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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Cine Especial: 'A Cruz de Ferro - Do Outro Lado do Front'

Lançado recentemente em DVD pela Classicline "A Cruz de Ferro"(1977) foi o antepenúltimo trabalho da filmografia relativamente curta do Sam Peckinpah. O diretor, que em trabalhos como Meu "Ódio Será Sua Herança" (1969) e "Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia" (1974) conduz a história através dos olhos de personagens marginais, optou novamente pelos anti-heróis ao abordar o tema da Segunda Guerra Mundial do ponto de vista de um alemão. Fugindo do tradicionalismo bobo “alemão= vilão; francês/russo/inglês= herói”, Peckinpah abre o filme mostrando o grupo liderado por Steiner fazendo aquilo que soldados, independentemente de nacionalidade, fazem: matando pessoas. Em uma sequência típica do diretor, com cortes rápidos sendo intercalados por tomadas em câmera lenta, o grupo invade uma fortificação e aniquila violentamente os soldados russos. A cena seguinte, que possui um apelo emocional deveras barato, vem para complementar a ideia de que, nas guerras, mais do que militares, bandeiras e ideologias, existem seres humanos capazes de realizarem tanto o bem quanto o mal: após a matança, o grupo encontra uma criança escondida entre os escombros e, contrariando ordens superiores, Steiner decide poupar a vida dela.

A desconstrução da generalização que caracteriza o alemão necessariamente como um ser diabólico durante a guerra continua à medida que a personalidade do Sargento vai ficando mais clara. Steiner odeia seus superiores, Hitler e, de modo geral, o militarismo. O que o leva até o campo de batalha não é a defesa do nazismo, mas sim um vício quase doentio no estado de guerra, tema que a Bigelow abordou no vencedor do Oscar "Guerra ao Terror" (2009). Contrastando com o personagem, temos o Capitão Stransky. Vilão declarado da trama, Stransky também é construído evitando o óbvio. Assim como Steiner, o personagem também não nutre simpatias pelo Fuhrer alemão e, de certa forma, despreza o nazismo. Seu sonho fútil de conseguir uma distinção militar, assim como os meios desonestos que ele emprega para conseguí-la, longe de serem ambições e fraquezas de caráter exclusivos dos alemães, representam traços de personalidade que podem ser encontrados em qualquer lugar do mundo.

Peckinpah conduz essa história sobre obsessão alternando bem as cenas de ação com os diálogos que desenvolvem a trama e os personagens. Entre um e outro ataque russo (todos violentos e explicitamente gráficos), o diretor reserva espaço na tela para cada um dos soldados comandados por Steiner e para que Stransky utilize sua influência para montar o plano que o levará até a Cruz de Ferro. Quando o embate inevitável entre os personagens ocorre, todas as cartas já foram colocadas na mesa e fica claro o que cada um deles fará. Foi nessa hora que eu comecei a torcer.

Após uma fuga épica através do território russo que reforça o aspecto humano dos personagens, Sargento e Capitão finalmente encontram-se frente-a-frente no campo de batalha. É nesse momento, amigos, que toda e qualquer razão que o ser humano costumeiramente possui em condições normais dá lugar à um estado primitivo de selvageria e insanidade, tanto dos personagens quanto do espectador. Peckinpah realiza alguns de nossos desejos mais ocultos e sanguinários para em seguida fechar o filme com uma cena insana, doentia. A risada diabólica que pode ser ouvida enquanto os créditos sobem é um dos momentos mais marcantes dentre aqueles que eu já assisti do diretor e a mensagem que é exibida no final, uma frase do alemão Bertolt Brecht (Mesmo que o mundo tenha se erguido para deter o bastardo, a cadela que o pariu está no cio novamente), resume bem a mensagem do filme, que faz um alerta não contra os alemães (mas não os exclui), mas sim contra as fraquezas que conduzem os homens ao estado de guerra.


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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Cine Dica: Streaming: 'Pacificador'

Sinopse: Uma figura determinada a alcançar paz, não importa quantas pessoas ele tenha que matar. Na trama, o personagem é convocado por uma força tarefa improvisada do governo, sem o consentimento de Amanda Waller, para tentar impedir uma ameaça que coloca em risco a vida de muitos. 

