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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: 'O Homem que Matou Dom Quixote' - Delírios e Ilusões

Sinopse: Sinopse: Um velho sapateiro espanhol que acredita ser Dom Quixote confunde Toby, um arrogante diretor de comerciais, com seu escudeiro Sancho. 

Assim como outros cineastas autorais, Terry Gilliam é um estranho no ninho dessa Hollywood atual, da qual essa última está cada vez mais se tornando submissa a franquias infinitas e com o único intuito de atrair as massas. Em meio a esse redemoinho ele pode até parecer um louco, mas é preciso de loucos como ele para o cinema continuar sendo considerado como arte. Aliás, só mesmo sendo louco como ele para concluir "O Homem que Matou Dom Quixote" (2018), um filme cuja a produção se tornou um inferno, mas devemos agradecer ao tinhoso por ter acontecido isso.
O filme conta a história do jovem cineasta Toby (Adam Driver), que viaja à Espanha para filmar uma versão barata de Dom Quixote. Para o ator principal, ele escala um sapateiro da região (Jonathan Pryce), que nunca trabalhou no cinema na vida. Doze anos se passam, e Toby, agora um experiente diretor de comerciais de televisão, tem a oportunidade de fazer uma superprodução também baseada no livro de Cervantes. Ele retorna à Espanha, começa as gravações, mas logo enfrenta uma total crise criativa. Em meio a essa situação, Toby descobre que o sapateiro enlouqueceu, pois acredita realmente que é Dom Quixote e acha que Toby seja o seu Sancho Pança.
Difícil imaginar como seria a versão inicial de Terry Gilliam com relação ao clássico literário, já que o cineasta levou trinta anos para finalmente lançar a sua obra. Em meio aos acidentes de set, tempestades, desistência do elenco e estouro de orçamento, parecia que o filme estaria sendo condenado ao limbo. Felizmente Gilliam não desistiu do seu sonho, pois além de concluir a sua obra, é mais do que claro que o filme se tornou uma síntese de toda essa jornada.
Para começar, o filme não é basicamente sobre Dom Quixote si, mas sim sobre o verdadeiro circo que é para a realização de um projeto e como os engravatados dos estúdios podem ser implacáveis quando o assunto é dinheiro. Toby seria uma espécie de álter ego de Terry Gilliam, do qual se vê mastigado pelas engrenagens dos produtores enquanto o seu talento como cineasta é afogado pela falta de inspiração e não conclusão do seu sonho. Qualquer semelhança com o clássico "Oito e Meio" (1963) de Federico Fellini não é mera coincidência.
Uma vez que Toby parte por uma encruzilhada, da qual fará com ele tenha o encontro com o seu antigo astro, o filme como um todo irá se dividir entre a realidade e fantasia, pois estamos falando sobre Dom Quixote e o gênero fantástico não poderia ficar de fora. É aí que o cineasta usa e abusa de sua edição de arte impecável, fotografia de cores vibrantes e um figurino que remete aos seus bons tempos de produção do clássico "Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado" (1975).
Para o fã mais rígidos do livro, talvez o filme não venha a cumprir com as suas expectativas como um todo, mas isso seria um verdadeiro passo em falso em acreditar nesse pensamento. Para começar, só mesmo a excentricidade vinda do cineasta para conseguir captar a essência da sua fonte de inspiração e fazer com que o seu lado autoral se cassasse com o lado excêntrico e filosófico vindo do livro de Miguel de Cervantes. O resultado é peculiar, imprevisível, e por isso mesmo imperdível.
O filme serve também como escada para prestarmos cada vez mais atenção no ator Adam Drive. Revelado ao mundo na nova trilogia de "Star Wars", Drive tem se destacado também em filmes mais autorais, como no caso do "Infiltrado na Klan" (2018) e aqui o seu personagem vai crescendo na medida em que adentra ao universo de Dom Quixote e fazendo com que ele enfrente a sua própria insanidade. O ato final não só respeita a sua fonte como um todo, como também encerra de uma forma mais do que satisfatória uma jornada árdua que levou trinta anos para ser concluída.
"O Homem que Matou Dom Quixote" é o "Apocalypse Now" de Terry Gilliam, mas que, felizmente, conseguiu também sobreviver para nos brindar com mais uma de suas excentricidades. 

Nota: O filme será exibido para associados do Clube de Cinema de Porto Alegre agora nesse próximo sábado, as 10:15 na Sala Eduardo Hirtz (Casa de Cultura Mário Quintana).  


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