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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 21 de março de 2018

Cine Dica: O CASO DO HOMEM ERRADO estreia com debate dia 22 de março



Documentário O CASO DO HOMEM ERRADO estreia com debate no CineBancários

O CASO DO HOMEM ERRADO tem sessão especial seguida de debate no dia 22 de março às 19 horas, com a presença da advogada Karla Meura, da produtora executiva Mariani Ferreira, do Major da Brigada Militar Dagoberto Albuquerque da Costa, do coordenador do Coletivo Estadual de Igualdade Racial dos Bancários do RS Edison Moura e a mediação do jornalista Airan Albino.
O CASO DO HOMEM ERRADO conta a história do jovem operário negro Júlio César de Melo Pinto, que foi executado pela Brigada Militar, em 1987, em Porto Alegre/RS. O crime ganhou notoriedade após a imprensa divulgar fotos de Júlio sendo colocado com vida na viatura e chegar, 37 minutos depois, morto a tiros no hospital. O filme traz o depoimento de Ronaldo Bernardi, o fotógrafo que fez as imagens que tornaram o caso conhecido, da viúva do operário, Juçara Pinto, e de nomes respeitados da luta pelos direitos humanos e do movimento negro no Brasil. Além do caso que dá título ao filme, a produção discute ainda as mortes de pessoas negras provocadas pela polícia. A Anistia Internacional, inclusive, fala de genocídio da juventude negra devido ao grande número de jovens negros assassinados pelas forças de segurança no País. O filme também apresenta dados atuais sobre essa violência contra a comunidade negra.
O longa-metragem finalizado em maio de 2017 trilha um caminho de sucesso para uma produção independente brasileira. Ainda em maio teve pré-estreia no Capitólio com uma marcha do centro da cidade de Porto Alegre até ao cinema com o lema “Vidas Negras Importam”. Em agosto, fez a sua estreia nacional no 45º Festival de Cinema de Gramado. Em novembro, na sua primeira participação internacional em festivais, ganhou o prêmio de melhor filme no 9º Festival Internacional de Cine Latino, Uruguayo y Brasileiro, em Punta del Este. E para finalizar, em dezembro, realizaram o lançamento do documentário na capital mais negra do país, Salvador, na Sala Walter da Silveira, com lotação máxima.
Para seguir nessa trajetória, CASO DO HOMEM ERRADO entra em cartaz dia 22 no CineBancários com a intenção de ampliar o debate em torno do racismo, que mata uma parcela significativa de indivíduos por conta da pigmentação de sua pele. Segundo dados da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens, 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados todos os anos. São 63 por dia. Um a cada 23 minutos. A CPI toma por base os números do Mapa da Violência, realizado desde 1998 pelo sociólogo Julio Jacobo Wasilfisz a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. O último Mapa da Violência contabilizou que cerca de 30 mil jovens são assassinados por ano no Brasil e 77% são negros. Ainda de acordo com o Mapa, a taxa de homicídios entre jovens negros é quase quatro vezes maior que a entre os brancos, 36,9 a cada mil habitantes, contra 9,6.

Ficha Técnica
Produtora: Praça de Filmes
Diretora: Camila de Moraes
Roteiro: Camila de Moraes, Mariani Ferreira e Maurício Borges de Medeiros
Produção Executiva: Camila de Moraes e Mariani Ferreira
Elenco: (Depoentes) Juçara Pinto, Paulo Ricardo de Moraes, Ronaldo Bernardi, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, João Carlos Rodrigues, Jair Kirschke, Edilson Nabarro, Renato Dornelles, Paulo Antônio Costa Corrêa, Waldemar Moura Lima, Vera Daisy Barcellos, Romeu Karnikowski, Aline Gerber
Direção de Fotografia: Maurício Borges de Medeiros
Trilha Sonora: Rick Carvalho
Montagem: Maurício Borges de Medeiros
Desenho de Som: Guilherme Cássio dos Santos