James Gunn surpreendeu o público e a crítica ao fazer um "Esquadrão Suicida" (2020) que faz jus ao próprio nome. Com uma violência cartunesca, alinhado com um roteiro absurdo, o filme ainda trazia personagens carismáticos como no caso do Pacificador, uma espécie de Capitão América do avesso da DC e sendo muito bem representado pelo ator John Cena. O sucesso do filme fez com que o estúdio e o realizador criassem um derivado e o resultado é "Pacificador" (2022) série que brinca com o universo de super heróis e não tendo medo de ofender nem o próprio Superman.

A série traz de volta John Cena como Pacificador, uma figura determinada a alcançar paz, não importa quantas pessoas ele tenha que matar. Na trama, o personagem é convocado por uma força tarefa improvisada do governo, sem o consentimento de Amanda Waller, para tentar impedir uma ameaça que coloca em risco a vida de muitos. Além de seus deveres patrióticos, o Pacificador também precisará resolver sua relação com seu pai (Robert Patrick), um homem extremamente frio e desonesto. O time de Waller, composto por John (Steve Agee), Leota (Danielle Brooks) e Emilia (Jennifer Holland), auxilia o protagonista a tomar as decisões corretas enquanto usa inteligência governamental para tentar salvar os cidadãos americanos.

A trama em si é aquela típica história de invasão alienígena e que cabe uma força tarefa para detê-la. Porém, ao invés de super heróis politicamente corretos temos uma turma completamente fora dos padrões, dos quais os mesmos são moldados com muitas atitudes duvidosas, alinhada com muitos palavrões e atos e consequências terríveis na medida certa. Imagine um Deadpool sem quebrar a quarta parede, porém, todo alinhado com um palavreado que todo o nerd da cultura pop irá entender e temos então O Pacificador.

John Cena entrega o melhor trabalho de sua carreira, ao interpretar um personagem de HQ de quinta categoria, mas que sendo levado para o cinema e agora para essa série ganha novas camadas complexas e obtendo assim a nossa simpatia. A série também ganha pontos graças a sua ala de coadjuvantes, sendo que o destaque fica para o ator Freddie Stroma que faz o Vigilante, um personagem que tem toda a pinta de futuramente ganhar também uma série própria. E para minha surpresa, a série traz de volta para as telas o ator Robert Patrick, o eterno T1.000 do “Exterminador do Futuro 2” (1991) que aqui interpreta um perverso personagem racista e sendo justamente pai do protagonista.

Com uma abertura pra lá de criativa, "O Pacificador" é uma grata surpresa para aqueles que esperam por novos passos criativos dentro de um gênero que sempre corre o risco de chegar ao ponto do esgotamento.


Onde Assistir: HBOMAX 

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO DE 05 A 11 DE JANEIRO DE 2023 na Cinemateca Paulo Amorim

NOSSA SENHORA DO NILO / SEGREDOS DE GUERRA 


 SALA 2 / EDUARDO HIRTZ


14h15 – A BRIGADA DA CHEFE Assista o trailer aqui.

(La Brigade - França, 2022, 100min). Direção de Louis-Julien Petit, com Audrey Lamy, François Cluzet, Chantal Neuwirth, Fatou Kaba. Imovision, Livre. Comédia dramática.

Sinopse: Cathy é uma chef de cozinha que sonha em abrir seu próprio restaurante. Enquanto não consegue o dinheiro necessário para bancar o negócio, ela aceita trabalhar na cozinha de um abrigo para jovens imigrantes. No início Cathy odeia o novo emprego - e os garotos preferem comer bobagens industrializadas. Mas, aos poucos, a paixão da chef pela culinária começa a despertar o interesse dos meninos, ao mesmo tempo em que ela percebe que o mundo vai além da sua cozinha.


16h – UMA MULHER DO MUNDO Assista o trailer aqui.

