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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Cine Especial: ‘Robocop’ - 35 Anos Depois

Sinopse: Policial é morto em combate e transformado por cientistas da empresa que dirige a força policial em um ciborgue ultrassofisticado a fim de ser usado na luta contra o crime na cidade de Detroit. 

Talvez o mais poderoso filme de Paul Verhoeven. Ele é forte até mesmo nos dias de hoje e funciona tanto como uma crítica acida quanto para aqueles que buscam somente ação. Raro caso de um filme carregado de duas camadas e das quais funciona para todos os públicos.

Após ser morto violentamente por criminosos, o policial Alex Murphy (Peter Weller) se torna um ciborgue da organização OCP. Com o intuito de ser a nova peça central da companhia, Alex é transformado em um ser robótico que tem como diretrizes a obedecer a lei a qualquer custo. Porém, mesmo nesta situação, ele aos poucos descobre a sua humanidade e irá atrás daqueles que arruinaram a sua vida.

Embora aparentemente simples, o roteiro de Edward Neumeier e Michael Miner cria uma verdadeira sátira política e social sobre o consumismo desenfreado que se encontrava encrustado na sociedade norte americana dos anos oitenta e que se encontra até nos dias de hoje. Além disso, o filme deixa mais do que em evidencia que o fascismo se encontrava vivo mesmo em um país que se diz democrático, porém, não para todos. Isso é muito bem representado nas chamadas de tv que surgem ao longo da história, vendendo, por exemplo um jogo de guerra nuclear, enquanto os âncoras falam sorrindo falsamente sobre a situação de violência e caos que ocorre pelo mundo.

E mesmo aqueles que trabalham na OCP, figuras moldadas de forma caricata para os empresários sem nenhum escrúpulo, simbolizam o lado errôneo provocado pelo capitalismo, por se acharem poderosos, não escondendo para si o lado fascista do cenário e que obrigam as pessoas comuns a servirem ao sistema de qualquer jeito. Tanto o protagonista robótico quanto ED-209 foram programados para usar a força para que o cidadão obedeça a "lei". Não deixa de ser irônico, por exemplo, a desculpa coloca em pauta no filme sobre a criação de ED-209, com o intuito de pacificar, quando na verdade não passa de um grande tanque ambulante que destroça qualquer ser humano com a sua metralhadora.

Tudo não passa de uma grande cortina de fumaça, já que o intuito da empresa OCP é a criação da chamada cidade Delta City, da qual riscara do mapa a cidade antiga de Detroit, mas não se importando com o futuro daqueles habitantes que vivem ali. Ou seja, quem pagar mais sairá ganhando e explicitando o fato que somente irão morar no conforto os bem ricos.  Fora todas essas camadas reflexivas, o clássico é um ótimo trailer de ação, onde vemos um homem lutar contra as suas próprias engrenagens que o fazem continuar vivo e poder alcançar a sua, enfim, vingança contra aqueles que lhe tiraram tudo.

Aos poucos, vemos Murphy se livrar das cordas, onde se destaca a cena em que o protagonista consegue derrotar ED-209 de uma maneira simples e humana, ao fazê-lo cair das escadas em uma cena antológica. ED é uma representação do que a OCP queria com Robocop, em transforma-lo em uma máquina sem sentimentos e para somente obedecer a ordens sem nenhum custo. A cena em que vemos o herói finalmente se vendo no espelho é fantástica, graças a sutileza que Peter Weller cria para o seu personagem, ao reconhecer que um dia foi ser humano, mas não conseguindo ainda sentir os velhos sentimentos.

O trabalho de Verhoeven para o filme está entre os seus melhores momentos de sua carreira, pois ele consegue orquestrar tudo o que foi dito acima de uma forma centrada, verossímil e muito bem pensada. Destaque para a violência retratada no filme, da qual ela se diferente de outras obras, pois ela é crua, chocante e realista. Na cena, por exemplo, em que o protagonista é morto por diversos tiros no início da trama sentimos toda a sua dor naquele momento e sendo um dos momentos mais angustiantes da história do cinema.

Mais de três décadas depois desde o seu lançamento se percebe que o filme envelheceu muito pouco, já que o capitalismo e o fascismo estão cada vez mais de mãos dadas atualmente e criando todos os métodos possíveis para a sociedade continuar alienada e sem muita força para reagir. O protagonista, ao menos, consegue se livrar das amarras que o faziam estar preso a esse sistema, mas para nós seres humanos o trabalho é muito mais árduo, mas não impossível de ser feito.

"Robocop" é um clássico filme dos anos oitenta que nos convida para testemunhar um mundo violento e capitalista ao extremo, ou seja, o futuro que se tornou o nosso presente em tempos nebulosos. 


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