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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 2 de agosto de 2022

Cine Especial: 8 ½ Festa do Cinema Italiano 2022 - 'Leonora, Adeus'

Sinopse: Após décadas de permanência num cemitério de grande porte, as cinzas do escritor Luigi Pirandello são enfim transferidas ao pequeno vilarejo de seu nascimento, conforme dos desejos da família e do artista. No entanto, a transferência dos restos mortais é marcada por inúmeros acontecimentos surreais. 

Quando certos realizadores autorais chegam em uma determinada idade avançada os mesmos começam a namorar o pensamento com relação ao inevitável destino de abraçar a morte. Héctor Babenco, por exemplo, mesmo estando doente se debruçou sobre o que poderia se tirar nos seus últimos anos de vida através de filmes como "Meu Amigo Hindu" (2015) e, por fim, "Babenco - Alguém tem que ouvir o coração" e cuja os seus últimos registros foram destinados para atriz e até então esposa Bárbara Paz. É aí que chegamos ao filme italiano "Leonora, Adeus" (2022), filme de Paolo Taviani que não fala somente sobre a morte de um artista, como também o fim de tudo, desde a um determinado movimento artístico e o fim de uma era que não se pode obter mais retorno.

Após a morte do irmão, Vittorio, ao lado de quem estabeleceu uma parceria responsável por mais de 20 trabalhos, a maioria deles clássicos (Aconteceu na Primavera, A Noite de São Lourenço, Pai Patrão, César deve Morrer), Paolo Taviani dirigiu seu segundo longa-metragem solo após Maravilhosos Boccaccio, quando ao menos ainda contava com a colaboração do irmão no roteiro. Em "Leonora, Adeus", o octogenário diretor ensaia uma biografia estranha, embora satisfatória, do poeta e dramaturgo da Sicília Luigi Pirandello, cuja obra serviu de inspiração para alguns dos filmes dos Taviani. Ao invés de debater a vida ou a carreira de Luigi, Paolo preocupa-se com as cinzas do vencedor do prêmio Nobel. Sua ênfase é no legado.

O filme começa de uma forma super interessante, onde vemos o determinado dramaturgo doente em um quarto enquanto vê os seus três filhos ainda crianças adentrando o local. Porém, os jovens vão envelhecendo rapidamente em cena, ao ponto de não serem muito diferentes do que se encontra na cama e sintetizando, enfim, os pensamentos com relação ao inevitável abraço que se dá com relação a morte. A partir daí, o filme ganha um tom quase documental, onde vemos o dramaturgo ganhar o prêmio Nobel, mas ao mesmo tempo retratando mudanças significativas dentro da própria Itália.

Não me admira, por exemplo, se Paolo Taviani seja fã do Neorrealismo italiano, já que o movimento influenciou muitos cineastas na forma de se filmar e aqui o realizador presta uma pequena homenagem a esse importante período cinematográfico. Entre cenas reais e fictícias, por exemplo, há uma clara homenagem ao clássico "Roma - Cidade Aberta" (1945), de Roberto Rossellini, filme que revelaria uma Itália ainda dominada pela invasão nazista e que, posteriormente, renasceria entre os escombros e lançando obras primas como "O Ladrão de Bicicletas" (1948) de Vittorio De Sica.

A partir daí, o filme avança ao mostrar a jornada das cinzas do dramaturgo dentro de uma caixa e sendo levada ao local que ele gostaria que elas ficassem. Curiosamente, o filme ganha um teor até mesmo bem humorado, para não dizer absurdo em algumas situações, mas das quais não muito se distanciam da realidade, pois ela própria as vezes já soa bastante absurda algumas vezes. Com uma belíssima fotografia em preto e branco, o filme vai nos conquistando aos poucos, pois ficamos imaginando se as cinzas obterão o seu real destino.

Porém, Paolo Taviani surpreende ao realizar um ato final do qual o mesmo é inspirado em uma das últimas obras de Luigi Pirandello. O filme se torna colorido, ao contar a jornada de um jovem imigrante italiano em solo americano e cometendo um assassinato de uma jovem criança. Antes disso, curiosamente, a mesma criança está digladiando com outra, como se ambas estivessem brigando por território, mas terminando de uma forma trágica e inexplicável.

É um momento em que muitos terão que se sentar e debater com relação ao que aconteceu, principalmente que esse momento é carregado de simbolismo, desde um cachorro que dá atenção ao jovem, como também a peça central que serviu para o assassinato. O realizador não dá respostas fáceis, muito embora a solução seja algo pessoal, principalmente ao vermos o jovem crescer e visitar quase sempre a jovem que ela havia matado no passado.

O filme fala sobre começo, meios e fins, dos quais não envolvem somente a Itália em si, como também os movimentos cinematográficos e a visão autorais de cineastas que deram tudo de si em vida, mas cuja as suas obras se mantem intactas e vivas na mente de muitas pessoas. Com uma pequena homenagem ao clássico "Era Uma Vez na América" (1984), "Leonora, Adeus" é uma homenagem aos grandes autores, seja do universo cinematográfico, como também daqueles que queriam nos passar algo do universo literário.


Nota:  Mais informações sobre a  8 ½ Festa do Cinema Italiano 2022 clicando aqui. 

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