(Une Femme du Monde - França, 2021, 100min). Direção de Cécile Ducrocq, com Laure Calamy, Nissim Renard, Béatrice Facquer. Imovision, 18 anos. Drama.

Sinopse: Marie ganha a vida como prostituta e é atuante no sindicato das profissionais do sexo. Ela também tem um filho de 17 anos, mas as relações com o garoto não são nada tranquilas. Sonhando com um futuro melhor para o filho, Marie resolve matriculá-lo em um renomado curso de culinária francesa – mas sua renda não dá conta do alto valor das mensalidades. A atriz Laure Calamy foi indicada ao prêmio César pela interpretação da protagonista.


17h45 – NOSSA SENHORA DO NILO    ESTREIA  Assista o trailer aqui.

(Notre-Dame du Nil – França/Bélgica/Ruanda, 2019, 90min). Direção de Atiq Rahimi, com Amanda Santa Mugabekazi, Albina Sydney Kirenga, Malaika Uwamahoro. Pandora Filmes, 16 anos. Drama.

Sinopse: No início dos anos 1970, em Ruanda, um grupo de meninas adolescentes estuda em um internato dirigido por religiosos belgas. Apesar de compartilharem sonhos e preocupações típicas da idade, o cotidiano das garotas é marcado pelas diferenças étnicas do país, onde a maioria hutu e a minoria tutsi vivem em conflito. O filme é baseado nas memórias da escritora tutsi Scholastique Mukasonga, que sobreviveu ao massacre cometido por extremistas em 1994, quando cerca de 800 mil pessoas foram mortas no país africano.


19h30 – AFTERSUN Assista o trailer aqui.

(Reino Unido/EUA, 2022, 100min). Direção de Charlotte Wells, com Frankie Corio e Paul Mescal. O2 Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Quando tinha 11 anos, Sophie passou alguns dias de férias com o pai, numa praia ensolarada e cheia de descobertas. Vinte anos depois, ela encontra um vídeo daquele verão e tenta se reconciliar com suas lembranças e com aquele homem que até hoje não conhece plenamente.


SALA 3 / NORBERTO LUBISCO


14h40 – MALI TWIST Assista o trailer aqui.

(Twist à Bamako - Senegal/Mali/França/Canadá, 2021, 130min). Direção de Robert Guédiguian, com Stéphane Bak, Alice Da Luz, Saabo Balde. Imovision, 14 anos. Drama.

Sinopse: No início dos anos 1960, os jovens da recém proclamada República do Mali sonham com a renovação política e dançam ao som da música norte-americana. É neste cenário que Samba, um adepto do socialismo, se apaixona por Lara, que foi prometida em casamento para um líder do seu povoado. Lara e Samba sonham com um futuro juntos, mas a liberdade dos novos tempos ainda não é compreendida por todos.


17h – MARTE UM Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2021, 115min). Direção de Gabriel Martins, com Cícero Lucas, Carlos Francisco, Camilla Damião. Embaúba Filmes, 16 anos. Drama.

Sinopse: Os Martins, uma família negra de classe média baixa, vivem na periferia de uma grande cidade brasileira – e, apesar da situação do país, tentam equilibrar suas expectativas e dificuldades. A mãe, Tércia, acha que está amaldiçoada depois de levar um susto, enquanto a filha mais velha planeja ir morar com a namorada. O pai, Wellington, que trabalha como porteiro, sonha com o dia em que o filho mais novo será um jogador de futebol, mas Deivinho sonha mesmo em viajar para Marte. O longa foi o indicado pelo Brasil para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar de melhor filme internacional.


19h10 – SEGREDOS DE GUERRA    ESTREIA  Assista o trailer aqui.

(Firebird - Reino Unido/Estônia, 2021, 107min). Direção de Direção de Peeter Rebane, com Tom Prior, Oleg Zagorodnii, Diana Pozharskaya. Synapse Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Sergey, um jovem soldado da Força Aérea soviética, e Roman, um oficial reconhecido pelas suas habilidades como piloto, prestam serviço militar durante os anos da Guerra Fria. Além da tensão constante que vivem na base, os dois veem sua amizade se transformar em amor – o que faz ambos arriscarem suas vidas e sua liberdade ao confrontar um regime rígido e conservador. O filme é baseado na história que deu origem ao livro “A Tale About Roman”, escrita pelo próprio Sergey Fetisov (1952-2017).