Mulheres no Cinema
Realizado pela produtora de cinema gaúcha Praça de Filmes, o documentário tem a coordenação de duas jovens negras, Camila de Moraes que assina a direção e Mariani Ferreira que faz a produção executiva, ambas jornalistas. Segundo dados apresentados no final de janeiro deste ano pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) no estudo “Diversidade de Gênero e Raça nos lançamentos de 2016”, analizando 142 filmes lançados comercialmente no respectivo ano concluiu que mesmo a população brasileira tento 51% de mulheres e 54% de negros, os homens brancos dirigiram 75,4% dos longas-metragens e na outra ponta desta tabela as mulheres negras não assinaram a direção, o roteiro ou a produção executiva de nenhum filme nacional naquele ano.
O estudo mostra que 19,7% de mulheres brancas dirigiram longas. Os homens negros dirigiram 2,1%. O roteiro desses filmes também foi escrito principalmente por homens brancos, 59,9%, mulheres brancas, 16,2%, e parcerias entre homens brancos e mulheres brancas, 16,9%. Os homens negros foram roteiristas em 2,1% dos filmes e estiveram em parcerias com homens brancos em 3,5%. Dados atualizados do Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (Gemaa), vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que acompanha o tema, mostram que mulheres negras não dirigiram ou roteirizaram um filme sequer entre os de maior bilheteria no período de 1995 a 2016. Na verdade houve uma queda da presença feminina no audiovisual. Em 2015, mulheres dirigiram e roteirizaram 19% e 23% das obras de espaço qualificado, números que diminuíram para 17% e 21% em 2016. Nos últimos oito anos, conforme o balanço, os índices flutuaram. Mulheres dirigiram 10% dos filmes em 2014, sem nunca ultrapassar 24% de todas as produções, recorde observado em 2012.
“Diante desses dados é preciso criar medidas específicas para garantir um olhar mais plural, pois essas produções que temos são os olhares que vão construir o imaginário das novas gerações, e essas produções são feitas, na maioria das vezes, por homens brancos. As disparidades que vemos são o reflexo da sociedade. Então, nós fizemos questão de ocupar o espaço de direção e produção executiva do documentário ‘O Caso do Homem Errado’, pois é para demarcar espaço, é um ato político, é que para os próximos estudos da Ancine sobre o ano de 2017 tenha registrado, ao menos, uma produção de longa-metragem dirigida por uma mulher negra e que entrou em circuito comercial. Estamos dando um passo de cada vez. Sabemos que temos produções no audiovisual negras, que temos mulheres negras nas mais diversas áreas produzindo e escrevendo uma nova história através desse outro olhar, porém percebemos a dificuldade que é chegar nos registros e regulamentações de toda uma obra audiovisual. No nosso caso tivemos uma parceira com a produtora Praça de Filmes já registrada na Ancine, mas e as produções negras que não tem produtoras como fazem para dar esse passo? O registro é caro, as taxas, os documentos exigidos para exibir o filme em uma sala de cinema ou em TV. É tudo pago. Como conseguir esses recursos financeiros? Essas questões todas surgiram para nós na pós produção do documentário, que está sendo mais difícil que imaginava, pois é um processo executivo, burocrático, que demora, porém por mais exaustas que estejamos, fizemos um acordo de não desistir, de nenhum passo atrás. Vamos ocupar todos os espaços e a sala de cinema do CineBancários é só a primeira desse circuito comercial que se inicia, podem ter certeza que em 2018 vamos fazer vários rolezinhos no cinema com a nossa população negra”, desabafa da diretora Camila de Moraes.

Grade de horários:
*Não abrimos segundas-feiras

22 de março (quinta-feira)
15h - A luta do século
17h - A luta do século
19h - O caso do homem errado ( com a presença da advogada Karla Meura, da produtora executiva Mariani Ferreira, do Major da Brigada Militar Dagoberto Albuquerque da Costa, do coordenador do Coletivo Estadual de Igualdade Racial dos Bancários do RS Edison Moura e a mediação do jornalista Airan Albino. )

23 de março (sexta-feira)
15h - A luta do século
17h - A luta do século
19h - O caso do homem errado

24 de março (sábado)
15h - A luta do século
17h - A luta do século
19h - O caso do homem errado

25 de março (domingo)
15h - A luta do século
17h - A luta do século
19h - O caso do homem errado

27 de março (terça-feira)
15h - A luta do século
17h - A luta do século
19h - O caso do homem errado

28 de março (quarta-feira)
15h - A luta do século
17h - A luta do século
19h - O caso do homem errado

29 de março (quinta-feira)
15h - Zama
17h - O caso do homem errado
19h – Zama

30 de março (sexta-feira)
15h - Zama
17h - O caso do homem errado
19h – Zama

31 de março (sábado)
15h - Zama
17h - O caso do homem errado
19h - Zama

1 de abril (domingo)
15h - Zama
17h - O caso do homem errado
19h - Zama

3 de abril (terça-feira)
15h - Zama
17h - O caso do homem errado
19h - Zama

4 de abril (quarta-feira)
15h - Zama
17h - O caso do homem errado
19h - Zama

C i n e B a n c á r i o s
Rua General Câmara, 424, Centro
Porto Alegre - RS - CEP 90010-230
Fone: (51) 34331204

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