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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: 'Abaixo a Gravidade' - luxúrias, Mazelas e Poesias

Sinopse:  Bené (Everaldo Pontes) é velho sábio e curandeiro que vive uma vida pacata no Capão, na Chapada Diamantina, onde conhece Letícia, jovem grávida por quem se apaixona. Algum tempo depois do parto (que ele mesmo faz) a moça volta para Bahia e ele a segue com o pretexto de cuidar da própria saúde. 

Embora com poucos títulos, Edgard Navarro é um cineasta que se destacou no final dos anos oitenta, pois podemos enxerga em sua obra uma espécie de fusão do melhor que tinha nos tempos do "Cinema Novo" e do "Cinema Marginal" brasileiro. Em "SuperOutro" (1989), por exemplo, vemos a cruzada de um louco pelas ruas de Salvador, ao tentar fugir da miséria e realizar o sonho de voar. Trinta anos depois, o cineasta retorna ao mesmo cenário em "Abaixo a Gravidade" (2018), do qual ele novamente usa os mesmos ingredientes do passado e assim criar uma viagem extra-sensorial cinematograficamente falando.
O filme conta a história de Bené (Everaldo Pontes), um velho sábio e curandeiro que ajuda as pessoas necessitadas. Certo dia ele ajuda a jovem Leticia (Rita Carelli) em seu parto, mas logo ela parte para Bahia. Decidido a reencontra-la, Bené toma novos rumos na vida, a partir do momento que pisa em uma comunidade do interior da Bahia e conhecendo ali personagens que se misturam com aquela realidade.
Fica até fácil a gente adentrar no primeiro ato da trama, já que Edgard Navarro apresenta os seus respectivos personagens principais de uma forma lúcida e verossímil. Porém, a partir do momento em que o cenário da Bahia entra em cena, tanto o protagonista como aqueles que assistem a história, adentra em situações imprevisíveis e moldadas por personagens extravagantes. É como se estivéssemos assistindo uma espécie de continuação de "SuperOutro", o que não deixa de ser assustador, já que as mesmas mazelas do nosso país vistas a trinta anos atrás são novamente vistas aqui.
Porém, entre as dificuldades e a miséria, o cineasta opta em extrair disso alguma poesia. O melhor da cultura da Bahia, por exemplo, é pincelado por personagens excêntricos, mas ricos em conteúdo. Não deixa de ser curioso quando o velho protagonista tenta dialogar com um morador de rua e extraindo dali uma realidade em que a maioria de nós desconhece por falta de interesse.
Curiosamente, a partir do segundo ato em diante, Edgard Navarro decide abrir o seu leque e lançar mais personagens na medida em que eles se cruzam na vida de Bené. É aí que o filme adquire uma linguagem surrealista e da qual alguns irão se incomodar. Porém, não deixa de ser divertido alguns desses personagens vistos na tela, como no caso de um que vai ao psiquiatra, ou daquele que trabalha como uma estátua em movimento em troca de alguns trocados.
Embora surreal, não deixa de serem personagens que nós já nos acostumamos a cruzarmos no dia a dia na cidade grande, porém, pincelados com fórmulas de recursos cinematográficos primorosos e revelando o melhor da cultura vinda do universo nordestino. Além disso, o cineasta ainda tem tempo para incrementar referencias, tanto ao cinema estrangeiro, como também do nosso cinema brasileiro. Referências a filmes como, por exemplo, Melancolia (2011), "Asas do Desejo", "2001 - Uma Odisseia no Espaço" (1969) e o "O Céu de Suely" (2006) é um prato cheio para qualquer cinéfilo, mesmo quando tudo soa muito gratuito.
Não espere também uma lógica no seu ato final, sendo que, talvez, nem seja essa a intenção do cineasta. Ao explorar a hipotência e o desejo do homem, Edgard Navarro cria um elo entre esse último com os poderes vindos do cosmo e dos quais são inevitáveis de serem evitados. Cabe cada um abrir a sua mente e aproveitar uma visão autoral que é, por vezes, absurda, mas que não deixa de ser curiosa.
"Abaixo a Gravidade" é fruto de uma mente extravagante, criativa e que sintetiza um pouco o melhor da nossa cultura brasileira. 


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