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 12,00 (R$ 6,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 14,00 (R$ 7,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). CLIENTES DO BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES. 

Professores têm direito a meia-entrada mediante apresentação de identificação profissional. Estudantes devem apresentar carteira de identidade estudantil. Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013. Brigadianos e Policiais Civis Estaduais tem direito a entrada franca mediante apresentação de carteirinha de identificação profissional.

*Quantidades estão limitadas à disponibilidade de vagas na sala.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Cine Dica: Streaming: 'She-Hulk'

Sinopse: Tatiana Maslany surge de um acidente de carro, em que ela e Bruce (Mark Ruffalo) ficam feridos e, sem querer, gotas do sangue do físico caem na sua corrente sanguínea e fazendo com que ela se transforme na Mulher Hulk. 

A primeira vez que eu tive conhecimento da Mulher Hulk foi no mix do "Incrível Hulk "nº 125 da editora abril no ano de 1993. Escrito e desenhado por John Byrne, a história mostrava a heroína entediada em seu apartamento em uma noite de natal, onde então decide ligar para o Coisa do Quarteto Fantástico para bater um papo, porém, é surpreendida por um ataque do Doutor Destino. O insano da trama é que a personagem mata sem querer o vilão e usa o seu corpo de metal para arremessar contra o Magneto que surge do nada, assim como também Galactus na penúltima pagina.

Mas a maior loucura de ler essa HQ foi o fato ver a personagem quebrar a quarta parede, ou seja, falar com a gente que está lendo o gibi e tendo a consciência que é realmente uma personagem de HQ. Essa fase comandada por John Byrne foi sem sombra de dúvida a mais divertida da heroína, mesmo para aqueles que achavam estranho em um primeiro momento, mas que serviu até mesmo de inspiração para os roteiristas quando criaram as tramas de Deadpool. Por conta dessa bagagem era mais do que lógico que os produtores do estúdio Marvel iriam beber muito dessa da fonte de ideias dessa época e o resultado é que a série "She-Hulk" (2022) é a mais inusitada e absurda das produções do estúdio até agora.

Na trama, Jennifer Walters (Tatiana Maslany) é uma advogada bem-sucedida que vive uma vida comum e tranquila até sofrer um grave acidente. Durante o imprevisto, ela acaba recebendo, acidentalmente, o sangue do seu primo, o cientista e super-herói Bruce Banner (Mark Ruffulo), vulgo Hulk. A partir daí, a vida da mulher muda completamente, enquanto ela se transforma na versão feminina da criatura verde. Agora, a advogada precisa aprender a controlar seus novos e intensos poderes e, mesmo contra sua vontade, se torna uma heroína com muita visibilidade. Além das novas habilidades, Jennifer também recebe uma inesperada promoção no trabalho: ela é encarregada de comandar a divisão de leis super-humanas e seu escritório utiliza sua nova fama como Mulher-Hulk para ganhar status.

Antes de mais nada é preciso dar um salve de palmas para Tatiana Maslany, que desde a série "Orphan Black" ela tem nos impressionado pela sua versatilidade em meio a pirotecnia, já que naquele programa ela interpretava inúmeras personagens em meio a diversos efeitos visuais de ponta e que deixava tudo mais verossímil. Aqui, novamente, ela interpretada um personagem da qual exige efeitos visuais, mesmo em momentos em que os mesmos não nos convençam, mas não tirando o brilho da própria. Aliás, é notório que atriz está se divertindo o tempo inteiro durante o programa e revelando para nós uma verdadeira veia cômica.

