Ben Affleck, pois a todo o momento ele tenta nos convencer de que é um autista, mas com uma genialidade fora do normal. Mesmo ainda tendo o físico de Batman VS Superman, o ator constrói uns trejeitos que o fazem parecer uma pessoa insociável com as demais pessoas que ele convive no seu dia a dia. É tocante, por exemplo, quando aos poucos o seu personagem começa a se interagir com pessoas da qual no fundo ele gosta, principalmente através da personagem Dana (Anna Kendrick), do qual se cria uma relação singela e proporcionando os momentos mais divertidos do filme.
Mas se até a metade do filme seja uma espécie de apresentação e construção dos personagens, após isso, o filme muda de cara e entrando em um cenário de teorias de conspiração, embalado com inúmeras cenas de ação e tiroteio. Se por um lado a situação começa a sair um pouco dos trilhos da realidade, em compensação, o cineasta O'Connor se mostra hábil na construção dessas cenas, das quais ele insere uma montagem caprichada e efeitos sonoros convincentes. É nesses momentos, aliás, que me lembrou os melhores momentos da carreira de Michael Mann, principalmente com o seu clássico Fogo contra Fogo, muito embora a minha comparação possa ser um tanto que precipitada.
Falando em precipitação, não se precipite com apresentação de alguns personagens num primeiro momento, pois eles são como uma espécie de cebolas, da quais gradualmente vão sendo descascadas e revelando o seu real ser. Se por um lado o misterioso Brax (Jon Bernthal) não nos engana com relação a sua verdadeira origem, por outro lado, o agente Ray King nos surpreende com revelações surpreendentes e fazendo com que o filme mude de cara de uma hora para outra. Interpretado com maestria por J.K. Simmons, o seu Ray King é o típico personagem que poderia se apresentar como medíocre, mas que ganha contornos melodramáticos arrebatadores e ganhando de imediato a nossa simpatia.
Contudo, é a partir desse momento que o filme ganha ainda mais elementos familiares, um tanto que previsíveis e dando a entender que não será a última vez que veremos esse personagem de Ben Affleck. Se alguém tinha dúvidas disso, elas caem por terra nos minutos finais do filme, quando o roteiro cria uma revelação mirabolante e fazendo com que a palavra “Oráculo” soe em nossas mentes como um todo. Quem é familiar com relação ao universo do Batman, por exemplo, sabe muito bem do que eu estou falando.
Mas não é pelo fato de velhas fórmulas usadas em O Contador que o fazem dele um filme descartado, muito pelo contrário, pois ele é uma legitima prova de que é possível criar boas histórias que nos atraia, mesmo quando elas nos passam a todo o momento aquela sensação já conhecida do déjà-vu.


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