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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: Você Nunca Esteve Realmente Aqui

Nota: filme exibido para associados do Clube no último dia 29/09/18. 

Sinopse: Um homem, veterano de guerra, ganha a vida resgatando mulheres presas em cativeiros trabalhando como escravas sexuais. Após uma missão mal sucedida em um bordel de Manhattan, a opinião pública se torna contra ele e uma onda de violência se abate na região.

Embora exista nesse momento os ventos da nostalgia com relação aos anos 80, os anos 70, por sua vez, começam aos poucos serem revisitados nos cinema, mas não só retratando uma época, como também recriando a sua estética e temática. No recente Bom Comportamento, por exemplo, assistíamos a um filme que remetia aqueles tempos, mesmo com a história se passando nos nossos dias contemporâneos. Você Nunca Esteve Realmente Aqui segue sessa tendência, mas num grau mais elevado, ousado e inesquecível.
Dirigido por Lynne Ramsay (Precisamos Falar sobre Kevin), acompanhamos a história de Joe (Joaquin Phoenix), veterano de guerra e que atualmente se sustenta como matador profissional. Certo dia um Senador o contrata para resgatar a sua filha chamada Nina (Ekaterina Samsonv) que foi levada para servir de prostituta num bordel de Manhattan. Porém, o resgate dá errado durante o percurso e Joe acaba sendo envolvido no emaranhado  submundo político e corrupto. 
No decorrer da projeção é fácil comparar o filme aos grandes clássicos dos anos 70, principalmente ao Taxi Drive. Em ambos os casos, os protagonistas são veteranos de guerra que não conseguem mais se introduzirem na América que um dia viveram e fazem somente o que foram forçados a fazer no passado. Mas, se por um lado ficávamos nos perguntando o que havia acontecido com personagem de Robert De Niro no clássico de Martin Scorsese, aqui testemunhamos fragmentos da mente de Joe, dos quais não temos exatamente uma base linear sobre os fatos, mas sim uma ideia do ocorrido.
Assim como no perturbador Precisamos Falar sobre Kevin, a cineasta Lybbe Ramsay não excita em colocar o protagonista em situações limites, das quais cutucam o seu demônio interior e faz sempre lhe questionar se deve ou não continuar adiante. Joaquin Phoenix, novamente, nos brinda com uma interpretação extraordinária, onde só pelo seu olhar consegue transmitir um ser moldado pelo horror, seja ele vindo da guerra, ou da própria civilização que se diz "politicamente correta". Sua interpretação, aliás, melhora a cada cena graças ao perfeccionismo vindo da diretora.
Lynne Ramsay  não joga um letreiro explicativo, ou tão pouco narração off explicando os fatos, mas sim elaborando diversas cenas fragmentadas sobre o passado e presente do protagonista. Em diversos momentos essas cenas vem e voltam, toda vez que o protagonista está diante de um ato violento, seja feito por ele próprio, ou por aqueles que provocaram a fazer isso. Isso gera, então, momentos de pura tensão, dos quais não deve em nada a um filme de terror e fazendo a gente sempre temer com que virá a seguir.
O ato final reserva momentos surpreendentes, onde a cineasta testa as nossas perspectivas com relação ao que formos testemunhar. Os minutos finais, aliás, são uma síntese sobre o ser humano num beco sem saída, mas que, independente do que venha acontecer, a sociedade irá continuar seguindo em frente, com os seus sorrisos amarelos e como se ele nunca tivesse existido. Cabe a ele desistir de tudo ou seguir em frente como se nada tivesse acontecido?
Você Nunca Esteve Realmente Aqui é um provocante estudo sobre a sociedade atual cada vez mais violenta, hipócrita, da qual cria os seus próprios monstros, mas que não se encontram em outros países, mas talvez adormecido e dentro de você mesmo. 

Onde assistir: Sala Paulo Amorim Rua das Andradas nº 736, centro de Porto Alegre. Horário: 19h30min


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