Mas assim como nas HQ, a personagem também quebra aqui a quarta parede, com direito de tirar o maior sarro do próprio estúdio, assim como também com relação a perspectiva daqueles que assistem. Curiosamente, é notório que em muitos episódios a série faz uma crítica acida contra os próprios fãs que invadem as redes sociais para criticar algo antes mesmo de ser apreciado, sendo que o próprio programa sofreu nas mãos de detratores antes mesmo de surgir na grade do Disney+. A personagem, portanto, brinca com isso sem nenhum medo e fazendo com que o programa tome um passo à frente mesmo quando não se leva a sério em nenhum momento.

Por conta disso, os realizadores tiveram até direito de brincar com a expectativa dos fãs com relação a promessa de participações especiais como no caso, por exemplo de Demolidor e do qual realmente apareceu. E se muitos estavam reclamando de algum ou outro episódio em que nada acontecia eis que o episódio final vai para uma fronteira até então inédita para a personagem e para aqueles que acompanham o MCU desde o princípio e nos surpreendendo com a coragem de levar essa brincadeira para um cenário até então inédito. Em tempos em que o gênero de super heróis para o cinema e tv possui um futuro indefinido com relação ao seu esgotamento nunca é demais a gente relaxar e curtir algo que vai para um outro caminho mais descontraído, mas ao mesmo tempo inesperado.

Com uma bela e bem humorada homenagem a clássica série do Hulk no último episódio, "She-Hulk" é divertida e ao mesmo tempo corajosa ao brincar com as nossas expectativas e nos convidando para ir em um território que nem o próprio Deadpool foi ainda. 

Onde Assistir: Disney+  

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Cine Dica: Próxima Sessão do Clube de Cinema de Porto Alegre - 'Aftersun'

Segue a primeira programação de 2023 do Clube de Cinema no próximo final de semana.

SESSÃO CLUBE DE CINEMA

Local: Sala Eduardo Hirtz, Cinemateca Paulo Amorim, Casa de Cultura Mario Quintana

Data: 07/01/2022, sábado, às 10:15 da manhã.


"Aftersun"

Reino Unido/ EUA, 2022, 100 min, 14 anos

Direção: Charlotte Wells

Elenco: Frankie Corio, Paul Mescal

Sinopse: Quando tinha 11 anos, Sophie passou alguns dias de férias com o pai, numa praia ensolarada e cheia de descobertas. Vinte anos depois, ela encontra um vídeo daquele verão e tenta se reconciliar com suas lembranças e com aquele homem que até hoje não conhece plenamente.

Sobre o filme:  É engraçado que quando a gente se lembra de uma determinada situação ela não era exatamente aquilo como a gente se lembrava. Pego, por exemplo, a minha sensação quando revejo alguns filmes clássicos e percebo que determinadas cenas não são de acordo com as minhas lembranças que eu havia guardado de determinados títulos. "Affersun" (2022) fala mais ou menos sobre isso, ao revisitarmos lembranças através das imagens e nos darmos conta que é sempre preciso reavaliarmos os nossos pensamentos e sentimentos sobre um determinado ponto de nossas vidas.  

Dirigido por Charlotte Wells, a trama se passa no final da década de 1990, onde Sophie (Frankie Corio), de onze anos, e seu pai Calum (Paul Mescal) passavam as férias em um clube na costa turca. Eles tomam banho, jogam bilhar e desfrutam da companhia amigável um do outro. Calum se torna a melhor versão de si mesmo quando está com Sophie. Sophie, enquanto isso, acha que tudo é possível com ele. Quando a jovem está sozinha, ela faz novos amigos e tem novas experiências. Enquanto saboreamos cada momento passado juntos, uma sensação de melancolia e mistério às vezes permeia o comportamento de Calum.  

Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui. 



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terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Cine Dica: Streaming - 'Ms. Marvel'

Sinopse: Em Ms. Marvel, conhecemos Kamala Khan (Iman Vellani), uma jovem de 16 anos que cresceu em Jersey City. De origem paquistanesa, a adolescente é uma estudante e jogadora exemplar. Porém, ao descobrir um bracelete da família Kamala começa a manifestar poderes surpreendentes.  

