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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Cine Dica: Em Cartaz - 'LIBELU: ABAIXO A DITADURA'

Sinopse: Liberdade e Luta foi um grupo trotskista universitário surgido em 1976. Impulsionada por uma organização clandestina, a tendência estudantil ganhou fama ao retomar a o lema "abaixo a ditadura". Seus integrantes eram famosos pela irreverência e abertura cultural.  

Embora tenha se seguido por mais de vinte anos desde o dia 31 de março de 1964, a Ditadura Militar Brasileira sofreu com diversos percalços e dentre eles eram os inúmeros jovens estudantes que não aceitavam os rumos em que o país estava vivendo. Curiosamente, alguns desses jovens vieram a se tornar conhecidos pelo grande público, pois muitos seguiram as carreiras jornalistas ao seu modo e que, infelizmente, alguns tiveram que se adentrar aos sistemas da direita para continuarem sobrevivendo. "Libelu - Abaixo a Ditadura" (2021) fala sobre essa geração que se levantou contra a ditadura, mas que cada um seguiu o seu próprio caminho de acordo com que a realidade lhe oferecia.

Dirigido por Diógenes Muniz, "Libelu - Abaixo a Ditatura" conta a história do Liberdade e Luta, um grupo trotskista universitário que surgiu em 1976. Impulsionada por uma organização clandestina internacionalista, a tendência estudantil ganhou fama ao retomar a palavra de ordem “abaixo a ditadura”. Seus integrantes eram famosos pela irreverência e abertura cultural. Entre os anos 1970 e 1980, Libelu se tornou adjetivo, sinônimo de radicalidade e, para adversários, inconsequência política. Passadas quatro décadas, o documentário mostra onde estão jovens trotskistas e o que pensam nos dias de hoje.

É importante destacar que Diógenes Muniz procura não entrevistar as figuras centrais desse documentário todos juntos, mas sim de forma separada, mas no mesmo cenário. Curiosamente, a partir do momento em que um é entrevistado, logo surge outro em cena para concordar ou contradizer alguns fatos em que o entrevistado anterior havia dito. Uma forma interessante de analisarmos uma situação em que muitos vivenciaram, mas que alguns tiveram uma visão diferente sobre os acontecimentos.

Tecnicamente, o realizador procura nos passar uma edição agiu, onde os fatos narrados pelos entrevistados se intercalam com cenas gravadas dos movimentos da época. Muito desse material sintetiza o calor daqueles tempos de incerteza, mas que faziam uma nova geração de estudantes sair para as ruas e fazendo com que os representantes daquela "não democracia" temer pela possibilidade de um novo "maio de 68". Segundo as próprias palavras do diretor, a “A Libelu foi impulsionada das sombras por uma organização clandestina, a Organização Socialista Internacionalista (OSI)”, explica Muniz.

Por conta disso, vários outros grupos começaram a sair das sombras. Assim, o movimento estudantil foi se articulando para reerguer as entidades representativas que tinham sido fechadas pelo regime militar.” Os Sindicatos, por exemplo, foram algo que foi enfraquecido pelo regime, mas que logo foi ganhando força a partir do momento em que esses jovens deram gás nas ruas. Esse efeito borboleta que causou cada vez mais o enfraquecimento do regime daqueles tempos e culminando nas "Diretas Já".

Antes disso, porém, a Libelu foi se dispersando ao longo do tempo, sendo que alguns estudantes se tornaram jornalistas conhecidos e cada um foi colhendo o que foi plantado. Pessoalmente, eu acho interessante ver em cena o jornalista Paulo Moreira Leite, hoje colunista do site "Brasil 247" e que no passado trabalhou nas entranhas do Jornalismo Empresarial como a Veja e a própria Globo. Segundo as suas próprias palavras, era um jornalismo da direita e que se prestavam em criar um material que falava sobre algum ponto do outro lado do mundo, mas que jamais retratava os verdadeiros males que afligiam o povo brasileiro.

Curiosamente, observamos também a figura do jornalista Reinaldo Azevedo, que no passado foi um desses muitos jovens que saíram as ruas e que, posteriormente, se tornou um jornalista que bateu de frente contra a própria esquerda. Autor de "O País dos Petralhas", é interessante observa-lo como um profissional que caminhou pelos dois lados da linha da história, mas que não demonstra resquícios de culpa pelas suas escolhas perante os últimos quase dez anos de acontecimentos que fragilizaram a nossa Democracia. Mas dessa contradição toda, tudo pesa no colo do ex-ministro Antônio Palocci, que surge em cena no final da obra e simbolizando que aquela geração de luta nem todos conseguiram se manter no lado mais coerente da história.

Acima de tudo, é um documentário sobre a força do pensamento da esquerda, de um socialismo fortalecido perante ao autoritarismo, mas cujo esse poder foi se perdendo ao longo do tempo em que a Democracia foi restabelecida.  Se isso aconteceu no passado, o que dizer de uma esquerda de hoje em que, infelizmente, se encontra dividida, que precisa de todas as formas para derrubar um desgoverno que somente despreza o lado Democrático do país e que deseja a todo custo por o peso do golpe de estado contra todos. Nos próximos meses será preciso o conhecimento do passado para ajudar essa nova geração que anda cada vez mais se perdendo e não conseguindo nem sequer escolher um lado.

"Libelu - Abaixo a Ditadura" fala sobre os grandes acertos dos movimentos estudantis do passado contra o autoritarismo, mas cujo o mesmo foi desaparecendo ao longo do tempo e que nos dias de hoje precisaria do quanto antes de um renascimento. 


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