A HQ "Ms. Marvel" iniciada em 2014 pela editora foi sem sombra de dúvida uma das melhores coisas que eu li recentemente sobre Super Heróis. Assim como o clássico Homem Aranha a personagem se divide entre o heroísmo, o seu dia a dia da escola e seus deveres em casa. Além disso foi uma grande novidade uma personagem de origem não americana conquistar tão rapidamente os leitores e abrindo um leque cada vez maior com relação a diversidade.

Claro que não demorou muito para a HQ ficar no radar das possíveis adaptações para o cinema. Sempre ficava me perguntando se os realizadores seriam fieis ao conteúdo, sendo que houve até mesmo boatos que tentariam trocar a suas origens de paquistanesa e o que seria uma verdadeira blasfêmia. Felizmente, a minissérie "Ms. Marvel" (2022) mantem a sua essência se formos comparar com a obra original, mesmo que algumas adaptações possam incomodar a maioria dos fãs.

Na série, conhecemos Kamala Khan (Iman Vellani), uma jovem de 16 anos que cresceu em Jersey City. De origem paquistanesa, a adolescente é uma estudante e jogadora exemplar. Em seu tempo livre, Kamala gosta de escrever fanfics e tem um fascínio especial por super-heróis, particularmente pelos Vingadores e a Capitã Marvel. Contudo, a jovem geek tem enfrentado problemas para se encaixar em casa e fazer amigos na escola, já que poucos dos adolescentes ali possuem os mesmos interesses que ela. No entanto, a vida de Kamala muda drasticamente quando ela adquire superpoderes. Agora, com suas novas e misteriosas habilidades, a jovem precisa enfrentar a mesma realidade daqueles super heróis que tanto admira.

O primeiro episódio já começa genial, principalmente pelo fato da adaptação se lembrar de sua fonte de origem, ao ponto que diversas cenas parecem uma HQ quase viva. Isso se deve graças a uma edição caprichada, alinhada com desenhos que surgem a todo momento e fazendo com que os atores se interagem até mesmo com os clássicos balões com as escritas dentro. É algo que eu não via desde o genial "Scott Pilgrim contra o Mundo" (2010) e se lá foi perfeito aqui o resultado foi bem vindo.

Infelizmente o ritmo se perde um pouco nos episódios seguintes, principalmente pelo fato dos realizadores se apressarem demais com relação as origens dos poderes de Kamala, sendo que em sua fonte original isso fica mais em segundo plano e dando mais espaço ao seu dia a dia em tentar ser uma jovem normal e ao mesmo tempo uma super heroína. Felizmente a situação melhora do quarto ao sexto e último episódio, ao explorar mais o universo paquistanês e das raízes de sua família a partir da independência da Índia.

Aliás, é na reta final que a minissérie ganha ares de quase uma superprodução, com direito a viagens no tempo, ação, mas que não se esquece do lado humano da personagem em momento algum. Iman Vellani nasceu para ser a protagonista, ao conseguir se entregar fielmente as suas raízes e sabendo lidar em momentos tantos de humor como dramáticos. O melhor de tudo é que a produção se preocupa mais em dar enfoque a personagem, o que é uma grande novidade do estúdio Marvel, já que o mesmo sempre se preocupa mais em interligar todas as suas produções do que criar uma boa história do começo ao final dela.

Porém, os minutos finais do episódio final dão uma dica do que estará por vir para a personagem e abrindo as portas para uma nova fase do MCU muito aguardada pelos fãs. "Ms. Marvel" traz novamente a simplicidade de uma boa aventura desses heróis fantasiados e provando que o público pode sim abraçar a diversidade vinda desse universo.  

Onde Assistir: Disney+ 

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Cine Dica: Streaming: 'Cavaleiro da Lua'

Sinopse: Steven Grant (Oscar Isaac), um homem gentil, educado e aparentemente normal, mas que descobre ter uma dupla identidade, dividindo sua personalidade com a do mercenário implacável, Marc Spector. 

Eu prevejo que um dia a Marvel Estúdio irá definhar, pois eu acredito que sua própria fórmula de sucesso se tornará o seu pior inimigo, se é que não já está acontecendo. Porém, é preciso reconhecer que, ao menos nas séries de tv, o estúdio tem ousado em fugir um pouco de sua fórmula e nos apresentando algo mais criativo para dizer o mínimo. "Cavaleiro da Lua" (2022) é um desses casos que você embarca dentro da história não sabendo de nada e te surpreendendo na medida em que a trama avança.

Dirigido por Jeremy Slater, a trama nos apresenta Steven (Oscar Issac), funcionário de uma loja que sofre de um grave problema de insônia e tendo a desconfiança de que algo acontece com ele durante a noite. Quando começa a ter visões de um ser chamado Cavaleiro da Lua, a personificação de Khonshu em seu corpo, passa a acreditar que está perdendo sua sanidade e misturando real e fantasia. Ele, então, conhece Arthur Harrow (Ethan Hawke), líder de uma seita religiosa que incentiva Steven a abraçar o caos que sua vida se tornou e aceitar se tornar permanentemente o Cavaleiro da Lua.

Em primeiro lugar, é preciso dar palmas para os realizadores na construção da trama e de seus personagens nos primeiros capítulos da série. Nos primeiros minutos, por exemplo, vemos o vilão calçar os seus chinelos de uma forma bem peculiar, enquanto o herói nos é apresentado em seu apartamento acorrentado pela perna por ele próprio. São esses momentos estranhos que fazem a série ser diferente das outras, principalmente pelo fato de Steven nem ter a mínima ideia sobre o que ele é, mas que aos poucos é revelado que é um personagem mais problemático do que nós imaginamos.

Se alguns esperam por uma série de ação pode até se decepcionar um pouco, já que a trama se envereda mais para um suspense psicológico, pois nunca sabemos ao certo se o protagonista está presenciando algo real ou uma alucinação a todo momento. Em um determinado momento, por exemplo, ele é cercado por inimigos, para logo depois se dar conta que estão todos derrotados e não sabendo como conseguiu isso. As respostas, logicamente, começam a se desenhar, mas não deixando de lado as outras diversas teorias que podem estar sendo elaboradas no decorrer da trama.

A série é recheada de simbolismos vindos da mitologia Egípcia, sendo que Khonshu é, talvez, uma das figuras mais interessantes em cena e que sempre surge em momentos em que Steven precisa dele para se transformar, não somente no Cavaleiro da Lua, como também despertar a sua outra personalidade chamada Marc. Ou seja, estamos diante de um personagem com a mente fragmentada e sendo algo até mesmo semelhante ao que foi visto no filme "Fragmentado" (2016). Logicamente seria preciso um interprete de primeira para esse tipo de personagem e coube a Oscar Isaac para essa difícil tarefa.

Em sua melhor atuação na carreira, Isaac constrói para o seu lado Steven um personagem inseguro, cheio de paranoias e não sabendo ao certo sobre o que realmente acontece em sua vida. Já Marc tem total consciência com relação ao que acontece ou aconteceu em sua vida e dando a entender que Steven seria uma personalidade que ignora até mesmo fatos trágicos do seu passado nebuloso. Um desempenho digno de nota e que merece ser reconhecido em possíveis futuras indicações a prêmios.

A reta final da série promete um giro de 360 graus dentro da trama, já que o personagem transita entre a razão e a loucura cada vez mais acentuada e fazendo a gente ficar em dúvida se tudo o que está acontecendo é real ou apenas fruto de sua imaginação. Infelizmente a Marvel tenta usar explicações mais plausíveis em sua reta final, principalmente ao inserir a personagem Layla, interpretada pela atriz May Calamawwy, da qual a mesma se torna uma figura que tenta puxar o personagem para algo que nos soe mais coerente, mas que não era realmente necessário. O capítulo final só não descamba para o previsível porque, felizmente, a trama se encerra da maneira que a série havia começado e gerando mais dúvidas do que certezas e é exatamente isso que a faz tão única.

"Cavaleiro da Lua" talvez não seja a melhor série da Marvel, mas é a mais corajosa ao nos apresentar uma trama imprevisível e que foge dos padrões costumeiros do estúdio Marvel.   

Onde Assistir: Disney+

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